terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio ainda não saiu do papel... I..

[Ecos do I Seminário Nacional de Prevenção do Suicídio...]

Enquanto o Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio está sendo elaborado fiquemos com os ecos do não tão distante I Seminário Nacional de Prevenção do Suicídio, evento que produzirá por muito tempo boas repercussões.

Transcreveremos tudo o que ocorreu durante o evento nas muitas linhas abaixo, por julgarmos pertinente e necessário. 

Abertura – 17 de agosto de 2006 

Mesa de debates
Tema : Impacto do Comportamento Suicida
Coordenador - Pedro Gabriel Delgado
Debatedores : Dr. Neury Botega (FCM, dep. de Psicologia Médica da UniCamp) e Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP), Dra. Blanca Werlang Guevara (PUC/RS), Pedro Gabriel Delgado (coordenador Nacional de Saúde Mental/MS).

O suicídio é um problema de saúde pública. Em 1995, foram registrados 900 mil óbitos, sendo que se estima que até 2.020, tenhamos 1,53 milhões de óbitos. Índices revelam que é maior o número de suicídios em pessoas com menos de 44 anos. De acordo com Bertoloto 2003, os diagnósticos mais freqüentes, em pessoas que se suicidam são: transtornos de humor 35,8%; abuso de substâncias psicoativas 22,4%; esquizofrenia 10,6%; transtornos de personalidade 11%; e sem diagnóstico 3,2%.

Vale ressaltar que uma pessoa que tenta suicídio tem cem vezes mais chance de suicidar-se. Num estudo feito, utilizando-se a escala de Beck e cols., de cada 100 pessoas: 17 pensaram em suicídio, 5 planejaram, 3 tentaram, e 1 efetivamente chega ao pronto-socorro (resultado de pesquisa realizada na Unicamp com 515 pessoas), num projeto que trata da prevenção do suicídio para profissionais da saúde.

Outras informações e contato: www.who.int/mental e botega@fcm.unicamp.br .

Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP)

Suicídio é um problema de saúde pública e pode ser prevenido. Suicídio e tentativa não configuram categorias diferentes. Toda tentativa de suicídio é uma forma de comunicação. No Mato Grosso do Sul há um quadro alarmante de suicídio dos índios da Tribo Guarani Kaeouá (de 100 mortes, 98 são por suicídio). Na região Sul, RS e SC apresentam os índices mais altos do Brasil.

Contato: carlos.felipe@saude.gov.br

Dra. Blanca Werlang Guevara (PUC/RS)

Há quatro formas de morte: natural, por acidente, por homicídio e suicídio. No Sul, o RS, seguido de SC tem índices muito altos de óbitos por suicídio, sendo 09 p/ cada 100 mil habitantes, enquanto o índice do Brasil é de 04 suicídios p/ cada 100 mil habitantes.

Numa pesquisa feita em escolas públicas e privadas, em POA, envolvendo 526 estudantes de 15 a 19 anos, 188 (36%) apresentaram idéias suicidas. Relato de várias outras pesquisas feitas com autópsia psicológica.

Contato: bwerlang@pucrs.br

Pedro Gabriel Delgado (coordenador Nacional de Saúde Mental/MS)

O suicídio não é um ato solitário ou individual, é um sintoma, um grito social. O sujeito que se suicida o faz em relação aos outros, ao local, ao seu ambiente.Há que sermos pragmáticos no campo da saúde e das políticas públicas em relação a isso. Temos que ter estratégias que sejam possíveis de implantar e que apresentam possibilidades de mensuração de seus efeitos e eficácia.

As políticas públicas devem ser pragmáticas. Deve-se aumentar a sensibilidade dos profissionais para que refinem sua atenção na detecção de possíveis suicidas. As estratégias devem ser em escala. Pragmáticos: iniciativas que tragam resultados!

Perguntas

A qualificação de profissionais deve ser feita dos que atuam na Atenção Básica, visto que o contato é direto com a população. Os suicidas estão alheios aos serviços de saúde, ou seja, não buscam o serviço em situação de crise. Qualificar também os atendentes gerais da sociedade, como: bombeiros, SAMU, policiais, etc. bem como incentivar a matéria de Psicologia na qualificação destes profissionais (técnicas de negociação, o que fazer, escuta, procedimentos de atenção em emergência de tentativa...), visto que nem sempre o que o senso comum acha, é uma estratégia válida.

Conferência

Dr. José Manoel Bertolote - OMS

Comparações entre o Brasil e o mundo. Em 2001, no mundo se suicidaram 849 mil pessoas, ou seja, um suicídio a cada 40 segundos, em algum lugar no mundo. População alvo: idosos (apesar de não ter aumentado nos últimos 15 anos) e jovens antes dos 24 anos, que até 1980 não ocupavam estatísticas de morte por suicídio.

