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domingo, 14 de novembro de 2021

CVV capacita equipe de e-Sports para ajudar gamers em situação de risco por depressão

Mateus Lecchi (30 setembro 2021)

Neste mês de setembro, é realizada a campanha do Setembro Amarelo, para conscientização sobre a prevenção do suicídio. E o Centro de Valorização da Vida (CVV) lançou a campanha “Life Gamers” em parceria com várias equipes de eSports brasileiras. Esse programa busca capacitar jogadores (profissionais e casuais) para perceber sinais em uma pessoa que está precisando de ajuda.

Em um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), dentre os jovens de 15 a 24 anos, a segunda principal causa de morte é o suicídio, perdendo apenas para acidentes de carro (assista o vídeo). E durante a pandemia de Covid-19, os termos relacionados a angústia, ansiedade e depressão tiveram aumento de 98% em buscas realizadas no Google no ano de 2020. E cerca de 77% dos estudantes apresentam sinais de tristeza, ansiedade e sobrecarga emocional, conforme reportado pela Fundação Lemman/Itaú Social.

O projeto “Life Gamers” realizada a capacitação dos jogadores a perceberem sinais que possam estar sendo dados por amigos ou parceiros de jogatina em uma situação de risco. O Brasil conta com várias equipes relevantes na cena, disputando torneios de vários games como CS, LoL, PES, Free Fire, Valorant e Rainbow Six, que trazem milhares de fãs que os acompanham. Várias equipes grandes do cenário de eSports brasileiros participaram do treinamento como Team oNe, Corinthians eSports, São Paulo F.C. eSports e Athlético-PR.

Novas parcerias do projeto Life Gamers

Neste mês de setembro o projeto fechou duas grandes parcerias para treinamento, são elas Free Fire da Fúria, destaque mundial e um dos principais times do Brasil e a Federação Paulista de Futebol que vai proporcionar capacitação para 48 times pertencentes a maior liga de PES brasileira.

O projeto “Life Gamers” oferece diversos treinamentos através de lives e palestras com psicólogos e especialistas no assunto, oferecendo também conteúdos online para treinamento, como a cartilha “Falando Abertamente Sobre Suicídio”. O projeto está desenvolvendo também um vídeo utilizando a linguagem dos gamers para abranger o maior público possível. O projeto “Life Gamers” tem cocriação da agência Leo Burnett Tailor Made.

Em fala, Carlos Correia, voluntário do CVV, destaca:

Acreditamos que esta é uma forma eficaz para falar com um público mais fechado para conversas sobre saúde mental. Jovem fala com jovem e quase todos eles estão jogando online. É de extrema importância que eles saibam como ajudar, aprendam a ouvir sem julgamentos e, então, incentivem a procura do CVV ou o suporte de um profissional.
O Centro de Valorização da Vida (CVV), é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

Caso esteja buscando ajuda acesse aqui ou ligue gratuitamente para 188.

Fonte:

https://www.youtube.com/watch?v=bzvQBNNsnEA


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os jovens são o nosso presente...


Portas para a realidade…

Fernando Barroso

As lutas são difíceis. Temos que ser mais arrojados do que o “inimigo”. O certo é que vamos ganhando algumas batalhas. Há batalhas muito difíceis de vencer, mas podem contar com a nossa luta até sempre porque os nossos filhos não podem ser “engolidos” pela voracidade das máquinas, e muito menos por mentes que se dão ao “LUXO” de “CRIAR” caminhos para o suicídio. BALEIAS AZUIS? Jogos com caminhos ínvios, que promovem a automutilação, e o colocar termo à própria vida? 50 Desafios “ORIENTADOS” por um “CURADOR”?

1 – Com uma navalha, escreva “F57” na palma da mão e em seguida envie uma foto para o curador.
…
28 – Não fale com ninguém o dia todo.
…
50 – Tire a sua própria vida.
…
QUAL O NOSSO PAPEL? QUAL O PAPEL DE TODOS QUE ESTÃO ACORDADOS PARA AS REALIDADES TRAZIDAS PELA OBSCURA VIRTUALIDADE?

