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terça-feira, 8 de março de 2022

‘Com a Covid-19, os sintomas mentais aumentaram’ diz psiquiatra do Hospital Allan Kardec

Em meio ao Janeiro Branco, psiquiatra do Hospital Allan Kardec fala sobre a importância de discutir e cuidar da saúde mental, principalmente em meio ao período pandêmico que o mundo vive

A saúde mental nunca esteve tão em pauta. Em tempos de pandemia, o cuidado e atenção com a saúde mental ganharam tanta relevância. Durante o janeiro branco, mês em que a população é convidada a debater os assuntos ligados à mente, para a psiquiatra Thaís Bassi Cardoso, médica assistente no Hospital Allan Kardec, está cada vez mais claro para a população que cada ser humano pode, sim, precisar de ajuda na área de saúde mental, em algum momento da vida. E isso não é visto mais como um problema. “E esse, para mim, acaba sendo um motivo de otimismo em frente ao caos pandêmico que a gente está vivendo”, afirmou a profissional.

Acompanhe a seguir a entrevista com dra. Thaís.

– O que é o Janeiro Branco?

A gente pode ver que, em todos os meses do ano, são feitas campanhas como uma forma de conscientização da população a respeito dos temas de saúde que são mais prevalentes, mais importantes. É uma conscientização pensando, tanto na prevenção, quanto na busca por ajuda, desmistificação dos conceitos que a gente tem saúde-doença. E alguns exemplos que são mais conhecidos nossos, que eu poderia citar, seriam o Outubro Rosa, que é a campanha do câncer de mama, e o Novembro Azul, e a prevenção do câncer de próstata. A gente tem também o Setembro Amarelo, que é o mês da prevenção do suicídio. E temos também o Janeiro Branco, como uma forma de promoção em Saúde Mental, e que teve como inspiração boa parte dessas campanhas que eu acabei de citar.

– Qual a importância de destacar e discutir a Saúde Mental durante um mês?

A Organização Mundial de Saúde, a OMS, tem mostrado alguns dados são alarmantes e algumas projeções que também são bem preocupantes, no que diz respeito ao aumento na taxa dos transtornos mentais. O que significa, de uma forma direta e indireta, que a gente está falando em aumento da mortalidade, em aumento de morbidade, incapacidade funcional, laboral, além, também, de vários outros prejuízos sociais na vida do indivíduo.

A gente tem, em média, 800 mil casos de suicídio no mundo ao longo do ano. A depressão foi a principal causa de afastamento do trabalho em 2020 e ficou à frente de doença cardiovascular, por exemplo, e doença ortopédica, que também é bem frequente. O Brasil é o campeão mundial de ansiedade. Esses são só alguns dados, mas são uma mostra do que a gente está vivendo e isso, por si só, já justifica a gente abordar com muito cuidado esse tema, que é muito delicado. Foi então que, em 2014, um grupo de psicólogos “mineirinhos”, lá de Uberlândia, elaboraram uma proposta do Janeiro Branco, inspirado na campanha do Outubro Rosa, principalmente.

Aquilo, que teve início mais como uma forma local, regional, ao longo dos anos, principalmente a partir de 2016, vem crescendo de uma forma intensa. Ainda bem, né? E passou a adquirir um caráter nacional. Isso graças ao empenho dos estudantes, dos profissionais, da área PSI – tanto psicólogo, psiquiatra, alunos de residência e especialização, terapeuta ocupacional, nutricionista e vários outros.

É feita, então, uma divulgação, uma troca de conhecimento, informação, seja pela internet, rádio, programa de TV, as ações locais mesmo nas instituições que podem ser tanto públicas, quanto privadas, plano de saúde, UBS, hospital, ambulatório e os espaços comunitários também. É óbvio que esse complexo assunto aí da Saúde Mental não vai se esgotar ao longo desse mês de janeiro.

A importância (do Janeiro Branco), a gente percebe isso, que se faz necessário, ao longo do ano inteiro. Mas este mês acaba sendo um mês de destaque, que é dado a esse tema e que permite à gente, que abre a possibilidade de a gente fornecer a informação para a população, esclarecer sobre como agir, o que pode ser feito toda vez que a gente identifica alguém que esteja em sofrimento mental.

– Hoje vemos que a Saúde Mental é mais debatida entre a sociedade, mas podemos dizer que ainda há muita resistência?

