sábado, 3 de novembro de 2018

Luto em superação. Tragédias transformadas em projetos sociais

Brincadeira perigosa, suicídio, câncer

Famílias ressignificam a dor com a criação de projetos sociais voltados para combater a causa da morte dos filhos

Bia Dote 



Se Lucinaura, Demétrio e Maria Aparecida pudessem escrever a própria história, é certo que evitariam um capítulo específico da biografia: a perda precoce de um filho. Quando Bia, Dimitri e Kauê partiram, as narrativas que estavam sendo construídas no dia a dia foram interrompidas; os sonhos em conjunto também. Foi preciso que os pais buscassem novos motivos para seguir vivendo, e encontraram isso revisitando a trajetória compartilhada com os entes nos poucos anos em que eles passaram por aqui.

Bia, por exemplo, era uma garota muito alegre, que estava sempre rodeada de pessoas e disposta a ajudá-las. Seu abraço caloroso e carinhoso era sinônimo de cura. Ela chegava até mesmo a cantar ao telefone para colegas que estavam do outro lado da linha e não conseguiam dormir.  Aos 13 anos, porém, a jovem escolheu não mais continuar com a própria vida, deixando a família com inúmeros questionamentos. Dentre eles, "o que fazer com o amor que fica?".

"Quando fomos elaborando nosso luto, pensamos: o que nós podemos fazer pra manter Bia presente na nossa vida enquanto respirarmos? A gente queria fazer alguma coisa que parecesse com a personalidade de Bia, que fosse a cara dela, que fosse muito do que ela via da vida, e como ela gostaria que as coisas fossem", lembra a mãe, Lucinaura Diógenes, emocionada.

Foi então que, em 2013, cinco anos após a partida da jovem, nasceu o Instituto Bia Dote, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com a prevenção do suicídio.

A salinha no 11º andar da Torre Quixadá reúne vários objetos que pertenceram à garota. Um violão, que ela quase não tocou, um coração feito com peças de lego que ela adorava, uma coleção de carrinhos, quadros, livros... O ambiente, organizado pela mãe, Lucinaura; o pai, Tadeu; e a irmã, Alice, acolhe centenas de pessoas para acompanhamento psicológico, tal como o abraço dela provavelmente acolhia. "Presentificar Bia por meio do Instituto me ajudou muito, me ajuda, é um projeto de vida. Pro resto da minha vida eu vou trabalhar com isso", conta Lucinaura, que iniciou até um curso de Psicologia para atuar mais ativamente na causa. 

DimiCuida 


Demétrio Jereissati foi outro pai que abraçou uma nova missão após a morte do filho Dimitri, de 16 anos. O jovem perdeu a vida após brincar com o jogo do desmaio, uma prática de não-oxigenação estimulada por vídeos disseminados na internet. Com poucas informações no Brasil a respeito de casos semelhantes, os pais do garoto, Demétrio e Heloisa, foram em busca de respostas logo nos primeiros meses de luto, viajando até o 2º Colóquio Internacional dos Jogos de Desafios, na França.

As informações colhidas no evento e outras pesquisas feitas a partir dele impulsionaram o casal a criar, em Fortaleza, em 2014, o Instituto DimiCuida, com objetivo de fazer um trabalho de prevenção para profissionais, pais, crianças e adolescentes, além de dar esclarecimento e apoio às famílias que vivessem situações semelhantes.

"Quando a gente passa por uma situação dessas, conversar com quem passou pela mesma coisa e tem uma compreensão, traz um conforto maior. Você tá próximo de quem passou. É como se você enxergasse no outro a força que ele teve para superar e isso lhe ajudasse também a encontrar o seu caminho", observa Demétrio.

O pai de Dimitri confessa que não imagina como estaria se não fosse trabalhando nesse instituto. "Quando se perde um filho, o dia seguinte não vai mais ser igual. Ele não é mais igual. A gente aprende a viver com o dia seguinte como ele veio", conta Demétrio. Hoje, cada prevenção, cada artigo escrito e cada oportunidade de falar sobre o tema servem de oxigênio para a família Jereissati. "A gente imagina que possa estar evitando que outras famílias e outras pessoas passem por isso. E de alguma forma a gente se alinha quando consegue fazer esse trabalho", avalia.

Além da prevenção para a causa da morte do adolescente, o instituto trabalha em outras duas frentes, baseadas nas ações e nos sonhos dele:  a sensibilização e mobilização da sociedade para os cuidados com animais de rua; e a promoção do desenvolvimento e execução de ações de capacitação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho na área do turismo ecológico e de atrações naturais. "Talvez hoje eu pense mais do Dimitri do que quando ele tava aqui embaixo. Isso de alguma forma nos conforta e nos alimenta", aponta o pai, que também acredita sentir-se mais próximo do filho enquanto conta sua história.

