domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sorocabanos produzem filmes sobre o suicídio para lançar em setembro


O suicídio avança silenciosamente no Brasil como uma das principais causas de mortes em todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens. E é sobre ele que o projeto Ouvidos calados se debruça. A ideia é sensibilizar o público sobre a importância de dar voz aos seus sentimentos e conscientizar para o conhecimento dos sintomas que podem levar a esta atitude desesperada. Para isso, serão produzidos dois filmes de curta-metragem: um documentário e uma ficção. O projeto reúne reconhecidos profissionais do cinema, fotografia e jornalismo de Sorocaba e conta com o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc), edital 2016. No momento os produtores buscam depoentes.

Conforme a jornalista e produtora cultural Janaina Caldeira, podem participar familiares de vítimas, amigos e pessoas que já pensaram em cometer suicídio, que queiram falar e ajudar na conscientização sobre o tema. Os interessados devem entrar em contato com Janaina pelo e-mail ouvidoscalados@gmail.com ou pela página Ouvidos calados, no facebook. "Nós ouviremos os depoentes e faremos a seleção daqueles que participarão do documentário. A intenção é buscar histórias verídicas com o intuito de ajudar a explorar o tema sempre com a finalidade da conscientização", explica Janaina.

Os filmes abordarão o tema com uma linguagem poética, conteúdo e informação. A ficção, com direção de Ricardo Camargo, traz uma história de luto para ilustrar as emoções que o suicídio gera na família. O filme mostrará a dor de uma mãe momentos antes do enterro do filho que tirou a própria vida. O roteiro, também de Ricardo Camargo, é inspirado num conto do músico Rolando Boldrin.

Atrás das câmeras estão o editor e diretor de cinema e vídeo Mauro Baptistella; o diretor de cinema e fotografia Ricardo Camargo; o diretor de fotografia Chores Rodrigues; e o produtor de cinema e vídeo Lucas Zalla, proponente do projeto.

Ouvidos calados ainda conta com participação da cantora e compositora Paula Cavalciuk, responsável pela música original; dos músicos Ítalo Ribeiro Bernardo e Válter Silva, que farão a trilha sonora do documentário e da ficção, respectivamente; da atriz Merlin Kern Sarubo, como personagem principal do curta de ficção; da preparadora de elenco Tatiana Vilela Zalla; do ilustrador Marcel Bartholo; e da estudante de cinema Giulia Baptistella Pissini.

Para o documentário serão captados ainda depoimentos e entrevistas de profissionais, como o psicanalista Ricardo Dih Ribeiro e da psicóloga Mariangela Moron Marques, além de voluntários do Centro de Valorização à Vida (CVV).

Além dos filmes, o projeto resultará em rodas de conversa com jovens nos oito Territórios Jovens da cidade, com a participação de toda equipe, depoentes e entrevistados para falar dos perigos da individualização e o não compartilhamento de suas emoções.

A previsão de lançamento é a segunda quinzena de setembro, mês em que é realizada a campanha Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/766217/sorocabanos-produzem-filmes-sobre-o-suicidio-para-lancar-em-setembro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO CVV

Suicídio: há algo estranho em nós?

Não é fácil assumir o papel de protagonista quando vemos um assunto como tabu. Nesse caso, no entanto, é urgente romper o silêncio, conversar e aceitar o fato de que sabemos muito pouco

Por Robert Gellert Paris Junior*

O PAÍS FOI SURPREENDIDO COM UM SUICÍDIO TRANSMITIDO AO VIVO PELAS MÍDIAS SOCIAIS HÁ DUAS SEMANAS. Não foi o primeiro caso em que um suicídio se tornou espetáculo e, com o avanço das tecnologias de comunicação, situações como essa podem virar rotina.

O suicídio é um problema mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. É uma das questões universais do ser humano que mata pelo menos uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos.

Sim. A maioria das pessoas se espanta na primeira vez que toma conhecimento desses índices, pois é muito mais gente do que imaginávamos; mas o lado positivo é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Muitos são portadores de doenças mentais e não têm condições de acesso a profissionais especializados; outros tantos têm uma crise e ninguém com quem contar. Com ajuda a maioria estaria viva.

Um estudo da Universidade de Campinas aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. Transformado em algo mais tangível pode-se dizer que são sete alunos em uma sala de aula, 35 passageiros em um avião e quase 12.000 torcedores num estádio da Copa do Mundo.

O Brasil ocupa o triste oitavo lugar no mundo em números absolutos de mortes por suicídio.