O nosso papel é compreender o sistema e, se necessário, enfrentá-lo em busca de uma sociedade mais justa.

A OMS RECONHECE O SUICÍDIO COMO UMA PRIORIDADE DE SAÚDE PÚBLICA. NO PRIMEIRO RELATÓRIO DA ORGANIZAÇÃO SOBRE O ASSUNTO, RECONHECE QUE A “PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM IMPERATIVO GLOBAL”

O fenómeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que nos preocupam (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenómeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até ao suicídio. Quem estabelece as regras e propõe os reptos é um mentor (curador), uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a realização da tarefa do dia com a garantia de provas (os participantes são obrigados a enviarem fotos do trabalho feito). Claro que o “CURADOR” (estranho nome) nunca cumpriu os propósitos do jogo.

UM TOTAL DE 1,3 MILHÃO DE PESSOAS DE 15 A 29 ANOS MORREM NO MUNDO ANUALMENTE VÍTIMAS DE CAUSAS EVITÁVEIS OU TRATÁVEIS, SENDO A PRINCIPAL DELAS OS ACIDENTES DE TRÂNSITO (11,6% DO TOTAL). O SUICÍDIO FICA EM SEGUNDO LUGAR, RESPONSÁVEL POR 7,3% DAS MORTES.

Inescusavelmente, esses acontecimentos fazem-nos pensar sobre um fenómeno que, certamente, não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.

OS JOVENS NÃO SÃO APENAS O NOSSO FUTURO – ELES SÃO O NOSSO PRESENTE.

São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de reposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto as portas).

Para o filósofo sul-coreano Byung-Chull Han, a sociedade de desempenho (que substitui a sociedade disciplinar) prima pelo excesso de positividade. Somos teleguiados pela lógica do excesso (super-comunicação, super-rendimento, super-produção), que nos quer sempre ocupados, respondendo aos estímulos que não param de nos cortejar frente às telas, agora ubíquas.

Provavelmente, os jovens dão-se conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.

Coluna: A Saga do Soldado de Papel
Fonte: http://regiaodecister.pt/opiniao/portas-para-realidade

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ALERTA!!

Ainda os ecos do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, no dia 10 de setembro!

Amazonas registra o maior crescimento  de suicídio de jovens do País 

Dados do Mapa da Violência foram lembrados no Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, na quarta

domingo 14 de setembro de 2014
Márcia Valéria / portal@d24am.com

Manaus - Segundo dados do Mapa da Violência do Ministério da Saúde (MS), o Amazonas tem a maior taxa de crescimento de suicídio juvenil do País: 134,9% entre os anos de 2002 e 2012. O mais preocupante, de acordo com o MS, é que estima-se 300 tentativas para cada caso registrado, além da sub-notificação. O levantamento, divulgado em julho, voltou ao debate na última quarta-feira, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.

A dona de casa Maria* entrou em desespero quando a filha Katia*, de 20 anos, disse que tinha chegado a medir a altura entre o telhado da varanda e o chão para ver se conseguia pendurar uma corda e pular. “Ela não falou diretamente a palavra suicídio, mas como já vinha apresentando sinais de depressão, decidi procurar ajuda antes que minha filha tirasse a própria vida. Hoje, fora do quadro depressivo, ela me contou que só não se matou naquela época porque pensou em mim”, contou.

Já a cabeleireira Eliane* chegou a tempo de segurar as pernas do filho André*, de 18 anos, que estava em cima de um banco e preso a uma corda amarrada na sacada da janela do quarto. “Deus me deu forças e eu o segurei a tempo e impedi que ele pulasse. Como sequela, ele ficou com uma cicatriz no pescoço”, disse.

Outras mães não tiveram a mesma sorte que Maria e Eliane e seus filhos. No período de dez anos, aponta o Mapa da Violência, 100,6 a cada 100 mil crianças, adolescentes e jovens com menos de 25 anos cometeram suicídio no Estado. Foram 781 mortes, destas 402 em Manaus, 65,5 para cada 100 mil habitantes juvenil da capital.

