sábado, 12 de agosto de 2017

Posvenção e sobreviventes do suicídio: prevenção para se impedir a imitação

Apoio para quem fica

Esse é o conceito de posvenção, a prevenção para futuras gerações. São grupos que assistem os 'sobreviventes' do luto por suicídio (pais, filhos, irmãos, familiares, amigos, colegas)

12.08.2017 - Giovanna Sampaio

 Raiva, culpa e luto são alguns dos sentimentos ambivalentes em relação ao ente querido que faleceu de suicídio. É importante aceitá-los como naturais, conversar e apoiar familiares e amigos, além de buscar atendimento médico e/ou psicológico, quando necessário. Estudos indicam que cada caso de suicídio exerce um sério impacto na vida de pelo menos seis pessoas de forma direta.

Para esses 'sobreviventes' o luto é mais sofrido, uma vez que muitos familiares e a rede de amigos costumam ser julgados erroneamente. A sociedade tende a apontá-los como culpados por não terem percebido sinais e mudanças no comportamento de quem se desapegou da vida.

A conscientização sobre a necessidade de se falar mais sobre o tema é evidenciada em setembro quando é comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O mês também foi escolhido para a Campanha Setembro Amarelo, resultado da parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina.

A ABP possui uma cartilha voltada para profissionais de saúde que fala do tratamento preventivo ao suicídio também para os sobreviventes, lançada em parceria com o CFM em 2014. "Inicialmente, foi feita para 450 mil médicos, mas devido à alta procura pelo tema, o PDF da publicação é disponibilizado no site ABP", explica o médico psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, ex-presidente da ABP e membro da Comissão Nacional do Setembro Amarelo.

Refletir é preciso

É importante proporcionar às crianças e jovens a oportunidade de desenvolverem habilidades emocionais. Abordar o tema 'morte/finitude' e discuti-lo fora de situação real é uma delas. Isso pode dar a eles a compreensão mais ampla.

"Podemos explicar para crianças pequenas que o suicídio é como estar na estrada dirigindo e baixar um nevoeiro - tão forte que a pessoa perde a visão do caminho, pega uma estrada errada e cai num precipício. Não foi escolha dela, muito menos de quem estava no carro com ela. Mas foi uma fatalidade porque ela não percebeu que precisava de ajuda. Promover esse tipo de reflexão ajuda a criança a ter uma base conceitual impessoal nos momentos difíceis", justifica Tânia Paris, da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC).

Quando a situação já existiu, a família pode acolher e explicar que a pessoa estava doente e sofrendo muito. Não conseguiu sentir-se melhor nem acreditar que um dia isso iria passar. "Mas é possível que o sobrevivente precise de apoio psicológico para superar", explica.

Entre 'iguais'

Atualmente, o Centro de Valorização da Vida (CVV) conta com 13 Grupos de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GASS) em funcionamento nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Brasília. Estão previstos ainda para este ano novos grupos no Pará, Pernambuco e Roraima. Apesar de poder ocorrer com qualquer pessoa, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas.

Os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio entre esses 'iguais' buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido.

Além da CVV, o atendimento pode ser feito por outras organizações (casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs). É exigido o cumprimento do modelo (periodicidade nos encontros, a gratuidade e a supervisão de um psiquiatra ou psicólogo).
Fique por dentro

Habilidades emocionais para jovens e crianças

Por mais impactante que seja uma situação de perda, é importante que crianças e jovens tenham a oportunidade de compreender o que aconteceu e falar sobre seus sentimentos para minimizar a tendência de atribuir a culpa a si mesmos, para que possam elaborar o luto. Crianças muito pequenas, muitas vezes, nem sequer entendem a morte como um evento inevitável da vida e podem se traumatizar mesmo com as que tiveram causas naturais.

