sábado, 3 de dezembro de 2016

Ação eficiente da PM e Bombeiros salva vida de um jovem!

PM resgata jovem que tentou se jogar de prédio em Várzea Grande [MT]; casos aumentam

Um jovem identificado como C. E. F., 18, tentou se suicidar na madrugada desta sexta-feira (2.12), no bairro Nova Esperança, em Várzea Grande, mas foi salvo por policiais militares e o Corpo de Bombeiro. Segundo policiais do 4° Batalhão da Polícia Militar, por volta das 3h da manhã, ele ameaçava se jogar do terceiro andar de um prédio abandonado.

O local , segundo informa o VGNews, foi isolado e os policiais do Batalhão de Operações Especiais do Bope e do 4º BPM iniciaram um diálogo com o rapaz.

Em determinado momento, o major Evane, do Bope, convenceu o jovem a aceitar água e uma jaqueta. Na entrega, a equipe do Corpo de Bombeiro conteve a vítima, que foi encaminhada ao Pronto Socorro de Várzea Grande.

Outros casos em 2016

Nesta última segunda-feira (28/11), uma jovem de 25 anos foi salva da morte por equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM). Ela tentava se atirar do alto da ponte Sérgio Motta.

Segundo os militares, a jovem apresentava sinais claros de transtorno e ameaçava de lá se jogar. A mãe da mulher chegou ao local e a encontrou alterada.

Setembro Amarelo

"Às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê". Foi o que escreveu num pedaço de papel o motoboy que se atirou dias atrás do 17º andar do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Ele levou junto o filho de 4 anos, para perplexidade da família e dos amigos. O trágico bilhete resume uma questão incômoda. Quem experimenta um sofrimento profundo, daqueles difíceis de suportar, não sabe por vezes como lidar com tanta dor. Em boa parte dos casos se recolhe, omite a opressão que vai no peito e inicia uma jornada solitária que parece sem volta. Essa situação é mais frequente do que se imagina. E por falta de informação, muitos não conseguem imaginar que haja uma saída.

A Organização Mundial da Saúde afirma que em pelo menos 90% dos casos o suicídio é prevenível, porque está associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. A tristeza faz parte da vida, e nos ajuda crescer emocional e espiritualmente. A tristeza persistente inspira cuidado e atenção.

Pessoas deprimidas tendem a se isolar, não interagem socialmente, parecem desmotivadas, anestesiadas, sem iniciativa. Por vezes chegam a verbalizar o quanto a vida lhes parece um fardo. Quem passa por essa experiência difícil - e principalmente parentes, amigos e pessoas próximas - devem prestar atenção aos sinais e, se for o caso, procurar ajuda. Setembro Amarelo discutiu essa prática que está causando ângustia na sociedade mundial.

A prevenção do suicídio não é apenas assunto de profissionais de saúde ou ONGs humanitárias. Todos estamos sendo chamados a fazer algo pelos que estão em situação de risco e, por vezes, nem sabem disso.

Se a vida é o bem mais precioso que existe, protegê-la é o que empresta sentido à palavra "Humanidade". Aproximadamente 32 pessoas se matam todos os dias no Brasil.

Em todo mundo esse número chega a 2.200. Onde a mobilização em favor da vida cria redes de cuidado e atenção, esses números caem drasticamente.

Valorize-se
Há opções de assistência gratuita nos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e nos serviços oferecidos por universidades ou entidades classistas ligadas a psiquiatras e psicólogos.

Mesmo quando se trata de um outro problema qualquer (angústia, ansiedade, solidão, etc) os próprios profissionais de saúde costumam recomendar (com o aval do Ministério da Saúde) que se recorra ao CVV, o Centro de Valorização da Vida, organização voluntária sem ligações políticas ou religiosas, que desde 1962 realiza de forma gratuita, um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone (141) ou por um chat (CVV.com.br).

Os voluntários do CVV não são terapeutas, mas oferecem algo precioso num mundo onde é anda vez mais difícil encontrar alguém que se disponha a ouvir um desabafo sem julgamentos, sem receitas prontas sobre como se sentir melhor, e guardando-se absoluto sigilo em relação ao que é conversado.