A psicóloga Auxiliadora Ribeiro, da clínica Pais e Filhos, afirma que vários motivos levam um jovem escolher por fim a sua vida e, na maioria dos casos, estão ligados à depressão. Ela alerta que os familiares devem estar atentos aos sinais.

“A qualidade de vida que tem, o tipo de família que ele pertence, o papel que ele desempenha perante os familiares, as frustrações, as perdas, as decepções, o uso excessivo de álcool e drogas e o nível de tolerância que ele encara sua vida pode levá-lo ao suicídio”. disse.

Para ela, a  grande demanda dos dias atuais requer investimento e participação dos jovens nas mais diversas esferas e contextos familiares. “Sendo assim o jovem se vê pressionado a responder cada vez mais. Alguns percebem-se incapazes e veem no suicídio uma solução”.

Ela orienta que a atenção dos pais, a acolhida nos momentos difíceis e o limite são ingredientes que permitem que, em situações que geram ameaça ao jovem, ele possa apresentar defesas adequadas e assim bloquear  as situações que geram angustia e ansiedade.

Ranking
O Mapa da Violência também aponta dois municípios amazonenses, de até 20 mil habitantes, entre as três maiores taxas de suicídio de jovens do País.  Em primeiro lugar no ranking,  está São Gabriel da Cachoeira (51,2) e, em terceiro, São Paulo Olivença (36,7). Em segundo, aparece Três Passos, no Rio Grande do Sul (41,9).

Tefé, com taxa de 16,7, também aparece no Mapa da Violência na 29ª posição e Tabatinga, com 14,7, na 90ª posição, entre as 100 cidades de até 20 mil habitantes com as maiores taxas de suicídio juvenil.

De acordo com o Mapa da violência, entre o número de casos  de suicídio na população geral, o crescimento foi de 131,3% entre 2002 e 2012, no Estado. Em Manaus, no mesmo período, o crescimento foi de 89,6%. Foram  1.407 mortes em dez anos, que representa a taxa de 90,7 para cada 100 mil habitantes. Em Manaus, foram 784 mortes, 51,6 para cada 100 mil.

O MS alerta que  os suicídios vêm aumentando de forma progressiva e constante, no Amazonas. Foram 80 em 2002, 147 em 2008 e 185 em 2012. Entre os jovens foram 43, 93 e 101, no mesmo período.

*Os nomes são fictícios para manter a privacidade das famílias.

Fonte: http://new.d24am.com/noticias/amazonas/amazonas-registra-maior-crescimento-suicidio-jovens-pais/119887


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um importante alerta para esta combinação: final de ano e jovens fragilizados

Na reportagem abaixo nós somos alertados, instruídos e orientados. Enfim, ela atende plenamente ao que se espera de uma boa matéria sobre o suicídio. Parabéns a Thais Borges!

Casos de suicídio aumentam entre jovens e também no final do ano

Todos os dias, pelo menos três pessoas tentam o suicídio na Bahia, segundo o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio

Thais Borges (thais.mascarenhas@redebahia.com.br) 23/12/2013  

Não tem um dia em que a doméstica Josenice dos Santos, 45 anos, saia de casa tranquila para trabalhar. Ela é mãe de seis filhos, mas a preocupação é com o terceiro da família. Em oito meses, Fagner dos Santos, 19, já tentou se matar duas vezes – a última foi há duas semanas. 

“Na segunda-feira, ele almoçou e saiu de casa, sem avisar. Ninguém sabia onde estava. Fiquei louca, porque ele estava sozinho e podia fazer qualquer coisa”. Fagner apareceu três horas depois. Disse à mãe que fora à igreja, mas a angústia dela não diminuiu. 

Josenice não é a única preocupada com um filho como Fagner, nem ele é o único a viver o drama de querer tirar a própria vida. 

