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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Escolas de Pinhão iniciam debates para conscientização sobre o suicídio

9 junho 2022

Muitas crianças e adolescentes ficaram expostas ao trabalho infantil durante a pandemia. Além disso, por conta dos problemas advindos do período complicado e do isolamento social, aumentou o número de casos de alunos com ansiedade e depressão.

Levando isso em consideração, durante este ano em Pinhão, as atenções se voltam em prol da saúde mental. Com o intuito de promover a disseminação e discussão do tema, o projeto ligado ao “Valorização da Vida: Educar para Conscientizar”, ligado ao “Setembro Amarelo”, já está sendo colocado em prática no município.

O objetivo é a ampliação do debate sobre o tema, despertando o interesse pelo assunto nas escolas, nos alunos, nos gestores, funcionários e professores. Conforme especialistas do projeto, toda a equipe escolar pode e deve auxiliar de alguma forma nessa batalha interna, que eles mesmos podem estar passando, sem que ninguém perceba.

Outro ponto defendido pela iniciativa, é que ações de combate a depressão e prevenção do suicídio, quando implementadas na escola mostram um entendimento mais amplo de como perceber os sentimentos dos alunos. É mais do que necessário adotar métodos para que seja possível realizar abordagens com toda a comunidade escolar, e que essas ações não sejam percebidas como julgamento.
Pensando dessa forma, a rede pública de Pinhão, busca orientar os alunos e profissionais da educação dentro do ambiente escolar. A intenção é que o tema seja tratado não como um tabu, mas que tenha a visibilidade que merece. Para isso, o CRAS Volante, uma iniciativa caracterizada pelo deslocamento de profissionais até lugares distantes, a fim de levar um serviço e conhecimento, busca prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidade e riscos sociais nos territórios, atuando como mediador da execução deste projeto.

Discussão pela conscientização

Inicialmente, o projeto será trabalho nas escolas do interior, com alunos do 6º e 3º ano do ensino médio. Coordenadas pelos profissionais de psicologia, Ricardo Correa de Almeida e Sandra Freitas, a iniciativa vai contar com diversas atividades. A principal são palestras, um dos meios de atuação direta da campanha Setembro Amarelo, que quer enfrentar o problema de frente. E nesse caso, é imprescindível falar sobre o assunto abertamente, por meio de rodas de conversa, que incentivam o diálogo, contribuindo para que os alunos deem sua opinião sobre o tema, compartilhem ideias e tirem dúvidas.

Outro fator construtivo da promoção dessa discussão é o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como: autoconhecimento, empatia e resiliência, características que permitam que as crianças e adolescentes saibam lidar melhor com suas emoções e com quem os cerca.

Os conteúdos abordados incentivam a reflexão sobre as vulnerabilidades. Isso gera um foco maior quanto a valorização da vida, criando um ambiente escolar melhor, mais unido, acolhedor e que saiba respeitar as diversidades.

Através do CRAS e do CRAS Volante, a secretaria de Assistência Social vem realizando, desde o mês de abril, ações nas escolas e colégios do interior do município. As atividades contam com palestras da Campanha de Valorização a Vida e de Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (AEPETI).

Fonte: www.jcorreiodopovo.com.br/ultimas-noticias/escolas-de-pinhao-
iniciam-debates-para-conscientizacao-sobre-o-suicidio/

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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Escola de Natal cria canal para alunos comunicarem comportamentos atípicos de colegas

Iniciativa surgiu durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio

Uma escola de Natal criou uma ferramenta onde os alunos podem comunicar à direção quando notarem comportamentos atípicos em colegas. A iniciativa surgiu durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio.

O canal recebeu o nome de “Alerta Amarelo” e foi aberto dentro do aplicativo que os estudantes já fazem uso para fins educacionais. De acordo com o Complexo Educacional Contemporâneo, ele permite uma comunicação direta e virtual sobre ocorrências.

A diretora da instituição, Marianny Andrade Arcanjo, explica que ações relativas ao Setembro Amarelo já faziam parte do calendário escolar, mas "a ideia era permitir que os alunos ficassem à vontade para compartilhar informações que achem relevantes, o que se tornou possível com a ferramenta".

A psicóloga Patrícia Peixoto conta que, por mais que a escola fique atenta aos sinais, alguns são percebidos mais facilmente pelos amigos, como a perda de interesse por atividades extracurriculares, o abandono de amizades e agressividade ou agitação.

“É natural que eles dialoguem entre si e compartilhem informações que, às vezes, não são compartilhadas em casa e vice-versa. Por isso é importante abrirmos canais como esse, para que as pessoas próximas possam comunicar quando notarem que algo está errado”, explica a psicóloga.

Para o aluno Pedro Macedo, de 17 anos, o novo canal fortalece uma rede de apoio entre os alunos. “É muito reconfortante saber que podemos ajudar os colegas e também que todos estão prontos para nos ajudar em caso de necessidade justo no lugar onde passamos grande parte do nosso tempo”, conta.

A campanha nacional de prevenção ao suicídio acontece anualmente, durante o nono mês do ano. Setembro foi escolhido pois, desde 2003, no dia 10, acontece o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, que foi criado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) junto à Organização Mundial de Saúde (OMS).