"A atenção é fundamental. Não diria 'redobrada', porque cada um lida com seu luto a partir dos recursos que possui. Se antes do ocorrido a criança ou jovem teve oportunidade de desenvolver habilidades emocionais, sua resiliência pode até vir a ser maior que a de um adulto", pondera Tânia Paris, fundadora da Associação pela Saúde Emocional das Crianças, entidade sem fins econômicos, que desenvolveu o projeto 'Amigos do Zippy, presente em mais de 30 países. "Todos merecem atenção, acolhimento, carinho e apoio nessa fase", diz.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/vida/apoio-para-quem-fica-1.1802509

terça-feira, 18 de julho de 2017

Oeiras, no Piauí, ganha prêmio por ações em favor da prevenção do suicídio

Oeiras [cidade do interior do Piauí] foi premiada no Congresso Nacional de Secretários Municipais de Saúde, realizado entre 12 e 15 de julho, em Brasília. A equipe da Secretaria Municipal de Saúde apresentou no congresso três experiências exitosas desenvolvidas na cidade, sendo uma delas premiada e reconhecida como a melhor na categoria Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

Intitulado “Um novo olhar sobre a prevenção do suicídio, na perspectiva de uma abordagem multiprofissional”, o trabalho premiado relata experiências do Núcleo de Prevenção ao Suicídio. Instituído em 2010, pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), o Núcleo desenvolve ações e propostas focadas na linha de cuidado em rede, com o encaminhamento aos serviços de referência (CAPS I) e construção do Projeto Terapêutico Singular e Matriciamento, suporte realizado por profissionais de diversas áreas especializadas dado a uma equipe interdisciplinar com o intuito de ampliar o campo de atuação e qualificar suas ações.

Para a secretária municipal de Saúde, Auridene Freitas, a premiação e o reconhecimento no Congresso são o resultado do trabalho Núcleo. “Estamos trilhando essa luta diária, que é o enfrentamento a esse grave problema de saúde pública que nós temos e que, de certa forma, ainda continua muito mascarado em municípios e estados. Estamos atuando no município de forma silenciosa, sem expor as pessoas que têm ideação suicida envolvendo a atenção básica, através do matriciamento. Esse prêmio traz a certeza que estamos atuando de forma correta e isso nos fortalece para que continuemos a avançar”, comemora a secretária.

“Agora, nos sentimos mais motivados a intensificar essas ações de combate ao suicídio em nossa cidade e procuraremos cada vez mais envolver outros segmentos da sociedade, porque este é um grave problema de todos e não apenas de uma gestão, de uma Prefeitura ou de uma secretaria municipal de Saúde. Então, precisamos envolver outros segmentos”, acrescenta Auridene Freitas.

Em sua 33ª edição, o congresso reúne milhares de trabalhadores do cotidiano do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre eles, secretários municipais de saúde de todo o país, profissionais de saúde, dirigentes estaduais e do Ministério da Saúde.

Por Jota Santos
Fonte: http://www.portalodia.com/municipios/oeiras/oeiras-e-premiada-em-congresso-nacional-realizado-em-brasilia-302356.html

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Registrar corretamente tentativas de suicídio ajudará no atendimento

“Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará”, ressalta a enfermeira Hélcia Regina Lima Gonçalves

Roseane Pinheiro | 16/7/2017

A coordenadora do Núcleo de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DANT’S), Hélcia Regina Lima Gonçalves, defende que é necessário intensificar a cooperação entre as instituições de saúde para a prevenção do suicídio em Imperatriz. Entre os procedimentos está a correta utilização da ficha de notificação compulsória para que possam conhecer a realidade dos casos na cidade.