Cândido Kauê 


No interior do Ceará, mais precisamente na cidade de Aiuaba, Maria Aparecida Freitas também encontrou uma forma de reconectar-se com o filho falecido em outubro de 2012. Vítima de câncer, Cândido Kauê lutou contra a doença dos 2 aos 5 anos de idade, mas durante todo o período demonstrou força e transmitiu mensagens a sua maneira. "Ele era uma criança que sempre dividia o pouco que tinha com os coleguinhas, que se sentia muito bem quando conseguia consolar um colega que estava chorando", lembra a mãe.

Todos os desafios que a família passou durante o tratamento de Kauê, desde os financeiros até os desgastes físicos e emocionais, levaram Aparecida a inspirar-se no comportamento humanitário do filho após sua partida. Cinco meses depois da perda, ela registrou a Fundação Cândido Kauê, uma entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, que atende às necessidades psicossociais de crianças e adolescentes com câncer, e também de seus pais, em pelo menos nove municípios da região.

"Quando cada um de nós seres humanos consegue fazer um pouco, significa tanto. Ajudar a quem precisa é o fundamental na vida da gente", acredita a mãe do pequeno. Os testemunhos de quem hoje recebe ajuda da Fundação a encorajam a continuar ao lado de um conjunto de profissionais voluntários que se preocupam somente em fazer o bem. "Antes, eu achava que jamais ia sentir alegria de novo. Mas lhe confesso que com esse projeto em ação há momentos de gratidão em que não consigo conter as lágrimas de felicidade".

A passagem física de Cândido Kauê, Dimitri e Bia por aqui foi realmente bem curta, mas no livro da vida dos seus familiares, amigos e de todas as pessoas que cruzam com os projetos que levam seus nomes, fica provado diariamente que a história dos três não tem fim.

Conheça o trabalho das instituições:

Instituto Bia Dote 
Foco: Prevenção ao suicídio e valorização da vida
Público-alvo: Atendimento para pessoas a partir de 12 anos
Endereço: Av. Barão de Studart, 2360, Aldeota
Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, de 8h às 18h
Contato: (85) 3264-2992

Instituto DimiCuida 
Foco: Prevenção sobre jogos de não-oxigenação e desafios de internet
Público-alvo: Crianças, adolescentes, profissionais das áreas de educação, saúde, segurança pública e pais
Endereço: Av. Santos Dumont, 1388, Aldeota
Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, de 8h às 18h
Contato: (85) 3255.8864 / (85) 98131.1223 (whatsapp)

Fundação Cândido Kauê 
Foco: Assistência social a pessoas com câncer
Público-alvo: Crianças, adolescentes e pais
Endereço: Rua Olga Feitosa, 188, Centro, Aiuaba-CE
Horário de funcionamento: De segunda a sexta-feira, de 7h às 17h
Contato: (88) 3524-1457

+ Além do Ceará
Conheça outras iniciativas nacionais de famílias que transformaram o luto em luta:

Vai Lucas: Após a morte de Lucas, de 10 anos, por asfixia decorrente de engasgamento, numa atividade escolar, a mãe Alessandra Begalli e a tia do garoto, Andrea Betiatii, criaram o projeto “Vai Lucas”, voltado para campanhas de primeiros socorros em Campinas. A luta avançou para uma lei federal, sancionada em outubro, que torna obrigatória a capacitação em noções básicas de atendimento para professores e funcionários de estabelecimentos de ensino.

Não Foi Acidente: Depois de perder a mãe e a irmã, vítimas de um atropelamento por um carro em alta velocidade, com motorista supostamente embriagado, em São Paulo, Rafael Baltresca e amigos criaram o movimento “Não Foi Acidente”. Após seis anos de luta, o projeto conquistou a alteração da Lei Seca federal, em dezembro de 2017, ampliando a pena do crime de trânsito, no caso de homicídio culposo, de 2 a 4 anos para 5 a 8 anos.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/do-luto-a-luta-morte-de-filhos-leva-pais-cearenses-a-investirem-em-projetos-sociais-1.2021156

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Oscar e a prevenção do suicídio

Luciana Biagioni (psicóloga clínica)

A dica do dia não é de um filme premiado, mas de uma postura a ser admirada.

Aconteceu na cerimônia de entrega do Oscar de 2015, na categoria Melhor Documentário. O documetário “Crisis hotline: Veterans Press 1” conta sobre os ex-combatentes americanos do Vietnã, que têm um serviço de ajuda telefônica em que os atendentes prestam companhia, conforto, orientações, bem semelhante ao CVV-Centro de Valorização da Vida, aqui no Brasil.

