sábado, 31 de janeiro de 2009

Notícias não tão novas, mas alentadoras...

Palmas, Tocantis - Brasil

Semus quer reduzir e prevenir suicídios em Palmas
02/12/2008 20:28

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus) revelam que os números de suicídio e de tentativa de suicídio vêm aumentando com o decorrer dos anos. Para reduzir a incidência e prevenir esse tipo de violência, a Semus promove um curso de capacitação para 60 profissionais de saúde multiplicadores, para identificação dos Fatores de Risco contra a Violência Auto-infligida (suicídio e tentativas), nos dias 5 e 6 de dezembro, a partir das 8h30, no CEULP/ULBRA.

Uma mesa-redonda, aberta ao público e a imprensa, será realizada no dia 5, às 19h30, no auditório central do CEULP/ULBRA. Para comandar as discussões, a Semus trará os maiores especialistas da área, trata-se do psiquiatra e doutor em Saúde Pública da UNICAMP, Drº Neury Botega e da psicóloga e doutora em Saúde Pública, da PUC-RS, Drª Blanca Werlang.

De acordo com o Secretário Municipal de Saúde, Samuel Braga Bonilha, a violência auto-infligida, que inclui o suicídio, as tentativas de suicídio e as automutilações, foi apontada como primordial para as ações de prevenção da saúde no Brasil: "o suicídio é considerado pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde como problema de saúde pública e os dados epidemiológicos das causas externas na cidade de Palmas requerem intervenções que objetivem a diminuição tanto dos óbitos quanto das tentativas de suicídio", assegurou o secretário.

Estatísticas em Palmas

Segundo o Núcleo de Prevenção a Violências e Acidentes da Semus, 83 homens e 131 mulheres tentaram o suicídio, nos últimos cinco anos e 38 pessoas foram a óbito por suicídio, de 2004 a 2007.

"Desde 2006, estamos notificando as tentativas de suicídio e desta forma, acompanhando as pessoas que tiveram esse procedimento para evitar novas tentativas", informa Patrícia Ferreira Nomellini, Coordenadora de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Semus.

Interação complexa

Segundo a psicóloga, Lívia Tâmara Oliveira Barbosa, responsável técnico pelo Núcleo de Prevenção a Violência e Acidentes da Semus, o suicídio nunca é o resultado de um evento ou fator único e isolado, "normalmente, o suicídio é uma interação complexa de vários fatores, como transtornos mentais e doenças físicas, abuso de substâncias psicoativas, problemas familiares, conflitos interpessoais e situações de vida estressantes", explica a especialista, acrescentando que o suicídio é talvez a forma mais trágica de alguém terminar a vida.

“A maioria das pessoas que consideram a possibilidade de cometer o suicídio não estão certas se querem realmente morrer", afirma Lívia Barbosa, informando que a maioria das pessoas que pensa em cometer o suicídio comunica o intento aos familiares, profissionais de saúde ou amigos.

“O sistema público municipal de saúde conta com profissionais capacitados e uma rede de atendimento que estão à disposição da população de forma gratuita para diagnosticar e apoiar pessoas e familiares que estão vivenciando o problema", afirma a especialista.

Modo de divulgação influencia suicidas

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos muitos fatores que podem levar um individuo vulnerável a efetivamente tirar sua vida pode ser a publicidade sobre os suicídios. A maneira como os meios de comunicação tratam casos públicos de suicídio pode influenciar a ocorrência de outros suicídios.

A OMS adverte que o suicídio não deve ser mostrado como um método de lidar com problemas pessoais como falência financeira, reprovação em algum exame ou concurso ou abuso sexual. As reportagens devem levar em consideração o impacto do suicídio nos familiares da vítima e nos sobreviventes em termos de estigma e de sofrimento familiar.

Fonte: Assessoria de Imprensa Semus

http://conexaotocantins.com.br/noticia/semus-quer-reduzir-e-prevenir-suicidios-em-palmas/4131


Tókio, Japão

Governo lança guia para prevenir suicídio infantil
28/3/2007

Professores são aconselhados a prestar mais atenção nos alunos e oferecer suporte psicológico

Uma comissão do Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia fez um manual para os professores tentarem impedir estudantes de cometer suicídio.

O guia, que será colocado no site do ministério em breve, é a primeira tentativa que o governo já fez para tentar evitar suicídio infantil.

A comissão, que foi montada depois da aprovação em junho da lei básica de prevenção de suicídio, é composta por 14 especialistas, incluindo professores, conselheiros e psicólogos.

O guia é focado nas causas do suicídio e aponta alguns sinais de que uma pessoa pretende cometer suicídio, e também diz como se deve lidar com o suicídio.

Segundo a comissão, os fatores que podem aumentar a chance de suicídio incluem: tentiva anterior de suicídio, isolação decorrente de uma família que muda muito de cidade, falta de suporte familiar e ijime.

Os professores devem prestar atenção em mudanças de comportamento nas crianças que têm alguma dessas características.

http://www.ipcdigital.com/ver_noticiaA.asp?descrIdioma=br&codNoticia=6276&codPagina=6437&codSecao=302 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Prevenção do suicídio entre os servidores da segurança pública

Alerta vermelha em toda parte!

O suicídio de policiais é fato recorrente e notícias de vários países apontam para o grave problema. 

EUA: suicídio mata mais policiais do que confrontos

Robert Douglas Jr., ex-oficial de polícia em Baltimore e hoje presidente da Fundação Nacional do Suicídio de Policiais, em Maryland estima que entre 400 e 450 policiais se suicidem a cada ano, ante cerca de 150 a 200 policiais mortos no cumprimento do dever. 

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2739727-EI8141,00.html

Faltam psiquiatras para prevenir suicídio nas polícias

A falta de apoio psiquiátrico nas forças de segurança é apontada por Daniel Sampaio como uma das causas para as situações de suicídio. Em 2008, o número de casos na GNR (Guarda Nacional Republicana) quadruplicou face à média dos anos anteriores e esta semana houve já mais dois. 

