quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Sinais de alerta

Dez sinais de alerta que ajudam na prevenção ao suicídio

Malu Silveira - 12/9/2017


Falar sobre suicídio pode parecer não tão importante quanto outras questões de saúde pública. Aí é que mora o engano. O desespero que leva alguém a tal ação destrói cerca de um milhão de vidas anualmente em todo o mundo. Num cenário local, foram registrados em Pernambuco, no ano de 2015, 314 mortes por suicídio. E o pior, cada um desses óbitos impacta a vida de pelo menos seis pessoas.


Um fato que pode diminuir a aversão em se tratar do assunto é que, assim como outras doenças, adotar certas atitudes pode ajudar, e muito, na prevenção ao suicídio. Entre as ações para marcar o Setembro Amarelo, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) elaborou dez dicas sobre os principais fatores de risco e sinais de alerta para quem convive com pessoas que apresentam ideação
suicida. Confira as recomendações:

1. Relação com transtornos mentais 

Você sabia que praticamente todas as pessoas que cometeram suicídio apresentavam pelo menos um transtorno psiquiátrico?

Pacientes com depressão, transtorno bipolar, transtorno relacionados ao uso de drogas lícitas ou ilícitas, esquizofrenia e transtorno de personalidade fazem parte do grupo de risco. Dessa forma, a identificação e o tratamento de distúrbios mentais pelo médico psiquiatra estão entre os principais fatores de proteção na prevenção do suicídio.

2. Histórico pessoal

Tentativa prévia é o principal fator de risco para o suicídio. Pessoas que já tentaram o suicídio têm de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente.

Tentativa prévia é o principal fator de risco para o suicídio. Pessoas que já tentaram o suicídio têm de cinco a seis vezes mais chances de tentar novamente.

3. Ideação suicida

Fique atento a comentários que demonstrem desespero, desesperança e desamparo podem ter manifestação de uma ideação suicida. 

Atenção a expressões quem podem ser sinais de alerta, como “eu desejaria não ter nascido”, “caso não nos encontremos de novo”, “eu preferia estar morto”.

4. Fatores estressores crônicos e recentes

Eventos estressores significativos, como separação conjugal, migração ou perda de uma pessoa próxima, além daqueles que levem a prejuízo econômico e social, como falência e perda do emprego, estão associados ao surgimento de pessamentos suicidas.

5. Organizar detalhes e fazer despedidas

É de extrema importância observar se existe algum comportamento que sugira uma preparação para o suicídio: mensagens de despedida (bilhetes ou recados nas mídias sociais), cartaz, testamentos, doação de posses importantes e acúmulo de comprimidos são alguns exemplos. Além disso, deve se verificar se há “comportamento de despedida”, como ligações incomuns a parentes ou amigos dizendxo adeus, como se não fosse vê-los outra vez.

6. Meios acessíveis para suicidar-se

Acesso a armas de fogo, locais elevados e medicação em grande quantidade aumenta a chance de que uma eventual tentativa de suicídio seja efetivada. Por isso é importante ficar atento a esses possíveis meios de consumação do ato.

7. Impulsividade

O suicídio, por mais planejado que tenha sido, muitas vezes parte de um ato motivado por eventos negativos. O impulso para cometer o suicídio é geralmente transitório, com duração de alguns minutos ou horas e pode estar presente particularmente em jovens e adolescentes. A impulsividade também pode ser acentuada se houver abuso de substâncias, como álcool e outras drogas.

8. Eventos adversos na infância e na adolescência

Ter sofrido maus tratos e abuso físico, sexual ou psicológico na infância, apresentar abuso ou dependência de substâncias lícitas ou ilícitas e falta de apoio social estão associados a maior risco de suicídio. É importante lembrar que queda no desempenho escolar pode ser reflexo de um transtorno psiquiátrico não diagnosticado.

9. Motivos aparentes ou ocultos

Algumas pessoas com pensamentos suicidas podem considerar a morte como um “meio de sair do sentimento momentâneo de infelicidade”, “acabar com a dor”, “encontrar descanso” ou “final mais rápido para os sofrimentos”. Comentários com esse tipo de conteúdo servem como sinal de alerta.

10. Presença de outras doenças

Doenças crônicas, incluindo neoplasias em fase terminal, também são fatores de risco para suicídio. O acompanhamento de pacientes que apresentem condições médicas com essas características deve incluir atenção especial à sua saúde mental.

Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/09/12/dez-sinais-de-alerta-que-ajudam-na-prevencao-ao-suicidio/

Empatia e prevenção do suicídio

Prevenção ao suicídio: como a empatia (ou a arte de entender a dor do outro) pode ajudar a salvar vidas

Cinthya Leite


Escutar o sofrimento e entender a dor do outro com calma e aceitação, sem fazer julgamentos, é uma estratégia que pode ser eficaz na prevenção do suicídio, cujos casos ultrapassam a marca dos 12 mil  anualmente no Brasil. A reprovação é tudo o que não devemos deixar transparecer ao ouvirmos de uma pessoa que ela está cansada da vida e sem encontrar razão para viver.


“Há uma tendência da sociedade em dar dicas rápidas e conselhos, até bem intencionados, a quem tem uma ideação suicida. Na maioria das vezes, contudo, é necessária a escuta atenta. Quem está em risco (de tirar a própria vida) quer sentir que pode falar sem ser censurado”, salienta o psiquiatra Leonardo Machado, secretário da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria.

Na sexta-feira (1º), em programa na TV JC, Leonardo Machado ressaltou que essa atitude de atenção com o outro não é tão simples, mas pode ser exercitada. “Há pessoas que têm uma sensibilidade maior, uma condição chamada de empatia, caracterizada pela capacidade de se colocar no lugar do outro e entendê-lo. Essa é a empatia afetiva, que é a tendência de sentir o próximo”, completa Leonardo Machado, também professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Para os especialistas em saúde mental, as pessoas com comportamento suicida precisam, além de acompanhamento médico, que parentes, amigos e colegas do trabalho tenham empatia. Quem  passa pelo sofrimento decorrente da falta de esperança precisa ser ouvido. E é assim que se pode dar um passo essencial para reduzir o nível de desespero das pessoas.

É bom destacar que a empatia também pode ser apreendida. Um caminho para incorporá-la é quebrar tabus e desmistificar a ideia de que o comportamento suicida está associado a uma fraqueza ou falta de autoconfiança. Apagar os mitos é o começo para se oferecer acolhida e apoio emocional a quem está em risco. “Algo que nós devemos fazer é falar sobre o assunto, sem medos e sem tabus. Dessa maneira, as pessoas com pensamento suicida podem perceber que não estão sozinhas e que há ajuda para o sofrimento que vivenciam”, frisa Leonardo.

Nem sempre, contudo, as pessoas que passam por alguma dificuldade contam com a compreensão da família e dos amigos. Não se deve, portanto, desistir de pedir ajuda.

“A nossa prevenção é baseada no ouvir, no partilhar os problemas, que correm o risco de ir se avolumando. É comum recebermos ligações de pessoas com depressão que se queixam da falta de compreensão de seus parentes, uma situação que agrava ainda mais o quadro.
É por isso que, para quem está fragilizado, com seus problemas emocionais que podem levar ao pensamento suicida, funcionamos como uma espécie de pronto-socorro”, diz o representante do Centro de Valorização da Vida (CVV) no Recife, Airton Siqueira, que também participou do programa na TV JC sobre o assunto.

Entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio, o CVV realiza um trabalho, na capital pernambucana, há quase quatro décadas. “A pessoa, insegura emocionalmente, liga para os postos (número do telefone: 141) e conta com voluntários habilitados e treinados a ouvir, que não concorrem com a psiquiatria ou a psicologia. A escuta é respeitosa, silenciosa, absolutamente sigilosa e sem julgamentos. Quem liga fica mais fortalecido”, frisa Airton Siqueira. Ele acrescenta que o CVV não tem como proposta resolver os problemas da população. “Isso não nos compete. Queremos dar força emocional. Terapia e eventual cura competem ao profissional da psiquiatria e psicologia”, esclarece.

Alerta

Alguns sinais, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), podem ser observados e ajudar na prevenção do suicídio. Expressões que demonstram desespero, desesperança e desamparo estão entre essas pistas que podem ser dadas por pessoas em risco de tentar tirar a própria vida. Especialistas recomendam atenção a comentários como “eu desejaria não ter nascido” e “eu preferia estar morto”, que servem como sinais de alerta. São frases que merecem atenção, especialmente quando ditas por pessoas com algum transtorno mental e em situações de desesperança.

http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/09/02/prevencao-ao-suicidio-como-a-empatia-ou-a-arte-de-entender-a-dor-do-outro-pode-ajudar-a-salvar-vidas/

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sobre setembro, suicídio e sentido

Qual o sentido de se escrever mais um artigo sobre o Setembro Amarelo e seu apelo de valorização da vida e prevenção do suicídio?

Viktor Frankl, o célebre médico psiquiatra austríaco fundador da logoterapia – a terapia centrada no sentido, definia o homem como um ser que sempre aponta para além de si mesmo, em busca permanente de sentido.

