domingo, 15 de janeiro de 2017

Suicídio entre indígenas e o barulho que isso pode causar...

O título é provocativo. No Brasil, há quase uma epidemia de suicídio entre os nossos indígenas. Muito pouco se faz para se evitar. Se que é se faz!

Espero que notícias envolvendo os nativos do Quebec, no Canadá, traga algum benefício para guaranis kaiowás ou ticunas...

Suicídios em comunidade indígena do Quebeque "eram evitáveis"

Um inquérito sobre uma série de suicídios numa comunidade indígena do Quebeque questiona o sistema de reservas nativas no Canadá, classificando-o como regime de apartheid, ao qual "é tempo de pôr um fim".

O relatório, publicado no sábado pelo gabinete de medicina legal do Quebeque, conclui que os suicídios de cinco pessoas, incluindo quatro mulheres, ocorridos em 2015 numa pequena

Segundo o médico-legista Bernard Lefrançois, "o problema maior de base reside no regime de apartheid" no qual os nativos estão sujeitos há 150 anos.

"A lei sobre os índios, que é arcaica e antiquada, estabelece dois tipos de cidadãos: os autóctones e os não autóctones", sustenta.

Os autóctones, que "estão sob um regime à parte, foram instalados em reservas nas quais não se podem desenvolver nem emancipar-se", assinala, defendendo que "é tempo de pôr um fim a este regime de apartheid".

Os suicídios alvo de investigação aconteceram entre fevereiro e outubro de 2015, na pequena comunidade Uashat Mak Mani-Utenam, no nordeste do Quebeque.

De acordo com o relatório, as comunidades autóctones são mais atingidas por desemprego, pobreza, consumo de álcool e drogas, criminalidade, violência conjugal, insucesso escolar e o suicídio, sendo que, neste último caso, a taxa é duas vezes superior à média nacional.

O documento sugere ao governo federal canadiano a criação de um centro de prevenção do suicídio entre os índios.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/723166/suicidios-em-comunidade-indigena-do-quebeque-eram-evitaveis

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Suicídio no Japão: os karoshi

Karoshi, segundo a Wikipédia, "pode ser traduzido literalmente do japonês como "morte por excesso de trabalho", é a morte súbita ocupacional. Embora esta categoria seja abrangente, o Japão é um dos poucos países que relatam estes casos nas estatísticas em uma categoria separada. As principais causas médicas das mortes pelo karoshi são ataque do coração e derrame devido a estresse.

Pode levar também ao suicídio, conforme o relato dos jornalistas nesta matéria da BBC.

Como suicídio de funcionária exausta levou à renúncia do presidente de gigante japonesa
29 dezembro 2016

O presidente da principal agência de publicidade do Japão anunciou sua renúncia ao cargo após o suicídio de uma funcionária que se dizia física e mentalmente exausta por causa do excesso de trabalho.

Tadashi Ishii liderava a Dentsu, uma gigante nipônica de publicidade, e assumiu a responsabilidade pela morte da jovem. Ele afirmou que vai tornar a renúncia efetiva na próxima reunião da diretoria da empresa, em janeiro.

Matsuri Takahashi tinha 24 anos e trabalhava na companhia havia sete meses quando pulou da janela de um prédio onde morava - que era da própria Dentsu - na noite de Natal de 2015.

O caso veio à tona nesta semana, depois da decisão do Ministério do Trabalho japonês de processar a empresa pela morte dela.

O governo chegou a fazer uma investigação e uma varredura na Dentsu para obter informações sobre as práticas de trabalho. Foi determinado que a empresa descumpriu as leis trabalhistas e, portanto, tem responsabilidade legal pela morte da jovem.

Na última quarta-feira, a empresa admitiu que cerca de 100 trabalhadores ainda faziam cerca de 80 horas extras por mês.

Exausta

As mortes por excesso de trabalho são um problema tão grande no Japão que já existe até um termo para descrevê-las: "karoshi".

Antes de se matar, Takahashi deixou um bilhete para a mãe, no qual escreveu: "você é a melhor mãe do mundo, mas por que tudo tem que ser tão difícil?".

Semanas antes da morte, ela escreveu uma mensagem nas redes sociais em que dizia: "quero morrer". Em outra, alertava: "estou física e mentalmente destroçada".

Contratada em abril do ano passado, a jovem chegava a fazer cerca de 105 horas extras por mês.

