
Blog destinado à coleta e disseminação de informações sobre prevenção do suicídio e valorização da vida
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Os mitos da depressão

terça-feira, 23 de junho de 2009
Velocidade sem motivo, sem rumo certo...

Surgida na Revolução Industrial, a valorização da velocidade foi incorporada ao cotidiano e, atualmente, é tratata como natural
Luciana La Fortezza
A Revolução Industrial deu “start” à idéia de velocidade. Com o tempo, ela foi incorporada e naturalizada. Passou a integrar o próprio espírito humano, explica o antropólogo Cláudio Bertolli, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Ficou uma noção muito clara na nossa consciência de que a vida é curta. Sendo curta, precisa ser aproveitada com uma multiplicidade de atividades”, analisa.
O resultado é um conjunto de novas neuroses. “Por um lado, as pessoas sentiram que fizeram muitas coisas. Por outro lado, sentem que não viveram esse conjunto de atividades porque foram realizadas rapidamente”, comenta o antropólogo. Atualmente, a lógica capitalista da rapidez nos faz considerar até doente quem não a assimila, quem não vive sob o lema “tempo é dinheiro”, diz Bertolli. Na contramão, alguns grupos bem restritos tentam rever essa noção.
“Os hippies fizeram isso lá nos anos 60. Por que não saímos desse espaço urbano, que nos incita a fazer mais e mais, e vamos nos recolher em comunidades rurais? A busca da chamada tranqüilidade acaba sendo interessante. O mundo capitalista se aproveita disso, inclusive. As pessoas recebem inúmeros e-mails de hotéis-fazenda convidando para espairecer, para fazer as coisas mais devagar”, destaca o professor. Ele explica que rapidez também está associada ao modernismo. A poesia “Bauru”, de Rodrigues de Abreu, por exemplo, elogia o movimento.
“A vida nunca é pensada parada. Fomos tão treinados, tão disciplinados, que não percebemos nenhum tipo de velocidade. Falamos rápido, dirigimos rápido, casamos, descasamos. Todo esse agito passou a ser normal. Só enxergamos a velocidade no outro. A nossa, não reparamos”, pondera o antropólogo. A mesma pessoa que critica excessos também os comete, ele afirma. Quanto à contradição da exigência da velocidade no cotidiano e a proibição delas nas ruas, Bertolli esclarece que o homem entende a realidade a partir da fragmentação.
Comportamento
“Sempre aspiramos ao total, ao holístico, mas não tivemos essa capacidade de olhar o todo. O próprio saber foi dividido - em história, geografia, filosofia, por exemplo”, acrescenta o professor da Unesp.
A velocidade também está relacionada à onipotência. “Eu tenho o controle do carro, da direção, acabo me auto-afirmando. O excesso de velocidade é um comportamento estudado pela psicologia muito mais em adolescentes e adultos jovens”, acrescenta o psicólogo e professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) Marcelo Mendes.
Ele também é coordenador do curso de perito e examinador do trânsito. “Nessa fase, pelo próprio desafio, pelos próprios enfrentamentos, na busca de quem eu sou, o carro passa a ser uma ferramenta de auto-afirmação. Hoje, o carro serve para o trabalho, para o lazer. Ter um carro está muito associado à condição social. As pessoas estão muito mobilizadas a ter um meio de locomoção, ter o melhor carro. Isso tem relação com status, com popularidade”, analisa o psicólogo.
Mendes defende políticas institucionais de educação para o trânsito. “É carente para o adolescente. O ensino fundamental tem trabalhado algumas coisas de tolerância, de valores. Só que, para adolescentes, há carência de políticas públicas de valorização da vida. De não usar o carro como arma, de não valorizar o excesso de velocidade”, conclui.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Bullying e suicídio

domingo, 21 de junho de 2009
Ações de prevenção ao suicídio em Porto Rico

08/06/2009
Leysa Caro González
Bajo el lema “Yo amo la vida 24/7”, el Departamento de Salud lanzó hoy una campaña mediática para la prevención del suicidio.