Existem algumas iniciativas públicas para tentar reduzir essa estatística, como o recente debate na Câmara dos Deputados para a formação de um grupo de trabalho para revisão das políticas públicas de prevenção do suicídio e a criação pelo Ministério da Saúde de um número para ligação gratuita, o“188”, com a finalidade de oferecer apoio emocional de emergência para prevenção do suicídio. Atualmente em operação exclusivamente no Rio Grande do Sul como fase piloto, o 188 deve ser expandido futuramente às demais regiões do país.

Ainda é pouco. Quando o assunto é prevenção de suicídio, ainda engatinhamos, pois o problema requer o envolvimento de todos.

Sim, isso diz respeito à toda a sociedade, e não somente às autoridades, pois é comum que se fuja ou se mude de assunto quando algum amigo nos procura para desabafar ou mesmo quando nossos filhos comentam em casa sobre um colega que tentou tirar a própria vida. Essas são oportunidades de melhorar a eficácia do círculo de relacionamento dos que precisam.

Não é fácil assumir nossos papéis de protagonistas quando vemos o assunto como um tabu. É urgente romper o silêncio em torno do suicídio, conversar sobre o assunto, aceitar o fato de que sabemos muito pouco a respeito, de que todos estamos suscetíveis e que existe prevenção. Estimular as faculdades de saúde a tratarem do tema em sala de aula, implantar programas confiáveis de desenvolvimento de habilidades sócioemocionais desde a infância, incluindo capacitar os professores a prestarem atenção aos sinais de seus alunos e oferecerem ajuda. Estimular as empresas a inserirem o tema em SIPATs e os pais a não se furtarem de conversar abertamente sobre a questão.

A cada novo fato “espetacular”, surgem novos culpados. As mídias sociais e a crise econômica são os mais recentes, mas podemos realmente colocar esses dois fatores no banco dos réus?

Dizer que sim seria simplificar a questão e lavar nossas mãos diante dos fatos.

As mídias sociais digitais são ferramentas disponíveis a quase todas as pessoas e podem ser bem ou mal utilizadas. Não são elas as responsáveis pela espetacularização do fato, mas sim as pessoas que se utilizam desse meio dando um “compartilhar” em um vídeo desses e transformando o sofrimento e a perda de uma vida em show.

Utilizar as redes para divulgar um ato de suicídio, ainda mais com detalhes e imagens, é o oposto da prevenção; é esquecer a pessoa que sofre e satisfazer alguma necessidade pouco nobre. Por outro lado, utilizar as redes para identificar sinais de alerta em conhecidos e oferecer ajuda, é fazer bom uso da tecnologia. Um exemplo interessante foi o Facebook ter criado, no ano passado, um recurso pelo qual um usuário pode alertar o administrador que um conhecido seu dá sinais de ideação suicida. E, nesses casos, o Facebook alerta essa pessoa que alguém está preocupado com ela e oferece opções de ajuda, inclusive com os contatos do CVV.

Esse pode ser o início de um processo para evitar o suicídio. A ajuda emergencial pode ser obtida por meio de um atendimento do CVV, que em seus 55 anos de atuação gratuita na prevenção do suicídio entendeu que as pessoas precisam ser acolhidas e aceitas nos momentos de crise, de sensação de solidão ou forte angústia, e não criticadas, cobradas ou julgadas.

Também a crise econômica não pode ser considerada totalmente culpada. Pode-se dizer que são raríssimos os casos, para não afirmar que são inexistentes, em que a tentativa de suicídio possui uma única motivação.

A pessoa é levada ao suicídio pelo acúmulo de situações com seus sentimentos por vezes insuportáveis. É usual que haja um fator desencadeante, como se fosse a gota d’água em um copo cheio, que a leva à sensação de total impotência e desespero.

Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e “adicionar água ao copo” de muitas pessoas. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, o que leva à necessidade comum a todos nós de encontrarmos maneiras de “esvaziar o copo” antes que chegue na borda. Para isso, cada um que se importa com a vida pode ser um recurso.

Fonte: http://veja.abril.com.br/complemento/pagina-aberta/suicidio-ha-algo-estranho-em-nos.html

* Robert Gellert Paris Junior é presidente do CVV – Centro de Valorização da Vida (cvv.org.br), entidade sem fins lucrativos que presta serviço gratuito e voluntário a todos que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e pessoalmente

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PLANO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL, DIGO, NO PIAUÍ!!

Piauí cria plano de ação para prevenção do suicídio

Além de instituir o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI).