Para mim é nítido, hoje, que esse tema tem sido mais debatido entre a sociedade, mas que ainda a gente encontra muita resistência. Por muito tempo, reinava aquele estigma de que o psiquiatra era o médico de louco, várias piadinhas circulando a respeito do atendimento em psiquiatria. Um exemplo: tem gente que brinca que a diferença entre o paciente e o psiquiatra é que o psiquiatra tem a chave do consultório. A gente percebe até mesmo no meio médico. Muitas vezes, a gente acaba sendo menosprezado enquanto psiquiatra. Tudo isso faz com que as pessoas demorem a buscar ajuda, seja por medo, preconceito, resistência.

– Com a pandemia, esses problemas aumentaram?

Eu não queria mostrar uma positividade, assim um otimismo tóxico, agora. É claro que é a pandemia tem sido catastrófica. Destruiu várias vidas, várias famílias. Acho que os prejuízos são incontáveis e de várias ordens. Mas apesar desse cenário trágico, um exercício que eu acho interessante de a gente fazer é tentar observar que, assim, em meio a tudo isso, o que dá para a gente aprender? Uma das lições que eu tenho visto diz respeito justamente a isso, que é o estigma da psiquiatria. Por quê? Com a Covid-19, a gente viu aumentar – e muito – os sintomas mentais.

Como esse processo que a gente vive é dinâmico e a pandemia ainda não acabou, é bem possível que esses dados sofram alguma modificação ao longo do tempo. Mas, de maneira geral, a gente viu uma piora dos sintomas em quem já era paciente atendido em Saúde Mental. A gente viu também uma incidência maior de transtorno, tanto depressivo quanto ansioso, nos pacientes que tiveram Covid. A gente viu também casos associados à infecção pelo coronavírus; alteração neurológica, como, por exemplo, encefalite; muito prejuízo de atenção, prejuízo de memória. E para ser mais precisa, uma metanálise mostra que teve um aumento de 30% dos transtornos mentais neuropsiquiátricos nos pacientes que tiveram Covid.

Uma outra coisa que a gente percebe é que os adolescentes e os escolares foram mais afetados. O Burnout, ou esgotamento em português, nos profissionais de saúde da linha de frente…

Mas por outro lado, um dado interessante, é que a população de uma forma geral experimentou, sim, o aumento dos sintomas. Mas percebam que eu falo sintoma e não transtorno. Então, aumento nos sintomas ansiosos e depressivos, que a gente pode acabar considerando como reativo a essa situação, como se fosse uma forma de adaptação que a gente está vivendo. E interessante também que esses sintomas, depois de um ano, voltaram ao patamar dos níveis que a gente tinha antes da pandemia, os níveis pré-pandemia. Ou seja, isso mostra que apesar de a gente estar sofrendo com isso, a gente tem conseguido agora apresentar uma certa resiliência e uma capacidade de adaptação. A pergunta é: até quando? Mas a gente tem visto isso. E eu acho que todo esse chacoalhão e os casos que a gente vê pipocando, tanto em hospital quanto em consultório, felizmente fizeram com que boa parte das pessoas percebesse que é – entre aspas – normal não se sentir bem e plenamente adaptado, a maior parte do tempo. E que isso não necessariamente é sinal de loucura, de doideira ou qualquer outra coisa do tipo.

Tem ficado claro que cada um de nós pode precisar de ajuda, em algum momento da vida. E esse, para mim, acaba sendo um motivo de otimismo em frente ao caos pandêmico que a gente está vivendo.

– Antes falava-se muito em “doença mental” e hoje o termo “saúde mental” é mais utilizado. Mudanças como essa ajudam a desmistificar o tema?

E falando também em estigma e preconceito, é interessante a gente perceber que antes falava-se muito em doença mental e hoje a gente tem observado algumas mudanças graduais nos termos que a gente usa. Apesar de serem algumas mudanças que, no primeiro momento, possam parecer simples, mostram uma grande quebra de paradigma.

Hoje em dia, a gente diz “transtorno” mental e não “doença”. O termo “psiquiatria” vem, muitas vezes, sendo substituído por “saúde mental”.

E o que isso significa em termos práticos? A gente tira o paciente do patamar de doente e a gente considera que ele pode, sim, ter uma variação do estado de saúde, que pode causar um incômodo, que pode comprometer o dia a dia dele, causa sofrimento, prejuízo, tanto para ele quanto nas relações interpessoais, no trabalho, com a família, com os amigos, por exemplo. E essa mudança é uma coisa muito positiva.

