terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Proposta de Semana Nacional de Valorização da Vida no Senado Federal

Segue um extrato da notícia publicada. Fazemos votos para que, em meio a tantos problemas, se consiga fazer passar no Senado esta proposição!


Brasil poderá ter evento nacional destinado à prevenção do suicídio
Tatiana Beltrão 30/05/2017

Começa a tramitar nesta terça-feira (30) no Senado um projeto de lei que institui a Semana Nacional de Valorização da Vida, um evento anual para prevenção ao suicídio. Durante a semana, governos e sociedade deverão promover atividades em todo o país para debater estratégias de conscientização e esclarecer a população sobre questões como o que pode levar alguém a tirar a própria vida, quais os possíveis sinais de alerta e onde procurar ajuda. O evento deverá ser realizado na semana do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O projeto, do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é uma resposta a uma preocupação antiga de entidades médicas. O suicídio é um grave problema de saúde pública. Faz mais vítimas do que a guerra e os homicídios, somados. É a segunda causa de morte de jovens no mundo. Mata mais do que o HIV. E apesar dessa gravidade, ainda é um tabu, cercado de preconceitos e do qual pouco se fala.

Garibaldi relata que decidiu apresentar o projeto após ser procurado por integrantes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que expuseram a ele a importância de combater o estigma em torno do suicídio e também da doença mental. Por isso, outro foco da Semana de Valorização da Vida será mobilizar a sociedade contra o preconceito em relação a essas doenças, que estão diretamente relacionadas ao risco de morte autoinfligida.

https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/brasil-podera-ter-evento-nacional-destinado-a-prevencao-do-suicidio

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

sábado, 27 de maio de 2017

Ações permanentes de prevenção do suicídio no Piauí

 O Piauí é, sem dúvida, um dos estados em que a prevenção do suicídio tem uma atenção permanente por parte das autoridades.

Mais uma notícia auspiciosa.

Profissionais da Sasc recebem capacitação em palestra sobre abordagem e prevenção do suicídio
Dentre os pontos abordados, foi mostrado que uma das formas de prevenção é falar abertamente sobre o assunto
Nahiza Monteles

Com foco na capacitação de profissionais da área de assistência social e cidadania para atuar na prevenção do suicídio, a Sasc [
Secretaria Estadual da Assistência Social] promoveu, nesta quarta-feira(24), no auditório do órgão, a palestra “Falando abertamente sobre o suicídio”, que foi proferida pela psicóloga e membro do Grupo de Trabalho e Prevenção do Suicídio do Estado do Piauí, Thatila Brito.

A saúde mental, definições de termos, esclarecimento sobre a abordagem e entendimento sobre contexto e prevenção foram alguns dos pontos explanados na palestra, que mostrou aos participantes que é recomendado que se fale sobre o tema. “Uma das grandes formas de prevenção é falar sobre o assunto. Podemos e devemos falar sobre suicídio, claro, seguindo todas as recomendações indicadas pelo Ministério da Saúde”, ressaltou Tathila Brito.

 “E uma oportunidade como essa palestra na Sasc se faz necessária também no sentido de capacitar e fornecer subsídios básicos para que os profissionais possam instrumentalizar, em suas áreas, sobre como tratar do assunto e formas de prevenção do suicídio”, afirmou a palestrante.

Os dados em torno do suicídio têm sido cada vez mais alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que todos os anos há cerca de um milhão de casos de suicídio em todo o mundo, sendo que cada um deles tem um sério impacto na vida de pelo menos 6 pessoas. Somente no Brasil, são registados cerca de 31 casos de suicídio por dia. Dentro desse dado nacional, a cidade de Teresina figura sempre entre os primeiros lugares nos altos números registrados.

Para a psicóloga e coordenadora na Diretoria de Proteção Social Básica, Laiana Ibiapina, a realização da palestra é crucial para desmitificar o tema, para saber falar sobre o assunto e ajudar a reduzir os números de casos. “Além de políticas públicas, é de suma importância que palestras dessa natureza sejam realizadas para fortalecer essa discussão, ainda mais numa cidade como Teresina, que apresenta altos índices de casos de suicídio. A sociedade precisa debater e saber as causas para que haja prevenção”, declarou Laiana.

A importância de participar do evento também foi ressaltada pela professora do Centro Educacional de Internação Provisória, Francisca Célia Silva, que destacou a oportunidade de se capacitar em sua atuação profissional “Como agentes sociais, é necessário estarmos por dentro de todos os fatores do tema em questão. Quanto mais esclarecimento, mais podemos ajudar as pessoas com quem lidamos diariamente”, frisou Célia.


Fonte: http://www.pi.gov.br/materia/sasc/profissionais-da-sasc-recebem-capacitacao-em-palestra-sobre-abordagem-e-prevencao-do-suicidio-1139.html
 


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Conversar, serenamente, é preciso! Rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio

No Recife, rodas de conversa abordam depressão, prevenção do suicídio e valorização da vida
Quem participou, na manhã deste sábado (20), da Ação Social do Sítio Trindade, em Casa Amarela (Zona Norte do Recife), teve a oportunidade de participar de rodas de conversa sobre depressão e prevenção do suicídio. As orientações foram repassadas pela psicóloga Kátia Arruda, coordenadora de Saúde Mental do Distrito Sanitário III do Recife. “Percebemos que, pelas ocorrências de tentativas de suicídio relacionados ao jogo Baleia Azul, as pessoas estão apavoradas. Por isso, acreditamos que conversar sobre o assunto é a melhor forma de orientar e tranquilizar a população”, diz Kátia.