Las estadísticas del Instituto de Ciencias Forenses reflejan que, en lo que va del año, en la Isla se han reportado 132 suicidios. De éstos, 126 son hombres y 6 son mujeres.
“Esta campaña es parte de un agresivo plan de acción que creó la Comisión de Prevención del Suicidio con la meta de erradicar el comportamiento suicida en la población puertorriqueña para mejorar la calidad de vida de nuestro pueblo”, señaló el secretario de Salud, Jaime Rivera Dueño.
Durante la presentación de la campaña, Rivera Dueño anunció además la disponibilidad de la Línea PAS, la cual está disponible 24 horas al día para ofrecer orientación y ayuda a las personas que estén atravesando por algunas situación de necesidad. De hecho, esta línea ha reflejado un aumento en su número de llamadas en los últimos tres meses de un 25%, lo cual se le atribuye en gran manera al anuncio de los despidos de 30,000 empleados públicos.
”Lo principal para prevenir el suicidio es conocer y poder identificar a tiempo las señales de peligro, como comportamiento agresivo, uso excesivo de drogas y alcohol, cambio en los hábitos de comer y dormir, cambios de personalidad, entre otros”, destacó el titular de Salud.
http://www.primerahora.com/diario/noticia/otras/noticias/salud_lanza_campana_de_prevencion_del_suicidio/304924
Buscan orientar a estudiantes para prevenir suicidio
16/06/2009
La Cámara de Representantes llevaría hoy a votación una medida que busca enmendar la ley orgánica del Departamento de Educación para incluir, en el currículo general de enseñanza de todos los niveles, módulos orientados a la prevención del suicidio.
El proyecto, de la autoría del representante Gabriel Rodríguez Aguiló, tiene el propósito de insertar al Departamento de Educación entre los llamados a lograr que se haga una realidad la política pública de prevención del suicidio, según un comunicado cameral.
La exposición de motivos de la medida destaca que en Puerto Rico el suicidio entre adolescentes "es una trágica realidad" que podría evitarse si los jóvenes contaran con las herramientas necesarias para entender que no importan las circunstancias que se estén pasando en la vida, siempre hay una solución posible.
"Entendemos que la escuela es el mejor lugar para sentar las bases de la importancia de la salud emocional y el lugar para proveer a nuestros niños y jóvenes de unas herramientas útiles para el manejo de las crisis emocionales", sostiene el proyecto.
http://www.primerahora.com/diario/noticia/politica/noticias/buscan_orientar_a_estudiantes_para_prevenir_suicidio/307240
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Associação Paraguaia de Prevenção do Suicídio promove evento

quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mitos sobre o suicídio e outros temas: Sergio A. Pérez Barrero

quarta-feira, 17 de junho de 2009
Entrevista com o dr. Jan A. Fawcett: transtorno bipolar e suicídio
terça-feira, 16 de junho de 2009
Texto simples e clássico sobre a depressão e suicídio

A grande maioria das pessoas não gosta de falar ou ouvir falar sobre o suicídio. O apego à vida é natural em quase toda a gente. As pessoas desejam viver e ter saúde. Desejar a morte e agir pondo em causa a própria vida é estranho e pouco ou nada compreensível para a esmagadora maioria das pessoas. E, no entanto, é importante conhecer o problema do suicídio, de modo a ajudar a prevenir essa trágica situação.
Este pequeno texto visa informar de forma sucinta e prática o leitor sobre a questão, numa perspectiva médico-psicológica.
«Não tenho vontade de viver»
Quando alguém pensa ou diz: «Não tenho razão para viver (...); Não tenho vontade de viver, preferia morrer… seria um alívio morrer». Quando alguém, de modo ainda mais claro afirma: «Tenho a ideia de pôr termo à vida».
Ou ainda, quando alguém, levado por um estado de desespero, agiu para preparar o acto de suicídio (e o suspendeu, hesitou...), ou tentou e não o consumou, porque sobreviveu.
Em situações como as descritas ou idênticas, estamos perante um risco para a vida que nos cumpre consciencializar de forma que, quem precisa, tenha a ajuda necessária para vencer o desespero.
Desde logo é preciso tomar consciência de que na maioria dos casos as ideias de suicídio e as tentativas de suicídio são uma manifestação de várias doenças psíquicas, e muito em especial da depressão. Quem tenha passado por uma crise depressiva sabe muito bem o sofrimento, as tormentas que atravessou, mesmo que outros não possam entender a doença do desespero, do desinteresse, da fraqueza, da angústia, da culpa, do desapego à existência, do desespero máximo, que pode culminar no suicídio.
Alguém que sofre ou tenha sofrido uma depressão grave sabe bem que os sentimentos de desespero e as ideias de suicídio são os sintomas mais assustadores. Resiste-se a uma grave doença física, é precisa mais coragem ainda para enfrentar e vencer o sofrimento psíquico de uma grave depressão!
A alguém que esteja nessa situação desesperada, impõe-se uma ajuda urgente:
Conte ao seu médico. As ideias de suicídio são um sinal que é indispensável a ajuda médica para o tratamento que irá aliviar o seu sofrimento.
Conte a uma pessoa amiga e em quem confia. Uma pessoa que o possa compreender, com quem possa abrir-se, que possa aconselhar. Uma pessoa que não exerça uma crítica preconceituosa, que o rejeite e desvalorize, mas que seja solidária consigo, que veja no seu desespero uma manifestação da perturbação emocional, da doença, e de uma grande necessidade de ajuda, e de tratamento.
O tratamento da depressão pode não ser imediatamente eficaz. A pessoa pode chegar a descrer de tudo, até da possibilidade de melhorar. Mas é quase certo que se persistir, se aceitar e seguir as medicações e os tratamentos propostos, irá recuperar. A regra essencial é não desistir, lembrar-se que já em outras ocasiões, em crise anterior, conseguiu superar a doença. Por vezes leva algum tempo até acertar a terapêutica e a medicação que vai ajudar. A depressão pode levá-lo a descrer na própria eficácia e utilidade do tratamento, mas com algum tempo o túnel do desespero irá acabar.
Há muitos estudos sobre factores de risco de suicídio. O factor mais importante é, sem dúvida, a doença psíquica. Quando não tratadas, as depressões mais graves são doenças que se acompanham de risco de suicídio, tanto em doentes bipolares, como em unipolares. Doenças como a esquizofrenia, perturbações ansiosas graves, a dependência do álcool e das drogas em geral, são também perturbações psiquiátricas que podem predispor ao suicídio, no caso de não serem tratadas e conduzirem a situações de desespero prolongado. Quando se junta à doença (e, em parte por causa da doença), o isolamento da pessoa, o seu desenraizamento, a falta de apoios, a falta de tratamento, e complicações aparentemente insolúveis no viver, nesse caso, os riscos para um acto desesperado podem aumentar mais.
Mas haverá sempre uma solução. A vida é feita de altos e baixos. Poderá haver ajuda, terá de ser encontrada. Se for indispensável, o doente será hospitalizado, para uma terapêutica mais intensiva e controlada.
Um episódio de ideias de suicídio é sempre temporário. Os que sobrevivem a essa fase mais negra e arriscada olharão para trás, depois de recuperarem a saúde, sem perceber como lhes aconteceu esse pesadelo, essa doença que lhes retirara toda a esperança. O risco de suicídio é maior nas primeiras crises de depressão, pois a pessoa aprende com a experiência e verificar que as crises passam, aprende a reconhecer a doença como uma doença que se trata, melhora e pode prevenir.
Os familiares e os amigos da pessoa que sofreu uma grave crise com ideias de suicídio devem reconhecer o mal pelo que é, uma doença, uma perturbação emocional, de que quem sofre não é culpado. O que a pessoa precisa é de ajuda, compreensão, comunicação, e, sempre e quando for necessário, do tratamento médico e psicológico.
As ideias de suicídio, tal como outros sintomas da depressão, podem ser tratadas. Para que possa ser ajudado/a, o seu médico ou outros profissionais da saúde deverão saber o que se passa consigo, quais os seus pensamentos e sentimentos. Só se forem convenientemente informados, por si que sofre ou por alguém que melhor sabe do que se passa consigo, poderão tomar as medidas terapêuticas necessárias, ajustar a medicação ou modificar o tratamento.
O controle adequado de uma crise depressiva, a prevenção e a atenuação dos sintomas, fazem com que volte a acreditar na vida e a viver.
Fonte: http://www.serafimcarvalho.net/sm06.asp?idp=4
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Texto simples e clássico sobre o suicídio

Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro, Doutora em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Suicídio é a trágica e intempestiva perda de vida humana. O mais devastador e perplexo de tudo é que é representado por um ato da vontade.
A palavra suicídio deriva do latim e significa: sui = si mesmo e caedes = ação de matar, isto é, a morte de si mesmo. Os atos suicidas são definidos como comportamentos potencialmente autolesivos com evidência de que a pessoa pretendia se matar. O resultado de um ato suicida pode variar desde a não ocorrência de lesão até a morte. São subdivididos em tentativas de suicídio e suicídio (completo ou exitoso). As tentativas de suicídio são classificadas como sendo com ou sem lesão.
Tentativas de suicídio deveriam ser encaradas com seriedade, como um sinal de alerta revelando a atuação de fenômenos psicossociais complexos. As reduções nos índices de suicídio e de tentativas de suicídio são dois dos objetivos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde no documento "Saúde para todos no ano 2000” (WHO, 1992).
O grau de intenção suicida de uma pessoa deve ser considerado como um ponto num continuum: de um lado está a certeza absoluta de matar-se e no outro extremo está a intenção de seguir vivendo. A condiçãosine qua non do suicídio é uma morte em que o sujeito é, ao mesmo tempo, o agente passivo e ativo, a vítima -o desejo de morrer e o desejo de ser morto - e o assassino - o desejo de matar. Na intencionalidade do comportamento suicida deve-se levar em conta: 1. a possibilidade ou impossibilidade de reversão do método empregado para morrer; 2. as providências que tornam possíveis a ação de terceiros; 3. quando esta intervenção ocorre e pode-se inferir que a intencionalidade seja mínima. Avaliar o grau de gravidade de uma tentativa de suicídio pode ser uma tarefa bastante difícil, pois são atos intencionais de auto-agressão que não resultam em morte, desde atos discretos e velados de ameaça a própria vida, alguns deles talvez com o objetivo de ganhar atenção, até situações graves que necessitam de atendimento médico hospitalar. A noção de que a ideação suicida varia dentro de um continuum, ocorrendo desde idéias não especificadas como “a vida não vale a pena” ou “eu queria estar morto”, para idéias específicas que se acompanham de intenção de morrer e/ou de um plano de suicídio.
A intenção suicida genuína é freqüentemente ambivalente em relação a morte e a firmeza do propósito pode ser variável. Esses pacientes têm humor disfórico, com sentimento de inutilidade, falta de esperança, perda da auto-estima e desejo de morrer. Há o sentimento de dos três “is”: intolerável (não suportar),inescapável (sem saída) e interminável (sem fim). Suicidas potenciais podem se arrepender e procurar ajuda após o ato. O alívio, após a tentativa, faz a pessoa refletir sobre seu ato.
Identificando intenção suicida: a comunicação prévia de que iria ou vai se matar, mensagem ou carta de adeus, planejamento detalhado, precauções para que o ato não fosse descoberto, ausência de pessoas por perto que pudessem socorrer, não procurou ajuda logo após a tentativa de suicídio, método violento ou uso de drogas mais perigosas, crenças de que o ato seria irreversível e letal, providência finais (conta bancária, providenciar a escritura de imóveis, seguro de vida) antes do ato, afirmação clara de que queria morrer, arrependimento por ter sobrevivido.
Entre os jovens deve-se estar alerta para o abuso ou dependência de substâncias psicoativas associado a depressão, incluem: tentativa suicida prévia, idéias suicidas, sentimentos de desesperança e problemas de abuso de substâncias, luto, acesso fácil ao método do suicídio e falta de apoio social. Outras situações estressantes habituais na adolescência são as mudanças físicas e psíquicas, busca da identidade e autonomia, e relacionamentos com grupos que favoreçam comportamentos destrutivos: atividade sexual precoce e sem proteção, porte de armas, delinqüências, lutas corporais, tabagismo excessivo e intoxicação por álcool e pobre gerenciamento da rotina dos filhos por parte dos pais.
Indicativos de repetição de tentativa de suicídio: história prévia de hospitalização por auto-agressões, tratamento psiquiátrico anterior, internação psiquiátrica prévia, transtorno e personalidade anti-social, alcoolismo / drogadição e não estar vivendo com a família.
Fator precipitante: A intoxicação por álcool é um potente fator no momento da morte. Três características marcam o ato suicida praticado por alcoólatras deprimidos: a impulsividade da tentativa, aumento do consumo de álcool na véspera e intoxicação alcoólica precedendo a tentativa. A presença de uma arma de fogo em casa é o mais poderoso fator, principalmente em adolescentes.
Fatores de risco: Conhecer os fatores de risco auxilia a dissipar o mito de que o suicídio seja um ato aleatório ou que resulte unicamente de sofrimento. O risco de suicídio aumenta com a idade, atinge seu maior nível após os 65 anos. É duas a três vezes mais freqüente em homens que em mulheres. Os divorciados e viúvos são os mais atingidos (quatro vezes mais que os casados), sendo seguidos pelos solteiros (duas vezes mais), os casados são os menos afetados. A proteção oferecida pelo casamento é bem mais importante para os homens que para as mulheres. A gravidez e a maternidade são fatores protetores para as mulheres, embora uma gravidez não planejada, sobretudo na adolescência pode precipitar tentativa de suicídio. Há uma correlação positiva entre desemprego e suicídio, especialmente entre os homens. Estudos de história familiar mostram aumento de suicídio em famílias com vítimas de suicídio. Níveis cerebrais reduzidos de serotonina ou de seu metabólito, o ácido 5-hidroxi-indol-acético (5-HIAA), têm sido encontrados em vítimas de suicídio ou de graves tentativas. A história prévia de tentativa de suicídio é considerada um forte preditor de suicídio posterior, aumentando em cerca de 40 vezes nestes indivíduos em comparação com a população geral.
Abordagem das tentativas de suicídio: consiste nos cuidados iniciais à saúde, se emergência clínica e/ou cirúrgica, assegurar o bem-estar físico, evitando as complicações médicas decorrentes do ato. O médico do pronto-socorro deverá decidir se a vítima deve ser levada para a unidade de terapia intensiva (UTI), para o Centro cirúrgico ou ortopédico, setor de endoscopia ou clínica de queimados, ou as condutas nos casos de envenenamento. Poderá ser encaminhado ao ambulatório de saúde mental ou se deve ser transferido para uma unidade psiquiátrica pela presença de risco ou de transtorno psiquiátrico que necessite de tratamento especializado.
Após o exame clínico usual, devem ser investigados os recursos do paciente: avaliar a capacidade de elaboração, de resolução de problemas, os recursos materiais (moradia e alimentação), o suporte familiar (família próxima ou confiável), social, profissional e de instituições, e os eventos precipitantes: levantar todas as circunstâncias e motivações que deflagraram o ato. É freqüente a presença de vários fatores estressantes, ou problemas psicossociais crônicos, problemas policiais ou pendência judicial, perda de ente querido, luto, doença física crônica, desemprego, eventos de vida adversos na presença de depressão. Os conflitos interpessoais, como brigas, desentendimentos, separações, podem precipitar 50% das tentativas.
A hospitalização é indicada de acordo com o grau de risco potencial de suicídio, principalmente se o paciente não colabora, apresenta um transtorno mental grave que prejudica a sua crítica frente à situação e não possui uma rede de suporte familiar. Algumas vezes, uma hospitalização precipitada pode ser prejudicial ao paciente frente a uma avaliação errônea do risco de suicídio. Após a escolha do ambiente terapêutico (hospital, ambulatório, domicílio). A medicação adequada deve ser indicada e manuseada por profissionais habilitados com a dosagem, efeitos colaterais e interações medicamentosas, levando-se em conta as condições físicas do paciente, além da idade e peso. Grande vigilância faz-se necessária no início do tratamento com antidepressivos, pois eles demoram dias a semanas para alcançarem efeito terapêutico. O tratamento com eletroconvulsoterapia (ECT) deve ser cogitado naqueles casos graves, com forte determinação para o suicídio. Esse tipo de terapêutica não deve ser visto com preconceito, pois é um tratamento eficaz e seguro para diversos quadros psiquiátricos com risco de suicídio. O seu benefício ao paciente está relacionado diretamente à sua indicação oportuna e adequada, como na cardioversão. Em outros mais leves, encaminhamento para psicoterapia. A família e o paciente devem ser exaustivamente orientados e esclarecidos quanto à proposta terapêutica. Uma internação domiciliar pode ser uma alternativa razoável. Isso é possível quando há baixo risco de suicídio, supervisão disponível e suporte adequado em casa. Os familiares e amigos devem revezar-se na tarefa de vigilância. Sentimentos e comportamentos como choque, confusão, negação, inquietação, regressão, desesperança e estado de alerta são comuns nos familiares.
A vigilância deve ser providenciada com o intuito de garantir a segurança do paciente: 1. retirar da casa medicamentos potencialmente letais, armas brancas e armas de fogo; 2. manter abstinência de álcool e drogas que possuem efeitos desinibitórios; 3. evitar locais elevados e sem proteção, pelo risco de se jogar; 4. evitar que o paciente fique sozinho, ou trancado em um recinto. Pode ser realizado um contrato de"não-suicídio" (verbal ou escrito), que consiste em o paciente concordar em não realizar ato auto-agressão e relatar a um familiar se tiver desejos suicidas.
Prevenção: Dirigem-se à melhora da assistência clínica ao indivíduo que já luta contra idéias suicidas ou ao indivíduo que precise de atendimento médico por tentativa de suicídio; e abordagens que possam reduzir a probabilidade do suicídio antes que indivíduos vulneráveis alcancem o ponto de perigo. “Prevenir é melhor que remediar”.
Comentários Finais
Em termos de tratamento e prevenção do suicídio, é provável que a redução considerável de morbidades psiquiátricas (Transtorno Afetivo Bipolar, Esquizofrenia, Transtorno de dependência à substancias psicoativas, transtorno de personalidade etc) na população deve também diminuir o risco de suicídio. No entanto, dado o pequeno conhecimento sobre o valor preventivo das diversas intervenções existentes e que apenas uma pequena parcela de paciente com risco de suicídio recebem o tratamento adequado. Os esforços dos dirigentes de saúde pública devem concentrar-se em:
- Projetos educativos, com o intuito de aumentar o conhecimento público e profissional dos fatores de risco para o suicídio;
- Melhorar o sistema de saúde, para que possa garantir o acesso precoce a avaliações clínicas adequadas, aumentar a segurança e a efetividade dos tratamentos para os transtornos psiquiátricos com alto risco de suicídio; e
- Investigações sobre a prevenção de suicídio, as quais através de pesquisas médicas podem esclarecer os benefícios e riscos específicos dos tratamentos médicos e intervenções psicossociais que possam prevenir o suicídio.
O determinismo multifatorial do suicídio impõe-nos, de início, analisar cada fator de risco com prudência. As correlações estatísticas não são as causas; elas nos permitem formular hipóteses de certeza variada. Somente estudo prospectivo de avaliação de métodos de prevenção que procurem resposta para essas hipóteses pode permitir o engajamento de uma adequada política de profilaxia relacionada ao suicídio.
A autora deste artigo é co-autora do livro Suicídio: estudos fundamentais.
http://www.fenix.org.br/material/suicidio_texto.doc
domingo, 14 de junho de 2009
Questões instigantes...
O suicídio é um fenômeno complexo, cujas causas são, de modo geral, multafatoriais. No entanto, parte das pesquisas que investigam as causas ou meios de prevenção, isolam alguns elementos "possivelmente determinantes" e os resultados alcançados (e publicados!) nos dá a sensação de que "soluções fáceis" poderiam resolver os problemas em torno da questão. Eis abaixo uma amostra do que acabamos de comentar. Lítio na água pode prevenir suicídios ![]() Um estudo realizado no Japão indica que a ocorrência de níveis ligeiramente mais altos de lítio na água potável está relacionada a taxas mais baixas de suicídio na população. O lítio, elemento químico facilmente encontrado na natureza, é também usado como medicamento no tratamento de distúrbios de humor, particularmente do transtorno bipolar. Uma pesquisa anterior (1990) já havia sugerido que concentrações mais altas da substância na água potável que abastece determinadas localidades se correlacionavam com incidências mais baixas de crimes e tentativas de suicídio. No estudo que acaba de ser publicado no The British Journal of Psychiatry, psiquiatras da Universidade de Oita observaram efeito semelhante. Oita é uma região administrativa do Japão formada 18 municípios, com uma população total de 1,2 milhão de habitantes. A concentração de lítio na água potável que abastece essas cidades é muito baixa, mas bastante variável (entre 0,7 e 59 microgramas/litro), o que permitiu detectar taxas de mortalidade por suicídio significativamente menores onde a concentração do elemento na água era maior. Os resultados do estudo suscitam questões eticamente delicadas. Já que baixíssimas concentrações de lítio aparentemente não têm conseqüências para as pessoas saudáveis, seria aceitável suplementar a água potável de populações inteiras para diminuir o risco de suicídio em um pequeno grupo de pessoas com transtorno de humor? Segundo os autores, ainda é cedo para se pensar nisso; mais estudos são necessários para se avaliar os possíveis custos e benefícios de tal medida. Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/litio_na_agua_pode_prevenir_suicidios.html |
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Diagnóstico precoce da depressão = menos suicídios...

quinta-feira, 11 de junho de 2009
Replicando: alerta sobre intoxicação e tentativas de suicídio

Replicando: notícia em torno de ações efetivas de prevenção do suicídio

terça-feira, 9 de junho de 2009
Já aconteceu, mas o tema é importante...
ABP promove debate sobre papel da mídia na prevenção do suicídio

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o suicídio aumentou 60% nos últimos 45 anos, passando a figurar entre as principais causas de óbito na população jovem.
Trata-se também de um problema de saúde pública – estima-se que a cada 35 segundos uma pessoa morre por ato suicida, sendo que para cada um desses óbitos há no mínimo cinco pessoas cujas vidas são profundamente afetadas emocional, social e economicamente.
No Brasil, as estimativas apontam que a cada hora morre uma pessoa por suicídio.
Consciente da complexidade do tema e das dificuldades da mídia no tratamento do assunto, a ABP quer ouvir os profissionais de imprensa para dirimir dúvidas, além de prestar esclarecimentos e orientações.
O objetivo é discutir alternativas para a ampliação do papel da mídia na prevenção ao suicídio e encontrar, em conjunto com os jornalistas que fazem a cobertura de saúde no Brasil, alternativas éticas para este esclarecimento à população.
Debate O papel da mídia na prevenção do suicídio
Data: 05/06/09
Hora: 12h – Auditório Cantareira 5 – 2º andar
Local: Feira Hospitalar – Expo Center Norte
Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo
Fonte: AMB