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terça-feira, 3 de agosto de 2021

Caso do jogador do Flamengo, Michael, evidencia a importância de uma rede de apoio na prevenção do suicídio

blogdojuares (Camaquã-RS)

“Eu tive depressão no ano passado, sofri muito com isso. Na época, eu estava no hotel e quis me
suicidar. Me veio pensamentos ruins e eu queria saber como era me jogar do prédio. Então, eu gritei por socorro, pela minha mulher, pelo doutor Tanure, Diego Ribas, Diego Alves, Filipe Luís, o Rafinha, o Marcos Braz também. Eles me fizeram ser querido, ser abraçado. Eles tiveram um cuidado comigo, que ninguém antes tinha feito”. Esse relato impactante do atacante Rubro Negro, Michael, despertou discussões sobre a importância de uma rede de apoio estruturada e atuante na prevenção do suicídio.

Depressão e pensamentos suicidas: uma dor silenciosa que acomete milhares de pessoas ao longo do mundo. Pensar em suicídio é, infelizmente um processo inerente à condição humana. A dificuldade em encontrar soluções imediatas para os problemas, seja de que natureza for, faz com que o indivíduo se sinta fragilizado emocionalmente, a ponto de gerar uma sufocante necessidade de eliminar a dor a qualquer custo. Desta maneira nasce a urgência em tirar a própria vida, em uma tentativa de alívio às pressões externas.

Michael relata ter vivido esse pesadelo em 2020, onde os pensamentos suicidas, motivados por uma depressão profunda, tiraram sua paz e pintaram seus dias de cinza. Mas felizmente, foi com o apoio do Staff do Flamengo, do técnico Jorge Jesus, dos amigos e da esposa que ele conseguiu ter consciência de si mesmo e mudar o cenário. Além claro, da grande ajuda e acompanhamento de profissionais especializados em saúde mental.

O jogador rubro negro, através de seu relato corajoso, descortina dados de uma estatística infeliz sobre o suicídio no Brasil. Os números são assustadores e refletem o que todos sabemos, mas nem sempre paramos para avaliar: nossa sociedade precisa se mobilizar para tratar as questões ligadas a este episódio de forma cautelosa, objetivando eliminar os tabus contidos no tema. Temos atualmente, conforme pesquisas, 15 a 18 mortes por suicídio a cada 100 mil pessoas, das quais a grande maioria, é composta por jovens entre os seus 14 a 21 anos. Em média, dois adolescentes tiram a própria vida por dia, segundo pesquisas. Mas em geral, o suicídio pode afetar qualquer pessoa e nossos adultos estão também entre os maiores candidatos, atingindo um percentual em torno de 48% na faixa etária de 35 a 55 anos. Mortes das quais, 90% poderiam ser evitadas, se a oferta de ajuda de saúde mental e de acolhimento para pessoas em risco de suicídio, fosse mais efetiva.

O desejo de morrer e dar fim à própria vida é um gesto de autodestruição e autoflagelo. Sintomas como a depressão, ansiedade, fracasso, fobias, humilhações e culpas, são certamente, potenciais sinalizadores de que algo está errado e que sentimentos conflituosos foram despertados por gatilhos diversos. Por não conseguir apoio ou sabedoria para lidar com esses conflitos emocionais, o indivíduo entra em um processo neurótico e interno, onde não consegue ter a clareza de que tirar a vida significa uma solução imediata para um problema temporário. Porém, o suicídio não está necessariamente ligado a uma doença mental, na verdade é um momento de desequilíbrio que a pessoa está passando e que, somente com o acolhimento correto, uma escuta ativa, um acompanhamento por um profissional de saúde mental qualificado, além de apoio familiar e de amigos, poderá obter um desfecho menos trágico.

Existem infinitos motivos para um ser humano estar desesperançado o suficiente a ponto de querer acabar com a própria vida; em geral, pode ser por luto, depressão, transtorno de ansiedade, outras questões mentais, violência sexual, abuso durante a infância, problemas financeiros, fim de relacionamento, bipolaridade, bullying, ou outra questão. E como essa rede de apoio pode ajudar? De que forma podemos acolher um suicida em potencial? Como perceber atitudes que possam culminar nesta tragédia? A grande verdade é que nosso olhar deve estar voltado para qualquer sintoma característico em relação a quem possa vir a cometer o ato.

