sexta-feira, 10 de julho de 2015

A falta de profissionais de saúde mental em Portugal... E, no Brasil? Como enfrentar o desafio de se prevenir o suicídio?!

Enfermeiros de saúde mental dizem que faltam profissionais

O presidente da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (ASPESM) disse hoje que faltam nos Açores "enfermeiros especializados" e respostas "na comunidade" em alternativa ao internamento na área da saúde mental.
 
"O número de enfermeiros especialistas em saúde mental que existem na prática clínica são muito diminutos, são dois ou três e são completamente insuficientes", disse Carlos Sequeira, no dia em que arrancou o 6.º Congresso Internacional da ASPESM, no hospital de Ponta Delgada, nos Açores.

Carlos Sequeira alertou para a importância de, no caso da ilha de São Miguel, se colocarem os enfermeiros do hospital de Ponta Delgada que estão a "tirar especialidade em saúde mental" a trabalhar na área de formação e não noutras especialidades.

O presidente da ASPESM ressalvou que os problemas da região se estendem a nível nacional e defendeu "uma viragem em saúde mental" com mais respostas na comunidade e contrariando o que está previsto no Plano Nacional de Saúde Mental, "que visa que os doentes devem ser institucionalizados".

Para Carlos Sequeira, a aposta na saúde mental deverá passar também por uma "intervenção precoce", com uma aposta na literacia não só de médicos e enfermeiros, mas de toda a sociedade em geral.

"Se houver alguém que tenha uma dor cardíaca vão dizer-lhe logo para ir ao médico porque pode ser grave, se a pessoa andar mais triste, a não querer sair com os amigos, a ficar mais em casa, a primeira resposta é sempre negativa, para a pessoa sair e não se isolar. Há um desconhecimento e a primeira resposta que é dada pelo grupo de pares não é uma resposta adequada", disse.

No 6.º Congresso Internacional da ASPESM, dedicado ao tema "A pessoa, a família, a comunidade e a saúde mental", que decorre até sexta-feira, está a ser abordada a problemática do suicídio, numa altura em que surgem vários casos nos Açores e que o especialista estima estarem ligados à crise, que exacerbou problemas como "o desemprego, falta de esperança e de oportunidades".

"Já temos [no país] mais mortes por suicídio do que por acidentes de viação", sublinhou, considerando que "aquilo que se faz em termos de prevenção do suicídio" é "muito escasso".

No encontro nos Açores será abordado especificamente o suicídio na comunidade estudantil universitária onde "há dados preocupantes".

"Verifica-se que de facto muitos têm alguns pensamentos suicidas, estamos a falar à volta de 10 a 20 por cento, portanto, é um número muito significativo em pessoas entre os 18 aos 24 anos", disse Carlos Sequeira.

O secretário regional da saúde dos Açores já esclareceu hoje que nos Açores existe uma resposta "descentralizada" para responder à problemática de suicídios na região.

"Todas as unidades de saúde de ilha, praticamente todas, com exceção da ilha do Corvo, têm um psicólogo já nos seus quadros. Os médicos de família estão alertados para estas situações e encaminham para estes profissionais, ou seja, nós não precisamos mais uma vez de uma unidade central de prevenção de suicídio, precisamos sim que as unidades de proximidade tenham os meios e as ferramentas necessárias para dar resposta nestas situações", sublinhou Luís Cabral, em declarações aos jornalistas na Horta.

Fonte: http://www.noticiasaominuto.com/pais/418113/enfermeiros-de-saude-mental-dizem-que-faltam-profissionais

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Curso sobre prevenção ao suicídio em Campo Grande-MS

Grupo de Estudo do HUMAP promove curso pioneiro de prevenção ao suicídio

O curso é gratuito e acontece de 28 de julho a 30 de novembro

Mato Grosso do Sul se destaca no cenário nacional por um triste índice. O Estado aparece em quarto lugar do país no ranking de mortes por suicídios, conforme dados do “Mapa da Violência”, divulgado em 2014. O quadro nacional também apresenta número elevado deste tipo de morte, fazendo com que o Brasil figure em oitavo lugar no ranking mundial, segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O suicídio já é considerado um problema de saúde pública e a prevenção esbarra no tabu com que o assunto ainda é tratado tanto pelo Estado quanto pela mídia “Há uma falsa ideia de que a divulgação do tema influencie no aumento do número de casos de suicídio, o que não é verdade.”, explicou o Capelão do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP), Edilson Reis, estudioso do assunto.