Além disso, a família acusou a empresa de obrigá-la a registrar menos horas do que de fato trabalhava. Em muitos casos, o registro mostra que ela trabalhou 69,9 horas por mês, perto do máximo de 70 horas permitidas, mas a cifra era bem maior.

Takahashi havia acabado de se formar na prestigiosa Universidade de Tóquio e expunha as condições duras de trabalho na sua conta no Twitter, onde detalhava jornadas de até 20 horas diárias.

A carga horária disparou em outubro de 2015, quando ela só chegava em casa por volta de 5h, depois de ter trabalhado dia e noite. Além disso, ela não teve nenhum dia de folga em sete meses.

Ao anunciar sua demissão, o presidente da Dentsu afirmou que jamais deveriam ser permitidas essas quantidades excessivas de trabalho.

"Lamento profundamente não ter prevenido a morte da nossa jovem funcionária por excesso de trabalho e ofereço minhas sinceras desculpas", disse Ishii.

Outros casos

A morte de Takahashi não foi a única por esse motivo no quadro de funcionários da Dentsu.

As autoridades concluíram que o falecimento de um jovem de 30 anos, ocorrido em 2013, também teria ocorrido pelo mesmo motivo.

Antes disso, o Ministério do Trabalho havia determinado uma mudança nas práticas de trabalho da Dentsu desde o suicídio de outro empregado, Ichiro Oshima, em 1991, também por causa de carga de trabalho excessiva.

A morte de Ichiro foi a primeira a ser oficialmente atribuída ao trabalho em excesso. Ele havia tirado apenas um dia de folga em 17 meses e só conseguia dormir uma média de duas horas por noite.

Mesmo assim, a empresa argumentou na Justiça em 1997 que o suicídio havia sido motivado por "problemas pessoais".

Mais de 2 mil 'karoshis'

O caso de Takahashi reacendeu o debate sobre o karoshi e levou o governo a aprovar, nesta semana, um pacote de medidas destinadas a prevenir novas mortes.

A sociedade japonesa valoriza estilos de vida que incluem uma extrema dedicação à profissão. Dados oficiais apontam que mais de 2 mil pessoas se suicidam anualmente pelo estresse relacionado ao trabalho excessivo.

Mas a quantidade de mortes pode ser maior se considerados problemas de saúde, como falhas cardíacas ou acidentes vasculares cerebrais, também causados pela prática.

Um relatório apresentado pelo governo em outubro revelou que, em 22,7% das empresas analisadas, alguns empregados fazem mais de 80 horas extras todos os meses.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38461828

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Atenção, todo cuidado é pouco – Comportamento suicida: 6 sinais

A taxa de suicídio de adolescentes com idades entre 10 e 14 anos aumentou 40% nos últimos 10 anos e 33% entre aqueles com idades entre 15 e 19 anos, segundo o Mapa da Violência 2014. Todo dia, 28 brasileiros se suicidam e, para cada morte, há entre 10 e 20 tentativas. Médicos alertam que é um problema de saúde que não recebe tanta atenção por causa do tabu social. Para ajudar a combater essa epidemia silenciosa,
GALILEU conversou com uma série de psiquiatras e psicólogos sobre o problema e elaborou uma lista de seis alertas sobre o comportamento suicida.

1 - Frases de alarme
Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem, de fato, terminar com suas vidas. “Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda”, afirma Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS. Adriana Rizzo, engenheira agrônoma voluntária da ONG Centro de Valorização da Vida (CVV) há 16 anos, já atendeu milhares de ligações de pessoas que pensavam em suicídio. Algumas das frases mais comuns ouvidas por ela foram “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Então, se você ouvir um parente ou amigo falando algo do tipo, preste atenção.

2 - Mudanças inesperadas
Todo mundo passa por mudanças na vida, faz parte do pacote. Mas algumas mudanças podem ser traumáticas quando não estamos preparados para elas. Uma pessoa fragilizada por uma depressão ou outro problema psíquico dificilmente terá condições de encarar uma mudança inesperada, como perder um emprego que considerava muito importante. “Alguém tinha um hobby e abandona tudo, era super vaidoso e fica desinteressado. A mudança de comportamento é o momento em que a gente se aproxima da pessoa para saber o que está acontecendo, porque quem sabe dividindo ela vai entender que é só uma fase”, diz Macedo.

3 - Depressão e drogas
As estatísticas alertam: para cada suicídio, há entre 10 e 20 tentativas, ou seja, quem tentou suicídio está muito mais vulnerável. “Uma tentativa de suicídio é o maior preditor de nova tentativa e de suicídio”, diz o psiquiatra Humberto Correa da Silva Filho, vice-presidente da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio.