Em 1930, com apenas 25 anos de idade, criou o Centro de Assistência a Jovens Suicidas. De 1933 a 1937 foi chefe do Pavilhão Feminino de Suicidas, no hospital psiquiátrico de Viena.

O que ele chamou de síndrome da falta de sentido, marcada pelo sentimento de angústia e de profundo vazio existencial, inicialmente foi considerada um efeito colateral do pós-guerra. No entanto, tornou-se ainda mais presente e acentuada nos dias atuais, como uma espécie de ferida aberta em nossa “sociedade do espetáculo”, como diria o filósofo Guy Debord, e em tempos de “mundo líquido”, como propunha o sociólogo e também filósofo Zygmunt Bauman.

E um de seus mais tristes aspectos é que o suicídio entre jovens vem aumentando de forma impressionante no mundo todo, enquanto cresce também entre as pessoas da terceira idade, inclusive no Brasil.

Em linhas gerais, nós nos afastamos da natureza e de seus ciclos reguladores; criamos uma sociedade toda baseada no poder de consumo e no prazer imediato como valores máximos; imprimimos um ritmo insano às nossas atividades; cultivamos relacionamentos fluidos e superficiais; perdemos a conexão com nossos valores e nos prendemos apenas ao que é imediato, visível, concreto, pragmático, de forma utilitarista; afastamo-nos de nossa essência e daquilo que Frankl chama de nossa dimensão noética ou espiritual.

Sim, Viktor Frankl, diria que estamos gravitando exclusivamente em nossa dimensão psicobiosocial, lutando para sobreviver, sentir o máximo de prazer, administrar a luta entre a razão e o instinto, obter poder e sucesso como sinônimos de uma felicidade quase sempre ameaçada pelas circunstâncias, aprisionados num ciclo pequeno, muito aquém de nossas reais possibilidades e do florescimento preconizado por Martin Seligman.

Como seres humanos, a vontade de prazer e a vontade de poder nos impulsionam para a luta comum, porém, a vontade de sentido impõe-se como a motivação primária em nossa vida. Uma vez negligenciada, pode nos lançar em uma angustiante frustração existencial, capaz de gerar neuroses profundas.

Prevenir o suicídio é uma missão com múltiplos caminhos e negar a complexidade do momento atual não deve ser um deles. Estamos sim, atravessando momentos complicados, sujeitos a um modelo de sociedade que já não nos serve, enfrentando problemas de difícil e demorada solução, sentindo dores e angústias para as quais não encontraremos respostas nem capacidade de superação sem os recursos de nossa dimensão noética.

É pela nossa dimensão noética que nos tornamos capazes de transcender nossas limitações biológicas, nossos condicionamentos psicológicos e nossos horizontes sociais, dirigindo-nos a razões fora de nós mesmos para encontrar o sentido em tudo o que vivemos, seja qual for a situação, inclusive naquelas em que já não existe a possibilidade de mudar o contexto, restando-nos apenas a liberdade última: a de escolher a forma como nos posicionaremos e como reagiremos ao que nos acontece.

Em outras palavras, nesta linha de ação, prevenir o suicídio não é necessariamente evitar que pessoas sofram, mas acionar em nós e ajudar que elas acionem também a sua dimensão noética ou espiritual (sem negligenciar as psicoterapias e outros recursos ao nosso alcance).

Mas, como?

É estarmos atentos quando períodos de tristeza se prolongarem mais do que o normal naqueles que convivem conosco, por exemplo. Vemos o suicídio como um ato extremo, mas deveríamos pensar nele como um processo que se desenha no transcorrer do tempo, de forma mais ou menos silenciosa, mas quase sempre emitindo alguns sinais.

É acolhermos o outro, com extremo respeito à sua singularidade. É ouvirmos as pessoas de forma empática e realmente interessada. É promovermos momentos de encontro real, sem outro interesse além da comunhão, em que possamos nos conectar verdadeiramente uns com os outros e onde cada um possa reconectar-se com sua essência, reconciliar-se com a natureza, construir relacionamentos positivos, redescobrir seus valores, cultivar seus talentos e virtudes, engajar-se em causas maiores do que suas próprias causas, perceber a sua conexão com o todo e com algo maior do que nós, o que nos torna solidariamente interconectados.

Valorizar a vida e prevenir o suicídio é um projeto de amor que se executa no dia a dia.

Mais amor, mais interesse legítimo, mais silêncio, mais escuta, mais ritmos naturais, mais comunhão, mais espiritualidade.

E que setembro nos desvende o sentido maior de nossas vidas: florescermos juntos.

Fonte: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/sobre-setembro-suicidio-e-sentido/106736/

Entrevista com André Trigueiro

Por que setembro é dedicado a falar sobre suicídio? As ações não deveriam ser permanentes?