Todos os dias, pelo menos três pessoas tentam o suicídio na Bahia, segundo o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (Neps), do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave). E a maioria das tentativas  parte dos jovens.

Além disso, na época de festas de fim de ano, esse número aumenta. Só em dezembro, as ligações recebidas pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende pessoas com comportamento suicida, em Salvador, aumentam 40%.

Nos últimos 25 anos, o índice de suicídios cometidos por pessoas com idades entre 15 e 29 anos aumentou pelo menos 30% em todo o Brasil, segundo uma pesquisa do psiquiatra José Manoel Bertolote, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), autor de O Suicídio e Sua Prevenção. 

“Fizemos um estudo em São Paulo, com a análise dos atestados de óbito desse período. Entretanto, dados do Datasus (Banco de Dados do Sistema Único de Saúde) indicam a mesma tendência para o Brasil todo”, explicou.

Na Bahia, a tendência não é muito diferente. Só entre 2009 e 2011, houve um aumento de 14,1% dos suicídios naquela faixa etária: foram 113 em 2009, contra 129, em 2011, pelos dados do Datasus. 

Nos três anos, o total de jovens que se matou, 374, foi maior do que em qualquer outra faixa. Os suicídios dos jovens corresponderam a 30% de todos os casos: 1241. 

Risco 

“Na maioria dos casos, há uma combinação entre fatores predisponentes, como genética e transtornos mentais, com fatores precipitantes, como perdas afetivas. Mais de 95% dos adultos e 85% dos adolescentes que se suicidam tinham um transtorno psiquiátrico na ocasião. Isso constitui um dos fatores de risco”, afirma Bertolote.

No caso de Fagner, a mãe do adolescente acredita que as tentativas podem ter sido motivadas pela depressão, diagnosticada este ano. “Ele não era assim. Antes, ria, conversava, tinha amigos e namorada”, lembra Josenice. 

Quando criança, Fagner era espancado pelo pai com frequência. Aos 10 anos, chegou a fugir de casa –passou um mês em um estacionamento, na Avenida Paralela, até ser encontrado por uma tia.

Depois que voltou para casa, os pais se separaram e a vida se normalizou. “Não sei por que só veio aparecer agora, mas acho que foi muita pancada que ele levou na cabeça”, diz a mãe. Na primeira tentativa, Fagner foi flagrado por uma irmã quando tentava se enforcar com uma calça jeans. 

Josenice conseguiu socorrer o filho e ele começou o tratamento no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) de Pernambués. Mas, da segunda tentativa de suicídio do filho, ela só ficou sabendo depois. 

O jovem foi à passarela da Estação Mussurunga, com intenção de se jogar. “Nesse dia, ele me pediu para comprar salgadinhos, para vender na estação, só que ele passou o dia inteiro lá”. Quando chegou em casa, estava quieto. Dois dias depois, no consultório da psicóloga que o atende no Caps, Fagner revelou os planos. “Ele ficou lá parado, encarando a rua, todo o tempo, querendo fazer. Mas, por algum motivo, voltou”, diz Josenice.

Fagner não fala sobre o assunto. Mas, mesmo que o tema da conversa seja outro, ele fala pouco. Hoje, antes de sair, Josenice esconde facas e até carregadores de celular. “Vivo com medo, porque não estou no coração dele”.

Segundo a psiquiatra Rosa Garcia, professora aposentada da Ufba, é improvável que as agressões do pai de Fagner tenham lhe deixado sequelas físicas. “O problema é que a criança fica impotente diante dos maus tratos e esse trauma pode refletir”. Ainda de acordo com ela, a maioria dos casos de suicídio ou tentativa tem vínculo com a depressão.

“Mas, entre os jovens, além dos que se deprimem, existem aqueles que agem por impulso. Se tiverem uma briga com os pais, agem como a pessoa que discute no trânsito e sai para tentar agredir. Não existe reflexão”, diz Rosa Garcia.