Segundo alerta: quase 100% das pessoas que se suicidaram enfrentavam algum problema mental – a maioria depressão. Quem está sofrendo depressão ou outro transtorno devem receber maior atenção . E, se a pessoa consome álcool ou outras drogas, atenção redobrada.  “O maior coeficiente de suicídio se dá por transtorno de humor associado ao uso de substâncias psicoativas, mais da metade dos casos de suicídio. Depressão e consumo de álcool e drogas é responsável pelo maior numero de mortes no mundo inteiro”, afirma o psiquiatra Jair Segal.

4 - Pode não ser só aborrescência
As taxas de suicídio dos jovens brasileiros aumentou mais de 30% nos últimos 10 anos, como explica nosso dossiê da edição de outubro. Mas, muitas vezes o comportamento errático atribuído como típico do adolescente pode ser um sinal de intenção de suicídio. “Existe uma falsa ideia de que a depressão atinge mais pessoas adultas. O adolescente apresenta outros sintomas, ele vai se trancar no quarto, não vai falar com ninguém, e isso vai ser entendido como fenômeno da adolescência normal, já que ele não consegue expressar seu sofrimento de uma forma clara”, explica Segal.

5 - Preto no branco
Somente 15% dos gravemente deprimidos vão se suicidar, mas a depressão severa continua sendo a maior causa do suicídio. Por isso, é preciso ficar atento quando a pessoa demonstra zero interesse na vida ou nos outros. “Para o deprimido, o mundo deixa de ser colorido, é preto e branco. Ele tem baixa autoestima, desinteresse por todos e fica muito voltado para ele mesmo”, explica o psiquiatra Aloysio Augusto d’Abreu. Quando em depressão severa, a pessoa se isola dos outros e não vê motivos para continuar viva. É um alerta de urgência.

6 - Bom demais para ser verdade
Um caso que marcou o psiquiatra d’Abreu foi o de um paciente muito deprimido que simulou uma melhora para passar o final de semana em casa e, lá, usar uma espingarda para se matar. A simulação de melhora é comum em diversos casos de suicídio, então, se uma pessoa que normalmente é deprimida parecer subitamente alegre, é importante acompanhá-la para garantir que ela não tentará o suicídio.

O que você pode fazer?
Segundo o psiquiatra da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio Carlos Felipe Almeida D’Oliveira, o ideal é conversar com a pessoa e não deixá-la sozinha. Ao conversar, procure não falar muito e ouvir mais, já que muitas vezes a pessoa só precisa ser ouvida. “Se possível, acompanhe-a a um profissional de saúde e peça orientação”, diz. Outra medida é retirar acesso de ferramentas potencialmente destrutivas dentro de casa – como arma, remédios e substâncias tóxicas – para evitar o uso delas em um impulso.

EM CASO DE PENSAMENTOS SUICIDAS OU SITUAÇÕES QUE POSSAM TENTAR TE LEVAR A ISSO, LIGUE: 141 gratuitamente!  Centro de Valorização da Vida ou acesse www.cvv.org.br

Fonte: http://www.avozdepetropolis.com.br/atencao-todo-cuidado-e-pouco-comportamento-suicida-6-sinais/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Portal Uai publica duas excelentes matérias sobre prevenção do suicídio. Nota 10!!


NOTA 10!! Matérias jornalísticas excelentes sobre prevenção do suicídio

Suicídio é mencionado 16 milhões de vezes ao dia por brasileiros e brasileiras nas redes sociais

O suicídio responde por cerca da metade das mortes violentas no mundo. Se o tema não for debatido com franqueza, continuará ceifando, sobretudo, jovens e adolescentes

por Gláucia Chaves 13/12/2016

Fonte: http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/12/13/noticias-saude,198026/suicidio-e-mencionado-16-milhoes-de-vezes-ao-dia-por-brasileiros-e-bra.shtml

Adolescentes e crianças estão se suicidando mais e é preciso ajudá-los
De 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a incidência também cresceu em 33%. No Dia Mundial de Combate ao Suicídio, comemorado neste sábado, é preciso romper o tabu, o preconceito e falar de prevenção

por Valéria Mendes 10/09/2016

Fonte: http://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2016/09/10/noticias-saude,189698/adolescentes-e-criancas-estao-se-suicidando-mais-e-e-preciso-ajuda-los.shtml

Parabéns aos jornalista e ao Portal Uai!!

