Mostrando postagens com marcador sobreviventes do suicídio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sobreviventes do suicídio. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de junho de 2019

Trabalhando o luto. CVV em ação no Mato Grosso

Grupo de apoio acolhe pessoas que perderam parentes e amigos para o suicídio

Rafael Medeiros

O Centro de Valorização da Vida (CVV) passa a realizar, nas noites de quinta-feira, os encontros de um grupo de apoio para familiares e amigos de pessoas que se suicidaram. O ‘CVV GASS’ é direcionado também àqueles que tentaram tirar a própria vida, e a intenção é fazer reflexões sobre questões emocionais.

“Quem já viveu a experiência do suicídio de uma pessoa sabe do desamparo e do sofrimento que implica. O efeito é devastador. É como se o chão desabasse e, a partir daí, como em uma fila de peças de dominó, todas as outras esferas da vida vão também caindo. Mesmo o suicídio sendo um ato individual e solitário, pode ser considerado como o tipo de morte mais dolorida para as famílias lidarem”, afirma o CVV no site oficial.

O grupo de apoio surgiu em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em 2013, e hoje está presente em postos de todo o país. “Quando ocorre [o suicídio], instala-se o silêncio, a família busca esconder a causa da morte e as pessoas em torno se calam. O pacto de silêncio gera exclusão social e aumento do sofrimento. Neste momento, a tendência é se recolher, se isolar, e reaprender devagarinho a viver. Mas essa solidão é também terrível, pois ocorre exatamente em um momento em que mais precisam falar dessa experiência difícil, em que precisam procurar dar um sentido à vida e saber”, completa.

CRC

Outro grupo de apoio disponível no CVV Cuiabá é o ‘Caminho de Renovação Contínua’ (CRC), que tem por objetivo ajudar na reflexão e troca de experiências a respeito de questões emocionais e comportamentais, sem julgamentos, direcionamentos ou viés religioso ou ideológico.

O CRC é aberto a todas as pessoas que têm desejo de autoconhecimento, e acontece também às quintas-feiras, às 19h30. “É um programa idealizado por voluntários do CVV, e tem por objetivo propiciar a um determinado grupo de pessoas, através da troca de experiências, a possibilidade de promover seu autoconhecimento, ou seja, proporcionar um encontro de cada participante do grupo consigo mesmo, e como consequência, uma vida mais plena”.


O CVV é uma instituição civil sem fins lucrativos que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente em todo o território nacional há 57 anos. Desde sua fundação, a entidade é movida exclusivamente por voluntários devidamente selecionados e preparados para o atendimento.

O CVV atende todos os dias da semana, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por e-mail, chat ou serviço voip com total sigilo e de forma gratuita. O CVV Cuiabá realiza ainda diversas ações presenciais através do Programa CVV Comunidade, que leva palestras de orientação, cursos e rodas de conversa para as comunidades, escolas e instituições. (Reportagem de  Isabela Mercuri)

Serviço

CVV GASS e CRC
Rua Comandante Costa, 296 – Centro
Reuniões todas as quintas-feiras às 19h30
Informações: cvvcomunidade.cuiaba@cvv.org.br


Fonte: www.obomdanoticia.com.br/variedades/grupo-de-apoio-acolhe-pessoas-que-perderam-parentes-e-amigos-para-o-suicdio/16860

sábado, 26 de novembro de 2016

Grupo de apoio aos sobreviventes do suicídio

Sofrimento escutado sem julgamento: CVV coordena grupos de apoio para sobreviventes do suicídio

Amanda Mont'Alvão Veloso
27/10/2016

Um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, o suicídio - ou uma tentativa de suicídio - demanda bastante delicadeza e seriedade, especialmente ao nos referirmos às pessoas que tentaram e aos familiares e amigos.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, 32 pessoas se matam a cada dia.

O comportamento suicida é cheio de ambivalência, lembra a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pois é um ato cheio de ambivalência, situado entre o querer morrer e o querer viver de maneira diferente.

A decisão costuma ser tomada em um contexto de grande sofrimento e desespero, a ponto de não se enxergar a saída. Ao contrário do que é dito pelo senso comum, pensamentos suicidas podem ocorrer a qualquer pessoa e falar sobre o assunto, em vez de julgar ou silenciar a pessoa, é uma maneira de prevenir o suicídio. Se houvesse prevenção, 9 entre 10 pessoas ainda estariam vivas, de acordo com a OMS.