A enfermeira informa que o núcleo trabalha com todas as patologias não transmissíveis.  Para mapear os procedimentos, é adotada uma ficha de notificação compulsória que identifica as agressões que podem ser autoprovocadas, como o suicídio, ou interpessoais, a violência entre pessoas ou grupos. A entrevista foi concedida ao projeto Coletivas, da disciplina de Técnicas de Reportagem, do Curso de Jornalismo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é uma problema de saúde pública. O Brasil ocupa o indesejável oitavo lugar no ranking de países com maior número de suicídios. Como a sra. vê o suicídio, de acordo com sua vivência na área da saúde?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – O suicídio existe desde que o mundo é mundo. Esse fenômeno vem crescendo a cada dia. Hoje, mais de um milhão de pessoas, morre ou tenta morrer por suicídio no mundo e acaba sendo a décima causa de morte no nosso país. São muitas pessoas morrendo. Enquadramos o suicídio em diversas situações, mas vamos falar de duas vertentes: a positiva e a negativa. Para quem quer cometer esse ato é um pensamento positivo, mas, para nossa cultura, o pensamento suicida é negativista, principalmente porque nossa cultura é muito influenciada pala religião, somos em maioria cristãos e, por essa vertente religiosa, vamos ter o suicídio como um ato negativista. Mas para alguns estudiosos, inclusive jornalistas,  é um pensamento positivo.  E o principal pensamento positivo que a pessoas tem: “Eu vou resolver meus problemas”. Como? Com a morte.

Mas nós trabalhamos o suicídio como uma questão negativa, podemos apontar diversas causas. Uma delas é que pessoas que pensa e comete suicídio estaria teoricamente em estado de depressão e a depressão é a grande patologia do nosso século. Vários problemas de saúde vêm da depressão e o suicídio é um deles.

A ficha de notificação compulsória é recente, antes a mesma era somente preenchida pelos médicos, hoje em dia qualquer profissional de saúde que socorreu a vítima tanto no atendimento público quanto no privado é obrigado a preencher e depois encaminhar ao DANT’S (Doenças de Agravo Não Transmissíveis). Após chegar até vocês, qual o processo?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e  realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará. A própria ficha possui um espaço especificando o órgão em que a pessoa pode ser encaminhada. Se for criança ao Conselho Tutelar, se for mulher à Delegacia da Mulher ou clínicas, hospitais, posto de saúde, entre outras instituições. Então buscaremos saber se tal pessoa possui algum acompanhamento, não somente no núcleo, mas na atenção básica de forma geral.

Uma das maiores benfeitorias dessa fixa de notificação compulsória é a identificação e recolhimento de dados de pacientes que tentaram suicídio e encaminhamento para a ajuda necessária. Você acha que em Imperatriz essas notificações estão ocorrendo corretamente e está sendo possível atender a população?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Sendo bem realista, ainda estamos iniciando o processo de atendimento à população. Nós estamos começando o processo de ampliação dos nossos atendimentos e conscientização dos profissionais da área de saúde agora. Temos parcerias com órgãos das mais diversas especialidades, pois não envolve só o suicídio, como, por exemplo: Secretária de Trânsito, a Delegacia da Mulher, as UPA’S (Unidade de Pronto Atendimento), o Socorrão, Socorrinho e hospitais privados, onde temos maior dificuldade. Existem tentativas de suicídio e um número considerável nas classes média e alta, mas não conseguimos identificar com clareza, pois são atendidos em hospitais particulares e pedem sigilo e tem esse direito. Só pode fazer a visita, independente se a rede de atendimento é pública ou privada, se a pessoa permitir e, se caso seja tentativa de suicídio, pois se houver óbito, a família é obrigada a nos receber. Tem um sistema que precisa ser fechado com esses dados de forma adequada, o que chamamos de “investigação de óbito”. Eu costumo dizer que ainda é uma situação subnotificada em Imperatriz. Identificam esses casos através do preenchimento da ficha, daí essas notificações vão até a gente, se não for, muitas vezes ninguém fica sabendo.

O suicídio é provocado por uma junção de diversos fatores. De acordo com os dados levantados, quais são as principais causas que levam uma pessoa a cometer suicídio na cidade?

Hélcia Regina Lima Gonçalves –  Diversos fatores mesmo, o suicídio pode estar ligado à depressão, uma questão financeira negativa, às situações de morte, perda de emprego recentemente, casos de divórcio ou perdeu um grande amor. A questão amorosa influencia muito e gera depressão, principalmente em jovens e adultos, entre outros fatores.

