terça-feira, 11 de setembro de 2018

Twitter anuncia novo serviço para prevenção do suicídio
Redação O Estado de S. Paulo  10/9/2018 

O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o Twitter aproveita a data para anunciar uma nova parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), para ajudar e dar informações a pessoas que estejam vulneráveis ou propensas ao suicídio.

O serviço #ExisteAjuda funciona assim: ao buscar por termos relacionados relacionados ao suicídio ou automutilação, o usuário vai receber uma mensagem oferecendo ajuda e mais informações sobre como contatar o CVV.


"Você pode obter ajuda. Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil ou em crise, vocês não estão sozinhos. Nosso parceiro CVV pode ajudar. Ligue gratuitamente 188 de qualquer lugar do Brasil", diz a mensagem, que tem um botão para contatar diretamente o serviço.

"O Twitter tem demonstrado preocupação e envolvimento com a causa da prevenção do suicídio no Brasil, dando exemplo para outras organizações. O #ExisteAjuda deve acrescentar ainda mais nesse sentido, fazendo o CVV chegar próximo a pessoas que talvez desconhecessem o serviço, ou mesmo nem pensassem ser possível pedir ajuda para evitar o suicídio. São mais de 30 brasileiros mortos diariamente vítimas do suicídio, o que demonstra que ações como esta são urgentes e necessárias. O CVV atua gratuita e voluntariamente há 56 anos, e sabemos muito bem que quebrar os tabus em relação ao suicídio exige coragem e força de vontade”, afirma Adriana Rizzo, voluntária e porta-voz do CVV.

Em outros países, a mensagem vai dar informações sobre como contatar a central semelhante local. Além do Brasil, o #ExisteAjuda também está sendo implantado na Alemanha, Reino Unido, Irlanda, Espanha, Hong Kong e Austrália, e já existia nos Estados Unidos, Japão e Coreia.

Além disso, a rede social também se uniu à Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (WSPD, pela sigla em inglês) para lançar um emoji especial com o símbolo oficial da campanha - um laço.  A imagem poderá ser visualizada em tuítes publicados entre os dias 7 e 16 de setembro com as hashtags em português #DiaMundialDaPrevençãoDoSuicídio, #PrevençãoDoSuicídio, e #SetembroAmarelo, além da hashtag #WSPD2018.

https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,twitter-anuncia-novo-servico-para-prevencao-do-suicidio,70002496036

sábado, 8 de setembro de 2018

Faltam estudos científicos sobre o suicídio no Brasil

Os suicídios resultam de uma complexa interação de fatores, diz a Organização Mundial da Saúde

Fred Santana

Resistência da sociedade em tratar do tema faz com que o Brasil seja um dos países com menos estudos científicos sobre suicídio em todo o mundo.

Ao ouvir a palavra suicídio, é muito comum as pessoas que estão ao seu redor reagirem de forma desconfortável, insegura. Afinal, para muitos, é absolutamente inconcebível a ideia de uma pessoa tirar a própria vida. E justamente esta resistência em lidar com o tema por parte da sociedade brasileira que torna o suicídio um tabu em comparação ao resto do mundo. É a constatação feita pela socióloga Maria Cecília Minayo, pioneira sobre o tema.

A pesquisadora esteve em Manaus, na última semana, para apresentar os resultados do estudo “É possível prevenir a antecipação do fim? Suicídio de idosos no Brasil e possibilidades de atuação de atuação do setor saúde”. O projeto foi realizado entre os anos de 2010 a 2012, com o objetivo de compreender a magnitude e a significância do suicídio na população brasileira acima dos 60 anos ou mais, cujas mortes ocorreram  no período de 1989 a 2009 no Brasil. Uma das primeiras constatações é justamente que o Brasil está atrasado em relação ao resto do mundo.

“Quando buscamos material de pesquisa no exterior, temos esse assunto amplamente abordado e documentado. Onde realmente há escassez de informações é no Brasil”, lamenta Cecília.

Para a socióloga, o principal culpado por essa negligência é o critério de classificação dos casos de suicídio pelo governo federal. “Ao inserir os casos de suicídio na mesma categoria de crimes, cuja incidência é estatisticamente maior, o poder público faz parecer que o problema é menor do que realmente é. Esse é o nosso calcanhar de Aquiles”, alerta.

