Blog destinado à coleta e disseminação de informações sobre prevenção do suicídio e valorização da vida
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Os jovens são o nosso presente...
Portas para a realidade…
Fernando Barroso
As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?
1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.
…
28 – Não fale com ninguém o dia todo.
…
50 – Tire a sua própria vida.
…
QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?
O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.
A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”
O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.
UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.
Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).
Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.
Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade
Suicídio e adolescência. Excelente texto de Arnaldo Cheixas!!
O problema do suicídio entre adolescentes
O assunto está em voga nos últimos tempos; confira sintomas, mitos e como ajudar nesses casos
Arnaldo Cheixas
O debate sobre o suicídio entre adolescentes tem sido destacado nos meios de comunicação em função do controverso jogo “blue whale” (baleia azul), sobre o qual ainda há poucas certezas. Existem casos recentes de suicídios e de tentativas de suicídio que parecem estar associados ao jogo.
Baleia Azul
Ao que parece, curadores anônimos convidam adolescentes a participar do jogo por meio das redes sociais. Depois de aceitar participar, o adolescente passaria a receber sucessivos desafios envolvendo assistir a filmes de terror durante a madrugada e automutilação – dentre outros –, culminando com o desafio derradeiro de tirar a própria vida. Os adolescentes seriam coagidos a manter a participação até o fim sob ameaças dos curadores de que, em caso de desistência, males seriam praticados contra seus familiares.
Casos foram registrados em vários países, inclusive no Brasil. Aqui a investigação tem sido conduzida principalmente pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática do Rio de Janeiro mas há investigações paralelas feitas pelas polícias de outros estados. Por enquanto não se sabe a extensão do problema e é importante aguardar os resultados preliminares da investigação policial. De qualquer modo, os casos apurados por jornalistas de diversos veículos realmente aconteceram e estão sendo investigados. Todo o resto são boatos e conjecturas. E, independentemente disso, o problema da morte auto-imposta é real e nessas horas é melhor não subestimar os riscos de uma onda de suicídios entre adolescentes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), a cada quarenta segundos em média uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta. Foram quase um milhão de casos registrados em 2012, ano de referência dos dados do relatório mais recente do órgão internacional, publicado em 2014.
O suicídio é a segunda causa global de mortalidade de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), atrás apenas dos acidentes de carro. Embora no Brasil a maior incidência esteja na faixa etária seguinte, de 30 a 39 anos, ela também é alta entre adolescentes, de modo que o problema não deve ser subestimado e exige atenção permanente no país, devendo envolver em suas ações os próprios adolescentes, os pais, a escolas e os governos.
13 Reasons Why
À luz desse cenário preocupante, a Netflix estreou a série 13 Reasons Why. Uma tradução livre do título pode ser Treze Motivos Pelos Quais – o número treze em inglês traz uma associação direta com a adolescência. A série conta a história de Hannah, uma adolescente que, antes de cometer suicídio, grava em fitas cassete treze razões que a levaram a tirar a própria vida. Os núcleos explicativos para o suicídio são o bullying e a incompreensão dos adultos sobre o sofrimento de Hannah.
Como é sabido que a publicidade de casos de suicídio pode fazer com que outras pessoas o executem logo após a divulgação – fenômeno conhecido como efeito Werther –, a série gera sim preocupação. O suicídio da personagem Hannah Baker é envolto em bastante romantismo, desde a beleza da maior parte das personagens até o próprio fato de que a protagonista, mesmo morta, continua presente na vida dos demais por conta dos áudios deixados com sua voz. Esse aspecto particularmente atiça uma fantasia muito presente no discurso de quem tem ideação suicida, que é a expectativa de que sua morte fará com que as pessoas que lhe magoaram sofram e de certo modo paguem pelo mal praticado.
Um dado interessante é que a série da Netflix fez aumentar a quantidade de pessoas que estão entrando em contato com o Centro de Valorização da Vida, um serviço gratuito voltado para a prevenção do suicídio. Mas ainda é difícil saber se esta notícia é boa ou ruim.
Como psicólogo não posso deixar de olhar com preocupação o fato de o suicídio ser apresentado de forma tão romantizada na TV mas não se pode negar que os produtores de 13 Reasons Why foram corajosos ao trazer o tema de forma tão aberta. Um efeito positivo inegável é a repercussão que tem feito com que o tema seja discutido. Se se trata apenas de comoção passageira ou se produzirá avanços na prevenção, só o tempo dirá. Por enquanto não podemos deixar passar a oportunidade de conversar a respeito.