Para promover a cultura de prevenção ao autoextermínio e desmistificar o tabu relacionado ao tema, o Grupo de Estudo e Pesquisa em Boética do HUMAP promove o “I Curso de Prevenção ao Suicídio” que começa em julho. Segundo Edilson Reis, responsável pela iniciativa, o curso é pioneiro no Estado e o único deste formato no Brasil. “ O intuito é criar uma rede de alternativas quanto ao tema e indicar um caminho de conhecimento, compreensão e métodos de auxílio aos que estão passando por uma situação de crise e veem o suicídio como sua única saída”, explicou Reis.

O curso contempla atividades de conhecimento científico e atual. Por meio das aulas, em que os alunos estudam casos reais e formas de prevenção, os participantes estarão aptos a elaborar programas para prevenir o suicídio e apresentar em escolas, igrejas, empresas e para a sociedade em geral. “Os participantes podem ajudar a diminuir o número das estatísticas alarmantes desta violência, trabalhando juntamente com a comunidade e mostrando que há saídas para quem está em desespero”, afirmou Edílson Reis.

CURSO – O curso é gratuito e acontece de 28 de julho a 30 de novembro deste ano. Ao todo, serão 50 vagas e os interessados devem enviar os dados até o dia 18 de julho para o email: prevencaodosuicidio@gmail.com.

A carga total é de 200 horas e as aulas serão realizadas terças e quartas-feiras, das 19h às 22h, no Auditório 1 da Faculdade de Medicina/FAMED-UFMS.

O público alvo são profissionais de saúde, da segurança pública e da área da educação, além de universitários, residentes, preceptores, tutores, docentes, religiosos e comunidade em geral.

Veja aqui o cronograma completo do curso.

NÚMEROS – Segundo estudo da OMS, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos – taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, sendo que 75% dos casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada baixa ou média. O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos de prevenção. "Os números são alarmantes, mas estes casos não são divulgados. Deve-se encarar que o problema é real, mas que há solução e existem lugares para estas pessoas procurarem ajuda. Esse é o intuito do curso", finalizou Reis.

Fonte: http://www.ebserh.gov.br/web/humap-ufms/noticia-destaque/-/asset_publisher/4RFy7HrSGbMj/content/grupo-de-estudo-do-humap-promove-curso-pioneiro-de-prevencao-ao-suicidio?_101_INSTANCE_4RFy7HrSGbMj_redirect=%2Fweb%2Fhumap-ufms%2Finicio

Denúncia da epidemia do suicídio no Mato Grosso do Sul

A matéria jornalística abaixo, bem elaborada, aponta o problema do suicídio no Mato Grosso do Sul.

Não ficam, porém, apenas na denúncia. Indicam soluções e divulgam grupos que já agem em favor do estudo e prevenção do suicídio.

Destacaremos, de imediato, as ações da UFMS, e particularmente do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP), vinculado a esta instituição de ensino.

Ocorrerá, ainda neste mês de julho (2015) o I Curso de Prevenção ao Suicídio, cujo propósito é também "criar uma rede de alternativas quanto ao tema e indicar um caminho de conhecimento, compreensão e métodos de auxílio aos que estão passando por uma situação de crise e veem o suicídio como sua única saída”, conforme esclareceu Edilson Reis, coordenador deste evento.

Outra iniciativa digna de cópia é o programa de prevenção do suicídio nas escolas intitulado Projeto Labirinto também iniciativa do Profº Edilson dos Reis.

Link para matéria sobre o I Curso de Prevenção ao Suicídio aqui.