São aproximadamente 800 mil ligações por ano sem grandes apoios ou divulgação nas mídias, o que confirma a importância desse serviço.

Fonte: www.24horasnews.com.br/noticias/ver/pm-resgata-jovem-que-tentou-se-jogar-de-predio-em-vg-casos-aumentam.html

sábado, 26 de novembro de 2016

Grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio

Sofrimento escutado sem julgamento: CVV coordena grupos de apoio para sobreviventes do suicídio

Amanda Mont'Alvão Veloso
27/10/2016

Um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, o suicídio - ou uma tentativa de suicídio - demanda bastante delicadeza e seriedade, especialmente ao nos referirmos às pessoas que tentaram e aos familiares e amigos.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, 32 pessoas se matam a cada dia.

O comportamento suicida é cheio de ambivalência, lembra a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pois é um ato cheio de ambivalência, situado entre o querer morrer e o querer viver de maneira diferente.

A decisão costuma ser tomada em um contexto de grande sofrimento e desespero, a ponto de não se enxergar a saída. Ao contrário do que é dito pelo senso comum, pensamentos suicidas podem ocorrer a qualquer pessoa e falar sobre o assunto, em vez de julgar ou silenciar a pessoa, é uma maneira de prevenir o suicídio. Se houvesse prevenção, 9 entre 10 pessoas ainda estariam vivas, de acordo com a OMS.

Porém, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas de suicídio.

"A assistência prestada a pessoas que tentaram o suicídio é uma estratégia fundamental na prevenção do suicídio, pois essas constituem um grupo de maior risco para o suicídio. O risco de suicídio em pacientes que já tentaram o suicídio é, pelo menos, uma centena de vezes maior que o risco presente na população geral", afirma a ABP.

Além disso, persiste um mito de que o indivíduo está fora de perigo ao mostrar sinais de melhora ou sobreviver à tentativa de suicídio. "A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada", lembra a ABP.

Voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Ana Rosa Ramos Nunes diz que essas pessoas precisam de atenção especial. Desde 1962 atuando na prevenção do suicídio, a entidade sem fins lucrativos acredita que o sentimento de culpa e o processo de luto cercado por tabus, revolta e discriminação possam influenciar a decisão.

O suicídio de uma pessoa amada dá um novo tom às vidas que ficaram: Diante dos efeitos da tragédia, é preciso sobreviver. Não à toa, as pessoas deixadas para trás são chamadas de sobreviventes, e cada dia seguinte ao suicídio é uma verdadeira superação.

Pessoas que se encontram nas situações acima podem participar das reuniões presenciais organizadas pelos Grupos de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio do CVV, conhecidos como CVV GASS.

O funcionamento do CVV GASS é similar aos de grupos para alcoolismo, dependência química e luto.

"A essência do trabalho é que todos os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio mútuo entre esses ‘iguais’, buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido", diz a entidade.

A participação é completamente gratuita e única exigência é que a pessoa se enquadre no perfil e esteja disposta a ser ajudada. Segundo a voluntária Nunes, “ninguém vai ser cobrado por isso ou por aquilo, mas acolhido de maneira compreensiva e sem críticas ou julgamentos”.

Atualmente há 13 grupos em funcionamento, tanto em postos de atendimento do CVV quanto em outros locais, pois a ideia é que possa ser implementado por outras organizações, como casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs. A ideia é expandir os grupos para outras cidades.

O CVV GASS está presente no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Novo Hamburgo), Paraná (Curitiba), São Paulo (capital e Sorocaba), Rio de Janeiro (capital), Mato Grosso (Cuiabá) e Brasília. Ainda neste ano Belém, Recife e Roraima deverão ganhar grupos.

Há 54 anos, o CVV oferece apoio emocional gratuito e voluntário, com atendimento por telefone (141), email, Skype e chat. A pessoa que liga não precisa se identificar e as conversas são sigilosas.

