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quarta-feira, 2 de junho de 2021

Entidades cobram ações de prevenção ao suicídio e doenças mentais em policiais

José Carlos Oliveira (reportagem) e Geórgia Moraes (edição) - 1º junho 2021

Entidades ligadas a profissionais da segurança pública cobraram ações coordenadas que ampliem os mecanismos de prevenção ao suicídio e doenças mentais entre os policiais. O impacto do estresse diário na saúde desses profissionais foi debatido nesta terça-feira (1) em audiência virtual da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que analisa projetos de lei sobre o tema.

Um deles (PL 4815/19) já foi aprovado no Senado e inclui a promoção da saúde mental e a prevenção ao suicídio no Pró-Vida, o Programa Nacional de Qualidade de Vida para Profissionais de Segurança pública criado em 2018 (Lei 13.675 /18).

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Luiz Antônio Boudens, defendeu a proposta e informou que a instituição já executa programas de atendimento psicológico para a detecção prévia de problemas entre os agentes. “Você entra para a polícia com aquela vontade de atuar mais, de ser o paladino da justiça e de ser super-homem ou supermulher, mas internamente você encontra várias dificuldades de gestão, de aceitação do público, do próprio comportamento da sociedade em relação ao policial. Então, é ideal que haja um grupo preparado dentro da polícia para tratar desse policial”, defendeu.

A mais recente edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, relativa a 2019, mostrou que os casos de suicídio entre policiais militares e civis (91) superam o número de policiais mortos em serviço (62). O Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (Ippes) relembrou uma sondagem de 2014 com 18 mil policiais, na qual 3,6% disseram já ter tentado suicídio e outros 18% admitiram ter pensado em tirar a própria vida. Levantamento mais recente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais identificou estresse ocupacional de médio a elevado em 94% do efetivo, além de 36% com algum tipo de doença mental em variados graus.

Socióloga do Ippes e coautora do livro “Por que policiais se matam?”, Fernanda Cruz apontou múltiplos fatores para esse quadro, principalmente adoecimento psíquico, uso abusivo de álcool e drogas, relacionamento interpessoal e insatisfação profissional. O Ippes recomendou a implantação de uma “cultura de saúde” nas instituições policiais que inclua uma rede de atendimento psicológico e acolhimento, além de correções nas atuais lacunas que provocam a subnotificação de suicídio.

Tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, José Edir de Souza admitiu que a atenção à saúde mental deve estar presente em todas as fases da vida profissional dos policiais. “A gente observou que estar na reserva ou aposentado era um fator de risco para suicídio”, relatou.

Paraíba

A audiência também mostrou resultados positivos do Espaço Viver Bem do Policial Militar, criado em 2016 na Paraíba, com assistência social e psicológica fora dos quartéis. Desde 2019, o estado não registra suicídio de PM nem de bombeiro militar.

Representante do Ministério da Justiça, o coordenador geral de políticas para os profissionais de segurança pública, Paulo Silva Pena, informou que, entre 2019 e 2020, o governo federal repassou R$ 311 milhões para os estados aplicarem em ações como essa da Paraíba. Segundo Pena, há ações em curso para a criação de um protocolo de tratamento de estresse pós-traumático e da disciplina de qualidade de vida no currículo de formação profissional.

Relatora da proposta de inclusão da prevenção ao suicídio no Pró-Vida, a deputada Policial Kátia Sastre (PL-SP) prometeu ampliar o debate antes da apresentação do seu parecer na Comissão de Segurança Pública. “Quanto mais equilibrado o policial está, melhor a sociedade vai receber os serviços. Precisamos olhar com carinho para a saúde mental dos nossos policiais”, ressaltou.

Esse projeto de lei tramita em conjunto com uma proposta semelhante (PL 6355/16) do deputado David Miranda (Psol-RJ). O deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) também defendeu a aprovação das propostas que tratam da proteção especial para policiais ameaçados de morte em função do trabalho (PLs 6326/19 e 718/21).