Por isso mesmo, para a psiquiatra e professora da Escola Bahiana de Medicina, Manuela Lima, o suicídio entre os jovens está ligado ao imediatismo. “O limiar da frustração fica muito baixo, porque o jovem tem pouco amadurecimento psíquico. Se alguma coisa não sai do jeito que quer, é o fim do mundo”.

Foi por impulso que o empresário Carlos*, 26 anos, decidiu acabar com a própria vida. Há quatro anos, ele tomou 120 comprimidos. Era um ano difícil: o pai tinha morrido, a mãe e a irmã estavam em depressão e o namorado com quem se casaria o traiu.

“Naquele momento, não pensei. Senti que não tinha mais como resolver a dor pelo meu pai, nem a situação com minha mãe, minha irmã e o ex. Foram minutos de loucura, sem medir consequências”. lembra ele, que diz sempre ter sido controlado.

Hoje, depois de fazer tratamento psicológico intensivo, ele está bem. O problema é ter que lidar com o medo de que a irmã, de 22 anos, consiga o suicídio. Em cinco anos, a jovem já tentou três vezes – duas com medicações. 
“Morro de medo, porque ela é explosiva e não aceita tratamento. Ela não consegue trabalhar, entrar na faculdade, nem aceita diálogo... Ela não aceita viver”, lamentou.

Expectativas 

Basicamente, para muitos jovens, o suicídio é uma forma de lidar com o sofrimento, segundo a psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do Neps. “As duas maiores causas são o desamparo e a incapacidade da pessoa atender às expectativas. À medida que falham, as pessoas se precipitam”.

O importante, para Soraya, é estar atento aos avisos. De acordo com o CVV, que trabalha com prevenção ao suicídio, oito entre cada dez pessoas que se matam fazem algum tipo de anúncio prévio. “Se não avisa diretamente, pode dizer nas entrelinhas, como em 'minha vida não vale nada’”.

Quando a família não consegue perceber os avisos, a morte parece ainda mais repentina. Até hoje, os parentes do marceneiro Lucas Campos, 30, não conseguiram se recuperar da perda de um sobrinho dele, há quatro anos. “Nunca notamos nenhum aviso. Não achamos carta, nada”. 

Rafael*, que nasceu em São Paulo, tinha vindo morar em Salvador aos 15 anos. Filho de pais separados, chegou à Bahia para viver com o pai e a madrasta – mas a convivência nunca foi boa. “Ele começou a ter problemas com drogas”, lembra Lucas. 
 
Quando completou 17 anos, a namorada de Rafael o encontrou já morto, depois que ele se enforcou na própria casa. Desde então, ninguém comenta o assunto na família. “Isso é uma coisa que afeta todos. Não é fácil, sabe?”, desabafa o tio. 

Mesmo com o abalo, para a psiquiatra Manuela Lima, é importante falar sobre o suicídio. “As pessoas acham que falar pode aguçar, mas é preciso se informar. Isso deve ser explorado por médicos, familiares, amigos, todos. Não é para ser uma coisa velada, porque o comportamento suicida só é previnido quando a gente sabe da existência dele", concluiu.

*Nomes fictícios

Por telefone, voluntários dão apoio emocional 24 horas por dia

Se, para muita gente, o mês de dezembro é sinônimo de alegria, com Natal e Reveillon, para quem está deprimido, pode ser ainda mais angustiante. Nessa época, o número de ligações recebidas pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em Salvador, aumenta 40%. 

Os números são 141 ou 3322- 4111 Na sede da entidade, que tem um programa de prevenção ao suicídio, 21 voluntários se revezam por 24 horas para atender que precisa de apoio emocional. 

Segundo a coordenadora de divulgação do CVV, Josiana Rocha, a entidade recebe, em média, 50 ligações por dia. Mas, no mês de dezembro, as chamadas diárias chegam a 70. “Nesse período, as pessoas que não entram no clima de confraternização se sentem solitárias”. 