– Podemos falar em problemas, transtornos mentais decorrentes do modo de vida da sociedade atual?

De um modo geral, a gente tem visto uma tendência de aumento nos transtornos mentais. Isso pode acontecer tanto porque a gente tem falado mais em Saúde Mental, mas também pelo nosso modo de viver a vida. Tem uma frase que eu sempre falo com os pacientes, que diz: “Não é sinal de saúde ser adaptado a uma sociedade extremamente doente”. Então, eu não acho saudável, por exemplo, um funcionário tomar medicação para dormir, outra para ele se manter ativo, ficar disposto e com energia ao longo do dia. E junto a gente associa um antidepressivo para ele dar conta de se manter em um trabalho que, às vezes, é exaustivo e deixa ele esgotado. O termo Burnout nunca foi tão usado. E eu também não acho saudável a gente ver a cobrança, a autocobrança extrema e autodestrutiva que a gente vê nos estudantes universitários, que estão pipocando nos consultórios médicos.

E como eu falei antes, o Brasil é o “número um” em ansiedade no mundo. Quando a gente fala de depressão, é o quarto na América Latina. E isso não pode ser considerado normal. Eu acho que a gente precisa, com urgência, repensar o nosso modo de vida e de enfrentamento das dificuldades que a gente tem ao longo da vida.

– A dra. tem dicas de como a população pode cuidar da saúde mental, em meio a esse vai e vem da pandemia?

Há algumas dicas que eu poderia pensar a respeito disso, do autocuidado, justamente nesse período delicado que a gente está vivendo e que passa justamente por isso, o nosso modo de vida. Eu acredito assim fortemente na prevenção. Aquela máxima que a gente vê “prevenir é melhor que remediar”, para mim sempre foi muito verdadeira. Na medida do possível, uma alimentação com escolhas mais conscientes; atividade física, pensando tanto na melhora cardiovascular, de resistência, hipertrofia e tal, mas também na promoção de bem-estar emocional, porque a gente sabe, é científico, que há aumento das endorfinas, que isso também diminui a sensação de ansiedade, de depressão; uma boa noite de sono; interação social, na medida do possível – ou seja, videochamada também está valendo.

São todas essas medidas não medicamentosas que podem ajudar bastante, ser um grande aliado, um fator protetor quando a gente pensa em manter a nossa sanidade mental.

– Por fim, a pessoa que sinta que necessita de ajuda na área de Saúde Mental ou até um parente ou conhecido, como proceder?

Se você ou alguém próximo sentir que, mesmo com essas medidas não medicamentosas, seguindo essas orientações, está difícil caminhar e continuar, é a hora de a gente pôr o nosso próprio preconceito de lado e buscar ajuda. E essa ajuda pode ser desde os grupos sociais, grupo de autoajuda, grupo que envolve religiosidade, espiritualidade, quanto também uma ajuda mais formal: a psicoterapia, com os psicólogos, é sempre uma ferramenta muito importante de autoconhecimento e que pode ajudar a gente a promover em nós mesmos algumas mudanças que, às vezes antes, seriam impensáveis.

E além disso, uma avaliação do psiquiatra pode ser útil. Isso não quer dizer que você vai sair do consultório com uma prescrição de tarja preta na mão. Mas, muitas vezes, é uma questão de receber uma orientação que é importante naquele momento. Acho que se eu pudesse resumir, bem rapidamente o que eu falei aqui, para mim o principal seria: a nossa vida, a sua vida é muito preciosa. Não vale, por resistência ou qualquer outro motivo que seja, arrastar uma situação que é penosa e que vai ser fonte de sofrimento. E eu não estou dizendo, com isso, que o tratamento vai eliminar qualquer dificuldade que é inerente da vida, que a gente vai passar por elas. Mas pode tornar essa jornada muito mais leve. Então, para mim, a mensagem final seria: “cuidem-se”.

Fonte: https://folhadefranca.com.br/especiais/com-a-covid-19-os-sintomas-mentais-aumentaram-diz-psiquiatra-do-hospital-allan-kardec/

domingo, 9 de janeiro de 2022

A Finlândia também é aqui, bem ali em Maringá...

