sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Convite à formação de novos voluntários em Campo Grande-MS

O GAV (Grupo Amor Vida) está em busca de voluntários para socorrer quem está prestes a tirar a própria vida

Quando o telefone toca no GAV, do outro lado da linha existe alguém que sofre ou tenta acabar com uma dor silenciosa, muitas vezes desconhecida pelos amigos e a família. Voluntários ouvem e passam até duas horas conversando com a mesma pessoa. O serviço não oferece atendimento médico ou acompanhamento em grupo, mas ouvidos acolhedores que ajudam refletir sobre a vida e desarmar o gatilho do suicídio.

"É o trabalho de ouvir o outro como um ser humano. Quando a pessoa compartilha uma dor o sofrimento diminui. É como se você levantasse a válvula de uma panela pressão. Isso fortalece as pessoas porquê boa parte dos casos de suicídio estão relacionamento com a rejeição e os medos da rejeição. Quando você aceita o outro incondicionalmente, isso fortalece e, quando alguém ouve nossos problemas, a gente consegue raciocinar melhor", explica o presidente Gerson Mardine Fraulob, voluntário do GAV desde 2011.

A grupo funciona em Campo Grande há 18 anos e já atendeu cerca de 2,5 mil ligações por mês. Atualmente, as ligações diminuíram porque a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cancelou o número 141, em que a ligação era gratuita. O atendimento resiste pelo telefone (67) 3383-4112, mas o presidente garante que em breve dois celulares vão contribuir com os atendimentos. "Estamos nos preparando para recuperar os atendimentos instalando números de duas operadoras. Assim, teremos telefone fixo e celulares para ajudar quem precisa", diz Gerson.

O grupo tem 40 voluntários, mas seria necessário dobrar o número de pessoas para conseguir atender 24 horas. "Hoje, atendemos apenas das 7h às 23h. Queremos ampliar o atendimento porque esse é um trabalho realizado no mundo todo. As pessoas ligam e conversam à vontade. Ajudar o outro é gratificante e o serviço pode ser feito por qualquer pessoa".

Seja um voluntário - Para fazer parte do grupo é necessário ter no mínimo 18 anos e fazer um curso de formação que começa no próximo dia 2 de fevereiro [de 2019]. Não é preciso formação profissional, apenas sensibilidade explica o presidente. "Tem que estar disposta a ouvir e em relativo equilíbrio para aceitar o outro incondicionalmente".

Para mais informações: (67) 3383-4112 ou neste link

Fonte: www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/por-telefone-como-evitar-que-um-desconhecido-mude-de-ideia-sobre-a-vida

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Suicídio x câncer

"É no primeiro ano a seguir ao diagnóstico de cancro [câncer] que as pessoas se suicidam mais"

O risco de suicídio aumenta um ano após o diagnóstico de cancro, segundo revela um estudo norte-americano publicado na revista CANCER, da Sociedade Americana de Cancro

Vanda Marques (14 jan 2019)

O risco de suicidio é duas vezes superior em doentes com cancro [câncer] do que a população em geral, revela a psiquiatra Lúcia Monteiro. Por isso, os resultados de um estudo, publicado na revista da American Cancer Society, a Cancer, que revela que os pensamentos suicidas aumentam após o primeiro ano do diagnóstico de cancro, não é surpresa para os especialistas. A investigação indica ainda que é determinante avaliar este risco nos doentes recentemente diagnosticados.

As conclusões baseiam-se numa análise de 4.671 989 doentes e concluíram que 1.585 cometeram o suicídio cerca de um ano após a descoberta da doença. Os doentes que correm maior risco são os que sofrem de cancro nos pulmões e no pâncreas. 

A psiquiatra Lúcia Monteiro, da Unidade de Psiquiatria do IPO, concorda com estes resultados e revela que foi criado um grupo de trabalho multidisciplinar com esse objetivo: "avaliar o risco e sobretudo, implementar medidas intrahospitalares de prevenção do suicídio nos nossos doentes." A diretora do Núcleo de Oncologia Psicossocial IPOLFG explica porque é que este fenômeno ocorre e que o acompanhamento dos doentes é fundamental.

É verdade que, ao fim do primeiro ano, é quando os pacientes ficam mais deprimidos e com mais pensamentos suicidas?
 