Fonte: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2021/09/26/escola-de-natal-cria-canal-para-alunos-comunicarem-comportamentos-atipicos-de-colegas.ghtml

domingo, 2 de setembro de 2018

Suicídio de adolescentes - três matérias do jornal Zero Hora


Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui

Suicídio de adolescentes: conheça a "aula de vida" criada em escola de Guaíba

Meta de professora é auxiliar os alunos a se tornarem mais autoconfiantes. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui 

Suicídio de adolescentes: "O grupo da escola me salvou"

Levantamento inédito acende alerta sobre tentativas de suicídio e casos de automutilação entre alunos da rede estadual. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui

Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Na escola
  • Ao primeiro sinal de depressão, chame a família. Se a família não tomar nenhuma medida, informe ao Conselho Tutelar e à rede de saúde local. 
  • Crie espaços de fala, de expressão de sentimentos e dúvidas que possam ser acolhidos e compartilhados pelo grupo.
  • Crie momentos de conversa com os alunos enfatizando a vida.
  • Desenvolva ações de prevenção do bullying.
  • Elabore, em parceria com outros setores, projetos voltados para a realidade da sua escola.
  • Faça parcerias com as universidades e/ou com as unidades básicas de saúde da área da sua escola, solicitando a participação dos profissionais dessas unidades em palestras e debates.
  • Falar sobre o suicídio não faz com que a pessoa decida se matar, mas dá a ela a oportunidade de conversar sobre seu sofrimento e assim obter ajuda.
  • Insira a vigilância, a prevenção do suicídio e a promoção da vida no projeto político pedagógico da escola.
  • Leve os alunos ao cinema, teatro, exposições, ou crie com eles uma exposição de trabalhos sobre o tema (seguido de debates), estabelecendo parceria com as secretarias de educação, saúde e cultura.
  • Trabalhe o tema de forma lúdica, desfazendo mitos e abrindo possibilidades de discussão.
  • Previna o comportamento desafiador e a violência escolar.
Em casa 
  • Dialogue com o filho e tenha um espaço para convivência. É preciso tirar um tempo para a família.
  • Não deixe o filho isolado. Tenha contato com ele.
  • Uma criança ou adolescente muito isolado, que mude seu comportamento de base, que altera sua dinâmica, pode estar em sofrimento. São sinais de alerta, mas não significam necessariamente doença. Neste momento, o ideal é conversar com o filho, dizendo que você se preocupa e que percebeu que ele está diferente. Mesmo que ele não queira conversar, é sempre importante, de maneira sincera, dizer que você está disponível para ajudar caso ele precise, mesmo que pareça um assunto difícil.
Se está acontecendo com um amigo seu
  • Geralmente, o primeiro a perceber é o amigo.
  • Avise os próprios pais para que eles acionem a família do amigo.
  • Acione alguém da escola, professor ou orientador educacional.
  • Guardar segredo não ajudará o amigo. O ajudar é poder repartir.
Preste atenção

Sintomas de depressão
  • Alteração de padrão de sono – dorme mais
  • Alteração de padrão de apetite
  • Alteração de humor: pode ter choro frequente ou apenas demonstrar a alteração em atitudes mais impulsivas (se era uma criança ou adolescente calmo e passa a demonstrar irritação com situações comuns da rotina) 
  • Sentimentos de desesperança, desamparo e desespero
  • Desânimo
  • Queda no rendimento escolar
  • Pensamento negativo
  • Diminuição de prazer
  • Isolamento 
  • Tédio (não tem nada para fazer)
  • Uso contínuo de roupas compridas em períodos de calor
  • Uso de pulseiras para esconder os braços
Causas que podem desencadear a depressão 
  • Abuso de substâncias
  • Abuso físico e sexual na infância
  • Bullying
  • Desemprego, perda recente do emprego ou endividamento dos pais
  • Dificuldade de integração e socialização na escola
  • Dificuldades em relação a identidade e orientação sexual
  • Histórico familiar de transtorno psiquiátrico
  • Problemas emocionais, familiares e sociais
  • Rejeição familiar
  • Situações de luto
  • Situações de assédio moral
  • Trabalho infantil
  • Violência familiar
Colaboraram: psiquiatras Berenice Rheinheimer, Sara Sgobin e Christian Kieling, psicóloga Claudia Weyne Cruz e manual de bolso do Comitê de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do RS.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2018/08/suicidio-de-adolescentes-conselhos-para-professores-pais-e-amigos-cjli2tn6q05r301n0o9urfgdy.html

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Revista Encontro reúne especialistas para tratar da questão do suicídio

Suicídio entre adolescentes e jovens não para de crescer no Brasil e no mundo

Encontro convidou especialistas para debater este assunto preocupante

Marina Dias  17/07/2018 

No final do século XVIII, quando o escritor alemão Goethe lançou Os Sofrimentos do Jovem Werther, em que o personagem principal se mata, a obra foi acusada de causar uma onda de suicídios entre leitores. O efeito contágio que a disseminação de uma notícia do tipo pode causar ficou, então, conhecido como "Efeito Werther". É por isso que casos de suicídio são pouco divulgados pela mídia. No entanto, em tempos de redes sociais, mesmo episódios que não saíram nos jornais ou foram manchete em portais de notícia chegam até nós. É assim, via grupos de pais no WhatsApp, por exemplo, que os belo-horizontinos têm ficado sabendo, cada vez mais, de casos de suicídio entre estudantes na cidade, tanto de colégios quanto de faculdades (nessas últimas, chama a atenção o número de episódios envolvendo alunos de medicina). Também em São Paulo, escolas de prestígio tiveram recentes ocorrências de morte por suicídio - estas, inclusive, noticiadas pela mídia.

Por tudo isso, mais casos têm vindo à tona. O aumento nos números de suicídios, no entanto, não é só impressão. As estatísticas revelam que a ocorrência desses episódios entre adolescentes e jovens cresce de maneira preocupante não só no Brasil, mas no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já coloca o suicídio como segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil, de 2000 a 2015, os casos aumentaram 65% entre pessoas com idade de 10 a 14 anos e 45% na faixa de 15 a 19 anos - mais do que o aumento na média da população, que foi de 40%. Segundo a mais recente edição do Mapa da Violência (documento realizado com base em dados do Ministério da Saúde), de 2002 para cá, a taxa de suicídio de jovens tem sido consistentemente maior do que a do restante da população, tendo crescido de forma contínua no período pesquisado.