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1069166

No Brasil, o quadro não é diferente e tem sido objeto de estudos científicos, como os dois abaixo apresentados durante o XVI Congresso Militar de Saúde, em 2006, no Rio de Janeiro:

Tentativas de suicídio entre policiais militares: um estudo em saúde mental e trabalho (também tese de mestrado pela UFMG)
Geralda Eloisa Gonçalves Nogueira 

Violência urbana e suicídio de policial militares
Antonio Basílio Honorato Barbosa

Eis aí um vasto campo de investigação científica e de intervenção para minorar os riscos que a violência auto-inflingida acarreta aos policiais militares.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobreviver ao ato suicida. O dia seguinte

A perda de um ente querido pelo suicídio é um acontecimento terrível, doloroso e inesperado. Provoca uma intensa dor, que pode ser prolongada e que será diferente e única para aquele que a sofre. 

Chama-se “sobrevivente” os familiares e amigos da pessoa que cometeu suicídio. Calcula-se que em cada caso há, pelo menos, seis pessoas vinculadas à ocorrência, que sofrerá mais diretamente as consequências morais e emocionais surgidas desta situação.

Os sobreviventes ao suicídio, em muitas ocasiões, se deparam com pessoas próximas, que manifestam reprovação ou imposição de culpa em relação ao suicídio ocorrido.

Os tabus, algumas crenças religiosas e a tendência de se evitar os temas relacionados à morte contribuem para isolar e estigmatizar os sobreviventes. Se, além disso, não encontram o apoio devido, acabam por integrar um potencial grupo de risco, face aos difíceis conflitos a se enfrentar, estando estas pessoas suscetíveis à depressão e mesmo ao suicídio.

Ao lado da dor causada pela perda, é comum o surgimento de reações emocionais diversas, como angústia, baixa auto-estima, apatia, tristeza, revolta, sentimento de abandono, de negação, vergonha, incredulidade, estresse, culpa, isolamento, ansiedade...

Estes sentimentos e atitudes são reações normais, expressões do sofrimento, ainda que a princípio as pessoas possam se sentir mais intensamente afetadas por estas emoções. Experimentam alívio quando tomam conhecimento ou já sabem que o ente querido sofria algum tipo de transtorno mental.

É comum o fato dos sobreviventes se atormentarem com as motivações do ato suicida e com a hipótese de que eles poderiam ter feito algo para ajudar o ente querido ou mesmo ter evitado a sua morte, o que, frequentemente, pode suscitar sentimentos de culpa. Podem, também, sentirem-se acusados pelas pessoas, o que os levará a um processo de negação dos fatos ou a se tornarem muito reservados. Estas atitudes podem complicar ainda mais os conflitos emocionais.

 Se o sobrevivente é uma pessoa próxima, de nossa intimidade, o que podemos fazer de melhor é ouvi-la, sem criticar ou emitir opinião. Por conta dos tabus em torno do suicídio, os seus sobreviventes raramente comentam abertamente o fato ocorrido ou manifestam seus sentimentos. Para auxiliá-los devidamente, devemos deixar de lado todas as nossas idéias pré-concebidas sobre o suicídio e suas vítimas. Isto será possível se nos esforçarmos para conhecer melhor este complexo fenômeno.

 Alguns conselhos úteis no contato com um sobrevivente

. É importante perguntar se podemos ajudá-lo e como podemos fazê-lo. É possível que o sobrevivente não esteja preparado para compartilhar sua dor e necessite de mais tempo para aceitar a sua ajuda. 

 . Deixe que ele fale no seu ritmo próprio. À medida que se sentir à vontade se manifestará melhor.

 . Tenha paciência. A repetição faz parte do processo de superação. Por isso, é possível que você tenha que ouvir a mesma história muitas vezes.

 . Use o nome do ente querido ao invés de “ele” ou “ela”, pois isso trará a pessoa falecida ao convívio, por meio da lembrança, trazendo reconforto.

 . É possível que não tenhamos o que dizer. O importante, no entanto, é a nossa presença junto ao sobrevivente, pronto para ouvi-lo sem reservas.

 . Não há, pois, como se estabelecer regras de como se deve agir ou sentir nestas circunstâncias. Cada pessoa deve se deixar guiar pelos seus sentimentos e percepções.

 . Evite frases como “Eu posso avaliar o que você sente”, a não ser que você tenha realmente vivido uma experiência semelhante.

Fonte: http://www.suicidioprevencion.com/index.php?lang=es

Tradução: Abel Sidney

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Prevenção do suicídio na imprensa: de 21 a 24 de janeiro...

Dourados terá Programa de Prevenção ao Suicídio
Radio Grande FM, Brazil - Jan 24, 2009
O estado de Mato Grosso do Sul é o segundo em número de suicídios no Brasil, perdendo apenas para o estado do Rio Grande do Sul. ...
Serviço anti-suicídio é implantado em Dourados com CVV
Amambaí News, Brazil - Jan 23, 2009
Devido ao grande números de suicídios registrados em Dourados, principalmente nas aldeias indígenas, a Associação Mensageiros de Amor à Vida está ...
Dourados terá CVV (Centro de Valorização da Vida)
Midiamax, Brazil - Jan 23, 2009
A Associação Mensageiros de Amor à Vida está implantando em Dourados, o CVV (Centro de Valorização da Vida). O serviço não tem fins lucrativos e atua com o ...

Pesquisa estuda meios de reduzir casos de tentativa de suicídio
Portal Amazônia - 15 horas atrás
A necessidade de prevenção é que vai gerar as ações, ampliar o conhecimento sobre as doenças que acontecem no Estado do Tocantins e melhorar as ações de ...

Estudantes desenvolvem projecto de prevenção do suicídio nos idosos
Universia.pt - 20 jan. 2009
A prevenção da depressão e do suicídio na população idosa é o objectivo de um projecto que está a ser desenvolvido por três estudantes da Escola Superior de ...

Todas as notícias podem ser baixadas aqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

No mesmo dia, em duas publicações digitais, em Portugal...

O contágio e a imitação do suicídio em pauta

Nestes dias de janeiro duas notas em publicações virtuais chamou-nos a atenção. 

No dia 19, na coluna Pessoas do diáriodigital e no dia seguinte, na revista Blitz, ancorada no portal aeiou, duas notas abordam o tema suicídio.

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No diáriodigital a manchete era: "Hugh Laurie fez pacto de suicídio aos 15 anos". 

Uma questão, de imediato, se nos apresenta: pacto de suicídio (mesmo não consumado) é um mote adequado para se comentar acerca do sucesso profissional de alguém?