96% dos suicídios registrados tinham previamente algum diagnóstico psiquiátrico, basicamente depressão e alcoolismo. Contamos com alguns fatores de risco em relação ao suicídio:

- Fatores Imutáveis: gênero, idade, etnia, orientação sexual, tentativas prévias, mudanças sócio-econômicas, anomia, ou seja, são condições com as quais a pessoa deve conviver por não haver possibilidade de alterá-los; e

- Fatores Passíveis de mudança: acesso aos meios (enforcamento, envenenamento), transtornos mentais (depressão e trans. bipolar, há como intervir), doenças graves (há como buscar tratamento), isolamento social, ansiedade, desesperança ou insatisfação, situação conjugal, situação empregatícia (perda do emprego).

Ações consideradas efetivas no controle do suicídio, de acordo com estudos da OMS:

- controle de substâncias tóxicas (p.ex. Paracetamol é extremamente tóxico, podendo provocar morte quando ingerido em grande quantidade, e, não é uma substância controlada, é comercializada livremente);

- tratamento de transtornos mentais (p.ex. alcoolismo);

- controle de armas de fogo; e

- imprensa menos sensacionalista; estas seriam ações que efetivamente poderiam contribuir no controle das mortes por suicídio.

Algumas ações que a OMS considera altamente discutíveis:

- programas em escola (assemelhado aos programas anti-drogas);

- centros de intervenção em crises (atendem a crise, no entanto, não fazem trabalho de acompanhamento, sendo evidentes as recaídas).

Já está disponível no site da OMS, material de literatura sobre prevenção do suicídio.

Outra coisa é mudar a forma de atenção, ou seja, do tratamento usual (salvando a vida) para uma intervenção breve de acompanhamento social, ou seja, um programa de monitoramento após a tentativa. Por exemplo, que se estruture a equipe de forma a: por telefone ou pessoalmente, indo à casa da pessoa que tentou suicídio, acompanhar o pós-tentativa, utilizando-se de duas perguntas básicas: “COMO ESTÁ?” e “PRECISA DE ALGUMA COISA?”.

Mensagem final:

1 – O suicídio é um problema de saúde pública.

2 - Pode-se prevenir.

3 – A prevenção é de todos nós.

10 de setembro é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

10 de outubro é Dia Mundial de Saúde Mental, em 2006 é a prevenção do suicídio. Informações e contatos: www.who.int/mental_health/, bertolotej@who.int, mbd@who.int.

Mesa de debates - 18 de agosto de 2006
Tema: Comportamento Suicida em Jovens
Coordenador - Ênio Resmini
Debatedores: Dra. Mônica Medeiros Kother Macedo (PUC/RS), Dr. Marcelo Tavares da UNB, professora Gisleine Scavacini Freitas, da Universidade Metodista de Piracicaba.

Dra. Mônica Medeiros Kother Macedo (PUC/RS)

“O impacto da dor psíquica”. Precisamos entender dois fatores:

a) A complexidade da adolescência, um estado de transformações biopsicosociais; e

b) “ A dor psíquica” deste momento. Apontou pesquisas realizadas por LAUFER, 1998, que mostraram oito eixos preocupantes (características) da relação dos jovens com comportamento suicida.

Contato: monicakm@pucrs.br

Dr. Marcelo Tavares (UNB) 

Trabalha na com Programa de Prevenção do Suicídio entre os acadêmicos.

Analisa que atualmente, s ituações novas, como relações pela Internet, novas identidades e identificações, por vezes falsas, etc, possam ser fatores que de certa forma estimulam os jovens à morte. Cita como exemplo recente, que circulou na Internet, o caso de quatro jovens japoneses que se encontraram uma única vez, para se suicidarem. O suicídio pode ser assistido pela Internet. O novo mundo virtual e as formações impactantes sobre a subjetividade.

Ressalta que os jovens hoje não morrem de doenças, morrem por comportamento. Aponta que atualmente há que se considerar algumas metodologias preventivas, em ordem:

UNIVERSAL – para todos (controle de substâncias);

SELETIVA – para grupos de risco (para quem já fez alguma tentativa de suicídio);

INDICADA – para risco eminente (tratamento em relação a idéias recorrentes, tentativas, depressão, etc)

Contato: mtavares@unb.bricps@unb.br.

PSIU - Projeto de Saúde Integral da Universidade.

Profª Gisleine Scavacini Freitas, da Universidade Metodista de Piracicaba

Pré-natal com adolescentes grávidas: prevenção em suicídio. Apresentação de pesquisa que realiza fazendo relação entre gravidez na adolescência e tentativas de suicídio.