O fenômeno tem gerado atitudes por parte do poder público, como campanhas de prevenção e a recente iniciativa de tornar a ligação para o número de telefone do Centro de Valorização à Vida (188) gratuita em todo o território nacional. Também motivou escolas a abordar o tema de diversas maneiras, como palestras de especialistas para os pais e rodas de conversa com alunos. Os pais, por sua vez, têm sido incentivados a conversar com os filhos e a ficar atentos a sinais de que algo não vai bem, como isolamento, irritabilidade, expressão de ideias ou intenções suicidas e, principalmente, mudança repentina no comportamento do jovem. Na avaliação de especialistas, esse movimento tem sido positivo na intenção de retirar o suicídio das sombras. A grande maioria concorda que falar sobre o tema - de maneira responsável e abalizada - é uma forma de prevenção.

Com o objetivo de contribuir para essa discussão, Encontro convidou cinco especialistas para uma mesa-redonda sobre o tema. "É preciso saber que o assunto é complexo e não há fórmulas prontas", diz a psicanalista e psicóloga especialista em saúde mental Cristiane Barreto. Ela foi uma das participantes da roda de conversa, juntamente com o psiquiatra Humberto Corrêa, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, presidente da Associação Brasileira para o Estudo e Prevenção do Suicídio e presidente da Associação Latino-Americana de Suicidologia; José Belizário, psiquiatra e doutor em saúde e educação pela FioCruz; Patrícia Ragone, psicóloga, educadora parental e autora do livro Laços - Contribuições da Terapia Cognitiva para as Relações Familiares; e Rosângela Teles, pedagoga, mestre em educação e coordenadora do Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Com perspectivas e experiências de atendimento diferentes, cada um dos especialistas trouxe uma visão e uma reflexão particular sobre a juventude atual, as dificuldades da sociedade contemporânea, a influência das redes sociais, o papel da escola e as mudanças da dinâmica familiar. E, ainda que tenham opiniões diversas em alguns pontos, todos concordam sobre a importância de os pais estarem, de fato, presentes na vida dos filhos e de buscarem ajuda, quando for o caso. "O suicídio é um comportamento complexo, que deixa muitas interrogações nos sobreviventes", diz Humberto Corrêa. "Sabemos, no entanto, que pode ser prevenido. Se perceber alguém precisando de ajuda, leve-o a um serviço de saúde. Todo aviso deve ser encarado seriamente."

Aumento dos casos entre jovens

Humberto Corrêa: O porquê desse aumento de casos de suicídio entre jovens é complexo, como tudo que envolve suicídio. É multifatorial. Mas uma coisa que ajuda a entender esse movimento é o laço social. Nós sabemos que, quanto mais laços sociais tem uma comunidade e um indivíduo, menores são as taxas de suicídio. E vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista, mais competitiva, em que adolescentes são treinados para serem executivos desde cedo. Além disso, as famílias são cada vez menores. Outro ponto que me chama a atenção é o uso de álcool e drogas, que ocorre cada vez mais cedo e em quantidade maior. Esse é outro fator de risco. Outro elemento importante: esta é uma geração pouquíssimo resiliente. Esses jovens não aprenderam a ter frustração e ouvir "não". Então, na menor intempérie, desabam, porque não aprenderam a lidar com os problemas da vida.

Rosângela Teles: Estamos vendo uma nova dinâmica familiar, em que esses jovens têm pouquíssimo contato com os pais e dificuldade de criar vínculos - porque os filhos estão sempre em escolas ou com babás. E, principalmente, eles tiveram uma infância muito curta. Sabemos que na primeira infância é quando se desenvolve essa estrutura,  não só cognitiva mas também psicoafetiva. Nesse sentido, eles têm pouca oportunidade, porque nas escolas só há investimento no desenvolvimento cognitivo. Temos então jovens altamente preparados, extremamente inteligentes, mas muito fragilizados emocionalmente. Tenho uma amiga, psicóloga, que fala da metáfora do psiquismo "casca de ovo", ou seja, que se quebra muito facilmente. E a alta competitividade que existe hoje em dia também. Nas faculdades de medicina, vê-se muito isso… Os alunos têm uma autocobrança, um perfeccionismo… E escutam desde pequenininhos em casa: "aqui só pode nota dez, viu?".

Patrícia Ragone: Os jovens estão despreparados para algumas coisas, como para a solução de pequenos problemas. Porque pensa nessa "saída" do suicídio quem não está conseguindo vislumbrar solução para os problemas. Então, quando você desdobra alternativas com esse jovem, ele sai daquela onda de pensamento adoecido, compulsivo, estreito. Mas os pais devem se questionar se eles mesmos são elementos vivos de esperança, compromissados com a vida. E se passam isso para seus filhos.

Sinais que merecem atenção

Humberto Corrêa: Nos adolescentes, deve-se estar atento principalmente a mudanças de comportamento. O jovem começa a ter um rendimento pior na escola, ficar mais isolado, trancado no quarto mexendo na internet ou irritado.

Rosângela Teles: No meu atendimento, uma das primeiras prescrições que faço é quanto ao sono. Quantas horas você está dormindo? Por que tão poucas? O sono é muito importante. E sem aparelhos eletrônicos no quarto. E os pais têm de ficar atentos. Se os meninos acordam morrendo de sono, se os professores reclamam que ele está cochilando em sala… Isso é um sinal.

Cristiane Barreto: Desses sinais todos que foram ditos, há um que me parece mais importante, que é o aspecto da introspecção, o isolamento, sinais de angústia. E quando você não consegue mais estabelecer com seu filho - ou seu amigo, ou sobrinho - uma conversa em que possa transmitir algo dos seus valores ou até como você fez para atravessar fases difíceis da vida. Isso é importante nesse tempo, e é na adolescência mesmo que construímos uma forma de lidar com nosso pior, que não é eliminável. Ou seja, quando você achar que o isolamento é para além do que devia, esse é um sinal para se fazer presente, oferecer ajuda, palavras.

Humberto Corrêa: Uma coisa que acho importante é dizer que a maioria dos suicidas avisou nos dias anteriores, nas semanas anteriores, para pessoas próximas, sobre aquela intenção.

