terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Proposta de Semana Nacional de Valorização da Vida no Senado Federal

Segue um extrato da notícia publicada. Fazemos votos para que, em meio a tantos problemas, se consiga fazer passar no Senado esta proposição!


Brasil poderá ter evento nacional destinado à prevenção do suicídio
Tatiana Beltrão 30/05/2017

Começa a tramitar nesta terça-feira (30) no Senado um projeto de lei que institui a Semana Nacional de Valorização da Vida, um evento anual para prevenção ao suicídio. Durante a semana, governos e sociedade deverão promover atividades em todo o país para debater estratégias de conscientização e esclarecer a população sobre questões como o que pode levar alguém a tirar a própria vida, quais os possíveis sinais de alerta e onde procurar ajuda. O evento deverá ser realizado na semana do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O projeto, do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é uma resposta a uma preocupação antiga de entidades médicas. O suicídio é um grave problema de saúde pública. Faz mais vítimas do que a guerra e os homicídios, somados. É a segunda causa de morte de jovens no mundo. Mata mais do que o HIV. E apesar dessa gravidade, ainda é um tabu, cercado de preconceitos e do qual pouco se fala.

Garibaldi relata que decidiu apresentar o projeto após ser procurado por integrantes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que expuseram a ele a importância de combater o estigma em torno do suicídio e também da doença mental. Por isso, outro foco da Semana de Valorização da Vida será mobilizar a sociedade contra o preconceito em relação a essas doenças, que estão diretamente relacionadas ao risco de morte autoinfligida.

https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/brasil-podera-ter-evento-nacional-destinado-a-prevencao-do-suicidio

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

sábado, 27 de maio de 2017

Ações permanentes de prevenção do suicídio no Piauí

 O Piauí é, sem dúvida, um dos estados em que a prevenção do suicídio tem uma atenção permanente por parte das autoridades.

Mais uma notícia auspiciosa.

Profissionais da Sasc recebem capacitação em palestra sobre abordagem e prevenção do suicídio
Dentre os pontos abordados, foi mostrado que uma das formas de prevenção é falar abertamente sobre o assunto
Nahiza Monteles

Com foco na capacitação de profissionais da área de assistência social e cidadania para atuar na prevenção do suicídio, a Sasc [
Secretaria Estadual da Assistência Social] promoveu, nesta quarta-feira(24), no auditório do órgão, a palestra “Falando abertamente sobre o suicídio”, que foi proferida pela psicóloga e membro do Grupo de Trabalho e Prevenção do Suicídio do Estado do Piauí, Thatila Brito.

A saúde mental, definições de termos, esclarecimento sobre a abordagem e entendimento sobre contexto e prevenção foram alguns dos pontos explanados na palestra, que mostrou aos participantes que é recomendado que se fale sobre o tema. “Uma das grandes formas de prevenção é falar sobre o assunto. Podemos e devemos falar sobre suicídio, claro, seguindo todas as recomendações indicadas pelo Ministério da Saúde”, ressaltou Tathila Brito.

 “E uma oportunidade como essa palestra na Sasc se faz necessária também no sentido de capacitar e fornecer subsídios básicos para que os profissionais possam instrumentalizar, em suas áreas, sobre como tratar do assunto e formas de prevenção do suicídio”, afirmou a palestrante.

Os dados em torno do suicídio têm sido cada vez mais alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que todos os anos há cerca de um milhão de casos de suicídio em todo o mundo, sendo que cada um deles tem um sério impacto na vida de pelo menos 6 pessoas. Somente no Brasil, são registados cerca de 31 casos de suicídio por dia. Dentro desse dado nacional, a cidade de Teresina figura sempre entre os primeiros lugares nos altos números registrados.

Para a psicóloga e coordenadora na Diretoria de Proteção Social Básica, Laiana Ibiapina, a realização da palestra é crucial para desmitificar o tema, para saber falar sobre o assunto e ajudar a reduzir os números de casos. “Além de políticas públicas, é de suma importância que palestras dessa natureza sejam realizadas para fortalecer essa discussão, ainda mais numa cidade como Teresina, que apresenta altos índices de casos de suicídio. A sociedade precisa debater e saber as causas para que haja prevenção”, declarou Laiana.