Prevenção esbarra no estigma social e o suicídio segue como epidemia em MS

Mikaele Teodoro

“Isso tudo é frescura! Falta de surra e covardia.” É comum que relatos de pessoas que atentam contra a própria vida venham acompanhados de frases como esta. Preconceituosas, elas contribuem para isolar e condenar ao próprio sofrimento quem precisa de ajuda. Refutado moral, social e religiosamente, o suicídio é tratado como tabu, quando deveria ser prevenido e discutido como um problema de saúde pública.

O suicídio é uma epidemia silenciosa e preocupante.  O estigma social associado ao impasse mental e emocional impede pessoas de buscar ajuda. Todos os anos milhares de brasileiros tiram a própria vida. Enquanto você lê este texto é bem provável que alguém, muito possivelmente aqui no Mato Grosso do Sul, esteja se matando.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. Uma pessoa a cada 40 segundos. Essa é a segunda maior causa de morte em pessoas entre 15 e 29 anos.

A cada dia, 26 pessoas se suicidam no Brasil. Em dados gerais, 11.821 suicídios foram registrados entre 2010 e 2012 no país.

Os dados assustam ainda mais, se for levada em consideração outra informação da OMS: estima-se que para cada caso de suicídio registrado, cinco não foram relatados. E para cada tentativa, outras dez ocorreram.

Diante desse trágico cenário, Mato Grosso do Sul é destaque. Há anos figuramos no topo da lista de Estados com o maior índice de suicídios do Brasil. Hoje, aparece em quarto lugar no ranking de mortes por suicídios, conforme dados do “Mapa da Violência”, divulgado em 2014.

Se a situação é tão grave e tantas pessoas morrem diariamente, porque não discutimos o problema? Para o Capelão do Hospital Universitário, teólogo Edilson Reis, que há 15 anos atua na prevenção de suicídios e há nove organiza o seminário de prevenção, dois grandes motivos respondem a minha pergunta.

“Não temos a cultura da prevenção. A sociedade tem dificuldade de lidar com a morte e principalmente com o suicídio. E a perpetuação de algumas ideias contribuem para isso. O primeiro é a postura condenatória das igrejas e o segundo é o mito de que a divulgação midiática estimula outros suicídios”, diz.

Ainda de acordo com Edilson, negligenciar os indícios de um possível suicida é um dos fatores que contribuem para os autos índices. O mesmo é defendido pelo psiquiatra dr. Paulo André Borges. Para ele é preciso estar atento aos sinais e recorrer à avaliação médica sempre.

Mesmo atuando há anos na área, Paulo confessa que muitas vezes é difícil diagnosticar um potencial suicida. “É muito difícil. Fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e até ambientais estão envolvidos. Até nós, profissionais, temos dificuldades em afirmar quem realmente pretende se matar ou não. Por isso, perceber os indícios e passar por avaliação médica é indispensável”, diz o psiquiatra.

Estrutura de enfrentamento

O Brasil é um dos poucos países em que há uma estratégia nacional de prevenção de suicídios. O documento intitulado "Estratégia de Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio", inclui 2.128 CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) espalhados por todo país. Em Campo Grande são seis centros. Destes, apenas três oferecem atendimento 24 horas.

De acordo com a Coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde Pública, Ana Carolina Guimarães, não é necessário encaminhamento de outras unidades de saúde e qualquer pessoa pode ser atendida nos CAP´s. “Temos uma equipe multiprofissional. Não é só a consulta médica, temos um acompanhamento multiprofissional. E um quantitativo acima de três médicos”, disse.

Para Edilson o que a rede pública oferece é insuficiente. “Temos quase um milhão de habitantes. Essa quantidade de centros é suficiente? Quantos deles oferecem atendimento de psicólogos e psiquiatras infantis? É pouco”, questiona.

Outra queixa de Edilson é quanto ao que poderia ser oferecido. “Temos quatro faculdades que oferecem ensino de psicologia clínica. Nenhuma delas oferece algum tipo de projeto ou serviço de atendimento nesse sentido”, critica.