Redes sociais

José Belizário: Todo mundo que nasceu a partir de 1994 é da "iGeneration". Isso é no mundo todo, independentemente de cultura, classe social. São crianças que precocemente entram no mundo digital. Os mais jovens ficam uma média de nove horas por dia nas mídias digitais. Temos então alguns pontos importantes, sendo o primeiro a questão do sono. Os smartphones provocam uma alteração no nosso sono, devido à onda azul de luz que os aparelhos emitem e que inibe a produção de melatonina. Por isso, as pessoas que ficam no celular depois das oito da noite dormem mal e dormem menos. O dia seguinte delas também é pior; elas têm menos seratonina, uma substância muito importante para suportarmos o dia seguinte. Outro ponto importante é que os aplicativos atuais, que envolvem "likes", geram uma alteração no nosso sistema de recompensa. A pessoa passa a querer um retorno rápido e passa a depender da curtição no Instagram, no WhatsApp, para ter uma sensação de recompensa. Usando as mídias sociais o quanto têm usado, meninos e meninas não têm o sistema de recompensa estruturado para suportar as coisas da vida, e pequenas ocorrências os levam a um desespero muito grande.

Humberto Corrêa: Mas quem é que permite que a criança fique tantas horas no celular? Os pais.

José Belizário: Mas as famílias também estão dominadas pela questão da tecnologia… As crianças não querem mais brincar com os pais. Elas vão aos lugares, e lá precisa ter wi-fi. Elas não trocam o celular por brincadeira. Agora, se você tira o celular, se vai para um lugar sem internet, eles brincam, se divertem. Mas com a presença do celular, não. A mídia digital provoca vício.

Humberto Corrêa: Minha filha de 13 anos hoje não vai sozinha para a escola, sendo que moramos a quatro quarteirões dela, por questões de segurança. O que eu digo é: eu não deixo minha filha andar quatro quarteirões na cidade, mas vou permitir que ela navegue na internet sozinha, sem supervisão? Eu falo com ela que o celular dela é emprestado, pois é meu, na verdade. Ela vai usar na hora que eu permitir.

José Belizário: As famílias estão no mesmo barco. Quem deu o celular foi alguém da família, quem usa o celular na frente das crianças são os pais… A grande questão é que, quanto menos eles usarem, mais saudáveis eles vão ser. Quanto mais tarde tiverem acesso, melhor. Quanto mais regulado, melhor.

Humberto Corrêa: A tecnologia é uma grande vantagem, mas temos de saber usar. A questão é o limite. Pais não colocam limites, permitem que as crianças façam tudo. Acho que estamos vivendo uma geração que não tem limite por falta de quem os coloque. Vão crescendo dessa forma e, na primeira frustração que encontrarem, vão desabar.

Tecnologia

José Belizário: Então a solução que eu acho que é viável: insistirmos na importância do sono (pois nossos genes foram preparados para dormirmos cedo e levantarmos cedo) e da atividade física. Essas duas coisas juntas fazem com que nosso sistema de recompensa consiga fazer uma barreira a esses efeitos das mídias sociais. Pois o que vemos são meninos e meninas com sintomas impressionantes de vício e de abstinência quando tiramos o celular deles.

Cristiane Barreto: É claro que existe um excesso, um mundo intoxicado, em que prevalecem as relações de consumo. Mas costumamos demonizar rápido os objetos inventados no mundo contemporâneo. Às vezes os pais têm uma tendência de proibir, de tirar o celular ou o computador como uma primeira resposta, sendo que essa pode ser a única forma de ligação que alguns desses adolescentes têm com o mundo. E em alguns casos o que está em jogo nem é a relação excessiva com esse objeto, mas o tanto que as pessoas ao redor não se perguntam por que essa relação está tão excessiva, por que só há satisfação dessa maneira. A televisão já foi uma discussão em relação às crianças há tempos. A questão não era a criança e a televisão, era não ter nenhuma outra forma de satisfação, e o sujeito abandonado diante dessa solidão, inclusive frente à oferta gigantesca que o mundo fornece atualmente, sem nenhum ponto de orientação… É preciso saber que não há fórmulas prontas.

José Belizário: O que é importante é que essas redes são muito frágeis, não se sustentam enquanto laços. A mídia digital não faz laço, o WhatsApp não faz laço, não é olhar no olho. Claro que não podemos tirar isso do jovem que cresceu assim. Mas é importante limitar. Um famoso colégio de Belo Horizonte vai fazer nas olimpíadas um campeonato de iSports. Isso não é esporte. Não gera endorfina.

Humberto Corrêa: Obviamente, ninguém vai tirar a web da vida dos adolescentes. Faz parte da vida deles, da nossa. Mas acho que tem de haver um limite, porque é potencialmente aditivo. E volto na questão do laço social. Os amigos no Facebook, no WhatsApp, não substituem os amigos reais. Você pode ter mil contatos no WhatsApp, mil seguidores no Instagram, e nenhum amigo de verdade. Eles não são reais: não mostram a realidade. Só colocam as coisas boas, fotos felizes, viajando. Isso não é real.

Ciberbullying

José Belizário: Outro ponto importante é o bullying, que hoje é muito mais sério, pois acontece em rede, em redes muito mais amplas. Atendi um menino que sofria bullying e hoje mora nos Estados Unidos. Aqui em BH, não adiantava nem mudar de escola, porque no meio social dele o bullying foi se espalhando.

Patrícia Ragone: Antes da internet, das redes sociais, o bullying, quando acontecia, ficava restrito à escola. O jovem ia para casa e tinha uma trégua desse bullying. Hoje, não. Ao contrário, ele se perpetua.

Humberto Corrêa: Então a internet favorece o suicídio de que maneira? Com o ciberbullying, pois sabemos que o bullying aumenta o índice de suicídios (e curiosamente tanto em quem sofre quanto em quem faz). Há ainda sites que incentivam o suicídio. Mas a principal questão é a falta de limites que os nossos adolescentes têm, que não são colocados pelos pais, pela sociedade. Acho incabível deixar um adolescente oito horas por dia na internet.

Família

Patrícia Ragone: A dificuldade do limite, que já era grande, tornou-se ainda mais desafiadora com algo tão sedutor quanto um celular, que coloca o mundo dentro da sua casa.