Confira os endereços, horários e contatos dos grupos disponíveis:

São Paulo (SP)
1º Grupo – CVV GASS ABOLIÇÂO
Reunião nas primeiras quartas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Abolição, 411, Bairro Bela Vista

2º Grupo – CVV GASS PINHEIROS:
Reunião nos segundos sábados de cada mês
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Rua Cristiano Viana, 972, Bairro Pinheiros

3º Grupo – CVV GASS VILA CARRÃO:
Reunião nos quartos sábados de cada mês
Horário: 14h às 16h
Local: Rua Pinhalzinho, 389, Bairro Vila Carrão

Sorocaba (SP)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h às 21h
Local: Rua Dr. Nogueira Martins, 334, Centro

Rio de Janeiro (RJ)
Reunião nas segundas segundas-feiras de cada mês
Horário: 18h30 às 20h30
Local: CAP2.2 Tijuca, Rua Conde de Bonfim, 764, Térreo, Tijuca

Porto Alegre (RS)
Reunião nas primeiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 17h
Local: Avenida José de Alencar, 414, Sala 205

Novo Hamburgo/RS
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Avenida Nicolau Becker, 762, Sala 32

2º Grupo
Reunião nas segundas terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Clinica Recomeçar (Grupo fechado para Pacientes)

Curitiba (PR)
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

2º Grupo
Reunião nas terceiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 16h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

Cuiabá (MT)
1º Grupo
Reunião quinzenal às terças-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

2º Grupo
Reunião quinzenal às sextas-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

Brasília (DF)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Escola Parque 303/304 Norte

Fonte: www.brasilpost.com.br/2016/10/27/cvv-apoio-sobreviventes_n_12670804.html

Piauí na prevenção do suicídio: voluntários a serviço da vida

Voluntários no Piauí dedicam tempo para salvar vidas

23/11/2016 - Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

Voluntariado, doação, amor, estar à disposição para servir e até mesmo para salvar vidas. Esta é a missão diária de voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo que atua há mais de três décadas no Piauí na prevenção do suicídio. Ao todo, 30 pessoas trabalham no Centro. Uma vez na semana, cada voluntário tem o compromisso de dedicar quatro horas a atender ligações de quem está do outro lado da linha em busca de alguém que possa ouvir um desabafo.

"As pessoas não encontram nos amigos e na família, alguém com quem elas possam abrir seu coração sem medo de um julgamento. Por nosso anonimato, pois não precisamos saber quem está do outro lado do telefone se a pessoa não quiser se identificar, as pessoas se sentem mais à vontade. A necessidade de desabafar faz com que elas procurem uma pessoa que não conhecem para conversar ", relatou Eyder Mendes, coordenador de comunicação do CVV no Estado, na terceira reportagem da campanha Natal Cidade Verde.

O CVV foi criado no Brasil há 53 anos e está há 31 no Piauí. Por dia, os voluntários atendem a 10 ligações e não há um perfil fixo de quem busca ajuda como idade, sexo ou classe social, mas muitos sofrem com um problema em comum, a depressão. Em alguns casos, as pessoas pensam em tomar atitudes drásticas para tentar acabar com a tristeza que parece não ter fim.

Os voluntários do CVV estão sempre dispostos a ouvir problemas sem fazer julgamentos.

"Nos dez anos que participo do CVV, observo os mesmos problemas como a questão da solidão, fim de relacionamentos, a homoafetividade. A gente estimula as pessoas dentro da sua própria história de vida a buscar uma saída e quando elas achas esse caminho, nós ajudamos elas a buscarem a saída", reitera Mendes.

Uma das voluntárias relata que resolveu se dedicar ao Centro de Valorização da Vida após um problema dentro da própria família.

"Após um suicídio na minha família, com o tempo fui percebendo que as pessoas precisam tomar conhecimento e buscar ajuda. Depois disso tudo, eu imaginei de que forma poderia contribuir com as pessoas que têm o desejo de conversar", disse.

O CVV funciona em Teresina diariamente de  6h às 22h. Apenas de segunda à quarta-feira, o teleatendimento funciona 24 horas por meio do telefone (86) 3222 0000.

"Fazer o bem, faz bem pra gente e é isso que me mantém aqui. Eu sei que isso é importante para outras pessoas", finaliza outra voluntário.

Assista a reportagem.

Fonte: http://cidadeverde.com/nataldacidade/80429/voluntarios-no-piaui-dedicam-tempo-para-salvar-vidas

domingo, 23 de outubro de 2016

Instagram também se alia à prevenção do suicídio!!