Fatores de risco para o suicídio
A seguir os elementos mais comuns na vida de pessoas que se suicidaram e que servem como sinais de alerta:
– Presença de perturbações mentais (presentes em 90% dos casos).
– Stress social.
– Grandes perdas (ente querido, emprego, patrimônio…).
– Abuso no passado, físico ou emocional.
– Desesperança em relação à própria vida.
– Sensação de desamparo, impossibilidade de agir sobre os problemas.
– Exposição ao suicídio de alguém conhecido ou famoso.
– Dificuldades sexuais.
– Doença e dor.
– Acesso facilitado aos meios necessários para se suicidar.
– Acontecimentos violentos (guerra, desastres, golpes de estado).
– Repertório pobre para enfrentamento de problemas.
– Problemas familiares.
Fatores de proteção
Os elementos que significam menor risco de suicídio são:
– Existência de apoio da família e de uma rede de amizade sólida.
– Presença de crenças.
– Envolvimento na comunidade.
– Vida social satisfatória.
– Acesso aos serviços de saúde existentes.
Os avisos que aparecem antes de uma tentativa de suicídio
Na maioria dos casos de suicídio, há alguns sinais que antecedem a ação e que podem ajudar quem está perto a prestar apoio e até evitar que a tragédia de fato aconteça. Aqui estão eles:
– Falta de interesse pelo próprio bem-estar.
– Mudanças de comportamento.
– Declínio da produtividade.
– Alterações no sono e na alimentação.
– Tentativa de ficar em dia com pendências pessoais e de fazer as pazes com desafetos.
– Interesse incomum em como os outros se sentem.
– Preocupação com temas de morte e violência.
– Súbita melhoria no humor após uma depressão.
– Promiscuidade repentina ou aumentada.
– Dificuldade em lidar com problemas.
– Pressão negativa dos colegas/bullying.
– Família disfuncional.
Mitos sobre o suicídio
Os mitos mais comuns e que geram confusão e preconceito são os seguintes:
“Quem fala em suicídio não se mata porque na verdade só quer chamar a atenção.” Errado. A maioria dos suicidas falaram sobre essa possibilidade antes de se matar efetivamente. Na verdade o suicida muda de ideia frequentemente.
“Suicídio é sempre um ato impulsivo e acontece sem aviso.” Errado. O suicídio normalmente é elaborado aos poucos ao longo do tempo.
“Suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, não havendo nada que se possa fazer para persuadi-los a mudar de ideia.” Errado. A maioria manifesta ambivalência.
“Quando alguém sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo.” Errado. Ao menos uma tentativa prévia ocorre na maioria dos casos que se efetivam. O período logo após uma tentativa é especialmente perigoso.
“Conversar sobre suicídio é o mesmo que dar ideia.” Errado. Discutir o tema em todos os níveis ajuda alguém com ideação suicida a mudar de ideia e procurar ajuda.
“Crianças não se suicidam.” Errado. Embora a incidência seja menor do que em qualquer outra fase da vida, crianças se suicidam sim e deve haver atenção permanente quanto a esse risco.
Como ajudar o adolescente que fala em suicídio
Durante uma crise de ideação suicida é importante oferecer suporte com tranquilidade. Não se deve julgar o desejo do outro de interromper a própria vida mas sim procurar escutar com atenção as razões que o motivam para tal. Nesse ponto é importante saber reconhecer e respeitar a escolha que resulta dos elementos apresentados mas sem jamais aceitar a escolha como algo normal.
A pessoa com ideação suicida deve ser estimulada a se abrir e a compartilhar o que pensa e o que sente. O foco do ouvinte deve permanecer no momento atual; falar sobre o passado ou o futuro só aumenta a ansiedade e reforça os sentimentos de frustração. Nesse sentido, deve-se evitar conselhos amplos. As sugestões e conselhos devem se concentrar no aqui e agora.
O ponto mais importante sobre a ajuda a um adolescente com ideação suicida talvez seja o quanto é possível não atrapalhá-lo. E a forma mais desastrosa de atrapalhar um adolescente potencialmente suicida é julgá-lo, estigmatizando-o em seu sofrimento. Frases como “Eu na sua idade fazia assim e assado…” devem ser evitadas fortemente.
Finalmente, é importante discretamente restringir o acesso da pessoa aos meios de praticar o suicídio porque, em um momento de dúvida, a disponibilidade dos meios pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte.
Alguns apontamentos
Ainda que os efeitos da depressão sobre o cérebro sejam muito similares para qualquer pessoa do ponto de vista da fisiologia dos neurotransmissores, o tratamento que funciona para um não necessariamente funciona para outro. A melhor conduta deve ser determinada pelos profissionais de saúde sempre em conjunto com o paciente e com os familiares, respeitando-se as particularidades de cada caso.