A importância de participar do evento também foi ressaltada pela professora do Centro Educacional de Internação Provisória, Francisca Célia Silva, que destacou a oportunidade de se capacitar em sua atuação profissional “Como agentes sociais, é necessário estarmos por dentro de todos os fatores do tema em questão. Quanto mais esclarecimento, mais podemos ajudar as pessoas com quem lidamos diariamente”, frisou Célia.


Fonte: http://www.pi.gov.br/materia/sasc/profissionais-da-sasc-recebem-capacitacao-em-palestra-sobre-abordagem-e-prevencao-do-suicidio-1139.html
 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Conversar, serenamente, é preciso! Rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio

No Recife, rodas de conversa abordam depressão, prevenção do suicídio e valorização da vida
Quem participou, na manhã deste sábado (20), da Ação Social do Sítio Trindade, em Casa Amarela (Zona Norte do Recife), teve a oportunidade de participar de rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio. As orientações foram repassadas pela psicóloga Kátia Arruda, coordenadora de Saúde Mental do Distrito Sanitário III do Recife. “Percebemos que, pelas ocorrências de tentativas de suicídio relacionados ao jogo Baleia Azul, as pessoas estão apavoradas. Por isso, acreditamos que conversar sobre o assunto é a melhor forma de orientar e tranquilizar a população”, diz Kátia.

O próximo encontro com rodas de conversas sobre depressão e prevenção do suicídio, organizado pelo Distrito Sanitário III do Recife, será realizado na próxima quinta-feira (25), na Academia da Cidade do Parque da Jaqueira, Zona Norte da cidade. O objetivo é chamar a atenção para o tema e simbolizar o compromisso com a vida. “Alertamos sempre sobre a importância de as pessoas estarem atentas a possíveis mudanças de comportamento de parentes e amigos. São alterações que podem ocorrer em qualquer faixa etária.”


A existência de um transtorno mental é considerada um fator de risco para o suicídio. Entre os distúrbios psiquiátricos mais comumente associados às tentativas, estão depressão, transtorno do humor bipolar, esquizofrenia, dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.

A psicóloga destaca que, na infância, a queda no rendimento escolar pode ser um alerta de que a criança precisa de apoio. “Entre os adolescentes, o isolamento preocupa. Já irritabilidade, problemas relacionados ao sono e à alimentação, apatia e abuso da bebida alcoólica podem evidenciar ocorrência de transtornos mentais entre os adultos”, completa Kátia.

Ação Social

A Ação Social no Sítio Trindade (realizada pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife) serviu como um momento de interação com os moradores de comunidades da Zona Norte. O público contou com serviços gratuitos de saúde, educação, cidadania e lazer. A próxima Ação Social no Sítio Trindade acontecerá no dia 29 de julho.

Publicado por Cinthya Leite em Blog - 20/05/2017 às 13:24
Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/05/20/no-recife-rodas-de-conversa-abordam-depressao-prevencao-do-suicidio-e-valorizacao-da-vida/

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CVV em processo de instalação em Manaus

Ações de prevenção podem evitar até 90% dos casos de suicídios, que têm crescido no AM
Voluntários

Silane Souza - Manaus (AM)

Pelo menos 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Visando essa assistência, um grupo de voluntários quer trazer para Manaus o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua nesse sentido há mais de 50 anos. Um dos objetivos é reduzir o índice de suicídios da capital amazonense que é a nona entre as capitais brasileiras em número de casos.

As negociações para a instalação do CVV são avaliadas pelos coordenadores nacionais em parceria com entidades locais. O coordenador de expansão da instituição, João Régis, chegou ontem à tarde a Manaus justamente para cuidar dessas parcerias e realizar palestras acerca da entidade e do trabalho realizado por ela. Ele ficará na cidade até sábado, participando de encontros com representantes de órgãos públicos e rodas de conversa com profissionais do serviço de saúde e estudantes universitários.

De acordo com a psicóloga Aline Félix, a primeira medida preventiva contra o suicídio é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema para que todos possam ajudar. “Sabemos que o número de suicídios tem aumentado muito e, em Manaus, percebemos a necessidade de haver um centro como o CVV, pois ele traz a proposta de prevenir suicídio e preservar a vida por meio de atendimentos voluntários”, explicou.