O formato da notícia coloca em pauta a discussão, (em aberto sob muitos aspectos), a respeito do contágio e da imitação do suicídio e do papel da mídia nos casos em que este é consumado sob a influência dos dois citados fenômenos (reprisaremos o conceito de contágio e imitação, abaixo).

A utilização do "pacto de suicídio" do futuro-Dr. House como mote e cenário para se destacar a sua própria ascensão como ator foi uma infeliz idéia, claramente desnecessária

A despeito da contextualização e das explicações acerca do pacto, não fica claro o destino dos pactuantes. Laurie safou-se, se deu bem apesar da "atitude arrogante" do adolescente que ele foi, que não via sentido em viver além dos 30 ou dos 40 anos... Mas quanto aos demais colegas? Que fim eles levaram? A nota não se refere a eles.

E a própria discussão (vaga, sem rumo)  em torno do valor de se viver ou não após os 30/40 anos não será, em demasia, perigosa? 

Daí as recomendações quanto aos riscos das referências gratuitas em torno do suicídio...

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A revista Blitz,  a nosso ver foi ainda mais infeliz ao dar ênfase à descrição da simulação do ato suicida pelo ator Heat Ledger, ocorrida durante a gravação de um curta-metragem. O mesmo viria a suicidar-se posteriormente, como sabemos. 

A glamourização da notícia está, a nosso ver, em se recriar todo o cenário que teria induzido, em parte, o ator australiano à consumação do suicídio, pois a revista descreverá o seu vínculo com o cantor Nick Drake (também suicida) e a música que viria a se tornar tema do short film

A reação de um dos leitores desta notícia pode melhor expressar o seu sensacionalismo:

UEEEEEEEEE bora ganhar trocos com a morte do outro?! BORAAAAAAAAAA!!!!

Enfim, os jornalistas precisam estudar o guia para profissionais de mídia (Prevenir o suicídio: Um guia para os profissionais dos mídia) para que se aborde de forma mais cuidadosa notícias sobre o suicídio.

Recado dado!

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Nota

Imitação constitui o processo pelo qual um suicídio exerce um efeito modelador em suicídios subseqüentes. 

Contágio é o processo pelo qual um determinado suicídio facilita a ocorrência de um futuro suicídio, indiferentemente do direto ou indireto conhecimento do suicídio precedente.

Fontes

Hugh Laurie fez pacto de suicídio aos 15 anos

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=181&id_news=368753 

Heath Ledger suicida-se em filme com canção de Nick Drake

http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/38988

Da catalunha: um plano de ação consistente na prevenção do suicídio

A equipe de profissionais de saúde mental do Hospital Santa Creu e Sant Pau e do Centro de Psicoterapia Barcelona-Serveis Saúde Mental que se dedica ao estudo, assistência e prevenção das condutas autodestrutivas e suicidas, cobre uma região de Barcelona, o Dreta Eixample.

Digno de atenção e estudo é o programa de prevenção da conduta suicida por eles lançado, em março de 2006, buscando atender a necessidade da intervenção urgente na realidade local “para conhecer as características da conduta suicida entre a população catalana, a partir de 2004, lançar um programa de assistência e avaliar seus resultados”.

Os objetivos gerais do plano são:

1) a prevenção à consumação do suicídio;

2) a prevenção à recidiva de tentativas;

3) o controle da ideação suicida para se evitar a concretização do ato.

Os objetivos específicos a se desenvolver nas diferentes fases do plano prevêem:

- Sensibilização dos profissionais envolvidos neste trabalho;

- Coleta de dados confiáveis sobre a ocorrência conduta suicida na região do Dreita Eixample;

- Levantamento das situações de risco suicida;

- Monitoramento constante das condutas e situações de risco suicida;

- Controle da situação até que o paciente possa ser incluído na rotina de atendimento dos programas de saúde mental;

- Coordenação das equipes e dos recursos disponíveis nos diferentes setores dos serviços de atendimento.

Na terceira fase do programa são propostas algumas inovações, por meio de duas ações:

Assistência aos pacientes com condutas ou risco suicida

· Otimização dos recursos existentes;

· Introdução de “coordenadores ou supervisores” para o tratamento continuado face ao risco suicida (“agentes antilíticos”);

· A criação de intervenções terapêuticas grupal ou individual para pacientes suicidas.

Intervenção rápida diante de condutas autodestrutivas

- Atenção aos pacientes com risco suicida procedentes das emergências ou atendidos nos ambulatórios.

- Elaboração de um plano terapêutico individualizado (PTI) em função das características e necessidades de cada paciente.

- Designação de um terapeuta específico para atendimento individualizado, de modo a assegurar a continuidade no tratamento do paciente.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Se você está pensando em suicídio agora

Por favor, espere somente alguns minutos e leia isto!

Embora eu não te conheça profundamente, sei que é alguém que sente uma dor profunda e por isso não se sente capaz de seguir adiante, por mais tempo.

Sei também que neste instante você está lendo isto, o que é muito bom!

Sei que você chegou até aqui por estar muito angustiado, pensando em pôr um fim em sua vida. Se fosse possível gostaria de estar com você, neste momento, ao seu lado, para conversarmos cara a cara! Mas por não ser possível deveremos nos conformar com a comunicação escrita.

Não vou discutir se você deve suicidar-se ou não, mas como você está comigo, aqui ao meu lado, espero que você coloque em dúvida o que está pensando em fazer.

Sentir-se confuso diante de pensamentos em torno da morte é normal. Ao mesmo tempo em que você quer morrer, é possível que, por outro lado, você deseje viver.

Não tome uma decisão tão importante, de forma precipitada. Você tem todo o tempo que deseja e sempre se pode suicidar-se mais tarde.

Muitas pessoas pensam no suicídio, pois parece não haver outra saída. Elas acreditam que não podem suportar mais tanta dor, assim como ocorre com você agora. Mas não pense que você é uma pessoa perversa por assim pensar ou que esteja louco. Ninguém escolhe suicidar-se. Ele ocorre quando a dor que sentimos é maior que os recursos para enfrentá-la.

Então, não podemos tratar o suicídio como algo correto ou incorreto, nem como um defeito de caráter ou fraqueza moral, é sim um desequilíbrio entre a dor e os recursos para vencê-la.

É possível vencer os pensamentos suicidas se:

1. Encontramos um modo de diminuir nossa dor.

2. Aumentamos nossos recursos para superá-la.

3. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Não existe remédio mágico, mas também é verdade que:

. O suicídio cria uma situação irreversível para um problema passageiro.

