quinta-feira, 16 de março de 2017

Centro de prevenção ao suicídio abre seleção para novos voluntários no AP

CVV vai começar etapas no dia 26 de março, na sede do Ijoma, em Macapá. 18 voluntários atuam no centro; mínimo necessário é de 35 voluntários.


O Centro de Valorização da Vida (CVV) vai iniciar uma seleção de novos voluntários para o serviço, que presta atendimento gratuito de apoio emocional por telefone a pessoas que querem e precisam conversar. O processo começa no dia 26 de março, a partir das 8h, na sede do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), no bairro Alvorada, Zona Oeste de Macapá.

A seleção pretende aumentar o número de voluntários que atuam na prevenção do suicídio. Atualmente, 18 realizam o trabalho divididos em plantões. Segundo a instituição, o mínimo necessário para o pleno funcionamento do serviço é de 35 voluntários.

Para ser voluntário basta ter idade acima de 18 anos e ter vontade de ajudar as pessoas com apoio emocional aos que procuram o CVV através do telefone 141. Os candidatos vão poder conhecer o trabalho da instituição, assim como já receberão orientações sobre o atendimento diferenciado que o centro promove.

“O interessado precisa passar por esse treinamento para desenvolver essa habilidade de conversar com as pessoas que procuram o CVV, de forma não diretiva, sem julgamentos, de forma compreensiva e respeitosa. O CVV funciona dessa forma há 55 anos no Brasil”, comentou Celiana Waldeck, porta-voz da instituição em Macapá.

O trabalho voluntário consiste em quatro horas e meia por semana em períodos definidos pelo próprio selecionado. Não existe um número fechado de voluntários a serem selecionados, eles serão incluídos ao longo do processo nos turnos diurnos e noturnos.

O interessado pode fazer a inscrição na hora da seleção ou no e-mail macapa@cvv.org.br. Segundo Celiana, haverá outros encontros após o dia 26 de março.

Serviço
Programa de Seleção de Voluntários
Dia: 26 de março (domingo)
Local: Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma) - Avenida Dr. Silas Salgado, número 3586, bairro Alvorada
Hora: das 8h às 12h e das 14h às 18h
Inscrições: no dia do evento ou pelo email macapa@cvv.org.br  

domingo, 12 de março de 2017

Acordo com Ministério da Saúde torna ligações para centro de apoio à prevenção do suicídio gratuitas

Pessoas que sofrem de depressão poderão conversar com voluntários e receber conselhos

O Ministério da Saúde e o CVV (Centro de Valorização à Vida) assinaram hoje (10), na capital paulista, um acordo de cooperação técnica que permitirá o acesso gratuito ao serviço prestado pelo número de telefone 188. Por meio desse número, pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou aquelas que estão correndo risco de cometerem suicídio conversam com voluntários da instituição e são aconselhados. Antes, o serviço era cobrado e prestado por meio do 141.

Com o acordo, o CVV vai alterar ou implantar o 188 em todos os estados brasileiros até abril de 2020. Entretanto, o 141 continuará sendo usado até que a implantação esteja completa, de acordo com anúncio feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O trabalho dos 2.000 voluntários que dedicam seu tempo na instituição é muito importante. É um voluntariado muito efetivo, com resultados muito positivos. O Ministério da Saúde vai continuar apoiando o CVV para que possa ampliar de forma significativa o acesso de pessoas a esse apoio emocional em momentos de angústias.

A ligação gratuita para o CVV começou a ser implantada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde, há quatro anos, após o incêndio da boate Kiss, no qual 242 jovens morreram.

O CVV existe há 55 anos e tem mais de 2.000 voluntários atuando na prevenção ao suicídio. Os únicos estados onde não há postos de atendimento são Roraima, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Rondônia. A assistência também é prestada pessoalmente, por e-mail ou chat.
O Brasil está entre os 28 países, de 160 analisados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que têm estratégias para prevenção ao suicídio.

No país foram registrados no Sistema de Informação de Mortalidade em 2014, 10.653 óbitos por suicídio, o que corresponde à taxa média de 5,2 por 100 mil habitantes. O índice de suicídios entre os homens (8,8) foi quatro vezes maior do que entre as mulheres (2,2). A faixa com maior incidência é a de 30 a 39 anos para os dois sexos. A meta global da OMS é reduzir as taxas em 10% até 2020.