No entanto, a grande realidade é que, muitas vezes quem está prestes a se suicidar não demonstra isso claramente; motivo pelo qual devemos ter a sensibilidade em oferecer ajuda diante de uma crise. Saber ouvir e permitir que os sentimentos sejam externados e verbalizados, sem julgamentos ou minimizações, é a melhor saída. Em alguns momentos, a vida pode parecer nos envolver em um turbilhão de emoções, mas não podemos nos entregar a angústia e ao desespero, e assim tirar a vida, pois toda tempestade passa e o sol volta a brilhar. O autoconhecimento nos fortalece e fornece subsídios para que o enfrentamento a questões psicológicas e traumáticas não afetem o nosso emocional a ponto de gerar desequilíbrios que possam vir a nos levar a cometer um ato tão conclusivo, que nos impeça de enxergar o mundo e suas adversidades. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. A escuta ativa deve sempre estar presente nesses diálogos. Empatia, funciona muito nestas horas. Ouça empaticamente. Tente se colocar no lugar da pessoa. A dor não faz qualquer distinção. Todos podem ser acometidos por esse sentimento, independentemente de idade, ideologias, gênero, orientação sexual, nacionalidade, classe social e etnia. E quando essa sensação de desespero e desamparo é profunda demais, a ponto de não ser suportada, os pensamentos suicidas ganham força. Esse fardo é tão pesado que pode fazer com que a pessoa acredite que o suicídio seja a única maneira de se livrar dos problemas, julgando-se incapaz de suportá-lo e enxergando a vida como algo sem significado.

Enfim, fortaleça essa rede de apoio, ela é fundamental para salvar vidas e resgatar indivíduos que acreditam que nada mais vale a pena. Assim como aconteceu com o jogador Michael, várias pessoas podem estar em adoecimento psíquico. Portanto, acolha, demonstre apoio, tenha empatia e fique atento aos sinais que estão sendo emitidos, demonstrando que algo está errado. O equilíbrio emocional é primordial para afastar qualquer tipo de pensamento ruim. Não deixe para o dia seguinte, se você pode acolher, ouvir e ajudar alguém em sofrimento. Muitas vezes, temos pessoas a nossa volta que estão sorrindo por fora, mas internamente, estão com o psicológico abalado e fragilizado e já não suportam mais a dor. Entendem que a melhor maneira de MATAR e eliminar esse sentimento é tirando a própria vida. Uma solução definitiva para excluir problemas temporários. Ou seja, saúde mental é coisa séria, não ignore os sinais de pedido de socorro. A melhor arma no combate a este mal é o combo: afeto, empatia, apoio emocional e a estruturação de uma rede de apoio acolhedora e presente.

Fonte: https://blogdojuares.com.br/noticia/59650/caso-do-jogador-do-flamengo-michael-evidencia-a-importancia-de-uma-rede-de-apoio-na-prevencao-do-suicidio.html

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Celebridade: saudável depoimento que pode salvar vidas...

Bento Ribeiro retoma vida após tratamento contra a depressão

Apresentador do extinto “Furo MTV” estava internado em rehab há meses e deu conselho emocionante aos fãs que passam pelo mesmo problema

Redação (14 julho 2019)

Bento Ribeiro tem recebido mensagens de apoio há cerca de duas semanas, tempo este que voltou a utilizar as redes sociais, depois de passar meses afastado para se tratar de uma depressão. O ator, que no auge da carreira comandava o humorístico “Furo MTV”, na antiga MTV, precisou ficar internado em uma clínica de reabilitação para tratamento. O tempo que o humorista passou lá ninguém sabe. Porém, a última postagem que ele fez antes de ‘sumir’ da web foi em setembro de 2018.

Já em 1º de julho, o famoso fez um post em que relatou rapidamente como haviam sido os últimos meses de sua vida. “Longos dias na clínica. Finalmente me sentindo bem o suficiente para voltar pro mundo real. Anos isolado cuidando da minha saúde física e sanidade mental”, escreveu.

Depois disso, diversos amigos, seguidores e famosos, como Tatá Werneck, Dani Calabresa e Paulinho Serra, mandaram mensagens de carinho e incentivo para que ele continue seguindo em frente. Ribeiro, por sua vez, tem retribuido as mensagens respondendo aos fãs que relataram passar por situações semelhantes a dele. Um dos posts, inclusive, ele falou sobre o CVV, Centro de Valorização da Vida, que tem como base a prevenção do suicídio.