Quando estamos deprimidos tendemos a ter uma visão estreita e pouco objetivo das coisas. Com o passar dos dias tudo pode mudar.

A maioria das pessoas que se viram às voltas com a idéia do suicídio, depois se sentiu muito felizes por estarem vivas. Na realidade não desejavam colocar um fim em suas vidas, mas queriam evitar a compaixão alheia e a dor.

Temos mais algumas considerações a fazer:

1. É muito importante que você procure alguém para conversar. Pessoas como você, que está pensando no suicídio, não deve ficar a sós. Você tem que buscar ajuda agora.

2. Conversar com alguém da família ou com algum amigo ou colega pode trazer um grande alívio à dor que sentimos. O apoio, o aconchego que recebemos aumenta nossa capacidade de enfrentar todas as situações.

3. O tempo é um fator muito importante e isso não lhe falta. O tempo é o seu maior aliado. Espere antes de tomar qualquer decisão precipitada.

4. Procure com urgência um médico ou um psicólogo. Uma pessoa que passa por um período de tristeza, de desânimo, de abatimento pode estar sofrendo de depressão. E essa doença pode tratada com medicamentos ou sessões de terapia.

Texto original: Si usted está pensando en el suicidio ahora.
Fonte: http://www.suicidioprevencion.com/antes.php?lang=es

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Comunicação de massa e a imitação e o contágio do suicídio

Carla Soares Martin, jornalista do portal Comunique-se , escreveu a matéria intitulada "Folha dá notícia de suicídio", no dia 15 (jan/2009), que transcreveremos na íntegra, ao final deste post.

Podemos extrair desta matéria, como elemento de debate, a seguinte questão: deve-se ou não publicar notícias sobre o suicídio e se, em caso afirmativo, como fazê-lo?

Dois fenômenos tem sido estudados como decorrentes da publicação de notícias sobre o suicídio de alguém: a imitação e o contágio.

Em razão disso a Organização Mundial de Saúde lançou um guia para profissionais de mídia com o objetivo de orientá-los quanto ao modo de como noticiar o suicídio. A versão adaptada ao português brasileiro por feita por nós e pode ser baixada aqui.

Para finalizar, apresentaremos o resumo das sugestões de como se noticiar um suicídio e alertamos o leitor de que este é um tema polêmico e muito tem se escrito sobre o mesmo, cabendo aos interessados uma investigação mais profunda.

O que fazer

· Trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde quando da apresentação dos fatos.
· Referir-se ao suicídio como consumado e não como bem sucedido.
· Apresentar apenas os dados relevantes, nas páginas interiores.
· Realçar as alternativas ao suicídio.
· Fornecer informações sobre formas de ajuda e recursos gratuitos disponíveis.
· Publicar indicadores de risco e sinais de aviso.

O que não fazer

· Não publicar fotografias ou bilhetes, cartas de suicídio.
· Não noticiar detalhes específicos do método usado.
· Não apresentar razões simplistas.
· Não glorificar ou sensacionalizar o suicídio.
· Não usar estereótipos religiosos ou culturais.
· Não dividir a culpa.

Nota

Imitação constitui o processo pelo qual um suicídio exerce um efeito modelador em suicídios subseqüentes. 

Contágio é o processo pelo qual um determinado suicídio facilita a ocorrência de um futuro suicídio, indiferentemente do direto ou indireto conhecimento do suicídio precedente.



Folha dá notícia de suicídio

O jornal Folha de S.Paulo e a Folha Online noticiaram, na terça e na quarta, um caso de suicídio. O caso envolvia uma participante do programa Troca de Família, da TV Record.

Ana Estela Pinto, editora de treinamento da Folha, lembra o que o manual sugere em relação a notícias sobre suicídio: “Não omita o suicídio quando ele for a causa da morte de alguém”. Mas faz uma ressalva: “Não se noticia todo e qualquer suicídio, mas também não se esconde do leitor que houve suicídio quando a morte de alguém for relevante jornalisticamente.”A mulher que cometera o suicídio era participante do reality show Troca de Família. O programa consiste em trocar as mães de duas famílias de diferentes culturas do Brasil - cópia do formato de um programa estrangeiro - e relatar as mudanças durante uma semana. O programa com a participante não entrou ainda no ar.

Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha, comenta que, apesar de esta mulher não ser famosa, participava de um programa de televisão, o que validaria a notícia. “O nome dela não aparece”, diz Silva, a respeito da versão impressa da Folha. Na Folha de S.Paulo, há uma nota com a notícia em Folha Corrida, na contra-capa de Cotidiano. A versão da Folha Online revela o nome da participante e apresenta uma foto dela. “Teoricamente seria ombudsman da Folha Online e da Folha de S.Paulo, mas não tenho tido tempo”, afirmou.

Lins da Silva dá sua opinião como jornalista: “Eu, pessoalmente, poderia não dar, porque não gosto de notícia de crime”. Como jornalista e ombudsman diz: “Não é contra o manual, não é sensacionalista”.

Rede Record tem 95% de chance de exibir o programa.

Por haver “base legal” – “a família foi consultada e existem condições técnicas”, a TV Record “tem 95% de chance de exibir o programa com a participante no Troca de Família.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Mais uma boa notícia: o fato e uma breve análise

Bombeiros evitam suicídio de mulher

A boa notícia (o fato) está transcrita abaixo, na íntegra.

Acionado para apoiar a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros evitou ontem o suicídio de uma mulher de 37 anos no Setor Dom Fernando. A vítima estava dentro do banheiro da residência e ameaçava cometer o suicídio com uma faca. O fato chamou a atenção dos vizinhos, que acompanharam toda a negociação. Muito nervosa e com a faca na mão, ela resistia aos apelos dos militares para não cometer o ato. Depois da longa negociação, um militar, em trajes civis, conquistou a confiança da vítima e conseguiu imobilizá-la. A mulher foi encaminhada, com vida e sem ferimentos, para o Pronto- Socorro Psiquiátrico. 

Fonte: Diário da manhã online http://www.dm.com.br/impresso/7739/cidades/61264,bombeiros_evitam_suicidio_de_mulher

A análise será breve. 

Em destaque: 1) a eficiência das forças de segurança pública no Brasil, que em dois dias salvou duas vidas e 2) a necessidade da contínua preparação dos profissionais para o enfrentamento destas e de outras situações de risco. 