Além do atraso do Brasil no trato do tema, a situação de cada faixa etária também foi foco da palestra. Tema central do estudo, o suicídio dos idosos tem como a desatenção o seu principal fator de risco.

“Os idosos são abandonados pela família e não possuem atenção do Estado. Isso leva muitos a se questionarem sobre que tipo de vida estão levando. Ou acabam se sentindo um peso para a sociedade, perdendo assim a motivação de viver. Isso tudo acelera o processo”, observa.

Apesar do estudo ter como foco a terceira idade, Cecília afirma que todas as faixas etárias estão expostas ao problema. “Jovens estão expostos em virtude do início da sua vida amorosa e sexual. O fim de relacionamentos nessa faixa etária é problemático e leva um número considerável a tentar ou cogitar o suicídio. Os homossexuais também são um grupo de grande incidência por conta do bullying que sofrem”, analisa.

No caso de crianças, a desestruturação familiar é o principal vilão. “As brigas de família tem forte impacto nas crianças”, destaca.

O que acontece

De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), os suicídios resultam de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociológicos, culturais e ambientais. Detectar rapidamente os sinais de alerta, além de fazer o encaminhamento para especialistas e monitorar o comportamento do suicida são passos importantes na prevenção. O desafio está justamente em identificar as pessoas que estão em risco e a que eles são vulneráveis para entender as circunstâncias que influenciam o seu comportamento auto-destrutivo.

Por exemplo, no Japão, o suicídio, até pouco tempo, tinha um significado de valor e estava ligado à salvação do nome da pessoa, à questão da honra. Já nos países ocidentais, sempre esteve mais associado a desordens mentais. Na verdade, o suicídio reflete uma ausência de motivos para continuar vivendo, quer sejam reais ou imaginários.

Nesta era globalizada, os valores econômicos são superestimados e os seres humanos estão sendo classificados como ganhadores ou perdedores, contrariando os preceitos de uma constituição que assegura a todos o direito de uma vida com um padrão mínimo de saúde, cultura e dignidade. Isto fica particularmente comprometido entre nações em guerra, onde todos os direitos assegurados são completamente esquecidos. Este total desrespeito à vida humana tem um preço, e não só em dinheiro, mas também em saúde mental.

Números

A OMS e a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (Iaps, em inglês) instituíram o dia 10 de setembro como o Dia Mundial para Prevenção do Suicídio. Em 2015, a OMS divulgou dados do primeiro Relatório Global para Prevenção do Suicídio, revelando que mais de 800 mil pessoas dão fim à própria vida todos os anos no mundo. E para cada suicídio consumado, há aproximadamente 20 tentativas sem sucesso. O país com maior índice de suicídios é a Rússia, com 39 vítimas a cada 100 mil habitantes. França, Alemanha, Canadá apresentam uma taxa ao redor de 15.

Ainda de acordo com a OMS, o suicídio é um grande problema de saúde pública e aproximadamente 75% dos casos ocorrem em países de baixa e média renda. O Brasil é o oitavo país, nas Américas, em número de suicídios. “Tem havido um crescimento expressivo do suicídio no mundo inteiro. No Brasil, a taxa é alarmante porque não se falava abertamente nisso, mas se sabe do problema”, afirma o pesquisador da Iaps, Paulo Amarante.

“Esse mito de que o Brasil é um país alegre não é real. Na verdade, o que está acontecendo é um processo muito grande de individualismo e tudo tem a ver, estruturalmente, com as ideias de suicídio”, ressalta.

http://www.emtempo.com.br/os-suicidios-resultam-de-uma-complexa-interacao-de-fatores-diz-a-organizacao-mundial-da-saude/

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

"Uma palavra pode salvar uma vida"!

Núcleo de prevenção ao suicídio atendeu mais de mil pessoas em 2017 em Rio Branco: ‘uma palavra pode salvar uma vida’

Psicóloga Josiane Furtado participou do Bate Papo do G1 desta quarta (5). Setembro Amarelo debate a prevenção do suicídio com programações.

