segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PLANO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL, DIGO, NO PIAUÍ!!

Piauí cria plano de ação para prevenção do suicídio

Além de instituir o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI).

Denise Nascimento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no
Brasil 400 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de transtorno mental. Nesse contexto, o suicídio tem se destacado como um grave e crescente problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

Tendo isso em vista, dentro das políticas da Rede de Atenção Psicossocial, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí tem realizado ações de conscientização para as questões que envolvem a saúde mental. Uma delas é a elaboração, em parceria com outras instituições, do plano de ação para prevenção do suicídio que visa à sistematização e organização do fluxo de atenção e cuidado à saúde do paciente em risco de suicídio, buscando a redução desse agravo de saúde.

O plano prevê medidas como campanhas educativas, ações de promoção em saúde e prevenção de danos, reforçando a ação da atenção primária, visando o fortalecimento e a melhoria da qualidade de vida dessa população. Além disso, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Costa, instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI), composto por equipe multiprofissional e interinstitucional para realização de debates constantes acerca do tema e vigilância das ações.

Uma das principais estratégias adotadas, como explica o secretário Francisco Costa, é “trabalhar a prevenção do suicídio logo na atenção básica, sensibilizando as equipes de Estratégia da Saúde da Família e capacitando os agentes comunitários de saúde para que eles estejam aptos a identificar pessoas com comportamentos autodestrutivos e fazer os encaminhamentos necessários para o tratamento adequado”.

Outra ação é a elaboração de um aplicativo como ferramenta que permita os professores, no âmbito da educação tanto no nível fundamental, médio como no superior, detectarem precocemente pessoas com sofrimento psíquico que podem levar ao suicídio. O Estado também irá fomentar pesquisas científicas junto ao grupo de estudo sobre prevenção ao suicídio nas Universidades e Faculdades.

Como dispositivos de assistência, o Estado oferece gratuitamente acesso a hospitais, centro de acompanhamento e programas de cuidados em Saúde Mental. Atualmente, o Piauí possui 62 Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e implementou leitos psicossociais na rede hospitalar.

Realidade no Piauí
O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes superior à do Brasil. Enquanto a taxa do Estado é de 7,6, a do país é de 5,3. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Estado da Saúde apontam que nos anos de 2015 e 2016 foram registrados 541 óbitos por suicídio no Estado.

A notificação das tentativas de suicídio também vem aumentando em todos os anos, em 2015 foram 603 tentativas, já no ano seguinte foram 724, totalizando 1.327 casos. A faixa etária com maior número de óbitos por suicídio está entre 20 e 29 anos. Além disso, Teresina ocupa o 1º lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes, e em 2º lugar na população jovem entre 15 e 24 anos.

Fonte: http://www.piaui.pi.gov.br/noticias/index/categoria/2/id/29449

Ainda a prevenção do suicídio nas forças policiais em Portugal

Prevenção do suicídio

Os investigadores da PJ também se emocionam e também ‘quebram’.

Ricardo Valadas

O recente estudo apresentado sobre o fenômeno do suicídio nas polícias refere que 28,1% dos profissionais que se suicidaram tinham hábitos alcoólicos excessivos, e que na maioria dos casos, as causas se centram em problemas pessoais, que "afetam todo e qualquer cidadão", tais como conflitos familiares e conjugais.

Na base de muitos suicídios está um fenômeno designado por "Síndrome de Burnout" (SB), que na sua essência, se manifesta num quadro clínico, que passa por irritabilidade, fadiga constante, insônia, incapacidade em relaxar, depressão e lapsos de memória. A SB é sobretudo uma doença ocupacional e manifesta-se mais em profissões que envolvam uma gestão emocional próxima, tais como as polícias, os profissionais de saúde e os bombeiros.

Na PJ, onde é exigido que se interaja com o sofrimento de terceiros e com o vislumbre do fim da sua própria vida, é importante que se pense num programa preventivo e de acompanhamento de todos os profissionais sem exceção.

Os problemas familiares existentes são, na maioria, decorrentes dos problemas profissionais e muitas vezes do stress provocado pelas condições de trabalho e pela falta de descanso. Os investigadores da PJ também se emocionam e às vezes também ‘quebram’.