Todos os estudos nesta área confirmam que o risco de suicídio nos doentes oncológicos é superior ao da população geral, provavelmente duas vezes superior. Se pensarmos que o cancro é a segunda causa de morte por doença no mundo ocidentalizado, o problema torna-se francamente preocupante.

Confirma-se ainda que é durante o primeiro ano a seguir ao diagnóstico de cancro que as pessoas se suicidam mais (o risco é maior). Acreditamos que esta será também a realidade na população portuguesa embora não tenhamos dados objetivos.  A morte por suicídio é muitas vezes omitida pelas famílias e iludida nos registros medico legais e estatísticas da saúde. Estes estudos afiguram-se  particularmente difíceis de replicar no nosso país.

Porque é que os doentes com cancro se suicidam?

Poderemos considerar fatores de risco de 3 naturezas: epidemiológicos, oncológicos, psicossociais. Têm maior risco de suicídio:

- os doentes sexo masculino, 3ª idade (> 65 anos), raça branca, não-casados (solteiros, divorciados, viúvos)

- os doentes com cancro pulmão, estômago, pâncreas e cabeça/pescoço; os doentes em fase avançada ou metastática da doença  (tumores com pior prognóstico e menor taxa de sobrevivência); os doentes com dor persistente e mal controlada (mais frequente na doença avançada)

- a depressão é a principal causa de suicídio na população geral. No doente com cancro reduz  os seus recursos adaptativos e acentua o sofrimento psicológico; afeta a resposta ao a imunidade e a resposta biológica aos tratamentos, mas também a motivação e a adesão ao plano de cuidados. Em consequência ultima, aumenta exponencialmente a desesperança e o risco de suicídio.
Outros fatores psicossociais de risco são o isolamento e deficiente suporte social, os consumo patológico de álcool ou outras substâncias, história de doença mental ou tentativas de suicídio prévias (do doente ou na sua família).

O que é mais importante para prevenir o suicídio nos doentes com cancro?

É fundamental o treino dos profissionais - sobretudo dos médicos - em comunicação, saber dar más noticias. A forma como se dá a notícia do diagnóstico de um cancro ou se explica o que há a fazer na fase avançada de doença, condiciona decisivamente o estado emocional do doente, as suas expectativas para o futuro e o seu empenho em continuar a viver.

Importante informar o doente e a família sobre o tipo de cancro e o seu prognóstico, o plano de tratamentos e as suas sequelas, ajudar a pessoa a ter expectativas realistas e adaptar-se a uma nova realidade de doença crónica (e não imediatamente mortal e dolorosa).

Reforçar a disponibilidade da equipe e a abertura para estratégias terapêuticas alternativas e personalizadas – a pessoa sentir-se-á acompanhada e protegida mas mantendo a autonomia e a dignidade.

Importante evitar que problemas transitórios de adaptação à doença evoluam para síndromes psiquiátricos graves ou situações sociais de maior risco.

Se nas consultas iniciais o doente apresentar stress elevado, insônia, ansiedade antecipatória, desânimo e pessimismo , problemas familiares ou dificuldades sociais deverá ser de imediato referenciado para acompanhamento psicossocial específico – consulta de psicologia ou psiquiatra e/ou avaliação social.

A depressão major e a ideação suicidária são situações de urgência em oncologia.

As equipas oncológicas – médicos, enfermeiros, terapeutas – devem estar sensibilizados para a perigosa associação cancro e depressão, saber comunicar com o doente deprimido e detetar sintomas depressão e ansiedade patológica; de imediato referenciar este doente ao médico psiquiatra de ligação/ psicooncologista).

Na crise suicidária são mandatórias a vigilância clínica do doente, o claro aviso à família e cuidadores, a intervenção psicossocial imediata e enérgica com tratamento antidepressivo e ansiolítico, psicoterapia breve e focada, avaliação do suporte social e comunitário; se necessário, internamento hospitalar protetor.

No IPO Lisboa criámos recentemente um grupo de trabalho multidisciplinar/task force com a missão de avaliar o risco e sobretudo, implementar medidas intra-hospitalares de prevenção do suicídio nos nossos doentes.