Diego Torres Rio Branco-AC 6/9/2018 

Uma palavra, uma atenção maior e apoio são alguns dos fatores que podem ajudar uma pessoa que pensa em suicídio. Para debater o tema, a psicóloga Josiane Furtado deu dicas e falou sobre o Setembro Amarelo, mês escolhido para prevenção ao suicídio, no G1.


A profissional compõe a equipe do Núcleo de Prevenção ao Suicídio do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb). Os dados do núcleo mostram que no primeiro semestre de 2018 foram atendidos 509 pessoas, que tentaram o suicídio ou que tinham a tendência. Em 2017 foram mais de mil ao londo do ano.

Josiane aproveitou para convidar a comunidade para a 2ª jornada da Prevenção ao Suicídio que ocorre nos próximos dias 10,11 e 12 no auditório da FAAO.

A programação do mês tem ainda uma parceria com o Cine Clube Opiniões, com exibições de filmes na Filmoteca Acreana, anexo da Biblioteca Pública, aos sábados.

"O núcleo tem psicólogos e é livre demanda, qualquer pessoa ou familiar que queira orientação pode ir lá, sendo que não fazemos psicoterapia nesse plantão, a gente encaminha para unidades básicas, clínicas escolas e onde tem as demandas. Caso um desses que a gente atenda precise ser internado, passamos para a classificação de risco, volta para o médico, que avalia junto com a gente e encaminha para os leitos de saúde mental, no Huerb", explicou a profissional.

A psicóloga explicou ainda como surgiu o setembro amarelo. Segundo ela, a campanha iniciou nos Estados Unidos por uma família de um jovem que tinha tentado suicídio.

"Ele tinha um mustangue amarelo que gostava muito e, após essa tentativa de suicídio, a família, ao invés de ficar fechada, viu que tinha que fazer alguma coisa e começou uma campanha familiar e na comunidade para que as pessoas começassem a perceber o outro, perceber o próprio filho, o vizinho em quadro de depressão, de angústia ou de um pânico", relembrou.

O núcleo serve também para ouvir o paciente e detectar o grau de risco de suicídio.

"Se está em um risco fica internado, se não, tentamos colocar esse paciente na rede. Não existe perfil de pessoas que se suicidam. Existem pessoas que demonstram, outras que não e quando a família sabe já até tentou. Atendemos de crianças a idosos sendo que na maioria, 70%, são de até 29 anos e não tem classe social, não tem idade e nem grau de escolaridade", afirmou.

Grupos de autoajuda

Ainda segundo a profissional, existem grupos de pacientes que se reúne no intuito de oferecer ajuda e se auto ajudar no tratamento. Um desses grupos se reúne no Horto Florestal há cada 15 dias. Josiane falou sobre a importância desses encontros, que são promovidos de forma independentes.

"Os pacientes que se internam no Huerb têm o número uns dos outros e eles mesmo ligam e é uma prevenção. Esses grupos de autoajuda são muito importantes, mas existem poucos ainda aqui no Estado", complementou.

'Gatilhos'

Conforme Josiane, as pessoas que tentam suicídio passam por um longo processo até chegar ao extremo de querer tirar a própria vida. Segundo ela, a pessoa não adoece do dia para noite e nem sempre tem um fator ou doença que serve como ‘gatilho’ para resultar no suicídio.

“Existem pessoas que tentam suicídio que não tem depressão, não é esquizofrênico e aconteceu algo na vida dele que não suportou e tentou suicídio. Existem pessoas que podem ter tendência a depressão, mas não têm [tendência ao suicídio], mas aí aconteceram coisas na vida dele e um dia acontece algo que é a gota d’água e o gatilho para que fizesse”, falou.

Outro ponto abordado na conversa foi que nem toda pessoa que tentou suicídio vai tentar novamente.

"Uma vez suicida não sou sempre suicida. Posso ter tentado aquela vez e não tentar de novo. Se tiver feito um tratamento e está em em consigo mesmo um ambiente familiar, escolar porque é todo um contexto ele vai aceitar isso bem", argumentou.

Ajuda da sociedade

Ajuda da família, amigos e conhecidos é importante, mas qualquer pessoa da sociedade civil pode ajudar e contribuir para o tratamento dessas pessoas. Josiane deu dicas de como ajudar uma pessoa com tendência ao suicídio.