Fonte: http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/ricardo-valadas/detalhe/prevencao-do-suicidio
- com adaptação à língua portuguesa brasileira

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Suicídio de policiais em Portugal - mais informações

Saúde mental. Suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em nove anos

Nos últimos nove anos, o suicídio foi a causa de morte de 9645 pessoas em Portugal. Resultados de um estudo sobre a prevenção do suicídio e outros comportamentos autolesivos nas forças de segurança revelaram, esta semana, que entre 2007 e 2015 foram registados 89 suicídios entre agentes da GNR e PSP. Analisando os dados globais para o mesmo período temporal, os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam um flagelo de muito maior dimensão. Qual é a estratégia?

Álvaro Carvalho, diretor do Programa Nacional de Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, sublinha que, para já, este estudo feito junto das forças de segurança traz resultados importantes para a prevenção. Embora representem 1% dos suicídios a nível nacional neste período, entre os agentes de segurança – um universo de 40 mil pessoas – estima-se que a prevalência do suicídio seja o dobro da verificada na população em geral. E atuar junto dos grupos com maiores vulnerabilidades, criando uma cultura de prevenção e deteção de sintomas entre pares, é uma das estratégias centrais do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio em vigor no país, sublinha o responsável.

Os dados do INE mostram que o suicídio se tem mantido relativamente estável, na ordem dos mil casos anuais. Foi atingido um pico em 2014, com 1223 óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente, o que fez aumentar a taxa de mortalidade por esta causa no país para 11,8 casos por 100 mil habitantes. Em 2015, os últimos dados disponíveis e divulgados pelo INE na semana passada, o número de suicídios baixou para os 1132 casos, um número ainda assim superior ao que se registava antes da crise económica.

Nestes nove anos, o suicídio tirou a vida a 7398 homens e 2247 mulheres. As estatísticas do INE revelam que é a população de meia-idade e mais velha que está em maior risco. O número de mortes aumenta de forma expressiva a partir dos 40 anos de idade. Entre os 30 e os 40 anos registaram-se 973 casos de suicídio neste período e, entre os 40 e os 49 anos, 1518 mortes; entre os 50 e os 59 anos houve 2369 casos; entre os 60 e os 69 anos registaram-se 1507 casos; entre os 70 e os 79 anos, 1814 casos; e acima dos 80 anos de idade houve 1497 vítimas de suicídio, das quais 651 tinham mais de 85 anos de idade. Já entre os mais jovens registaram-se 106 mortes por suicídio até aos 19 anos de idade e 497 casos entre os 20 e os 29 anos.

Reforçar investigação

Álvaro Carvalho defende que o ideal seria poder avançar com autópsias psicológicas no país para perceber exatamente o contexto das pessoas que cometem suicídio, tal como foi feito no estudo junto das forças de segurança, conduzido pelo psiquiatra Jorge Costa Santos. “Não temos tido meios suficientes nem na medicina legal nem na saúde mental”, reconhece Álvaro Carvalho. “Mesmo que não fossem feitas autópsias a nível nacional, seria importante haver meios para poder desencadear esses processos por amostragem e nas zonas de maior incidência, como o Alentejo litoral”, sublinha o responsável.

Álvaro Carvalho defende que, independentemente do avanço da autópsia psicológica como está previsto no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, seria importante uma “maior profissionalização da investigação dos suicídios por parte das forças de segurança”, dando como exemplo situações de acidentes rodoviárias em que é detetada a presença de drogas nos condutores, mas não é avaliada a hipótese de intencionalidade.

No que diz respeito a grupos de risco, além das forças de segurança, Álvaro Carvalho sublinha que há trabalho a fazer no meio prisional e também junto dos idosos. Atualmente, GNR e PSP têm programas de sinalização de idosos isolados, mas o objetivo, sublinha o responsável, é que em parceria com serviços de saúde, autarquias e agentes de segurança sejam criados planos de intervenção individual junto das pessoas mais vulneráveis que deem recursos em várias dimensões. “Pode ser dar resposta à necessidade de ter alguém com quem conversar ou ajuda para fazer compras”, exemplifica o especialista. Entre os idosos, a solidão e a existência de doença incapacitante são fatores de risco para o suicídio, que em 90% dos casos está ligado a um quadro de depressão.

