Mostrando postagens com marcador Setembro Amarelo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Setembro Amarelo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Debate sobre depressão e prevenção ao suicídio percorrerá escolas de Santos a partir de setembro

Em tempos em que a depressão atinge quase 40% dos jovens brasileiros, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), direcionar holofotes à doença torna-se ainda mais necessário.

Visando ampliar o debate sobre o tema em Santos, foi lançado nesta quinta-feira (25), no Teatro Guarany, o projeto ‘Fala Galera’. A ação levará rodas de bate-papo e dinâmicas às escolas municipais e estaduais a partir de 1º de setembro. A iniciativa é da Coordenadoria da Infância e Juventude (Cojuv), da Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos.Iniciativa visa combater a doença entre os jovens

As primeiras escolas que aderiram ao projeto são Florestan Fernandes e Cidade de Santos (Embaré), José Carlos de Azevedo Junior (São Manoel), Irmão José Genésio (Morro José Menino), Oswaldo Justo (Chico de Paula), Mário de Alcântara (Valongo), Edméa Ladevid (Gonzaga) e Lourdes Ortiz (Aparecida).

O projeto levará ao ambiente escolar o escritor santista Marcos Martinz, 21 anos, reconhecido nacionalmente pelo livro ‘Até que a Morte nos Ampare’. A obra, que já vendeu mais de 10 mil exemplares e liderou a categoria Saúde no site Amazon, nasceu de manuscritos durante um tratamento de depressão. Escritor sofreu bullying no ensino médio e deu a volta por cima através da escrita

À época, com 16 anos, Martinz foi vítima de bullying na escola, fato que o levou a uma tentativa de suicídio. Superada a depressão, hoje o jovem santista retrata sua vitória pessoal nos bancos escolares com linguagem descontraída.

“Fico feliz e emocionado por poder contar minha história. Acredito que meu livro tem um papel de responsabilidade social. Muitas vezes quem está com depressão não sabe que contraiu a doença. Esse é um momento de despertar e abordar a valorização da vida”, ressaltou Martinz, que conversou com cerca de 150 jovens de grêmios estudantis de Santos, no lançamento desta manhã.

Além do bate-papo com o autor, o evento contou com manifestações artístico-culturais. Com temática voltada à prevenção do suicídio e participação de personagens da obra, o lançamento teve esquetes do grêmio estudantil Pedro II, além de apresentação musical do projeto TamTam.

Para a coordenadora do projeto, a educadora Christiane Andréa, o ‘Fala Galera’ conversará com os jovens santistas das mais variadas formas. “O projeto vai permitir uma conversa com esse renomado autor, abordando sentimentos, dores e as dificuldades de expressar suas emoções. Seja por meio da escrita, como foi com o Martinz, a música ou o teatro, a arte pode ajudar o jovem a superar a depressão”, ressaltou a chefe da seção de Políticas para a Infância e Juventude do Cojuv.

Fala galera

Entre os 150 estudantes presentes no Teatro Guarany, para Ana Laura Dias, 13, da Unidade Municipal de Ensino (UME) Ayrton Senna da Silva, o projeto auxiliará os jovens a lidar com as pressões sofridas no dia a dia. “Hoje os jovens sofrem muita pressão psicológica, seja por conta da escola ou fatos envolvendo amigos e família. E esse cenário não é fácil de lidar, até porque muitos não têm amigos. Esse projeto é bom para incentivarmos o diálogo nas escolas e mostrar que todos podem ser ouvidos e ajudados”, afirmou a estudante.


Já Agatha Luiza Batista, 14, da UME Cidade de Santos, acredita que o 'Fala Galera' contribuirá no bate-papo com os amigos de sala de aula. “Conheço colegas que sofrem com depressão, ansiedade e, sempre que posso, tento ajudá-los com uma palavra de conforto. O suicídio é um assunto muito delicado. Tenho certeza que esse evento de hoje vai me ajudar com futuras conversas, sem dúvida alguma”, destacou a solidária estudante. 

Itegrante das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio, o ‘Fala Galera’ também percorrerá as escolas durante os meses de outubro e novembro. Segundo a coordenação do projeto, a iniciativa ainda pretende marcar presença nas escolas da rede particular de ensino. 


Sinopse do livro

Todas as noites o espírito de Marcos é levado para um passeio ao mundo dos mortos por Dona Morte, para conhecer a história de algumas pessoas que estão estagnadas em um portal do outro lado da vida e que buscam a redenção.

Em um desses passeios noturnos, Dona Morte o apresenta a Rosa, uma jovem que morreu aos 17 anos, no dia de seu casamento. 'Até que a morte nos ampare' trata de assuntos sérios de forma leve. Com linguagem descontraída, o autor mescla suspense, drama e momentos divertidos na figura da simpática personagem Dona Morte, que com humor sarcástico presenteia o leitor com ensinamentos e reflexões.

A delicadeza para tratar de um tema que a maioria das pessoas ignoram - a depressão, principalmente entre os jovens - e o ritmo de suspense e mistério prendem a atenção do começo ao fim e fazem deste livro uma leitura indispensável.

Inscrições

Escolas públicas ou particulares interessadas em receber o projeto devem entrar em contato pelo telefone da Coordenadoria da Infância e Juventude de Santos: (13) 3202-1889.

Fonte: www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/debate-sobre-depressao-e-prevencao-ao-suicidio-percorrera-escolas-de-santos-a-partir-de-setembro

sábado, 9 de outubro de 2021

Karine Wlasenko Nicolau | UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso -  Academia.edu

"Campanha deveria promover a vida ao invés de falar em suicídio"

A psicóloga e professora da UFMT Karine Wlasenko Nicolau acredita que a campanha do Setembro Amarelo deveria focar mais na valorização da vida ao invés de falar em prevenção ao suicídio. 

O Setembro Amarelo foi criado no Brasil em 2015 por uma iniciativa do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A ideia é conscientizar sobre a prevenção ao suicídio e dar visibilidade à causa.

"Temos que cuidar das palavras que a gente usa e o modo como a gente trata a situação. Prevenção do suicídio fica uma coisa muito no ar. Para se prevenir eu tenho que ter alguém que se coloque como potencial suicida, isso é um problema. Temos que tomar muito cuidado para que não seja um disparador", afirma a psicóloga, em entrevista ao MidiaNews

Segundo a Karine, que é doutora em Ciências e Tecnologias em Saúde na área de Saúde Mental, uma forma de combater a depressão e os pensamentos suicidas é se socializar mais. "Se você me perguntar qual é a receita do bolo, seriam as ligações da vida, o compromisso com ela e o não isolamento", disse. "É uma ironia falar isso na pandemia, mas numa pandemia a gente pode se isolar fisicamente e mesmo assim fazer contatos". 

Na entrevista, a profissional falou ainda sobre a necessidade de as pessoas naturalizarem mais a morte, os sinais da depressão e os tratamentos.

Confira os principais trechos da entrevista:

MidiaNews - Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver depressão? Há gatilhos ou facilitadores que acionam a doença?  

Karine Wlasenko Nicolau - Teoricamente sim. Qualquer pessoa poderia desenvolver uma depressão, mas isso não é o que acontece individualmente. A depressão se desenvolve no contexto de vida de uma pessoa e não de modo isolado. Envolve o modo como ela vive, se alimenta, se relaciona e especialmente de como ela investe a energia no seu dia. Essa é uma questão bem importante: a organização da vida como um fator. 

Na abordagem terapêutica que eu trabalho a gente entende que haveria tipos de personalidades mais e menos propensas à depressão. Costumamos pensar isso como aquele marcador de incêndio que tem aqui no Centro-Oeste. Ele pode estar com maior risco de “fogo”. Mas uma pessoa com personalidade propensa pode passar a vida toda sem risco de “incêndio”. Enquanto outra pessoa, aparentemente com menor risco, pela situação de vida, pode ser levada a ter um quadro mais grave de depressão. Então, teria uma predisposição, de alguma forma, mas estaria muito mais atrelada às condições de como essa pessoa vive e organiza sua vida e faz as suas ligações e conexões, especialmente as conexões sociais. 

MidiaNews - Como a doença age na mente e no corpo de uma pessoa? 

Karine Wlasenko Nicolau - A gente costuma comparar a depressão com uma tristeza, mas a depressão não é uma tristeza. É um rebaixamento psicoemocional que afeta o organismo de um jeito sistêmico, ou seja, total. Ela afeta as emoções, a movimentação, etc. Não está localizada, não tem como extrair, por exemplo, a depressão de uma pessoa. Ela é um nível de desenergização no sentido de funcionamento, de ter força para tocar a vida. Esse é um traço importante da depressão do ponto de vista psicopatológico. 

MidiaNews - Quais as formas de diagnosticar a doença? 

Karine Wlasenko Nicolau - Na parte da psiquiatria a gente tem o exame clínico, basicamente, e na psicologia também temos muitas testagens utilizadas e validadas para identificar a depressão. A gente pode dizer que existe um diagnóstico formal para a depressão: médico, psicológico e psiquiátrico. Mas a depressão nas pessoas é muito particular. É uma resposta a certas condições psicoemocionais e de vida. Os relatos sobre a depressão ou registros médicos têm muito mais a ver com a necessidade dos profissionais de trocarem informações, do que para atender as pessoas.

MidiaNews - Como é possível sair de um quadro de depressão? 

Karine Wlasenko Nicolau - Existe todo um caminho particular para cada pessoa resgatar as suas emoções, especialmente o contato consigo mesmo para sair da depressão. Inclusive com a movimentação física e com o resgate dessa fortaleza, porque a depressão tem a ver com o desligamento dos processos da vida. No entanto, cada um faz esse desligamento de uma forma diferente, esse processo é muito próprio. Isso é importante de ser observado, porque os tratamentos também têm que ser muito voltados para cada pessoa, não pode ser nada muito parecido, muito homogêneo.

Se você me perguntar qual é a receita do bolo, seriam as ligações da vida, o compromisso com ela e o não isolamento. É uma ironia falar isso na pandemia, mas numa pandemia a gente pode se isolar fisicamente e mesmo assim fazer contatos. Então, é nesse movimento de vinculação, de compromisso, de colaboração coletiva que está a saída. Quanto menos a gente colabora coletivamente, mais estamos propensos a ter depressão.