Agora, se encontrar uma publicação de um amigo que considere preocupante, será possível relatar anonimamente essa imagem para o Instagram.

O Instagram seguiu os passos do Facebook e vai lançar uma ferramenta de prevenção do suicídio para os seus 500 milhões de usuários.

As fotografias publicadas no Instagram nem sempre são o retrato real do que a pessoa que as publicou está sentindo. Agora, se encontrar uma publicação de um amigo que considere preocupante, será possível relatar anonimamente essa imagem para o Instagram.

A pessoa que publicou a imagem irá receber a seguinte mensagem: “Alguém viu uma das suas publicações e pensa que você pode estar passando por um momento difícil. Se precisar de apoio, nós gostaríamos de ajudar.”

A pessoa em risco pode acessar uma lista de recursos dentro da aplicação que inclui a conexão a uma linha de ajuda, dicas e apoio. Além destas opções, a pessoa também pode enviar mensagem ou ligar para os amigos.

Em complemento às denúncias por partes dos amigos, a mensagem de apoio também será enviada caso o usuário poste uma hashtag que indique que possa querer se ferir. Instagram já bloqueou também uma lista de termos que dizem respeito à automutilação e à anorexia.

O Instagram afirma que trabalhou com especialista de saúde mental, grupos de apoios e pessoas reais para conseguir criar a sua ferramenta de prevenção de suicídio. As taxas de suicídio nos EUA atingiram o seu maior pico em 30 anos, segundo o Centro Nacional para Estatísticas de Saúde.

Fonte: www.bitmag.com.br/2016/10/instagram-anuncia-ferramenta-de-prevencao-de-suicidio/

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O Setembro Amarelo precisa espraiar-se outubro, novembro, dezembro adentro...

Para não nos esquecermos que a prevenção do suicídio, mesmo com notícias requentadas, rende audiência!

Chamar os cães para tirar as pessoas do abismo

11 de OUTUBRO de 2016 - 10:58
Um projeto de duas alunas da UTAD, coloca os cães como ferramenta na deteção de casos de depressão profunda. A desconfiança inicial dos professores está a desaparecer.

Um projeto inovador para a prevenção do suicídio foi elaborado por Helena Pereira e Susana Carvalho, duas alunas do curso de mestrado de psicologia clínica da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro.

Sob orientação de um professor e de um investigador, estas duas alunas começaram a criar o "dog stress device", que é mais que uma coleira.

Uma ideia que nasce de várias conceitos já testados, sobre a mimetização de comportamentos humanos, por parte dos cães.

Neste caso, a coleira ajuda o cão a detetar um odor específico, emitido pelo suicida. O trabalho decorre no Laboratório de Psicologia Experimental Clínica da UTAD.

Fonte: http://www.tsf.pt/sociedade/ciencia-e-tecnologia/interior/chamar-os-caes-para-tirar-as-pessoas-do-abismo-5435414.html

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Penitenciária de Sinop adere à campanha Setembro Amarelo

Materiais informativos sobre a campanha foram distribuídos em pontos estratégicos da unidade penal

A equipe da Penitenciaria Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, em Sinop, realizou na manhã da última sexta feira (23.09), ações ligadas à campanha “Setembro Amarelo” de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. A ação, direcionada aos servidores e à população carcerária, contou com o apoio do Conselho da Comunidade de Sinop. As atividades seguem na semana de 26 a 30 de setembro.

Materiais informativos sobre a campanha foram distribuídos em pontos estratégicos da unidade penal. Durante a semana, a equipe de saúde da unidade realizará encontros de orientação coletiva, palestras e orientações individuais, caso seja necessário. De acordo com os números oficiais, 32 pessoas se suicidam diariamente no Brasil, número de mortes superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez casos de suicídio poderiam ser prevenidos.

“Decidimos trazer à tona reflexões acerca do tema devido aos índices alarmantes de suicídios cometidos em todo país e, por se estes se correlacionarem com situações que são frequentemente vivenciadas no âmbito prisional, como isolamento social, depressão e sentimento de impotência. O nosso movimento serve de alerta e propõe apoio para toda a população privada de liberdade, bem como seus familiares e servidores”, informou a equipe da penitenciária.