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/acordo-com-ministerio-da-saude-torna-ligacoes-para-centro-de-apoio-a-prevencao-do-suicidio-gratuitas-10032017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sorocabanos produzem filmes sobre o suicídio para lançar em setembro


O suicídio avança silenciosamente no Brasil como uma das principais causas de mortes em todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens. E é sobre ele que o projeto Ouvidos calados se debruça. A ideia é sensibilizar o público sobre a importância de dar voz aos seus sentimentos e conscientizar para o conhecimento dos sintomas que podem levar a esta atitude desesperada. Para isso, serão produzidos dois filmes de curta-metragem: um documentário e uma ficção. O projeto reúne reconhecidos profissionais do cinema, fotografia e jornalismo de Sorocaba e conta com o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc), edital 2016. No momento os produtores buscam depoentes.

Conforme a jornalista e produtora cultural Janaina Caldeira, podem participar familiares de vítimas, amigos e pessoas que já pensaram em cometer suicídio, que queiram falar e ajudar na conscientização sobre o tema. Os interessados devem entrar em contato com Janaina pelo e-mail ouvidoscalados@gmail.com ou pela página Ouvidos calados, no facebook. "Nós ouviremos os depoentes e faremos a seleção daqueles que participarão do documentário. A intenção é buscar histórias verídicas com o intuito de ajudar a explorar o tema sempre com a finalidade da conscientização", explica Janaina.

Os filmes abordarão o tema com uma linguagem poética, conteúdo e informação. A ficção, com direção de Ricardo Camargo, traz uma história de luto para ilustrar as emoções que o suicídio gera na família. O filme mostrará a dor de uma mãe momentos antes do enterro do filho que tirou a própria vida. O roteiro, também de Ricardo Camargo, é inspirado num conto do músico Rolando Boldrin.

Atrás das câmeras estão o editor e diretor de cinema e vídeo Mauro Baptistella; o diretor de cinema e fotografia Ricardo Camargo; o diretor de fotografia Chores Rodrigues; e o produtor de cinema e vídeo Lucas Zalla, proponente do projeto.

Ouvidos calados ainda conta com participação da cantora e compositora Paula Cavalciuk, responsável pela música original; dos músicos Ítalo Ribeiro Bernardo e Válter Silva, que farão a trilha sonora do documentário e da ficção, respectivamente; da atriz Merlin Kern Sarubo, como personagem principal do curta de ficção; da preparadora de elenco Tatiana Vilela Zalla; do ilustrador Marcel Bartholo; e da estudante de cinema Giulia Baptistella Pissini.

Para o documentário serão captados ainda depoimentos e entrevistas de profissionais, como o psicanalista Ricardo Dih Ribeiro e da psicóloga Mariangela Moron Marques, além de voluntários do Centro de Valorização à Vida (CVV).

Além dos filmes, o projeto resultará em rodas de conversa com jovens nos oito Territórios Jovens da cidade, com a participação de toda equipe, depoentes e entrevistados para falar dos perigos da individualização e o não compartilhamento de suas emoções.

A previsão de lançamento é a segunda quinzena de setembro, mês em que é realizada a campanha Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/766217/sorocabanos-produzem-filmes-sobre-o-suicidio-para-lancar-em-setembro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO CVV

Suicídio: há algo estranho em nós?

Não é fácil assumir o papel de protagonista quando vemos um assunto como tabu. Nesse caso, no entanto, é urgente romper o silêncio, conversar e aceitar o fato de que sabemos muito pouco

Por Robert Gellert Paris Junior*

O PAÍS FOI SURPREENDIDO COM UM SUICÍDIO TRANSMITIDO AO VIVO PELAS MÍDIAS SOCIAIS HÁ DUAS SEMANAS. Não foi o primeiro caso em que um suicídio se tornou espetáculo e, com o avanço das tecnologias de comunicação, situações como essa podem virar rotina.

O suicídio é um problema mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. É uma das questões universais do ser humano que mata pelo menos uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos.

Sim. A maioria das pessoas se espanta na primeira vez que toma conhecimento desses índices, pois é muito mais gente do que imaginávamos; mas o lado positivo é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Muitos são portadores de doenças mentais e não têm condições de acesso a profissionais especializados; outros tantos têm uma crise e ninguém com quem contar. Com ajuda a maioria estaria viva.

Um estudo da Universidade de Campinas aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. Transformado em algo mais tangível pode-se dizer que são sete alunos em uma sala de aula, 35 passageiros em um avião e quase 12.000 torcedores num estádio da Copa do Mundo.

O Brasil ocupa o triste oitavo lugar no mundo em números absolutos de mortes por suicídio.