Porém, a ideia de tirar a própria vida é mais comum em pessoas que já tentaram suicídio ou em familiares de vítimas de suicídio.

"A assistência prestada a pessoas que tentaram o suicídio é uma estratégia fundamental na prevenção do suicídio, pois essas constituem um grupo de maior risco para o suicídio. O risco de suicídio em pacientes que já tentaram o suicídio é, pelo menos, uma centena de vezes maior que o risco presente na população geral", afirma a ABP.

Além disso, persiste um mito de que o indivíduo está fora de perigo ao mostrar sinais de melhora ou sobreviver à tentativa de suicídio. "A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada", lembra a ABP.

Voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Ana Rosa Ramos Nunes diz que essas pessoas precisam de atenção especial. Desde 1962 atuando na prevenção do suicídio, a entidade sem fins lucrativos acredita que o sentimento de culpa e o processo de luto cercado por tabus, revolta e discriminação possam influenciar a decisão.

O suicídio de uma pessoa amada dá um novo tom às vidas que ficaram: Diante dos efeitos da tragédia, é preciso sobreviver. Não à toa, as pessoas deixadas para trás são chamadas de sobreviventes, e cada dia seguinte ao suicídio é uma verdadeira superação.

Pessoas que se encontram nas situações acima podem participar das reuniões presenciais organizadas pelos Grupos de Apoio aos Sobreviventes de Suicídio do CVV, conhecidos como CVV GASS.

O funcionamento do CVV GASS é similar aos de grupos para alcoolismo, dependência química e luto.

"A essência do trabalho é que todos os participantes têm histórias afetadas pelo suicídio e, na troca de experiências e apoio mútuo entre esses ‘iguais’, buscam superar as dificuldades de ter um recomeço ou superar o drama vivido", diz a entidade.

A participação é completamente gratuita e única exigência é que a pessoa se enquadre no perfil e esteja disposta a ser ajudada. Segundo a voluntária Nunes, “ninguém vai ser cobrado por isso ou por aquilo, mas acolhido de maneira compreensiva e sem críticas ou julgamentos”.

Atualmente há 13 grupos em funcionamento, tanto em postos de atendimento do CVV quanto em outros locais, pois a ideia é que possa ser implementado por outras organizações, como casas religiosas, universidades, secretarias de saúde, hospitais e ONGs. A ideia é expandir os grupos para outras cidades.

O CVV GASS está presente no Rio Grande do Sul (Porto Alegre e Novo Hamburgo), Paraná (Curitiba), São Paulo (capital e Sorocaba), Rio de Janeiro (capital), Mato Grosso (Cuiabá) e Brasília. Ainda neste ano Belém, Recife e Roraima deverão ganhar grupos.

Há 54 anos, o CVV oferece apoio emocional gratuito e voluntário, com atendimento por telefone (141), email, Skype e chat. A pessoa que liga não precisa se identificar e as conversas são sigilosas.

Confira os endereços, horários e contatos dos grupos disponíveis:

São Paulo (SP)
1º Grupo – CVV GASS ABOLIÇÂO
Reunião nas primeiras quartas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Abolição, 411, Bairro Bela Vista

2º Grupo – CVV GASS PINHEIROS:
Reunião nos segundos sábados de cada mês
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Rua Cristiano Viana, 972, Bairro Pinheiros

3º Grupo – CVV GASS VILA CARRÃO:
Reunião nos quartos sábados de cada mês
Horário: 14h às 16h
Local: Rua Pinhalzinho, 389, Bairro Vila Carrão

Sorocaba (SP)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h às 21h
Local: Rua Dr. Nogueira Martins, 334, Centro

Rio de Janeiro (RJ)
Reunião nas segundas segundas-feiras de cada mês
Horário: 18h30 às 20h30
Local: CAP2.2 Tijuca, Rua Conde de Bonfim, 764, Térreo, Tijuca

Porto Alegre (RS)
Reunião nas primeiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 17h
Local: Avenida José de Alencar, 414, Sala 205

Novo Hamburgo/RS
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Avenida Nicolau Becker, 762, Sala 32

2º Grupo
Reunião nas segundas terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Clinica Recomeçar (Grupo fechado para Pacientes)