Denise Nascimento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no
Brasil 400 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de transtorno mental. Nesse contexto, o suicídio tem se destacado como um grave e crescente problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

Tendo isso em vista, dentro das políticas da Rede de Atenção Psicossocial, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí tem realizado ações de conscientização para as questões que envolvem a saúde mental. Uma delas é a elaboração, em parceria com outras instituições, do plano de ação para prevenção do suicídio que visa à sistematização e organização do fluxo de atenção e cuidado à saúde do paciente em risco de suicídio, buscando a redução desse agravo de saúde.

O plano prevê medidas como campanhas educativas, ações de promoção em saúde e prevenção de danos, reforçando a ação da atenção primária, visando o fortalecimento e a melhoria da qualidade de vida dessa população. Além disso, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Costa, instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI), composto por equipe multiprofissional e interinstitucional para realização de debates constantes acerca do tema e vigilância das ações.

Uma das principais estratégias adotadas, como explica o secretário Francisco Costa, é “trabalhar a prevenção do suicídio logo na atenção básica, sensibilizando as equipes de Estratégia da Saúde da Família e capacitando os agentes comunitários de saúde para que eles estejam aptos a identificar pessoas com comportamentos autodestrutivos e fazer os encaminhamentos necessários para o tratamento adequado”.

Outra ação é a elaboração de um aplicativo como ferramenta que permita os professores, no âmbito da educação tanto no nível fundamental, médio como no superior, detectarem precocemente pessoas com sofrimento psíquico que podem levar ao suicídio. O Estado também irá fomentar pesquisas científicas junto ao grupo de estudo sobre prevenção ao suicídio nas Universidades e Faculdades.

Como dispositivos de assistência, o Estado oferece gratuitamente acesso a hospitais, centro de acompanhamento e programas de cuidados em Saúde Mental. Atualmente, o Piauí possui 62 Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e implementou leitos psicossociais na rede hospitalar.

Realidade no Piauí
O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes superior à do Brasil. Enquanto a taxa do Estado é de 7,6, a do país é de 5,3. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Estado da Saúde apontam que nos anos de 2015 e 2016 foram registrados 541 óbitos por suicídio no Estado.

A notificação das tentativas de suicídio também vem aumentando em todos os anos, em 2015 foram 603 tentativas, já no ano seguinte foram 724, totalizando 1.327 casos. A faixa etária com maior número de óbitos por suicídio está entre 20 e 29 anos. Além disso, Teresina ocupa o 1º lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes, e em 2º lugar na população jovem entre 15 e 24 anos.

Fonte: http://www.piaui.pi.gov.br/noticias/index/categoria/2/id/29449

Ainda a prevenção do suicídio nas forças policiais em Portugal

Prevenção do suicídio

Os investigadores da PJ também se emocionam e também ‘quebram’.

Ricardo Valadas

O recente estudo apresentado sobre o fenômeno do suicídio nas polícias refere que 28,1% dos profissionais que se suicidaram tinham hábitos alcoólicos excessivos, e que na maioria dos casos, as causas se centram em problemas pessoais, que "afetam todo e qualquer cidadão", tais como conflitos familiares e conjugais.

Na base de muitos suicídios está um fenômeno designado por "Síndrome de Burnout" (SB), que na sua essência, se manifesta num quadro clínico, que passa por irritabilidade, fadiga constante, insônia, incapacidade em relaxar, depressão e lapsos de memória. A SB é sobretudo uma doença ocupacional e manifesta-se mais em profissões que envolvam uma gestão emocional próxima, tais como as polícias, os profissionais de saúde e os bombeiros.

Na PJ, onde é exigido que se interaja com o sofrimento de terceiros e com o vislumbre do fim da sua própria vida, é importante que se pense num programa preventivo e de acompanhamento de todos os profissionais sem exceção.

Os problemas familiares existentes são, na maioria, decorrentes dos problemas profissionais e muitas vezes do stress provocado pelas condições de trabalho e pela falta de descanso. Os investigadores da PJ também se emocionam e às vezes também ‘quebram’.

Fonte: http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/ricardo-valadas/detalhe/prevencao-do-suicidio
- com adaptação à língua portuguesa brasileira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Suicídio de policiais em Portugal - mais informações

Saúde mental. Suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em nove anos

Nos últimos nove anos, o suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em Portugal. Resultados de um estudo sobre a prevenção do suicídio e outros comportamentos autolesivos nas forças de segurança revelaram, esta semana, que entre 2007 e 2015 foram registados 89 suicídios entre agentes da GNR e PSP. Analisando os dados globais para o mesmo período temporal, os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam um flagelo de muito maior dimensão. Qual é a estratégia?