Nesse sistema de notificação existe uma classificação para registrar se houve reincidência em casos de suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Temos na ficha um espaço que pergunta se é a primeira vez que a pessoa tenta o suicídio ou se já e consecutivo e será marcado o caso da pessoa. Se for consecutivo a gente pensa: “poxa, essa pessoa não está tendo uma ajuda necessária”. Então fazemos um atendimento para ela o mais rápido possível. Quando eu falo em descentralização para as unidades é porque não conseguimos ir à casa de todos que precisam de ajuda em Imperatriz. Até porque não atuamos somente em Imperatriz, recebemos notificações de várias outras cidades mais próximas, incluindo os estados do Pará e Tocantins, pois essas cidades trazem o paciente para o atendimento aqui nos hospitais municipais.

Pode acontecer de um funcionário da saúde não preencher essa ficha ou não preencher de forma correta? E sem tem alguma punição nesses casos?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Não existe. O profissional irá receber uma notificação para esclarecer o porquê do não preenchimento da ficha. Não haverá punições ou advertências, mas uma orientação dos responsáveis do setor para que possa acontecer a execução dessa tarefa de forma correta. Essa é somente uma das diversas fichas que existem para serem preenchida naquele lugar, por aquela pessoa. Quando você exerce uma função, adquire várias obrigações e você não deve deixar de fazer nenhuma dela se forem suas. Qualquer profissional de saúde pode fazer o preenchimento da ficha do paciente. É claro que logo que der entrada é necessário que se priorize a vida, mas antes desse paciente receber alta, esse procedimento tem que ser realizado. Caso a nossa instituição seja comunicada, mesmo se for um caso que não foi notificado antes, iremos assistir esse paciente da mesma forma. Muitas vezes os parentes, vizinhos ou agentes de saúde nos procuram e, por fim, nos dirigimos até a residência para realizar o atendimento.

A rede pública de saúde tem que trabalhar em parceria de forma coesa. Quais desses parceiros seria o principal?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os postos de saúde são de suma importância na identificação de ideação suicida. Nos bairros estão os postos de saúde com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde. Eles estão mais próximos da população. Os agentes de saúde é aquele indivíduo que sempre está na sua casa. De alguma forma, ele vai participar da sua vida, ouvindo, observando o que circunda. É chamado de “fofoqueiro”, sempre querendo saber da vida das pessoas, mas na verdade ele quer saber é da saúde da população. O agente de saúde vai visitar e tentar entrar nesse aspecto. Por quê? Vai proporcionar o tipo de ajuda que a pessoa está necessitando e a encaminhará para o atendimento certo.

Como é feita a abordagem com uma pessoa que tentou o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Nós não podemos ser tendenciosos, em hipótese alguma. Não podemos envolver aspectos religiosos. Eu tenho a minha, ele (paciente) tem a dele, que pode até ser a mesma minha, mas não podemos envolver esse aspecto de nenhuma forma, definindo o que é certo ou errado. Nós devemos descobrir o porquê de tal atitude para fazero encaminhamento mais adequado. Nem todos os praticantes de suicídio possuem problemas mentais, diferente do que a maioria das pessoas pensa. As doenças mentais são diversas e temos que ter cuidado ao analisar cada caso. Por exemplo, tem pessoas que fazem a auto-mutilação, porém não é considerado tentativa de suicídio. A pessoa se corta toda ou decepa partes do corpo, mas não quer provocar sua morte. Ela está agredindo, se violentando e se mutilando, mas nem por isso quer se matar.