Bendito choro!

No blog da revista Veja foi postada a interessante matéria, que merece ser lida por muitos motivos!

Homens não choram? Se “não”, isso poderia levar ao suicídio

Essa é a mensagem de uma campanha australiana (sucesso na internet) que incentiva eles a expressar os próprios sentimentos

Talissa Monteiro (13 dez 2016)


A organização australiana Man Up decidiu debater o suicídio masculino, principal causa de morte entre homens de 15 a 44 anos no país, por meio de vídeos que tentaram encontrar as razões por trás de tal atitude drástica. O terceiro episódio da série, que incentivou os homens a expressarem os seus sentimentos (chorando, por exemplo), viralizou e levantou, na internet, a discussão sobre a saúde mental masculina.

No mundo, o número de homens que tiram a própria vida é o triplo das mulheres: 16.8 mortes a cada 100 mil pessoas no primeiro grupo, diante 5,2 no segundo. No Brasil, segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV),  a porcentagem é de 78,6% para 21,9%. Para a psicóloga especialista em prevenção do suicídio Karen Scavacini, uma das razões para a diferença é a cobrança social pela masculinidade. 

Os métodos usados por homens também são mais letais: “No Brasil, o enforcamento é a principal forma de suicídio, para ambos os sexos. Mas, enquanto as mulheres costumam ter a ingestão de medicamentos como segundo método mais utilizado, os homens recorrem às armas de fogo. Eles costumam optar por caminhos mais definitivos”, afirmou a psicóloga, em entrevista a este blog.

Problemas como dificuldade financeira e estresse no trabalho são causas que levam os homens ao ato. Segundo Karen, no entanto, a origem está na pressão que eles sentem para estarem sempre no papel de provedor, somado à dificuldade de expressar os próprios sentimentos (tema do vídeo da organização australiana). “É preciso rever o papel social do homem e incentivar que ele fale o que sente”, refletiu Karen.

Veja o vídeo aqui.

Amigos e familiares podem ajudar na prevenção quando reconhecerem os sinais de depressão. Alguns deles são a fadiga exagerada, dores no estômago e na coluna, falta de concentração, abuso de álcool e drogas, disfunção sexual, além de irritação e agressividade. “Se o homem não procura ajuda, as pessoas próximas podem tomar a iniciativa. Muitas vezes, o indivíduo tem dificuldade em dar o primeiro passo”, concluiu a psicóloga.

Os países mais felizes têm as taxas mais altas

Um paradoxo acompanha os países com as melhores taxas econômicas e sociais: eles são mais felizes, mas também têm as mais altas taxas de suicídio. Na região nórdica, que aparece na frente em termos de desenvolvimento humano, o problema desponta como a segunda causa de morte entre os jovens. Assim como na Austrália, os homens são a maioria. A cada vinte que comentem suicídio, onze são do sexo masculino.

Um estudo de universidades inglesas e americanas mostrou que os estados considerados “mais felizes” nos EUA também estão na frente em termos de suicídio. Utah, por exemplo, tem o maior nível de satisfação, mas está na nona posição no ranking de suicídio. Nova York, que aparece na 45º posição em felicidade, aparece em último lugar no segundo quesito. A pesquisa não chegou a nenhuma conclusão definitiva, mas arrisca: a comparação com outros conterrâneos, que dizem estar muito felizes, poderia levar alguns a tirar suas vidas.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/virou-viral/homens-nao-choram-se-nao-isso-poderia-levar-ao-suicidio/

sábado, 3 de dezembro de 2016

Ação eficiente da PM e Bombeiros salva vida de um jovem!

PM resgata jovem que tentou se jogar de prédio em Várzea Grande [MT]; casos aumentam

Um jovem identificado como C. E. F., 18, tentou se suicidar na madrugada desta sexta-feira (2.12), no bairro Nova Esperança, em Várzea Grande, mas foi salvo por policiais militares e o Corpo de Bombeiro. Segundo policiais do 4° Batalhão da Polícia Militar, por volta das 3h da manhã, ele ameaçava se jogar do terceiro andar de um prédio abandonado.

O local , segundo informa o VGNews, foi isolado e os policiais do Batalhão de Operações Especiais do Bope e do 4º BPM iniciaram um diálogo com o rapaz.