A aplicação eficaz dos recursos da saúde é uma questão de... gestão! No mais das vezes não é de ausência ou falta de recursos, mas de sólidas políticas públicas e de quem as aplique.

Os bons exemplos de gestão no Brasil são sempre objeto de admiração, mas raramente de estudo para a devida replicação.

Janeiro Branco: Prefeitura de Maringá tem rede ampla de apoio à saúde mental da população

7 de janeiro de 2022

O ano de 2022 iniciou com a Campanha Janeiro Branco destinada à divulgação, prevenção, tratamento e promoção do bem-estar mental e emocional. Diferentemente do Setembro Amarelo, que se pauta principalmente na prevenção do suicídio, essa campanha abrange a saúde mental em qualquer circunstância.

Apesar de as campanhas serem de suma importância para debater o tema, ações preventivas de conscientização e tratamento em relação à saúde mental da população são realizadas durante todo o ano pela Prefeitura de Maringá.

A Secretaria de Saúde oferece uma rede de atendimento especializado para o tratamento da saúde mental para a população. São quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) destinados para atender de forma integral e contínua pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, ou provocados pelo uso abusivo de álcool e outras drogas.

Um dos centros é voltado para atendimento de crianças/adolescentes e outro possui atendimento 24 horas com entrada na unidade entre 7h e 19h. As unidades têm equipe multiprofissional composta por assistentes sociais, enfermeiros, auxiliar de enfermagem, médico psiquiátrico, terapeuta ocupacional e psicólogos.

A rede de atenção à saúde mental também é estendida para as 34 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com atendimento psicológico. Em 2021, as UBSs atenderam 23.907 pessoas com o atendimento psicológico, e nos CAPS, mais de 60 mil ao todo.

A coordenadora da Saúde Mental, Maria Heloísa Cella, enfatiza os cuidados com a saúde das pessoas em sofrimento. “Precisamos falar sobre saúde mental, as pessoas precisam saber que, se estiverem em sofrimento, podem buscar ajuda”, destaca.
Veja os horários de atendimento, local e os serviços prestados em cada unidade:

CAPS I - Centro de Atenção Psicossocial Infantil: Serviço para atendimentos a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas, cujo comprometimento cause prejuízos acentuados em vários aspectos da rotina diária.
Horário de funcionamento: 7h30 às 18h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS AD II - Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e ou Drogas: é um local que oferece tratamento para a população maringaense adulta, que apresenta intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de álcool e outras drogas.
Horário de funcionamento: 7h às 19h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS II Canção - Centro de Atenção Psicossocial para atendimento a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes.
Horário de funcionamento: 7h as 18h.
Endereço: Rua Alfredo Pujol, 733

CAPS III: Atendimento para pessoas com transtornos mentais graves. Possui 12 leitos de acolhimento de curta permanência. O acolhimento em leito acontece diariamente das 7h às 19 horas. O cuidado recebido no acolhimento em leito funciona 24 horas.
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

Hospital Municipal - Emergência Psiquiátrica 24 horas
Rua. Ver. Gerson Soares Costa Kuriango esq. Av. Nildo Ribeiro da Rocha, s/n - Jd. Ipanema

Fonte: www2.maringa.pr.gov.br/site/noticias/2022/01/07/janeiro-branco-prefeitura-de-maringa-tem-rede-ampla-de-apoio-a-saude-mental-da-populacao/39080
 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Cuidado com saúde mental precisa fazer parte de nossa cultura

Desequilíbrio mental não é sinal de fraqueza e não é preciso ter vergonha. Diga não ao preconceito! Diga sim a você! Se ame e se cuide para ser sol, assim o seu jardim viverá com muito mais cores e luz. Vamos cuidar de nossa saúde mental!

Nice Bulhões (15 janeiro 2021)  

O Janeiro Branco é uma campanha ao estilo do Outubro Rosa e do Novembro Azul. Ela busca chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional das pessoas. 

2021 está no início e as notícias esta semana sobre o colapso do sistema de saúde de Manaus por conta da Covid-19 me deixaram ansiosa e nervosa. Respirei fundo e me lembrei que estamos no Janeiro Branco, uma campanha de conscientização em prol da construção de uma cultura de saúde mental na sociedade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter saúde é estar em "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade".