O que aconteceu de mais interessante que aconteceu nessa entrega do Oscar  foi o discurso da produtora do documentário: 
Eu quero dedicar esse prêmio ao meu filho. Nós o perdemos para o suicídio. Nós precisamos falar sobre isso claramente em alto e bom som. 
Logo após alguns minutos, na mesma cerimônia o produtor Graham Moore revelou:
Quando eu tinha 16 anos eu tentei me matar porque eu me sentia estranho, me sentia sem pertencimento. E agora eu estou aqui. Gostaria de dedicar esse momento para todos aqueles garotos lá fora que se sentem estranhos ou diferentes. Que não se sentem encaixados na vida. Sim, vocês se encaixam. Continuem estranhos.Vai chegar a vez de vocês, continuem firmes!
O Oscar é transmitido ao vivo para 225 países. Quanto mais for falado sobre o assunto, mais pessoas poderão ser ajudadas.

Fonte: http://blogs.uai.com.br/vidaemente/2018/10/28/o-oscar-e-a-prevencao-do-suicidio/

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Reportagem sobre o suicídio no Rio Grande do Sul

O Adeus Solitário

Por que o Rio Grande do Sul é o que mais tem casos de suicídios?

Caminhos da Reportagem
No AR em 18/10/2018 - 21:45  - A reportagem pode ser assistida aqui 

Das 20 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes com as maiores incidências de suicídio, mais da metade é gaúcha. Os dados do Sistema de Informações de Mortalidade/ DataSus são de 2016, mas o problema preocupa os agentes de saúde desde a década de 1990.

Ao fazer o mapeamento das ocorrências, os pesquisadores dos municípios de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul sempre acabam numa lavoura de fumo, no galpão da propriedade rural onde o lavrador se recolhe para abreviar a vida em seu ato solitário. Os efeitos de agrotóxicos no sistema nervoso central, perdas na colheita causadas por desastres naturais, como chuvas de granizo e depressão não tratada, são em geral algumas das razões apontadas por médicos e pesquisadores.

A segunda maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos não está muito longe da lavoura. O Caminhos da Reportagem foi às escolas na grande Porto Alegre e na zona rural do município de Santa Cruz do Sul para saber como os professores trabalham com a tristeza dos alunos e a prevenção do suicídio.

Neste episódio vamos conhecer a história de sobreviventes que tentaram e não conseguiram, e os que partiram sem dar sinais.

Ficha Técnica

Reportagem: Bianca Vasconcellos
Produção: Aline Beckstein, Paula Abritta, Thaís Rosa e Lucas Scatolini (estagiário)
Imagens: William Sales
Apoio às imagens: Alexandre Nascimento, Bianca Vasconcellos e Jefferson Pastori
Auxílio técnico: Maurício Aurélio, Ivan Meira e João Batista Lima
Videografismo: Lucas Souza Pinto
Edição de imagens e finalização: Maikon Matuyama e Rodger Kenzo
Roteiro e direção: Bianca Vasconcellos


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Jackie Doyle-Price, ministra da Prevenção do Suicídio na Inglaterra

No dia Mundial da Saúde Mental, o Reino Unido fez história e nomeou um ministro para “acabar com o estigma que obriga demasiada gente a sofrer em silêncio”

É, quase de certeza, a primeira vez que um país nomeia um ministro para a Prevenção do Suicídio. As honras são feitas pelo Reino Unido e a responsável pela pasta vai ser Jackie Doyle-Price, deputada do Partido Conservador. Todos os anos, 4500 britânicos escolhem pôr fim à vida.

“Juntos conseguimos mudar isto. Podemos acabar com o estigma que obriga demasiada gente a sofrer em silêncio. Podemos prevenir a tragédia do suicídio que está a tirar demasiadas vidas. E podemos ainda dar às nossas crianças, como prioridade que tanto merecem, o bem estar mental”, disse a primeira-ministra Theresa May, citada pelo “The Guardian”, esta quarta-feira, quando se assinala o dia Mundial da Saúde Mental, numa conferência sobre a temática.

Além de um ministro designado para esta área, o Reino Unido vai ainda investir financeiramente em estruturas e projetos de apoio à saúde mental infantil. Prevê-se que 1,4 milhões de libras (cerca de 1,6 milhões de euros) sejam aplicados na área. No entanto, um relatório da Whitehall, gabinete nacional de auditoria britânico, revelou esta terça-feira que mesmo com o extra “as necessidades não são significativamente satisfeitas”. Faltam recursos humanos, a investigação é pouca e o controlo dos gastos no Serviço Nacional de Saúde, sublinha o jornal britânico “The Guardian”.

Esta quarta-feira mais de 50 representantes de vários países estiverem presentes na conferência sobre Saúde Mental. O anfitrião foi o secretário da Saúde britânico, Matt Hancock. A nomeação de um novo ministro, defendeu à BBC, vai ajudar a recolher o apoio da sociedade para o problema e equiparar à resposta que já existe para os problemas físicos. “Há longo caminho a percorrer até lá chegarmos. Não algo que se resolva num dia”, disse.