Curitiba (PR)
1º Grupo
Reunião nas primeiras terças-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

2º Grupo
Reunião nas terceiras quintas-feiras de cada mês
Horário: 15h às 16h30
Local: Rua Carneiro Lobo, 35, Bairro Água Verde

Cuiabá (MT)
1º Grupo
Reunião quinzenal às terças-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

2º Grupo
Reunião quinzenal às sextas-feiras
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Rua Comandante Costa, 296, Centro

Brasília (DF)
Reunião nas quartas quintas-feiras de cada mês
Horário: 19h30 às 21h30
Local: Escola Parque 303/304 Norte

Fonte: www.brasilpost.com.br/2016/10/27/cvv-apoio-sobreviventes_n_12670804.html

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os que sobrevivem ao suicídio de alguém...

Sobreviventes, família e amigos lidam com a dor


Carina Reis
creis@jj.com.br

Família e amigos também são afetados diretamente pelo autoextermínio. De acordo com a psiquiatra Maria Cristina de Stefano, autora do livro “Suicídio: A Epidemia Calada”, cada suicídio acarreta um sofrimento intenso em pelo menos quatro pessoas ao redor. “O que pode levar a depressão desses sobreviventes. O mais difícil para quem fica é entender que não tem culpa e conseguir superar a morte dessas pessoas”, afirma.

A psiquiatra viveu na pele essa sensação, quando seu filho, de 32 anos, optou pela morte em 2012. “Ele era muito fechado e ninguém entendeu. Só quando eu li seus diários é que compreendi o quão prejudicado seu estado mental estava. Mas não pude ajudar. O processo de superação é lento e doloroso, para mim e para meu outro filho, mas precisa ser superado.”

Segundo ela, é comum que a pessoa desestabilizada comece um processo de despedida antes de cometer o ato. “Ele inicia uma série de despedidas e nessas ocasiões até faz pequenas brincadeiras, supostamente sem intenção, dizendo ‘vim visitá-lo porque não sei se estarei vivo amanhã’. Em geral nós tendemos a levar essas frases na brincadeira. E nem sempre é.”

Nesse caso, a orientação da médica é perguntar se a pessoa está bem, se aconteceu alguma coisa para pensar assim, se precisa de ajuda.

Maria Cristina explica que o questionamento é, na verdade, uma proteção posterior para o próprio familiar. “Pode não ser o suficiente para impedir o suicídio, mas sim para que, caso aconteça, esse familiar ou amigo não se sinta culpado por não ter levado a sério.” Em sua experiência, ela destaca dois estágios em um paciente: aquele que tem a ideia de tirar a própria vida e aquele que já está planejando como fazê-lo.

Fonte: www.jj.com.br/noticias­23426­sobreviventes­familia­e­amigos­lidam­com­a­dor

sábado, 30 de maio de 2015

Mais um exemplo que vem de Portugal. Também precisamos destes peritos!

Programa de formação vai criar 900 “peritos em depressão” nos centros de saúde
Catarina Gomes (26/5/15) 

Ricardo Gusmão afirma que muitos médicos de família se limitam a prescrever ansiolíticos ou antidepressivos. O objectivo do projecto nacional é a redução do número de suicídios.

Os centros de saúde são muitas vezes a primeira porta de entrada no sistema de saúde para pessoas com depressão, mas muitos dos seus profissionais não estão preparados para lidar com este problema de saúde, afirma o psiquiatra Ricardo Gusmão. Um programa nacional de formação vai criar nos centros de saúde 900 “peritos em depressão”, entre médicos de família, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, explica o responsável pelo projecto. Dois dos objectivos são a prevenção do suicídio e a redução do consumo de ansolíticos.

O psiquiatra Ricardo Gusmão estima que 20% das pessoas que vão ao médico de família tenham tido uma depressão no último ano. Mas cerca de 90% são depressões ligeiras a moderadas, nota, e nestes casos “não faz sentido referenciar para a psiquiatria. Há a capacidade para tratar nos cuidados primários.”

O problema é que os médicos de família tiveram durante a sua formação cerca de duas a três cadeiras de saúde mental e passaram três meses num serviço de psiquiatra. “É muitíssimo pouco”, diz. Depois disso, ficam por sua conta.