Eu não sei você, mas me sinto bem cansada e algumas noites tenho sono superficial diante da pandemia, da crise econômica e de algumas agruras do dia a dia. Por isso, penso que não há saúde sem a saúde mental! Para saber um pouco mais sobre a importância dessa campanha, cujo lema nesta 8ª edição é "Todo Cuidado Conta", busquei me informar. Pedi ajuda à Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC).

Quem atendeu ao meu apelo por informações foi o psiquiatra Osmar Henrique Della Torre, coordenador do Departamento Científico de Psiquiatria da SMCC. No vídeo abaixo, ele fala sobre a importância dessa campanha e o que fazer diante dessa nossa impotência diante desse novo vírus, que precisa ser "nosso inimigo em comum". Friso esse trecho entre aspas dito por Osmar porque muitas pessoas continuam ainda negacionistas, deixando de fazer o uso de máscara e promovendo aglomerações.

Depressão é um transtorno mental  

Segundo texto elaborado por Ana Carolina Pegoraro Martins, psiquiatra da Assessoria Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, essa combinação de fatores, como a pandemia e desemprego, "gera aumento dos índices de violência de todos os tipos e suicídio, e é esperado um grande aumento de novos casos de transtornos mentais e agravamento de quadros pré-existentes, numa expectativa de prevalência de 1 individuo acometido a cada 5 pessoas. E grupos vulneráveis, como idosos, por exemplo, ficam mais vulneráveis." O texto dela, intitulado "Sentimentos e sintomas frequentes na pandemia - Os Impactos na Saúde Mental" pode ser acessado no site da Programa Autoestima, do governo do Estado. Clique aqui para lê-lo na íntegra.  

Minha primeira postagem no blog, em setembro de 2020, foi "Setembro amarelo, seja um sol para alguém na primavera", para falar sobre o mês mundial de prevenção do suicídio. Eu posso e quero ser o sol de muitas pessoas, como disse anteriormente. Mas, para ser esse sol a iluminar e a ajudar a florescer os meus girassóis, preciso estar bem. Para isso, preciso cuidar de minha saúde mental.

A depressão é um dos transtornos mentais que pode levar ao suicídio, que atinge mais os jovens. Uma pesquisa feita pela internet com 11.863 indivíduos por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que mais da metade da população adulta do Estado de São Paulo sentiu ansiedade ou nervosismo com frequência desde que a pandemia causada pelo novo coronavírus começou.

Para 39% dos entrevistados nessa pesquisa, sentir-se triste ou deprimido passou a ser algo rotineiro durante a quarentena e quase 30%, que antes dormiam bem, começaram a enfrentar problemas de sono. Os dados foram coletados entre os dias 24 de abril e 24 de maio por meio de questionário on-line. 

Álcool e drogas usados com escapes

O Dia Mundial da Saúde Mental tem como data o dia 10 de outubro, instituído em 1992, pela Federação Mundial de Saúde Mental. Segundo matéria da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas): "Quase 1 bilhão de pessoas vive com transtorno mental, 3 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. E agora, bilhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pela pandemia de COVID-19, que está causando um impacto adicional na saúde mental das pessoas." 

Há uma relação entre o uso do álcool e problemas emocionais. Dado comprovado pela pesquisa feita pela Unicamp, UFMG e Fiocruz: "18% dos entrevistados relataram aumento no uso de bebidas alcoólicas durante a pandemia, índice similar entre homens e mulheres (...) e o aumento do consumo de álcool também está associado aos sentimentos de tristeza e depressão e foi relatado por 24% das pessoas com esse estado de ânimo".   

Acredito que, assim como eu, você tinha expectativa de que em 2021 voltaríamos à normalidade, como se fossemos detentores do poder de virar a chave do ano, simbolicamente, é claro. O problema é que os números da Covid-19 só aumentam, o que nos empurra ainda mais para a continuidade do isolamento social, causando piora em nossa saúde mental.

Mas, o Janeiro Branco está aí para nos convidar a mudar de postura, seja mental, física e psicológica. É tempo de olharmos internamente, respirarmos profundamente e praticarmos atividade física. Neste último quesito, preciso me esmerar; confesso. Também é tempo de sermos solidários.

Uma das campanhas de que tomei conhecimento é a que busca angariar materiais de higiene pessoal para mulheres em situação de cárcere, já que estão sem visitas nesse período de pandemia. As Promotoras Legais Populares (PLPs) Cida da Terra em parceria com o Coletivo Lélia Gonzáles, o Espaço Cultural Cupinzeiro e o Coletivo Mulheres pela Justiça buscam doações para o presídio feminino de Campinas, onde, segundo as PLPs, encontram-se cerca de 330 mulheres. 