NOTA: fizemos a adaptação do presente artigo jornalístico ao português do Brasil para facilitar a leitura

Fonte: https://www.sabado.pt/vida/detalhe/o-primeiro-ano-a-seguir-ao-diagnostico-de-cancro-que-as-pessoas-se-suicidam-mais

Suicídio x armas de fogo

Decreto de armas pode aumentar suicídios no Brasil, temem especialistas

Atualmente, armas de fogo são utilizadas em 8,4% dos casos no país

Luiz Fernando Vianna (14 jan 2019)

De 2007 a 2016, o índice de suicídios registrados no Brasil subiu 18%. Foram 11.433 casos em 2016 – os dados dos últimos dois anos ainda não foram divulgados. O Ministério da Saúde estima uma subnotificação de 20%, pois nem sempre há como assegurar que a pessoa provocou a própria morte.

A facilitação da posse de armas de fogo, tema do decreto que o presidente Jair Bolsonaro assinará nesta semana, pode ser um ingrediente a mais no aumento dos suicídios no país.

“Eu acho que é grande a possibilidade de haver mais casos”, afirma a psicóloga Karen Scavacini, do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, de São Paulo. “Como o suicídio costuma ser um ato impulsivo, o método estando à mão contribui. E é um método mais letal, a capacidade de sobreviver é menor e, quando a pessoa sobrevive, as sequelas são mais graves.”

O psiquiatra Neury Bortega, autor de livros e programas sobre prevenção de suicídio, não tem a mesma impressão.

“Não podemos afirmar categoricamente que vá aumentar o número de suicídios”, diz. “O método muda de cultura a cultura. No Brasil, não é tão comum o suicídio por armas de fogo. O impacto maior [da facilitação] deverá ser sobre os homicídios e sobre as matanças, como as que ocorrem em outros países.”

Cerca de 800 mil pessoas se matam todos os anos no mundo – uma a cada 40 segundos. Nos Estados Unidos, são 22 mil, sendo quase mil crianças e adolescentes, de acordo com dados dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças, agência do Departamento de Saúde. Armas de fogo são usadas em metade dos suicídios. No Brasil, essa taxa está em 8,4%.

Como é fácil adquirir armas legalmente na maioria dos estados americanos, há o temor de que o decreto de Bolsonaro impulsione aqui o método de suicídio mais adotado nos EUA.

O escritor americano Andrew Solomon é autor do best-seller sobre depressão O demônio do meio-dia. Em livro recém-lançado no Brasil, Um crime da solidão – Reflexões sobre o suicídio , ele afirma que “o suicídio é, com frequência, um ato impulsivo e, se os meios não estiverem à mão, o impulso passa e as pessoas vão em frente e vivem bem”.

Solomon defende restrições à posse de armas. “Quem precisa procurar por uma arma em geral acaba tendo tempo para refletir melhor antes de usá-la, ao passo que alguém que pode agarrar uma arma num momento de raiva não dispõe desse tempo.”

Em reportagem de novembro passado, a revista inglesa The Economist mostrou que, de 2000 para cá, a taxa de suicídios no mundo caiu 29%, mas nos EUA subiu 18%. “A medida mais efetiva [para reduzir os suicídios] é limitar o acesso a armas”, defendeu o texto.

Com 15,3 casos por 100 mil habitantes, os EUA estão apenas em 27º lugar no ranking divulgado em 2018 pela World Population Review. O Brasil está em 106º, com 6,5 casos. No topo estão Lituânia (31,9), Rússia (31), Guiana (29,2), Coreia do Sul (26,9) e Bielorrúsia (26,2).

https://epoca.globo.com/decreto-de-armas-pode-aumentar-suicidios-no-brasil-temem-especialistas-23370882

sábado, 12 de janeiro de 2019

Camiseta inspirada na Liga da Justiça para campanha de prevenção do suicídio

Liga da Justiça | Snyder lança camiseta para campanha de prevenção do suicídio

Campanha foi iniciada por fãs

Julia Sabbaga (11 jan 2019)

Zack Snyder revelou no Twitter uma camiseta inspirada em Liga da Justiça, criada para uma campanha de prevenção do suicídio. O item traz os símbolos dos heróis de Liga da Justiça e uma frase de Joseph Campbell na parte de trás: "Todos os deuses, todos os céus, todos os infernos estão dentro de nós".