Qual e a relação entre álcool, drogas e o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os jovens tendem a ir mais para o lado das drogas ilícitas, no início. Alguns procuram para se sentirem melhor, outros, por outro lado, procuram porque já conhecem e sabem que vai “deprimir” seu sistema nervoso central. Entre os jovens e adolescentes, o que mais intensifica o desejo de se suicidar é o uso de álcool, seguido das drogas ilícitas. O uso de álcool está tão livre, porque, mesmo estando lá escrito “proibido a venda de álcool para menores de 18 anos”, vemos muitos jovens de ambos os sexos bebendo livremente.  Nossa forma de nos vestir confunde, os adultos se vestem como adolescentes e os adolescentes se vestem como adultos e não sabemos mais a idade cronológica das pessoas. Por isso você senta em uma mesa de bar, toma uma bebida e ninguém te pede um documento para confirma tua idade, no Brasil ainda é assim. Em outros países, só é possível entrar em bares se apresentarmos documentos de identidade. E, por isso, o alcoolismo tem crescido muito e o suicídio junto, visto que é um dos fatores agravantes.  Isso não quer dizer que vou ficar bêbado e vou querer me suicidar. Algumas vezes sim, outras não.

Qual o perfil das pessoas que tentam o suicídio em Imperatriz, segundo os registros oficiais?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – É mais comum entre mulheres de classe média, na faixa etária entre 13 a 35 anos. As pessoas tentam se suicidar de diversas formas, geralmente por pesticidas, que não é somente remédios para rato. (...) Só no ano passado em Imperatriz, tivemos um registro de 32 tentativas de suicídios entre mulheres, destas 22 dos casos foi por envenenamento e 2 intoxicações medicamentosa, apenas 2 por arma de fogo e 1 óbito, ou seja, das 32 tentativas, somente oito casos não foram por tentativa de envenenamento. Já no mês de março deste ano, tivemos 23 tentativas de suicídios e dois óbitos, números que precisam ser combatidos com urgência.

Sua experiência na área da saúde lhe garante uma percepção mais aguçada para notar quando uma pessoa esta precisando de ajuda. Como você faz essa identificação do paciente?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Como enfermeira, recebemos muitas pessoas e podemos perceber pela fala, no momento do atendimento, que ela está enfrentando alguma situação que pode levar ao suicídio. Quando a pensar diz: “eu quero sumir por um tempo”; “quero dormir e não acordar mais”; “quero dormir por três dias”, é preciso ficar atento, principalmente pessoas mais próximas como filho, pais e amigos, independente da idade. A pessoa pode estar com algum problema grave. Para você pode não ser, mas para ela sim. Temos que pensar da seguinte forma: somos indivíduos diferentes, mesmo que passemos pelo mesmo problema, cada um vai agir de uma forma diferente. Então todos nós devemos ficar atentos principalmente para as pessoas mais próximas da gente, assim podemos ajudá-las a tempo.

http://www.imperatriznoticias.com.br/noticias/capa/registrar-corretamente-tentativas-de-suicidio-ajudara-no-atendimento/

sábado, 15 de julho de 2017

Livro sobre suicídio e sua prevenção é lançado na Paraíba

O que homeopatia, reiki, espiritismo, emoterapia, constelação familiar, acupuntura, terapia floral, yoga podem ter em comum? São meios de prevenção do suicídio.

Na obra, a ser lançada hoje, 15 de julho de 2017, a bibliografia sobre a prevenção do suicídio se enriquece.

Livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio
O livro “Suicídio: prevenção, posvenção e direito à vida – Volume I”, da Fonte Editorial, será lançado neste sábado (15), às 17 horas, no Centro Cultural Ariano Suassuna, do Tribunal de Contas do Estado, em Jaguaribe, que inseriu o evento na programação literária da Casa. Em seguida ao lançamento, haverá uma apresentação da Banda 5 de Agosto, com formação de Big Band e participação especial da Solista Amanda Cunha. O público poderá ainda prestigiar a exposição de telas do artista plástico Guto Holanda, paulistano radicado na Paraíba desde 2011 e cujo talento tem passado pelas melhores galerias e espaços da cultura paraibana.

Organizado pela professora doutora Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, que também assina um dos artigos, o livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio por diversos prismas, cada um em seu campo de atuação.