Embora 60% dos suicidas estivessem deprimidos, o fator principal que os levou ao ato (quando há registro) foi a sensação de desesperança, muito mais do que a depressão em si. Isso se confirma pelos casos de suicídio em que não havia evidência de depressão mas sim a desesperança, a sensação de que a própria vida não tem sentido.
O consumo de álcool e outras drogas deve preocupar particularmente durante a adolescência porque é sinal de que algo não vai bem na vida do adolescente. A substância química, de modo geral, preenche um vazio que normalmente tem a ver com frustrações prévias. Três quartos das crianças e adolescentes com ideação suicida não conseguem falar com um adulto a respeito. Nesse sentido, os professores têm papel chave na vigilância porque eles têm uma posição privilegiada, uma vez que não são tão distantes do adolescente a ponto de não gerar confiança (como um estranho) e nem tão próximos a ponto de gerar desconfiança, vergonha e medo (como os pais).
Adolescentes são mais vulneráveis que adultos porque a pouca experiência com a vida, combinada com seu foco no aqui e agora, os atrapalha na hora de avaliar as consequências de seus atos. Ainda assim, o sofrimento é muito forte com as questões que angustiam um adolescente em risco (bullying, perdas, violência etc). Isso tudo acontecendo num ambiente social virtual, no qual tudo tem velocidade espantosa. Às vezes, é difícil para um adulto entender as expectativas e as angústias vivenciadas pelos adolescentes no ambiente virtual uma vez que esse ambiente não fez parte da adolescência dos adultos de hoje.
Um dado motivador é que, de acordo com o citado relatório da O.M.S., o número absoluto de suicídios caiu globalmente 9% de 2000 para 2012, a despeito do aumento populacional. Isto significa que as políticas de prevenção estão avançando.
Embora o Brasil faça parte de um seleto grupo de países que possuem informações confiáveis sobre o suicídio, tal precisão informativa ainda não se converteu em políticas que permitam a redução de ocorrências trágicas em consonância com a média global. Este é, portanto, o desafio diante do qual estamos. Debater incessantemente o problema é o primeiro passo a ser adotado. Nesse sentido, que o burburinho gerado pelo seriado 13 Reasons Why sirva como gatilho para nos impulsionar para ações concretas de prevenção.
Finalmente…vale registrar aqui que, se você precisa de ajuda neste momento, o CVV atende gratuitamente e de forma completamente anônima por meio do número 141.
Fonte: http://vejasp.abril.com.br/blog/terapia/suicidio-adolescente/
O assunto está em voga nos últimos tempos; confira sintomas, mitos e como ajudar nesses casos
Arnaldo Cheixas
O debate sobre o suicídio entre adolescentes tem sido destacado nos meios de comunicação em função do controverso jogo “blue whale” (baleia azul), sobre o qual ainda há poucas certezas. Existem casos recentes de suicídios e de tentativas de suicídio que parecem estar associados ao jogo.
Baleia Azul
Ao que parece, curadores anônimos convidam adolescentes a participar do jogo por meio das redes sociais. Depois de aceitar participar, o adolescente passaria a receber sucessivos desafios envolvendo assistir a filmes de terror durante a madrugada e automutilação – dentre outros –, culminando com o desafio derradeiro de tirar a própria vida. Os adolescentes seriam coagidos a manter a participação até o fim sob ameaças dos curadores de que, em caso de desistência, males seriam praticados contra seus familiares.
Casos foram registrados em vários países, inclusive no Brasil. Aqui a investigação tem sido conduzida principalmente pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática do Rio de Janeiro mas há investigações paralelas feitas pelas polícias de outros estados. Por enquanto não se sabe a extensão do problema e é importante aguardar os resultados preliminares da investigação policial. De qualquer modo, os casos apurados por jornalistas de diversos veículos realmente aconteceram e estão sendo investigados. Todo o resto são boatos e conjecturas. E, independentemente disso, o problema da morte auto-imposta é real e nessas horas é melhor não subestimar os riscos de uma onda de suicídios entre adolescentes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (O.M.S.), a cada quarenta segundos em média uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do planeta. Foram quase um milhão de casos registrados em 2012, ano de referência dos dados do relatório mais recente do órgão internacional, publicado em 2014.
O suicídio é a segunda causa global de mortalidade de adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos), atrás apenas dos acidentes de carro. Embora no Brasil a maior incidência esteja na faixa etária seguinte, de 30 a 39 anos, ela também é alta entre adolescentes, de modo que o problema não deve ser subestimado e exige atenção permanente no país, devendo envolver em suas ações os próprios adolescentes, os pais, a escolas e os governos.