Na publicação, o diretor explicou: "Minha contribuição à campanha de arrecadação criada por fãs. Todo o dinheiro arrecadado desta camiseta será destinado à Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio".

A filha de Snyder, Autumn, cometeu suicídio aos 20 anos durante a pós-produção de Liga da Justiça.

Joss Whedon assumiu as filmagens de Liga da Justiça depois da saída de Snyder, mas a reação negativa em torno do filme estimulou os rumores em torno da versão original do longa.

Liga da Justiça foi lançado em novembro de 2017. O filme arrecadou cerca de US$ 657 milhões no mundo, enquanto esteve em cartaz.

Fonte:wwww.omelete.com.br/filmes/liga-da-justica-snyder-lanca-camiseta-para-campanha-de-prevencao-do-suicidio

Uma terna história em dois momentos

A SALVAÇÃO

Psicóloga salva rapaz que ameaçou cometer suicídio em ponte de Teresina nesta sexta (19)

Elias Lacerda (19 jan 2018)

A imagem de uma mulher dando os braços em gesto de acolhimento e em seguida um abraço expressam bem o sentimento de gratidão por ter salvo uma vida. Ela é a psicóloga Thais Linhares que teve hoje um dia diferente ao impedir que um jovem se jogasse de uma ponte em Teresina. Emocionada,  a recém-formada em Psicologia conta que passava pelo local e, ao perceber o que estava acontecendo, parou para ajudar.

“Estava passando, vi a situação e procurei colocar em prática as técnicas que aprendi na faculdade. Graças a Deus, tive um bom êxito, pois não é fácil quando uma pessoa está em uma crise de suicida. É muito complicado até a gente conseguir manter a confiança. Graças a Deus, ele conseguiu essa confiança em mim, conseguiu passar a perna e deu tudo certo”, disse emocionada a psicóloga.

O diálogo até conseguir salvar a vida do rapaz durou cerca de 20 minutos. Anteriormente, policiais militares já tinham tentado convencer o jovem a não se jogar da ponte, mas as negociações não avançaram.

O caso, que poderia ter tido um desfecho trágico, ocorreu na manhã desta sexta-feira (19), na Ponte Anselmo Dias, na zona Sudeste de Teresina.

O momento em que o rapaz resolve atravessar a mureta e caminhar em direção à psicológa foi aplaudido por quem acompanhava o resgate. Thais Linhares conta que viu “a necessidade de ajudar” e pretende continuar acompanhando a situação do jovem.

“Foi um desafio porque pela primeira vez eu participei de algo tão chocante. Graças a Deus, tive êxito. Vou tentar acolher da melhor forma possível e encaminhá-lo aos órgãos competentes porque a ética da minha profissão vai para toda a vida”, ensina a psicóloga.

Ajude a salvar vidas

Em Teresina, existem algumas instituições que atuam no apoio emocional e prevenção do suicídio. Uma delas é o Centro de Valorização da Vida (CVV) que atende voluntário e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. Informações sobre o atendimento pelo número 188.
Fonte: https://eliaslacerda.com/destaques/psicologa-salva-rapaz-que-ameacou-cometer-suicidio-em-ponte-de-teresina-nesta-sexta/

O REENCONTRO

Superação: estudante reencontra psicóloga que o salvou há quase um ano
Graciane Sousa (31 dez 2018)

Um novo ano se aproxima, momento de reflexão. Algumas datas desse ano que se despede não serão esquecidas como o 19 de janeiro de 2018. O que você fez neste dia? Provavelmente, a maioria das pessoas não lembra. Mas, foi justamente nesse dia que o destino uniu a psicóloga Thaís Linhares e o estudante Israel Araújo, 17 anos. Não por acaso, desde então, o jovem renasceu para o amor, para a vida, para esperança e para as pessoas quando desistiu de tirar a própria vida se jogando de uma ponte em Teresina. Um abraço mudou a vida do estudante. Quase um ano após o caso que teve repercussão nacional o vínculo entre a psicóloga- que passava pela primeira vez sobre aquela ponte e salvou a vida do garoto- continua e se tornou uma amizade edificada no sentimento de gratidão.