O próximo encontro com rodas de conversas sobre depressão e prevenção do suicídio, organizado pelo Distrito Sanitário III do Recife, será realizado na próxima quinta-feira (25), na Academia da Cidade do Parque da Jaqueira, Zona Norte da cidade. O objetivo é chamar a atenção para o tema e simbolizar o compromisso com a vida. “Alertamos sempre sobre a importância de as pessoas estarem atentas a possíveis mudanças de comportamento de parentes e amigos. São alterações que podem ocorrer em qualquer faixa etária.”


A existência de um transtorno mental é considerada um fator de risco para o suicídio. Entre os distúrbios psiquiátricos mais comumente associados às tentativas, estão depressão, transtorno do humor bipolar, esquizofrenia, dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.

A psicóloga destaca que, na infância, a queda no rendimento escolar pode ser um alerta de que a criança precisa de apoio. “Entre os adolescentes, o isolamento preocupa. Já irritabilidade, problemas relacionados ao sono e à alimentação, apatia e abuso da bebida alcoólica podem evidenciar ocorrência de transtornos mentais entre os adultos”, completa Kátia.

Ação Social

A Ação Social no Sítio Trindade (realizada pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife) serviu como um momento de interação com os moradores de comunidades da Zona Norte. O público contou com serviços gratuitos de saúde, educação, cidadania e lazer. A próxima Ação Social no Sítio Trindade acontecerá no dia 29 de julho.

Publicado por Cinthya Leite em Blog - 20/05/2017 às 13:24
Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/05/20/no-recife-rodas-de-conversa-abordam-depressao-prevencao-do-suicidio-e-valorizacao-da-vida/

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CVV em processo de instalação em Manaus

Ações de prevenção podem evitar até 90% dos casos de suicídios, que têm crescido no AM
Voluntários

Silane Souza - Manaus (AM)

Pelo menos 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Visando essa assistência, um grupo de voluntários quer trazer para Manaus o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua nesse sentido há mais de 50 anos. Um dos objetivos é reduzir o índice de suicídios da capital amazonense que é a nona entre as capitais brasileiras em número de casos.

As negociações para a instalação do CVV são avaliadas pelos coordenadores nacionais em parceria com entidades locais. O coordenador de expansão da instituição, João Régis, chegou ontem à tarde a Manaus justamente para cuidar dessas parcerias e realizar palestras acerca da entidade e do trabalho realizado por ela. Ele ficará na cidade até sábado, participando de encontros com representantes de órgãos públicos e rodas de conversa com profissionais do serviço de saúde e estudantes universitários.

De acordo com a psicóloga Aline Félix, a primeira medida preventiva contra o suicídio é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema para que todos possam ajudar. “Sabemos que o número de suicídios tem aumentado muito e, em Manaus, percebemos a necessidade de haver um centro como o CVV, pois ele traz a proposta de prevenir suicídio e preservar a vida por meio de atendimentos voluntários”, explicou.

O Centro de Valorização da Vida atua há 55 anos na valorização da vida e prevenção do suicídio, tendo inclusive o reconhecimento do Ministério da Saúde para tratar dos temas relacionados à prevenção do suicídio. São 76 postos no Brasil com mais de 2,2 mil voluntários treinados e capacitados para oferecer o apoio emocional. Os atendimentos são feitos 24h por dia por telefone (141 disque nacional), pessoalmente, por correspondência, chat, voip ou e-mail, encontrados no site www.cvv.org.br.

Aline ressaltou que, antes de uma pessoa tentar suicídio ela apresenta vários sinais: isolamento, tristeza ou agressividade, entre outros, e todos precisam ficar atentos a qualquer mudança de comportamento para poder ajudar. “Por isso a importância do compartilhamento de informações e a constituição desse espaço para saúde mental. Às vezes, a família não sabe quais são esses sinais e acredita que é besteira, quando a pessoa está precisando de ajuda”, observou.

Casos registrados no Amazonas cresceram 49% em 2015

Em 2015, 121 pessoas tiraram a própria vida, no Amazonas, de acordo com o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em novembro do ano passado.  Um crescimento de 49,3% em relação a 2014, quando 81 casos de suicídio haviam sido registrados no Estado. Com este indicador, o Amazonas figura na 15ª posição com o maior número de mortes por suicídio no Brasil.

Já Manaus é a nona entre as capitais do País em casos de suicídio, segundo dados apresentados em setembro de 2016 pela Associação Amazonense de Psiquiatria (AAP). Há, em média, na capital amazonense, oito suicídios a cada 100 mil homens e dois a cada 100 mil mulheres. Os números são considerados defasados pela APP em razão da subnotificação de casos, ou seja, muitos não são registrados.

Os indicadores apontaram que 96% das pessoas que cometeram suicídio sofriam de algum transtorno mental, sendo os principais os transtornos de humor (35%), como depressão e bipolaridade; transtornos por uso de álcool e outras drogas (22%); transtornos de personalidade (11,6%), como psicopatias e síndrome de boder

‘Saúde mental é um dever  de todos’

O cuidado com portadores de transtornos mentais é tarefa de toda a sociedade, por isso sua discussão não pode se restringir aos muros dos órgãos de saúde. Esse é o posicionamento que a Rede de Atenção Psicossocial do Amazonas (RAPs) vai defender no 1º Simpósio Intersetorial “Para além dos muros institucionais: trabalhando as minorias”.

O evento será realizado hoje, às 8h, no auditório João Bosco Ramos de Lima, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), na avenida Mário Ypiranga, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul.

“A rede precisa articular outros serviços e outros setores. É preciso trabalhar com movimento social, outras secretarias. Não adianta a gente falar da Luta Antimanicomial, enquanto outros segmentos ainda acham que tem que ter hospício”, comenta Luciana Diederich, coordenadora da RAPs.

Para ela, não adianta fechar hospícios sem mudar a forma de enxergar a loucura. E o desafio que está posto é pensar outras formas de vivência para portadores de transtornos mentais que não seja o isolamento social. E o primeiro a superar esse desafio é o próprio poder público, defende a psicóloga.