MidiaNews - Podemos falar em diferentes níveis ou estágios da depressão? Como isso funciona? 

Karine Wlasenko Nicolau - Podemos dizer que sim. A gente costuma falar em depressão leve, depressão moderada e depressão grave. Isso tem a ver com os efeitos que esse quadro psicoemocional tem nas pessoas e o quanto a vida dela fica comprometida por conta disso. 

Então, é claro, se pensar na promoção da saúde e na prevenção, a gente deveria estar com o olhar atento para esses momentos e essas ligações com relação à qualidade de vida, para que um quadro de depressão não se aprofunde, não se desenvolva. Com uma gravidade maior dessa doença, a gente também tem maiores dificuldades, inclusive da pessoa procurar atendimento, procurar ajuda. 

MidiaNews - Quais as possíveis formas de tratamento para a doença?

Karine Wlasenko Nicolau - Hoje em dia temos muitas abordagens, tanto na área clínica - mais tradicional -, quanto em práticas integrativas que hoje já fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e trabalham com todos os quadros de depressão. Mas o tratamento é algo muito individual. Não podemos dizer que existe um que seria padrão. 

Às vezes a medicação é necessária para que a pessoa consiga sair desse quadro e comece a desenvolver ações que resgatem essas ligações que ela perdeu

Na minha área, que é essa psicologia do corpo, a gente vai trabalhar muito com a questão corporal: a movimentação, a respiração e o exercício físico - importante no quadro depressivo. Há pessoas que mesmo em quadros leves sentem muito cansaço e desmotivação para o movimento físico, mas ele pode ter um efeito muito positivo. 

O mais importante é que a pessoa tem que participar desse processo, não só receber esse tratamento passivamente. Ela deve entender que o quadro em que ela se encontra é uma resposta. Não se pega depressão, se desenvolve um quadro depressivo por algum motivo na vida

MidiaNews - Toda pessoa que tem depressão está sujeita a ter pensamentos suicidas? 

Karine Wlasenko Nicolau - Poderíamos dizer isso por causa desse rebaixamento, desse cansaço, desse desconforto que ela sente, mas isso não é regra, não. Há estudos mostrando, por exemplo, que muitos jovens que fizeram a tentativa [de suicídio] demonstram um impulso que depois não se repetiu. Isso mostra que [o suicídio] tem um caráter impulsivo e nem sempre é decorrente de um quadro depressivo muito grave. Por outro lado, existem outros estudos mostrando uma tendência da pessoa que teve uma tentativa, fazer uma nova tentativa. As coisas são singulares, são muito particulares.

Isso de certa forma mostra que não devemos estigmatizar a coisa toda, do tipo: “Quem está com depressão vai tentar o suicídio”, não, não vai. É relativo, são respostas das pessoas para as vida delas. 

MidiaNews - Campanhas como a do Setembro Amarelo causam efeito? Elas são realmente efetivas? 

Karine Wlasenko Nicolau - O que eu te falo é profissional, mas também pessoal. Pensando em efetividade, eu diria que o Setembro Amarelo deveria ser um mês para a gente promover a vida. Temos que cuidar das palavras que a gente usa e o modo como a gente trata a situação. Então, talvez, em vez de ser um mês de prevenção do suicídio, devesse ser um mês de promoção da vida. Isso faz sentido, porque todos nós precisamos dessa promoção da vida.

Prevenção do suicídio fica uma coisa muito no ar. Para se prevenir eu tenho que ter alguém que se coloque como potencial suicida, isso é um problema. Temos que tomar muito cuidado para que não seja um disparador, principalmente para as pessoas com uma personalidade mais impulsiva, que nem estavam em um quadro depressivo tão grave assim. Às vezes outras patologias psíquicas podem levar a pessoa a pensar em suicídio, mas não necessariamente a depressão. 

MidiaNews - Quando o pensar na morte pode se tornar um risco para a pessoa?

Karine Wlasenko Nicolau - Do ponto de vista cultural, pensar na morte é algo importante, só não precisamos ser fixados nela. Talvez, inclusive, a nossa negação da morte traga tantos problemas em relação às ligações em vida. Devemos pensar na morte como processo da vida. Somos finitos, nenhum de nós é eterno. 

Na nossa cultura parece que a morte é um acidente, mas ela não é. Ela é natural e faz parte da vida. Naturalizar mais a morte pode ser um grande ganho, inclusive para a promoção da saúde mental: é pensar nisso, é lidar com isso, é passar por isso. Principalmente nesse período que estamos vivendo [pandêmico] em que muitas pessoas estão lidando com a morte. É importante que as pessoas passem pelo luto para entrar em contato com uma outra parte da vida

MidiaNews - A que sinais familiares e amigos devem ficar atentos para evitar um possível suicídio? 

Karine Wlasenko Nicolau - Acho que um sinal importante é a mudança. Quando a gente nota muito retraimento, muito cansaço. Eu não pensaria exatamente na questão do suicídio, mas mais na questão da depressão, que é mais visível. No caso do suicídio, em alguns quadros a gente não consegue identificar assim com tanta antecedência. Mas no caso da depressão como sendo um fator, não o único, mas um deles, é observar essa mudança e lembrar que muito da depressão tem a ver com esse desligamento

Buscar sempre o contato dos familiares, não é controlar, mas manter esse contato, o vínculo, manter a conversa aberta. O controle tem um efeito paradoxal que, ao invés de ajudar, atrapalha. 

MidiaNews - Há algum registro de aumento de casos do adoecimento mental durante a pandemia?

Karine Wlasenko Nicolau - Temos uma pesquisa em andamento com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Brasília, Goiás e com Mato Grosso. São quatro universidades federais do Centro-Oeste reunidas para fazer um mapeamento do panorama de saúde mental com docentes, técnicos e estudantes das unidades. 

A gente está observando que a ansiedade disparadamente é um fator nesse período [de pandemia], em maior número do que a depressão. Os nossos dados devem ser processados ao longo dos próximos meses e a gente deve ter mais informação sobre isso, mas na prévia já observamos que a ansiedade é o grande fator, em termos psicopatológicos. 

MidiaNews - No cenário de pandemia, muitos são os possíveis fatores que geram ansiedade. É possível destacar algum deles como sendo o principal causador? 

Karine Wlasenko Nicolau - Pelo que eu tenho percebido, é a superestimulação nesse período. Todos nós estamos imersos com o mundo virtual. Alguns ainda com sobrecarga na família, pessoas adoecidas, além da expectativa, que é o primeiro ponto da ansiedade. 

A ansiedade como expectativa seria uma coisa interessante quando a gente se abre para uma novidade. Mas quando ela não cessa, a gente passa o dia esperando alguma coisa. 

Uma metáfora da ansiedade seria a suspensão, nós ficamos suspensos esperando algo. Mas já estamos há quase dois anos esperando. Então isso é um gerador de ansiedade. Os estímulos deveriam gerar uma resposta e nem sempre é o que acontece. Por exemplo, quando você observa algum noticiário com uma situação grave ou muito dramática - como a que temos visto -, você não consegue dar uma resposta imediata para aquilo, é só o impacto. 

Fonte: www.midianews.com.br/cotidiano/campanha-deveria-promover-a-vida-ao-inves-de-falar-em-suicidio/407614 


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Especialistas alertam sobre sinais de ideação suicida em adolescentes e crianças

Em referência ao Setembro Amarelo, a  Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), em parceria com Secretaria da Saúde (SESAB), realizou, nesta quarta-feira(15), duas ações para debater a prevenção do suicídio. Pela manhã, no auditório da Escola de Saúde Pública da Bahia, a psicóloga Aline Villafane abordou o tema “Como identificar sinais de ideação suicida em adolescentes e crianças”. À tarde, através do canal do Youtube do Instituto Anísio Teixeira (IAT), foi realizado um debate sobre a “Segurança e o cuidado com a vida”, com membros da Polícia Militar da Bahia.
 
A psicóloga Aline Villafane alertou sobre sinais que todos devem estar atentos. “São as mais diversas possibilidades. Precisamos ficar atentos quando a criança e o adolescente ficam inapetentes, quando deixam de se cuidar da maneira habitual, ou seja, vestem qualquer roupa ou ficam repetindo a mesma sem nenhuma preocupação ou quando mudam bruscamente de comportamento e humor. Um outro ponto importante é observar os sinais de automutilação. Normalmente, se escondem com blusas de mangas compridas e fazem cortes em locais diversos, como virilhas e axilas, porque são fáceis de esconder. Ao percebermos os sinais, devemos tentar nos aproximar do adolescente para ver se ele consegue se sentir à vontade para falar do seu sofrimento. Se a pessoa estiver suscetível à conversa, devemos procurar saber dela a melhor maneira de ajudar e construir com ela esse processo de cuidado. Caso não consiga,  precisamos acionar um atendimento especializado”.
 
De acordo com o subsecretário da Educação do Estado, Danilo Souza, que mediou o segundo encontro, o tema delicado precisa ser pautado durante o ano com as comunidades escolares e toda a sociedade. “Estamos conversando sobre a vida, com um debate importante e atual. Vivemos momentos difíceis, com perdas irreparáveis de entes queridos e ainda estamos passando por este processo de pandemia. Temos que pensar em solidariedade e juntar forças para enfrentar a tristeza e os momentos difíceis com esperança e lucidez. Com um olhar fraterno e atento, podemos acolher e cuidar da saúde mental e construirmos um mundo mais justo para todos”.
 
Rosário Muricy, que é superintendente de Recursos Humanos da SEC, participou das duas atividades e ressaltou que a campanha, promovida por meio do Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor, fortalece ações de escuta e cuidado para prevenção do problema. “O suicídio é uma questão de saúde pública e a educação é algo fundamental para levarmos o conhecimento às nossas redes e podermos identificar e tratar o tema com cuidado e muito zelo. A escola é um espaço onde temos a possibilidade de ler os nossos estudantes, identificando os problemas que indicam que a pessoa precisa de uma ajuda e a rede de Educação é fundamental para promoção de uma maior conscientização no despertar de um olhar sem preconceitos sobre a temática”.
 