Fonte: www.camara.leg.br/noticias/767401-entidades-cobram-acoes-de-prevencao-ao-suicidio-e-doencas-mentais-em-policiais/

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Prevenção do suicídio junto aos policiais civis no Paraná

Projeto visa prevenir suicídio de Policiais Civis no Paraná


Pressão constante e poucas horas de sono estão entre os agentes causadores do problema

 

Assessoria (26 agosto 2019)

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo e a depressão está se tornando a doença do século, tendo como reflexo índices alarmantes no Brasil, que representam um suicídio a cada 46 minutos. Apesar de o problema atingir diversas áreas, os médicos e policiais são os principais afetados, já que suas funções envolvem, muitas vezes, a privação de sono, a pressão constante do trabalho e a necessidade de atenção constante.

Para o policial, o problema se agrava ainda mais com a dificuldade de externalização do problema. De acordo com o coordenador do curso de Psicologia da Universidade Positivo, Raphael Di Lascio, a tendência é de que esses profissionais não demonstrem sinais do que sentem. “Normalmente eles se fecham, escondem e disfarçam o que estão sentindo, pois acham que pode ser interpretado como fraqueza”, explica.

Com foco na prevenção do suicídio entre profissionais da Polícia Civil do Paraná (PCPR), a instituição firmou uma parceria com a Universidade Positivo, visando trabalhar um programa que apoie e colabore com a atenção e os cuidados psicológicos dos policiais. “Estamos fazendo um levantamento e mapeando todas unidades do estado para podermos conhecer e verificar se existe algum sinal comum, visando entender os principais problemas de comportamento que eles enfrentam, para então definirmos estratégias de prevenção e ação para poder ajudá-los”, conta Di Lascio.

Para a PCPR, a união significa um avanço no bem-estar dos colaboradores. “A Polícia Civil do Paraná tem, acima de tudo, o dever de cuidar dos seus policiais e essa parceria garantirá sustentação ao servidor visando a prevenção de problemas psicológicos decorrentes do estresse causado pela atividade”, declarou o delegado-geral Silvio Jacob Rockembach.

Além disso, o projeto prevê: a criação de uma rede de apoio com profissionais da psicologia e psiquiatria, nas várias cidades do estado, visando ficar mais acessível e a disposição do policial que necessite, também montar protocolos e processos de prevenção e intervenção, criar cartazes e uma cartilha de ajuda, além de realizar orientações e palestras sobre o tema. Outro ponto destacado por Di Lascio é a importância da valorização dos amigos e da família nesse processo. “Muitas vezes só eles percebem o sofrimento e a angústia do profissional, então devem apoiar e incentivá-lo a procurar ajuda de profissionais. Isso é essencial para o bom resultado de um tratamento e prevenção”, finaliza.

Fonte: www.clickparana.com/noticia/23899/projeto-visa-prevenir-suicidio-de-policiais-civis-no-parana.html

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ainda a prevenção do suicídio nas forças policiais em Portugal

Prevenção do suicídio

Os investigadores da PJ também se emocionam e também ‘quebram’.

Ricardo Valadas

O recente estudo apresentado sobre o fenômeno do suicídio nas polícias refere que 28,1% dos profissionais que se suicidaram tinham hábitos alcoólicos excessivos, e que na maioria dos casos, as causas se centram em problemas pessoais, que "afetam todo e qualquer cidadão", tais como conflitos familiares e conjugais.

Na base de muitos suicídios está um fenômeno designado por "Síndrome de Burnout" (SB), que na sua essência, se manifesta num quadro clínico, que passa por irritabilidade, fadiga constante, insônia, incapacidade em relaxar, depressão e lapsos de memória. A SB é sobretudo uma doença ocupacional e manifesta-se mais em profissões que envolvam uma gestão emocional próxima, tais como as polícias, os profissionais de saúde e os bombeiros.

Na PJ, onde é exigido que se interaja com o sofrimento de terceiros e com o vislumbre do fim da sua própria vida, é importante que se pense num programa preventivo e de acompanhamento de todos os profissionais sem exceção.

Os problemas familiares existentes são, na maioria, decorrentes dos problemas profissionais e muitas vezes do stress provocado pelas condições de trabalho e pela falta de descanso. Os investigadores da PJ também se emocionam e às vezes também ‘quebram’.

Fonte: http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/ricardo-valadas/detalhe/prevencao-do-suicidio
- com adaptação à língua portuguesa brasileira