"Aprender a ouvir essa pessoa porque hoje estamos em uma correria tão grande que não ouvimos as pessoas. Ouvir sem julgar e perguntar se quer ajuda, se pode ajudar", destacou.

Toda ajuda é bem-vida, mas segundo psicóloga o paciente precisa assumir que precisa dessa ajuda. Josiane explicou uma das principais barreiras enfrentadas é a da aceitação.

"A negação é um dos principais problemas porque se ele não se vê doente não tem como tratar. Não podemos obrigar, tem o direito de escolha", concluiu.

Para assistir a entrevista clique aqui.

Fonte: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2018/09/06/nucleo-de-prevencao-ao-suicidio-atendeu-mais-de-mil-pessoas-em-2017-em-rio-branco-uma-palavra-pode-salvar-uma-vida.ghtml

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Projeto para uma política nacional de prevenção ao suicídio é lançado na Câmara Federal

Deputado de MS apresenta projeto que estabelece política nacional de prevenção ao suicídio

De autoria de Fábio Trad, o projeto institui diretrizes intersetoriais para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento à pessoa com comportamento suicida e de sua família

4/9/2018 

O deputado federal Fábio Trad (PSD-MS) apresentou nesta terça-feira (4) um projeto que institui uma política de prevenção ao suicídio em todo o País.

O Projeto de Lei 10781/18, de sua autoria, estabelece diretrizes intersetoriais para o desenvolvimento de ações, políticas e atendimento à pessoa com comportamento suicida, incluindo-se aí os membros de sua família. 

"Esse projeto nasceu da união de esforços de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, juristas, sociólogos e pessoas direta e indiretamente envolvidas na questão do suicídio. Portanto, eu me orgulho em apresentar um projeto bem elaborado, consistente e que vai contribuir para salvar vidas, evitando tragédias inomináveis que hoje infelizmente frequentam os lares brasileiros", disse o deputado Fábio Trad. 

A promoção do debate, reflexão e conscientização sobre o tema e a participação da sociedade civil na aplicação e desenvolvimento de ações voltadas à prevenção do auto-extermínio também constam no texto, o que deve ocorrer a partir de programas que desenvolvam habilidades e conhecimento nas pessoas da comunidade para que identifiquem indivíduos sob risco de cometer suicídio.

O projeto também estabelece os direitos da pessoa que tentou suicídio, como acesso a serviços de saúde, de forma integral, incluindo atendimento multiprofissional e medicamentos, bem como a sua família.

Outro destaque do texto é a criação de um serviço telefônico nacional disponível vinte e quatro horas, oferecido por operadores devidamente capacitados para atenção e momentos de crise com risco de ocorrência de suicídio.

"Para isso, temos de incentivar a formação e capacitação de profissionais especializados no atendimento a pessoas que vivem em estado de profunda desesperança, vazio e perda de sentido existencial", acrescentou.

Em defesa da vida 

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016 um total de 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no País, sendo 79% delas homens e 21% mulheres. A média nacional é de 8,7 a cada 100 mil habitantes e no Mato Grosso do Sul os números são ainda piores: 13,3.

Sensível a esta triste realidade, o deputado Fábio Trad tem se notabilizado na Câmara Federal também por apresentar projetos que abordem a temática da prevenção ao suicídio.

No último dia 14 de agosto, o parlamentar protocolou um projeto que cria o "Prêmio Nise da Silveira de Boas Práticas e Inclusão em Saúde Mental", que pretende contribuir na superação de preconceitos e estigmas das pessoas consideradas doentes mentais e no reconhecimento dos seus direitos como seres humanos e cidadãos.

O prêmio, que leva o nome da médica reconhecida por humanizar o tratamento psiquiátrico no Brasil, privilegia ações em que a pessoa em sofrimento psíquico possa ser tratada com dignidade no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, trabalho e comunidade, assim como como ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis, previstos na Lei Federal 10.216/2001.

"Com base em dados de estudos de especialistas, sabemos que todos os casos de autoextermínio estão relacionados a algum tipo de transtorno mental. Portanto, a atenção aos pacientes que apresentam esse problema é uma das iniciativas mais eficientes na prevenção do suicídio", disse Trad.