O gerenciamento de crises, tópico especial que tem sido objeto de estudo e prática entre os policiais, é um instrumento essencial para o salvamento de vidas em face das ameaças de suicídio. E também rende um bom trabalho acadêmico, ficando aqui a sugestão.

E mais uma vez, para encerrar, devemos congratular as corporações militares e civis das nossas forças de segurança pública!!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma boa notícia, enfim...

Polícia Militar impede suicídio 

A notícia abaixo transcrita, na íntegra, nos proporciona algumas lições:

1) Quando devidamente preparados, podemos prevenir o suicídio com efetividade;

2) Além do "estado de alerta" ou da "prontidão", é necessário preparação psicológica (o que vale para policiais e profissionais da saúde);

3) Devemos acreditar, apesar dos trotes, nos relatos de ameaça ou desejo de consumação do ato suicida; 

4) As pessoas mais desejam "libertar-se de seus problemas tomando o atalho do suicídio" do que propriamente extinguir a própria vida...

E por fim, ficamos muito contentes com esta boa ação da polícia alagoana...

Na manhã de ontem, quarta-feira (14), Ronivon Vilar de Farias, 38, ligou para o serviço 190 do Centro Integrado de Operações da Defesa Social (CIODS) para informar que praticaria suicídio após de já ter cortado os pulsos.

Após uma conversa com as soldados da PM Walquíria e Vanessa, sob a supervisão do sargento PM J. Edson, o suicida disse o endereço onde trabalhava e as atendentes conseguiram a real localização depois de contactar com o patrão dele.

Uma viatura do 5° Batalhão e outra do SAMU foram acionadas e chegaram a tempo de evitar o suicídio na casa do solicitante, no bairro Village Campestre II. Ronivon foi encaminhado pelo SAMU ao mini pronto socorro do Tabuleiro, onde recebeu atendimento médico.

Fonte: http://www.correiodopovo-al.com.br/v2/index.php?mod=article&cat=Policial&article=935

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Da Catalunha: Claves y mitos sobre el suicidio

Pontos importantes e os mitos do suicídio

A cada ano um milhão de pessoas suicidam-se no mundo, contabilizando-se ainda mais de 20 milhões de tentativas. Além disso, a vida dos parentes e amigos sobreviventes são profundamente afetadas. 

O problema do suicídio se defronta com uma parede de silêncio e de preconceitos que o escondem. No entanto, na maioria dos casos, a conduta suicida pode ser prevenida se os meios de auxílio apropriados forem acionados. 

Alguns sinais da crise suicida 

Depressão. Desespero. Incapacidade para administrar os desafios de cada dia.

Sentimentos de solidão. Isolamento. 

Sofrimento e dor crônica devido à enfermidade física.

Pensar ou idealizar a morte como algo mais desejável que a vida.

Se você pensa no suicídio ou encontra alguém nesta situação

. Você não deve tentar resolver sozinho a situação. 

. Você deve conversar com alguém sobre isso, para ser auxiliado: eis o primeiro passo.

. Busque de imediato, se possível, a ajuda de um profissional: o médico da família, um psiquiatra, um  psicólogo. 

. Acompanhe a pessoa em crise. Não a deixe sozinha até que seja atendida.

Fonte:
Equipe de profissionais de saúde mental do Hospital Santa Creu e Sant Pau e do Centro de Psicoterapia Barcelona-Serveis Saúde Mental dedicados ao estudo, assistência e prevenção das condutas autodestrutivas e suicidas.
http://www.suicidioprevencion.com/index.php?lang=es

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Governo coreano lança programa de prevenção do suicídio

Graças à ação católica portuguesa na Coréia do Sul nos chega a informação que transcrevemos, na íntegra, abaixo:

O ministério da Saúde e Assuntos da Família revelou estar a desenvolver um programa educativo para jovens estudantes e um manual para professores,que visam a prevenção do suicídio juvenil.

O programa de duas horas sobre prevenção do suicídio para adolescentes e jovens tem como objectivo fornecer uma melhor compreensão do fenómeno do suicídio e encorajar os estudantes a participarem em grupos de discussão sobre o assunto, apoiados por material audiovisual. O programa incentiva os jovens a procurarem ajuda quando tiverem pensamentos suicidas, oferecendo-lhes conselhos sobre como tomar as melhores decisões.

Será elaborado um manual de consulta para professores sobre o tema. O texto desenvolverá as várias fases de apoio aos jovens que pensam no suicídio. Oferece ainda dicas sobre o modo como os professores podem e devem envolver-se. Este manual será distribuído a partir do mês de Fevereiro.

No ano passado, suicidaram-se 33 coreanos, em média, por dia. Cerca de dois por cento dos adolescentes de Seul sofrem de depressão relacionada com a pressão dos estudos e a relação com colegas da escola e familiares. Dada a gravidade destes números, o ministério da Saúde e Assuntos da Família começou, a partir de Setembro passado, a tratar alguns estudantes, através de um programa de cooperação com várias clínicas da cidade. O ministério planeia também apoiar financeiramente os estudantes de famílias mais carenciadas.

Álvaro Pacheco

Fonte: http://www.fatimamissionaria.pt/noticia3.php?recordID=18783&seccao=3

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio ainda não saiu do papel... I..

[Ecos do I Seminário Nacional de Prevenção do Suicídio...]

Enquanto o Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio está sendo elaborado fiquemos com os ecos do não tão distante I Seminário Nacional de Prevenção do Suicídio, evento que produzirá por muito tempo boas repercussões.

Transcreveremos tudo o que ocorreu durante o evento nas muitas linhas abaixo, por julgarmos pertinente e necessário. 

Abertura – 17 de agosto de 2006 

Mesa de debates
Tema : Impacto do Comportamento Suicida
Coordenador - Pedro Gabriel Delgado
Debatedores : Dr. Neury Botega (FCM, dep. de Psicologia Médica da UniCamp) e Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP), Dra. Blanca Werlang Guevara (PUC/RS), Pedro Gabriel Delgado (coordenador Nacional de Saúde Mental/MS).

O suicídio é um problema de saúde pública. Em 1995, foram registrados 900 mil óbitos, sendo que se estima que até 2.020, tenhamos 1,53 milhões de óbitos. Índices revelam que é maior o número de suicídios em pessoas com menos de 44 anos. De acordo com Bertoloto 2003, os diagnósticos mais freqüentes, em pessoas que se suicidam são: transtornos de humor 35,8%; abuso de substâncias psicoativas 22,4%; esquizofrenia 10,6%; transtornos de personalidade 11%; e sem diagnóstico 3,2%.