Projetos de prevenção e apoio 

Faltam psiquiatras e psicólogos para atender na rede pública de MS. Tendo em vista que o maior índice está entre adolescentes de 15 a 25 anos, o HU em parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul desenvolve alguns projetos de prevenção em escolas.

Um deles é o Projeto Labirinto que discute com crianças e adolescentes as causas e forma de prevenção do suicídio. Qualquer escola ou empresa pode agendar uma visita do grupo de instrutores.

Além disso, o grupo de pesquisa em Bioética do HU vai oferecer, a partir de 28 julho, o Primeiro Curso de Prevenção do Suicídio do Brasil. Serão 50 vagas para interessados em participar das 200 horas de curso que é gratuito.

Apoio também pode ser encontrado com o Grupo Amor e Vida. Há doze anos eles realizam trabalho de profunda escuta e relação de ajuda à sociedade Brasileira com trabalho humanitário da busca do equilíbrio emocional e prevenção da autodestruição. Interessados podem ligar no número 141.

Apesar de condenado pela maioria das religiões, muitas delas oferecem centros de apoio e prevenção do suicídio. Um delas é a doutrina espírita que realizou nos dias 28 e 29 de julho o Encontro Fraterno Auta de Souza que debateu o suicídio. Foram mais de 320 inscritos de várias partes do Estado. Todos interessados em adquirir conhecimento e experiência sobre a melhor maneira de lidar com a autodestruição.

“As pessoas desconhecem o suicídio. Trata-lo com um tabu é agravar essa situação. Por isso decidimos debater esse assunto durante o encontro. Para que todos possamos agir como identificadores desse indícios de possível suicida”, diz Marlos da Silva Pereira, coordenador de estudos do encontro.

Quando toda rede de prevenção é ineficiente e a morte não pode ser evitada o problema não acaba - como deseja a maioria dos que cometem o ato. Pelo contrário, inicia-se uma série de transtornos e dificuldade de aceitação pela família da vítima.

Luciene Ferreira é coordenadora do Gaepe (Grupo de Apoio Espiritual às Pessoas Enlutadas). Por lá, ela explica, o atendimento é feito no sentido de acolher e ouvir as famílias. “Uma dor compartilhada dói menos. É por isso que nós oferecemos o apoio e a troca de experiências com outras pessoas. Até para evitar que familiares façam o mesmo.”, diz ao explicar que muitas mães se matam ao ver filhos e maridos se suicidarem. “É uma coisa muito triste que precisamos discutir”, afirma.

Fonte: http://www.midiamax.com.br/saude/altos-indices-suicidio-ms-tem-primeiro-curso-prevencao-brasil-265164

sábado, 13 de junho de 2015

André Trigueiro segue divulgando seu livro sobre o suicídio e sua possível prevenção

O suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos 

Fruto de vasta e atualizada pesquisa, o livro “Viver é a Melhor Opção: A Prevenção do Suicídio no Brasil e no Mundo” (Editora Correio Fraterno) será lançado nesta sexta-feira (12), em Belo Horizonte. Escrito pelo jornalista André Trigueiro, a publicação esclarece e previne sobre um assunto ainda tabu – especialmente entre os brasileiros – por meio de uma ferramenta simples e poderosa: a informação.

Trigueiro informa que, atualmente, o Brasil tem cerca de 11 mil casos de suicídio confirmados por ano. Conjunturas socioeconômicas, familiares e afetivas, além de doenças psicológicas estão entre as causas do suicídio. Para calçar esta abordagem, Trigueiro coletou dados relativos à saúde pública de vários países referentes aos índices de suicídio, além de reunir e alinhavar estudos sobre o tema. Porém, tudo é organizado para trazer o assunto para perto do leitor.

Mesmo sendo um problema tão presente na vida de tanta gente, Trigueiro revela que há pouca oferta de títulos que dialogam de forma clara e objetiva com as pessoas comuns. O jornalista diz que grande parte das publicações são destinadas basicamente a estudiosos ou profissionais de saúde.