"Todo o fardo que eu carregava caiu naquele dia no rio e eu fiquei de pé. Acredito que tudo aconteceu para que eu pudesse contar minha história e salvar também outras pessoas. Tudo na minha vida mudou: o social, o emocional. O Israel antes do dia 19 de janeiro era uma pessoa enfadada, carregada de problemas, extremamente depressiva, antissocial porque eu não gostava de sair, conversar com as pessoas. Agora, eu me tornei uma pessoa totalmente diferente, resolvi deixar para trás tudo o que aconteceu, no momento em que desisti de me jogar da ponte", conta Israel.

UM ABRAÇO QUE MUDOU A VIDA

As memórias do dia em que os dois foram unidos pelo destino ainda são fortes, mas duas ficaram mais marcantes na cabeça do estudante.

"Ela chegou lá e falou uma única coisa: meu nome é Thaís. Posso te ajudar? Isso, parece tão simples, mas me marcou bastante porque quando se está numa situação dessas [falo por experiência] as pessoas que estão ao redor querem falar dos seus problemas. Mas quem está do outro lado, como eu estava, não está interessado em saber do problema dos outros, quer um alívio. A doutora chegou com uma simplicidade e passou o tempo todo repetindo isso. Percebi que ela era diferente que passava simplicidade, serenidade, amor", relembra o estudante.

Das lições de vida aprendidas, Israel conta que despertou para a necessidade de mais afetividade.

"Quando vi uma foto da gente se abraçando. Nossa! Não tem abraço que se iguale com aquele. Nem um abraço de avó, de mãe, de ninguém. Foi um abraço sobrenatural porque me senti acolhido quando desisti daquela ideia e ela me abraçou. Acho que foi naquele momento que, realmente, comecei  a ver o mundo de outra forma, as pessoas de forma diferente, a entender que as pessoas têm problemas e que precisam falar e pedir ajuda. Nem todo mundo tem essa oportunidade de aparecer alguém que mude sua vida. Um dos momentos mais marcantes foi quando eu passei a perna para o outro lado e abracei a Thaís que chorou junto comigo", conta o jovem.

PROMETEU, CUMPRA!

Além da gratidão, o sentimento de amizade surgiu entre Israel e Thaís. Quase 12 meses após o encontro, a psicóloga ainda mantém contato com o estudante, agora como uma amiga.

"Existe uma coisa que a gente usa muito dentro da Psicologia: prometeu, cumpra. Se eu prometi, vou cumprir. Vou acompanhá-lo até ele dizer, chega! O que existe agora é um vínculo, uma amizade. É tão tal que não posso atendê-lo mais como terapeuta, pois criou um vínculo entre a gente e entre a família dele também. Hoje eu sou uma pessoa para ouví-lo", diz Linhares.

Para a psicóloga, a história de Israel pode ser resumida em uma palavra: SUPERAÇÃO

"Eu vejo ele como uma superação muito grande e um exemplo muito forte para os demais que estão passando por essa situação e podem ver também que existem todas as outras possibilidades. Não é só tirar a vida. Existem outras formas de resolver uma situação e é procurando ajuda, nunca desistindo da vida. A vida é essencial. Não existe um problema grande o suficiente que não possa ser resolvido. Às vezes o que falta é uma orientação, uma pessoa que chegue e diga: não vá por aí não. Existe outro caminho para você seguir", orienta Thaís Linhares.

Sobre o gesto de nobreza, a profissional não esconde que demorou "cair a ficha" e acredita em coincidência do destino e uma "pitadinha de Deus".

"Eu me preparei durante cinco anos na faculdade e na semana da minha formatura me deparei com uma situação extrema. Jamais podia imaginar que isso pudesse acontecer, eu sempre procurei fazer o bem, mas a situação mexeu muito comigo como profissional e como pessoa. De toda forma, só fiz aquilo que qualquer profissional deveria fazer. Quando a gente se forma, faz um juramento que deve ser cumprido. Acredito que foi coincidência do destino eu estar ali naquela hora e que também existiu uma pitadinha de Deus que não conseguimos explicar, que fez com que a gente conseguisse fazer com que ele não desistisse da vida".

FAZER O BEM, NÃO IMPORTA A QUEM

A história em que uma psicóloga teve seu dia de heroína foi importante não só para Thaís e Israel como também para inúmeros desconhecidos. Ela conta que, após a repercussão do caso, além de mensagens de agradecimento, inclusive vindas de fora do país, recebeu inúmeros pedidos de ajuda.