13 Reasons Why
À luz desse cenário preocupante, a Netflix estreou a série 13 Reasons Why. Uma tradução livre do título pode ser Treze Motivos Pelos Quais – o número treze em inglês traz uma associação direta com a adolescência. A série conta a história de Hannah, uma adolescente que, antes de cometer suicídio, grava em fitas cassete treze razões que a levaram a tirar a própria vida. Os núcleos explicativos para o suicídio são o bullying e a incompreensão dos adultos sobre o sofrimento de Hannah.
Como é sabido que a publicidade de casos de suicídio pode fazer com que outras pessoas o executem logo após a divulgação – fenômeno conhecido como efeito Werther –, a série gera sim preocupação. O suicídio da personagem Hannah Baker é envolto em bastante romantismo, desde a beleza da maior parte das personagens até o próprio fato de que a protagonista, mesmo morta, continua presente na vida dos demais por conta dos áudios deixados com sua voz. Esse aspecto particularmente atiça uma fantasia muito presente no discurso de quem tem ideação suicida, que é a expectativa de que sua morte fará com que as pessoas que lhe magoaram sofram e de certo modo paguem pelo mal praticado.
Um dado interessante é que a série da Netflix fez aumentar a quantidade de pessoas que estão entrando em contato com o Centro de Valorização da Vida, um serviço gratuito voltado para a prevenção do suicídio. Mas ainda é difícil saber se esta notícia é boa ou ruim.
Como psicólogo não posso deixar de olhar com preocupação o fato de o suicídio ser apresentado de forma tão romantizada na TV mas não se pode negar que os produtores de 13 Reasons Why foram corajosos ao trazer o tema de forma tão aberta. Um efeito positivo inegável é a repercussão que tem feito com que o tema seja discutido. Se se trata apenas de comoção passageira ou se produzirá avanços na prevenção, só o tempo dirá. Por enquanto não podemos deixar passar a oportunidade de conversar a respeito.
Fatores de risco para o suicídio
A seguir os elementos mais comuns na vida de pessoas que se suicidaram e que servem como sinais de alerta:
– Presença de perturbações mentais (presentes em 90% dos casos).
– Stress social.
– Grandes perdas (ente querido, emprego, patrimônio…).
– Abuso no passado, físico ou emocional.
– Desesperança em relação à própria vida.
– Sensação de desamparo, impossibilidade de agir sobre os problemas.
– Exposição ao suicídio de alguém conhecido ou famoso.
– Dificuldades sexuais.
– Doença e dor.
– Acesso facilitado aos meios necessários para se suicidar.
– Acontecimentos violentos (guerra, desastres, golpes de estado).
– Repertório pobre para enfrentamento de problemas.
– Problemas familiares.
Fatores de proteção
Os elementos que significam menor risco de suicídio são:
– Existência de apoio da família e de uma rede de amizade sólida.
– Presença de crenças.
– Envolvimento na comunidade.
– Vida social satisfatória.
– Acesso aos serviços de saúde existentes.
Os avisos que aparecem antes de uma tentativa de suicídio
Na maioria dos casos de suicídio, há alguns sinais que antecedem a ação e que podem ajudar quem está perto a prestar apoio e até evitar que a tragédia de fato aconteça. Aqui estão eles:
– Falta de interesse pelo próprio bem-estar.
– Mudanças de comportamento.
– Declínio da produtividade.
– Alterações no sono e na alimentação.
– Tentativa de ficar em dia com pendências pessoais e de fazer as pazes com desafetos.
– Interesse incomum em como os outros se sentem.
– Preocupação com temas de morte e violência.
– Súbita melhoria no humor após uma depressão.
– Promiscuidade repentina ou aumentada.
– Dificuldade em lidar com problemas.
– Pressão negativa dos colegas/bullying.
– Família disfuncional.
Mitos sobre o suicídio
Os mitos mais comuns e que geram confusão e preconceito são os seguintes:
“Quem fala em suicídio não se mata porque na verdade só quer chamar a atenção.” Errado. A maioria dos suicidas falaram sobre essa possibilidade antes de se matar efetivamente. Na verdade o suicida muda de ideia frequentemente.
“Suicídio é sempre um ato impulsivo e acontece sem aviso.” Errado. O suicídio normalmente é elaborado aos poucos ao longo do tempo.
“Suicidas querem mesmo morrer e estão decididos, não havendo nada que se possa fazer para persuadi-los a mudar de ideia.” Errado. A maioria manifesta ambivalência.