Vale ressaltar que uma pessoa que tenta suicídio tem cem vezes mais chance de suicidar-se. Num estudo feito, utilizando-se a escala de Beck e cols., de cada 100 pessoas: 17 pensaram em suicídio, 5 planejaram, 3 tentaram, e 1 efetivamente chega ao pronto-socorro (resultado de pesquisa realizada na Unicamp com 515 pessoas), num projeto que trata da prevenção do suicídio para profissionais da saúde.

Outras informações e contato: www.who.int/mental e botega@fcm.unicamp.br .

Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP)

Suicídio é um problema de saúde pública e pode ser prevenido. Suicídio e tentativa não configuram categorias diferentes. Toda tentativa de suicídio é uma forma de comunicação. No Mato Grosso do Sul há um quadro alarmante de suicídio dos índios da Tribo Guarani Kaeouá (de 100 mortes, 98 são por suicídio). Na região Sul, RS e SC apresentam os índices mais altos do Brasil.

Contato: carlos.felipe@saude.gov.br

Dra. Blanca Werlang Guevara (PUC/RS)

Há quatro formas de morte: natural, por acidente, por homicídio e suicídio. No Sul, o RS, seguido de SC tem índices muito altos de óbitos por suicídio, sendo 09 p/ cada 100 mil habitantes, enquanto o índice do Brasil é de 04 suicídios p/ cada 100 mil habitantes.

Numa pesquisa feita em escolas públicas e privadas, em POA, envolvendo 526 estudantes de 15 a 19 anos, 188 (36%) apresentaram idéias suicidas. Relato de várias outras pesquisas feitas com autópsia psicológica.

Contato: bwerlang@pucrs.br

Pedro Gabriel Delgado (coordenador Nacional de Saúde Mental/MS)

O suicídio não é um ato solitário ou individual, é um sintoma, um grito social. O sujeito que se suicida o faz em relação aos outros, ao local, ao seu ambiente.Há que sermos pragmáticos no campo da saúde e das políticas públicas em relação a isso. Temos que ter estratégias que sejam possíveis de implantar e que apresentam possibilidades de mensuração de seus efeitos e eficácia.

As políticas públicas devem ser pragmáticas. Deve-se aumentar a sensibilidade dos profissionais para que refinem sua atenção na detecção de possíveis suicidas. As estratégias devem ser em escala. Pragmáticos: iniciativas que tragam resultados!

Perguntas

A qualificação de profissionais deve ser feita dos que atuam na Atenção Básica, visto que o contato é direto com a população. Os suicidas estão alheios aos serviços de saúde, ou seja, não buscam o serviço em situação de crise. Qualificar também os atendentes gerais da sociedade, como: bombeiros, SAMU, policiais, etc. bem como incentivar a matéria de Psicologia na qualificação destes profissionais (técnicas de negociação, o que fazer, escuta, procedimentos de atenção em emergência de tentativa...), visto que nem sempre o que o senso comum acha, é uma estratégia válida.

Conferência

Dr. José Manoel Bertolote - OMS

Comparações entre o Brasil e o mundo. Em 2001, no mundo se suicidaram 849 mil pessoas, ou seja, um suicídio a cada 40 segundos, em algum lugar no mundo. População alvo: idosos (apesar de não ter aumentado nos últimos 15 anos) e jovens antes dos 24 anos, que até 1980 não ocupavam estatísticas de morte por suicídio.

96% dos suicídios registrados tinham previamente algum diagnóstico psiquiátrico, basicamente depressão e alcoolismo. Contamos com alguns fatores de risco em relação ao suicídio:

- Fatores Imutáveis: gênero, idade, etnia, orientação sexual, tentativas prévias, mudanças sócio-econômicas, anomia, ou seja, são condições com as quais a pessoa deve conviver por não haver possibilidade de alterá-los; e

- Fatores Passíveis de mudança: acesso aos meios (enforcamento, envenenamento), transtornos mentais (depressão e trans. bipolar, há como intervir), doenças graves (há como buscar tratamento), isolamento social, ansiedade, desesperança ou insatisfação, situação conjugal, situação empregatícia (perda do emprego).

Ações consideradas efetivas no controle do suicídio, de acordo com estudos da OMS:

- controle de substâncias tóxicas (p.ex. Paracetamol é extremamente tóxico, podendo provocar morte quando ingerido em grande quantidade, e, não é uma substância controlada, é comercializada livremente);

- tratamento de transtornos mentais (p.ex. alcoolismo);

- controle de armas de fogo; e

- imprensa menos sensacionalista; estas seriam ações que efetivamente poderiam contribuir no controle das mortes por suicídio.

Algumas ações que a OMS considera altamente discutíveis:

- programas em escola (assemelhado aos programas anti-drogas);

- centros de intervenção em crises (atendem a crise, no entanto, não fazem trabalho de acompanhamento, sendo evidentes as recaídas).

Já está disponível no site da OMS, material de literatura sobre prevenção do suicídio.

Outra coisa é mudar a forma de atenção, ou seja, do tratamento usual (salvando a vida) para uma intervenção breve de acompanhamento social, ou seja, um programa de monitoramento após a tentativa. Por exemplo, que se estruture a equipe de forma a: por telefone ou pessoalmente, indo à casa da pessoa que tentou suicídio, acompanhar o pós-tentativa, utilizando-se de duas perguntas básicas: “COMO ESTÁ?” e “PRECISA DE ALGUMA COISA?”.

Mensagem final:

1 – O suicídio é um problema de saúde pública.

2 - Pode-se prevenir.

3 – A prevenção é de todos nós.

10 de setembro é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

10 de outubro é Dia Mundial de Saúde Mental, em 2006 é a prevenção do suicídio. Informações e contatos: www.who.int/mental_health/, bertolotej@who.int, mbd@who.int.

Mesa de debates - 18 de agosto de 2006
Tema: Comportamento Suicida em Jovens
Coordenador - Ênio Resmini
Debatedores: Dra. Mônica Medeiros Kother Macedo (PUC/RS), Dr. Marcelo Tavares da UNB, professora Gisleine Scavacini Freitas, da Universidade Metodista de Piracicaba.