Dez de setembro foi determinado pela Organização Mundial da Saúde como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. E setembro inteiro é dedicado a debates, reflexões, movimentos sociais das mais diferentes formas para o nobre objetivo de chamar a atenção ao fato de que o suicídio é caso de saúde no Brasil e no Mundo. (...) A data também serve para lembrar que 90% dos suicídios poderiam ser reversíveis porque estão ligados a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis.

O tabu sobre o tema ainda é grande, mas parece ser decrescente nos últimos anos. Ainda falta avançar sobre isso?

O tabu vem deixando de ser um obstáculo à prevenção como foi num passado recente. E isso se deve ao Setembro Amarelo, também à mobilização das redes, a organizações como o CVV (Centro de Valorização da Vida), o Centro Brasileiro de Psiquiatria e profissionais de saúde que militam a essa área. Todos nós, com informação adequada, podemos auxiliar quem esteja em sofrimento. (...)

Até que ponto a crise econômica influencia casos de suicídio?
O percentual maior de casos de suicídio no mundo acontece em países pobres ou em desenvolvimento. Pode não ser apenas a escassez de recursos econômicos, mas as suas implicações. Uma pessoa com depressão em países que não tenham serviços públicos terá que custear o tratamento, que é caro. O CVV, que faz mais de 1 milhão de atendimentos por ano, traz uma percepção interessante. É comum, em período de crise econômica, que homens desempregados se sintam humilhados. Eles recorrem ao CVV num momento de muita dor, pois eles não correspondem às expectativas construídas culturalmente sobre a figura do homem. Nos é ensinado que o homem deve prover a casa e isso tem muito a ver com a sociedade patriarcal. A questão não é o desemprego em si, mas no fato do varão não ter como sustentar a família.

Qual o papel do Estado para reduzir os índices?

O Brasil é um poucos países do mundo a instituir uma política nacional de prevenção ao suicídio. Trata-se de um grupo fechado, com aproximadamente 30 nações. Entretanto, é uma política atrofiada, não tem movimento e não acontece de fato. Diante da omissão de não construir essa musculatura institucional de prevenção, o Ministério da Saúde apoia o CVV. O serviço funciona hoje por três dígitos no telefone (141). A partir de 2020, todas as ligações para o CVV serão gratuitas pelo telefone 188. Hoje, apenas o Rio Grande do Sul, Estado recordista em suicídios, experimenta o serviço gratuito. (...)

Há preconceito da classe médica?

Temos novamente um tabu. Em boa parte das universidades de formação médica do Brasil, exclui-se a informação de como tratar, acolher e orientar pessoas que pensam em se matar. A área da saúde mental é discriminada no meio médico. É o primo pobre da medicina. Os profissionais da saúde mental não têm o mesmo prestígio que os profissionais de outras áreas médicas. Falta informação nas escolas de Medicina sobre o fenômeno do suicídio e como lidar com esse segmento crescente de pessoas que mundo afora experimentam uma dor difícil de descrever e que leva, em muitos casos, a pessoas achar que a solução é abandonar a existência. (...)

No livro, um espaço é dedicado à fé. Como relacionar essa questão ao suicídio?


Vamos encontrar casos de suicídio em todas as denominações religiosas, sem exceção. A religião não blinda a pessoa do risco suicida. Entretanto, algumas pesquisas indicam que aquela pessoa que tem fé ou construiu a convicção de que exista uma força superior enfrenta problemas sérios de forma diferente daquela sem religião. E, assim, estaria menos expostas ao risco suicida que outras. Mas o ser humano não é uma ciência exata e não se pode padronizar, achando que quem tenha fé, por princípio, é menos vulnerável. Cada caso é um caso.
 
Nota-se uma incidência grande de jovens que cometem suicídio. E, muitas vezes, jovens de classe média/alta, com boa condição social e econômica. Que reflexão você faz sobre isso?


Faltam pesquisas que apontem com devida base científica a razão porque isso acontece mundo afora. (...) Em muitos lares, existe pouco contato entre os filhos e os pais. O problema não é os pais trabalharem fora, e sim, o pouco tempo disponível em família, que não estaria sendo compartilhado de forma apropriada. Essa troca, do olho no olho, do colo, do calor humano e, sobretudo, na prioridade que se dê nas horas disponíveis para o intercâmbio amoroso estaria justificando casos de automutilação. (...)

Rede socais têm peso?