“Imbuídos do compromisso de colaborar com a minoração do número de incidências de suicídios e tentativas de suicídio, os autores que compõem a coletânea decidiram ‘arregaçar as mangas’ e enfrentar, sem temor, tabus, silêncios ou silenciamentos, o complexo e multifacetado fenômeno”, explica Iracilda, que é doutora em Letras pela UFPB, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, membro do Grupo de Estudos em Psicanálise e Suicídio e organizadora do Núcleo de Estudos, Prevenção e Posvenção do Suicídio (NEPPS).

Os autores e seus temas
Maria do Socorro Sousa, médica com especialização em pediatria e homeopatia, escreve sobre “Homeopatia e sintomas de predisposição suicida”.

Sayonara Maria Lia Fook, doutora em Farmácia e coordenadora do Ceatox de Campina Grande, e Mayrla de Sousa Coutinho, enfermeira e mestre em Saúde Pública, tratam de “Suicídio por envenenamento: entre o viver e o morrer”.

Luciana Silveira, mestre em Reiki e palestrante sobre o tema, Reike, yoga e câncer, aborda “Reiki na depressão e na pessoa com ideação suicida”.

Vânia Reis, professora e pesquisadora aposentada da UFPI, e Rener Leite da Cunha, fitoterapeuta, assinam  o capítulo que enfatiza “A vida é um presente de Deus: potencializando a ação do centro espírita em defesa da vida”.

Rosângela Xavier da Costa, administradora e mestre em Ciência das Religiões escreve sobre “Constelação familiar e suicídio: caminhos entrelaçados de amor”.

Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, trata acerca da educação emocional no artigo: “Emoterapia: descobrindo sentidos do viver pelo autoconhecimento e pelo autocuidado”.

Norma Pereira Dantas Cavalcanti e Keyla Dantas Cavalcanti de Sousa, médicas homeopatas e acupunturistas discorrem  sobre “A importância do tratamento de acupuntura na depressão e doenças mentais para prevenção do suicídio”.

Carmen Dolores Gomes Marinho, médica especialista em Pediatria, Infectologia e Homeopatia, escreve sobre “Terapia Floral como meio preventivo de suicídio”.

Cláudia Maria de Carvalho, jornalista e radialista, mestranda em Jornalismo Profissional pela UFPB, assina o artigo “Suicídio: a pauta proibida”, explicando o tabu que envolve o assunto no ambiente jornalístico, suas razões e como o tema pode ser noticiado de maneira adequada.

Maria Lúcia Abaurre Gnerre, doutora em História, professora da UFPB e pesquisadora das religiões orientais assina o artigo “Yoga e prevenção do suicídio: uma abordagem com base no método da Ashtanga Vinyasa Yoga”.

Matheus da Cruz e Zica, pós-doutor em História pela UFMG, professor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador dos campos da História, da Educação e da Psicanálise,  apresenta “Considerações acerca da educação para uma morte digna”.

Ageirton dos Santos Silva, voluntário do Centro de Valorização da Vida, professor do IFPB e doutor em Letras pela UFRN, escreve sobre “CVV: uma história de amor pela valorização da vida, identificada com a prevenção ao suicídio”.

Eduardo Sérgio Soares Sousa; médico, doutor em Ciências da Saúde e Sociologia; Henrique Miguel de Lima Silva, doutorando e mestre em Linguística; Josefa Ângelo Pontes de Aquino, farmacêutica e supervisora de Análise de Epidemiologia da Secretaria de Saúde da Paraíba; e Márcio Rijoan Albuquerque Cavalcante, graduando em Odontologia, Saúde Coletiva e Educação e Saúde produzem em coautoria o artigo: “Já não me importo mais: um estudo do suicídio no Estado da Paraíba entre 2006 e 2015”.