“Quando alguém sobrevive a uma tentativa, está fora de perigo.” Errado. Ao menos uma tentativa prévia ocorre na maioria dos casos que se efetivam. O período logo após uma tentativa é especialmente perigoso.
“Conversar sobre suicídio é o mesmo que dar ideia.” Errado. Discutir o tema em todos os níveis ajuda alguém com ideação suicida a mudar de ideia e procurar ajuda.
“Crianças não se suicidam.” Errado. Embora a incidência seja menor do que em qualquer outra fase da vida, crianças se suicidam sim e deve haver atenção permanente quanto a esse risco.
Como ajudar o adolescente que fala em suicídio
Durante uma crise de ideação suicida é importante oferecer suporte com tranquilidade. Não se deve julgar o desejo do outro de interromper a própria vida mas sim procurar escutar com atenção as razões que o motivam para tal. Nesse ponto é importante saber reconhecer e respeitar a escolha que resulta dos elementos apresentados mas sem jamais aceitar a escolha como algo normal.
A pessoa com ideação suicida deve ser estimulada a se abrir e a compartilhar o que pensa e o que sente. O foco do ouvinte deve permanecer no momento atual; falar sobre o passado ou o futuro só aumenta a ansiedade e reforça os sentimentos de frustração. Nesse sentido, deve-se evitar conselhos amplos. As sugestões e conselhos devem se concentrar no aqui e agora.
O ponto mais importante sobre a ajuda a um adolescente com ideação suicida talvez seja o quanto é possível não atrapalhá-lo. E a forma mais desastrosa de atrapalhar um adolescente potencialmente suicida é julgá-lo, estigmatizando-o em seu sofrimento. Frases como “Eu na sua idade fazia assim e assado…” devem ser evitadas fortemente.
Finalmente, é importante discretamente restringir o acesso da pessoa aos meios de praticar o suicídio porque, em um momento de dúvida, a disponibilidade dos meios pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte.
Alguns apontamentos
Ainda que os efeitos da depressão sobre o cérebro sejam muito similares para qualquer pessoa do ponto de vista da fisiologia dos neurotransmissores, o tratamento que funciona para um não necessariamente funciona para outro. A melhor conduta deve ser determinada pelos profissionais de saúde sempre em conjunto com o paciente e com os familiares, respeitando-se as particularidades de cada caso.
Embora 60% dos suicidas estivessem deprimidos, o fator principal que os levou ao ato (quando há registro) foi a sensação de desesperança, muito mais do que a depressão em si. Isso se confirma pelos casos de suicídio em que não havia evidência de depressão mas sim a desesperança, a sensação de que a própria vida não tem sentido.
O consumo de álcool e outras drogas deve preocupar particularmente durante a adolescência porque é sinal de que algo não vai bem na vida do adolescente. A substância química, de modo geral, preenche um vazio que normalmente tem a ver com frustrações prévias. Três quartos das crianças e adolescentes com ideação suicida não conseguem falar com um adulto a respeito. Nesse sentido, os professores têm papel chave na vigilância porque eles têm uma posição privilegiada, uma vez que não são tão distantes do adolescente a ponto de não gerar confiança (como um estranho) e nem tão próximos a ponto de gerar desconfiança, vergonha e medo (como os pais).
Adolescentes são mais vulneráveis que adultos porque a pouca experiência com a vida, combinada com seu foco no aqui e agora, os atrapalha na hora de avaliar as consequências de seus atos. Ainda assim, o sofrimento é muito forte com as questões que angustiam um adolescente em risco (bullying, perdas, violência etc). Isso tudo acontecendo num ambiente social virtual, no qual tudo tem velocidade espantosa. Às vezes, é difícil para um adulto entender as expectativas e as angústias vivenciadas pelos adolescentes no ambiente virtual uma vez que esse ambiente não fez parte da adolescência dos adultos de hoje.
Um dado motivador é que, de acordo com o citado relatório da O.M.S., o número absoluto de suicídios caiu globalmente 9% de 2000 para 2012, a despeito do aumento populacional. Isto significa que as políticas de prevenção estão avançando.
Embora o Brasil faça parte de um seleto grupo de países que possuem informações confiáveis sobre o suicídio, tal precisão informativa ainda não se converteu em políticas que permitam a redução de ocorrências trágicas em consonância com a média global. Este é, portanto, o desafio diante do qual estamos. Debater incessantemente o problema é o primeiro passo a ser adotado. Nesse sentido, que o burburinho gerado pelo seriado 13 Reasons Why sirva como gatilho para nos impulsionar para ações concretas de prevenção.