“Se a gente não fala sobre outras formas de viver sem ser o isolamento social, outras instituições que vão substituir os manicômios vão reproduzir as mesmas práticas. Por isso a gente precisa do envolvimento de mais atores nesse tema”, declara Luciana.

O simpósio será realizado um dia antes do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o 18 de maio. A Luta Antimanicomial é um movimento que defende mudanças nos parâmetros éticos e técnicos no atendimento aos portadores de sofrimento emocional grave. O processo é também conhecido como “Reforma Psiquiátrica” e teve início no final da década de 1980.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/conscientizar-para-prevenir-os-suicidios

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os jovens são o nosso presente...


Portas para a realidade…

Fernando Barroso

As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?

1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.

28 – Não fale com ninguém o dia todo.

50 – Tire a sua própria vida.

QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?

O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.

A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”

O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.

UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.

Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.

OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.

São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).

Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.

Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.

Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade

Suicídio e adolescência. Excelente texto de Arnaldo Cheixas!!

O problema do suicídio entre adolescentes

O assunto está em voga nos últimos tempos; confira sintomas, mitos e como ajudar nesses casos

Arnaldo Cheixas

O debate sobre o suicídio entre adolescentes tem sido destacado nos meios de comunicação em função do controverso jogo “blue whale” (baleia azul), sobre o qual ainda há poucas certezas. Existem casos recentes de suicídios e de tentativas de suicídio que parecem estar associados ao jogo.

Baleia Azul

Ao que parece, curadores anônimos convidam adolescentes a participar do jogo por meio das redes sociais. Depois de aceitar participar, o adolescente passaria a receber sucessivos desafios envolvendo assistir a filmes de terror durante a madrugada e automutilação – dentre outros –, culminando com o desafio derradeiro de tirar a própria vida. Os adolescentes seriam coagidos a manter a participação até o fim sob ameaças dos curadores de que, em caso de desistência, males seriam praticados contra seus familiares.

Casos foram registrados em vários países, inclusive no Brasil. Aqui a investigação tem sido conduzida principalmente pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática do Rio de Janeiro mas há investigações paralelas feitas pelas polícias de outros estados. Por enquanto não se sabe a extensão do problema e é importante aguardar os resultados preliminares da investigação policial. De qualquer modo, os casos apurados por jornalistas de diversos veículos realmente aconteceram e estão sendo investigados. Todo o resto são boatos e conjecturas. E, independentemente disso, o problema da morte auto-imposta é real e nessas horas é melhor não subestimar os riscos de uma onda de suicídios entre adolescentes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), a cada quarenta segundos em média uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta. Foram quase um milhão de casos registrados em 2012, ano de referência dos dados do relatório mais recente do órgão internacional, publicado em 2014.

O suicídio é a segunda causa global de mortalidade de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), atrás apenas dos acidentes de carro. Embora no Brasil a maior incidência esteja na faixa etária seguinte, de 30 a 39 anos, ela também é alta entre adolescentes, de modo que o problema não deve ser subestimado e exige atenção permanente no país, devendo envolver em suas ações os próprios adolescentes, os pais, a escolas e os governos.

13 Reasons Why

À luz desse cenário preocupante, a Netflix estreou a série 13 Reasons Why. Uma tradução livre do título pode ser Treze Motivos Pelos Quais – o número treze em inglês traz uma associação direta com a adolescência. A série conta a história de Hannah, uma adolescente que, antes de cometer suicídio, grava em fitas cassete treze razões que a levaram a tirar a própria vida. Os núcleos explicativos para o suicídio são o bullying e a incompreensão dos adultos sobre o sofrimento de Hannah.

Como é sabido que a publicidade de casos de suicídio pode fazer com que outras pessoas o executem logo após a divulgação – fenômeno conhecido como efeito Werther –, a série gera sim preocupação. O suicídio da personagem Hannah Baker é envolto em bastante romantismo, desde a beleza da maior parte das personagens até o próprio fato de que a protagonista, mesmo morta, continua presente na vida dos demais por conta dos áudios deixados com sua voz. Esse aspecto particularmente atiça uma fantasia muito presente no discurso de quem tem ideação suicida, que é a expectativa de que sua morte fará com que as pessoas que lhe magoaram sofram e de certo modo paguem pelo mal praticado.

Um dado interessante é que a série da Netflix fez aumentar a quantidade de pessoas que estão entrando em contato com o Centro de Valorização da Vida, um serviço gratuito voltado para a prevenção do suicídio. Mas ainda é difícil saber se esta notícia é boa ou ruim.

Como psicólogo não posso deixar de olhar com preocupação o fato de o suicídio ser apresentado de forma tão romantizada na TV mas não se pode negar que os produtores de 13 Reasons Why foram corajosos ao trazer o tema de forma tão aberta. Um efeito positivo inegável é a repercussão que tem feito com que o tema seja discutido. Se se trata apenas de comoção passageira ou se produzirá avanços na prevenção, só o tempo dirá. Por enquanto não podemos deixar passar a oportunidade de conversar a respeito.

Fatores de risco para o suicídio

A seguir os elementos mais comuns na vida de pessoas que se suicidaram e que servem como sinais de alerta:

   Presença de perturbações mentais (presentes em 90% dos casos).
   Stress social.
   Grandes perdas (ente querido, emprego, patrimônio…).
   Abuso no passado, físico ou emocional.
   Desesperança em relação à própria vida.
   Sensação de desamparo, impossibilidade de agir sobre os problemas.
   Exposição ao suicídio de alguém conhecido ou famoso.
   Dificuldades sexuais.
   Doença e dor.
   Acesso facilitado aos meios necessários para se suicidar.
   Acontecimentos violentos (guerra, desastres, golpes de estado).
   Repertório pobre para enfrentamento de problemas.
   Problemas familiares.