Em determinado momento, o major Evane, do Bope, convenceu o jovem a aceitar água e uma jaqueta. Na entrega, a equipe do Corpo de Bombeiro conteve a vítima, que foi encaminhada ao Pronto Socorro de Várzea Grande.

Outros casos em 2016

Nesta última segunda-feira (28/11), uma jovem de 25 anos foi salva da morte por equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM). Ela tentava se atirar do alto da ponte Sérgio Motta.

Segundo os militares, a jovem apresentava sinais claros de transtorno e ameaçava de lá se jogar. A mãe da mulher chegou ao local e a encontrou alterada.

Setembro Amarelo

"Às vezes tem um suicida na sua frente e você não vê". Foi o que escreveu num pedaço de papel o motoboy que se atirou dias atrás do 17º andar do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Ele levou junto o filho de 4 anos, para perplexidade da família e dos amigos. O trágico bilhete resume uma questão incômoda. Quem experimenta um sofrimento profundo, daqueles difíceis de suportar, não sabe por vezes como lidar com tanta dor. Em boa parte dos casos se recolhe, omite a opressão que vai no peito e inicia uma jornada solitária que parece sem volta. Essa situação é mais frequente do que se imagina. E por falta de informação, muitos não conseguem imaginar que haja uma saída.

A Organização Mundial da Saúde afirma que em pelo menos 90% dos casos o suicídio é prevenível, porque está associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. A tristeza faz parte da vida, e nos ajuda crescer emocional e espiritualmente. A tristeza persistente inspira cuidado e atenção.

Pessoas deprimidas tendem a se isolar, não interagem socialmente, parecem desmotivadas, anestesiadas, sem iniciativa. Por vezes chegam a verbalizar o quanto a vida lhes parece um fardo. Quem passa por essa experiência difícil - e principalmente parentes, amigos e pessoas próximas - devem prestar atenção aos sinais e, se for o caso, procurar ajuda. Setembro Amarelo discutiu essa prática que está causando ângustia na sociedade mundial.

A prevenção do suicídio não é apenas assunto de profissionais de saúde ou ONGs humanitárias. Todos estamos sendo chamados a fazer algo pelos que estão em situação de risco e, por vezes, nem sabem disso.

Se a vida é o bem mais precioso que existe, protegê-la é o que empresta sentido à palavra "Humanidade". Aproximadamente 32 pessoas se matam todos os dias no Brasil.

Em todo mundo esse número chega a 2.200. Onde a mobilização em favor da vida cria redes de cuidado e atenção, esses números caem drasticamente.

Valorize-se
Há opções de assistência gratuita nos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e nos serviços oferecidos por universidades ou entidades classistas ligadas a psiquiatras e psicólogos.

Mesmo quando se trata de um outro problema qualquer (angústia, ansiedade, solidão, etc) os próprios profissionais de saúde costumam recomendar (com o aval do Ministério da Saúde) que se recorra ao CVV, o Centro de Valorização da Vida, organização voluntária sem ligações políticas ou religiosas, que desde 1962 realiza de forma gratuita, um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone (141) ou por um chat (CVV.com.br).

Os voluntários do CVV não são terapeutas, mas oferecem algo precioso num mundo onde é anda vez mais difícil encontrar alguém que se disponha a ouvir um desabafo sem julgamentos, sem receitas prontas sobre como se sentir melhor, e guardando-se absoluto sigilo em relação ao que é conversado.

São aproximadamente 800 mil ligações por ano sem grandes apoios ou divulgação nas mídias, o que confirma a importância desse serviço.

Fonte: www.24horasnews.com.br/noticias/ver/pm-resgata-jovem-que-tentou-se-jogar-de-predio-em-vg-casos-aumentam.html

sábado, 26 de novembro de 2016

Grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio

Sofrimento escutado sem julgamento: CVV coordena grupos de apoio para sobreviventes do suicídio

Amanda Mont'Alvão Veloso
27/10/2016

Um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, o suicídio - ou uma tentativa de suicídio - demanda bastante delicadeza e seriedade, especialmente ao nos referirmos às pessoas que tentaram e aos familiares e amigos.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, 32 pessoas se matam a cada dia.

O comportamento suicida é cheio de ambivalência, lembra a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pois é um ato cheio de ambivalência, situado entre o querer morrer e o querer viver de maneira diferente.