Ricardo Gusmão afirma que a resposta de muitos médicos de família, quando percebem que podem estar em causa depressões, "é prescreverem um placebo, caso dos fortificantes, ou benzodiazepinas [ansiolíticos]” ou então receitam antidepressivos. Mas também "há médicos de família que não percebem que podem estar em causa sintomas de depressão e, se percebem, muitos não sabem o que fazer". Este projecto pretende chegar a cerca de 15% a 20% dos médicos de família do país.

Mas, nota o médico, “temos de ser justos, os médicos de família não tem tempo para fazer psicoterapia, nem os psicólogos [dos centros de saúde]”. Então o objectivo é que seja dada formação a cerca de 900 profissionais, entre médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, que funcionarão como “peritos em depressão” e que, por sua vez, deverão transmitir os conhecimentos que adquiriram a 3400 profissionais das suas respectivas áreas.

O programa quer chegar a um total de 4300 profissionais e assim atingir um milhão de utentes, entre os quais 200 mil pessoas com depressão e outras doenças mentais, ajudando a prevenir o suicídio, já que se admite que “o suicídio é uma complicação da doença mental, nomeadamente da depressão”, explica Ricardo Gusmão, que é presidente da Eutimia-Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal, associação que propôs o projecto.

O projecto Primary Care Mental Health Sustained Capacity-Building for Depression and Suicidal Behaviour (PrimeDep), que é apresentado publicamente esta quarta-feira em Sintra, prevê um modelo de formação de oito horas mais 4 de e-learning. “Pretende-se que os médicos de família aprendam a diagnosticar, a prescrever e a monitorizar correctamente”, notando que prescrever benzodiazepinas ou antidepressivos deveria implicar que “o doente deveria ser visto pelo menos uma vez por mês, para aferir o resultado”.

A ideia é que muito do trabalho de seguimento possa ser feito por enfermeiros e psicólogos que possam criar “grupos psicoeducacionais”, onde é transmitida ao doente informação sobre a sua doença, sobre como gerir os seus sintomas, conhecer os efeitos secundários dos medicamentos. E, como objectivo último, deverão ser criados grupos de auto-ajuda de doentes.

Outras das ferramentas do programa envolverá uma plataforma informática que poderá ser ser prescrita pelo médico, sendo dado ao doente um login e palavra-passe, sendo o seu uso acompanhado por um profissional de saúde. "É uma ferramenta de auto-ajuda guiada”, que será “receitada” caso estejam cumpridos alguns critérios, como, por exemplo, o utente não querer tomar medicação, ter alguma literacia informática, explica o médico.

O programa vai ser posto em prática em centros de saúde das administrações regionais de saúde do Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. O Alentejo e Algarve são as regiões do país com maiores taxas de suicídio, “nessas regiões a cobertura é quase integral”, sublinha.

O PrimeDep recebeu um financiamento de 500 mil euros, para ser aplicado durante 2015-16, no âmbito do programa EEA Grants (linha de financiamento concedida pela Islândia, Liechtenstein e Noruega aos Estados Membros da União Europeia), sendo gerido pela Administração Central do Sistema de Saúde do Ministério da Saúde.

Este tipo de intervenção já foi testado em termos locais, em Matosinhos, Oeiras, Cascais e Amadora, nota. Ricardo Gusmão acompanhou mais de perto o projecto no concelho da Amadora, constatando que houve redução do número de suicídios e tentativas de suicídio que não resultaram em morte em cerca de 20%, e diminuiu a prescrição de benzodiazepinas. Para que os efeitos da formação não se percam no tempo, o projecto vai recrutar 12 a 20 líderes regionais escolhidos pelos respectivos profissionais a quem estes possam passar a recorrer.

Uma associação para os “sobreviventes do suicídio"


Em Portugal cerca de mil pessoas cometem suicídio todos os anos. “Por cada pessoa que morre há duas ou seis pessoas muito próximas que ficam a sofrer com aquela perda e que correm risco de depressão e de suicídio”, sublinha o psiquiatra Ricardo Gusmão, presidente da Eutimia-Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal, que se assume como a primeira associação vocacionada para apoiar “os sobreviventes do suicídio”. Foi formalmente criada no ano passado mas vai ser apresentada publicamente esta quarta-feira.

Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/programa-de-formacao-vai-criar-900-peritos-em-depressao-nos-centros-de-saude-1696815?frm=ult