Dra. Mônica Medeiros Kother Macedo (PUC/RS)

“O impacto da dor psíquica”. Precisamos entender dois fatores:

a) A complexidade da adolescência, um estado de transformações biopsicosociais; e

b) “ A dor psíquica” deste momento. Apontou pesquisas realizadas por LAUFER, 1998, que mostraram oito eixos preocupantes (características) da relação dos jovens com comportamento suicida.

Contato: monicakm@pucrs.br

Dr. Marcelo Tavares (UNB) 

Trabalha na com Programa de Prevenção do Suicídio entre os acadêmicos.

Analisa que atualmente, s ituações novas, como relações pela Internet, novas identidades e identificações, por vezes falsas, etc, possam ser fatores que de certa forma estimulam os jovens à morte. Cita como exemplo recente, que circulou na Internet, o caso de quatro jovens japoneses que se encontraram uma única vez, para se suicidarem. O suicídio pode ser assistido pela Internet. O novo mundo virtual e as formações impactantes sobre a subjetividade.

Ressalta que os jovens hoje não morrem de doenças, morrem por comportamento. Aponta que atualmente há que se considerar algumas metodologias preventivas, em ordem:

UNIVERSAL – para todos (controle de substâncias);

SELETIVA – para grupos de risco (para quem já fez alguma tentativa de suicídio);

INDICADA – para risco eminente (tratamento em relação a idéias recorrentes, tentativas, depressão, etc)

Contato: mtavares@unb.bricps@unb.br.

PSIU - Projeto de Saúde Integral da Universidade.

Profª Gisleine Scavacini Freitas, da Universidade Metodista de Piracicaba

Pré-natal com adolescentes grávidas: prevenção em suicídio. Apresentação de pesquisa que realiza fazendo relação entre gravidez na adolescência e tentativas de suicídio.

Centro de Informação Toxicológica – 0800780200

Informações: www.cit.rs.gov.br

Conferência

Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP)

O conferencista apresentou as Diretrizes Nacionais da Prevenção do Suicídio e também a Portaria 1876 de 14/08/2006, que cria as diretrizes. Fez um relato histórico de como iniciou-se no MS o processo de construção de uma política nacional de prevenção do suicídio. www.saude.gov.br (Secretaria de Atenção a Saúde)

Próximos Passos: GT para regulamentação das Diretrizes, Elaboração do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, adesão de novos parceiros, apresentação à Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, Discussão do PPA 2008-11. Em 2009 a Conferência da IASP (Internacional Association for Suicide Prevention) será em Montevidéu (visando intercâmbio com América Latina).

Contato: carlos.felipe@saude.gov.br - Secretaria de Atenção à Saúde – Min. da Saúde.

Mesa 3 

Tema :
Coordenador – Assunción Costa Caputti Filha
Debatedores: Dra. Letícia Legay (UFRJ), Peter Rembischevski (ANVISA), Dra. Flávia Valladão Thiesen (PUC/RS) e Walter Costa (secretário de Vigilância em Saúde/MS – Sentinela).

Dra. Letícia Legay (UFRJ)

“ Meios de prevenção”. O suicídio é um problema transcultural. Freqüência de óbitos segundo os meios utilizados: 1º: enforcamento, 2º e 3º: pesticidas e armas de fogo, 4º: medicamentos, 5º: precipitação de lugares altos e 6º: objetos cortantes.

Informações e contato: legay@nesc.ufrj.br, www.nesc.ufrj.br

Peter Rembischevski (ANVISA)

“Controle de Meios”. Os agrotóxicos são registrados no país pelo Ibama, Mapa e ANVISA. O Brasil é o segundo mercado mundial de agrotóxicos, o qual tem faturamento líquido de US$ 4 bilhões. A nona indústria química do mundo. Embora a ANVISA esteja retirando do mercado substâncias extremamente tóxicas e/ou substituindo por elementos com menor potencial de toxicidade, ainda assim no mercado negro circulam substâncias altamente lesivas, como por exemplo, chumbinho pra matar rato, que se adquire nas ruas do RJ por R$0,50 o pote, e que é bastante utilizado por suicidas. Citou vários outros exemplos de agrotóxicos, informações disponíveis na página da ANVISA.

Contatos: toxicologia@anvisa.gov.br, peter.rembischewski@anvisa.gov.br.

Dra. Flávia Valladão Thiesen (PUC/RS)

“Controle de meios: agrotóxicos”. Os agrotóxicos são os toxicantes mais usados em tentativas de suicído por terem grande potencial de mortalidade, e porque são de fácil acesso.

Walter Costa (secretário de Vigilância em Saúde/MS – Sentinela)

“Vigilância de acidentes e violências em serviços sentinela”. Fez a apresentação do projeto Sentinela da Secretaria de Vigilância em saúde do Ministério da Saúde, que visa identificar acidentes e violências de causas externas.

Contato: walter.costa@saude.gov.br

Mesa 4 

Tema : Experiências de Acolhimento do comportamento suicida
Coordenador – Cristine Kuss
Debatedores: Arthur Mondin, Dra. Teresa Gonçalves, Dr. Jair Segal

Arthur Mondin (CVV)

Apresentou as Diretrizes do CVV, as ferramentas que o programa utiliza e, como ele se mantém há 44 anos no país, sendo uma ONG. “Os voluntários do CVV ouvem e acolhem, não aconselham, não orientam, não sugerem”. O CVV tem uma chamada telefônica a cada 33 segundo. Em 2005, tiveram 1.150.000 chamadas. Número do CVV 141. Em Blumenau, antes do CVV, registravam um suicídio a cada 16 dias. Depois da criação da central do CVV, o número baixou para 01 suicídio a cada 36 dias. Estão criando um programa de treinamento para jovens voluntários para realizarem atendimento de jovens pela Internet.

Dra. Teresa Gonçalves (psiquiatra e psicanalista)

Em São Paulo, em 2001, o suicídio foi a quarta causa de mortes na faixa etária dos 10 aos 24 anos. Estes dados foram coletados por um projeto-piloto que envolveu unidades de pronto-socorros, unidades de vigilância em saúde, UBS, CRP-06 e universidades. A pessoa que havia tentado suicídio chegava ao Pronto Socorro e de lá era encaminhado para um programa de seguimento (neste, fazia-se a notificação, uma primeira entrevista e planejava-se um cronograma de acompanhamento social e psicológico após o atendimento de urgência). Desta forma, se a pessoa não comparecesse às consultas, procedia-se uma busca ativa junto à equipe responsável pelo seguimento, num formato de rede de serviços de acompanhamento.