Entre outras áreas, a Saúde é uma das que as quatro nações do Reino Unido têm autonomia. E, por isso mesmo, Jackie Doyle-Price apenas irá exercer funções em Inglaterra nas áreas da saúde mental e desigualdades - além da prevenção de suicídio. Uma das aposta vai ser no uso da tecnologia para identificar os casos de risco.

No Reino Unido, o suicídio é a principal causa de morte nos homens com menos de 45 anos.


Quem é  Jackie Doyle-Price?


Há oito anos foi eleita por Thurrock como deputada pela primeira vez. Jackie Doyle-Price estava agora no ministério da Saúde britânico há cerca de ano e meio, precisamente com a pasta da secretaria de Estado para a saúde mental e desigualdade. Tem 46 anos e é membro do Partido Conservador ainda durante a adolescência.

“Entendo o quão trágico, devastador e quais os efeitos a longo prazo o suicídio pode ter nas famílias e nas comunidades. Durante o tempo que estive no Ministério da Saúde conheci muitas pessoas de luto devido ao suicídio e as suas histórias de dor e perda ficaram comigo por muito tempo”, referiu a recém nomeada ministra num comunicado, citado pelo “The Guardian”. “São estas pessoas que precisam de ser o coração do que estamos a fazer e vejo com bons olhos a oportunidade trabalhar próxima delas, tal como com os especialistas, para acompanhar o plano de prevenção de suicídio definido pelo Governo, garantindo que os seus pontos de vistas vão ser sempre ouvidos.”

Jackie Doyle-Price é licenciado em Economia pela Universidade de Durham, no nordeste de Inglaterra. Hoje, vive em Grays, a cerca de 40 quilómetros do centro de Londres. É casada e o seu marido trabalha para ela no gabinete da secretaria de estado, facto esse que chegou a ser motivo de críticas nos meios de comunicação britânicos.

Fonte: https://expresso.sapo.pt/internacional/2018-10-11-Jackie-Doyle-Price-a-primeira-ministra-para-a-Prevencao-do-Suicidio-em-todo-o-mundo#gs.MOXOtjA

Lady Gaga e a carta-manifesto escrita a quatro mãos em favor da saúde mental

800.000 pessoas se matam a cada ano. O que podemos fazer?

Em muitos lugares, não existem serviços de apoio à saúde mental, e muitas pessoas com condições tratáveis são criminalizadas. Há muito tempo que se espera uma ação corajosa.

Lady Gaga e Tedros Adhanom Ghebreyesus
9/10/2018

Quando você terminar de ler isto, pelo menos seis pessoas ao redor do mundo terão se matado.

Esses seis são uma pequena fração das 800 mil pessoas que se matarão este ano - mais do que a população de Washington, Oslo ou da Cidade do Cabo. Às vezes elas são famosas, como Anthony Bourdain ou Kate Spade, e viram manchetes, mas são todos filhos ou filhas, amigos ou colegas, membros valiosos de famílias e comunidades.

O suicídio é o sintoma mais extremo e visível de uma emergência maior de saúde mental que, até agora, não conseguimos abordar adequadamente. O estigma, o medo e a falta de compreensão agravam o sofrimento das pessoas afetadas e impedem uma ação mais corajosa, que é tão desesperadamente necessária e que, por muito tempo, tem sido posta de lado.

Um em cada quatro de nós terá que lidar com uma condição de saúde mental em algum momento de nossas vidas, e, se não formos nós os diretamente afetados, provavelmente será alguém com quem nos importamos. Nossos jovens estão particularmente vulneráveis, e o suicídio é, em todo o mundo, a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, representando metade de todas as doenças mentais com início aos 14 anos de idade.

No entanto, apesar da universalidade da questão, nós lutamos para falar abertamente sobre isso ou para oferecer cuidados ou recursos adequados. Dentro das famílias e comunidades, muitas vezes permanecemos em silêncio, por uma vergonha que nos diz que aqueles com doença mental são, de alguma forma, menos dignos ou culpados por seu próprio sofrimento.

Em vez de tratar aqueles que enfrentam problemas de saúde mental com a mesma compaixão que ofereceríamos a alguém com uma lesão física ou doença, nós os afastamos, culpamos e condenamos. Em muitos lugares, os serviços de apoio são inexistentes e aqueles com condições tratáveis são criminalizados - literalmente acorrentados em condições desumanas, isolados do resto da sociedade, sem esperança.

A saúde mental atualmente recebe menos de 1% da ajuda global. O financiamento interno na prevenção, promoção e tratamento é igualmente baixo. Atualmente, todas as nações do mundo são um país “em desenvolvimento” quando se trata de saúde mental.

Esse investimento insignificante não é ruim apenas para os indivíduos, é destrutivo para as comunidades e mina as economias. As condições de saúde mental custam ao mundo US$ 2,5 trilhões/ano, um número que deve chegar a US$ 6 trilhões até 2030, a menos que tomemos providências.