Fonte: http://www.msnoticias.com.br/editorias/politica-mato-grosso-sul/deputado-de-ms-apresenta-projeto-que-estabelece-politica-nacional-de/81547/

Tratamento ambulatorial especializado e gratuito em Teresina-PI

Provida oferece atendimento gratuito na prevenção do suicídio

4/9/2018

Há quatro anos, no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10), Teresina recebeu um ambulatório especializado no tratamento deste problema. Se trata do PROVIDA, que disponibiliza psicólogos e psiquiatra para atendimento de pessoas com ideias suicidas ou que tentaram o suicídio recentemente. O serviço é gerenciado pela Fundação Municipal de Saúde (FMS). Em 2017 o ambulatório realizou 2.514 atendimentos psicológicos e médicos e de janeiro a julho de 2018 já foram 1.465 atendimentos.


O PROVIDA funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo. O atendimento é por demanda espontânea, ou seja, não precisa de marcação prévia. O paciente é atendido por psicólogo e psiquiatra e, dependendo do quadro, inicia o acompanhamento no ambulatório.

São admitidos no PROVIDA somente usuários com idade superior a 12 anos, que se encontram em crise suicida. “Definimos uma crise suicida como um breve e intenso episódio de ideação suicida acompanhado de desejo suicida, uma tentativa de suicídio, ou outros comportamentos relevantes ao suicídio”, afirma Ideane Pereira, psicóloga do ambulatório de valorização da vida.

Ela afirma também que o estado de crise é caracterizado por desequilíbrio e desorganização, vivenciado com muito sofrimento psíquico (ansiedade, depressão, raiva, pânico, desespero, desesperança, e/ou dor psíquica, dentre outros), pela ruptura do funcionamento habitual prévio, bem como pela limitação no tempo, podendo durar de quatro a oito semanas. “Se a crise não se resolver com sucesso nesse período, o desequilíbrio pode ser tornar crônico”, explica Ideane Pereira.

De acordo com relatório geral 2017 do PROVIDA, 69% das pessoas atendidas no local foram do sexo feminino, 64% eram jovens de até 29 anos, 68% solteiros, 37% efetivamente tentaram suicídio, 8% planejaram, 55% tinham ideação suicida, sendo que os que tentaram realizaram o ato em suas residências e 88% dos casos pediram ajuda após o ato.

O tratamento no PROVIDA é realizado através de acompanhamento semanal durante três meses, que inclui ainda a orientação a familiares e entes queridos para auxiliar em momentos de crise. Após esse período, de acordo com avaliação médica, a pessoa pode ser encaminhada para complementação do tratamento.

Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/281607/provida-oferece-atendimento-gratuito-na-prevencao-do-suicidio

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Vínculos afetivos e o seu auxílio na prevenção do suicídio

Fortalecimento de vínculos auxilia na prevenção do suicídio

Bárbara Nóbrega Mangieri 2/9/2018

Resiliência é uma característica que pode ser aprendida e aperfeiçoada. Na opinião do psiquiatra Ivo Pinfildi Neto, é essencial para prevenir que mais pessoas tentem tirar a própria vida. “Ser resiliente é suportar ou ser capaz de passar por dificuldades e extrair delas a força necessária para seguir adiante”, reflete.

Dar um significado à vida é parte crucial do desenvolvimento dessa característica, segundo o médico. “É preciso criar vínculos sólidos. A gente cada vez menos se apega às pessoas e às filosofias de vida. Isso dá um propósito ao ser humano”, diz.

A falta de sentido e de perspectiva é um sintoma que V.S. consegue identificar em sua história. A jovem de 25 anos tentou tirar a própria vida em fevereiro do ano passado. Ela já lidava com uma depressão diagnosticada há cinco anos, que tratava com terapia e medicamentos controlados, mas um deles a deixava muito agitada. “O médico trocou por outro remédio e, nessa fase de adaptação, comecei a ter ataques de pânico. Aí os pensamentos suicidas apareceram com mais frequência”, diz.