Existem algumas iniciativas públicas para tentar reduzir essa estatística, como o recente debate na Câmara dos Deputados para a formação de um grupo de trabalho para revisão das políticas públicas de prevenção do suicídio e a criação pelo Ministério da Saúde de um número para ligação gratuita, o“188”, com a finalidade de oferecer apoio emocional de emergência para prevenção do suicídio. Atualmente em operação exclusivamente no Rio Grande do Sul como fase piloto, o 188 deve ser expandido futuramente às demais regiões do país.

Ainda é pouco. Quando o assunto é prevenção de suicídio, ainda engatinhamos, pois o problema requer o envolvimento de todos.

Sim, isso diz respeito à toda a sociedade, e não somente às autoridades, pois é comum que se fuja ou se mude de assunto quando algum amigo nos procura para desabafar ou mesmo quando nossos filhos comentam em casa sobre um colega que tentou tirar a própria vida. Essas são oportunidades de melhorar a eficácia do círculo de relacionamento dos que precisam.

Não é fácil assumir nossos papéis de protagonistas quando vemos o assunto como um tabu. É urgente romper o silêncio em torno do suicídio, conversar sobre o assunto, aceitar o fato de que sabemos muito pouco a respeito, de que todos estamos suscetíveis e que existe prevenção. Estimular as faculdades de saúde a tratarem do tema em sala de aula, implantar programas confiáveis de desenvolvimento de habilidades sócioemocionais desde a infância, incluindo capacitar os professores a prestarem atenção aos sinais de seus alunos e oferecerem ajuda. Estimular as empresas a inserirem o tema em SIPATs e os pais a não se furtarem de conversar abertamente sobre a questão.

A cada novo fato “espetacular”, surgem novos culpados. As mídias sociais e a crise econômica são os mais recentes, mas podemos realmente colocar esses dois fatores no banco dos réus?

Dizer que sim seria simplificar a questão e lavar nossas mãos diante dos fatos.

As mídias sociais digitais são ferramentas disponíveis a quase todas as pessoas e podem ser bem ou mal utilizadas. Não são elas as responsáveis pela espetacularização do fato, mas sim as pessoas que se utilizam desse meio dando um “compartilhar” em um vídeo desses e transformando o sofrimento e a perda de uma vida em show.

Utilizar as redes para divulgar um ato de suicídio, ainda mais com detalhes e imagens, é o oposto da prevenção; é esquecer a pessoa que sofre e satisfazer alguma necessidade pouco nobre. Por outro lado, utilizar as redes para identificar sinais de alerta em conhecidos e oferecer ajuda, é fazer bom uso da tecnologia. Um exemplo interessante foi o Facebook ter criado, no ano passado, um recurso pelo qual um usuário pode alertar o administrador que um conhecido seu dá sinais de ideação suicida. E, nesses casos, o Facebook alerta essa pessoa que alguém está preocupado com ela e oferece opções de ajuda, inclusive com os contatos do CVV.

Esse pode ser o início de um processo para evitar o suicídio. A ajuda emergencial pode ser obtida por meio de um atendimento do CVV, que em seus 55 anos de atuação gratuita na prevenção do suicídio entendeu que as pessoas precisam ser acolhidas e aceitas nos momentos de crise, de sensação de solidão ou forte angústia, e não criticadas, cobradas ou julgadas.

Também a crise econômica não pode ser considerada totalmente culpada. Pode-se dizer que são raríssimos os casos, para não afirmar que são inexistentes, em que a tentativa de suicídio possui uma única motivação.

A pessoa é levada ao suicídio pelo acúmulo de situações com seus sentimentos por vezes insuportáveis. É usual que haja um fator desencadeante, como se fosse a gota d’água em um copo cheio, que a leva à sensação de total impotência e desespero.

Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e “adicionar água ao copo” de muitas pessoas. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, o que leva à necessidade comum a todos nós de encontrarmos maneiras de “esvaziar o copo” antes que chegue na borda. Para isso, cada um que se importa com a vida pode ser um recurso.

Fonte: http://veja.abril.com.br/complemento/pagina-aberta/suicidio-ha-algo-estranho-em-nos.html

* Robert Gellert Paris Junior é presidente do CVV – Centro de Valorização da Vida (cvv.org.br), entidade sem fins lucrativos que presta serviço gratuito e voluntário a todos que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e pessoalmente

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PLANO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL, DIGO, NO PIAUÍ!!

Piauí cria plano de ação para prevenção do suicídio

Além de instituir o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI).