Álvaro Carvalho, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, sublinha que, para já, este estudo feito junto das forças de segurança traz resultados importantes para a prevenção. Embora representem 1% dos suicídios a nível nacional neste período, entre os agentes de segurança – um universo de 40 mil pessoas – estima-se que a prevalência do suicídio seja o dobro da verificada na população em geral. E atuar junto dos grupos com maiores vulnerabilidades, criando uma cultura de prevenção e deteção de sintomas entre pares, é uma das estratégias centrais do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio em vigor no país, sublinha o responsável.

Os dados do INE mostram que o suicídio se tem mantido relativamente estável, na ordem dos mil casos anuais. Foi atingido um pico em 2014, com 1223 óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente, o que fez aumentar a taxa de mortalidade por esta causa no país para 11,8 casos por 100 mil habitantes. Em 2015, os últimos dados disponíveis e divulgados pelo INE na semana passada, o número de suicídios baixou para os 1132 casos, um número ainda assim superior ao que se registava antes da crise económica.

Nestes nove anos, o suicídio tirou a vida a 7398 homens e 2247 mulheres. As estatísticas do INE revelam que é a população de meia-idade e mais velha que está em maior risco. O número de mortes aumenta de forma expressiva a partir dos 40 anos de idade. Entre os 30 e os 40 anos registaram-se 973 casos de suicídio neste período e, entre os 40 e os 49 anos, 1518 mortes; entre os 50 e os 59 anos houve 2369 casos; entre os 60 e os 69 anos registaram-se 1507 casos; entre os 70 e os 79 anos, 1814 casos; e acima dos 80 anos de idade houve 1497 vítimas de suicídio, das quais 651 tinham mais de 85 anos de idade. Já entre os mais jovens registaram-se 106 mortes por suicídio até aos 19 anos de idade e 497 casos entre os 20 e os 29 anos.

Reforçar investigação

Álvaro Carvalho defende que o ideal seria poder avançar com autópsias psicológicas no país para perceber exatamente o contexto das pessoas que cometem suicídio, tal como foi feito no estudo junto das forças de segurança, conduzido pelo psiquiatra Jorge Costa Santos. “Não temos tido meios suficientes nem na medicina legal nem na saúde mental”, reconhece Álvaro Carvalho. “Mesmo que não fossem feitas autópsias a nível nacional, seria importante haver meios para poder desencadear esses processos por amostragem e nas zonas de maior incidência, como o Alentejo litoral”, sublinha o responsável.

Álvaro Carvalho defende que, independentemente do avanço da autópsia psicológica como está previsto no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, seria importante uma “maior profissionalização da investigação dos suicídios por parte das forças de segurança”, dando como exemplo situações de acidentes rodoviárias em que é detetada a presença de drogas nos condutores, mas não é avaliada a hipótese de intencionalidade.

No que diz respeito a grupos de risco, além das forças de segurança, Álvaro Carvalho sublinha que há trabalho a fazer no meio prisional e também junto dos idosos. Atualmente, GNR e PSP têm programas de sinalização de idosos isolados, mas o objetivo, sublinha o responsável, é que em parceria com serviços de saúde, autarquias e agentes de segurança sejam criados planos de intervenção individual junto das pessoas mais vulneráveis que deem recursos em várias dimensões. “Pode ser dar resposta à necessidade de ter alguém com quem conversar ou ajuda para fazer compras”, exemplifica o especialista. Entre os idosos, a solidão e a existência de doença incapacitante são fatores de risco para o suicídio, que em 90% dos casos está ligado a um quadro de depressão.

Ao longo deste período de nove anos, o suicídio tornou-se a principal causa de mortalidade que não doença no país. Foram progressivamente diminuindo as vítimas mortais de acidentes na estrada e, em 2011, o número de mortes por suicídio foi, pela primeira vez, superior ao balanço da sinistralidade rodoviária. Em 2015, os acidentes de transporte provocaram 810 mortes no país e as lesões autoprovocadas intencionalmente tiraram a vida a 1132 pessoas.

Álvaro Carvalho defende que esta tendência resultará mais do efeito da crise económica do que do impacto das estratégias de prevenção. “Está descrito na literatura que, em períodos de crise, diminui a sinistralidade rodoviária e aumenta o suicídio.” Em Portugal, um dos fatores de preocupação nos últimos anos foi um aumento da taxa de mortalidade por suicídio numa população mais jovem.

https://ionline.sapo.pt/546752

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Suicídio de policiais em Portugal e a construção de um plano de prevenção

Associação Sindical dos Profissionais da Polícia defende prevenção do suicídio

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Rodrigues, disse hoje que é importante dotar a PSP de instrumentos para prevenção do suicídio, referindo-se ao estudo encomendado pelo Ministério da Administração Interna e hoje divulgado.