“Galera fico muito feliz mesmo com todas as msgs privadas q recebo e a confiança q vcs depositam em mim. Mas às vezes sinto que não tenho todas as ferramentas pra ajudar todo mundo do melhor jeito possível… Não tenho formação de nada, eu apenas tento basear na minha própria experiência pessoal ajudar do melhor jeito q posso. Lembrando que o meu problema foi um conjunto grande de vários problemas. Não precisa ter vergonha mesmo de procurar ajuda profissional de verdade, uma coisa que posso recomendar é o CVV, que é gratuito. Um grande amigo meu inclusive já trabalhou lá e sei por fato que os caras realizam um trabalho sério e bonito. Se você sentir que precisa muito mesmo de ajuda vá em frente da uma ligada lá, não é cafona nem ridículo. Tenho certeza que vai ser ajudado da melhor maneira possível mesmo. Pode continuar falando comigo por aqui sem problemas mas além disso fale lá também!”, escreveu ele, dando os telefones da entidade.

Além disso, Bento contou em seus stories que trocou os 30 cafés diários por chás, e a TV por aplicativos de filmes, séries e livros.

Doença

É normal sentir-se para baixo vez ou outra, mas depressão é mais que isso, é uma doença mental que causa alterações químicas no cérebro, provocando baixa da autoestima, sentimentos de culpa e de fracasso. Pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida (desemprego, luto, trauma psicológico) são mais propensas a desenvolver a doença.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge hoje 300 milhões de pessoas em todo o mudo e pode se tornar a doença mais incapacitante até 2020. Confira mais detalhes no link abaixo:

8 sintomas de depressão para ficar atento

Fonte: https://catracalivre.com.br/entretenimento/bento-ribeiro-retoma-vida-apos-tratamento-contra-a-depressao/

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Lady Gaga e a carta-manifesto escrita a quatro mãos em favor da saúde mental

800.000 pessoas se matam a cada ano. O que podemos fazer?

Em muitos lugares, não existem serviços de apoio à saúde mental, e muitas pessoas com condições tratáveis são criminalizadas. Há muito tempo que se espera uma ação corajosa.

Lady Gaga e Tedros Adhanom Ghebreyesus
9/10/2018

Quando você terminar de ler isto, pelo menos seis pessoas ao redor do mundo terão se matado.

Esses seis são uma pequena fração das 800 mil pessoas que se matarão este ano - mais do que a população de Washington, Oslo ou da Cidade do Cabo. Às vezes elas são famosas, como Anthony Bourdain ou Kate Spade, e viram manchetes, mas são todos filhos ou filhas, amigos ou colegas, membros valiosos de famílias e comunidades.

O suicídio é o sintoma mais extremo e visível de uma emergência maior de saúde mental que, até agora, não conseguimos abordar adequadamente. O estigma, o medo e a falta de compreensão agravam o sofrimento das pessoas afetadas e impedem uma ação mais corajosa, que é tão desesperadamente necessária e que, por muito tempo, tem sido posta de lado.

Um em cada quatro de nós terá que lidar com uma condição de saúde mental em algum momento de nossas vidas, e, se não formos nós os diretamente afetados, provavelmente será alguém com quem nos importamos. Nossos jovens estão particularmente vulneráveis, e o suicídio é, em todo o mundo, a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, representando metade de todas as doenças mentais com início aos 14 anos de idade.

No entanto, apesar da universalidade da questão, nós lutamos para falar abertamente sobre isso ou para oferecer cuidados ou recursos adequados. Dentro das famílias e comunidades, muitas vezes permanecemos em silêncio, por uma vergonha que nos diz que aqueles com doença mental são, de alguma forma, menos dignos ou culpados por seu próprio sofrimento.

Em vez de tratar aqueles que enfrentam problemas de saúde mental com a mesma compaixão que ofereceríamos a alguém com uma lesão física ou doença, nós os afastamos, culpamos e condenamos. Em muitos lugares, os serviços de apoio são inexistentes e aqueles com condições tratáveis são criminalizados - literalmente acorrentados em condições desumanas, isolados do resto da sociedade, sem esperança.

A saúde mental atualmente recebe menos de 1% da ajuda global. O financiamento interno na prevenção, promoção e tratamento é igualmente baixo. Atualmente, todas as nações do mundo são um país “em desenvolvimento” quando se trata de saúde mental.

Esse investimento insignificante não é ruim apenas para os indivíduos, é destrutivo para as comunidades e mina as economias. As condições de saúde mental custam ao mundo US$ 2,5 trilhões/ano, um número que deve chegar a US$ 6 trilhões até 2030, a menos que tomemos providências.