Finalmente…vale registrar aqui que, se você precisa de ajuda neste momento, o CVV atende gratuitamente e de forma completamente anônima por meio do número 141.
Fonte: http://vejasp.abril.com.br/blog/terapia/suicidio-adolescente/
sexta-feira, 5 de maio de 2017
"Jovens, nosso presente". Não é nosso dever protegê-los?!
Portas para a realidade…
Fernando Barroso
As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?
1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.
…
28 – Não fale com ninguém o dia todo.
…
50 – Tire a sua própria vida.
…
QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?
O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.
A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”
O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.
UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.
Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).
Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.
Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?” (...)
Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Notícia boa vinda da Austrália
Cantor e compositor australiano, Nick Cave tem lidado com a morte, de perto.
O título da matéria publicada no jornal Zero Hora dá o tom: "Nick Cave encara o luto no disco 'Skeleton tree'"
Mas o notícia, que chega por meio de uma revista virtual portuguesa é esta:
O músico expressou o seu apoio ao
Kurdiji 1.0, uma aplicação criada por aborígenes
O Kurdiji 1.0 é uma nova aplicação para smartphone que tem como objetivo a prevenção do suicídio entre aborígenes.
A aplicação encontra-se, de momento, a tentar angariar fundos através da plataforma online GoFundMe, tendo já obtido o apoio de Nick Cave.
O Kurdiji 1.0 foi criado por aborígenes australianos e destina-se à população jovem aborígene.
Segundo dados recentes, os aborígenes são quatro vezes mais propensos ao suicídio que a restante população, e a taxa de suicídio entre jovens aborígenes é das mais altas do mundo.
O facto não passa despercebido a Cave, que pediu aos seus conterrâneos para que "lutassem pelas vidas dos jovens aborígenes e mostrassem à Austrália indígena que acreditamos neles".
"Kurdiji" é uma palavra que significa "escudo" no dialeto Warlpiri, uma das tribos aborígenes australianas. "Ao ligar estes jovens à linguagem, à pele, às cerimónias e às leis, a aplicação irá aumentar a resiliência ao gerar um sentimento de pertença", explicam os programadores.
Fonte: http://blitz.sapo.pt/principal/update/2017-05-02-Nick-Cave-da-o-seu-apoio-a-uma-aplicacao-para-telemovel-de-prevencao-do-suicidio
O título da matéria publicada no jornal Zero Hora dá o tom: "Nick Cave encara o luto no disco 'Skeleton tree'"
Mas o notícia, que chega por meio de uma revista virtual portuguesa é esta:
Nick Cave dá o seu apoio a uma aplicação para telemóvel de prevenção do suicídio
O músico expressou o seu apoio ao
Kurdiji 1.0, uma aplicação criada por aborígenes
O Kurdiji 1.0 é uma nova aplicação para smartphone que tem como objetivo a prevenção do suicídio entre aborígenes.
A aplicação encontra-se, de momento, a tentar angariar fundos através da plataforma online GoFundMe, tendo já obtido o apoio de Nick Cave.
O Kurdiji 1.0 foi criado por aborígenes australianos e destina-se à população jovem aborígene.
Segundo dados recentes, os aborígenes são quatro vezes mais propensos ao suicídio que a restante população, e a taxa de suicídio entre jovens aborígenes é das mais altas do mundo.
O facto não passa despercebido a Cave, que pediu aos seus conterrâneos para que "lutassem pelas vidas dos jovens aborígenes e mostrassem à Austrália indígena que acreditamos neles".
"Kurdiji" é uma palavra que significa "escudo" no dialeto Warlpiri, uma das tribos aborígenes australianas. "Ao ligar estes jovens à linguagem, à pele, às cerimónias e às leis, a aplicação irá aumentar a resiliência ao gerar um sentimento de pertença", explicam os programadores.
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quarta-feira, 19 de abril de 2017
Curitiba registra tentativas de suicídio e alerta para 'jogo' da Baleia Azul
A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba alerta pais e responsáveis por crianças e adolescentes e os profissionais da educação e saúde em relação ao “jogo” Baleia Azul, que propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa. Nesta madrugada, a rede municipal de saúde registrou cinco tentativas de suicídio entre adolescentes entre 13 e 17 anos, que foram atendidos e encaminhados para acompanhamento em Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Em todos os casos, havia sinais de automutilação e ingestão de medicamentos.
Ainda não há confirmação se os casos têm relação com o jogo. Os casos serão investigados. Além disso, serão desenvolvidas atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.
No "jogo" Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.
O Baleia Azul começou como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia e se espalhou a partir de 2015. Mesmo sendo fake news, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.