O estudo aponta pesquisas que explicam porquê o suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos e por que ele é considerado caso de saúde pública no Brasil e no mundo. “Além disso, mostra o que está ao nosso alcance de fazer para reverter este caso”, completa Trigueiro.

André Trigueiro estará no “Sempre um Papo”, nesta sexta-feira (12), às 19h30, no Hospital Mater Dei (av. do Contorno, 900, bairro Santo Agostinho). Sábado (13), às 11h, ele estará em Sete Lagoas, no auditório do Unifemm (av. Marechal Castelo Branco, 2.765, bairro Santo Antônio).

A seguir, leia a entrevista completa que André Trigueiro concedeu ao Hoje em Dia:

Por que tocar neste tema?

AT - Como jornalista, evidentemente, este tema é relevante. E me chamou a atenção o fato de ele ser tão importante quanto invisível, tão urgente quanto ser objeto de tabu e isso, para mim, virou uma questão. Por que não conseguimos prestar atenção, minimamente, nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS)? Desde o ano 2000, a OMS orienta profissionais de comunicação do mundo inteiro sobre a necessidade de informar à população em relação a problemas, principalmente na área da saúde mental, no que se refere à depressão e alterações de humor, e a relação que existe entre estas patologias e o suicídio.

Em que aspecto seu livro vai além no que se refere ao debate sobre o suicídio?

AT - Não há fartura de títulos que procurem dialogar de forma clara e objetiva com as pessoas comuns, e não apenas com estudiosos de psicologia ou psiquiatria ou profissionais de saúde. Por meio de uma linguagem clara e objetiva, procuramos reportar conhecimentos importantes na área da ciência que explicam porquê que, por exemplo, o suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos. Ou mesmo, porque ele é considerado caso de saúde pública no Brasil e no mundo e o que está ao nosso alcance fazer para reverter este quadro.

Qual foi o estopim para que você publicasse este livro justamente agora?

AT - Estudo este assunto desde 1999. Mas em setembro do ano passado foi publicado o mais amplo relatório da OMS sobre este tema. Eu achei que era a culminância. Achei que devíamos aproveitar este mote. Deu tempo de incluir no livro passagens da cerimônia do Oscar, deste ano, em que dois dos agraciados reportaram problemas em relação ao suicídio – isso em uma transmissão ao vivo transmitida para mais de 200 países, com mais de 1 bilhão de espectadores. Além disso, o suicídio de Robin Williams, no ano passado, foi o tema mais clicado no Google, no mundo inteiro.

Interessante... Triste, mas interessante.

AT - É um assunto que as pessoas vivenciam. Todo mundo conhece um vizinho, um amigo, um parente que já cometeu, mas este assunto não é discutido, não é comentado e não aparece na mídia. Como se explica isso? Imagine São Paulo, que até hoje está enfrentando uma epidemia de dengue... É uma comparação imperfeita, mas serve para entender o quanto é importante falar, mas prevenção se faz com informação, como dizem os profissionais de saúde. Como falar seria enfrentar a dengue, sem falar de dengue?

É difícil.

AT - Você deve se lembrar de um comercial da atriz Cássia Kiss, nos final dos anos 1980, na televisão, no qual ela aparecia apalpando os seios nus e ensinando as mulheres a identificarem caroços e nódulos. Muitos conservadores acharam pornográfico, que era uma devassidão... Agora, se perguntamos para um profissional de saúde que faz epidemiologia e que contabiliza casos de câncer de mama no Brasil, é possível ver como aquele comercial reduziu drasticamente a mortalidade e a remoção do seio, que é algo que traumatiza profundamente as mulheres. Por que um resultado tão bom na prevenção?

É o poder da informação.

AT - Este livro não é autoajuda. É um livro que ajuda a ajudar.

No livro, os números referentes às ocorrências de suicídio no Brasil aparecem abaixo da média mundial. Como analisamos isso?