Não podemos mais nos permitir sermos silenciados pelo estigma ou frustrados por ideias preconceituosas, que retratam essas condições como uma questão de fraqueza ou falha moral. A pesquisa mostra que há quatro vezes mais retorno sobre o investimento para cada dólar gasto no tratamento da depressão e ansiedade -  as condições mais comuns de falta de saúde mental - , fazendo com que o gasto seja um grande investimento, tanto para líderes políticos quanto para empregadores, além de gerar economia no setor de saúde.

Chegou a hora de todos nós, coletivamente, atacarmos as causas e os sintomas de doença mental, e cuidar dos que sofrem com isso. Você não precisa ser um artista internacional ou o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) para causar impacto. Todos nós podemos ajudar a construir comunidades que compreendam, respeitem e priorizem o bem-estar mental. Todos podemos aprender como oferecer apoio aos entes queridos que passam por um momento difícil. E todos nós podemos ser parte de um novo movimento - incluindo pessoas que enfrentaram doenças mentais - para pedir aos governos e à indústria que coloquem a saúde mental no topo de suas agendas.

No Zimbábue, avós estão abrindo o caminho: sentadas em seus banquinhos, elas oferecem sessões de aconselhamento baseadas em evidências, o que está ajudando a derrubar o estigma. No Reino Unido e na Austrália, programas de educação interpares encorajam os jovens a se apoiarem uns nos outros. E a tecnologia móvel está fornecendo novas e empolgantes plataformas para se fornecer serviços e abrir um diálogo saudável.

Desde 2013, a OMS vem trabalhando com as nações para implementar um plano de ação global sobre saúde mental. No início deste ano, a OMS publicou o Atlas Global de Saúde Mental, que fornece informações de 177 países sobre o progresso para atingir as metas do plano. A principal conclusão é que, embora tenha havido algum progresso, precisamos de investimentos significativos para expandir os serviços.

A liderança significativa e sustentada do governo é essencial, e alguns governos já estão começando a dar um passo à frente: desde o do Sri Lanka - onde o governo estabeleceu uma estrutura dedicada de saúde mental e financiou posições para apoiar cuidados de saúde mental nas cidades - até o de Nova York, onde a ThriveNYC (Bem-estar New York City) reuniu líderes locais para construir um plano abrangente de saúde mental.

Esta semana, no dia da Cúpula do Reino Unido sobre Saúde Mental, e no Dia Mundial da Saúde Mental, um painel de especialistas internacionais publicará, no The Lancet, a mais abrangente coleção de pesquisas já produzidas sobre como promover e proteger a saúde mental, e sobre como tratar das doenças mentais. Isso fornecerá a base científica para ampliar a ação global em saúde mental, semelhante ao movimento para o HIV/Aids, adotado pela ONU em 2001. Esse movimento ajudou a salvar milhões de vidas e é uma representação do potencial da ação humana coletiva para enfrentar problemas aparentemente insuperáveis.

Nós dois seguimos caminhos diferentes na vida. Mas ambos vimos como liderança política, financiamento, inovação e atos individuais de bravura e compaixão podem mudar o mundo. É hora de fazer o mesmo para a saúde mental.

Fonte:.www.theguardian.com/commentisfree/2018/oct/09/lady-gaga-mental-health-global-emergency-suicide

Traduziu: Luiz Fernando Dias Pita, professor da UERJ, a quem somos imensamente gratos!

sexta-feira, 30 de março de 2018

Depoimento de Hayley Williams sobre depressão e terapia

“Não sei o que seria de mim”: Hayley Williams fala sobre depressão e terapia

"Se você precisa de ajuda, não subestime o poder da terapia e da conversa"

Matheus Anderle - 28/03/2018

Não é de hoje que vemos artistas que amamos sofrerem com problemas relacionados à depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental.

Ano passado, por exemplo, tivemos perdas trágicas de grandes músicos como Chester Bennington e Chris Cornell. Ambos já haviam falado extensivamente sobre a luta diária contra pensamentos ruins e acabaram nos deixando cedo demais.

Da mesma forma que eles, diversas pessoas que conhecemos e convivemos diariamente podem estar passando por problemas parecidos e, muitas vezes, não procuram ajuda por falta de incentivo ou por não entender a diferença que isso pode fazer em sua vida.

Pensando nisso, a cantora Hayley Williams (Paramore) escreveu uma mensagem em seu Twitter onde ressaltou a importância do auxílio médico no tratamento de depressão.