“Orientamos que pais e responsáveis conversem com os adolescentes e fiquem atentos a sinais de isolamento, perda de vínculo familiar e quadros de automutilação”, diz o secretário municipal da Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho. De acordo com o Baracho, os postos de saúde são a porta de entrada no sistema para aquelas famílias que precisam de ajuda. Caso seja necessário, o posto pode direcionar para atendimento de saúde mental em Caps ou outro serviço especializado, de acordo com a gravidade do caso.
Seriado
No mesmo sentido, a Secretaria Municipal da Saúde faz um alerta em relação ao seriado 13 Reasons Why. Os episódios, exibidos pela plataforma de streamming Netflix, contam a história de uma garota que deixa fitas cassetes explicando as razões que a levaram a cometer suicídio.
De acordo com a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), obras de ficção que simbolizam a vida real podem contribuir para fomentar discussões de temas importantes. A entidade manifestou satisfação em constatar que o seriado que trata de bullying, depressão e suicídio entre adolescentes tenha provocado alta de 170% nos acessos ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 55 anos atua na prevenção do suicídio no Brasil.
Segundo a APPSIQ, porém, “a série 13 Reasons Why peca por não abordar a questão do adoecimento mental da personagem, não provocar diálogos sobre como o desfecho dela poderia ser evitado e, principalmente, por dar a impressão de que buscar ajuda é inefetivo.”
A APPSIQ critica também a “glamourização” do suicídio, a utilização do autoextermínio como instrumento de vingança e o fato de atrelar a ideia de suicídio à culpabilização. A entidade alerta, ainda, em relação ao efeito Werther – termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo para novas ocorrências, contribuindo para a difusão do método, apologia ou idealização do ato.
De acordo com a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, Flávia Adachi, os pais e responsáveis não precisam efetivamente proibir o adolescente de assistir à série, mas devem preferencialmente assistir junto e conversar sobre o assunto. “Pode perguntar ao filho se ele conhece alguém que já passou por aquelas situações ou se ele efetivamente já passou por aquilo, tentando deixar um canal aberto franco de diálogo”, aconselha.
A psicóloga Maria Cristina Barreto, que trabalha na Saúde Mental da secretaria, na área técnica da infância e adolescência, explica que essa fase da vida é de grande vulnerabilidade. “O jogo Baleia Azul tem o componente do ‘desafio’. Os adolescentes gostam de desafio, romper limites, desafiar autoridade”, conta ela. “Já a série afeta mais o adolescente que vivencia alguma situação de maior sofrimento, tornando-o suscetível a influências que podem colocá-lo em situação de risco. Então, precisamos ficar atentos a todos os perfis”, diz.
Fonte: www.bemparana.com.br/noticia/498482/curitiba-registra-tentativas-de-suicidio-e-alerta-para-jogo-da-baleia-azul
Ainda não há confirmação se os casos têm relação com o jogo. Os casos serão investigados. Além disso, serão desenvolvidas atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.
No "jogo" Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.
O Baleia Azul começou como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia e se espalhou a partir de 2015. Mesmo sendo fake news, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.
“Orientamos que pais e responsáveis conversem com os adolescentes e fiquem atentos a sinais de isolamento, perda de vínculo familiar e quadros de automutilação”, diz o secretário municipal da Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho. De acordo com o Baracho, os postos de saúde são a porta de entrada no sistema para aquelas famílias que precisam de ajuda. Caso seja necessário, o posto pode direcionar para atendimento de saúde mental em Caps ou outro serviço especializado, de acordo com a gravidade do caso.
Seriado
No mesmo sentido, a Secretaria Municipal da Saúde faz um alerta em relação ao seriado 13 Reasons Why. Os episódios, exibidos pela plataforma de streamming Netflix, contam a história de uma garota que deixa fitas cassetes explicando as razões que a levaram a cometer suicídio.
De acordo com a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), obras de ficção que simbolizam a vida real podem contribuir para fomentar discussões de temas importantes. A entidade manifestou satisfação em constatar que o seriado que trata de bullying, depressão e suicídio entre adolescentes tenha provocado alta de 170% nos acessos ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 55 anos atua na prevenção do suicídio no Brasil.
Segundo a APPSIQ, porém, “a série 13 Reasons Why peca por não abordar a questão do adoecimento mental da personagem, não provocar diálogos sobre como o desfecho dela poderia ser evitado e, principalmente, por dar a impressão de que buscar ajuda é inefetivo.”