Fonte: http://www.diariodosertao.com.br/noticias/cultura/209395/livro-que-aborda-o-suicidio-sob-os-olhares-de-varios-especialistas-sera-lancado-neste-sabado-na-paraiba.html

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O suicídio, a imitação e o papel da imprensa

Entre Werther e Papageno

O pesquisador David Phillips cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado: foi recomendado que histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa

julho de 2017
Da redação

A série 13 reasons why causou furor. Na trama, uma estudante do ensino médio se suicida e deixa 13 fitas, uma para cada pessoa que ela acredita ter contribuído de alguma forma para sua decisão. Cada episódio refere-se a uma dessas gravações. Alguns dizem que a série é um retrato preciso e sensível da angústia e pode ajudar a esclarecer as motivações por trás do ato de atentar contra a própria vida. Os críticos, entretanto, temem a glamorização desse gesto ou sua normalização como uma opção legítima para tratar frustrações, o que pode conduzir ao aumento desse tipo de ocorrência. Afinal, é bem conhecido na literatura especializada o fato de que o suicídio pode ser um fenômeno contagioso.

Qualquer possível causa de tal proliferação deve ser levada a sério, embora, do ponto de vista científico, o papel da ficção na inspiração do suicídio seja, na melhor das hipóteses, pouco claro. Obviamente a série não é a primeira obra a deflagrar controvérsias. Romeu e Julieta,de William Shakespeare, foi acusada inúmeras vezes de exaltar o suicídio de jovens. O romance de Johann Wolfgang von Goethe Os sofrimentos do jovem Werther, lançado em 1774, descreve a dor de um rapaz por causa de seu amor por Charlotte, que se casa com Albert, amigo do protagonista. Atormentado, Werther decide que um deles deve morrer e acaba atirando em si próprio com a pistola de Albert. Acreditava-se que o trabalho de Goethe tenha levado muitos jovens a decidir terminar sua vida em toda a Europa, vários deles usando armas e vestidos com roupa similar à descrita pelo autor. Alguns até tinham cópias do romance ao lado de corpo, abertos na página que relatava o suicídio.

O pesquisador David Phillips, que se dedicou a estudar o tema, cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado da pesquisa de Phillips, da década de 70, foi a recomendação de que as histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa. Ele considerou também que a cobertura excessiva da mídia de suicídios de celebridades realmente levou a um aumento nas tentativas de atentar contra a própria vida. As mulheres na faixa dos 30 anos pareciam mais propensas ao ato após a morte de Marilyn Monroe, em 1962.

Em Viena, na década de 80, uma série de suicídios cometidos no metrô foi combatida pela decisão dos principais jornais da cidade de reduzir substancialmente a publicidade dessas mortes. Depois de certa data, essas ocorrências já não eram mencionadas. Isso coincidiu com uma queda progressiva no número de casos, o que ilustrou o poder da mídia para o bem.

Contrariando o efeito Werther, há o efeito de Papageno, numa referência ao personagem da ópera A flauta mágica, de Wolfang Amadeus Mozart. Convencido de que nunca vai conquistar seu amor, Papageno, ele tenta se enforcar, mas é persuadido por três espíritos a não acabar com sua vida.

Os pesquisadores King-wa Fu, professor associado no Centro de Estudos de Mídia e Jornalismo da Universidade de Hong Kong, e o cientista social Paul Yip, fundador e diretor do Centro de Pesquisa e Prevenção do Suicídio da Universidade de Hong Kong, examinaram os impactos da morte de três celebridades asiáticas, comparando registros semanas antes e depois das ocorrências. Eles descobriram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade em Seul, Hong Kong e Taiwan, em comparação com um período de referência. A maior incidência de vítimas estava entre pessoas com idade próxima e do mesmo gênero das celebridades.

Cientistas reconhecem, no entanto, que a evidência de relações entre suicídios em ficção de suicídio na TV e no cinema é mais complicada. A revisão da literatura sobre filmes e retratos televisivos de suicídio não revela conclusões sobre o impacto de suicídios ficcionais sobre os resultados suicidas reais na população em geral. Mas sabem que a identificação com a vítima é fator importante para desencadear a imitação. E circunstâncias que facilitam o comportamento suicida são contrabalançadas por fatores protetores que o inibem, como a fé religiosa, a presença de apoio social (amigos, família) e capacidade de perceber que as situações, por piores que pareçam – ou de fato sejam –, não são permanentes.