AT - Isso em números relativos, ou seja, números de casos por grupo de 100 mil pessoas. Mas em números absolutos, temos um pouco mais de 11 mil casos confirmados por ano. Aí, o Brasil vai chegar ao 8º lugar no ranking mundial.

É muita gente!

AT - É muito. Por isso que é caso de saúde pública.

Você cita algum caso de país onde existia uma taxa de suicídio muito alta, mas que, por meio de uma política pública implantada, e essa taxa diminuiu?

AT - Houve alguns casos. Um exemplo é o Japão. O Japão tinha a dificuldade que o Brasil hoje enfrenta de tratar esse tema como um tabu. Quando o Japão resolveu tratar a prevenção do suicídio como política pública, articulando ações sob medida em diferentes lugares do país, em escolas, com dinâmicas, isso emprestou inteligência para a prevenção. A prevenção não pode ser um decreto, por meio do qual se baixa um “tijolaço”, e em todos os lugares se faz do mesmo jeito, para todas as pessoas. Não vai funcionar. É preciso inteligência na articulação. Lá, conseguiu-se até reverter taxas e em alguns casos, estabilizar a situação. É preciso assumir o problema e enfrentá-lo.

Quais são as situações peculiares de risco de suicídio no Brasil?

AT - Há algumas. A manipulação indevida de agrotóxico libera substância voláteis. O agricultor quando respira aquilo, isso altera a bioquímica do cérebro e mergulha em profunda depressão. Há cidades no Sul do país, que tem um alto índice de suicídio, e que, provavelmente, é devido a esta relação. Outro fator importante são as comunidades indígenas envolvidas nos conflitos agrários e que são expulsas de suas terras. Há ainda as questões familiares, como nos casos de opressão à mulheres e aos homossexuais. Ele vivem em um ambiente que não favorece o bem-estar.

Há um termo que você usa no livro que é curioso: a “suicidologia”. O que é isso?

AT - É uma nova área da ciência. Na verdade existem associações internacionais e congressos sobre o assunto.

Por que você teve a ideia de fazer este estudo e publicá-lo juntamente com as visões da Doutrina Espírita sobre o assunto?


AT - A própria editora não o considera um livro espírita. A primeira parte, jornalística, numa conta grosseira seria aproximadamente 4/5 do livro. A ideia foi minha (o jornalista, que é repórter na TV Globo e possui livros e vasta atuação na cobertura de assuntos ligados à ecologia, é espírita há cerca de 30 anos). Mas independentemente da crença, todas as religiões, das mais importantes, do ocidente ou do oriente, convergem e coadunam no entendimento de que o suicídio não constitui alívio ou solução para os problemas. É um consenso. Mas os capítulos do livro não se misturam. É um respeito que eu tenho com qualquer pessoa que não tenha interesse ou afinidade com esta doutrina ou com qualquer visão religiosa. Apenas acho muito interessante que eu me posicionasse também em relação a esta linha de fé que eu sigo.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/almanaque/o-suicidio-pode-ser-prevenido-em-90-dos-casos-diz-autor-1.324553

domingo, 7 de junho de 2015

Duplo motivo de comemoração!



NOVO CURSO PARA VOLUNTÁRIOS!

O posto CVV da Bela Vista realizará novo curso para seleção e capacitação de novos voluntários.

Data: 27 e 28/6/
Horário: 13:30 às 18:30h

Local: Posto CVV Abolição - Rua Abolição, 411 - Centro
           São Paulo (capital)

Contatos: (11) 3242-4111 ou 9.8143-3611
                 abolicao@cvv.org.br

É necessário comparecer aos dois dias do evento.

O CVV

Instituição sem fins lucrativos ou econômicos e mantida pelos próprios voluntários, os postos CVV desenvolvem trabalhos de apoio emocional e valorização da vida, por meio de contatos telefônicos, atendimento pessoal, via correio, email, chat e skype. Promove também atividades que valorizam a vida: palestra, roda de conversas, cine com debate e grupo de apoio.

Site e páginas nas redes sociais

www.cvv.org.br

www.facebook.com/cvv141?fref=ts

www.youtube.com/watch?v=cRMG7jSARSU

www.facebook.com/pages/CVV-A%C3%A7%C3%B5es-com-a-Comunidade-S%C3%A3o-Paulo/253706254770357?fref=ts

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Salvar vidas pode ser algo assim ÉPICO!

Deu no HypeScience, site brasileiro de divulgação científica!

Os jornalistas deste site são "dedicados a melhorar a alfabetização científica do brasileiro ao divulgar ciência com humor e irreverência".

O título e sub-título da matéria sobre suicídios evitados foram estes:

8 coisas minúsculas que impediram SUICÍDIOS

Coisas muito pequenas ou simples já levaram o crédito por impedir atos de desespero conta a própria vida. 

Vale a leitura completa, que está aqui

Segue um dos oito casos, muito interessante.

7. Um cara muito legal que vive perto de um penhasco

Você já deve ter ouvido essa história sobre este cara australiano que vive perto de um penhasco pitoresco, onde muitos vão para se matar. Mais cedo ou mais tarde, qualquer um iria perceber que este é um lugar deprimente para se viver e seria melhor para a paz interior encontrar uma casa melhor.

Don Ritchie (foto ao lado) discorda. Ele vive lá há 50 anos, e em vez de tentar evitar essas situações estressantes e tristes, ele tenta salvar a vida de cada pessoa que aparece com a intenção de se matar.

Ele salvou 160 vidas, segundo algumas estimativas. Ele não foi capaz de salvar todos que visitaram o penhasco com esse objetivo, infelizmente, e tem visto as pessoas saltarem para a morte certa ali na frente dele, mas isso não o impediu de continuar tentando.

E a coisa mais incrível é que ele não é o único fazendo isso. Do outro lado do mundo, no Japão, Yukio Shige frequenta um penhasco popular por ser palco de suicídios e não só convence as pessoas a abortarem a missão, como também os ajuda depois com seus problemas familiares e a encontrar um emprego também.

Fonte: http://hypescience.com/suicidios/

MAIS sobre Yukio Shige
http://otaku.com.br/news/o-guardiao-de-suicidios-de-tojinbo/

sábado, 30 de maio de 2015

Mais um exemplo que vem de Portugal. Também precisamos destes peritos!

Programa de formação vai criar 900 “peritos em depressão” nos centros de saúde
Catarina Gomes (26/5/15) 

Ricardo Gusmão afirma que muitos médicos de família se limitam a prescrever ansiolíticos ou antidepressivos. O objectivo do projecto nacional é a redução do número de suicídios.

Os centros de saúde são muitas vezes a primeira porta de entrada no sistema de saúde para pessoas com depressão, mas muitos dos seus profissionais não estão preparados para lidar com este problema de saúde, afirma o psiquiatra Ricardo Gusmão. Um programa nacional de formação vai criar nos centros de saúde 900 “peritos em depressão”, entre médicos de família, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, explica o responsável pelo projecto. Dois dos objectivos são a prevenção do suicídio e a redução do consumo de ansolíticos.

O psiquiatra Ricardo Gusmão estima que 20% das pessoas que vão ao médico de família tenham tido uma depressão no último ano. Mas cerca de 90% são depressões ligeiras a moderadas, nota, e nestes casos “não faz sentido referenciar para a psiquiatria. Há a capacidade para tratar nos cuidados primários.”

O problema é que os médicos de família tiveram durante a sua formação cerca de duas a três cadeiras de saúde mental e passaram três meses num serviço de psiquiatra. “É muitíssimo pouco”, diz. Depois disso, ficam por sua conta.

Ricardo Gusmão afirma que a resposta de muitos médicos de família, quando percebem que podem estar em causa depressões, "é prescreverem um placebo, caso dos fortificantes, ou benzodiazepinas [ansiolíticos]” ou então receitam antidepressivos. Mas também "há médicos de família que não percebem que podem estar em causa sintomas de depressão e, se percebem, muitos não sabem o que fazer". Este projecto pretende chegar a cerca de 15% a 20% dos médicos de família do país.