Não podemos mais nos permitir sermos silenciados pelo estigma ou frustrados por ideias preconceituosas, que retratam essas condições como uma questão de fraqueza ou falha moral. A pesquisa mostra que há quatro vezes mais retorno sobre o investimento para cada dólar gasto no tratamento da depressão e ansiedade -  as condições mais comuns de falta de saúde mental - , fazendo com que o gasto seja um grande investimento, tanto para líderes políticos quanto para empregadores, além de gerar economia no setor de saúde.

Chegou a hora de todos nós, coletivamente, atacarmos as causas e os sintomas de doença mental, e cuidar dos que sofrem com isso. Você não precisa ser um artista internacional ou o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) para causar impacto. Todos nós podemos ajudar a construir comunidades que compreendam, respeitem e priorizem o bem-estar mental. Todos podemos aprender como oferecer apoio aos entes queridos que passam por um momento difícil. E todos nós podemos ser parte de um novo movimento - incluindo pessoas que enfrentaram doenças mentais - para pedir aos governos e à indústria que coloquem a saúde mental no topo de suas agendas.

No Zimbábue, avós estão abrindo o caminho: sentadas em seus banquinhos, elas oferecem sessões de aconselhamento baseadas em evidências, o que está ajudando a derrubar o estigma. No Reino Unido e na Austrália, programas de educação interpares encorajam os jovens a se apoiarem uns nos outros. E a tecnologia móvel está fornecendo novas e empolgantes plataformas para se fornecer serviços e abrir um diálogo saudável.

Desde 2013, a OMS vem trabalhando com as nações para implementar um plano de ação global sobre saúde mental. No início deste ano, a OMS publicou o Atlas Global de Saúde Mental, que fornece informações de 177 países sobre o progresso para atingir as metas do plano. A principal conclusão é que, embora tenha havido algum progresso, precisamos de investimentos significativos para expandir os serviços.

A liderança significativa e sustentada do governo é essencial, e alguns governos já estão começando a dar um passo à frente: desde o do Sri Lanka - onde o governo estabeleceu uma estrutura dedicada de saúde mental e financiou posições para apoiar cuidados de saúde mental nas cidades - até o de Nova York, onde a ThriveNYC (Bem-estar New York City) reuniu líderes locais para construir um plano abrangente de saúde mental.

Esta semana, no dia da Cúpula do Reino Unido sobre Saúde Mental, e no Dia Mundial da Saúde Mental, um painel de especialistas internacionais publicará, no The Lancet, a mais abrangente coleção de pesquisas já produzidas sobre como promover e proteger a saúde mental, e sobre como tratar das doenças mentais. Isso fornecerá a base científica para ampliar a ação global em saúde mental, semelhante ao movimento para o HIV/Aids, adotado pela ONU em 2001. Esse movimento ajudou a salvar milhões de vidas e é uma representação do potencial da ação humana coletiva para enfrentar problemas aparentemente insuperáveis.

Nós dois seguimos caminhos diferentes na vida. Mas ambos vimos como liderança política, financiamento, inovação e atos individuais de bravura e compaixão podem mudar o mundo. É hora de fazer o mesmo para a saúde mental.

Fonte:.www.theguardian.com/commentisfree/2018/oct/09/lady-gaga-mental-health-global-emergency-suicide

Traduziu: Luiz Fernando Dias Pita, professor da UERJ, a quem somos imensamente gratos!

sábado, 6 de outubro de 2018

O suicídio assistido em discussão

Legalizar o suicídio assistido criaria uma triste cultura

O suicídio assistido por médicos estabelece diretrizes arbitrárias sobre quem recebe a prevenção do suicídio e quem recebe a assistência ao suicídio, entre outros problemas éticos

Monica Burke

No Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, 10 de setembro, reconhecemos o suicídio como a tragédia que ele é. No entanto, neste exato momento, os ativistas estão agindo para expandir – não para evitar – o suicídio assistido por médicos.

Essa prática promove a ideia de que algumas vidas são mais valiosas do que outras, uma ideia que destrói o tecido social de nossa nação.

Ninguém deve receber assistência ao suicídio em vez de prevenção do suicídio.

Histórias como a de Jeanette Hall nos lembram que a resposta apropriada ao sofrimento humano deve ser sempre o cuidado amoroso e a solidariedade, e não a destruição.

Depois de perder seu irmão para o suicídio e de receber um diagnóstico de câncer em 2000, Hall foi até o seu médico, Dr. Kenneth Stevens, pedir uma receita para barbitúricos letais.

Em vez de aconselhá-la a morrer, Stevens lembrou a Hall de tudo o que ela tinha por viver, incluindo a formatura de seu filho, que estava próxima, e – um dia – o casamento dele.

“Isso é o que me fez mudar de ideia”, disse ela. “Essa frase”.