Quem ligar pode falar do que quiser e ter certeza de que o sigilo estará garantido. “Quando a pessoa liga, a gente percebe que ainda há uma esperança, que ela pode sair do sofrimento. A prevenção do suicídio acontece quando você tenta compreender a pessoa”. 

Quando a demanda cresce, o CVV enfrenta dificuldades. “Temos duas linhas telefônicas, mas, com nosso quadro de voluntários, só uma está sendo utilizada. O ideal seria que as duas funcionassem”, explica Josiana. 

Para  as duas linhas estarem ativas, ela diz que seriam necessários 84 voluntários – cada um trabalhando cinco horas por semana. Atualmente, mais da metade dos voluntários faz duas jornadas. Para ser um voluntário, basta ter 18 anos ou mais. Depois de inscrito, o interessado vai participar de um treinamento de três meses. 

Apesar de os atendimentos por telefone serem o forte da entidade, quem quiser conversar com um voluntário da entidade pessoalmente pode se dirigir ao posto da ONG em Salvador, que fica na Rua Bângala, em Nazaré, diariamente, das 8h às 18h. Também é possível ter atendimento online, no site www.cvv.org.br, com voluntários de todo o Brasil.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/casos-de-suicidio-aumentam-entre-jovens-e-tambem-no-final-do-ano/?cHash=cc47c776668cfe5a51209fc35cc56312

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Reportagem voltado para os jovens: comunicando e ajudando a quebrar tabu

Suicídio: conversa para quebrar o tabu 

Conversar talvez seja a melhor maneira de expulsar esse problema gigante que pode estar na nossa frente, mas fingimos não enxergar

Gustavo B. Rock - reportagem@kzuka.com.br

Por diversas razões o assunto suicídio continua sendo tabu, vindo à tona somente quando ocorrem casos envolvendo pessoas famosas – como a morte do baixista Champignon (Charlie Brown Jr) este mês – ou anualmente em 10 de setembro, o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. Mas é preciso falar.

A taxa de suicídios vem crescendo a cada ano no Brasil. De 1990 a 2010, o número de casos envolvendo jovens entre 15 e 24 anos aumentou 60% de acordo com o Datasus do Ministério da Saúde. O assunto é delicado como um elefante numa loja de cristais, mas não pode ser ignorado.

– É um fenômeno complexo, no sentido de que temos causas previsíveis e imprevisíveis, ou seja, não temos controle de todas as variáveis, são vários elementos que interferem no processo – diz o psicoterapeuta Carlos D’Oliveira, coordenador da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio (Rebraps).

O problema é muito relacionado a transtornos mentais, como depressão e esquizofrenia, e pode se agravar quando o paciente ainda abusa de álcool e drogas. Outro vilão é a falta de informações.

Petra Costa tinha apenas sete anos quando a irmã mais velha, Elena, tirou a própria vida. Agora, mais de 20 anos depois, lançou um documentário, que leva o mesmo nome da irmã, para tentar entender o que se passava com Elena, além de promover o diálogo sobre o assunto.

– Já se fala muito em depressão, bipolaridade, mas não sobre suicídio. Os jovens recebem muito pouco apoio para falar sobre suas dúvidas existenciais. Mas acho também que faltam políticas públicas para tratar desses assuntos em escolas e universidades – conta a atriz e diretora.

Quanto mais o assunto ficar escondido atrás de tabus, há menos possibilidade de troca de informações que podem salvar vidas.

Petra, que antes costumava falar abertamente sobre a morte da irmã apenas com a mãe, tem compartilhado sua experiência na esperança de ajudar outras Elenas. Para D’Oliveira, a falta de diálogo pode levar o potencial suicida a acreditar que a sociedade jamais entenderá seus problemas.

Atenção aos detalhes 

Não é fácil identificar alguém que esteja pensando em cometer suicídio, pois os sinais muitas vezes são confusos. Dependendo do contexto, falta de perspectivas, dificuldade de comunicação e isolamento – querer ficar sozinho ou ser desprezado por grupos sociais – são alguns fatores que podem levar o sujeito ao limite.