Estudos dão conta de que a garotada passa, em média, de sete a oito horas por dia na internet, consumindo precioso tempo e energia com atividades na nuvem, seja trocando informações nas redes sociais, fazendo pesquisas em ferramentas ou acessando vídeos. Alguns pensadores apontam que essa é uma geração que se acostumou a ter respostas rápidas para qualquer problema. A vida vai mostrando que certos problemas não se resolverão em questão de segundos, como uma grande frustração, uma decepção amorosa, um desapontamento. (...) Isso gera o problema da impulsividade, que pode gerar uma angústia, uma ansiedade que venha a justificar, em casos extremos, essa incompatibilidade com a vida. (...) E a juventude virtualizada, talvez, estaria menos treinada para essas situações e mais exposta a certos gêneros de dores que parecem insolúveis, e na verdade não são.(...)

Como preparar o jovem para o futuro diante desse avanço tecnológico?

Os pedagogos afirmam que a família responde pela parte mais importante da formação, principalmente até os 7 anos, período em que são forjados a personalidade e o caráter da criança. A escola vem no segundo lugar. É no ambiente escolar que começa o exercício da interação social. Filhos criados com preconceito replicam o preconceito na escola. Isso gera dor e sofrimento, como apelidos que machucam e as mais variadas ações, que modernamente se convencionaram chamar de bullying. Tudo isso deve justificar atenção redobrada do corpo docente. São novos protocolos que precisam ser construído na rotina escolar. É preciso um profissional com expertise para orientar o jovem em situação difícil. Esse canal de comunicação precisa estar aberto. O estudante tem que se sentir a vontade em procurar ajuda na hora que há um conflito. Os professores e funcionários precisam acompanhar a situação no jovem na escola. (...) Pode ser depressão infantil, e quem convive na escola precisa, na dúvida, reportar aos pais. (...)

Qual orientação para quem se encontra numa situação extrema de tristeza?
(...) Todos estamos sujeitos a isso. Nesse momento, é difícil acreditar ser possível virar o jogo e dar a volta por cima. O importante nesse momento é, mesmo não percebendo luz no fim do túnel e sem esperanças para conter ou amenizar essa dor, entender que todas as demais pessoas que se submeteram a um tipo de ajuda percebem melhora. Elas se livram desse estágio tão doloroso que levam muitos a pensar em colocar fim na sua existência. E resgatam a autoestima e o prazer de estar vivo, colecionando momentos e experiências que justificam essa profunda alegria e a sintonia com a vida. Acredite em você, permita-se sair do lugar onde se encontra e não lhe é favorável. É fundamental procurar ajuda, que pode ser uma assistência psicológica. Existem serviços gratuitos oferecidos por profissionais ou escolas de Psicologia que consagram parte do seu tempo para atendimento gratuito. Na psiquiatria, existem medicamentos que, na dosagem certa e com acompanhamento profissional, podem acelerar o processo de recuperação da saúde. Se não for possível fazer isso por você, faça por seu pai, sua mãe, seus irmãos, filhos, amigos, pelas pessoas que gostam de você. É muito triste quando uma luz se apaga no mundo e bastavam apenas alguns minutos para essa situação se reverter. Viver sempre foi a melhor opção.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/todos-nos-estamos-sujeitos-ao-risco-de-suicidio-alerta-jornalista/?cHash=2b476711b9a3f55b08931af2cfb10958



domingo, 3 de setembro de 2017

A empatia na prevenção do suicídio



Prevenção ao suicídio: como a empatia (ou a arte de entender a dor do outro) pode ajudar a salvar vidas
Cinthya Leite
 Escutar o sofrimento e entender a dor do outro com calma e aceitação, sem fazer julgamentos, é uma estratégia que pode ser eficaz na prevenção do suicídio, cujos casos ultrapassam a marca dos 12 mil  anualmente no Brasil. A reprovação é tudo o que não devemos deixar transparecer ao ouvirmos de uma pessoa que ela está cansada da vida e sem encontrar razão para viver.
“Há uma tendência da sociedade em dar dicas rápidas e conselhos, até bem intencionados, a quem tem uma ideação suicida. Na maioria das vezes, contudo, é necessária a escuta atenta. Quem está em risco (de tirar a própria vida) quer sentir que pode falar sem ser censurado”, salienta o psiquiatra Leonardo Machado, secretário da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria.
Na sexta-feira (1º), em programa na TV JC, Leonardo Machado ressaltou que essa atitude de atenção com o outro não é tão simples, mas pode ser exercitada. “Há pessoas que têm uma sensibilidade maior, uma condição chamada de empatia, caracterizada pela capacidade de se colocar no lugar do outro e entendê-lo. Essa é a empatia afetiva, que é a tendência de sentir o próximo”, completa Leonardo Machado, também professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
 