A decisão costuma ser tomada em um contexto de grande sofrimento e desespero, a ponto de não se enxergar a saída. Ao contrário do que é dito pelo senso comum, pensamentos suicidas podem ocorrer a qualquer pessoa e falar sobre o assunto, em vez de julgar ou silenciar a pessoa, é uma maneira de prevenir o suicídio. Se houvesse prevenção, 9 entre 10 pessoas ainda estariam vivas, de acordo com a OMS.

Porém, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas de suicídio.

"A assistência prestada a pessoas que tentaram o suicídio é uma estratégia fundamental na prevenção do suicídio, pois essas constituem um grupo de maior risco para o suicídio. O risco de suicídio em pacientes que já tentaram o suicídio é, pelo menos, uma centena de vezes maior que o risco presente na população geral", afirma a ABP.

Além disso, persiste um mito de que o indivíduo está fora de perigo ao mostrar sinais de melhora ou sobreviver à tentativa de suicídio. "A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada", lembra a ABP.

Voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Ana Rosa Ramos Nunes diz que essas pessoas precisam de atenção especial. Desde 1962 atuando na prevenção do suicídio, a entidade sem fins lucrativos acredita que o sentimento de culpa e o processo de luto cercado por tabus, revolta e discriminação possam influenciar a decisão.

O suicídio de uma pessoa amada dá um novo tom às vidas que ficaram: Diante dos efeitos da tragédia, é preciso sobreviver. Não à toa, as pessoas deixadas para trás são chamadas de sobreviventes, e cada dia seguinte ao suicídio é uma verdadeira superação.

Pessoas que se encontram nas situações acima podem participar das reuniões presenciais organizadas pelos Grupos de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio do CVV, conhecidos como CVV GASS.

O funcionamento do CVV GASS é similar aos de grupos para alcoolismo, dependência química e luto.

"A essência do trabalho é que todos os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio mútuo entre esses ‘iguais’, buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido", diz a entidade.

A participação é completamente gratuita e única exigência é que a pessoa se enquadre no perfil e esteja disposta a ser ajudada. Segundo a voluntária Nunes, “ninguém vai ser cobrado por isso ou por aquilo, mas acolhido de maneira compreensiva e sem críticas ou julgamentos”.

Atualmente há 13 grupos em funcionamento, tanto em postos de atendimento do CVV quanto em outros locais, pois a ideia é que possa ser implementado por outras organizações, como casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs. A ideia é expandir os grupos para outras cidades.

O CVV GASS está presente no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Novo Hamburgo), Paraná (Curitiba), São Paulo (capital e Sorocaba), Rio de Janeiro (capital), Mato Grosso (Cuiabá) e Brasília. Ainda neste ano Belém, Recife e Roraima deverão ganhar grupos.

Há 54 anos, o CVV oferece apoio emocional gratuito e voluntário, com atendimento por telefone (141), email, Skype e chat. A pessoa que liga não precisa se identificar e as conversas são sigilosas.

Confira os endereços, horários e contatos dos grupos disponíveis:

São Paulo (SP)
1º Grupo – CVV GASS ABOLIÇÂO
Reunião nas primeiras quartas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Abolição, 411, Bairro Bela Vista

2º Grupo – CVV GASS PINHEIROS:
Reunião nos segundos sábados de cada mês
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Rua Cristiano Viana, 972, Bairro Pinheiros

3º Grupo – CVV GASS VILA CARRÃO:
Reunião nos quartos sábados de cada mês
Horário: 14h às 16h
Local: Rua Pinhalzinho, 389, Bairro Vila Carrão

Sorocaba (SP)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h às 21h
Local: Rua Dr. Nogueira Martins, 334, Centro

Rio de Janeiro (RJ)
Reunião nas segundas segundas-feiras de cada mês
Horário: 18h30 às 20h30
Local: CAP2.2 Tijuca, Rua Conde de Bonfim, 764, Térreo, Tijuca

Porto Alegre (RS)
Reunião nas primeiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 17h
Local: Avenida José de Alencar, 414, Sala 205

Novo Hamburgo/RS
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Avenida Nicolau Becker, 762, Sala 32

2º Grupo
Reunião nas segundas terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Clinica Recomeçar (Grupo fechado para Pacientes)

Curitiba (PR)
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

2º Grupo
Reunião nas terceiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 16h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

Cuiabá (MT)
1º Grupo
Reunião quinzenal às terças-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

2º Grupo
Reunião quinzenal às sextas-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

Brasília (DF)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Escola Parque 303/304 Norte

Fonte: www.brasilpost.com.br/2016/10/27/cvv-apoio-sobreviventes_n_12670804.html