"Foi uma enxurrada de pessoas ligando, me enviando mensagens, dizendo que estavam em crise e queriam minha ajuda. Cheguei até me sentir impotente diante de tantos pedidos. Recebi mensagens até dos Estados Unidos. Tudo isso mexeu muito comigo, mas acho que continuo a mesma como pessoa, de estar sempre ali para ajudar, tentar fazer o bem. As pessoas que passaram a me ver diferente. Provavelmente, a gente conseguiu ajudar outras pessoas, quem sabe alguém desistiu de tirar a própria vida por acreditar que existe o bem, existe o outro. Isso é muito gratificante", disse Thaís que relembra que também recebeu críticas.

"Algumas pessoas criticaram dizendo que a gente combinou, que se conhecia, que fiz para me promover. A maldade também existe e faz parte do ser humano. A gente vive em um mundo onde as pessoas são tão rejeitadas, tão manipuladas, existe tanta injustiça que acreditam que as pessoas não possam fazer o bem. Contudo, esse lado ruim não me incomodou, pois sei o que eu fiz, quais foram minhas intenções, qual era o meu propósito", desabafa.

VIVER VALE A PENA

Prestes a completar 18 anos de idade, Israel - que começou a cursar Relações Humanas e não descarta estudar Psicologia - surpreende com a maturidade de acreditar que pode fazer a diferença e ajudar outras pessoas. Ele segue fazendo acompanhamento psicológico/medicamentoso e diz que "viver vale a pena".

Já a psicóloga [a quem o destino encarregou de salvar uma vida no momento em que ia ao supermercado e passava pela primeira vez naquela ponte] reforça que "não há problemas grandes o suficientes que não possam ser resolvidos". Por fim, Thaís Linhares diz que não existe um motivo para o suicídio e que sempre existem pessoas para fazer o bem.

"O preconceito sempre existiu. Não existe um motivo para o suicídio, mas um aglomerado de situações em que uma única coisa se torna a gota d'água. Não foi uma opção sexual que levou a pessoa a tirar a própria vida. O que existe é uma sociedade que está ali sufocando uma pessoa por conta de escolhas. Há também o lado social, o psicológico e o biológico, por isso as medicações são necessárias para se manter o equilíbrio. As pessoas querem achar um motivo externo que não existe. O organismo que está debilitado. A depressão e a crise suicida são deficiências do organismo.  A terapia com o uso da medicação é sempre o mais indicado. A pessoa que está em uma situação de crise precisa se conhecer para aprender a lidar com a situação e pedir ajudar. A pessoa sempre dá sinais. Não é só o psicólogo que vai ajudar, tem que ter a medicação, a família por perto, o psicólogo, a medicação, a religião, os amigos, a igreja [...] todos têm que estar envolvidos. É preciso unir forças; É preciso mais amor ao próximo", finaliza Thaís Linhares.

Em Teresina existem várias organizações filantrópicas que contribuem com a prevenção do suicídio.
-Centro de Valorização da Vida (CVV) – Telefone: 188

O CVV atua na prevenção do suicídio, prestando apoio emocional, através de uma conversa amiga. O atendimento pode ser feito por telefone, por meio do número gratuito 188, que funciona 24 horas, todos os dias.

-Centro Débora Mesquita (CDM) – Telefone: (86)99827-3343/ 98894-5742

O CDM é uma ONG que tem como objetivo informar a sociedade sobre causas, sintomas e tratamentos disponíveis aos transtornos psíquicos, atuando diretamente na prevenção e posvenção do suicídio.

-Grupo Contato Apoio Contato e Esperança (GRACE) – Telefone: (86)3237-0077/3237-0202

O GRACE atua na prevenção do suicídio, disponibilizando duas linhas telefônicas. O Grupo também atende presencialmente no bairro Vila Bandeirantes II e faz visitas domiciliares.

Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/290209/superacao-estudante-reencontra-psicologa-que-o-salvou-ha-quase-um-ano

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Em favor da prevenção do suicídio: personalidades destacadas em suas áreas de atuação

VHILS

Obra de Vhils sobre fragmento de bairro em demolição rende 30 mil euros

Series #10”, uma obra feita a partir de posters colados uns sobre os outros e nos quais o artista talhou rasgos que, no conjunto, formam um olho humano, estava avaliada num valor entre 6.000 e 8.000 libras (6.750 e 9.000 euros) mas acabou por render 13.750 libras (15,5 mil euros) a favor da Fundação Movember, que faz trabalho na área da saúde mental masculina e prevenção do suicídio.

Alexandre Manuel Dias Farto CvSE (Vhils, como é conhecido na cultura graffiti).

Para ler a matéria completa.

DAVE MARSHALL

Australiano gay vende nudes na web em prol da prevenção do suicídio entre LGBTs

O personal trainer e lutador da Perth, na Austrália, Dave Marshall criou uma conta na OnlyFans para compartilhar um conteúdo pornográfico, porém, com uma proposta solidária. O dinheiro arrecadado vai ser revertido para uma instituição de caridade para prevenção do suicídio de pessoas LGBTs. As informações são do Gay Star News.

A escolha da entidade seria o fato do seu pai ter tirado a sua própria vida no ano passado. “A razão pela qual o dinheiro dos meus OnlyFans vai à Beyond Blue é ver quão grande depressão e ansiedade se tornou na sociedade.”, declarou acrescentando como as doenças mentais são ignoradas.

Para ler a matéria completa.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Ministério Público do Estado do Ceará lança mais uma campanha de prevenção do suicídio

A campanha do projeto "Vidas Preservadas" segue até o Natal, dia 25, com o intuito de valorizar a vida neste período de festas de fim de ano

15/12/2018

A campanha "A Vida é um Presente" compartilha mensagens como "Bom dia" e "Quem me faz sorrir"


O Ministério Público do Ceará (MPCE) deu início nessa sexta-feira 14, a mais uma campanha do projeto Vidas Preservadas, intitulada "A Vida é um Presente", segue até o próximo dia 25, com o intuito de valorizar a vida e conscientizar sobre o suicídio neste período de festas de fim de ano.

A escolha da época para colocar em prática a campanha, se deve a estudos e pesquisas em diversos países que registram o aumento do número de suicídios no período pré-natalino. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), organização não governamental que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio 24 horas por dia, o número de ligações recebidas costuma aumentar em média 15% no mês de dezembro.

“O nome da campanha foi escolhido justamente pelo Natal ser uma época de muitos presentes. Mas sabemos que esta pode ser uma época difícil para muitas pessoas, então nosso intuito é de que estes presentes sejam bons, com sentimentos sinceros”, explica o promotor de Justiça e coordenador da campanha, Hugo Mendonça.

A campanha também disponibiliza opções de templates para compartilhar e marcar outras pessoas

 A campanha utiliza as redes sociais, como o Instagram e Facebook, para compartilhar diariamente, até o dia no Natal, frases que indicam algum “presente”, como o sorriso, a amizade e a companhia de alguém. Os seguidores participam da campanha marcando outras pessoas relacionadas àquela mensagem do dia em seu feed. Já na função stories do Instagram será publicado diariamente um template, que o seguidor deve dar print e postar em seu próprio story, marcando os contatos relacionados às frases do dia.

De acordo com Hugo, há duas finalidades muito claras na campanha “A Vida é um Presente”. “A primeira é fazer com que a sociedade fale da maneira correta sobre suicídio, para que haja uma prevenção. A segunda é fazer com que este público seja fortalecido e que entenda que não estão sozinhos”, explica o coordenador.

Após finalizar a campanha atual, o projeto Vida Preservadas retorna a partir de 31 janeiro com diversas capacitações e oficinas. Em 2018 o projeto percorreu 48 municípios do Estado e em 2019 pretende percorrer mais 60, totalizando pelo menos 100 municípios até o fim do próximo ano.

A campanha "A Vida é um Presente" foi Idealizada pelo Centro de Apoio da Infância e Juventude (Caopij), pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Acidente do Trabalho, Defesa da Cidadania, do Idoso, da Pessoa com Deficiência e da Saúde Pública ( Caocidadania)  e por entidades parceiras, dentre elas, a Rede Cuca.

Fonte: www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2018/12/ministerio-publico-do-ceara-lanca-mais-uma-campanha-de-prevencao-do-su.html