Ela confessa que às vezes questionava seus sintomas. “Convivo há anos com a depressão. Tenho familiares e amigos com quem posso falar abertamente sobre o assunto e, mesmo assim, minimizei a gravidade do problema”.

Pinfildi ressalta, porém, que a presença de uma doença mental não é pré-requisito para o pensamento ou a tentativa de suicídio. “O risco para quem sofre com um distúrbio é maior, mas as causas são multifatoriais. Uma situação pontual pode deixar a pessoa com a sensação desesperadora de que não há outra saída”, explica o médico.

NÚMEROS

Considerado um problema de saúde pública, o suicídio vem aumentando em todas as camadas da sociedade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa tira sua própria vida a cada 40 segundos no mundo. No Brasil, houve aumento de 15% nos últimos 12 anos. Só em Jundiaí, a média é de 20 suicídios por ano, segundo o Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

Este ano, a cidade já notificou 10 casos, sendo oito homens e duas mulheres. Pinfildi, porém, ressalta que homens aparecem com mais frequência nas estatísticas porque costumam escolher métodos mais drásticos.

“O número de mulheres que tentam se matar é maior, ou seja, não tem um gênero que sofre mais”. O problema também não tem idade. “Entre os idosos, os números estão aumentando. Eles têm que lidar com questões relacionadas ao fim da vida e muitas vezes possuem uma doença crônica, o que aumenta o risco”, diz. Já entre os mais jovens, o suicídio é a segunda principal causa de morte e, para o psiquiatra, o uso irrestrito da tecnologia está relacionado.

“As respostas são muito imediatas e a autoestima pode ser afetada pelas relações virtuais, já que o cérebro deles ainda não está totalmente formado”, diz. “Eles são biologicamente mais vulneráveis e ficam sem recursos para lidar com a perda, a dor e a frustração”.

Os adultos também não estão imunes. Para Pinfildi, este grupo está tão focado em questões cotidianas que acaba perdendo conexões significativas. “Toda a energia e o foco estão direcionados às preocupações com segurança, aluguel, saúde, comida etc”, exemplifica. O propósito por trás das atividades desempenhadas se perde e as relações ficam em segundo plano. “Mas sem isso, ficamos sem chão quando ‘a casa cai’”, reflete. O fator comum entre todos os grupos, como se vê, é a falta de ferramentas emocionais para lidar com a dor.

DIÁLOGO COM O CVV

O Centro de Valorização da Vida (CVV) aposta no diálogo aberto e na escuta ativa como uma possível solução. “As pessoas precisam desabafar antes que o copo transborde e elas tomem uma atitude irreversível”, afirma a coordenadora do CVV Jundiaí, Maria Bernadete Amaral Carneiro. Por isso, a entidade atende ligações – de forma gratuita e anônima – através do número 188, de qualquer lugar do Brasil.

Segundo Bernadete, os 27 voluntários do CVV Jundiaí atendem cerca de 1.600 pessoas por mês, seja por telefone, chat online e e-mail. “São jovens, adultos e idosos que muitas vezes não têm a intenção de tirar a própria vida, mas estão passando por um momento difícil e não têm com quem conversar”, revela.

COMO AJUDAR

Todos os entrevistados são categóricos sobre a importância de escutar sem julgamentos. “Não diga o que se deve ou não fazer. Apenas seja alguém confiável para que a pessoa ponha suas angústias para fora”, afirma Bernadete.

Pinfildi ressalta que, ao abrir um canal de diálogo, você pode indicar que a pessoa busque ajuda profissional. “Às vezes o indivíduo não reconhece aquela dor como um problema de saúde”. Ele diz que falar de dor e sofrimento é um tabu que precisa ser derrubado.

A Prefeitura de Jundiaí e o CVV vão colocar o tema em debate durante o 3º Encontro de Valorização da Vida. O evento faz parte da programação da campanha Setembro Amarelo e será realizado dia 14 de setembro, no Teatro Polytheama.