É preciso estar atento quando alguém faz menção ao assunto. Ao contrário do que muitos acreditam, perguntar se a pessoa está pensando realmente em suicídio não faz, necessariamente, ela decidir seguir esse caminho.

– Não se pode desvalorizar essa informação. É um momento que exige cuidados, algum tipo de atendimento. O maior problema é com aquele que já tentou fazer isso antes, pois é grande o risco de fazer uma segunda tentativa – explica o psicoterapeuta Carlos D’Oliveira.

Saúde Pública 

O psicoterapeuta Carlos D’Oliveira acredita que essa é uma questão de saúde pública e que o governo precisa definir isso para ajudar as famílias nos processos de atenção, assistência e acompanhamento.

– No país, existe uma fragilidade dos sistemas de atendimento, o acesso a informações é bastante difícil e a pessoa logo acha que não existe uma resposta para o seu sofrimento – explica ele.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados se, no trabalho preventivo, fosse oferecida ajuda a tempo.

– Elaborar uma estratégia nacional de prevenção é um trabalho árduo, que temos que fazer constantemente, e a participação da sociedade é essencial. Estou convencido de que nos Estados Unidos o tema consegue recursos específicos porque a sociedade participou e influenciou bastante para levar o tema ao Congresso – diz D’Oliveira, que também atua como voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV).

A diretora de cinema Petra Costa planeja a criação do Instituto Elena, com o objetivo de promover debates relacionados ao assunto.

– Com o filme, trabalhamos para mobilizar as pessoas em relação a temas como saúde mental, juventude, condição feminina. Nós fizemos uma parceria com o Instituto Vitalere, em São Paulo, que está tentando formar profissionais para dar apoio a quem pensa em se suicidar e a sobreviventes. A ideia é potencializar esse trabalho de ressignificar dor e sofrimento e transformar em potência e força – diz.

O CVV oferece apoio 24 horas pelo telefone 141 e pelo site.

Fonte: http://kzuka.clicrbs.com.br/lifestyle/

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Seminário sobre prevenção ao suicídio juvenil na UFMS

Seminário previne suicídio entre jovens em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul tem um triste recorde. Em uma pesquisa realizada pelo Sistema de Informação de Agravo de Notificação (SinanNET), entre 2009 e 2011, o Estado figura na terceira posição entre os locais com maior índice de suicídios no país. Entre as capitais brasileiras, Campo Grande está presente na lista das 20 cidades que lideram as estatísticas nacionais desta causa de morte, contabilizando mais de 50 suicidas para cada 100 mil habitantes.

O suicídio já é considerado um sério problema de saúde pública no país e é uma das cinco maiores causas de morte entre jovens em todo o mundo. No Estado, pessoas entre 13 e 35 anos são as maiores vítimas. Para tentar entender essa triste realidade e minimizar os índices alarmantes de óbitos  registrados por este tipo de violência, acontece o Seminário de Promoção a Vida e Prevenção do Suicídio.

 O projeto já está na quinta edição e chama a atenção do público para esta  realidade pouco divulgada. “A questão do suicídio ainda é tabu no país, é um erro achar que a divulgação vai incitar as pessoas a cometerem este tipo de violência, pelo contrário, vai ajudar a alertar a sociedade”, relata o capelão do Núcleo Hospital Universitário, Edilson dos Reis, um dos responsáveis pelo projeto.

 O seminário tem como objetivo alertar as pessoas sobre os sintomas da depressão e quando é necessário buscar ajuda. Um dos meios mais utilizados pelos jovens para se comunicar são as redes sociais e é por lá que muitos deles pedem socorro. “Muitas destas vítimas recorrem a internet para desabafar, mas não sou ouvidos”, descreve Edilson Reis. E para atingir o público alvo, a programação conta com palestra voltada a linguagem da internet “Redes Sociais: Uma Ferramenta para a Prevenção?”.