Fatores de proteção

Os elementos que significam menor risco de suicídio são:

   Existência de apoio da família e de uma rede de amizade sólida.
   Presença de crenças.
   Envolvimento na comunidade.
   Vida social satisfatória.
   Acesso aos serviços de saúde existentes.

Os avisos que aparecem antes de uma tentativa de suicídio

Na maioria dos casos de suicídio, há alguns sinais que antecedem a ação e que podem ajudar quem está perto a prestar apoio e até evitar que a tragédia de fato aconteça. Aqui estão eles:

   Falta de interesse pelo próprio bem-estar.
   Mudanças de comportamento.
   Declínio da produtividade.
   Alterações no sono e na alimentação.
   Tentativa de ficar em dia com pendências pessoais e de fazer as pazes com desafetos.
   Interesse incomum em como os outros se sentem.
   Preocupação com temas de morte e violência.
   Súbita melhoria no humor após uma depressão.
   Promiscuidade repentina ou aumentada.
   Dificuldade em lidar com problemas.
   Pressão negativa dos colegas/bullying.
   Família disfuncional.
Mitos sobre o suicídio

Os mitos mais comuns e que geram confusão e preconceito são os seguintes:

    “Quem fala em suicídio não se mata porque na verdade só quer chamar a atenção.” Errado. A maioria dos suicidas falaram sobre essa possibilidade antes de se matar efetivamente. Na verdade o suicida muda de ideia frequentemente.
    “Suicídio é sempre um ato impulsivo e acontece sem aviso.” Errado. O suicídio normalmente é elaborado aos poucos ao longo do tempo.
    “Suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, não havendo nada que se possa fazer para persuadi-los a mudar de ideia.” Errado. A maioria manifesta ambivalência.
    “Quando alguém sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo.” Errado. Ao menos uma tentativa prévia ocorre na maioria dos casos que se efetivam. O período logo após uma tentativa é especialmente perigoso.
    “Conversar sobre suicídio é o mesmo que dar ideia.” Errado. Discutir o tema em todos os níveis ajuda alguém com ideação suicida a mudar de ideia e procurar ajuda.
    “Crianças não se suicidam.” Errado. Embora a incidência seja menor do que em qualquer outra fase da vida, crianças se suicidam sim e deve haver atenção permanente quanto a esse risco.

Como ajudar o adolescente que fala em suicídio

Durante uma crise de ideação suicida é importante oferecer suporte com tranquilidade. Não se deve julgar o desejo do outro de interromper a própria vida mas sim procurar escutar com atenção as razões que o motivam para tal. Nesse ponto é importante saber reconhecer e respeitar a escolha que resulta dos elementos apresentados mas sem jamais aceitar a escolha como algo normal.

A pessoa com ideação suicida deve ser estimulada a se abrir e a compartilhar o que pensa e o que sente. O foco do ouvinte deve permanecer no momento atual; falar sobre o passado ou o futuro só aumenta a ansiedade e reforça os sentimentos de frustração. Nesse sentido, deve-se evitar conselhos amplos. As sugestões e conselhos devem se concentrar no aqui e agora.

O ponto mais importante sobre a ajuda a um adolescente com ideação suicida talvez seja o quanto é possível não atrapalhá-lo. E a forma mais desastrosa de atrapalhar um adolescente potencialmente suicida é julgá-lo, estigmatizando-o em seu sofrimento. Frases como “Eu na sua idade fazia assim e assado…” devem ser evitadas fortemente.

Finalmente, é importante discretamente restringir o acesso da pessoa aos meios de praticar o suicídio porque, em um momento de dúvida, a disponibilidade dos meios pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte.

Alguns apontamentos

Ainda que os efeitos da depressão sobre o cérebro sejam muito similares para qualquer pessoa do ponto de vista da fisiologia dos neurotransmissores, o tratamento que funciona para um não necessariamente funciona para outro. A melhor conduta deve ser determinada pelos profissionais de saúde sempre em conjunto com o paciente e com os familiares, respeitando-se as particularidades de cada caso.

Embora 60% dos suicidas estivessem deprimidos, o fator principal que os levou ao ato (quando há registro) foi a sensação de desesperança, muito mais do que a depressão em si. Isso se confirma pelos casos de suicídio em que não havia evidência de depressão mas sim a desesperança, a sensação de que a própria vida não tem sentido.

O consumo de álcool e outras drogas deve preocupar particularmente durante a adolescência porque é sinal de que algo não vai bem na vida do adolescente. A substância química, de modo geral, preenche um vazio que normalmente tem a ver com frustrações prévias. Três quartos das crianças e adolescentes com ideação suicida não conseguem falar com um adulto a respeito. Nesse sentido, os professores têm papel chave na vigilância porque eles têm uma posição privilegiada, uma vez que não são tão distantes do adolescente a ponto de não gerar confiança (como um estranho) e nem tão próximos a ponto de gerar desconfiança, vergonha e medo (como os pais).

Adolescentes são mais vulneráveis que adultos porque a pouca experiência com a vida, combinada com seu foco no aqui e agora, os atrapalha na hora de avaliar as consequências de seus atos. Ainda assim, o sofrimento é muito forte com as questões que angustiam um adolescente em risco (bullying, perdas, violência etc). Isso tudo acontecendo num ambiente social virtual, no qual tudo tem velocidade espantosa. Às vezes, é difícil para um adulto entender as expectativas e as angústias vivenciadas pelos adolescentes no ambiente virtual uma vez que esse ambiente não fez parte da adolescência dos adultos de hoje.

Um dado motivador é que, de acordo com o citado relatório da O.M.S., o número absoluto de suicídios caiu globalmente 9% de 2000 para 2012, a despeito do aumento populacional. Isto significa que as políticas de prevenção estão avançando.