Também participaram dos encontros a coordenadora do Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor, Elisabeth Dias; a major Patrícia Silva; a capitã Maria da Soledade; o cabo Nei Cleber; e a diretora de Gestão de Cuidado da SESAB, Liliane Silveira. A transmissão contou com a tradução em Libras pela intérprete Taiane Alves. Na próxima quinta (22), a campanha continua com a palestra “Criando esperança por meio da ação” com Catarina Dhal, representando a Organização Pan-Americana de Saúde.

Fonte: http://escolas.educacao.ba.gov.br/noticias/setembro-amarelo-especialistas-alertam-sobre-sinais-de-ideacao-suicida-em-adolescentes-e-cr

Diálogo familiar previne incidência de depressão em idosos

Manter uma rotina de consultas e exames pode trazer prevenção e preparo para o idoso

Em setembro, desde 2015, é realizada uma campanha de prevenção do suicídio pelos profissionais da saúde com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema. Com os anos, o "Setembro Amarelo" foi ganhando mais força e trazendo ainda mais apoio para pessoas que sofrem de depressão.

Contudo, ainda há um mito que ronda o assunto que insiste em afirmar que essa é uma patologia desta geração e que os mais velhos não sofrem com este mal, porém, quem acredita nisso está enganado. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa do suicídio entre idosos a partir de 70 anos, nos últimos seis anos, aumentou, ou seja, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nesse período.

Além disso, 51% dos casos de suicídio no Brasil ocorrem dentro de casa, aponta outro dado da FioCruz, o que é o fator principal de risco para os casos de suicido dos idosos, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Para a psicóloga Tais Fernandes, da Said Rio, empresa de cuidadores de idosos, é muito importante levar essa informação e esses dados à sério. "Na terceira idade, homens e mulheres enfrentam muitos desafios, que podem ser desde a dificuldade em manter o convívio social, até as limitações físicas. Apesar dessas incapacidades serem consideradas normais a partir dos 60 anos, isso gera desconforto nos idosos que até então eram independentes e agora precisam de cuidados especiais"
Pensando nisso, a profissional resolveu listar 5 dicas para evitar a depressão nos mais velhos:

• Estimular um estilo de vida saudável

Poucos sabem, mas manter uma vida regrada com uma boa alimentação e prática de exercícios físicos podem evitar o surgimento dessa doença, isso porque, esses hábitos estimulam os hormônios da felicidade e fazem com que o idoso se sinta melhor consigo mesmo e até mais disposto.

• Formação de grupos

O item acima pode ajudar neste tópico. Ao começar a praticar uma atividade do gosto do idoso, ele pode conhecer pessoas da mesma idade e com interesses em comum, assim, ele terá com quem conversar e não se sentirá deslocado.

O mesmo vale para a família, procurem se unir mais com os pais e os avôs de idade, conversem sobre assuntos que eles também conheçam, isso evita que eles se distanciem do contato social.

• Trabalhar a aceitação

Isso pode até não ser uma tarefa fácil, mas é uma das principais a serem trabalhadas com o grupo da terceira idade. Para alguns é mais difícil que outros aceitar que a velhice chegou, mesmo que sabemos que isso é um fato e que vai acontecer.

Por isso, converse, explique, mostre para seu familiar e amigo, que isso é normal, e que assim como em todas as outras fases da vida, o envelhecimento também tem seus charmes e vantagens.

• Mantenha uma rotina com seu médico

Nessa fase da vida, o surgimento de doenças se torna comum, por isso manter uma rotina de consultas e exames pode trazer prevenção e preparo para o idoso. Além disso, ele poderá ter consciência do que acontece com o corpo dele e isso trará uma sensação de segurança e independência.

• Se necessário, procure a ajuda de um profissional

Mesmo com todas as dicas de prevenção, nem sempre conseguimos controlar o que irá ou não acontecer. Por isso, o mais importante é estar atento aos sinais e procurar ajuda profissional quando necessário. Não tenha receio do prognóstico, confie que a melhor solução e tratamento virá de uma pessoa que entende do assunto.

"Hoje em dia, os tabus em volta da depressão e do suicídio estão cada vez menores e precisamos usar isso para prevenir essa doença que atinge pessoas de todas as idade. Atente-se aos sinais, alterações de humor e hábitos, diminuição de autoestima e da capacidade de sentir felicidade, cansaço, pensamentos negativos recorrentes, entre outros. A família e os amigos podem salvar vidas", finaliza a psicóloga Tais.

Fonte:  https://folhabv.com.br/noticia/SAUDE/Saude/Dialogo-familiar-previne-incidencia-de-depressao-em-idosos/79861



terça-feira, 21 de setembro de 2021

Campanha de prevenção ao suicídio envolve comunidade em Hospital da USP em Bauru

Com a participação de mães e acompanhantes em espera cirúrgica, atividades no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais buscam esclarecer sobre intervenções eficazes para prevenir o suicídio

Distribuição de material informativo faz parte das atividades do Setembro Amarelo

.Desde o início do mês, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru vem promovendo várias atividades de conscientização e orientação sobre a prevenção do suicídio. O objetivo é colaborar com as ações do Setembro Amarelo, uma campanha nacional que tem o apoio de várias instituições de saúde como o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria.

No HRAC, o tema é lembrado com cartazes e decoração especial na cor amarela em vários locais do hospital, como ambulatórios e recreação. A confecção da decoração e dos laços amarelos contou com a participação de mães e acompanhantes em espera cirúrgica e equipe do Serviço de Educação e Terapia Ocupacional.

Nas salas de espera do hospital, foi realizada ação de orientação sobre a prevenção do suicídio, com leitura de mensagem informativa e de conscientização elaborada pelos residentes de Serviço Social e Psicologia, e esclarecimento sobre a disponibilidade dessas duas especialidades diante de possível demanda.

Durante a atividade, também foram entregues aos pacientes e acompanhantes folders informativos, marcadores de página e fitas amarelas doadas pelo CVV de Bauru, além de marcadores de página confeccionados pelas mães e acompanhantes em espera cirúrgica.

As ações da campanha são realizadas pelo Grupo de Trabalho de Humanização e Educação Permanente e pelo Serviço Social em parceria com o Serviço de Educação e Terapia Ocupacional e a Seção de Psicologia, todos do HRAC.
.

Atividades com acompanhantes de pacientes durante o Setembro Amarelo 

Principal causa de morte no mundo

O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo responsável por uma em cada 100 mortes. Além disso, estudos demonstram que a pandemia ampliou os fatores de risco associados ao suicídio, como perda de emprego ou econômica, trauma ou abuso, transtornos mentais e barreiras ao acesso à saúde.

Ainda de acordo com a OMS, o estigma, os recursos limitados e a falta de conscientização continuam sendo as principais barreiras para a busca de ajuda, destacando a necessidade de alfabetização em saúde mental e campanhas antiestigma.

Criando esperança por meio da ação é o tema da campanha de prevenção ao suicídio deste ano, organizada pela Associação Internacional para a Prevenção ao Suicídio (Iasp) e endossada pela OMS, com o objetivo geral de aumentar a conscientização sobre a prevenção ao suicídio em todo o mundo.

Sinais de alerta

A maioria dos suicídios é precedida por sinais de alerta verbais ou comportamentais, como falar sobre o desejo de morrer, sentir grande culpa ou vergonha ou se sentir um fardo pelos outros. Outros sinais são sensação de vazio, desesperança, de estar preso ou sem razão para viver; sentir-se extremamente triste, ansioso, agitado ou cheio de raiva; ou com dor insuportável, seja emocional ou física.

Mudanças de comportamento; afastar-se dos amigos, despedir-se, distribuir itens importantes ou fazer testamentos; fazer coisas muito arriscadas, como dirigir em velocidade extrema; mostrar mudanças extremas de humor; comer ou dormir muito ou pouco; usar drogas ou álcool com mais frequência também podem ser sinais de alerta.

Intervenções eficazes para prevenir o suicídio estão disponíveis. Em um nível pessoal, a detecção precoce e o tratamento da depressão e dos transtornos por uso de álcool são essenciais para a prevenção ao suicídio, bem como o contato de acompanhamento com aqueles que tentaram o suicídio e o apoio psicossocial nas comunidades. Se uma pessoa detectar sinais de suicídio em si mesma ou em alguém que conhece, deve procurar a ajuda de um profissional de saúde o mais rápido possível.

O CVV presta apoio emocional e de prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e gratuita todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, pelo telefone 188 (sem custo de ligação) ou pelo site www.cvv.org.br.

Fonte: https://jornal.usp.br/universidade/campanha-de-prevencao-ao-suicidio-envolve-comunidade-em-hospital-da-usp-em-bauru/

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Prevenção do suicídio: ‘esperançar’ outra pessoa com ação e empatia 

Paulo Bogler

Voluntária do Centro de Valorização da Vida em Foz, Mariana Hernandes aborda o Setembro Amarelo e como apoiar quem precisa de ajuda.

O assunto ainda é considerado tabu, mas os números são alarmantes. No ano passado, ocorreram 12.895 suicídios no Brasil – ante 12.745 em 2019 –, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o que representa uma ocorrência a cada 41 minutos. Diante dessa realidade, o Setembro Amarelo é um mês inteiro dedicado à preservação da vida, e 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

A importância de cuidar da saúde mental é todos os dias, e o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece serviço gratuito para ouvir pessoas em momentos de crise, nas 24 horas do dia e nos 365 dias do ano. O programa Marco Zero, produção do H2FOZ e da Rádio Clube FM, entrevistou a voluntária Mariana Hernandes. Assista à entrevista.

A escuta fraterna é feita pelo telefone 188, por chat ou e-mail (acesse Quero Conversar), sendo totalmente sigilosa e sem gravação da conversa. Uma das organizações não governamentais mais antigas do país, que completará 60 anos em 2022, o CVV conta com um posto em Foz do Iguaçu, que reúne 13 voluntários.

“O Setembro Amarelo é fundamental para se quebrar com o tabu em torno do suicídio, pois assim se buscam maneiras de prevenção, de colocar a população a par e criar um ambiente mais seguro e acolhedor para tratar sobre o tema”, afirmou Mariana. Esses tabus vão desde a religião aos limites estabelecidos por famílias impactadas por casos de suicídio, elencou.

“O que a gente pode fazer? Escutar empaticamente.”