O Centro de Valorização da Vida atua há 55 anos na valorização da vida e prevenção do suicídio, tendo inclusive o reconhecimento do Ministério da Saúde para tratar dos temas relacionados à prevenção do suicídio. São 76 postos no Brasil com mais de 2,2 mil voluntários treinados e capacitados para oferecer o apoio emocional. Os atendimentos são feitos 24h por dia por telefone (141 disque nacional), pessoalmente, por correspondência, chat, voip ou e-mail, encontrados no site www.cvv.org.br.

Aline ressaltou que, antes de uma pessoa tentar suicídio ela apresenta vários sinais: isolamento, tristeza ou agressividade, entre outros, e todos precisam ficar atentos a qualquer mudança de comportamento para poder ajudar. “Por isso a importância do compartilhamento de informações e a constituição desse espaço para saúde mental. Às vezes, a família não sabe quais são esses sinais e acredita que é besteira, quando a pessoa está precisando de ajuda”, observou.

Casos registrados no Amazonas cresceram 49% em 2015

Em 2015, 121 pessoas tiraram a própria vida, no Amazonas, de acordo com o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em novembro do ano passado.  Um crescimento de 49,3% em relação a 2014, quando 81 casos de suicídio haviam sido registrados no Estado. Com este indicador, o Amazonas figura na 15ª posição com o maior número de mortes por suicídio no Brasil.

Já Manaus é a nona entre as capitais do País em casos de suicídio, segundo dados apresentados em setembro de 2016 pela Associação Amazonense de Psiquiatria (AAP). Há, em média, na capital amazonense, oito suicídios a cada 100 mil homens e dois a cada 100 mil mulheres. Os números são considerados defasados pela APP em razão da subnotificação de casos, ou seja, muitos não são registrados.

Os indicadores apontaram que 96% das pessoas que cometeram suicídio sofriam de algum transtorno mental, sendo os principais os transtornos de humor (35%), como depressão e bipolaridade; transtornos por uso de álcool e outras drogas (22%); transtornos de personalidade (11,6%), como psicopatias e síndrome de boder

‘Saúde mental é um dever  de todos’

O cuidado com portadores de transtornos mentais é tarefa de toda a sociedade, por isso sua discussão não pode se restringir aos muros dos órgãos de saúde. Esse é o posicionamento que a Rede de Atenção Psicossocial do Amazonas (RAPs) vai defender no 1º Simpósio Intersetorial “Para além dos muros institucionais: trabalhando as minorias”.

O evento será realizado hoje, às 8h, no auditório João Bosco Ramos de Lima, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), na avenida Mário Ypiranga, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul.

“A rede precisa articular outros serviços e outros setores. É preciso trabalhar com movimento social, outras secretarias. Não adianta a gente falar da Luta Antimanicomial, enquanto outros segmentos ainda acham que tem que ter hospício”, comenta Luciana Diederich, coordenadora da RAPs.

Para ela, não adianta fechar hospícios sem mudar a forma de enxergar a loucura. E o desafio que está posto é pensar outras formas de vivência para portadores de transtornos mentais que não seja o isolamento social. E o primeiro a superar esse desafio é o próprio poder público, defende a psicóloga.

“Se a gente não fala sobre outras formas de viver sem ser o isolamento social, outras instituições que vão substituir os manicômios vão reproduzir as mesmas práticas. Por isso a gente precisa do envolvimento de mais atores nesse tema”, declara Luciana.

O simpósio será realizado um dia antes do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o 18 de maio. A Luta Antimanicomial é um movimento que defende mudanças nos parâmetros éticos e técnicos no atendimento aos portadores de sofrimento emocional grave. O processo é também conhecido como “Reforma Psiquiátrica” e teve início no final da década de 1980.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/conscientizar-para-prevenir-os-suicidios

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os jovens são o nosso presente...


Portas para a realidade…

Fernando Barroso

As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?

1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.

28 – Não fale com ninguém o dia todo.

50 – Tire a sua própria vida.

QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?

O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.

A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”

O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.

UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.

Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.

OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.

São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).

Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.

Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.

Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade