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terça-feira, 19 de julho de 2022

Bombeiro que evitou 57 suicídios cria técnica agora usada em 20 estados

Giulia Granchi - BBC News Brasil - 1º junho 2022

O major Diógenes Munhoz já salvou 57 vidas diretamente e muitas outras a partir de um curso que ensina abordagem humanizada em tentativas de suicídio.

Em 2005, na avenida Campanella, na zona leste de São Paulo, o major Diógenes Munhoz, que faz parte do Corpo de Bombeiros de São Paulo, atendia a uma ocorrência relativamente comum para sua equipe —uma pessoa havia subido em uma torre de transmissão de sinal de celular com a intenção de cometer suicídio.

Poderia ser o fim de uma vida, mas não foi. O "tentante", como o major explica que é correto chamar quem antes era designado como "suicida", desistiu, e o episódio acabou dando a Munhoz uma ideia que salvaria, a partir dali, muitas outras vidas.

"Percebi que ainda que a pessoa desistisse do ato, não tinha um desfecho necessariamente positivo. Nós —e digo não só minha equipe, mas também policiais militares e profissionais do SAMU, que também atendem esses casos— não tínhamos instruções para nos importarmos com aquela pessoa a fundo. Era tratado simplesmente como um chamado: você distraía a pessoa e a agarrava, para acabar com a ocorrência. Não se importava com o que aconteceria depois", conta Munhoz.

Outras opções usadas pelas equipes de emergência eram mangueiras de água com potência forte e tiros de taser (que causa choques), que tinham como objetivo afastar o tentante do perigo, mas na avaliação do major, só agravavam a situação, sem oferecer qualquer acolhimento à pessoa.

Naquela torre do bairro Vila Campanela nela, o profissional ficou com a pessoa em risco por seis horas. Nos primeiros trinta minutos, era o major do corpo de bombeiros de São Paulo e um tentante.

"Depois, eu passei a conhecer aquele homem. Ingressei em seu mundo e na sua história, e eu começo a compreender que ele tem uma vida repleta de sofrimentos, angústias, e também de vitórias. Depois de uma hora ali em cima, a última coisa que eu gostaria é que o Alcides (nome fictício) morresse."

Munhoz procurou o CVV (Centro de Valorização da Vida), ferramenta pública que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio. Lá, teve as primeiras lições sobre acolhimento, escuta compassiva, e começou a ler e a escrever sobre o tema, e a participar de simpósios e palestras.

Foram dez anos de estudo até que o major criasse uma técnica humanizada para assistência a pessoas que tentassem tirar a própria vida.

Com base em pesquisa e experiência, montou, como seu projeto de mestrado, um curso que hoje já é aplicado em serviços de emergência público de 20 Estados brasileiros e é aberto a profissionais de outras áreas, como médicos, psicólogos, e outras profissões que lidem com o tema diretamente ou indiretamente.

Diógenes Munhoz evitou, diretamente, o suicídio de 57 pessoas —e estima que esse número tenha sido significativamente maior por meio de outros profissionais que utilizam a técnica de humanização.

"Vi a face da morte 57 vezes e garanto que ela não é bonita. Ela é triste, cinza, opaca e a gente precisa estar lá para acolher e abraçar essa pessoa. Ajudar a fazer com que esta pessoa entenda que existem fatores de proteção que podem ajudá-la a dar prosseguimento à vida, e que ela não consegue enxergar a luz do final do túnel simplesmente porque não passou do meio do túnel."

"Apesar de eu ter dado o pontapé inicial, o curso só se tornou possível porque contei com a ajuda de muitos profissionais. Sempre digo que o pódio é solidário, não solitário."

No 2º semestre, a técnica vai ser exportada para fora de Brasil. Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Portugal receberá o treinamento.
O que é oferecido no curso

São 40 horas de aula divididas em um período de uma semana, e que passam por sete tópicos, incluindo o histórico da abordagem técnica, estatísticas do país, aspectos técnicos e fases da abordagem de dissuasão, diferenças entre grupos de tentantes, prevenção do suicídio e um módulo mais amplo, sobre saúde mental.

"Quem passa pelo treinamento aprende, entre outras coisas, a distinguir os tipos de tentantes, que são classificados entre agressivos, psicóticos ou depressivos. Existem sete ferramentas de linguagem e sinais corporais que o abordador pode utilizar. A grande 'sacada' da técnica é que não vou falar com depressivo da mesma forma, com os mesmos gestos, que faria ao abordar uma pessoa psicótica", aponta Munhoz.

Outra mudança que ocorreu após a criação do curso é o encaminhamento do tentante. Antes, a pessoa era levada ao pronto-socorro mais próximo. Na maioria das vezes, não era atendida por um psiquiatra, mas por um clínico geral.

Hoje, prevê-se o encaminhamento para o CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e a possibilidade de internação. "Quando essa pessoa era só medicada e liberada, são grandes as chances de ela tentar suicídio de novo."

O major é doutorando em saúde mental no Centro de Altos Estudos de Segurança da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo), e atualmente e sua pesquisa é focada nos resultados que a técnica já alcançou no Estado de São Paulo.

"Os levantamentos apontam um ganho de ao menos 23%. Se salvarmos uma vida, toda uma carreira já estaria paga. É só perguntar para a mãe daquela pessoa. Mas 20% de ganho, em um estado que registra 2.500 ocorrências por ano, de acordo com o Corpo de Bombeiros (sem levar em conta as ocorrências anotadas pela polícia militar e SAMU), é algo muito significativo."

Em duas ocasiões, Munhoz foi procurado posteriormente por pessoas que salvou. "Já teve um rapaz que era cientista, que me escreveu nas redes sociais. E em uma palestra, quando eu acabei a palestra, um rapaz se levantou, fez um discurso e findou dizendo que estava ali só porque eu o tirei do lugar onde ele tentou o ato. Foi bem emocionante."
Depressão é a principal causa de tentativa de suicídio

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), cerca de 97% dos suicídios têm ligação com transtornos mentais, especialmente a depressão.

No Brasil, a doença é um problema de saúde pública. O país é o quinto com maior incidência, apresentando um número de casos superior ao de diabetes, segundo Pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde.

Além disso, dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) apontam um aumento de 167% da utilização de serviços relacionados à saúde mental de 2011 a 2019.

Em casos de depressão resistente ao tratamento —quando há falha de dois tratamentos anteriores administrados em dose e tempo adequados— estima-se elevação do risco de morte por suicídio em sete vezes.

Segundo estudo recente publicado na revista The Lancet, até 80% das pessoas afetadas pela doença no mundo sequer têm um diagnóstico.

Já o levantamento realizado pelo Instituto Ipsos a pedido da Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, que ouviu 800 pessoas com ou sem relação com a depressão de 11 Estados brasileiros, revela que entre os diagnosticados entrevistados, o tempo médio para procurar ajuda foi de 39 meses (três anos e três meses).

A demora ocorreu, principalmente, por falta de consciência de se tratar de uma doença (18%), resistência (13%) e medo do julgamento, reação dos outros ou vergonha (13%).

"Essa demora no tratamento para a depressão pode trazer consequências devastadoras, como a cronificação da doença, agravamento dos sintomas, diminuição da eficácia dos tratamentos, perda de anos produtivos, impacto econômico e severa diminuição da produtividade, e todo um prejuízo em seu convívio familiar e social. A depressão precisa ser levada à sério", afirma Cintia de Azevedo Marques Périco, professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC e integrante da Comissão de Emergenciais Psiquiátricas da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Dados da pesquisa da Janssen demonstram que ainda há falta de entendimento sobre sua gravidade e seu impacto na vida do paciente e de todos ao seu redor: apenas 10% acreditam que a depressão é uma doença com base biológica (e repercussões físicas no corpo). Outros 35% não acham que pode ser tratada com medicamento e 36% acreditam que para superar a doença é preciso força de vontade.

"No senso comum, existe uma banalização daquilo que se entende por ser psicológico, com uma falsa ideia que não precisa de tratamento. No entanto, atualmente sabemos o quanto ter uma função psíquica alterada impacta no indivíduo como um todo. Não tratar a depressão como uma doença grave e que pode resultar em uma emergência psiquiátrica pode trazer sérias consequências para os pacientes e para a própria sociedade", afirma Périco.

Procure ajuda

Caso você tenha pensamentos suicidas, procure ajuda especializada como o CVV (www.cvv.org.br) e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

Fonte: www.bbc.com/portuguese/brasil-62004494

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Técnica de abordagem diminui suicídios em 23%

Felipe Salustino - Tribuna do Norte (25 setembro 2021)

Setembro é o mês dedicado às campanhas de prevenção do suicídio, período em que ações educativas e debates sobre o tema ganham reforço.  Nesse contexto, o major Diógenes Munhoz, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo, esteve no Rio Grande do Norte na sexta-feira (24) para uma palestra sobre técnicas de Abordagem a tentativas de Suicídio. Ele é o idealizador do curso que leva o mesmo nome e que está presente em 19 Estados brasileiros, inclusive, no RN.

A técnica foi implementada pela primeira vez em São Paulo em 2015, com o objetivo de humanizar o atendimento para situações que envolvem tentativas de suicídio. Durante a abordagem, são utilizados métodos de áreas como psicologia, psiquiatria e neurolinguística, linguagem corporal.

De acordo com o major, no ano passado, os casos onde a técnica foi empregada resultaram em redução de cerca de 23% no número de mortes, no âmbito dos Estados onde a metodologia foi adotada. No Rio Grande do Norte ainda não há dados sobre a questão. O major Cristiano Couceiro é quem é um dos oficiais que trouxeram a técnica para o Estado este ano.

“Fiz o curso na Paraíba em 2019 e formamos duas turmas em 2021: uma em março e outra em junho. Hoje o RN possui 45 especialistas em abordagem a tentativas de suicídio e a próxima meta é compartilhar essas experiências com instituições e o público em geral. Mas isso vai ficar para o começo de 2022”, afirmou o major Couceiro.

Os estudos sobre a técnica humanizada de abordagem ao indivíduo em situações que envolvem tentativas suicidas começou em 2005, conforme explica o major Diógenes Munhoz, que também é psicanalista.

O major do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo, Diógenes Munhoz
Curso foi dado a bombeiros do Rio Grande do Norte (foto: Elisa Elsie)

Explica o major Munhoz:

As primeiras linhas dela começaram a ser escritas a partir de 2005, mas só 10 anos depois, em 2015, a técnica nasce como método em São Paulo. É uma abordagem que não faz parte da formação inicial do bombeiro  em nenhuma parte do Brasil. Os resultado que nós temos até aqui são positivos, porque, com essa nova forma de abordagem, o indivíduo é  tratado de maneira mais humanizada. Isso é bom para o próprio profissional que vai atender à ocorrência, porque não se expõe mais a tantos e desnecessários riscos
Militar do Corpo de Bombeiros de São Paulo há 20 anos, o major assumiu, desde o ano passado, a direção da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (Abeps). Autor e coautor de variados livros sobre prevenção do suicídio, o major Diógenes Munhoz, além de psicanalista, é Bacharel em Direito, pela Universidade Paulista; engenheiro civil pela Universidade de Guarulhos e Mestre em Ciências Policiais pela Academia Militar do Morro Branco.

Na sexta-feira (22) antes de uma palestra sobre o tema em Natal, direcionada a Policiais Militares, Corpo de Bombeiros e convidados, o major conversou com a TRIBUNA DO NORTE.

O senhor é idealizador  do curso de Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio. Qual o objetivo desse curso?

O objetivo é formar as pessoas para que elas realizem o atendimento à tentativa de suicídio de uma forma humanizada. Nós temos viajado pelo Brasil divulgando essa técnica. Hoje, 19 Estados já replicam a técnica e um deles é o RN. As primeiras linhas da metodologia começaram a ser escritas a partir de 2005, mas só 10 anos depois, em 2015, ela nasce como técnica em São Paulo. Aqui  no Rio Grande do Norte ela é aplicada por alguns oficiais. Um deles é o major [Cristiano] Couceiro.

Como é feita a abordagem humanizada? Que técnicas são usadas?

Uma pessoa que está tentando suicídio está exposta de forma dilacerada ao olhar da morte. A gente tem que servir como 'cobertor' nesse momento. Isso significa acolher e ter uma escuta compassiva, que faça com que essa pessoa, ao desistir do suicídio, volte à prevenção, com tratamentos terapêuticos, psiquiátricos e que tenha a possibilidade de ter uma vida normal a partir daí. As ocorrências relacionadas a tentativas de suicídio são muito complicadas. Elas exigem muito tempo e preparo do profissional, com técnicas de psicologia, psiquiatria, neurolinguística e linguagem corporal. A gente não pode, como há quinze anos, ir para uma ocorrência de suicídio para distrair e avançar sobre a pessoa para resgatá-la. É preciso convencê-la de que, na verdade, a vida é muito mais importante do que a morte.

Quais os resultados que essa técnica já proporcionou?

Os resultados que nós temos até aqui são positivos, porque, com essa nova forma de abordagem, o indivíduo é  tratado de maneira mais humanizada.  Isso é bom para o próprio profissional que vai atender à ocorrência, porque não se expõe mais a tantos e desnecessários riscos.  Ele vai respeitar o tempo e o espaço do indivíduo. A gente chama essa pessoa de 'tentante', e não de suicida. Porque eu não posso falar de humanização e chamar uma pessoa de suicida, que é uma palavra muito pesada. Quando eu caracterizo uma pessoa assim, ela passa a ser suicida pelo resto da vida. Nos casos onde a técnica foi empregada houve redução de cerca de 23% no número de mortes no ano passado, no âmbito dos Estados onde a metodologia foi adotada.

Major, vamos falar um pouco sobre prevenção. O trabalho preventivo é algo que precisa ser enfatizado cada vez mais para que nesses casos de tentativa de suicido, na sua avaliação?

Hoje a prevenção do suicídio é uma área que envolve vários fatores: saúde mental, quebra de preconceito  com tratamentos profissionais, como psiquiatras e psicólogos. Então, a área da prevenção hoje em dia é fundamental.

Quais sinais indicam que alguém está precisando de ajuda especializada?

É preciso ficar atento quando a pessoa começa a mudar comportamentos ou ações que ela sempre gostou de fazer. Isso pode ser um sinal de alerta, mas não quer dizer que são sinais do suicídio. Existem suicídios silenciosos. Se nós falarmos  que toda pessoa que se mata dá sinais, estaremos jogando uma responsabilidade para a pessoa que convive com quem tirou a própria vida, de não ter lido esses sinais.

Mas, de qualquer forma, é importante ficar atento a uma conversa ou a um comentário nas redes sociais, por exemplo?

Sim. Estar atento ao próximo é uma questão de humanização. No caso das redes sociais, geralmente, ela serve como um grito de socorro para pessoas numa faixa etária entre os 14 e 25 anos. Então, é bom estar atento a perfis (nas redes sociais).

Como o senhor avalia os serviços de segurança estaduais do Brasil no trato de casos de potenciais suicidas?

Estamos em extrema melhora. Para se ter uma ideia, nesta semana é a terceira vez que eu viajo para ministrar palestras sobre o assunto e isso demonstra uma preocupação das força policiais, de urgência e emergência, bombeiros e SAMU, de cada vez melhor atender a esse tipo de ocorrência. Acredito que daqui a alguns anos nós vamos poder falar de baixas consideráveis nos índices de tentativas de suicídio no Brasil.

E o que o senhor citaria como algo a melhorar para que os serviços de prevenção do suicídio no Brasil sejam mais efetivos?

Quebra de preconceito, sobretudo. A gente não pode ter preconceito com psicólogo, com psiquiatria ou com terapeutas. Só agindo na prevenção é que a gente vai impactar diretamente na queda das tentativas de suicídio.

Com a pandemia e questões como isolamento, perdas de pessoas queridas e desemprego, o senhor percebe alguma mudança nos perfis de pessoas que tentam suicídio?

Não. Não observamos nenhum tipo de mudança nesse sentido.

Major, o senhor tem uma longa trajetória no Corpo de Bombeiros. Há muitas histórias marcantes em relação aos casos de salvamento que envolveram tentativas de suicídio?

Muitas. Mas o fundamental para mim é que a principal vítima é sempre a próxima. Enquanto eu pensar  assim, a próxima vítima sempre vai estar salva.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br/noticia/ta-cnica-de-abordagem-diminui-suica-dios-em-23/521578

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Major Diógenes Munhoz fala de técnicas de prevenção ao suicídio no “Agora é com Abranches”

Redação Band Vale

Especialista em técnicas de prevenção ao suicídio, o major Diógenes Munhoz foi o convidado do programa “Agora é com Abranches” deste sábado (10) na tela da TV Band Vale. Assista ao programa na íntegra neste vídeo.

No programa comandado por Carlos Abranches, Diógenes Munhoz falou sobre a importância de aplicar as técnicas corretas para prevenção de suicídios. Ao longo de sua carreira, ele evitou 55 suicídios.

“As pessoas sofrem em silêncio. Muitas vezes por orgulho. Às vezes, o grito (de socorro) não é audível, mas ele está lá no interior de algumas pessoas. Cabe a nós ouvi-los. Não com o ouvido. Mas com a leitura do pedido de socorro", disse durante a entrevista.

Diógenes Munhoz é idealizador da técnica e do curso de abordagem a tentativas de suicídio. Além de integrar o Corpo de Bombeiros há mais de 20 anos, ele também é diretor da Abeps (Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio).

Para saber mais sobre sua atuação acesse o seu site.

Fonte: https://www.band.uol.com.br/band-vale/noticias/major-diogenes-munhoz-fala-de-tecnicas-de-prevencao-ao-suicidio-no-agora-e-com-abranches-16358950