Para os especialistas em saúde mental, as pessoas com comportamento suicida precisam, além de acompanhamento médico, que parentes, amigos e colegas do trabalho tenham empatia. Quem passa pelo sofrimento decorrente da falta de esperança precisa ser ouvido. E é assim que se pode dar um passo essencial para reduzir o nível de desespero das pessoas.
É bom destacar que a empatia também pode ser apreendida. Um caminho para incorporá-la é quebrar tabus e desmistificar a ideia de que o comportamento suicida está associado a uma fraqueza ou falta de autoconfiança. Apagar os mitos é o começo para se oferecer acolhida e apoio emocional a quem está em risco. “Algo que nós devemos fazer é falar sobre o assunto, sem medos e sem tabus. Dessa maneira, as pessoas com pensamento suicida podem perceber que não estão sozinhas e que há ajuda para o sofrimento que vivenciam”, frisa Leonardo.
Nem sempre, contudo, as pessoas que passam por alguma dificuldade contam com a compreensão da família e dos amigos. Não se deve, portanto, desistir de pedir ajuda.
“A nossa prevenção é baseada no ouvir, no partilhar os problemas, que correm o risco de ir se avolumando. É comum recebermos ligações de pessoas com depressão que se queixam da falta de compreensão de seus parentes, uma situação que agrava ainda mais o quadro. É por isso que, para quem está fragilizado, com seus problemas emocionais que podem levar ao pensamento suicida, funcionamos como uma espécie de pronto-socorro”, diz o representante do Centro de Valorização da Vida (CVV) no Recife, Airton Siqueira, que também participou do programa na TV JC sobre o assunto.
Entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio, o CVV realiza um trabalho, na capital pernambucana, há quase quatro décadas. “A pessoa, insegura emocionalmente, liga para os postos (número do telefone: 141) e conta com voluntários habilitados e treinados a ouvir, que não concorrem com a psiquiatria ou a psicologia. A escuta é respeitosa, silenciosa, absolutamente sigilosa e sem julgamentos. Quem liga fica mais fortalecido”, frisa Airton Siqueira. Ele acrescenta que o CVV não tem como proposta resolver os problemas da população. “Isso não nos compete. Queremos dar força emocional. Terapia e eventual cura competem ao profissional da psiquiatria e psicologia”, esclarece.
Alerta
Alguns sinais, segundo a Associação Brasileira de  Psiquiatria (ABP), podem ser observados e ajudar na prevenção do suicídio. Expressões que demonstram desespero, desesperança e desamparo estão entre essas pistas que podem ser dadas por pessoas em risco de tentar tirar a própria vida. Especialistas recomendam atenção a comentários como “eu desejaria não ter nascido” e “eu preferia estar morto”, que servem como sinais de alerta. São frases que merecem atenção, especialmente quando ditas por pessoas com algum transtorno mental e em situações de desesperança.



sábado, 26 de agosto de 2017

"Quando se enfrenta, se vai em frente!" O bom combate em favor da vida no Piauí.

Digno de louvor o movimento em favor da vida em terras piauienses!!

Governo do PI apresenta Plano Estadual de Prevenção Suicídio

No Piauí, foram 152 mortes em 2016, o que torna o Estado com a maior taxa de mortalidade no país

O suicídio é um grande problema de saúde pública, como aponta relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), onde a cada 40 segundos, uma pessoa, no mundo, tira a própria a vida. No Piauí, foram 152 mortes em 2016, o que torna o Estado com a maior taxa de mortalidade no país, com 7,6 por 100 mil/habitantes. Para diminuir esses dados tão alarmantes, o Governo do Estado desenvolve diversas estratégias de prevenção ao suicídio e valorização à vida.

Um passo importante é a implantação do Plano Estadual de Prevenção Suicídio, que será lançado pelo governador do Estado, Wellington Dias, e o secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto, na quinta 24 de agosto às 8h, no auditório da APPM. O lançamento se dará em conjunto com a realização do Seminário Estadual de Prevenção e Posvenção ao Suicídio, dias 24 e 25 de agosto, no mesmo local.

“O material foi produzido por pesquisadores e especialistas da área e prevê o conjunto de medidas que devem ser tomadas por diversas instâncias governamentais, municípios e sociedade civil para que possamos controlar o suicídio e conscientizar as pessoas sobre a importância do cuidado com a saúde mental”, comenta Gisele Martins, gerente de Saúde Mental do Estado.

O Plano prevê a implantação de fluxos e protocolos de acolhimento e manejo de pessoas que tentaram ou cometeram suicídio para as redes de Atenção à Saúde (SUS), Educação, Segurança e Socioassistencial (SUAS), para isso o Governo investirá na qualificação dos profissionais dessas redes e demais atores intersetoriais que atuam diretamente na rede de cuidados a esses cidadãos.