Embora o Brasil faça parte de um seleto grupo de países que possuem informações confiáveis sobre o suicídio, tal precisão informativa ainda não se converteu em políticas que permitam a redução de ocorrências trágicas em consonância com a média global. Este é, portanto, o desafio diante do qual estamos. Debater incessantemente o problema é o primeiro passo a ser adotado. Nesse sentido, que o burburinho gerado pelo seriado 13 Reasons Why sirva como gatilho para nos impulsionar para ações concretas de prevenção.

Finalmente…vale registrar aqui que, se você precisa de ajuda neste momento, o CVV atende gratuitamente e de forma completamente anônima por meio do número 141.

Fonte: http://vejasp.abril.com.br/blog/terapia/suicidio-adolescente/

sexta-feira, 5 de maio de 2017

"Jovens, nosso presente". Não é nosso dever protegê-los?!


Portas para a realidade…

Fernando Barroso

As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?

1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.

28 – Não fale com ninguém o dia todo.

50 – Tire a sua própria vida.

QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?

O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.

A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”

O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.

UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.

Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.

OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.

São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).

Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.

Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?” (...)

Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Notícia boa vinda da Austrália

Cantor e compositor australiano, Nick Cave tem lidado com a morte, de perto.

O título da matéria publicada no jornal Zero Hora dá o tom: "Nick Cave encara o luto no disco 'Skeleton tree'"

Mas o notícia, que chega por meio de uma revista virtual portuguesa é esta:

Nick Cave dá o seu apoio a uma aplicação para telemóvel de prevenção do suicídio

O músico expressou o seu apoio ao
Kurdiji 1.0, uma aplicação criada por aborígenes

O Kurdiji 1.0 é uma nova aplicação para smartphone que tem como objetivo a prevenção do suicídio entre aborígenes.

A aplicação encontra-se, de momento, a tentar angariar fundos através da plataforma online GoFundMe, tendo já obtido o apoio de Nick Cave.

O Kurdiji 1.0 foi criado por aborígenes australianos e destina-se à população jovem aborígene.

Segundo dados recentes, os aborígenes são quatro vezes mais propensos ao suicídio que a restante população, e a taxa de suicídio entre jovens aborígenes é das mais altas do mundo.

O facto não passa despercebido a Cave, que pediu aos seus conterrâneos para que "lutassem pelas vidas dos jovens aborígenes e mostrassem à Austrália indígena que acreditamos neles".

"Kurdiji" é uma palavra que significa "escudo" no dialeto Warlpiri, uma das tribos aborígenes australianas. "Ao ligar estes jovens à linguagem, à pele, às cerimónias e às leis, a aplicação irá aumentar a resiliência ao gerar um sentimento de pertença", explicam os programadores.

Fonte: http://blitz.sapo.pt/principal/update/2017-05-02-Nick-Cave-da-o-seu-apoio-a-uma-aplicacao-para-telemovel-de-prevencao-do-suicidio


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Curitiba registra tentativas de suicídio e alerta para 'jogo' da Baleia Azul

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba alerta pais e responsáveis por crianças e adolescentes e os profissionais da educação e saúde em relação ao “jogo” Baleia Azul, que propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa. Nesta madrugada, a rede municipal de saúde registrou cinco tentativas de suicídio entre adolescentes entre 13 e 17 anos, que foram atendidos e encaminhados para acompanhamento em Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Em todos os casos, havia sinais de automutilação e ingestão de medicamentos.

Ainda não há confirmação se os casos têm relação com o jogo. Os casos serão investigados. Além disso, serão desenvolvidas atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.

No "jogo" Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.

O Baleia Azul começou como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia e se espalhou a partir de 2015. Mesmo sendo fake news, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.

“Orientamos que pais e responsáveis conversem com os adolescentes e fiquem atentos a sinais de isolamento, perda de vínculo familiar e quadros de automutilação”, diz o secretário municipal da Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho. De acordo com o Baracho, os postos de saúde são a porta de entrada no sistema para aquelas famílias que precisam de ajuda. Caso seja necessário, o posto pode direcionar para atendimento de saúde mental em Caps ou outro serviço especializado, de acordo com a gravidade do caso.

Seriado

No mesmo sentido, a Secretaria Municipal da Saúde faz um alerta em relação ao seriado 13 Reasons Why. Os episódios, exibidos pela plataforma de streamming Netflix, contam a história de uma garota que deixa fitas cassetes explicando as razões que a levaram a cometer suicídio.

De acordo com a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), obras de ficção que simbolizam a vida real podem contribuir para fomentar discussões de temas importantes. A entidade manifestou satisfação em constatar que o seriado que trata de bullying, depressão e suicídio entre adolescentes tenha provocado alta de 170% nos acessos ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 55 anos atua na prevenção do suicídio no Brasil.

Segundo a APPSIQ, porém, “a série 13 Reasons Why peca por não abordar a questão do adoecimento mental da personagem, não provocar diálogos sobre como o desfecho dela poderia ser evitado e, principalmente, por dar a impressão de que buscar ajuda é inefetivo.”

A APPSIQ critica também a “glamourização” do suicídio, a utilização do autoextermínio como instrumento de vingança e o fato de atrelar a ideia de suicídio à culpabilização. A entidade alerta, ainda, em relação ao efeito Werther – termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo para novas ocorrências, contribuindo para a difusão do método, apologia ou idealização do ato. 

De acordo com a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, Flávia Adachi, os pais e responsáveis não precisam efetivamente proibir o adolescente de assistir à série, mas devem preferencialmente assistir junto e conversar sobre o assunto. “Pode perguntar ao filho se ele conhece alguém que já passou por aquelas situações ou se ele efetivamente já passou por aquilo, tentando deixar um canal aberto franco de diálogo”, aconselha.