Setembro Amarelo

A campanha Setembro Amarelo é uma ação de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. No Brasil, a campanha teve início em 2014, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Além da identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e o uso do laço amarelo como símbolo de adesão, a campanha prevê a ampla divulgação de informações sobre o tema com a intenção de quebrar o tabu entorno da depressão e suicídio.



Fonte: http://midianews.com.br/cotidiano/penitenciaria-de-sinop-adere-a-campanha-setembro-amarelo/276310


sábado, 24 de setembro de 2016

Reflexões maduras de uma operadora do Direito sobre o suicídio

Glaucia Amaral é formada em Direito e, via concurso, tornou-se procuradora  (advogada a serviço de um ente público, no caso específico, do Mato Grosso).

O que me chamou a atenção no seu texto, ora reproduzido, é o relato dela do suicídio de três de pessoas próximas. Ela é uma sobrevivente, uma enlutada ou impactada pelo suicídio. Alguém que ainda sofre em razão das perdas e que, por muito tempo, trabalhará o luto por conta destas ocorrências.

O depoimento, bem escrito, servirá de reflexão para muitos de nós, estudiosos, enlutados e interessados no tema. Que prossigamos firmes em nossas lutas em favor da vida (incluso a nossa!):)


The Leftovers

Glaucia Amaral

O suicídio é uma epidemia, relativamente silenciosa. A OMS informa que mata mais do que o HIV, e em estudo inédito nos revela que há um suicídio no mundo a cada 40 segundos. Não sou especialista na área apesar de me aventurar a escrever este artigo. Médicos psiquiatras, psicólogos, neurologistas e até nutrólogos são os profissionais mais habilitados a informar com precisão técnica o que a ciência já sabe deste flagelo dos dias atuais.

O que tenho é a experiência de ter testemunhado isso ocorrer.  Creio que, com esses índices, parando para pensar, todos conhecem casos de pessoas próximas que cometeram suicídio. E do que vivi e aprendi, é que peço licença para compartilhar. Quem sabe compartilhar a experiência de quem restou, possa ajudar. E, mesmo, compartilho, pois é preciso falar deste assunto e não escondê-lo para debaixo do tapete. Está acontecendo, muito perto de todos nós.

Da primeira vez que um suicídio aconteceu com alguém próximo, foi com um familiar. Um primo, num ato que pareceu a uma criança (que eu era) um desatino. Ciúme e até estar submetido a pressão da sociedade machista o levaram ao extremo, imediatamente após um divórcio. Tantos anos atrás, meus tios fizeram  de tudo para que os detalhes não ganhassem os jornais.

Na segunda vez, e bastante recentemente, vi minha melhor amiga de uma vida inteira ser consumida pela depressão. Família, amigos, igreja – ela era uma pessoa de muita fé – mas nada a atingia o suficiente, para fazer voltar a crer na vida. Uma irmã, das brincadeiras e aprendizados da infância, adolescência e faculdade, começa a definhar diante dos olhos e nada do que a medicina tem para oferecer sequer chega a dar esperança de mudança de rota. Fiz promessas de estar perto. Vi os olhos brilharem durante conversas reacendendo a alegria que já estivera presente. E, fundamentalmente, nunca acreditei – por ser impossível acreditar que alguém tão essencial um dia se vá – que o pior fosse acontecer. Aconteceu.

Um ano depois, vi novamente. Tudo que li e pesquisei para ajudar minha melhor amiga, foi o substrato que me ajudou a enxergar que mais alguém tão querido trilhava este caminho. O sinal de alerta acendeu ao ouvir frases desejando estar livre do que existia na própria vida. A confissão entrecortada e negada imediatamente, dizendo que morrer lhe passava pela cabeça. A mudança dos gestos, a construção de uma versão da realidade na qual a única conclusão possível seria que sua ausência era o melhor para os que amava. E o fim.

A tristeza de perder amigos amados, como naquela poesia que tanto circula, muda a gente. O título do artigo, “The Leftovers”, é de uma série de TV americana, de realismo fantástico que propõe uma realidade paralela: em um determinado dia, na mesma hora, milhões de pessoas desaparecem da face da terra. Sem explicação. Não é sequestro, não é morte, não há corpos, nada. Somem diante dos olhos. A série mostra a vida daqueles que ficaram, e suas tentativas de descobrir o que de fato ocorreu e sobreviver à tristeza. “Leftovers” é também, a forma como se referem à comida que sobrou. As sobras.

O enredo da série é um pouco do sentimento que fica, quando um ente querido se vai após perder a batalha contra um flagelo mental. Não sou capaz de compreender a perda da vontade de viver. Nos três casos que sofri, o coração partido só se recorda que eram três pessoas incapazes de fazer o mal e  alegres. Meu primo gostava de praticar esportes e dançar tango, minha melhor amiga tinha a gargalhada mais alegre de todas, e sempre presente. E minha querida amiga que faleceu ano passado, passava a vida a agregar grupos, fazer amigos tornarem-se amigos uns dos outros. Pessoas amadas pelas famílias.

Outra coisa que o mundo moderno trouxe, é o senso comum invadindo o momento de luto, com tantas opiniões nos jornais e redes sociais. Desconhecidos apontando o dedo, após a morte e falando em falta de amor, ou falta de Deus. Comentários que só posso concluir que nasçam da ignorância, de não ter o conhecimento técnico (dos médicos e psicólogos) e nem o conhecimento trazido pela vida àqueles que já tentaram auxiliar uma pessoa nessas condições. Nos três casos que presenciei, a busca - e paz - que sentiam cada um com sua fé religiosa, por si só não resolveu. Mas também não era apagado, como muitos acreditam, no conforto de seus sofás.

Uma doença física é melhor percebida pelo doente, pela família, por quem está em volta. O luto após um suicídio é uma dor com características diferentes. Resta uma grande pergunta não respondida, naqueles que ficam. E a preocupação não cessa. Anos depois, ainda me pego na lembrança dos momentos felizes, e dos momentos de dor. E pensando no que poderia ter sido feito.

O que posso dizer, para todos, pois não sabemos quem pode passar por isso, é que teria multiplicado a atenção por dez, cem, mil vezes
. É preciso estar atento e esquecer o senso comum. Ao perceber amigos doentes, meu primeiro passo foi buscar a orientação em artigos e grupos. E falei com profissionais da área pedindo orientação sobre o que fazer para auxiliar - e descobri que é sim, possível ajudar. O suicida fala em morrer, há sites de apoio e campanhas de esclarecimento sobre os elementos comuns na forma como se comportam.  A pessoa com esse perfil dá sinais.

Diante dos sinais, se você está por perto, não pense que é exagero agir. Aja. Fale. Pode ser que os familiares da pessoa doente sejam abertos a ouvir. Fale, avise o responsável (pai, mãe, marido, esposa, irmãos). Há situações em que os familiares não são abertos para ouvir. Procure mesmo assim, comunique. Comunique ao médico responsável. Ele não convive com a pessoa 24 horas, e só conta com o que ouve na consulta.
Mesmo estando presente, mesmo estando atento, saiba que a batalha é interna e só pode ser vencida pela própria pessoa. E que todos os seus esforços serão considerados insuficientes por você mesmo, caso perca alguém querido. Tente ajudar mesmo assim. Testemunhei o amor que cada uma dessas pessoas tinha por seus familiares, mesmo no auge da doença. Colocando-me a disposição, ouvi frases de preocupação com os pais, com os filhos. E testemunhei o que esta doença faz com o cérebro e a capacidade de raciocínio de pessoas amorosas: a ilusão de que sua morte é melhor para os que ficam. Um pensamento fixo que substituiu a realidade.

Depressão é uma doença grave, séria, que não dá tréguas aos que dela padecem. A quem teve um ente querido perdido, minha solidariedade, a gente descobre e redescobre o que tem valor na vida. E o valor da própria vida.  Aos que pensam que dar fim à própria vida pode ser um caminho, um apelo amoroso para que lute contra esse pensamento equivocado, procure e acredite no poder da ajuda especializada. A morte não é solução. É um vazio que nunca pode ser preenchido, pela perda da pessoa única e especial que cada um é.

Glaucia Amaral é Procuradora do Estado em Mato Grosso e presidente da Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso (Apromat).

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/artigos/exibir.asp?artigo=the-leftovers&id=8044