A campanha Janeiro Branco foi criada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão. Ela objetiva colocar em evidência na sociedade dois temas: a saúde mental e a saúde emocional, e combater o preconceito relacionado aos transtornos mentais democratizando a informação sobre a saúde mental. Faz alusão ao início do ano, considerando janeiro como uma "página em branco" para ser preenchida com novas metas, objetivando o bem-estar da saúde mental. 


Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.

Fonte: www.acidadeon.com/circuitodasaguas/blogs/alma-inclusiva/BLOG,0,0,1574761,cuidado-com-saude-mental-precisa-fazer-parte-de-nossa-cultura.aspx


sábado, 25 de janeiro de 2020

Em Portugal e no Brasil (MT) as forças policiais trabalham em favor da saúde mental e da prevenção do suicídio

Estratégias de prevenção do suicídio têm de ser sempre atualizadas, alerta psicólogo da GNR


O chefe do Centro de Psicologia e Intervenção Social da GNR defendeu hoje, em Lisboa, uma atualização constante das estratégias de prevenção de suicídio nas forças de segurança, face à evolução das realidades com que são confrontados.

“Estes programas na área da prevenção do suicídio estão sempre inacabados, mesmo quando se atinge uma taxa zero”, disse à agência Lusa o tenente-coronel e psicólogo António Martinho, no final de uma intervenção na conferência “Forças de Segurança – Do Burnout ao Suicídio”, promovido pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG).

De acordo com o mesmo responsável, as estratégias adotadas recentemente já deram resultados, não se tendo verificado qualquer caso em 2018 na GNR, o que não acontecia há 23 anos: “É isso que nos incentiva e nos faz acreditar que é possível o zero”.

No ano passado, porém, houve dois suicídios. “São duas situações particulares em que não estando de serviço, têm acesso à arma de fogo, o que nos obriga também, do ponto de vista da ação do comando, a haver um maior controlo no acesso a armas de fogo por parte de quem não está efetivamente a desempenhar funções de serviço”, defendeu.

Questionado sobre a resposta da tutela, o oficial respondeu que têm sido adotadas várias medidas para prevenir “o flagelo”, entre palestras ao nível das subunidades e uma “reavaliação psicológica de todo o efetivo”, no sentido de tentar detetar fatores de riscos, por forma a fazer um encaminhamento para tratamento.

Segundo a mesma fonte, há “uma preocupação de intervenção na crise psicológica”, nomeadamente nas crises suicidárias, tendo sido disponibilizada uma linha telefónica de apoio 24 horas por dia (800 962 000).

Para o psicólogo, é “primordial” falar do tema sem tabus.

“Costumamos dizer que na sociedade ocidental há dois grandes tabus: a morte e o sexo. Parece que ninguém morre e ninguém tem sexo! Com o suicídio, o tabu agrava-se”, afirmou durante a intervenção na conferência, perante uma plateia de militares, psicólogos e dirigentes associativos.

Fonte: https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/estrategias-de-prevencao-do-suicidio-tem-de-ser-sempre-atualizadas-alerta-psicologo-da-gnr

PM realiza 6º Ciclo de Assistência Social, Saúde e Bem-Estar para policiais militares


No período 27 a 31 de janeiro, a Polícia Militar realiza em Cuiabá o 6º Ciclo de Assistência Social, Saúde e Bem-Estar (Cassbem). O evento é dirigido aos policiais militares e tem como foco a saúde física, mental, psicológica, espiritual e financeira.

A abertura será as 13h, no auditório Milton Figueiredo, na Assembléia Legislativa. A PM aproveitou o ‘Janeiro Branco’, a campanha nacional de conscientização sobre cuidados com a saúde mental e a prevenção do suicídio para iniciar a série Cassbem 2020. 

Nessa edição, as atenções estão voltadas aos policiais dos dois comandos regionais de Cuiabá e Várzea Grande (CR 1 e 2) e do Comando Especializado (unidade que reúne os batalhões Bope, Rotam, Ambiental, Trânsito e Cavalaria) e do Gefron. Também estão convidados policiais do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal de Várzea Grande.