Então, ela decidiu fazer a quimioterapia. Ela acabou curada do câncer e comemorou seu 70º aniversário em 2015.

“Eu só ia dizer: ‘Me dê os barbitúricos; é isso’, nem mesmo pensando que eu faria para o meu próprio filho a mesma coisa que meu irmão fez comigo”, disse Hall. “O suicídio é horrível. E, sabendo disso, eu ainda ia fazer essa escolha”.

“Isso teria sido muito doloroso para mim”, disse o filho de Hall, Scott Walden.

A história de Hall nos lembra que todos nós desempenhamos um papel no aconselhamento e na proteção dos doentes, dos fracos e dos idosos, independentemente de sua origem ou circunstâncias.

O suicídio assistido por médicos é antitético a uma cultura da vida por uma série de razões.

Em primeiro lugar, o suicídio assistido por médicos estabelece diretrizes arbitrárias sobre quem recebe a prevenção do suicídio e quem recebe a assistência ao suicídio.

Os pacientes de uma certa idade ou com uma determinada condição de qualificação são instruídos a encerrar suas vidas com ajuda profissional, enquanto outros recebem apoio para continuarem vivendo. Essas circunstâncias são completamente arbitrárias e sujeitas a mudanças por capricho.

Em última análise, as diretrizes de suicídio assistidas por médicos passam a mensagem de que algumas vidas são simplesmente mais valiosas do que outras. Uma mentalidade que privilegia algumas vidas em detrimento de outras infecta a cultura em múltiplos níveis.

Ao contrário do mito prevalente de que o suicídio assistido por médicos é principalmente uma opção para aqueles que sofrem de dores excruciantes, estudos sugerem que a principal causa de suicídio assistido por médico não é a dor, mas o sofrimento existencial.

Acabar com a vida não resolve a solidão, a depressão ou a ansiedade. Negligencia o problema ao custo máximo – o da pessoa.

O suicídio assistido por médicos também ataca as relações que formam o tecido da sociedade.

Quando o suicídio assistido por médicos é uma opção, assim também são os motivos menos puros para escolher – ou pressionar alguém para escolher – a morte sobre a vida.

Os familiares podem ficar cada vez mais tentados a pensar que o suicídio é o que os parentes doentes ou idosos “gostariam” ao enfrentar o custo emocional e financeiro de cuidar dos outros.

Os pacientes podem pensar que estariam “melhor mortos” ao contabilizar o custo que os cuidados médicos adicionais podem ter para suas famílias.

Os médicos podem violar o Juramento de Hipócrates e sua promessa de nunca prejudicar seus pacientes quando o suicídio é tratado como uma misericórdia.

Os pacientes podem reter informações de seus médicos por medo de serem aconselhados a tirar suas próprias vidas.

E ainda, há o desconfortável fato de que é mais barato para os sistemas de saúde e as seguradoras “dispensarem” os pacientes que precisam de cuidados adicionais e mais caros.

As chamadas “salvaguardas” legais são gravemente insuficientes para proteger contra essas tendências sociais negativas. Períodos de espera, solicitações por escrito, assinaturas de médicos – nenhum desses requisitos elimina a pressão sobre os pacientes para se matar ou protegem contra outras formas de abuso.

O suicídio assistido por médicos cria uma cultura onde os mais fracos entre nós são os menos capazes de se proteger da pressão para acabar com suas vidas.

É por isso que grupos como o Not Dead Yet estão na linha de frente do esforço contra o suicídio assistido por médicos, lembrando-nos que nenhuma vida humana é inútil.

O suicídio assistido por médicos desvaloriza a vida humana em circunstâncias que exigem mais proteção e empatia. A vida é tratada como descartável, o que ajuda a explicar por que muitos países europeus que legalizaram o suicídio assistido por médicos agora expandiram para a eutanásia não-voluntária.

Os Estados Unidos não estão a salvo dessas tendências perigosas. Até agora, seis estados legalizaram o suicídio assistido por médicos.

Mas ainda há tempo para mudar de rumo. A América ainda pode escolher a vida em vez da morte. Nós devemos nos comprometer novamente com uma defesa unilateral da vida humana.

Fonte: www.gazetadopovo.com.br/ideias/legalizar-o-suicidio-assistido-criaria-uma-triste-cultura-3nf3m0vrgztet6ajt48ym5tt1/

©2018 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Entrevista com a psicóloga Mariana Tavares

"Uma sociedade que discute porte de arma está na contramão da prevenção do suicídio"

Psicóloga analisa aumento de casos de suicídio no país, papel da mídia na abordagem do assunto, entre outros temas

Raíssa Lopes 26/9/2018

Brasil de Fato - No mundo do jornalismo, há uma regra de não ter publicações sobre suicídio. Isso é correto?