Conforme a voluntária do CVV em Foz do Iguaçu, as pessoas em geral dão sinais em relação ao suicídio, demonstrações que podem ser muito sensíveis e até imperceptíveis. “É necessária a colaboração de todos ao perceber que uma pessoa não está legal. O que a gente pode fazer? Escutar empaticamente”, sublinhou Mariana.

“A gente pode escutar e apoiar livre de julgamentos, não criticar e não dar conselhos do tipo ‘comigo é muito pior’. É necessário criar um ambiente em que a pessoa se sinta confortável para falar da dor que está sentido”, explicou.

Neste ano, o tema do Setembro Amarelo é: “Criando esperança por meio da ação”. “A mensagem quer dizer que todas as pessoas podem ‘esperançar’ alguém, com escuta amorosa ou olhar atento. É ajudar o outro por meio da ação”, exemplificou a voluntária do Centro de Valorização da Vida.

Tornar-se mais inclusivo e olhar para as pessoas que estão ao redor, em casa, no trabalho ou no círculo de amizades, para perceber que alguém passa por dificuldade, deve ser preocupação diária. “A partir no momento que passamos a agir, a olhar com atenção às pessoas que estão ao nosso redor, abrimos uma porta para deixá-las desabafar aquilo que no momento está muito difícil. Todo dia ruim pode ser seguido por outro bom”, relatou.

Em todo o país, o CVV realiza nove mil atendimentos diários e quase três milhões por ano. De acordo com Mariana Hernandes, o número de ligações não sofreu grande impacto no período pandêmico. “Mas percebemos que o assunto da pandemia tornou-se muito presente nos atendimentos, é um tema que traz muita ansiedade, expectativa e medo entre as pessoas”, concluiu
Outros dados

No Paraná, os suicídios aumentaram 9,1% em 2020, na comparação com o ano anterior, passando de 629 para 691 casos, sendo o estado o 16º com o maior número de registros entre as unidades da federação. Esses dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Para cada caso, há mais pessoas que tentam o suicídio. Em relação às ocorrências mundiais, 79% dos suicídios são em países de baixa e média renda, embora aconteçam em todas as regiões. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Fonte: www.h2foz.com.br/entrevistas/prevencao-do-suicidio-esperancar-outra-pessoa-com-acao-e-empatia/

Programa Vidas Preservadas realiza evento para discutir a relação entre redes sociais, prevenção e suicídio entre jovens

A conscientização sobre a prevenção ao suicídio perpassa por várias áreas do conhecimento, especialmente nesse momento em que as redes sociais têm assumido papel importante nas relações interpessoais. Para reunir diversos atores sociais no mês que marca as discussões sobre o tema, o Programa Vidas Preservadas, do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), promoverá, no dia 17 de setembro, às 13 horas, o evento “Real e Virtual: redes sociais e prevenção do suicídio na infância e na juventude”.

O encontro será transmitido ao público pelo canal do Ministério Público do Ceará (MPCE) no Youtube e terá a participação de membros do MP, pesquisadores, profissionais de saúde e executores de atividades preventivas no âmbito local.

O coordenador do Programa Vidas Preservadas, promotor de Justiça Hugo Porto, fará a abertura oficial do evento, especificando como o projeto que nasceu no MP está fortalecendo ações preventivas em Fortaleza e em diversos municípios cearenses. Estão entre os pontos a serem abordados as atividades como a efetivação dos Planos Municipais de Intervenção, Prevenção e Posvenção ao Suicídio e o projeto de instalação de proteções mecânicas em pontes e viadutos de Fortaleza.

O encontro contará com a realização de duas palestras. Uma será proferida pela psicanalista Fabiana Vasconcelos, que é responsável pelo desenvolvimento das metodologias de Educação e Prevenção do Instituto DimiCuida desde 2015. Fundado em 2014, o Instituto atua no sentido de preservar e valorizar a vida de jovens, especialmente em temas relacionados às chamadas brincadeiras perigosas e a desafios de Internet que colocam a vida em risco.

Haverá também palestra com a professora e fundadora do curso de Psicologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Alessandra Xavier, que coordena o Núcleo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisas e Intervenções sobre a Saúde da Criança e da Adolescência (Nusca) e é autora de livros e artigos sobre desenvolvimento humano, psicanálise, psicoterapia e suicídio. Ela aprofundará as relações entre redes sociais e a incidência de suicídios entre crianças, adolescentes e jovens.

O encontro também contará com a participação dos médicos Davi Queiroz, coordenador de Saúde Mental do Estado, e Arildo Sousa de Lima, coordenador da Célula de Saúde Mental de Fortaleza. Entre os temas a serem discutidos pelos profissionais de saúde estão a Central de Acionamento do Estado para Questão de Saúde Mental e Prevenção do Suicídio do Estado do Ceará e o Mapa da Saúde, bem como a atual situação do fluxo de prevenção ao suicídio em Fortaleza. Também fará contribuição no evento a representante da Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Ceará (APDMCE), Suellen Pinheiro, que falará sobre a adesão do Programa Vidas Preservadas nos municípios cearenses.

Setembro Amarelo 2021

A campanha do Setembro Amarelo de 2021 do Ministério Público do Estado do Ceará é coordenada pelo programa Vidas Preservadas, do Ministério Público do Estado do Ceará. Este ano, o tema trabalhado será “Real e virtual: redes sociais e prevenção do suicídio na infância e na juventude”, com ações e eventos promovidos pelo MPCE e parceiros. O Programa, criado em 2018, visa, a um só tempo, capacitar os mais variados agrupamentos, trazendo informações preciosas para atores sociais estratégicos, e garantir recursos públicos prioritários capazes de fazerem surgir e de fortalecer políticas públicas intersetoriais e efetivas para a prevenção do suicídio

Serviço:
Real e virtual: redes sociais e prevenção do suicídio na infância e na juventude
Data: 17 de setembro de 2021
Horário: 13h
Transmissão: Canal do MPCE no YouTube

(*) Com informações Ministério Público do Ceará

Fonte: https://cearaagora.com.br/programa-vidas-preservadas-realiza-evento-para-discutir-a-relacao-entre-redes-sociais-prevencao-e-suicidio-entre-jovens/

terça-feira, 7 de setembro de 2021

 Setembro amarelo: tempo de repensar a vida

Rodolfo Furlan
Laís Kristyna Rocha de Oliveira

“E o que te faz viver?”. De forma simplória, poderíamos elencar vários motivos para manter a engrenagem da chamada “vida”, palavra cheia de significados – ou melhor, de existência – etimologicamente proveniente do latim “vita”.

Seja por amor a algo ou alguém (incluindo desde o “eu” até os demais pronomes relativos utilizados) seja pela ideia de oferecer ajuda à sociedade em geral (motivados pela sua espiritualidade ou não), mantemos o motor da vida em funcionamento, dia após dia, embora muitas vezes não consigamos nomear o real sentido de permanecermos nesta engrenagem.

Na verdade, quando as coisas funcionam sem grandes percalços, raramente paramos para questionar a essência da vida. Antagonicamente a esta realidade, no entanto, quando o medo, a insegurança, a tristeza ou mesmo a apatia tomam conta do sujeito em sua forma mais singular (diga-se de passagem, até mesmo solitária), eis que vem a dúvida: qual o real significado da vida? Tal pergunta fez alguns filósofos, entre eles Albert Camus escreveu em O Mito de Sísifo:

“Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: é o suicídio. Julgar se a vida merece ou não ser vivida, é responder a uma questão fundamental de filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. São apenas jogos; primeiro é necessário responder.”
Diante dos questionamentos envolvendo a temática supracitada, devemos atuar ativamente na conscientização da valorização da vida e na prevenção do suicídio, um conteúdo por vezes visto como um tabu e que, em alguns momentos, ainda demanda escritas um tanto caprichosas para burlar o veto dado ao assunto polêmico.

A importância de falarmos sobre o suicídio

Quer queira ou não, as mortes autoprovocadas são um problema de saúde pública mundial (mais de 800 mil mortes por suicídio e mais de 16 milhões de tentativas todos os anos no mundo), que invade os mais diversos ambientes, atingindo desde o colega distante do trabalho, ao frequentador da mesma igreja, ao parente nem tão próximo, esvaecendo até mesmo seu amigo, cônjuge, filho, pai, mãe… ou paciente!  

Enquanto os números caem no mundo, o Brasil não para de crescer nessa sombria estatística. Brasil, México e Estados Unidos são responsáveis por um aumento de 35% no número de suicídios mundiais no século XXI, enquanto, neste mesmo período, o mundo encolheu 30%. E, acredita-se que o número seja ainda mais preocupante, visto que as subnotificações são uma realidade que permeiam muitos países e acabam por interferir na qualidade do gerenciamento dos registros oficiais, incluindo no próprio Brasil.

Haja vista a proporção alarmante de tentativas de autoextermínio, devemos estar aptos a reconhecer os sinais de alerta. Processos de introspecção, com retraimento social, perda de prazer por atividades outrora interessantes, descuido com aparência, piora do desempenho nas atividades laborais ou nos estudos, alterações no sono e no apetite, diminuição da energia, além de pensamentos de morte podem dar fortes indícios de que é hora de cuidar.

Pessoas mais acometidas

Um outro ponto de importante ressalva é o impacto do suicídio nas minorias. Cada vez mais negros, indígenas, gays, transexuais, e mulheres, tentam suicídio todos os anos. Algo precisa ser feito. Como diz a grande socióloga Michelle Alexander em seu livro “Responsibility for Justice”, quando o problema não é de ninguém, ele é de todos. E sim, de todos nós!

Além da necessidade de pôr-se em prática o conceito de integralidade no contexto de prevenção do suicídio, com a atuação dos profissionais de saúde de forma articulada e multidisciplinar diante do indivíduo em situação de vulnerabilidade, também devemos repensar o quão poderoso é o exercício de uma boa escuta, oferecendo um verdadeiro acolhimento do sujeito em sofrimento. Não menos importante, é de extrema relevância a articulação com outros setores na sociedade, promovendo ações preventivas educacionais, sedimentando a luta contra o preconceito, como o bullying, além de campanhas contra o porte e posse de armas, que matam mais e mais pessoas por suicídio em todo o mundo.