Denise Nascimento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no
Brasil 400 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de transtorno mental. Nesse contexto, o suicídio tem se destacado como um grave e crescente problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

Tendo isso em vista, dentro das políticas da Rede de Atenção Psicossocial, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí tem realizado ações de conscientização para as questões que envolvem a saúde mental. Uma delas é a elaboração, em parceria com outras instituições, do plano de ação para prevenção do suicídio que visa à sistematização e organização do fluxo de atenção e cuidado à saúde do paciente em risco de suicídio, buscando a redução desse agravo de saúde.

O plano prevê medidas como campanhas educativas, ações de promoção em saúde e prevenção de danos, reforçando a ação da atenção primária, visando o fortalecimento e a melhoria da qualidade de vida dessa população. Além disso, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Costa, instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI), composto por equipe multiprofissional e interinstitucional para realização de debates constantes acerca do tema e vigilância das ações.

Uma das principais estratégias adotadas, como explica o secretário Francisco Costa, é “trabalhar a prevenção do suicídio logo na atenção básica, sensibilizando as equipes de Estratégia da Saúde da Família e capacitando os agentes comunitários de saúde para que eles estejam aptos a identificar pessoas com comportamentos autodestrutivos e fazer os encaminhamentos necessários para o tratamento adequado”.

Outra ação é a elaboração de um aplicativo como ferramenta que permita os professores, no âmbito da educação tanto no nível fundamental, médio como no superior, detectarem precocemente pessoas com sofrimento psíquico que podem levar ao suicídio. O Estado também irá fomentar pesquisas científicas junto ao grupo de estudo sobre prevenção ao suicídio nas Universidades e Faculdades.

Como dispositivos de assistência, o Estado oferece gratuitamente acesso a hospitais, centro de acompanhamento e programas de cuidados em Saúde Mental. Atualmente, o Piauí possui 62 Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e implementou leitos psicossociais na rede hospitalar.

Realidade no Piauí
O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes superior à do Brasil. Enquanto a taxa do Estado é de 7,6, a do país é de 5,3. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Estado da Saúde apontam que nos anos de 2015 e 2016 foram registrados 541 óbitos por suicídio no Estado.

A notificação das tentativas de suicídio também vem aumentando em todos os anos, em 2015 foram 603 tentativas, já no ano seguinte foram 724, totalizando 1.327 casos. A faixa etária com maior número de óbitos por suicídio está entre 20 e 29 anos. Além disso, Teresina ocupa o 1º lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes, e em 2º lugar na população jovem entre 15 e 24 anos.

Fonte: http://www.piaui.pi.gov.br/noticias/index/categoria/2/id/29449

Ainda a prevenção do suicídio nas forças policiais em Portugal

Prevenção do suicídio

Os investigadores da PJ também se emocionam e também ‘quebram’.

Ricardo Valadas

O recente estudo apresentado sobre o fenômeno do suicídio nas polícias refere que 28,1% dos profissionais que se suicidaram tinham hábitos alcoólicos excessivos, e que na maioria dos casos, as causas se centram em problemas pessoais, que "afetam todo e qualquer cidadão", tais como conflitos familiares e conjugais.

Na base de muitos suicídios está um fenômeno designado por "Síndrome de Burnout" (SB), que na sua essência, se manifesta num quadro clínico, que passa por irritabilidade, fadiga constante, insônia, incapacidade em relaxar, depressão e lapsos de memória. A SB é sobretudo uma doença ocupacional e manifesta-se mais em profissões que envolvam uma gestão emocional próxima, tais como as polícias, os profissionais de saúde e os bombeiros.

Na PJ, onde é exigido que se interaja com o sofrimento de terceiros e com o vislumbre do fim da sua própria vida, é importante que se pense num programa preventivo e de acompanhamento de todos os profissionais sem exceção.

Os problemas familiares existentes são, na maioria, decorrentes dos problemas profissionais e muitas vezes do stress provocado pelas condições de trabalho e pela falta de descanso. Os investigadores da PJ também se emocionam e às vezes também ‘quebram’.

Fonte: http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/ricardo-valadas/detalhe/prevencao-do-suicidio
- com adaptação à língua portuguesa brasileira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Suicídio de policiais em Portugal - mais informações

Saúde mental. Suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em nove anos

Nos últimos nove anos, o suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em Portugal. Resultados de um estudo sobre a prevenção do suicídio e outros comportamentos autolesivos nas forças de segurança revelaram, esta semana, que entre 2007 e 2015 foram registados 89 suicídios entre agentes da GNR e PSP. Analisando os dados globais para o mesmo período temporal, os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam um flagelo de muito maior dimensão. Qual é a estratégia?

Álvaro Carvalho, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, sublinha que, para já, este estudo feito junto das forças de segurança traz resultados importantes para a prevenção. Embora representem 1% dos suicídios a nível nacional neste período, entre os agentes de segurança – um universo de 40 mil pessoas – estima-se que a prevalência do suicídio seja o dobro da verificada na população em geral. E atuar junto dos grupos com maiores vulnerabilidades, criando uma cultura de prevenção e deteção de sintomas entre pares, é uma das estratégias centrais do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio em vigor no país, sublinha o responsável.

Os dados do INE mostram que o suicídio se tem mantido relativamente estável, na ordem dos mil casos anuais. Foi atingido um pico em 2014, com 1223 óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente, o que fez aumentar a taxa de mortalidade por esta causa no país para 11,8 casos por 100 mil habitantes. Em 2015, os últimos dados disponíveis e divulgados pelo INE na semana passada, o número de suicídios baixou para os 1132 casos, um número ainda assim superior ao que se registava antes da crise económica.

Nestes nove anos, o suicídio tirou a vida a 7398 homens e 2247 mulheres. As estatísticas do INE revelam que é a população de meia-idade e mais velha que está em maior risco. O número de mortes aumenta de forma expressiva a partir dos 40 anos de idade. Entre os 30 e os 40 anos registaram-se 973 casos de suicídio neste período e, entre os 40 e os 49 anos, 1518 mortes; entre os 50 e os 59 anos houve 2369 casos; entre os 60 e os 69 anos registaram-se 1507 casos; entre os 70 e os 79 anos, 1814 casos; e acima dos 80 anos de idade houve 1497 vítimas de suicídio, das quais 651 tinham mais de 85 anos de idade. Já entre os mais jovens registaram-se 106 mortes por suicídio até aos 19 anos de idade e 497 casos entre os 20 e os 29 anos.

Reforçar investigação

Álvaro Carvalho defende que o ideal seria poder avançar com autópsias psicológicas no país para perceber exatamente o contexto das pessoas que cometem suicídio, tal como foi feito no estudo junto das forças de segurança, conduzido pelo psiquiatra Jorge Costa Santos. “Não temos tido meios suficientes nem na medicina legal nem na saúde mental”, reconhece Álvaro Carvalho. “Mesmo que não fossem feitas autópsias a nível nacional, seria importante haver meios para poder desencadear esses processos por amostragem e nas zonas de maior incidência, como o Alentejo litoral”, sublinha o responsável.

Álvaro Carvalho defende que, independentemente do avanço da autópsia psicológica como está previsto no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, seria importante uma “maior profissionalização da investigação dos suicídios por parte das forças de segurança”, dando como exemplo situações de acidentes rodoviárias em que é detetada a presença de drogas nos condutores, mas não é avaliada a hipótese de intencionalidade.

No que diz respeito a grupos de risco, além das forças de segurança, Álvaro Carvalho sublinha que há trabalho a fazer no meio prisional e também junto dos idosos. Atualmente, GNR e PSP têm programas de sinalização de idosos isolados, mas o objetivo, sublinha o responsável, é que em parceria com serviços de saúde, autarquias e agentes de segurança sejam criados planos de intervenção individual junto das pessoas mais vulneráveis que deem recursos em várias dimensões. “Pode ser dar resposta à necessidade de ter alguém com quem conversar ou ajuda para fazer compras”, exemplifica o especialista. Entre os idosos, a solidão e a existência de doença incapacitante são fatores de risco para o suicídio, que em 90% dos casos está ligado a um quadro de depressão.

Ao longo deste período de nove anos, o suicídio tornou-se a principal causa de mortalidade que não doença no país. Foram progressivamente diminuindo as vítimas mortais de acidentes na estrada e, em 2011, o número de mortes por suicídio foi, pela primeira vez, superior ao balanço da sinistralidade rodoviária. Em 2015, os acidentes de transporte provocaram 810 mortes no país e as lesões autoprovocadas intencionalmente tiraram a vida a 1132 pessoas.

Álvaro Carvalho defende que esta tendência resultará mais do efeito da crise económica do que do impacto das estratégias de prevenção. “Está descrito na literatura que, em períodos de crise, diminui a sinistralidade rodoviária e aumenta o suicídio.” Em Portugal, um dos fatores de preocupação nos últimos anos foi um aumento da taxa de mortalidade por suicídio numa população mais jovem.

https://ionline.sapo.pt/546752