Mariana Tavares - Na verdade, isso de que o jornalista não pode falar sobre o suicídio é uma regra não escrita, é mais um tabu. Em 2006, a Organização Mundial de Saúde [OMS] soltou uma nota orientativa para o jornalismo e a publicação das notícias sobre suicídio. Ela diz para não criar um clima sensacionalista, não abordar o método usado, não ter foto, etc. Isso tudo para não criar, como foi identificado em tempos anteriores, um contágio do suicídio, chamado de Efeito Werther. "Os sofrimentos do Jovem Werther" é um livro escrito no século XVIII pelo alemão Goethe, que conta a história de um amor não respondido e o personagem se suicida. Após a leitura desse livro, houve uma onda de suicídios na Alemanha. Esse seria o motivo pelo qual haveria o impedimento de publicações sobre o assunto. Porém, após a nota da OMS, não é mais estabelecido que não se fale sobre suicídio. O que se sabe hoje é que falar sobre o tema alivia e possibilita que as pessoas possam identificar em si mesmas e na comunidade ao redor o desejo, a ideação suicida. Claro, não é para ter uma cobertura midiática sensacionalista, mas os problemas, as dificuldades, os medos, as inseguranças, a multicausalidade do suicídio e as possibilidades de ver a vida de um novo modo são coisas que podem ser perfeitamente contadas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o oitavo país em número de suicídios no mundo. As estatísticas também mostram que os casos tendem a aumentar até 2020. Existem análises que podem dar conta de fatores relacionados a esse crescimento no nosso país?

O que nos alerta é a rapidez do aumento, que está acontecendo especialmente entre jovens e idosos. Na juventude brasileira, o suicídio oscila entre a segunda e a quarta causa de mortalidade. Entre idosos, os casos aumentam na população com mais de 60 anos. Para fazermos uma análise específica, ainda precisamos percorrer um caminho. Mas o que se sabe em relação aos idosos, por exemplo, é a respeito dos fatores macrossociais, como aposentadoria, a perspectiva de tornar-se improdutivo ou tornar-se um "fardo". Hoje há muito relato de abandono, porque as famílias, nessa batalha pela própria vida, não estão dando conta de cuidar. Mas não podemos olhar pra isso de uma forma moralista, porque é uma questão relacionada a como está a perspectiva macrossocial do cuidado com a população. No Brasil, a melhor forma de prevenir o suicídio é ter políticas públicas de moradia, renda, cultura, educação, entre outras. Em outros países da América Latina, como no Chile, já existem relatos de que o índice dos suicídios entre idosos pode estar se relacionando com o fim da Previdência Social no país - o que nos faz prestar atenção no que vai acontecer no Brasil com a reforma trabalhista e toda essa perda de direitos. É evidente que isso vai bater nas nossas taxas de suicídio (claro que não imediatamente, porque a gente só consegue verificar ao longo do tempo).

São muitos outros fatores possíveis. Quem compõe esse perfil dos idosos são pessoas que trabalharam, que tiveram carreiras profissionais em um mundo que havia emprego e uma identificação forte do sujeito ao trabalho, uma coisa muito importante para a formação da identidade. Hoje, nós vivemos uma "uberização" da economia, em que o conceito de empreendedorismo está crescendo com esse sentido de que é muito legal ser o patrão de si mesmo, que é só você querer que você que consegue. Em uma sociedade que veicula esse tipo de valor, é claro que o individualismo, a competitividade e o imediatismo vão crescer. É uma visão de meritocracia de que o sucesso está nas mãos de cada um, mas ninguém avalia quais são as condições de cada um.

E os cortes de investimentos na saúde mental? Você acredita podem influenciar, um dia, no número de suicídios?

Então, a nossa perspectiva daqui em diante é bem sombria. Podemos ser bastante pessimistas. Há um indicador de que os municípios que têm CAPs [Centros de Atenção Psicossocial] reduzem a taxa de suicídio em 14%. É claro que a existência do cuidado em rede, não só da saúde mental, é um grande fator de prevenção ao suicídio.

No caso da juventude, vemos ultimamente muitos seriados e programas de TV falando de temas como depressão, ansiedade e suicídio. Como você avalia a abordagem dessas produções? 

A gente tem que avaliar isso com muita calma. Eu, pessoalmente, tendo a achar que está ocorrendo uma glamourização, uma estetização, uma espetacularização do suicídio. Existem muitas formas de falar não só sobre a saúde mental, depressão, mas de falar sobre a vida, estratégias comunitárias de valores e pertencimento a grupos.

O que me preocupa bastante no meio de tudo isso é a medicalização da sociedade. A medicalização, que é diferente de medicação, é transformar todos os sentimentos em sintomas biológicos, médicos ou orgânicos. Tem um efeito de tornar algo doença. Pode acontecer de, por exemplo, ao invés de um adolescente falar do seu adoecimento com o intuito de mostrar que deseja ajuda, falar para ter uma espécie de reconhecimento social.