Gostaríamos de encerrar com essa frase, que resume o ato de prevenir o suicídio em todas as esferas:

O cuidado é a essência da vida, e o amor é a essência do cuidado.
Currículo dos autores:

Rodolfo Furlan. Médico Preceptor e Doutorando da disciplina de psiquiatria do HC-FMUSP. Psiquiatra do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês e do Hospital Israelita Albert Einstein. Membro do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (Pro-SER) do HC-FMUSP, do Grupo de Pesquisa em Educação Médica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e atualmente Tutor da disciplina de psiquiatria da FMUSP. Co-organizador dos livros: “Uma Nova Medicina para Um Novo Milênio: A Humanização do Ensino Médico”, “Cartas ao Dr. Bezerra de Menezes”, “Spirituality, Religiousness and Health” e do livro “Compreendendo o Suicídio”, publicado em 2021 pela editora Manole. Revisor técnico da terceira edição do livro “Espiritualidade no Cuidado com o Paciente”, do prof. Harold Koenig e da segunda edição do Tratado de Clínica Psiquiátrica do IPQ-HCFMUSP.

Laís Kristyna Rocha de Oliveira. Médica pela Universidade Estadual do Piauí; Residente do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.

Fonte: https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-tempo-de-repensar-a-vida/

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A diferença entre ouvir e escutar na prevenção do suicídio

Alexandrina Meleiro, psiquiatra 
 
Acender um alerta na sociedade para salvar vidas quando se fala em suicídio é tão complexo quanto o comportamento de uma pessoa com a intenção de tirar a própria vida. Ainda que nem todas as mortes possam ser evitadas, as estatísticas seriam menores com uma intervenção precoce. Mas, normalmente, só há proatividade quando a doença mental já está bem avançada e evidente.


O movimento Setembro Amarelo é um convite para a reflexão sobre a importância de fazer parte de uma rede de apoio que possa ajudar quem precisa e incentivar a busca por auxílio aos mais de 18,5 milhões de brasileiros que convivem com os transtornos de ansiedade e os 11,5 milhões que tentam lidar com diferentes graus de depressão.

Devemos entender por rede de apoio não só familiares e amigos, mas também chefes e colegas de trabalho, escola e faculdade, vizinhos, membros de comunidades religiosas e até mesmo o médico de confiança. Ou seja, todos aqueles que fazem parte do círculo social mais próximo do paciente e que estejam dispostos a ajudá-lo.

Depressão e suicídio são temas sensíveis no Brasil e, com a pandemia de Covid-19, houve um aumento significativo do número de casos. Os motivos vão desde o medo de contágio até o sentimento de perda e luto, fora o estresse causado pelos efeitos do confinamento.

Para mostrar a importância de acolher e ser acolhido, a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) apoia a campanha “Bem Me Quer, Bem Me Quero”, tendo o girassol como o símbolo da vida, que, assim como os seres humanos, precisa do apoio de todo o ecossistema para se manter firme e lindo, mesmo em dias nublados.

Todos os anos são registrados cerca de 12 mil suicídios somente no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Quase a totalidade (97%) desses casos está relacionada a transtornos mentais como a depressão, em primeiro lugar, seguida de transtorno bipolar, abuso de álcool e drogas ilícitas.

Os comportamentos e as emoções de quem pensa em cometer suicídio são vários e não surgem de uma hora para outra. As pessoas dão sinais. O afastamento dos amigos e familiares, o abandono de atividades até então importantes, a mudança drástica de humor, a baixa autoestima e os períodos de tristeza são alguns deles.

Há ainda sentimentos de raiva, falta de perspectiva, discurso negativo e vago, aumento no consumo de bebida alcoólica, uso de drogas, padrão de sono anormal e comportamento imprudente não usual. Além da automutilação, praticada por cerca de 10% dos jovens de 14 a 20 anos de idade que podem vir a tirar a própria vida. Também tem quem escreva uma carta de despedida, doe seus bens ou deixe instruções. Assim, são raras as situações em que esses problemas ficam ocultos ao longo do tempo.

E é importante deixar claro que cometer suicídio não tem a ver com egoísmo, covardia, falta de amor à vida ou fuga dos problemas. Na maioria dos casos, a pessoa busca pôr fim a um sofrimento e aliviar uma dor com os quais não consegue lidar.

Com o mundo virtual, os sintomas tendem a se exacerbar. Uma pessoa com depressão vê nas redes sociais o oposto da realidade que ela vive hoje: as fotos de jantares bonitos, um #TBT das viagens dos sonhos, relacionamentos descritos como uma história de amor sem fim, pessoas que parecem felizes o tempo todo. Esse contraste acarreta uma frustração e também afeta a vontade de viver do deprimido.

É preciso se conscientizar, despir-se do preconceito e do conceito de que depressão é frescura, preguiça ou falta de trabalho. E praticar a empatia, tentar entender a visão do mundo da outra pessoa, como ela o enxerga. Não desafiar quem diz sentir vontade de morrer, mas ouvir sem julgamentos para buscar uma forma de ajudar.

O suicídio costuma ser o desfecho de uma saúde mental já muito debilitada e da falta de perspectivas. E, em geral, quem estava perto não percebeu ou, se percebeu, duvidou do que poderia acontecer.

Para quem está em volta, a escuta ativa ajuda na construção de uma rede de apoio eficaz, que será importante na aceitação de um acompanhamento psiquiátrico e psicológico, contribuirá para a adesão ao tratamento e, consequentemente, para a recuperação do paciente.

Escutar é muito mais do que ouvir. Escutar requer dar atenção, interpretar sinais e, principalmente, oferecer apoio. É o que todos nós precisamos para nos levantar.

* Alexandrina Meleiro é psiquiatra, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e membro do Conselho Científico da Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos)
 
Fonte: https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/a-diferenca-entre-ouvir-e-escutar-na-prevencao-do-suicidio/

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Saúde mental e suicídio serão abordados em projeto no Setembro Amarelo

Da redação (21 julho 2021)

 As psicólogas Simone e Débora são as idealizadoras do projeto. 
O Setembro Amarelo é o mês exclusivo para trabalhar a Saúde Mental e com o objetivo de debater o tema suicídio, as psicólogas Simone Fidelis e Débora Garcia de Oliveira vão desenvolver o projeto ‘Setembro Amarelo: prevenção e promoção da Saúde Mental, salvam vidas’. A ação acontece de 1º a 21 de setembro deste ano.

Segundo as psicólogas, o projeto será on-line e gratuito. As palestras ou as conversas acontecerão no Instagram das psicólogas @psi.deboragarcia e @simone.psicologacomportamental, assim como as postagens dos vídeos.

Elas explicam que esse assunto já foi considerado um tabu maior. No entanto, mesmo no século 21 ainda existe a dificuldade na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.

“Desta maneira, nós decidimos dedicar 21 dias para debater sobre suicídio e saúde mental, de forma acessível e sensível, buscando abrir um canal de comunicação com a sociedade”, declaram as psicólogas Simone e Débora.

As profissionais salientam que abordar o tema não incentiva ao suicídio, e sim, auxilia em sua prevenção. “Existe a necessidade de criar habilidades em como falar ou abordar esse tipo de tema. A temática precisa ser mais discutida. No entanto, existe uma forma de abordá-la”.

PROGRAMAÇÃO – Ao todo serão 21 profissionais da área da Saúde Mental de Toledo e da região que participarão do projeto, respondendo em vídeos diversas questões. Entre as perguntas estão se é verdade que quem ameaça se matar não o faz; se a psicoterapia realmente ajuda; se falar sobre suicídio incentiva as pessoas a cometerem o ato ou se ele afeta apenas a pessoa que morre.

Outros assuntos como os fatores que possam contribuir para que uma pessoa apresente pensamentos ou comportamentos suicidas ou se os amigos e a família podem evitar o suicídio serão abordados nos vídeos durante a realização do projeto. Também estará em pauta como cada pessoa consegue promover a sua saúde mental.

De acordo com as psicólogas, durante o período do projeto três lives serão realizadas. Uma para iniciar o trabalho; outra focada para abordar sobre o suicídio e uma terceira para encerrar o projeto.

“Nos 21 dias, nós faremos posts sobre a temática e cada dia pretendemos responder uma pergunta. Os questionamentos serão pré-estabelecidos e cada profissional convidado gravará o vídeo com as respostas. Além disso, textos complementares serão produzidos e postados nas redes sociais”, comentam as psicólogas Simone e Débora ao complementarem que a finalidade é sanar a dúvida de cada participante sobre esse assunto. “O trabalho de cada psicólogo ou psiquiatra será voluntário e a nossa proposta é atingir o maior número de pessoas possíveis”, finalizam as profissionais.

O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.

www.jornaldooeste.com.br/saude/saude-mental-e-suicidio-serao-abordados-em-projeto-no-setembro-amarelo/


 


 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

É necessário novamente e sempre falar sobre o suicídio

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

Sivan Mauer (26 agosto 2020)

Desde 2003, o dia 10 de setembro é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Porém, desde 1994 já existia a campanha “Setembro Amarelo”, que teve início nos Estados Unidos com os pais e amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou a própria vida. Mike tinha grandes habilidades para lidar com mecânica automotiva, e recuperou e pintou de amarelo um Mustang ano 1968. As habilidades levaram Mike a ficar conhecido como Mustang Mike. Já a fita amarela virou tradição quando os jovens amigos de Mike as prenderam na lapela, no cabelo ou no chapéu no dia do funeral do jovem, onde também distribuíram cartões com a inscrição It's ok to Ask4help, que basicamente significa "não tem problema pedir ajuda". A fita amarela lembrava a cor do Mustang de Mike, e o formato da fita em coração era para lembrar as pessoas que ele deixou. Impressionantemente, em cerca de três semanas o primeiro cartão distribuído no funeral chegou às mãos de um professor, com um pedido de socorro de uma aluna.

A história de Mike é comovente e tenho de certeza que sensibiliza a muitos, mas infelizmente no dia a dia a realidade não é bem esta, pois, o suicídio muitas vezes é alvo de preconceito e mitos, tanto por parte da população leiga quanto da comunidade médica. É preciso entender que o suicídio não é uma doença. Entretanto, na maioria das vezes, ele é o resultado de algumas doenças como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Entre 80% e 90% das pessoas que cometem suicídio estão sofrendo de algum tipo de transtorno do humor, ou seja, estão tão doentes como aquele paciente que teve um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Muitas vezes, o paciente psiquiátrico sofre preconceito até mesmo por médicos de outras áreas e outros profissionais da saúde, em hospitais gerais. Ironicamente os médicos fazem parte de uma das profissões que mais cometem suicídio no mundo.