"A verdade é que é importante que, a partir deste momento, não se fique só pelas conclusões e se comece a dotar a PSP de instrumentos", afirmou Paulo Rodrigues, explicando que é preciso equipar os gabinetes da PSP com mais psicólogos e montar um programa de prevenção.

Os 89 elementos da PSP e da GNR que se suicidaram entre 2007 e 2015 tinham como perfil comum problemas pessoais ou familiares, se

O estudo "Prevenção do suicídio e comportamentos autolesivos nas forças de segurança", encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao psiquiatra Jorge Costa Santos, indicam também que estes elementos que se suicidaram apresentavam alguns antecedentes pessoais e profissionais, nomeadamente mais casos de divórcios e maior absentismo por doença.

O mesmo estudo defende um reforço de psicólogos e psiquiatras na PSP e GNR para permitir um acompanhamento de proximidade.

"Tem de haver esta conjugação de esforços para que se possa efetivamente fazer uma prevenção, mas tem de se passar à prática, porque há dois anos que estamos à espera que este projeto se inicie para melhorar aquilo que temos, que é muito pouco", salientou Paulo Rodrigues, ressalvando que apenas conhece as conclusões do estudo.

Ainda sobre as conclusões apresentadas, o dirigente salientou que em relação aos suicídios a conclusão "não é de estranhar", lembrando que o ano de 2015 foi "muito complicado" na PSP porque "houve muitos suicídios".

Entre 2007 e 2015, suicidaram-se 51 militares da GNR e 38 agentes da PSP, sendo os anos com maior número 2008 (12) e 2015 (15).

Em 2016, suicidaram-se dois agentes da PSP e dois militares da GNR.

Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/pais/associacao-sindical-dos-profissionais-da-policia-defende-prevencao-do-suicidio_n979802
 
ndo esta a principal causa para o suicídio, revela um estudo hoje apresentado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

André Trigueiro comenta o caso do PM que transmitiu o suicídio ao vivo no Facebook

Recebi uma ligação na manhã de hoje do Jornal Extra repercutindo o suicídio de um PM do Rio que foi transmitido ao vivo pelo facebook. Me ligaram por saberem do meu envolvimento com a causa da prevenção do suicídio e do livro "Viver é a Melhor Opção" que lancei em 2015. Sobre o assunto, gostaria de dizer o seguinte:

- Replicar fotos ou imagens de alguém em situação de extremo desespero ou desalento com a vida (não apenas o suicídio em si) é algo simplesmente abominável. Um desrespeito a pessoa que sofre, e também a quem vier a receber essa informação.
 
- Segundo a Organização Mundial de Saúde, é melhor não reportar casos de suicídio na mídia. Se isso for inevitável (como no caso do ator americano Robins Williams, em 2014) convém evitar generosos espaços com manchetes e imagens, não revelar o método empregado nem enaltecer s qualidades morais do suicida.
 
- Pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente podem registrar notícias sobre suicídios como uma sugestão.
 
- A informação sobre suicídio que merece destaque na mídia (segundo a OMS) é a seguinte: em 90% dos casos, os suicídios são evitáveis por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis. Um dos principais fatores de risco suicida é a depressão. O PM que virou notícia por essa tragédia tinha um histórico de depressão, e havia sido internado 4 vezes na psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar. Não sabemos como foram esses atendimentos.
 
- Outro fator de risco é o acesso a armas. Soldados das Forças Armadas, Policiais (civis, militares, federais) ou qualquer pessoa que tenha porte de arma precisa ter assistência psicológica e apoio emocional constantes.
 
- Ninguém se mata por uma única razão. Pode haver uma causa preponderante, que jamais responderá sozinha pelo ato extremo de se matar. Suicídio é um fenômeno complexo que não se explica com conclusões precipitadas ou generalizações.
 
- Quem precisa de ajuda (e não tem dinheiro sobrando) pode procurar os CAPs (Centros de Apoio Psicossociais), os serviços gratuitos oferecidos por Faculdades de Psicologia espalhados pelo Brasil e o CVV - Centro de Valorização da Vida - pelo número 141.
 
- Amigos e parentes devem acompanhar eventuais comportamentos estranhos de reclusão social, não compartilhamento de informações, sucessivas queixas ou declarações que remetem a uma situação limite, falta de esperança ou de qualquer saída possível. Em se confirmando isso, não despreze a possibilidade de haver aí algum sinal indicando risco de suicídio.
 
A vida é para ser vivida.
 
Quando não estamos de bem com a vida, precisamos procurar ajuda. 
 
As crises passam. Nós devemos seguir adiante.
 
Fonte: André Trigueiro