Será disponibilizado um sistema de hotline, com atendimento em telemedicina para assistência psiquiátrica pelo SAMU. A assistência será ampliada para todo o Piauí com a implantação de leitos psicossociais nos hospitais gerais de Picos, Floriano, Parnaíba, Oeiras e mais leitos em Teresina.

Campanhas educativas serão realizadas para conscientização da população em geral, dispondo de cartilhas com número de telefone e endereços de toda rede assistencial do Estado, direcionamentos e explicações de como agir em certas situações. As campanhas também visam esclarecer sobre depressão e comportamentos autolesivos, ainda muito estigmatizados pela sociedade.

Seminário Estadual de Prevenção e Posvenção ao Suicídio
O Seminário é voltado para gestores e profissionais de Saúde, Assistência Social, Educação, Justiça e Controle Social. Palestrantes renomados nacionalmente debaterão sobre as temáticas como valorização da vida na prevenção ao suicídio, transtornos mentais, uso de drogas e suicídio das populações LGBT e negra, o comportamento autolesivo no contexto escolar, dentre outros.

Sobre o suicídio
Segundo estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos em todo mundo. O Brasil é o oitavo país em número de suicídios.

O Piauí apresenta uma taxa bruta de mortalidade por suicídio superior à do Brasil e Nordeste no período de 2010 a 2014, caracterizado por uma tendência crescente, ao se fazer uma comparação entre os anos de 2010 e 2014 respectivamente. Em termos de dados absolutos evidencia-se que Teresina é o município com maior número de óbitos por suicídio, seguido pelos municípios de Parnaíba e Picos.

Os fatores de risco para suicídio incluem a doença mental e física, abuso de álcool e drogas, doença crônica, tensão emocional aguda, violência, uma mudança súbita e importante na vida de um indivíduo.

Apesar dos problemas de saúde mental desempenharem um papel que varia nos contextos diferentes, outros fatores, como situação cultural e socioeconômica são particularmente influentes. O impacto do suicídio nos sobreviventes, como cônjuges, pais, filhos, família, amigos, colegas de trabalho e pares que são deixados para trás, é significativo, tanto imediatamente como em longo prazo.

Confira a programação do Seminário:

24 de agosto
7h30 – Credenciamento

8h – Solenidade de abertura com a apresentação do Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio

10h – Palestra Magna

Suicídio como problema de saúde pública no Brasil

Palestrante: Dr.Nelson Goldenstein Psiquiatra - UFRJ / IPUB

11h – Debate

11h10 – Ações da RAPS/PI na prevenção ao suicídio

Palestrantes: Gisele Martins – Psicóloga(Secretaria de Estado da Saúde/PI)

Larissa Andrade – Ministério da Saúde

Krieger Olinda – Psiquiatra/ Diretora Clínica do Hospital Areolino de Abreu

11h50 - Debate

12h às 14h – Intervalo para almoço

14h - A valorização da vida na prevenção do suicídio

Palestrante: Larissa Carvalho - Psicóloga

15h - Debate

15h10 - Monólogo com a atriz Elis Regina

15h30 – Mesa: Transtornos mentais, uso de drogas e suicídio nas populações LGBT e negra

Palestrantes: Cristóvão Madeira – Psiquiatra / Hospital do Mocambinho

Benedito Carlos – Sociólogo - UFPI

Vitor Koslowsk - Coordenação do Centro de Referência LGBT “Raimundo Pereira -Diretoria de Direitos Humanos - SASC

Assunção Aguiar - Coordenação de Igualdade Racial-Diretoria de Direitos Humanos-SASC

16h30 – Debate

25 de agosto
8h – Apresentação cultural: Weverton Santos

8h20 – Palestra: O comportamento autolesivo no contexto escolar

Palestrante: Daniel Feitosa dos Santos – Psicólogo no Programa de Valorização da Vida e Prevenção do suicídio - PróVida, da Fundação Hospitalar de Teresina/PI. Compõe o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio

9h10 – Debate

9h30 – O papel da mídia e os efeitos frente ao suicídio

Palestrantes: Nelson Goldenstein – Psiquiatra - UFRJ / IPUB

Graciene Nazareno - Jornalista/Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Saúde

Washington Moura Filho - Jornalista

10h20 - Debate

10h30 – Apresentação cultural

10h50 – Avaliação e intervenção em crise

Palestrantes: Thátila Brito – Psicóloga / Vice-Presidente do Centro Débora Mesquita

Ralph Webester – Psiquiatra / Diretor geral do Hospital Areolino de Abreu

11h40 - Debate

12h às 14h – Intervalo para almoço

14h – Posvenção do suicídio

Palestrante: Ms. Carlos Aragão – Psicólogo/Doutorando UNB

14h50 - Debate

15h – Resiliência e bem-estar pleno à luz da Biopsicologia

Palestrante: Soraya Pessoa – Psicóloga/ Coordenadora da ONG Visão Futuro – Consciência Corporal e qualidade de vida.