Mas, nota o médico, “temos de ser justos, os médicos de família não tem tempo para fazer psicoterapia, nem os psicólogos [dos centros de saúde]”. Então o objectivo é que seja dada formação a cerca de 900 profissionais, entre médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, que funcionarão como “peritos em depressão” e que, por sua vez, deverão transmitir os conhecimentos que adquiriram a 3400 profissionais das suas respectivas áreas.

O programa quer chegar a um total de 4300 profissionais e assim atingir um milhão de utentes, entre os quais 200 mil pessoas com depressão e outras doenças mentais, ajudando a prevenir o suicídio, já que se admite que “o suicídio é uma complicação da doença mental, nomeadamente da depressão”, explica Ricardo Gusmão, que é presidente da Eutimia-Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal, associação que propôs o projecto.

O projecto Primary Care Mental Health Sustained Capacity-Building for Depression and Suicidal Behaviour (PrimeDep), que é apresentado publicamente esta quarta-feira em Sintra, prevê um modelo de formação de oito horas mais 4 de e-learning. “Pretende-se que os médicos de família aprendam a diagnosticar, a prescrever e a monitorizar correctamente”, notando que prescrever benzodiazepinas ou antidepressivos deveria implicar que “o doente deveria ser visto pelo menos uma vez por mês, para aferir o resultado”.

A ideia é que muito do trabalho de seguimento possa ser feito por enfermeiros e psicólogos que possam criar “grupos psicoeducacionais”, onde é transmitida ao doente informação sobre a sua doença, sobre como gerir os seus sintomas, conhecer os efeitos secundários dos medicamentos. E, como objectivo último, deverão ser criados grupos de auto-ajuda de doentes.

Outras das ferramentas do programa envolverá uma plataforma informática que poderá ser ser prescrita pelo médico, sendo dado ao doente um login e palavra-passe, sendo o seu uso acompanhado por um profissional de saúde. "É uma ferramenta de auto-ajuda guiada”, que será “receitada” caso estejam cumpridos alguns critérios, como, por exemplo, o utente não querer tomar medicação, ter alguma literacia informática, explica o médico.

O programa vai ser posto em prática em centros de saúde das administrações regionais de saúde do Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. O Alentejo e Algarve são as regiões do país com maiores taxas de suicídio, “nessas regiões a cobertura é quase integral”, sublinha.

O PrimeDep recebeu um financiamento de 500 mil euros, para ser aplicado durante 2015-16, no âmbito do programa EEA Grants (linha de financiamento concedida pela Islândia, Liechtenstein e Noruega aos Estados Membros da União Europeia), sendo gerido pela Administração Central do Sistema de Saúde do Ministério da Saúde.

Este tipo de intervenção já foi testado em termos locais, em Matosinhos, Oeiras, Cascais e Amadora, nota. Ricardo Gusmão acompanhou mais de perto o projecto no concelho da Amadora, constatando que houve redução do número de suicídios e tentativas de suicídio que não resultaram em morte em cerca de 20%, e diminuiu a prescrição de benzodiazepinas. Para que os efeitos da formação não se percam no tempo, o projecto vai recrutar 12 a 20 líderes regionais escolhidos pelos respectivos profissionais a quem estes possam passar a recorrer.

Uma associação para os “sobreviventes do suicídio"


Em Portugal cerca de mil pessoas cometem suicídio todos os anos. “Por cada pessoa que morre há duas ou seis pessoas muito próximas que ficam a sofrer com aquela perda e que correm risco de depressão e de suicídio”, sublinha o psiquiatra Ricardo Gusmão, presidente da Eutimia-Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal, que se assume como a primeira associação vocacionada para apoiar “os sobreviventes do suicídio”. Foi formalmente criada no ano passado mas vai ser apresentada publicamente esta quarta-feira.

Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/programa-de-formacao-vai-criar-900-peritos-em-depressao-nos-centros-de-saude-1696815?frm=ult