Entre a população leiga o preconceito em relação ao suicídio se amplifica. A falta de empatia pelo paciente pode ser exemplificada por meio de vários casos. Em um deles, uma pessoa estava tentando tirar a própria vida saltando de uma ponte entre Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo. O resgate levou algumas horas, e neste intervalo as pessoas se expressavam de todas as maneiras, sendo a mais frequente o pedido para que o suicida se jogasse de uma vez por todas. Algumas, inclusive, afirmaram que se dispunham a empurrá-lo. Em um certo momento iniciou-se um buzinaço, e assim por diante. Empatia é um fator importante para que exista o acolhimento do paciente psiquiátrico, e isso pode ser decisivo em momentos emergenciais. Ainda bem que no caso do Espírito Santo existia uma equipe dos bombeiros muito bem treinada, que demonstrou empatia e cuidado com o paciente, evitando o suicídio.

Podemos observar, também, o preconceito em relação a algumas populações no Brasil, como as indígenas, que chegam a ter uma prevalência de suicídio triplicada quando comparada à da população em geral. Isso demonstra um descaso da sociedade em geral, do governo e das entidades responsáveis por esta população, que demonstra negligência diante de um número tão expressivo de suicídios. As campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina entende que isso pode ser prevenido. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisam se atualizar e entender os novos fatores de risco para doenças mentais. Alguns estudos, por exemplo, demonstram que cyberbullying e o tempo que se passa na internet estão relacionados a suicídio.

Algumas formas de prevenção passam por abordagens psicoterápicas e outras pelo uso de psicofármacos. Entre as abordagens psicoterápicas se destaca o CVV (Centro de Valorização da Vida), que desde 1962 exerce um grande papel na sociedade, trabalhando na prevenção do suicídio.

O CVV atende 24 horas por telefone ou site, além de realizar atendimento pessoal. Quanto à questão psicofarmacológica, a maneira mais efetiva e importante de prevenção ao suicídio é o uso do lítio. Hoje, esta abordagem já é fato. Mas ela precisa ser disseminada entre médicos clínicos que atendem pacientes, principalmente nos
pronto-socorros. Precisamos ter em mente a questão da recidiva das tentativas de suicídio. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado com a seriedade devida. Apenas com medidas preventivas e educacionais, episódios como o que ocorreu na ponte poderão deixar de existir. E as pessoas, em vez de torcerem para que o suicida se jogue da ponte ou do alto de um edifício, terão o mínimo de empatia em relação ao sofrimento humano. 

*Dr. Sivan Mauer é médico psiquiatra especialista em transtornos do humor. O profissional é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: https://xvcuritiba.com.br/setembro-amarelo-precisamos-falar-sobre-suicidio-por-dr-sivan-mauer/

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Escola e saúde mental: falando se previne o suicídio

Escola também é lugar para falar sobre saúde mental


Marina Lopes (30 setembro 2019)

Durante todo o mês, a campanha do Setembro Amarelo mobilizou pessoas e organizações do setor público e privado na conscientização sobre a prevenção do suicídio. Entre as medidas preventivas apontadas por especialistas, a educação e o diálogo são apontados como caminhos para tirar o assunto da invisibilidade, o que reforça o papel da escola como um espaço estratégico na promoção de saúde mental. Como um ambiente privilegiado que concentra a maior parte da população jovem do país, ela pode ser uma grande aliada no compartilhamento de informações, na redução de riscos e até mesmo na detecção precoce de sinais que demandam atenção.

Apesar do tema ainda ser visto como tabu dentro de algumas instituições, dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que de 10% a 20% das crianças e adolescentes apresentam algum tipo de transtorno mental e comportamental. Um estudo com jovens de 7 a 14 anos que vivem na região sudeste do Brasil constatou que um a cada oito estudantes apresenta algum tipo de distúrbio psiquiátrico que justifica a necessidade de um acompanhamento especializado.

“Chegamos a um ponto em que todo mundo está se dando conta de que se vamos trabalhar com saúde de crianças e adolescentes, também temos que trabalhar com as escolas”, afirma o psiquiatra especialista em infância e adolescência Gustavo Estanislau, que coordena o projeto Cuca Legal, iniciativa ligada ao Departamento de Psiquiatria da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) com foco na promoção de saúde mental e a prevenção de transtornos mentais em ambientes de ensino.

Para o médico, um dos benefícios de levar esse debate para o ambiente escolar é a possibilidade de tratar saúde mental sem estigmas. “Dentro da escola eu posso falar do ponto de vista de prevenção universal. A partir do momento em que podemos intervir cedo, essas intervenções ficam cada vez menos complexas, menos medicamentosas e trazem benefícios para o rendimento do aluno dentro da escola e também na sua vida pessoal”, menciona.

Se o aluno demonstra algum tipo de risco, como relatar agressão, pensamentos de morte, mencionar uso de algum tipo de droga ou apresentar cortes no braço, isso deve ser registrado e passado adiante

Embora o psiquiatra chame atenção para o fato de que a escola não é o lugar para o tratamento de crianças e adolescentes, ele menciona que algumas posturas são essenciais para todo educador. “Uma coisa básica é o professor ficar atento. Ele precisa estar com os olhos abertos para detectar sinais que demandam atenção.” Mas o que fazer com essas informações? A partir da sua experiência em atividades de formação, Estanislau diz que os educadores, que já tem uma tarefa árdua, não devem se sentir sobrecarregados ou pressionados a intervir em uma situação. Enquanto algumas pessoas têm um estímulo natural para isso, outras já podem contribuir com o simples fato de levar uma informação adiante ou encaminhar um caso para o atendimento especializado.

“Se o aluno demonstra algum tipo de risco, como relatar agressão, pensamentos de morte, mencionar uso de algum tipo de droga ou apresentar cortes no braço, isso deve ser registrado e passado adiante. Esse tipo de informação denota que ele tem uma necessidade que não é pedagógica”, orienta o psiquiatra, que é um dos organizadores do livro Saúde Mental na Escola, que traz dicas, exemplos e conteúdos teóricos em linguagem acessível para educadores que desejam se aprofundar mais no assunto.

A força do compartilhamento


Na Escola Estadual Amélia Passos, localizada no município de Santa Cruz de Minas (MG), foi a partir da leitura dos cadernos de produção textual dos alunos que professora Laila Cristina de Sousa identificou a demanda de conciliar o aprimoramento de habilidades linguísticas e habilidades de lidar consigo mesmo e com realidades internas (psicológicas) e locais (problemas escolares, financeiros e familiares). “Eu comecei a perceber a necessidade de dar espaço durante minha aula para motivar os alunos a aprender o conteúdo e a trabalhar com a leitura de textos que também permitissem falar sobre nossas emoções”, conta.

Após compartilhar com os alunos a sua própria história de superação e de como o esporte foi importante para a sua saúde mental durante o período de tratamento para a depressão, a professora relata que a turma do ensino médio também começou a sentir confiança em dividir suas questões diante da vida, das lutas e dos desafios. Dessa experiência surgiu o projeto alfabetização e educação socioemocional “LaçoLetrando”, que tem a proposta de fortalecer vínculos por meio da leitura e da escrita.

“Através de cadernos de produção de texto, eu comecei a ver que haviam demandas bem mais complexas do que os relatos de identificação com sentimentos ligados ao humor depressivo. Comecei a ver questões de jovens que estavam sofrendo abusos e várias outras situações que fugiam da minha capacidade de ouvir e auxiliar”, menciona. Diante desse cenário, ela diz que buscou orientação da supervisora e deu início a um trabalho de articulação intersetorial com a prefeitura do município de Santa Cruz de Minas para encaminhar estudantes para a avaliação de uma equipe especializada, que inclui psicólogos e assistentes sociais.

O debate sobre saúde mental na escola e a articulação intersetorial, segundo ela, trouxe resultados significativos que podem ser percebidos no clima escolar. “Eles estão se sentindo mais estimulados e fortalecidos”, destaca. Na melhora da relação entre eles, os alunos também começaram a observar que poderiam ajudar colegas que passavam por situações semelhantes. Dessa iniciativa, surgiu o projeto Amélia Influência, que funciona como uma espécie de clube em que os próprios estudantes compartilham suas questões e promovem ações para fortalecer outros colegas.

O que a escola pode fazer?


“Promover espaços de troca entre os pares faz com que os alunos não se sintam tão diferentes. Eles percebem que existem outros colegas na mesma situação, que passam pelos mesmo problemas que eles”, avalia a pedagoga e especialista em psicopedagogia Ana Rita Bruni, que também é professora do Cesmia (Curso de Especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência).

O professor, mesmo que tenha uma formação diferenciada, não é um psicólogo. A escola também não é uma clínica terapêutica, mas um olhar diferenciado e cuidadoso deve ser levado em consideração

A disseminação de informações confiáveis também é essencial na hora de desconstruir estigmas e falar sobre saúde mental na escola. Além de discutir o assunto com os alunos, Bruni destaca que é interessante que as instituições promovam momentos de formação, discussão e trocas de experiências entre os professores, que podem compartilhar seus desafios e situações de alerta presenciadas na sala de aula. “A necessidade de fazer treinamentos e capacitações não significa que todo mundo vai sair por aí dando diagnóstico, mas os professores precisam entender as diferenças [entre diferentes transtornos] e quais sinais os alunos podem manifestar que indicam algo em desacordo com o funcionamento padrão”, pontua a pedagoga especialista em psicopedagogia. “O professor, mesmo que tenha uma formação diferenciada, não é um psicólogo. A escola também não é uma clínica terapêutica, mas um olhar diferenciado e cuidadoso deve ser levado em consideração.”

De acordo com ela, em função dos casos cada vez mais frequentes que são observados na sala de aula, as escolas têm se demonstrado mais interessadas tratar aspectos da saúde mental. “Elas precisam aprender a lidar com isso e estão mais abertas em busca de informações assertivas. A escola é o ambiente onde o adolescente passa a maior parte do seu tempo. É nesse ambiente que ele vai começar a manifestar essas questões.”