15h40 - Debate

18h – Encerramento

sábado, 12 de agosto de 2017

Posvenção e sobreviventes do suicídio: prevenção para se impedir a imitação

Apoio para quem fica

Esse é o conceito de posvenção, a prevenção para futuras gerações. São grupos que assistem os 'sobreviventes' do luto por suicídio (pais, filhos, irmãos, familiares, amigos, colegas)

12.08.2017 - Giovanna Sampaio

 Raiva, culpa e luto são alguns dos sentimentos ambivalentes em relação ao ente querido que faleceu de suicídio. É importante aceitá-los como naturais, conversar e apoiar familiares e amigos, além de buscar atendimento médico e/ou psicológico, quando necessário. Estudos indicam que cada caso de suicídio exerce um sério impacto na vida de pelo menos seis pessoas de forma direta.

Para esses 'sobreviventes' o luto é mais sofrido, uma vez que muitos familiares e a rede de amigos costumam ser julgados erroneamente. A sociedade tende a apontá-los como culpados por não terem percebido sinais e mudanças no comportamento de quem se desapegou da vida.

A conscientização sobre a necessidade de se falar mais sobre o tema é evidenciada em setembro quando é comemorado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O mês também foi escolhido para a Campanha Setembro Amarelo, resultado da parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina.

A ABP possui uma cartilha voltada para profissionais de saúde que fala do tratamento preventivo ao suicídio também para os sobreviventes, lançada em parceria com o CFM em 2014. "Inicialmente, foi feita para 450 mil médicos, mas devido à alta procura pelo tema, o PDF da publicação é disponibilizado no site ABP", explica o médico psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, ex-presidente da ABP e membro da Comissão Nacional do Setembro Amarelo.

Refletir é preciso

É importante proporcionar às crianças e jovens a oportunidade de desenvolverem habilidades emocionais. Abordar o tema 'morte/finitude' e discuti-lo fora de situação real é uma delas. Isso pode dar a eles a compreensão mais ampla.

"Podemos explicar para crianças pequenas que o suicídio é como estar na estrada dirigindo e baixar um nevoeiro - tão forte que a pessoa perde a visão do caminho, pega uma estrada errada e cai num precipício. Não foi escolha dela, muito menos de quem estava no carro com ela. Mas foi uma fatalidade porque ela não percebeu que precisava de ajuda. Promover esse tipo de reflexão ajuda a criança a ter uma base conceitual impessoal nos momentos difíceis", justifica Tânia Paris, da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEC).

Quando a situação já existiu, a família pode acolher e explicar que a pessoa estava doente e sofrendo muito. Não conseguiu sentir-se melhor nem acreditar que um dia isso iria passar. "Mas é possível que o sobrevivente precise de apoio psicológico para superar", explica.

Entre 'iguais'

Atualmente, o Centro de Valorização da Vida (CVV) conta com 13 Grupos de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GASS) em funcionamento nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Brasília. Estão previstos ainda para este ano novos grupos no Pará, Pernambuco e Roraima. Apesar de poder ocorrer com qualquer pessoa, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas.

Os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio entre esses 'iguais' buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido.

Além da CVV, o atendimento pode ser feito por outras organizações (casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs). É exigido o cumprimento do modelo (periodicidade nos encontros, a gratuidade e a supervisão de um psiquiatra ou psicólogo).
Fique por dentro

Habilidades emocionais para jovens e crianças

Por mais impactante que seja uma situação de perda, é importante que crianças e jovens tenham a oportunidade de compreender o que aconteceu e falar sobre seus sentimentos para minimizar a tendência de atribuir a culpa a si mesmos, para que possam elaborar o luto. Crianças muito pequenas, muitas vezes, nem sequer entendem a morte como um evento inevitável da vida e podem se traumatizar mesmo com as que tiveram causas naturais.

"A atenção é fundamental. Não diria 'redobrada', porque cada um lida com seu luto a partir dos recursos que possui. Se antes do ocorrido a criança ou jovem teve oportunidade de desenvolver habilidades emocionais, sua resiliência pode até vir a ser maior que a de um adulto", pondera Tânia Paris, fundadora da Associação pela Saúde Emocional das Crianças, entidade sem fins econômicos, que desenvolveu o projeto 'Amigos do Zippy, presente em mais de 30 países. "Todos merecem atenção, acolhimento, carinho e apoio nessa fase", diz.

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/vida/apoio-para-quem-fica-1.1802509