Fonte: www.jj.com.br/noticias/fortalecimento-de-vinculos-auxilia-na-prevencao-do-suicidio/

domingo, 2 de setembro de 2018

Suicídio de adolescentes - três matérias do jornal Zero Hora


Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui

Suicídio de adolescentes: conheça a "aula de vida" criada em escola de Guaíba

Meta de professora é auxiliar os alunos a se tornarem mais autoconfiantes. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui 

Suicídio de adolescentes: "O grupo da escola me salvou"

Levantamento inédito acende alerta sobre tentativas de suicídio e casos de automutilação entre alunos da rede estadual. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui

Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Na escola
  • Ao primeiro sinal de depressão, chame a família. Se a família não tomar nenhuma medida, informe ao Conselho Tutelar e à rede de saúde local. 
  • Crie espaços de fala, de expressão de sentimentos e dúvidas que possam ser acolhidos e compartilhados pelo grupo.
  • Crie momentos de conversa com os alunos enfatizando a vida.
  • Desenvolva ações de prevenção do bullying.
  • Elabore, em parceria com outros setores, projetos voltados para a realidade da sua escola.
  • Faça parcerias com as universidades e/ou com as unidades básicas de saúde da área da sua escola, solicitando a participação dos profissionais dessas unidades em palestras e debates.
  • Falar sobre o suicídio não faz com que a pessoa decida se matar, mas dá a ela a oportunidade de conversar sobre seu sofrimento e assim obter ajuda.
  • Insira a vigilância, a prevenção do suicídio e a promoção da vida no projeto político pedagógico da escola.
  • Leve os alunos ao cinema, teatro, exposições, ou crie com eles uma exposição de trabalhos sobre o tema (seguido de debates), estabelecendo parceria com as secretarias de educação, saúde e cultura.
  • Trabalhe o tema de forma lúdica, desfazendo mitos e abrindo possibilidades de discussão.
  • Previna o comportamento desafiador e a violência escolar.
Em casa 
  • Dialogue com o filho e tenha um espaço para convivência. É preciso tirar um tempo para a família.
  • Não deixe o filho isolado. Tenha contato com ele.
  • Uma criança ou adolescente muito isolado, que mude seu comportamento de base, que altera sua dinâmica, pode estar em sofrimento. São sinais de alerta, mas não significam necessariamente doença. Neste momento, o ideal é conversar com o filho, dizendo que você se preocupa e que percebeu que ele está diferente. Mesmo que ele não queira conversar, é sempre importante, de maneira sincera, dizer que você está disponível para ajudar caso ele precise, mesmo que pareça um assunto difícil.
Se está acontecendo com um amigo seu
  • Geralmente, o primeiro a perceber é o amigo.
  • Avise os próprios pais para que eles acionem a família do amigo.
  • Acione alguém da escola, professor ou orientador educacional.
  • Guardar segredo não ajudará o amigo. O ajudar é poder repartir.
Preste atenção

Sintomas de depressão
  • Alteração de padrão de sono – dorme mais
  • Alteração de padrão de apetite
  • Alteração de humor: pode ter choro frequente ou apenas demonstrar a alteração em atitudes mais impulsivas (se era uma criança ou adolescente calmo e passa a demonstrar irritação com situações comuns da rotina) 
  • Sentimentos de desesperança, desamparo e desespero
  • Desânimo
  • Queda no rendimento escolar
  • Pensamento negativo
  • Diminuição de prazer
  • Isolamento 
  • Tédio (não tem nada para fazer)
  • Uso contínuo de roupas compridas em períodos de calor
  • Uso de pulseiras para esconder os braços
Causas que podem desencadear a depressão 
  • Abuso de substâncias
  • Abuso físico e sexual na infância
  • Bullying
  • Desemprego, perda recente do emprego ou endividamento dos pais
  • Dificuldade de integração e socialização na escola
  • Dificuldades em relação a identidade e orientação sexual
  • Histórico familiar de transtorno psiquiátrico
  • Problemas emocionais, familiares e sociais
  • Rejeição familiar
  • Situações de luto
  • Situações de assédio moral
  • Trabalho infantil
  • Violência familiar
Colaboraram: psiquiatras Berenice Rheinheimer, Sara Sgobin e Christian Kieling, psicóloga Claudia Weyne Cruz e manual de bolso do Comitê de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do RS.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2018/08/suicidio-de-adolescentes-conselhos-para-professores-pais-e-amigos-cjli2tn6q05r301n0o9urfgdy.html