Humberto Corrêa: A França está em vias de aprovar uma lei que proíbe jovens de até 15 anos de entrar na escola com celular. É um limite. A sociedade falou "Chega. Não pode".

Patrícia Ragone: O grande segredo é como criar esses limites. Como é importante nos reeducarmos. Fizemos lá em casa o que chamamos do "estacionamento do celular", para que tenhamos um tempo em família razoável qualificado. Porque, se nós mesmos não nos percebermos, caímos também no uso excessivo do celular.

José Belizário: Limite não é dado, é copiado. As crianças, até os 6 anos, copiam tudo. Copiam o que os pais fazem. Então tem de ser dado esse exemplo. Não adianta proibir e depois fazer.

Humberto Corrêa: Concordo em parte. Tem coisas que eu posso fazer e minha filha não, porque eu sou adulto e ela é criança.

Rosângela Teles: Um dos pontos essenciais dessa nova dinâmica familiar é a diluição ou em alguns casos o desaparecimento da relação de autoridade. Isso tem reflexos diretos na escola, que acaba tendo dificuldade no trato com os jovens, porque, para seu desenvolvimento, é preciso esforço. Então, quando não se exige esforço do jovem, quando se facilita demais, a pessoa não vê mais o esforço como valor. E por que as famílias não estão fazendo isso? Existem várias teorias, uma delas está inserida nessa cultura consumista em que o ter é mais importante que o ser. Nesse sentido, os pais acham que estão dando o melhor de si à medida que estão fornecendo coisas para seus filhos, em detrimento da presença. Vivemos em uma sociedade de empreendedores, executivos. Nesse modelo, as pessoas têm de se dedicar muito ao trabalho. Os pais chegam em casa esgotados. Não existe tempo, disponibilidade. E há um senso comum, em que distorceram inclusive conceitos da psicologia, de que não se pode frustrar o menino. Há um excesso de tentar sempre manter a autoestima da criança, associando a frustração com sofrimento.

Patrícia Ragone: E como os pais chegam em casa? Tão saturados que os meninos pensam o seguinte: o mundo do trabalho é um mundo que satura, que deprime. Temos de ter cuidado e nos questionar: eu guardo energia para chegar em casa e ter com meus filhos uma relação que me possibilite conhecê-los? Porque o entendimento hoje dos pais de conhecer os filhos passa muito mais por vasculhar e ter a senha das redes sociais do que sentar-se e poder mergulhar no mundo do filho. Antes, os pais eram emocionalmente disponíveis. Hoje temos pais virtualmente distraídos. Falta essa escuta ativa. Não digo que não devamos ter uma delimitação, mesmo combinar de ter acesso à senha. Mas precisamos conhecer os filhos de outras formas. Não necessariamente no grupo de WhatsApp de mães. As mães gastam tanto tempo no grupo de WhatsApp que já chegam para conversar com o filho com base no que viram no grupo, sem perguntar, olho no olho, "o que você tem a me dizer sobre isto?".

José Belizário: Se esses filhos estiverem na mídia digital, não vão conseguir conversar. Se não regularmos o tempo de mídia e o tempo de sono deles, não tem jeito.

Humberto Corrêa: E não é questão de culpar os pais. Os pais estão precisando de ajuda.

Cristiane Barreto: Acredito que precisamos partir do pressuposto de que o mundo sofreu mudanças importantes e sem retorno. Não nos cabe ser nostálgicos. Há uma responsabilidade coletiva que exige, a meu ver, não pensar em crianças adoecidas, por um lado, e pais que precisam de ajuda, por outro. Existe, sim, uma sociedade com formas de se comunicar, de amar, muitas vezes desastrosas. Precisamos nos implicar em construir espaços coletivos respeitando o estilo de cada um.

Quando os jovens "chamam a atenção"

Patrícia Ragone: Há uma tendência de os pais se cegarem para isso, não acreditarem que isso possa acontecer, e acontece. Quando um menino, em dias quentes, está com capuz, moletom, manga comprida, e o pai achar que é da fase do desenvolvimento… não é. Investigue. O adolescente pode estar se mutilando. A automutilação é fator de risco para o suicídio. Há ainda sinais cognitivos, quando começam a falar "não estou satisfeito", "essa vida não presta". Fazer alguns desapegos materiais é um sinal importante. Quando há mudanças muito bruscas em relação a como se comportavam.. Os pais tendem a achar que é uma manipulação. E esses sinais não podem ser negligenciados. Ainda que o jovem não chegue ao ato em si, ele já está no processo de morrência.

Cristiane Barreto: Quando os pais alegam, com conotação negativa, que o filho está "chamando a atenção", eu inverto isso, pois, se faz algo para chamar atenção, é preciso que o olhar deles esteja ali. Quando falam sobre essa questão de "manipulação", ora, é bom que a pessoa saiba manipular com a linguagem, pois é com ela que se faz laço social. Pensar nas ações de alguém como manipulação, no sentido de má-fé, para se conseguir o que se quer costuma não passar de julgamento moral, que contribui pouco para escutar o que está em questão.

Humberto Corrêa: Se a pessoa usa isso "para chamar a atenção", temos de pensar que ela está precisando de ajuda.

Escola

Rosângela Teles: Como esse é um fenômeno multifatorial, e cada caso tem sua própria complexidade, precisamos também pensar em rede. Além de focar nos pais, temos de observar a escola, que, estrategicamente, tem acesso aos pais e pode contribuir muito. Os professores também têm de estar preparados para lidar com essas subjetividades.