 O seminário conta também com a divulgação do Projeto Labirinto que auxilia na prevenção do suicídio relatando onde buscar ajuda, como diagnosticar quem precisa de auxílio e dá apoio a famílias em luto. Como complemento ao projeto, será montado um labirinto de garrafas pet a fim de ilustrar que em todo o sofrimento há uma saída. A palestra “Doenças psiquiátricas, modelos de intervenção e a sociedade em Transformação” com o professor Juberty de Souza fecha o projeto que acontece em comemoração ao dia mundial de prevenção ao suicídio, celebrado no mês de setembro.

Serviço -  O projeto, voltado a população em geral, é gratuito e  acontece no dia 9 de setembro, no anfiteatro do LAC - Campus da UFMS, a partir das 19 horas. O email de contato é bioeticaufms@bol.com.br ou pelo telefone 3345-3660

http://www.aquidauananews.com/

sábado, 23 de julho de 2011

Suicídio e Ecocídio no 7º Muticom - Mutirão Brasileiro de Comunicação

Destaque no painel “Comunicação como processo de valorização da vida”, André Trigueiro, professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e jornalista da Globo News, levantou questões sobre “ecocídio” e suicídio.

André Trigueiro frisou em seu discurso que é necessário uma prevenção do suicídio. O jornalista chamou a atenção pro fato de ter, em média, 1 milhão de mortes por ano e essas estatísticas aumentam na faixa etária de 21 anos. E para cada caso consumado, um grupo de 5 ou 6 precisam de ajuda. A OMS pede urgência para jornalistas não omitirem casos de suicídio da mídia, mas terem sempre cuidado ao abordar este tema para que não seja absorvido pelo público como uma sugestão, pois o suicídio já um caso de saúde pública no Brasil e no mundo.

Outro ponto muito explorado por Trigueiro foi o “ecocídio”. Para ele não é possível falar de comunicação e vida sem falar deste risco: “As escolhas que nossas civilizações fazem, determinam o risco do apagão da vida”. O jornalismo deve ser usado tanto para informar coisas benéficas como para fazer denúncias, mas não deve focar apenas no sensacionalismo e nem mostrar abusadamente imagens de tragédias: “Isso pode ser considerado crime de lesa-planeta”.

Outro integrante da mesa desta manhã, Joel Birman, professor do Instituto de Psicologia da UFRJ, quando questionado pelos participantes, disse que uma das possíveis causas do suicídio é o declínio da autoestima, devido ao não reconhecimento do sujeito.

Para Birman, a perda da autoestima que geralmente é ligada a uma perda impossível de ser suportada. Mas ele destaca que apesar dos sinais que esta dor provoca, é preciso muita sensibilidade para interpretar a possibilidade desta pessoa se matar, pois isso é um ato inesperado.

Ainda sobre esse assunto, ele percebe que os jovens de todas as classes sociais têm, hoje em dia, uma grande falta de autoestima. Isso ocorre por que eles fazem parte da parcela que está menos inserida no mercado de trabalho. Este não reconhecimento social e simbólico que os jovens estão fadados pode gerar uma série de problemas e o suicídio é um deles.

Birman também fez uma contextualização sobre a impotência do ser humano e a necessidade de transformar sinais em símbolos para traduzir as reações naturais do corpo. Para ele, o organismo humano possui a necessidade da oferta de um ato de amor para que haja a restauração da sua inquietude. O conforto é visto pelo professor como sinal de duas coisas: experiência básica de satisfação e princípio do prazer. Este acolhimento esperado é o reconhecimento da condição de sujeito. Sem isso, o organismo humano tenderia à morte.

Trigueiro disse, ainda, que a função do comunicador, hoje, é estratégica em denunciar o que está errado e comunicar iniciativas em favor da vida. "Também não adianta derramar sobre os jovens toda a desgraça, por que isso vai desarmar toda a sua capacidade criativa de buscar soluções". Para Trigueiro, reportar a crise significa "instigar principalmente os jovens na busca de soluções", sugeriu.

Fonte: Camila Santos e Revista Missões