A psicóloga Maria Cristina Barreto, que trabalha na Saúde Mental da secretaria, na área técnica da infância e adolescência, explica que essa fase da vida é de grande vulnerabilidade. “O jogo Baleia Azul tem o componente do ‘desafio’. Os adolescentes gostam de desafio, romper limites, desafiar autoridade”, conta ela. “Já a série afeta mais o adolescente que vivencia alguma situação de maior sofrimento, tornando-o suscetível a influências que podem colocá-lo em situação de risco. Então, precisamos ficar atentos a todos os perfis”, diz.

Fonte: www.bemparana.com.br/noticia/498482/curitiba-registra-tentativas-de-suicidio-e-alerta-para-jogo-da-baleia-azul

sábado, 8 de abril de 2017

Jogo virtual e sua ação indireta na prevenção do suicídio

Pokémon Go evita suicídios no Japão

Por Abílio Rodrigues

O Japão é conhecido por ter diversos locais de eleição para aqueles que tomam a decisão de colocar termo à vida.

Um desses locais é uma região montanhosa com enormes penhascos, Tojinbo, na qual, só no ano passado, 14 pessoas se atiraram para o abismo. Em 2015, foram 12 os suicídios registados na zona. Porém, nos primeiros três meses deste ano, não foi registada qualquer morte na área, sendo que as autoridades e população acreditam que o jogo mobile Pokémon Go pode estar relacionado com esta nova tendência.

Ao que parece, diversos Pokémons raros aparecem naquela zona, o que faz com que tenha havido um aumento no número de visitantes da região montanhosa, fator que desencoraja os suicidas a recorrerem ao local.

Um polícia local reformado, Yukio Shige, organiza patrulhas anti-suicídio na zona, e considera que o aumento de tráfego nos penhascos tem tido um efeito positivo em termos da prevenção do suicídio na região. Durante uma entrevista a um canal de televisão japonês, o ex-polícia disse o seguinte:

"O efeito de Pokémon Go é enorme. Espero que possámos continuar a este ritmo, com zero suicídios."

É óbvio que se pode tratar de uma simples coincidência, mas a verdade é que quem procura colocar fim à vida procura zonas isoladas, e evita locais muito movimentados, o que leva a crer que Pokémon Go tem mesmo contribuído para esta diminuição de casos.

Para além de melhorar a saúde física e mental dos seus utilizadores, parece agora que Pokémon Go se tornou também numa ferramenta extremamente útil na prevenção do suicídio, pelo menos naquele local.

Fonte: http://pt.ign.com/pokemon-go-apple-watch-1/41816/news/pokemon-go-salva-vidas-no-japao

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Piauí sempre atuante e à frente das ações de prevenção do suicídio

Psicóloga do NASF ministra palestra sobre suicídio para alunos

A psicóloga Ilka Meneses Feitosa, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família(NASF), da Secretaria Municipal de Saúde de Porto/Pi, realizou nos turnos da tarde e noite na U.E. Otávio Falcão, uma palestra com a temática: “Valorização à Vida: Precisamos falar sobre suicídio”

A escola da rede estadual está realizando o Projeto “Saúde e Qualidade de Vida na Escola” e em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, tem realizado palestras com diversos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF), entre eles, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, entre outros.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), de 2014, apontou que o Brasil é o 8º país com a maior taxa de suicídios do mundo. O estudo ainda afirma que a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo, sendo este um problema de saúde pública. Para piorar, esses números vêm crescendo no Brasil nos últimos anos.

Fique sabendo

O movimento do Setembro Amarelo é mundial e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ele foi trazido ao Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) eABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A OMS lançou outro dado preocupante: o suicídio já mata mais jovens no mundo do que o HIV. é a segunda maior causa de mortes na faixa etária de 15 aos 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito.

Fonte: https://www.meionorte.com/cidades/pi/porto/psicologa-do-nasf-ministra-palestra-sobre-suicidio-para-alunos-em-p-317970

quinta-feira, 16 de março de 2017

Centro de prevenção ao suicídio abre seleção para novos voluntários no AP

CVV vai começar etapas no dia 26 de março, na sede do Ijoma, em Macapá. 18 voluntários atuam no centro; mínimo necessário é de 35 voluntários

O Centro de Valorização da Vida (CVV) vai iniciar uma seleção de novos voluntários para o serviço, que presta atendimento gratuito de apoio emocional por telefone a pessoas que querem e precisam conversar. O processo começa no dia 26 de março, a partir das 8h, na sede do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), no bairro Alvorada, Zona Oeste de Macapá.

A seleção pretende aumentar o número de voluntários que atuam na prevenção do suicídio. Atualmente, 18 realizam o trabalho divididos em plantões. Segundo a instituição, o mínimo necessário para o pleno funcionamento do serviço é de 35 voluntários.

Para ser voluntário basta ter idade acima de 18 anos e ter vontade de ajudar as pessoas com apoio emocional aos que procuram o CVV através do telefone 141. Os candidatos vão poder conhecer o trabalho da instituição, assim como já receberão orientações sobre o atendimento diferenciado que o centro promove.

“O interessado precisa passar por esse treinamento para desenvolver essa habilidade de conversar com as pessoas que procuram o CVV, de forma não diretiva, sem julgamentos, de forma compreensiva e respeitosa. O CVV funciona dessa forma há 55 anos no Brasil”, comentou Celiana Waldeck, porta-voz da instituição em Macapá.

O trabalho voluntário consiste em quatro horas e meia por semana em períodos definidos pelo próprio selecionado. Não existe um número fechado de voluntários a serem selecionados, eles serão incluídos ao longo do processo nos turnos diurnos e noturnos.