Centro de Informação Toxicológica – 0800780200

Informações: www.cit.rs.gov.br

Conferência

Dr. Carlos Felipe Almeida D’Oliveira (MS e IASP)

O conferencista apresentou as Diretrizes Nacionais da Prevenção do Suicídio e também a Portaria 1876 de 14/08/2006, que cria as diretrizes. Fez um relato histórico de como iniciou-se no MS o processo de construção de uma política nacional de prevenção do suicídio. www.saude.gov.br (Secretaria de Atenção a Saúde)

Próximos Passos: GT para regulamentação das Diretrizes, Elaboração do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, adesão de novos parceiros, apresentação à Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, Discussão do PPA 2008-11. Em 2009 a Conferência da IASP (Internacional Association for Suicide Prevention) será em Montevidéu (visando intercâmbio com América Latina).

Contato: carlos.felipe@saude.gov.br - Secretaria de Atenção à Saúde – Min. da Saúde.

Mesa 3 

Tema :
Coordenador – Assunción Costa Caputti Filha
Debatedores: Dra. Letícia Legay (UFRJ), Peter Rembischevski (ANVISA), Dra. Flávia Valladão Thiesen (PUC/RS) e Walter Costa (secretário de Vigilância em Saúde/MS – Sentinela).

Dra. Letícia Legay (UFRJ)

“ Meios de prevenção”. O suicídio é um problema transcultural. Freqüência de óbitos segundo os meios utilizados: 1º: enforcamento, 2º e 3º: pesticidas e armas de fogo, 4º: medicamentos, 5º: precipitação de lugares altos e 6º: objetos cortantes.

Informações e contato: legay@nesc.ufrj.br, www.nesc.ufrj.br

Peter Rembischevski (ANVISA)

“Controle de Meios”. Os agrotóxicos são registrados no país pelo Ibama, Mapa e ANVISA. O Brasil é o segundo mercado mundial de agrotóxicos, o qual tem faturamento líquido de US$ 4 bilhões. A nona indústria química do mundo. Embora a ANVISA esteja retirando do mercado substâncias extremamente tóxicas e/ou substituindo por elementos com menor potencial de toxicidade, ainda assim no mercado negro circulam substâncias altamente lesivas, como por exemplo, chumbinho pra matar rato, que se adquire nas ruas do RJ por R$0,50 o pote, e que é bastante utilizado por suicidas. Citou vários outros exemplos de agrotóxicos, informações disponíveis na página da ANVISA.

Contatos: toxicologia@anvisa.gov.br, peter.rembischewski@anvisa.gov.br.

Dra. Flávia Valladão Thiesen (PUC/RS)

“Controle de meios: agrotóxicos”. Os agrotóxicos são os toxicantes mais usados em tentativas de suicído por terem grande potencial de mortalidade, e porque são de fácil acesso.

Walter Costa (secretário de Vigilância em Saúde/MS – Sentinela)

“Vigilância de acidentes e violências em serviços sentinela”. Fez a apresentação do projeto Sentinela da Secretaria de Vigilância em saúde do Ministério da Saúde, que visa identificar acidentes e violências de causas externas.

Contato: walter.costa@saude.gov.br

Mesa 4 

Tema : Experiências de Acolhimento do comportamento suicida
Coordenador – Cristine Kuss
Debatedores: Arthur Mondin, Dra. Teresa Gonçalves, Dr. Jair Segal

Arthur Mondin (CVV)

Apresentou as Diretrizes do CVV, as ferramentas que o programa utiliza e, como ele se mantém há 44 anos no país, sendo uma ONG. “Os voluntários do CVV ouvem e acolhem, não aconselham, não orientam, não sugerem”. O CVV tem uma chamada telefônica a cada 33 segundo. Em 2005, tiveram 1.150.000 chamadas. Número do CVV 141. Em Blumenau, antes do CVV, registravam um suicídio a cada 16 dias. Depois da criação da central do CVV, o número baixou para 01 suicídio a cada 36 dias. Estão criando um programa de treinamento para jovens voluntários para realizarem atendimento de jovens pela Internet.

Dra. Teresa Gonçalves (psiquiatra e psicanalista)

Em São Paulo, em 2001, o suicídio foi a quarta causa de mortes na faixa etária dos 10 aos 24 anos. Estes dados foram coletados por um projeto-piloto que envolveu unidades de pronto-socorros, unidades de vigilância em saúde, UBS, CRP-06 e universidades. A pessoa que havia tentado suicídio chegava ao Pronto Socorro e de lá era encaminhado para um programa de seguimento (neste, fazia-se a notificação, uma primeira entrevista e planejava-se um cronograma de acompanhamento social e psicológico após o atendimento de urgência). Desta forma, se a pessoa não comparecesse às consultas, procedia-se uma busca ativa junto à equipe responsável pelo seguimento, num formato de rede de serviços de acompanhamento.

Dr. Jair Segal, psiquiatra no Hospital de Pronto-socorro de Porto Alegre.

Relatou como são feitos os atendimentos às tentativas de suicídio. 

Fonte: http://www.crpsc.org.br/pagina.php?pagina=saude/prevencao_suicidio.php

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