Números preocupantes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o suicídio como uma prioridade de saúde pública, já que as taxas têm aumentado desde a década de 90, ano em que a OMS lançou um programa de prevenção. Em média, 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, e 75% desses casos ocorrem em países de média e baixa renda. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para acidentes de trânsito. O índice nessa faixa etária entre as mulheres é de 2,6 casos por 100 mil habitantes, mas a taxa salta para 10,7 na população masculina. Mas um dado chama atenção: entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Os países que realizaram campanhas de esclarecimento a respeito do problema conseguiram baixar seus números. Cerca de 90% dos casos poderiam ter sido evitados. Segundo estimativas da OMS, para cada caso há pelo menos 20 tentativas malsucedidas. Os maiores índices de suicídio no Brasil ocorrem em áreas de concentração de comunidades indígenas. Segundo estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), das cinco cidades com as maiores taxas de suicídio de jovens, quatro ficam no Amazonas.

Para lidar com a questão, em 1962 foi criada a organização filantrópica Centro de Valorização da Vida (CVV), que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional com o intuito de prevenir suicídio ou apenas atender pessoas que precisem e queiram conversar, com total sigilo. Após a exibição da série 13 reasons why, os pedidos de ajuda ao CVV duplicaram.

Fonte: Mente Cérebro (Scientific American)
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/entre_werther_e_papageno.html

sábado, 1 de julho de 2017

Sono como possível indicador de tendência suicida

Problemas de sono podem sinalizar agravamento de tendências suicidas em jovens

Alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, afirma pesquisadora.

O estudo aponta que o tratamento dos problemas relacionados à falta de sono pode aliviar a tendência suicida, a segunda causa de morte entre adultos jovens no país, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

"O suicídio é o resultado trágico de doenças psiquiátricas que interagem com múltiplos fatores de riscos biológicos, psicológicos e sociais", destacou Rebecca Bernert, professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento de Stanford e uma das autoras da pesquisa.

"As alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, ainda que não estigmatizem e sejam altamente tratáveis", enfatizou Rebecca.

O estudo também apresenta uma importante colaboração para o tratamento deste problema, que causou a morte de 44 mil pessoas nos EUA em 2016, segundo a Fundação Americana para Prevenção do Suicídio.

A pesquisa recolheu tanto informações objetivas quanto reportadas pelos 50 participantes adultos com idades entre 18 e 23 anos e alto risco de suicídio, selecionados a partir de uma base de investigação de cerca de cinco mil estudantes universitários.

O sono dos participantes no estudo foi observado objetivamente durante uma semana, na qual um sensor especial instalado em seus pulsos - configurado para medir o sono - foi usado a fim de determinar se dormiam ou se estavam acordados.

Tanto no início da pesquisa como após 7 e após 21 dias, os participantes responderam questionários para medir a gravidade dos seus sintomas suicidas, insônia, pesadelos, depressão e consumo de álcool.

Aqueles que tinham um maior grau de variação do momento em que adormeciam durante a noite até a hora em que acordavam mostraram uma maior tendência a apresentar sintomas suicidas nas revisões dos 7 e 21 dias. Igualmente, aqueles que reportaram maior quantidade de horas de insônia e pesadelos mostraram tendências suicidas mais altas.

"Os transtornos do sono e as ideias suicidas são sintomas de depressão, por isso é fundamental destrinchar estas relações e avaliar os fatores que se sobressaem para prever o risco", ressaltou Rebecca.

"Acreditamos que o estudo das perturbações do sono pode representar uma importante oportunidade para a prevenção do suicídio", opinou.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/problemas-de-sono-podem-sinalizar-agravamento-de-tendencias-suicidas-em-jovens.ghtml

terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2