Humberto Corrêa: No ano passado, foi publicado um estudo europeu interessante. Eles testaram abordagens de prevenção de suicídio entre estudantes. No primeiro mês de aula, professores falaram em sala sobre suicídio, ansiedade, depressão, álcool etc. Monitores treinados reuniam-se com alunos para falar desses assuntos, havia cartazes espalhados nas escolas, e cartilhas foram entregues para eles levarem para casa. Isso reduziu durante o ano escolar inteiro o comportamento suicida dos alunos. Ou seja, falar sobre suicídio não aumenta o risco, diminui. Mas tem-se que falar de forma adequada. Um exemplo: outro dia eu vi minha filha estudando ciências, mitocôndrias. Era o detalhe do detalhe do detalhe que, para mim que sou médico e trabalho com genética, não faz a menor falta. Ela estava estudando isso, mas na escola não conversam sobre as emoções, ansiedade…

Cristiane Barreto: A escola tem dever de dizer para o estudante que ele não é só aquilo que parece estar determinado pelo discurso dos pais. Na adolescência ele tem de se desgrudar disso para ser outra coisa. E a escola tem de fazer com que esse desejo e essas descobertas  não sejam mortas cotidianamente. Hoje tem sido mais importante discutir detalhes insignificantes nas matérias do que discutir sobre a vida. Não se trata de recusar a conversa sobre o suicídio ou a dor de existir, podemos falar da morte, se isso ronda. E fazer ver, entender, que o suicídio não é uma solução, muito menos a única saída, frente à dificuldade que é viver. A adolescência é um período de travessia difícil, mas não precisa ser trágica. É também nesse período que acontecem encontros que mudam o rumo da vida, por vezes, para melhor.

Veja onde procurar ajuda

Em casos de emergência: SAMU 192, UPA, Pronto-socorro, Hospitais
Serviços de saúde: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde

Centro de Valorização da Vida
Telefone 181 (ligação gratuita) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Voip, 24 horas, todos os dias. Em Belo Horizonte, o posto fica na rua Desembargador Barcelos, 1.286, Nova Suíça (horário: 15h às 23h, diariamente)

Grupo de apoio a enlutados por suicídio (Gaes): gaesufmg@gmail.com (informações e inscrições)

www.revistaencontro.com.br/canal/revista/2018/07/suicidio-entre-adolescentes-e-jovens-nao-para-de-crescer-no-brasil-e-n.html

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Piauí sempre atuante e à frente das ações de prevenção do suicídio

Psicóloga do NASF ministra palestra sobre suicídio para alunos

A psicóloga Ilka Meneses Feitosa, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família(NASF), da Secretaria Municipal de Saúde de Porto/Pi, realizou nos turnos da tarde e noite na U.E. Otávio Falcão, uma palestra com a temática: “Valorização à Vida: Precisamos falar sobre suicídio”

A escola da rede estadual está realizando o Projeto “Saúde e Qualidade de Vida na Escola” e em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, tem realizado palestras com diversos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF), entre eles, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, entre outros.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), de 2014, apontou que o Brasil é o 8º país com a maior taxa de suicídios do mundo. O estudo ainda afirma que a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo, sendo este um problema de saúde pública. Para piorar, esses números vêm crescendo no Brasil nos últimos anos.

Fique sabendo

O movimento do Setembro Amarelo é mundial e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ele foi trazido ao Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) eABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A OMS lançou outro dado preocupante: o suicídio já mata mais jovens no mundo do que o HIV. é a segunda maior causa de mortes na faixa etária de 15 aos 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito.

Fonte: https://www.meionorte.com/cidades/pi/porto/psicologa-do-nasf-ministra-palestra-sobre-suicidio-para-alunos-em-p-317970

sábado, 12 de outubro de 2013

Projeto + Contigo, em Portugal, faz trabalho preventivo nas escolas


Falar de suicídio deixou de ser tabu nas escolas

O Projeto + Contigo arrancou no ano letivo de 2009/2010 em várias escolas de Coimbra para prevenir comportamentos suicidários em contexto escolar. O suicídio de uma aluna de 13 anos tinha abalado a comunidade da região. No ano letivo seguinte, a iniciativa abrangia 741 alunos do 7.º ao 12.º anos, de vários agrupamentos, nomeadamente em Anadia, Avanca, Alhadas, Secundária Bernardo Machado na Figueira da Foz, Mealhada, Gândara-Mar na Tocha, no Agrupamento Florbela Espanca em Esmoriz. No terreno estiveram 228 professores, 66 profissionais de saúde e 153 encarregados de educação, num projeto que resultou de uma parceria entre a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Administração Regional de Saúde do Centro. No final, registrou-se um aumento do bem-estar entre os jovens e uma melhoria dos casos de depressão.

O + Contigo continuará o seu percurso na Região Centro, mas já este ano arrancará formação no resto do país para que esta intervenção em contexto de sala de aula seja alargada a nível nacional no ano letivo de 2014/2015. A Direção-Geral de Saúde decidiu que o assunto deve merecer mais atenção nas escolas e inclui-o no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. O + Contigo surgiu para promover a saúde mental e bem-estar em jovens do 3.º ciclo e secundário, prevenir comportamentos autodestrutivos e o suicídio, combater o estigma da saúde mental e criar uma rede de atendimento nessa área. Um trabalho feito em três patamares de intervenção: formar técnicos de saúde dos centros próximos das escolas, formar professores e assistentes operacionais, formar e sensibilizar encarregados de educação.

José Carlos Santos, professor na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, acompanha o + Contigo desde a primeira hora. "O Projeto apareceu há cerca de quatro anos. De então para cá, tem aumentado o número de escolas e o número de alunos envolvidos." Os resultados merecem atenção. "A avaliação da intervenção tem demonstrado uma diminuição da sintomatologia depressiva, aumento do bem-estar, autoconceito e capacidade de resolução de problemas. Os efeitos são mais evidentes na sintomatologia depressiva e no bem-estar", refere.

O docente garante que o suicídio não é um tabu, mas que deve ser abordado com cuidado. "Promover a saúde mental nas escolas é uma prioridade", defende. "Podemos prevenir os comportamentos suicidários sem falar de suicídio se a intervenção visar fortalecer os efeitos protetores, nomeadamente o bem-estar, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas e, por outro lado, combater os fatores de risco, particularmente a depressão", acrescenta. Por isso, fala-se de suicídio nas escolas sem, porém, vulgarizar o tema. "A ideia de que falar de suicídio dá ideias é uma falsa crença", refere José Carlos Santos. A informação deve ser adaptada ao grupo que se tem à frente, tentando sempre perceber os motivos das perguntas e da curiosidade dos alunos.