“Se eu não tivesse feito terapia e/ou tivesse um mentor com quem eu pudesse falar sobre as coisas difíceis da vida, eu não sei o que seria de mim”, disse Williams. No passado, a cantora foi muito vocal sobre depressão e problemas psicológicos.

O próprio After Laughter, o excelente último disco do Paramore, possui várias canções que entram em detalhes sobre o tema e os problemas que isso causa na vida pessoal de cada um.


Você pode conferir a mensagem completa de Williams logo abaixo.

Momento sério: se eu não tivesse feito terapia e/ou tivesse um mentor com quem eu pudesse falar sobre as coisas difíceis da vida, eu não sei o que seria de mim. Se você precisa de ajuda, não subestime o poder da terapia e da conversa. Solte tudo para fora. Muito amor para vocês.
Fonte: www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/03/28/hayley-williams-depressao-terapia/

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Suicídio e imitação: o potencial de aumento dos casos

Morte de Robin Williams coincide com aumento de suicídios nos EUA, aponta estudo

Por João Vitor Figueira 13/02/2018

Principais vítimas foram homens e pessoas entre 30 e 44 anos.

A morte de Robin Williams em agosto de 2014 causou comoção mundial. Com vários sucessos em sua carreira diante das câmeras, especialmente em papéis cômicos, foi um choque descobrir que um artista que provocou tantas risadas no público tirou a própria vida. Quase quatro anos depois, um levantamento revelou um triste impacto do falecimento do ator na sociedade americana.

Em um artigo publicado na revista científica Plos One, foi constatado que o número de suicídios nos Estados Unidos aumentou 10% nos cinco meses que seguiram a morte do ator vencedor do Oscar por Gênio Indomável (1997).

Conduzida por David S. Fink, Julian Santaella-Tenorio e Katherine M. Keyes, a pesquisa compilou informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Foram analisados os dados sobre suicídios no país entre 1999 e 2015 e a partir daí os pesquisadores identificaram matematicamente como foi a progressão de casos assim ao longo dos anos.

"Nossas estatísticas indicavam que deveríamos esperar 16.849 suicídios entre agosto e dezembro de 2014; entretanto, nós observamos 18.690 suicídios neste período, o que sugere um acréscimo de 1.841 casos (9,85% de aumento). Apesar do aumento nas taxas de suicídios terem sido observadas em grupos de diferentes gêneros e idades, homens e pessoas entre 30 e 44 anos tiveram as maiores taxas de suicídios no período", diz o levantamento. "Este foi o primeiro estudo a examinar as consequências do suicídio de uma celebridade na era digital", afirmou David S. Fink, pesquisador com pós-doutorado em epidemiologia que liderou o estudo na Columbia University, em Nova York.

Pesquisas semelhantes já haviam comprovado que suicídios de celebridades costumam impactar a vida de pessoas comuns de forma tangível. "Quando outras pessoas veem uma pessoa que elas conhecem, podem acabar se identificando com essa experiência. Elas adquirem a habilidade de agir. É aí que a imprensa entra. Quanto mais pessoas ficarem sabendo de detalhes específicos, haverá, em potencial, um número maior de casos de identificação", avaliou Fink.

O estudo pontua que a Organização Mundial da Saúde orientou a imprensa reportar casos de suicídios de celebridades muito famosas sem sensacionalismo e sem entrar em detalhes desnecessários sobre os métodos que a vítima usou para tirar a própria vida. Além disso, era recomendado que notícias sobre casos de suicídio viessem acompanhadas de mensagens consistentes sobre prevenção e ajuda para pessoas que podem pensar em realizar tal ato. O levantamento diz que "é questionável" se a imprensa americana seguiu essas diretrizes ao noticiar a morte de Williams.

A morte da estrela de Uma Babá Quase Perfeita é comparada com a morte de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, que se suicidou no auge de sua popularidade, em 1994. "Houve um impacto mínimo da morte de Cobain nas taxas de suicídio de Seattle, nos Estados Unidos, e evidências disponíveis para a consulta indicam que reportagens restritivas sobre a morte, assim como mensagens consistentes relacionadas à prevenção do suicídio durante a cobertura da imprensa podem ter ocupado um papel importante para impedir suicídios subsequentes."

Os pesquisadores afirmaram que não era possível cravar com certeza que o aumento da taxa de suicídios nos EUA entre agosto e dezembro de 2014 pode ser atribuída somente a morte de Robin Williams. Entretanto, a conclusão do estudo diz que é "improvável" que outros eventos tenham tido mais influência nas taxas de morte auto-infligida no país durante o período analisado.

http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-137784/