Durante os cinco dias os participantes terão palestras com especialistas abordando temas sobre dependência química (álcool e outras drogas), prevenção a doenças cardíacas, câncer, transtornos mentais, comportamento suicida, estresse ocupacional (prevenção e tratamento), educação financeira, entre outros.

O coordenador de Assistência Social da PMMT, tenente-coronel Diego Tocantins, destaca que o Cassbem é resultado da preocupação e trabalho de integração dos setores de saúde e assistência social com o Comando Geral, Comandos Regionais e batalhões na busca de maior proximidade e mais qualidade de vida aos policiais militares e de seus dependentes.

Em 2019, cerca de 2.500 policiais de Cuiabá e dos 14 comandos regionais do interior participaram do curso e de dinâmicas sobre práticas saudáveis, identificação de doenças e a busca de apoio e tratamento especializado. O Cassbem é um programa permanente da PM, após essa primeira edição de 2020, assim como no ano passado, os ciclos serão estendidos aos policiais dos comandos regionais do interior que ainda não tiveram acesso ao curso.

Fonte: https://odocumento.com.br/pm-realiza-6o-ciclo-de-assistencia-social-saude-e-bem-estar-para-policiais-militares/

sábado, 23 de dezembro de 2017

Aumento exponencial no registro de tentativas de suicídio em Pelotas-RS

Com mudança no protocolo, registro de tentativas de suicídio aumenta 910% este ano em Pelotas
Secretaria de Saúde da cidade registrou 192 tentativas de suicídio até o final de outubro. Em 2016, foram 19
Com mudanças na forma de tratar os registros de tentativas de suicídio, Pelotas, no sul do Estado, viu aumentar significativamente a quantidade de notificações de casos na cidade. Em 2016, foram registrados 19 casos de pessoas que tentaram colocar fim à própria vida; em 2017, até o final de outubro, o número aumentou 910%, chegando a 192 tentativas. Com um controle maior desses registros, o objetivo da prefeitura, através da Secretaria de Saúde, é entender melhor o problema a fim de encontrar soluções adequadas.

Desde julho, os serviços de saúde de Pelotas passaram a dedicar mais atenção às tentativas de suicídio, questionando se muitos dos casos de lesões que passavam para atendimento se deviam mesmo a acidentes. Na cidade, os casos são mais frequentes entre os jovens, mas também houve aumento considerável nos registros envolvendo adultos e idosos.

— Temos tentado fazer eventos de conscientização, promover palestras em escolas e prestar esclarecimentos à população, sempre colocando os serviços da Secretaria Municipal da Saúde à disposição — relata Gicelma Kaster, coordenadora de Saúde Mental em Pelotas.

Sabe-se, porém, que os números podem ser ainda maiores, já que muitos casos acabam não indo para atendimento e, assim, não são registrados. Gicelma explica que está sendo realizado um estudo aprofundado sobre as tentativas de suicídio na cidade, em parceria com a Vigilância Epidemiológica.

— Com certeza ainda hoje, como antes, há uma subnotificação. Muitas vezes o familiar chega e não diz, ou não sabe dizer, que aquele acidente foi uma tentativa de suicídio. Mas realmente os números estão aumentando, o que nos preocupa — afirma Maria Regina Reis Gomes, chefe do departamento de Vigilância Epidemiológica da prefeitura de Pelotas.

Coordenador do Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Rafael Moreno Ferro Araújo informa que, em média, na estatística mundial, para cada suicídio registrado há entre 10 e 40 tentativas. Com cerca de 11,5 suicídios para cada 100 mil habitantes em 2016, Pelotas fica acima da taxa do Rio Grande do Sul (10) e próxima da taxa mundial (11). A cidade registrou 38 suicídios em 2016 e 36 até o final de novembro deste ano.

O psiquiatra explica que uma portaria publicada pelo Ministério da Saúde em 2014 tornou compulsória a notificação de tentativas de suicídio, mas que nem todas as secretarias de saúde e hospitais adotam a regra de maneira adequada.

No início do próximo ano, a prefeitura de Pelotas vai aderir à campanha Janeiro Branco, que planeja mobilizar a sociedade em favor da saúde mental.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2017/12/com-mudanca-no-protocolo-registro-de-tentativas-de-suicidio-aumenta-910-este-ano-em-pelotas-cjbidutmc02r101lszbimgkr3.html