Para Catarina Agante, psicóloga do Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento de Escolas de Miragaia, o suicídio pode e deve ser abordado em contexto escolar, não só apenas junto dos alunos, mas também com os professores. "A tensão social atual em muito tem contribuído para que a preocupação com o suicídio seja abordada no contexto escolar, em que os adolescentes estão disponíveis para a aprendizagem e crescimento, mas simultaneamente se confrontam com os maiores desafios pessoais, isolamento social, confronto com projetos de vida sem expectativas de futuro", afirma. Importa, portanto, falar do tema. "Explorar a vivência da adolescência num sistema de diálogo, abertura, disponibilidade, respostas à tensão e frustração, têm-se revelado variáveis de diminuição do risco de suicídio na adolescência."

A realidade demonstra a tendência para uma maior incidência da forma tentada no género feminino e um maior número de atos consumados no género masculino. E as tentativas de suicídio são mais violentas na forma tentada do que na forma consumada. Cenários que não se podem ignorar. Catarina Agante diz que é preciso equacionar a forma como a escola "pode ser um contexto de suporte de rede de afetos, partilha e encontro". "A temática do suicídio apresenta-se como premente na sociedade atual, considerando a elevada taxa de suicídio que atinge de forma dramática os adolescentes." O + Contigo é, em seu entender, uma mais-valia. "É um projeto que importa estas questões para o contexto escolar, assumindo uma posição de preocupação e intervenção psicopedagógica junto de adolescentes vulneráveis e expostos à solidão e ao isolamento."

http://www.educare.pt/educare/Atualidade.Noticia.aspx?contentid=E84F5E85864B5E35E0400A0AB8003E6C&opsel=1&channelid=0

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A escola na prevenção do suicídio, segundo Perrenoud

...a escola (...) não ensina ninguém a compreender as transformações do trabalho e do mundo do trabalho. Sessenta pessoas se suicidaram [France Télécom], mas quantas já cogitaram essa saída, quantas já tiveram, no trabalho, esse sentimento de perda de sentido, de respeito e de identidade?

A escola não é responsável pelo modo como funcionam as empresas, os órgãos públicos e, em geral, o universo do trabalho, mas ela deveria se questionar para saber por que os adultos estão tão poucos preparados para vivenciar essas evoluções e se defender daquilo que ameaça a sua integridade, o seu profissionalismo e o sentido da sua dedicação profissional. 

O saber não é uma vacina contra qualquer tentação de suicídio ou contra a depressão ou a fuga, mas ele pode permitir que a situação seja relativizada, para que não assumamos integralmente a culpa pelo que está acontecendo, para que não acreditemos que não temos nenhum valor porque a organização nos maltrata ou não reconhece a nossa contribuição e as nossas competências. Evidentemente, as pessoas estão infelizes, sofrendo, em razão de fatores objetivos, mas também pelo fato de estarem desmunidas diante da violência das burocracias modernas.

Fonte: 
Perrenoud, P. Desenvolver competências ou ensinar saberes? A escola que prepara para a vida. Porto Alegre: Penso, 2013.

sábado, 1 de agosto de 2009

Adolescência e suicídio em pesquisa da Fiocruz

Depressão, agressões e negligência são as maiores causas de suicídios

Luciana Abade, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Pelo menos seis em cada 100 adolescentes em idade escolar na rede pública da região metropolitana de Porto Alegre já planejaram suicídio. O uso de drogas pelos amigos e o pequeno número de amigos próximos aumentam em, respectivamente, 90% e 66% o planejamento suicida. Esses adolescentes sentem-se incompreendidos pelos pais, negligenciados pelos mesmos quando trata-se do desempenho escolar e costumam ser agredidos por familiares ou colegas.

É o que mostra pesquisa inédita divulgada pela Fundação Fiocruz, que ouviu quase dois mil adolescentes entre 14 a 17 anos. O comportamento suicida em adolescentes vem sendo alvo de várias pesquisas, mas essa chama atenção por ter focado a fase em que o jovem não apenas pensa, mas já planeja como acabará com a própria vida.

– A adolescência é um periodo na vida muito tumultuado – afirma uma das autoras do estudo, a psicóloga Denise Rangel – Apesar de o senso comum achar um absurdo um adolescente estar pensando em morte, esse é um pensamento comum nessa fase da vida. O problema mora no alto número dos que chegam na fase de planejar o suicídio.

A pesquisa, também assinada pelas psicólogas Lissandra Baggio e Líliam Palazzo, mostra a necessidade de se diferenciar os pensamentos de morte quanto à gravidade e intencionalidade. Nesse sentido o planejamento suicida aproxima-se da tentativa pois, em geral, de cada cinco pessoas que planejam, três efetivamente tentam o suicídio. Segundo a pesquisa, os meninos planejam o suicídio 40% menos que as meninas. O local onde foi realizada o estudo merece destaque. A Região Sul tem uma média de suicídio, 8,1 para cada cem mil habitantes, que é quase o dobro da nacional, 4,6.

O suicídio constitui-se um importante problema de saúde pública. Estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que é a terceira causa de morte no grupo com idade entre 15 e 34 anos. Em todo o mundo, ocorre uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

No Brasil, a taxa de mortalidade por suicídio é praticamente nula até os nove anos. De dez a 14 anos, os valores são semelhantes para homens e mulheres, algo em torno de 0,6 por cem mil habitantes. As diferenças entre os sexos começam a partir da faixa etária de 15 a 19 anos. Apesar das mulheres pensarem e planejarem mais, os homens são os que mais acabam com a própria vida.

O sistema público de saúde, no entanto, não está preparado para cuidar dos adolescentes com problema psicológicos. São apenas 101 Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenis cadastrados para fornecer prevenção e tratamento para transtornos mentais em crianças e adolescentes em todo o país. Além de poucos, há problema na distribuição. Os estados de Rondônia, Espírito Santo, Tocantins, Amapá, Acre, Roraima e Amazonas ainda não possuem um CAPSi. Só em 2005 o Ministério da Saúde desenvolveu uma política de prevenção ao suicídio. Os CAPSi são implantados apenas em municípios com mais de 150 mil habitantes.