A APPSIQ critica também a “glamourização” do suicídio, a utilização do autoextermínio como instrumento de vingança e o fato de atrelar a ideia de suicídio à culpabilização. A entidade alerta, ainda, em relação ao efeito Werther – termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo para novas ocorrências, contribuindo para a difusão do método, apologia ou idealização do ato.
De acordo com a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, Flávia Adachi, os pais e responsáveis não precisam efetivamente proibir o adolescente de assistir à série, mas devem preferencialmente assistir junto e conversar sobre o assunto. “Pode perguntar ao filho se ele conhece alguém que já passou por aquelas situações ou se ele efetivamente já passou por aquilo, tentando deixar um canal aberto franco de diálogo”, aconselha.
A psicóloga Maria Cristina Barreto, que trabalha na Saúde Mental da secretaria, na área técnica da infância e adolescência, explica que essa fase da vida é de grande vulnerabilidade. “O jogo Baleia Azul tem o componente do ‘desafio’. Os adolescentes gostam de desafio, romper limites, desafiar autoridade”, conta ela. “Já a série afeta mais o adolescente que vivencia alguma situação de maior sofrimento, tornando-o suscetível a influências que podem colocá-lo em situação de risco. Então, precisamos ficar atentos a todos os perfis”, diz.
Fonte: www.bemparana.com.br/noticia/498482/curitiba-registra-tentativas-de-suicidio-e-alerta-para-jogo-da-baleia-azul
sábado, 8 de abril de 2017
Jogo virtual e sua ação indireta na prevenção do suicídio
Pokémon Go evita suicídios no JapãoPor Abílio Rodrigues
O Japão é conhecido por ter diversos locais de eleição para aqueles que tomam a decisão de colocar termo à vida.
Um desses locais é uma região montanhosa com enormes penhascos, Tojinbo, na qual, só no ano passado, 14 pessoas se atiraram para o abismo. Em 2015, foram 12 os suicídios registados na zona. Porém, nos primeiros três meses deste ano, não foi registada qualquer morte na área, sendo que as autoridades e população acreditam que o jogo mobile Pokémon Go pode estar relacionado com esta nova tendência.
Ao que parece, diversos Pokémons raros aparecem naquela zona, o que faz com que tenha havido um aumento no número de visitantes da região montanhosa, fator que desencoraja os suicidas a recorrerem ao local.
Um polícia local reformado, Yukio Shige, organiza patrulhas anti-suicídio na zona, e considera que o aumento de tráfego nos penhascos tem tido um efeito positivo em termos da prevenção do suicídio na região. Durante uma entrevista a um canal de televisão japonês, o ex-polícia disse o seguinte:
"O efeito de Pokémon Go é enorme. Espero que possámos continuar a este ritmo, com zero suicídios."
É óbvio que se pode tratar de uma simples coincidência, mas a verdade é que quem procura colocar fim à vida procura zonas isoladas, e evita locais muito movimentados, o que leva a crer que Pokémon Go tem mesmo contribuído para esta diminuição de casos.
Para além de melhorar a saúde física e mental dos seus utilizadores, parece agora que Pokémon Go se tornou também numa ferramenta extremamente útil na prevenção do suicídio, pelo menos naquele local.
Fonte: http://pt.ign.com/pokemon-go-apple-watch-1/41816/news/pokemon-go-salva-vidas-no-japao
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terça-feira, 4 de abril de 2017
O Piauí sempre atuante e à frente das ações de prevenção do suicídio
Psicóloga do NASF ministra palestra sobre suicídio para alunosA psicóloga Ilka Meneses Feitosa, do Núcleo de Apoio à Saúde da Família(NASF), da Secretaria Municipal de Saúde de Porto/Pi, realizou nos turnos da tarde e noite na U.E. Otávio Falcão, uma palestra com a temática: “Valorização à Vida: Precisamos falar sobre suicídio”
A escola da rede estadual está realizando o Projeto “Saúde e Qualidade de Vida na Escola” e em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, tem realizado palestras com diversos profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF), entre eles, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, entre outros.
Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), de 2014, apontou que o Brasil é o 8º país com a maior taxa de suicídios do mundo. O estudo ainda afirma que a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo, sendo este um problema de saúde pública. Para piorar, esses números vêm crescendo no Brasil nos últimos anos.
Fique sabendo
O movimento do Setembro Amarelo é mundial e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ele foi trazido ao Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) eABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A OMS lançou outro dado preocupante: o suicídio já mata mais jovens no mundo do que o HIV. é a segunda maior causa de mortes na faixa etária de 15 aos 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito.
Fonte: https://www.meionorte.com/cidades/pi/porto/psicologa-do-nasf-ministra-palestra-sobre-suicidio-para-alunos-em-p-317970
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