O interessado pode fazer a inscrição na hora da seleção ou no e-mail macapa@cvv.org.br. Segundo Celiana, haverá outros encontros após o dia 26 de março.

Serviço
Programa de Seleção de Voluntários
Dia: 26 de março (domingo)
Local: Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma) - Avenida Dr. Silas Salgado, número 3586, bairro Alvorada
Hora: das 8h às 12h e das 14h às 18h
Inscrições: no dia do evento ou pelo email macapa@cvv.org.br  

domingo, 12 de março de 2017

Acordo com Ministério da Saúde torna ligações para centro de apoio à prevenção do suicídio gratuitas

Pessoas que sofrem de depressão poderão conversar com voluntários e receber conselhos

O Ministério da Saúde e o CVV (Centro de Valorização à Vida) assinaram hoje (10), na capital paulista, um acordo de cooperação técnica que permitirá o acesso gratuito ao serviço prestado pelo número de telefone 188. Por meio desse número, pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou aquelas que estão correndo risco de cometerem suicídio conversam com voluntários da instituição e são aconselhados. Antes, o serviço era cobrado e prestado por meio do 141.

Com o acordo, o CVV vai alterar ou implantar o 188 em todos os estados brasileiros até abril de 2020. Entretanto, o 141 continuará sendo usado até que a implantação esteja completa, de acordo com anúncio feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O trabalho dos 2.000 voluntários que dedicam seu tempo na instituição é muito importante. É um voluntariado muito efetivo, com resultados muito positivos. O Ministério da Saúde vai continuar apoiando o CVV para que possa ampliar de forma significativa o acesso de pessoas a esse apoio emocional em momentos de angústias.

A ligação gratuita para o CVV começou a ser implantada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde, há quatro anos, após o incêndio da boate Kiss, no qual 242 jovens morreram.

O CVV existe há 55 anos e tem mais de 2.000 voluntários atuando na prevenção ao suicídio. Os únicos estados onde não há postos de atendimento são Roraima, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Rondônia. A assistência também é prestada pessoalmente, por e-mail ou chat.
O Brasil está entre os 28 países, de 160 analisados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que têm estratégias para prevenção ao suicídio.

No país foram registrados no Sistema de Informação de Mortalidade em 2014, 10.653 óbitos por suicídio, o que corresponde à taxa média de 5,2 por 100 mil habitantes. O índice de suicídios entre os homens (8,8) foi quatro vezes maior do que entre as mulheres (2,2). A faixa com maior incidência é a de 30 a 39 anos para os dois sexos. A meta global da OMS é reduzir as taxas em 10% até 2020.

Fonte: http://noticias.r7.com/saude/acordo-com-ministerio-da-saude-torna-ligacoes-para-centro-de-apoio-a-prevencao-do-suicidio-gratuitas-10032017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sorocabanos produzem filmes sobre o suicídio para lançar em setembro


O suicídio avança silenciosamente no Brasil como uma das principais causas de mortes em todas as faixas etárias, principalmente entre os jovens. E é sobre ele que o projeto Ouvidos calados se debruça. A ideia é sensibilizar o público sobre a importância de dar voz aos seus sentimentos e conscientizar para o conhecimento dos sintomas que podem levar a esta atitude desesperada. Para isso, serão produzidos dois filmes de curta-metragem: um documentário e uma ficção. O projeto reúne reconhecidos profissionais do cinema, fotografia e jornalismo de Sorocaba e conta com o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc), edital 2016. No momento os produtores buscam depoentes.

Conforme a jornalista e produtora cultural Janaina Caldeira, podem participar familiares de vítimas, amigos e pessoas que já pensaram em cometer suicídio, que queiram falar e ajudar na conscientização sobre o tema. Os interessados devem entrar em contato com Janaina pelo e-mail ouvidoscalados@gmail.com ou pela página Ouvidos calados, no facebook. "Nós ouviremos os depoentes e faremos a seleção daqueles que participarão do documentário. A intenção é buscar histórias verídicas com o intuito de ajudar a explorar o tema sempre com a finalidade da conscientização", explica Janaina.

Os filmes abordarão o tema com uma linguagem poética, conteúdo e informação. A ficção, com direção de Ricardo Camargo, traz uma história de luto para ilustrar as emoções que o suicídio gera na família. O filme mostrará a dor de uma mãe momentos antes do enterro do filho que tirou a própria vida. O roteiro, também de Ricardo Camargo, é inspirado num conto do músico Rolando Boldrin.

Atrás das câmeras estão o editor e diretor de cinema e vídeo Mauro Baptistella; o diretor de cinema e fotografia Ricardo Camargo; o diretor de fotografia Chores Rodrigues; e o produtor de cinema e vídeo Lucas Zalla, proponente do projeto.

Ouvidos calados ainda conta com participação da cantora e compositora Paula Cavalciuk, responsável pela música original; dos músicos Ítalo Ribeiro Bernardo e Válter Silva, que farão a trilha sonora do documentário e da ficção, respectivamente; da atriz Merlin Kern Sarubo, como personagem principal do curta de ficção; da preparadora de elenco Tatiana Vilela Zalla; do ilustrador Marcel Bartholo; e da estudante de cinema Giulia Baptistella Pissini.

Para o documentário serão captados ainda depoimentos e entrevistas de profissionais, como o psicanalista Ricardo Dih Ribeiro e da psicóloga Mariangela Moron Marques, além de voluntários do Centro de Valorização à Vida (CVV).

Além dos filmes, o projeto resultará em rodas de conversa com jovens nos oito Territórios Jovens da cidade, com a participação de toda equipe, depoentes e entrevistados para falar dos perigos da individualização e o não compartilhamento de suas emoções.

A previsão de lançamento é a segunda quinzena de setembro, mês em que é realizada a campanha Setembro Amarelo, de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/766217/sorocabanos-produzem-filmes-sobre-o-suicidio-para-lancar-em-setembro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO CVV

Suicídio: há algo estranho em nós?