Da sala de aula para a comunidade


A percepção de que o clima escolar estava pesado e o aparecimento de inúmeros casos de automutilação entre estudantes da Escola Municipal Maria Dias Trindade, localizada em um povoado rural de Paripiranga (BA), levaram o professor José Souza dos Santos a desenvolver um projeto para trabalhar saúde mental na escola. “Primeiro eu conversei com psicólogos para entender como eu deveria proceder. A partir daí, elaborei estudos de caso sobre tristeza, depressão e outras situações que poderiam ajudar os alunos a identificar alguns sinais e saber como poderiam pedir ajuda”, conta o educador que foi destaque no Desafio Diário de Inovações 2019.

Com o engajamento dos alunos, o projeto começou a ganhar força. Foram desenvolvidas pesquisas e ações que poderiam ajudar na prevenção da saúde mental. A convite do professor, uma psicóloga também participou de uma roda de conversa com os alunos para esclarecer dúvidas e trazer orientações. “Começamos a trabalhar com a criação de panfletos, infográficos e a produção de um curta metragem para compartilhar informações”, cita.

Ao perceber que também era preciso desconstruir estigmas sobre transtornos mentais com a comunidade, o educador mobilizou a turma para distribuir materiais informativos e orientativos em uma feira livre que acontecia perto da escola. O trabalho com as famílias também foi um ponto fundamental na hora de trazer esclarecimentos sobre a depressão e ainda tratar da importância de cuidar da saúde mental. “Eu moro no interior da Bahia. Aqui, a informação sobre depressão ainda paira na cabeça das pessoas. Muitos não conseguem ver como uma questão de saúde pública”, observa o professor.

De acordo com ele, o trabalho desenvolvido na Escola Municipal Maria Dias Trindade começou a inspirar outros colégios da região, que antes tratavam o tema como tabu.“Como educador, também precisamos lidar com o currículo oculto da escola. Algumas coisas não conseguimos ver, mas podemos sentir no dia a dia. O histórico familiar do aluno e a vida dele também interferem na aprendizagem.”

Fonte: http://porvir.org/escola-tambem-e-lugar-para-falar-sobre-saude-mental/

sábado, 6 de julho de 2019

Alguns bons indícios de que a prevenção do suicídio saiu do estreitos limites do Setembro Amarelo...

Em maio de 2019...

Professora da UniFAI apresenta Rede Promover Vida em Congresso Brasileiro de Psicanálise

XII Congresso Brasileiro de Psicanálise das Configurações Vinculares foi realizado em Serra Negra, entre 27 e 29 de maio.

Fonte: www.sigamais.com/noticias/saude/professora-da-unifai-apresenta-rede-promover-vida-em-congresso-brasileiro-de-psicanalise/

----

Unicef e CVV lançam série de vídeos para prevenção do suicídio

Material ajuda a identificar comportamento suicida e serve como diretriz para identificar sinais em jovens e adolescentes

https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,unicef-e-cvv-lancam-serie-de-videos-para-prevencao-do-suicidio,70002885088



terça-feira, 7 de maio de 2019

Política para Prevenção da Automutilação e do Suicídio começa a ser acolhida

CFM e ABP comemoram Política para Prevenção da Automutilação e do Suicídio 

2 de Maio de 2019

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) comemoram a publicação da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Instituída pela Lei Nº 13.819/2019, ela foi publicada essa semana no Diário Oficial da União (DOU) e é consonante ao movimento empreendido por essas entidades médicas – e outras como a Asociación Psiquiátrica de América Latina (APAL) – com o objetivo de prevenir e reduzir os números relativos ao tema no País.

Para se ter uma ideia, entre 2007 e 2016, foram registradas 106.374 mortes por suicídio no Brasil, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde, divulgado em setembro do ano passado. No período analisado, constatou-se um aumento de 16,8% no total de ocorrências. Entre homens, o aumento chegou a 28%. O suicídio é, hoje, a quarta causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil.

De acordo com dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os casos de suicídio entre as populações indígenas no Brasil cresceram 20% entre 2016 e 2017. A entidade mapeou 106 de índios que tiraram a própria vida em 2016, e 128 em 2017. Os jovens entre 15 e 29 anos são as principais vítimas.

Em dados gerais, a maior taxa de mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes é entre as populações indígenas – 15,2 casos por 100 mil habitantes.

Conscientização – Para reverter esse quadro alarmante, foi criado o movimento mundial CFM/ABP Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. No âmbito desse trabalho, desde 2014, as entidades parceiras desenvolvem uma série de ações na perspectiva de que é possível prevenir esse problema. Durante todo o mês de setembro são divulgados, tanto pelo CFM quanto pela ABP, informações que podem ajudar a sociedade a desmistificar a cultura e o tabu em torno do tema, além de auxiliar os médicos a identificar, tratar e instruir seus pacientes. O site http://www.setembroamarelo.com foi desenvolvido para centralizar a divulgação das ações da campanha.

Segundo a ABP, quase 100% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. Visando contribuir para a redução desses números alarmantes, a campanha Setembro Amarelo busca conscientizar a população acerca da importância da identificação e tratamento corretos das doenças mentais, o que traria um impacto direto na redução das mortes por suicídio.

"Essa é mais uma conquista fruto das estratégias do CFM em relação a esse importante tema de saúde pública. A Campanha do Setembro Amarelo é uma das iniciativas mais notórias e tradicionais nesse sentido", comenta o 3º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes.

O coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria do CFM, Salomão Rodrigues Filho, ressalta que, como parte desse esforço do CFM/ABP, foi disponibilizada a cartilha "Suicídio: informando para prevenir", destinado aos profissionais da saúde.

O documento é um dos mais procurados por interessados em se mobilizar contra o suicídio e "representa mais uma das frentes pelo enfrentamento desse grave problema de saúde pública, que acreditamos que pode ser prevenido desde que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os seus fatores de risco", diz Filho.

Para Fortes, "a Lei é uma conquista da parceria CFM/ABP que vai ajudar a construir estatísticas fidedignas que possibilitem a prevenção e ajudem a enfrentar o problema". Ele assegura ainda que "o engajamento do Coordenador Nacional da Campanha Setembro Amarelo, Antônio Geraldo da Silva, e do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos foram fundamentais para que essa demanda fosse levada a efeito".

Para o Coordenador Nacional da Campanha Setembro Amarelo, Antônio Geraldo da Silva, a aprovação da Lei merece ser comemorada: "A aprovação dessa Lei trouxe esperança de dias melhores para a saúde mental no Brasil a todos os que trabalham diariamente pela prevenção ao suicídio. A Campanha Setembro Amarelo ABP/CFM existe o ano inteiro, no Brasil e no exterior e ansiávamos por essa vitória. Cuidar da saúde mental é prevenir suicídio e ter uma Lei Federal que determine isso é muito importante".

Conheça a Lei – A Lei Nº 13.819/2019 foi publicada na edição desta segunda-feira (29/4) do Diário Oficial da União. O texto – que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio – estabelece uma série de medidas que busca reduzir os casos de violência autoprovocada, assim como as tentativas de suicídio, os suicídios consumados e os atos de automutilação.

O documento estabelece que os estabelecimentos de saúde, tanto públicos quanto privados, notifiquem casos as autoridades sanitárias. Os estabelecimentos de ensino, por sua vez, ficam encarregados de notificar aos conselhos tutelares toda suspeita ou ocorrência confirmada envolvendo qualquer tipo de violência autoprovocada.

A medida do Governo Federal tem como objetivo a atualização do sistema nacional de registros detectados nos estados e municípios, para que o País possa ter dimensão da incidência de casos de automutilação e suicídio.

A Lei prevê ainda a criação de um canal telefônico para atender pessoas que estejam passando por algum sofrimento psíquico. O serviço será prestado de forma gratuita e sigilosa, por profissionais com qualificação adequada. A esse respeito, Antônio Geraldo ressalta que "a ABP, APAL e CFM farão o treinamento gratuito totalmente baseado em bases científicas dos profissionais do canal telefônico, um trabalho voluntário endereçado à boa saúde mental da população".

A criação da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio tem como objetivo promover a saúde mental, prevenir a violência autoprovocada, controlar os fatores determinantes e condicionantes da saúde mental e garantir o acesso à atenção psicossocial. Outros resultados esperados são abordar adequadamente os familiares e pessoas próximas das vítimas e garantir-lhe assistência psicossocial, informar e sensibilizar a sociedade sobre a importância e relevância do tema, além de promover a prevenção da automutilação e do suicídio junto às entidades de saúde, educação, comunicação, imprensa, polícia, entre outras.

O Ministério da Família e dos Direitos Humanos coordenará a execução das ações, por meio do Grupo de Trabalho criado especificamente para esse fim. O objetivo do CFM e da ABP agora é unir forças e "atuar efetivamente na regulamentação desta lei junto ao Governo Federal", conforme explica Antônio Geraldo.

Saiba mais

Conheça o site da Campanha Setembro Amarelo:
www.setembroamarelo.com/

Acesse a íntegra da Lei 13.819/2019:
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/Lei/L13819.htm

Acesse a cartilha "Suicídio: informando para prevenir":
www.flip3d.com.br/web/temp_site/edicao-0e4a2c65bdaddd66a53422d93daebe68.pdf

Fonte: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28196:2019-05-02-19-14-51&catid=3

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os profissionais da saúde frente ao suicídio e aos pacientes em crise suicida...

A necessidade de profissionais que enfrentem o suicídio

Kelly G. G. Vedana é professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP
25/09/2018

Setembro Amarelo é tempo de falar sobre suicídio, um tema tabu que agora tem voz, principalmente no que concerne à prevenção e diminuição do número do mesmo, envolvendo diversas modalidades de campanhas. Mas precisamos focalizar também na esfera dos cuidados com quem tem ideação, tentou suicídio uma ou mais vezes, aos familiares impactados por essas tentativas ou pela morte de seus entes queridos. Cuidados também aos profissionais que perdem seus pacientes, apesar do seu esforço, sentindo-se fracassados e culpados pela morte deles.

Muitos profissionais se perguntam o que fazer diante de uma pessoa com ideação ou tentativa de suicídio. Como mecanismo de proteção, para não se confrontar com sua incerteza, se negam a atender pessoas nessa condição, utilizando manobras defensivas. Observamos que alguns falam mais do que ouvem, julgam clientes e em atitude contratransferencial descontam neles sua incapacidade, dúvida, incompetência, raiva e outros sentimentos, perdendo a possibilidade de escuta. Essa atitude precisa ser revista.