Gestão ineficiente

Segundo o coordenador do departamento infanto juvenil da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Marcos Mercadante, o país apresenta uma ineficiência gerencial nessa área. E o pequeno número de psiquiatras infantis, são apenas 300 no país, dificulta ainda mais.

– Você não sabe quanto custa tratar uma criança que tenta se matar. Nem quanto custa deixar de tratar. A falta de tratamento acarreta um custo social enorme.

Para Mercadante, em muitos casos, principalmente quando a família é desestruturada, o ideal é internar o adolescente, mas a rede pública não dá condições necessárias.

Segundo as pesquisadoras, a escola, por ser um local onde são reproduzidos os padrões de comportamento e relacionamentos, tem um papel fundamental para a promoção e proteção da saúde dos alunos. E, por isso, é um local privilegiado para a identificação precoce de situações problemáticas.

Mercadante concorda:

– A escola é parceira fundamental. É preciso dar importância para a mudança de comportamento e queda no rendimento escolar. Os adolescentes são muito impulsivos e nessa história, o velho ditado cão que ladra não morre, não cabe.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/02/20/e200215205.asp

domingo, 12 de abril de 2009

Prevenção do suicídio na escola

Em Yucatán, jovens e até crianças tem se suicidado. As graves contradições sociais e as desigualdades econômicas tem um papel relevante nestas ocorrências. 

O suicídio é um problema social que se gera na comunidade e nela mesma pode ser prevenido. Não é assunto privativo de psicólogos ou psiquiatras, e também não se trata, necessariamente, de pessoas “doentes”. Em todo o caso, se quisermos abordá-lo como doença, trata-se de uma manifestação própria de sociedades doentes e em estado de desagregação, centradas no ter, acima do ser. Dentro deste quadro de complexidade, a escola se destaca como uma possível alternativa preventiva.

As taxas de suicídio tem aumentado entre os jovens, convertendo-os em um grupo de risco. O suicídio, mundialmente, é uma das cinco causas de mortalidade na faixa etária entre 15 a 19 anos e em muitos países tendo sido a primeira ou segunda causa de morte, tanto entre os homens quanto entre as mulheres desta faixa etária. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, pelo menos cem mil adolescentes cometem suicídio a cada ano. Apresentamos, abaixo, alguns dos fatores de risco desta população jovem, incluindo-se aí também as crianças. 

Fatores de risco suicida em crianças e adolescentes:

* Pais às voltas com desequilíbrios emocionais
* Abuso do álcool e drogas na família
* Família violenta ou abusiva (incluindo abusos físicos e sexuais)
* Brigas frequentes entre os pais
* Rigidez familiar
* Ausência de comunicação no seio familiar
* Pouca atenção por parte dos pais ou professores
* Pais ou professores autoritários
* Ambiente escolar tenso ou agressivo
* Abuso verbal, físico ou sexual por parte dos professores
* Expectativas escolares demasiado elevadas por parte de pais e professores
* Ameaças de suicídio ou tentativas prévias
* Uso de álcool, drogas e depressão
* Antecedentes de depressão ou suicídio na família
* Suicídio de algum colega de escola

Os estudantes suicidas emitem avisos muito claros e costumam se abrir à possibilidade de serem auxiliados. Os professores podem ser orientados para reconhecerem em tempo os alertas de seus alunos, indo sua função além da de ensinar. Quando os professores encaram seus alunos como pessoas, em todas suas faces, podem mais facilmente evitar um suicídio.

Para maiores informações sobre prevenção do suicídio ligue para o “Salvemos uma Vida”: 9 45 37 77 ((Yucatán, México) ou visite seu site na internet (http://salvemosunavida1.tripod.com)

Fonte: www.poresto.net/ciudad/27414-prevencion-del-suicidio-en-la-escuela 

Tradução: Abel Sidney 
Com o auxílio do programa de código aberto (open-source) Apertium, de tradução automática (http://www.apertium.org/).

domingo, 11 de janeiro de 2009

Adolescência e suicídio

Diversos estudos têm apontado o suicídio como a segunda causa de morte entre os adolescentes. 

Além do grupo familiar e dos amigos, é necessário chamar a atenção para um espaço em que a prevenção do suicídio deve ser trabalhada: o da escola.

Seja como tema transversal ou tópico especial, a valorização da vida e a sua preservação pode ser trabalhada, com os devidos cuidados.

A rigor ninguém é contra a vida ou a sua valorização! Aproveite-se, pois, para se aprofundar a temática e, por meio de recursos pedagógicos apropriados, pode-se reforçar a necessidade de se salvar a própria pele em qualquer circunstância... 

Não estamos aqui simplificando o debate nem tão pouco dizendo que todos estão prontos para abordar o tema, mas afirmando ser possível, com preparação adequada, tratá-lo devidamente.

Por isso recomendamos a leitura do artigo A escola como espaço de prevenção ao suicídio de adolescentes – relato de experiência. 

Resumo
A autora relata sua experiência na realização de um curso de curta duração, destinado a educadores, com o objetivo de sensibilizá-los para a necessidade de identificar fatores de risco de suicídio e de conscientizá-los para a importância de se perceber a escola como instância de prevenção ao suicídio, numa visão interdisciplinar, diante da complexidade do fato. Ressalta as ressonâncias que o tema provoca nos profissionais da educação.

Para acesso ao texto integral clique aqui. 

A autora, Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, é psicóloga clínica e professora da Faculdade Educação junto à Universidade Federal de Goaís. A sua tese de doutorado versa sobre adolescência e suicídio: Tentativa de Suicídio na Adolescência: dos sinais de aviso às possibilidades de prevenção. Como produto intermediário da tese temos um artigo seu, publicado na Revista da UFG: Tentativa de Suicídio na Adolescência.