Não é fácil assumir o papel de protagonista quando vemos um assunto como tabu. Nesse caso, no entanto, é urgente romper o silêncio, conversar e aceitar o fato de que sabemos muito pouco

Por Robert Gellert Paris Junior*

O PAÍS FOI SURPREENDIDO COM UM SUICÍDIO TRANSMITIDO AO VIVO PELAS MÍDIAS SOCIAIS HÁ DUAS SEMANAS. Não foi o primeiro caso em que um suicídio se tornou espetáculo e, com o avanço das tecnologias de comunicação, situações como essa podem virar rotina.

O suicídio é um problema mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. É uma das questões universais do ser humano que mata pelo menos uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos.

Sim. A maioria das pessoas se espanta na primeira vez que toma conhecimento desses índices, pois é muito mais gente do que imaginávamos; mas o lado positivo é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Muitos são portadores de doenças mentais e não têm condições de acesso a profissionais especializados; outros tantos têm uma crise e ninguém com quem contar. Com ajuda a maioria estaria viva.

Um estudo da Universidade de Campinas aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. Transformado em algo mais tangível pode-se dizer que são sete alunos em uma sala de aula, 35 passageiros em um avião e quase 12.000 torcedores num estádio da Copa do Mundo.

O Brasil ocupa o triste oitavo lugar no mundo em números absolutos de mortes por suicídio.

Existem algumas iniciativas públicas para tentar reduzir essa estatística, como o recente debate na Câmara dos Deputados para a formação de um grupo de trabalho para revisão das políticas públicas de prevenção do suicídio e a criação pelo Ministério da Saúde de um número para ligação gratuita, o“188”, com a finalidade de oferecer apoio emocional de emergência para prevenção do suicídio. Atualmente em operação exclusivamente no Rio Grande do Sul como fase piloto, o 188 deve ser expandido futuramente às demais regiões do país.

Ainda é pouco. Quando o assunto é prevenção de suicídio, ainda engatinhamos, pois o problema requer o envolvimento de todos.

Sim, isso diz respeito à toda a sociedade, e não somente às autoridades, pois é comum que se fuja ou se mude de assunto quando algum amigo nos procura para desabafar ou mesmo quando nossos filhos comentam em casa sobre um colega que tentou tirar a própria vida. Essas são oportunidades de melhorar a eficácia do círculo de relacionamento dos que precisam.

Não é fácil assumir nossos papéis de protagonistas quando vemos o assunto como um tabu. É urgente romper o silêncio em torno do suicídio, conversar sobre o assunto, aceitar o fato de que sabemos muito pouco a respeito, de que todos estamos suscetíveis e que existe prevenção. Estimular as faculdades de saúde a tratarem do tema em sala de aula, implantar programas confiáveis de desenvolvimento de habilidades sócioemocionais desde a infância, incluindo capacitar os professores a prestarem atenção aos sinais de seus alunos e oferecerem ajuda. Estimular as empresas a inserirem o tema em SIPATs e os pais a não se furtarem de conversar abertamente sobre a questão.

A cada novo fato “espetacular”, surgem novos culpados. As mídias sociais e a crise econômica são os mais recentes, mas podemos realmente colocar esses dois fatores no banco dos réus?

Dizer que sim seria simplificar a questão e lavar nossas mãos diante dos fatos.

As mídias sociais digitais são ferramentas disponíveis a quase todas as pessoas e podem ser bem ou mal utilizadas. Não são elas as responsáveis pela espetacularização do fato, mas sim as pessoas que se utilizam desse meio dando um “compartilhar” em um vídeo desses e transformando o sofrimento e a perda de uma vida em show.

Utilizar as redes para divulgar um ato de suicídio, ainda mais com detalhes e imagens, é o oposto da prevenção; é esquecer a pessoa que sofre e satisfazer alguma necessidade pouco nobre. Por outro lado, utilizar as redes para identificar sinais de alerta em conhecidos e oferecer ajuda, é fazer bom uso da tecnologia. Um exemplo interessante foi o Facebook ter criado, no ano passado, um recurso pelo qual um usuário pode alertar o administrador que um conhecido seu dá sinais de ideação suicida. E, nesses casos, o Facebook alerta essa pessoa que alguém está preocupado com ela e oferece opções de ajuda, inclusive com os contatos do CVV.

Esse pode ser o início de um processo para evitar o suicídio. A ajuda emergencial pode ser obtida por meio de um atendimento do CVV, que em seus 55 anos de atuação gratuita na prevenção do suicídio entendeu que as pessoas precisam ser acolhidas e aceitas nos momentos de crise, de sensação de solidão ou forte angústia, e não criticadas, cobradas ou julgadas.

Também a crise econômica não pode ser considerada totalmente culpada. Pode-se dizer que são raríssimos os casos, para não afirmar que são inexistentes, em que a tentativa de suicídio possui uma única motivação.

A pessoa é levada ao suicídio pelo acúmulo de situações com seus sentimentos por vezes insuportáveis. É usual que haja um fator desencadeante, como se fosse a gota d’água em um copo cheio, que a leva à sensação de total impotência e desespero.

Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e “adicionar água ao copo” de muitas pessoas. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, o que leva à necessidade comum a todos nós de encontrarmos maneiras de “esvaziar o copo” antes que chegue na borda. Para isso, cada um que se importa com a vida pode ser um recurso.

Fonte: http://veja.abril.com.br/complemento/pagina-aberta/suicidio-ha-algo-estranho-em-nos.html

* Robert Gellert Paris Junior é presidente do CVV – Centro de Valorização da Vida (cvv.org.br), entidade sem fins lucrativos que presta serviço gratuito e voluntário a todos que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e pessoalmente