Há profissionais que se negam a receber pessoas que tentam suicídio afirmando que não podem perder seu tempo tão corrido atendendo pessoas que querem morrer, já que precisam se dedicar àqueles que preferem viver. É muito categórico dizer que todas as pessoas que não suportam mais viver a vida atual querem de fato morrer. Há aqueles que não desejam mais viver essa vida, mas aceitariam continuar vivendo, se pudessem eliminar sua dor, sofrimento, humilhação, vergonha, incapacidade e tantas outras razões. Tratar todos os pacientes que chegam aos seus cuidados como se fossem realizar o ato suicida para morrer, é escutar os seus próprios pensamentos e ideias pré-concebidas, sem conseguir entrar em contato com quem estão buscando cuidar.

Tentativas de suicídio podem ser vistas como ações que têm como objetivo chamar a atenção, enfatizando seu aspecto manipulador. Se vistas como ações somente para atrair atenção, podem conduzir a um não cuidado, já que o aspecto manipulador é o que predomina. Entretanto, sob uma outra visão, o ato suicida tem o objetivo sim de chamar atenção para algo que não vai bem na vida da pessoa e, nesse caso, seu aspecto de comunicação é que fica ressaltado, demandando escuta e cuidados.

Encontramos essas dificuldades mais frequentemente em profissionais que atendem pessoas que buscam os prontos-socorros com sequelas do ato suicida. Chegam assustados, impactados pelo seu ato, ambivalentes por vezes, com profundo sentimento de fracasso, afirmando que não têm capacidade nem para se matar. Ao receber desprezo, preconceito, pessoas que se questionam se vale a pena viver terão mais uma razão para desistir da vida. Trata-se de iatrogenia, formas de atendimento que aumentam o sofrimento.

Há hospitais em que não há atendimento de profissionais de saúde mental, sem proposta de continuidade dos cuidados a quem chega após tentativa de suicídio. Pessoas que realizam o ato suicida voltam ao seu ambiente sem respaldo ou cuidados de saúde mental, desgastados, o que pode estimular a recorrência de tentativas que podem ser letais. Infelizmente a proposta de continuidade de atendimento de saúde mental, como proposto pela agenda de prevenção do suicídio e diminuição de danos de 2006, muitas vezes não é colocada em prática.

O projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) denominado Estudo Multicêntrico de Intervenção ao Comportamento Suicida (SUPRE-MISS) demonstrou como é importante ajudar pessoas que tentam suicidar-se. No Brasil o projeto foi coordenado por Neury Botega, da Unicamp, com resultados significativos na prevenção da reincidência de tentativas de suicídio. Pessoas que tentaram suicídio foram convidadas a participar da pesquisa. Houve uma divisão em dois grupos, no primeiro eles foram avaliados e encaminhados a serviços na rede de saúde. No segundo grupo, além do encaminhamento, os pacientes também receberam informações sobre suicídio e fatores que podem levar à tentativa de suicídio. Além disso, o grupo 2 recebeu nove ligações da equipe que os atendeu no hospital, com intervalos crescentes durante um ano e meio e nessas ligações havia estímulo para que procurassem ajuda. Ao fim do estudo, no primeiro grupo 2,2% morreram por suicídio e no segundo, 0,2 % (Zorzetto e Fioravanti, 2009). É uma diferença muito significativa, que deve ser considerada nos atendimentos para pessoas que tentam suicídio em serviços de pronto socorro. Além de cuidados humanizados, o encaminhamento e continuidade de cuidados parecem ser a melhor combinação para ajudar pessoas com ideação e tentativa de suicídio.

Para um bom cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio precisamos nos dedicar à formação de profissionais de saúde com especialização na área. São poucas as disciplinas que se propõem a discutir o tema do suicídio nos cursos de graduação na USP. No Instituto de Psicologia, a disciplina Psicologia da Morte (PSA 3512), aborda o tema suicídio em três aulas. Em 2018 observamos uma grande procura da disciplina por estudantes de várias unidades da USP, chegando ao número de 333 interações no sistema Júpiter da USP, o que demonstra o quanto estudantes de várias áreas se interessam ou precisam discutir o tema. Pudemos acomodar 100 estudantes na maior sala do IP. Cabe ressaltar também que o maior interesse dos estudantes é sobre o tema do suicídio, o que ficou confirmado pelas respostas sobre a motivação para frequentarem a disciplina e pela escolha do tema suicídio para realizar o trabalho de conclusão do curso. A partir desses dados, apontamos a importância de desenvolver o tema nas disciplinas em vários cursos da USP, enfatizando uma perspectiva multidisciplinar. Além da graduação, é preciso desenvolver o tema também na pós-graduação e estimular pesquisas na área. Oferecemos a disciplina “A Questão da Morte nas Instituições de Saúde e Educação” (PSA 5861) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano, em que o tema suicídio comparece em várias aulas. Temos ainda orientado dissertações e teses sobre o tema. É um grão de areia na tarefa essencial de oferecer formação na maior universidade de nosso país. Ainda ampliando esse grão, em 2016 oferecemos a disciplina “Suicídio: Prevenção e Luto” (PSA 5921-1) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia USP na pós-graduação a partir do pós-doutorado de Karina Fukumitsu (bolsista PNPD/Capes) “Cuidados e Intervenções para Sobreviventes Enlutados por Suicídios”. Foi oferecida uma vez, pois era uma das atividades do pós-doutorado de Karina.

Ressaltamos que o cuidado a pessoas com ideação e tentativas de suicídio e a familiares enlutados é tarefa para profissionais especializados numa perspectiva multidisciplinar. É importante que o País, nas suas diversas instituições de saúde, constitua um corpo de profissionais que possa coordenar as propostas de cuidados à população com sofrimento existencial nas suas necessidades específicas. Junto com as campanhas que desenvolvem atividades para a prevenção do suicídio, com cartilhas e programas de valorização da vida, é necessário o mesmo empenho para compor equipes multidisciplinares de cuidados nas várias instâncias de saúde mental em nosso país, a destacar os ambulatórios de saúde mental, os CAPS e UBS em todo o País. Essa é a meta proposta pelo Ministério da Saúde na sua Agenda Estratégia em 2016. Quanto à USP, espera-se que possa compor um grupo de especialistas que teria para si a tarefa de empreender a formação de estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais para estabelecer discussões e reflexões sobre o tema. E também para elaborar programas de cuidados para a população de estudantes, funcionários e docentes da própria Universidade, mas, e principalmente, também oferecer subsídios para muito além da USP, à população brasileira, subsidiando políticas públicas não só de prevenção do suicídio, mas também da posvenção, entendida como cuidados que se propõem a diminuir o impacto das tentativas de suicídio para quem consuma o ato e para familiares que vivem o processo de perda de pessoas pelo suicídio.

Bibliografia

ZORZETTO, R., FIORAVANTI, C. (2009). “Por um fio”. Pesquisa Fapesp, Edição Impressa, 158.

BOTEGA, N. J. (2006). Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 2. ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2006.

WERLANG, B.G., BOTEGA, N.J. (2004). Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora.

Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/a-necessidade-de-profissionais-que-enfrentem-o-suicidio/

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Um panorama breve sobre como prevenir o suicídio

Psicólogos defendem discussão responsável sobre suicídio

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida em todo mundo, anualmente. Só no Brasil são 12 mil casos por ano, o que significa que a cada 24 horas 38 pessoas se suicidam. Os números podem ser ainda maiores, uma vez que nem sempre o suicídio é notificado. 

De acordo com dados divulgados pelo ministério da saúde na última quinta-feira (19), o Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio no ano de 2016, uma média de um caso a cada 46 minutos. O número representa um crescimento de 2,3% em relação ao ano anterior, quando 11.178 pessoas tiraram a própria vida. 

Delicado, o tema é uma questão de saúde pública. Para ampliar o debate e quebrar tabus, o CVV (Centro de Valorização da Vida), o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) iniciaram em 2015 a campanha do Setembro Amarelo. Neste mês, que marca a discussão sobre o tema, especialistas apontam quais ações podem ser importantes para superar esse problema. 


Para a psicóloga Sephora Cordeiro, falar sobre pode ser a melhor solução."O indivíduo que pensa em atentar contra a própria vida passa por um sofrimento emocional muito intenso e, sem dúvida, sofre de algum transtorno psiquiátrico, como depressão", pontua Sephora. Também de acordo com a psicóloga, a pessoa que tem esse tipo de pensamento, às vezes, precisa do apoio das pessoas que estão ao seu redor para que percebam seu sofrimento e a ajudem a reconhecer que precisa buscar um
profissional. 

Sephora lembra que há um grupo vulnerável e que pede uma atenção especial, como os que passam por um sofrimento emocional, principalmente quando associado a um transtorno psicológico ou psiquiátrico. Pessoas vítimas de preconceitos, como LGBTs, vítimas de machismo, de bulliyng ou que vivenciam eventos extremos, como os refugiados. "Muitas vezes é possível perceber indícios de que a pessoa está  enfrentando problemas quando usa frases como "eu não devia ter nascido", "não vejo mais sentido na vida", "queria dormir e não acordar mais", entre outras", afirma a psicóloga. 

De acordo com a psiquiatra Gisele S. Teixeira Bellinello, há ainda algumas variáveis, isoladas ou associadas, que podem ampliar o risco de suicídio, como depressão grave, transtorno afetivo bipolar, síndromes psicóticas, impulsividade, dependência de álcool ou outras substâncias psicoativas, traumas de infância, violência sexual e física, perda ou separação dos pais, Para as duas profissionais, a melhor forma de ajudar e prevenir o suicídio é buscar ajuda e informações sobre o sofrimento psicológico e transtornos psiquiátricos. "É importante que se fale mais sobre suicídio de modo responsável, desmistificando o tema e acabando com o preconceito que ainda existe, estimulando o tratamento", lembra Gisele. 

Com informações da Assessoria. Sob a supervisão de Rafael Fantin. Mariana Sanches, estagiária.

Fonte: https://www.bonde.com.br/saude/saude-e-ambiente/psicologos-defendem-discussao-responsavel-sobre-suicidio-483664.html