Outra coisa que a gente nota é que compreender o papel da internet é muito difícil. Ainda é um fenômeno pouco estudado porque é de agora e a gente não conhece. É a virtualidade da vida. Inclusive, já existem autores que falam de uma sociedade sem corpo. Ser adolescente é estar saindo de uma situação de proteção, de ser cuidado pelos pais e começar a enfrentar questões relativas à sexualidade, ao amor, à profissão. E isso está se dando de uma forma muito diferente. As relações de amor e de sexualidade estão se virtualizando, o que dá um efeito narcísico e essa falta da troca real da experiência com o outro gera solidão e uma ilusão de autossuficiência.

É comum que quando uma pessoa pratica o suicídio, as pessoas tendam a atribuir a morte a um sentido. Existe um motivo para tirar a própria vida?

É muito importante dizer que a gente pode analisar os aspectos gerais da formação da subjetividade e as taxas de suicídio, analisar o suicídio como um fenômeno macro. Agora, ao falar de cada suicídio, nunca vamos saber exatamente o porquê. Ele é sempre enigmático, multicausal. Não se pode dizer que é porque terminou um casamento, um namoro, porque a pessoa perdeu o emprego. Não dá para fazer afirmações, seria muito leviano e existe sempre uma rede complexa de motivos. Isso mostra o quanto a gente é moralista, o quanto buscamos explicações morais para o fato. É preciso muito cuidado para não arranjarmos culpados imediatos. Numa sociedade tão violenta, competitiva, que faz perder a consciência de classe e de coletivo, a gente também tem que se policiar para não usar esse raciocínio na hora de explicar. Para prevenir, temos que ter um pensamento amplo e não reducionista.

Só se mata quem tem depressão?

Não. E a gente tem que ter muito cuidado porque essa identificação de depressão com o suicídio, em uma sociedade na qual há uma produção de diagnóstico de depressão, é quase uma condenação. O suicídio é de multicausalidade. Pode estar ligado, inclusive, a impulsos. Alguns países conseguiram reduzir os casos porque, dentre outras ações - nunca é só uma -, restringiram o acesso a modos letais, como o veneno, arma de fogo, locais de altura. O que faz perceber que uma sociedade que discute se deve armar as pessoas está completamente na contramão da prevenção do suicídio.

Agora, sobre a depressão: não é uma doença incurável, é tratável e muitas vezes sem necessidade de medicamento. Existe uma confusão muito grande entre processos de perda e luto, que são difíceis mesmo e levam a sentimentos depressivos, mas sem que se caracterize uma depressão. A depressão não é um vírus, é uma coisa que faz parte da narrativa do sujeito, e há a tendência em tornar a depressão uma doença que é culpa do sujeito, da qual ele próprio pode se alienar.

Uma nova profissão que está crescendo ultimamente é o coaching e muita gente acha que tem a ver com terapia. Pode explicar as diferenças?

Bom, existem profissionais sérios em todas as atividades. Porém, o coaching é uma atividade baseada em superar suas dificuldades atingindo metas. Ou seja, é o discurso da produção. E a terapia é encontrar o seu lugar de singularidade, que permite lidar com o seu desejo de uma forma libertária. É uma coisa muito coercitiva do sucesso isso de a gente achar que não tem tempo de construir a própria relação com nós mesmos e entender que as nossas dores são coisas que a gente tem que exterminar.

Você acha que a nossa sociedade não sabe lidar com a tristeza?

Sim… Ela é parte da vida. Essa é mágica das relações de consumo, que te fazem achar que o que te falta é um objeto. E que esse objeto pode ser comprável, uma mercadoria. Vemos muitos pais não conseguindo lidar com a frustração dos filhos e suprir, dar, dar, consumir. Sempre tampando. Tampando essa falta que é, na verdade, o que nos motiva. Somos uma sociedade que realiza demandas, mas deseja pouco.

Eu conheço alguém que tem pensamentos suicidas. O que devo fazer?

Nunca desqualificar. Nunca dizer "ah, mas você tem uma vida tão boa" ou "você tem uma casa e tem gente que não tem". Sempre leve a sério. Se não souber como ajudar, procure ajuda. Pode ser na escola, no serviço de saúde… Chame essa pessoa para falar o que está acontecendo, em espaços terapêuticos mas também em família, no círculo de amizades. Geralmente, um suicídio é precedido por um pedido de socorro. Dizem até que 90% dos suicídios são evitáveis, porque a pessoa dá pista. O Setembro Amarelo é importante pra alertar e diminuir tabus, mas é uma coisa que tem que ser feita sempre. E é necessário tomar cuidado pra não associar à doença, ao ato de tomar remédio.

Fonte: www.brasildefato.com.br/2018/09/26/uma-sociedade-que-discute-porte-de-arma-esta-na-contramao-da-prevencao-do-suicidio/