Dr. Jair Segal, psiquiatra no Hospital de Pronto-socorro de Porto Alegre.

Relatou como são feitos os atendimentos às tentativas de suicídio. 

Fonte: http://www.crpsc.org.br/pagina.php?pagina=saude/prevencao_suicidio.php

Estudar a morte e o morrer é também valorizar a vida...

[Debate em torno da morte]

Fala-se de “psicologia da morte” e de “educação para a morte”, como novas maneiras de encarar, como dizem os estudiosos, a morte e o morrer.

O ramo da ciência que tem cuidado destes estudos é a tanatologia que, para alguns autores, é a ciência que estuda os processos emocionais e psicológicos que envolvem as reações à perda, ao luto e à morte.

Alguns autores no Brasil têm se destacado no estudo tanatológico, entre outros: Evaldo D´Assumpção, Wilma da Costa Torres, Roosevelt Moises Smeke Cassorla e Maria Júlia Kóvacs.

Franklin Santana Santos e Dora Incontri coordenaram, em 2008, um curso de tanatologia e organizaram a obra A arte de morrer: visões plurais, publicada pela Ed. Comenius.

A sinopse completa segue abaixo:

''A Arte de Morrer - Visões Plurais'', organizado pelo médico Franklin Santana Santos e pela educadora Dora Incontri será certamente uma referência no Brasil, pois se trata de uma obra escrita por inúmeros especialistas em Medicina, Filosofia, Educação, Psicologia, Enfermagem, Antropologia, Direito, Religiões e outros, discorrendo cada qual sob a sua perspectiva sobre a temática da morte. Todos os autores são pesquisadores, a maioria doutores das maiores universidades brasileiras, que abordam a questão de maneira interdisciplinar e plural. Apesar de ter esse caráter acadêmico, não se trata de um livro dirigido apenas a estudiosos da questão, mas a todas as pessoas que desejam romper o silêncio em torno da problemática da morte - que nos toca a todos! 

domingo, 11 de janeiro de 2009

Adolescência e suicídio

Diversos estudos têm apontado o suicídio como a segunda causa de morte entre os adolescentes. 

Além do grupo familiar e dos amigos, é necessário chamar a atenção para um espaço em que a prevenção do suicídio deve ser trabalhada: o da escola.

Seja como tema transversal ou tópico especial, a valorização da vida e a sua preservação pode ser trabalhada, com os devidos cuidados.

A rigor ninguém é contra a vida ou a sua valorização! Aproveite-se, pois, para se aprofundar a temática e, por meio de recursos pedagógicos apropriados, pode-se reforçar a necessidade de se salvar a própria pele em qualquer circunstância... 

Não estamos aqui simplificando o debate nem tão pouco dizendo que todos estão prontos para abordar o tema, mas afirmando ser possível, com preparação adequada, tratá-lo devidamente.

Por isso recomendamos a leitura do artigo A escola como espaço de prevenção ao suicídio de adolescentes – relato de experiência

Resumo
A autora relata sua experiência na realização de um curso de curta duração, destinado a educadores, com o objetivo de sensibilizá-los para a necessidade de identificar fatores de risco de suicídio e de conscientizá-los para a importância de se perceber a escola como instância de prevenção ao suicídio, numa visão interdisciplinar, diante da complexidade do fato. Ressalta as ressonâncias que o tema provoca nos profissionais da educação.

Para acesso ao texto integral clique aqui

A autora, Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, é psicóloga clínica e professora da Faculdade Educação junto à Universidade Federal de Goaís. A sua tese de doutorado versa sobre adolescência e suicídio: Tentativa de Suicídio na Adolescência: dos sinais de aviso às possibilidades de prevenção. Como produto intermediário da tese temos um artigo seu, publicado na Revista da UFG: Tentativa de Suicídio na Adolescência.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um manual digno de leitura...

Existem manuais e manuais. Este, elaborado pelo Ministério da SaúdeOrganização Pan-Americana da Saúde e Unicamp, com auxílio de profissionais com o mais elevado conceito, é dos melhores que já que compulsamos.

Foi organizado por Carlos Felipe D’Oliveira e Neury José Botega e teve a colaboração do Dr. José Manoel Bertolote, coordenador da equipe de Gestão dos Transtornos Mentais e Cerebrais do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da Organização Mundial de Saúde.

O seu sumário indica precisamente o conteúdo que será apresentado com clareza:

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Comportamento suicida: a dimensão do problema 
.......................................................................................
A importância das equipes dos centros de atenção
 psicossocial na prevenção do suicídio
.......................................................................................
Alguns fatores de risco para o suicídio
.......................................................................................
Suicídio e transtornos mentais
.......................................................................................
Esquizofrenia 
.......................................................................................
Depressão
.......................................................................................
Dependência de álcool ou uso nocivo
.......................................................................................
Transtornos de personalidade
.......................................................................................
Aspectos psicológicos no suicídio
.......................................................................................
Como ajudar a pessoa sob risco de suicídio?
.......................................................................................
Como abordar o paciente
.......................................................................................
Pessoas sob risco de suicídio
.......................................................................................
Como lidar com o paciente
.......................................................................................
Encaminhando o paciente com risco de suicídio
.......................................................................................
Referências 
.......................................................................................

De fácil leitura, pode ser lido por um leigo, que o compreenderá em linhas gerais e será certamente apreciado pelos profissionais da saúde, que encontrarão nele um guia seguro e objetivo. 

Destacamos, a título de exemplo, o aspecto gráfico do trabalho, que facilita sobremaneira a leitura e o entendimento, como nas idéias sobre suicídio que levam ao erro, abaixo:


Remetemos àqueles que desejam mais informações sobre as 4 (quatro) idéias sobre suicídio que levam ao erro acima, diretamente ao manual, que merece uma leitura breve, inicialmente, e um estudo aprofundado após o primeiro contato.

Face à gravidade do tema, deixamos aqui, como estímulo ainda, o modo correto de abordarmos uma pessoa (um paciente) que esteja às voltas com ideações suicidas.

Por fim, recomendamos a leitura integral do manual, que pode ser baixado aqui.