Ao longo deste período de nove anos, o suicídio tornou-se a principal causa de mortalidade que não doença no país. Foram progressivamente diminuindo as vítimas mortais de acidentes na estrada e, em 2011, o número de mortes por suicídio foi, pela primeira vez, superior ao balanço da sinistralidade rodoviária. Em 2015, os acidentes de transporte provocaram 810 mortes no país e as lesões autoprovocadas intencionalmente tiraram a vida a 1132 pessoas.

Álvaro Carvalho defende que esta tendência resultará mais do efeito da crise económica do que do impacto das estratégias de prevenção. “Está descrito na literatura que, em períodos de crise, diminui a sinistralidade rodoviária e aumenta o suicídio.” Em Portugal, um dos fatores de preocupação nos últimos anos foi um aumento da taxa de mortalidade por suicídio numa população mais jovem.

https://ionline.sapo.pt/546752

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Suicídio de policiais em Portugal e a construção de um plano de prevenção

Associação Sindical dos Profissionais da Polícia defende prevenção do suicídio

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, Paulo Rodrigues, disse hoje que é importante dotar a PSP de instrumentos para prevenção do suicídio, referindo-se ao estudo encomendado pelo Ministério da Administração Interna e hoje divulgado.

"A verdade é que é importante que, a partir deste momento, não se fique só pelas conclusões e se comece a dotar a PSP de instrumentos", afirmou Paulo Rodrigues, explicando que é preciso equipar os gabinetes da PSP com mais psicólogos e montar um programa de prevenção.

Os 89 elementos da PSP e da GNR que se suicidaram entre 2007 e 2015 tinham como perfil comum problemas pessoais ou familiares, se

O estudo "Prevenção do suicídio e comportamentos autolesivos nas forças de segurança", encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao psiquiatra Jorge Costa Santos, indicam também que estes elementos que se suicidaram apresentavam alguns antecedentes pessoais e profissionais, nomeadamente mais casos de divórcios e maior absentismo por doença.

O mesmo estudo defende um reforço de psicólogos e psiquiatras na PSP e GNR para permitir um acompanhamento de proximidade.

"Tem de haver esta conjugação de esforços para que se possa efetivamente fazer uma prevenção, mas tem de se passar à prática, porque há dois anos que estamos à espera que este projeto se inicie para melhorar aquilo que temos, que é muito pouco", salientou Paulo Rodrigues, ressalvando que apenas conhece as conclusões do estudo.

Ainda sobre as conclusões apresentadas, o dirigente salientou que em relação aos suicídios a conclusão "não é de estranhar", lembrando que o ano de 2015 foi "muito complicado" na PSP porque "houve muitos suicídios".

Entre 2007 e 2015, suicidaram-se 51 militares da GNR e 38 agentes da PSP, sendo os anos com maior número 2008 (12) e 2015 (15).

Em 2016, suicidaram-se dois agentes da PSP e dois militares da GNR.

Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/pais/associacao-sindical-dos-profissionais-da-policia-defende-prevencao-do-suicidio_n979802
 
ndo esta a principal causa para o suicídio, revela um estudo hoje apresentado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

André Trigueiro comenta o caso do PM que transmitiu o suicídio ao vivo no Facebook

Recebi uma ligação na manhã de hoje do Jornal Extra repercutindo o suicídio de um PM do Rio que foi transmitido ao vivo pelo facebook. Me ligaram por saberem do meu envolvimento com a causa da prevenção do suicídio e do livro "Viver é a Melhor Opção" que lancei em 2015. Sobre o assunto, gostaria de dizer o seguinte:

- Replicar fotos ou imagens de alguém em situação de extremo desespero ou desalento com a vida (não apenas o suicídio em si) é algo simplesmente abominável. Um desrespeito a pessoa que sofre, e também a quem vier a receber essa informação.
 
- Segundo a Organização Mundial de Saúde, é melhor não reportar casos de suicídio na mídia. Se isso for inevitável (como no caso do ator americano Robins Williams, em 2014) convém evitar generosos espaços com manchetes e imagens, não revelar o método empregado nem enaltecer s qualidades morais do suicida.
 
- Pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente podem registrar notícias sobre suicídios como uma sugestão.
 
- A informação sobre suicídio que merece destaque na mídia (segundo a OMS) é a seguinte: em 90% dos casos, os suicídios são evitáveis por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis. Um dos principais fatores de risco suicida é a depressão. O PM que virou notícia por essa tragédia tinha um histórico de depressão, e havia sido internado 4 vezes na psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar. Não sabemos como foram esses atendimentos.
 
- Outro fator de risco é o acesso a armas. Soldados das Forças Armadas, Policiais (civis, militares, federais) ou qualquer pessoa que tenha porte de arma precisa ter assistência psicológica e apoio emocional constantes.
 
- Ninguém se mata por uma única razão. Pode haver uma causa preponderante, que jamais responderá sozinha pelo ato extremo de se matar. Suicídio é um fenômeno complexo que não se explica com conclusões precipitadas ou generalizações.
 
- Quem precisa de ajuda (e não tem dinheiro sobrando) pode procurar os CAPs (Centros de Apoio Psicossociais), os serviços gratuitos oferecidos por Faculdades de Psicologia espalhados pelo Brasil e o CVV - Centro de Valorização da Vida - pelo número 141.
 
- Amigos e parentes devem acompanhar eventuais comportamentos estranhos de reclusão social, não compartilhamento de informações, sucessivas queixas ou declarações que remetem a uma situação limite, falta de esperança ou de qualquer saída possível. Em se confirmando isso, não despreze a possibilidade de haver aí algum sinal indicando risco de suicídio.
 
A vida é para ser vivida.
 
Quando não estamos de bem com a vida, precisamos procurar ajuda. 
 
As crises passam. Nós devemos seguir adiante.
 
Fonte: André Trigueiro

domingo, 15 de janeiro de 2017

Suicídio entre indígenas e o barulho que isso pode causar...

O título é provocativo. No Brasil, há quase uma epidemia de suicídio entre os nossos indígenas. Muito pouco se faz para se evitar. Se que é se faz!

Espero que notícias envolvendo os nativos do Quebec, no Canadá, traga algum benefício para guaranis kaiowás ou ticunas...

Suicídios em comunidade indígena do Quebeque "eram evitáveis"

Um inquérito sobre uma série de suicídios numa comunidade indígena do Quebeque questiona o sistema de reservas nativas no Canadá, classificando-o como regime de apartheid, ao qual "é tempo de pôr um fim".

O relatório, publicado no sábado pelo gabinete de medicina legal do Quebeque, conclui que os suicídios de cinco pessoas, incluindo quatro mulheres, ocorridos em 2015 numa pequena

Segundo o médico-legista Bernard Lefrançois, "o problema maior de base reside no regime de apartheid" no qual os nativos estão sujeitos há 150 anos.

"A lei sobre os índios, que é arcaica e antiquada, estabelece dois tipos de cidadãos: os autóctones e os não autóctones", sustenta.

Os autóctones, que "estão sob um regime à parte, foram instalados em reservas nas quais não se podem desenvolver nem emancipar-se", assinala, defendendo que "é tempo de pôr um fim a este regime de apartheid".

Os suicídios alvo de investigação aconteceram entre fevereiro e outubro de 2015, na pequena comunidade Uashat Mak Mani-Utenam, no nordeste do Quebeque.

De acordo com o relatório, as comunidades autóctones são mais atingidas por desemprego, pobreza, consumo de álcool e drogas, criminalidade, violência conjugal, insucesso escolar e o suicídio, sendo que, neste último caso, a taxa é duas vezes superior à média nacional.

O documento sugere ao governo federal canadiano a criação de um centro de prevenção do suicídio entre os índios.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/723166/suicidios-em-comunidade-indigena-do-quebeque-eram-evitaveis

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Suicídio no Japão: os karoshi

Karoshi, segundo a Wikipédia, "pode ser traduzido literalmente do japonês como "morte por excesso de trabalho", é a morte súbita ocupacional. Embora esta categoria seja abrangente, o Japão é um dos poucos países que relatam estes casos nas estatísticas em uma categoria separada. As principais causas médicas das mortes pelo karoshi são ataque do coração e derrame devido a estresse.

Pode levar também ao suicídio, conforme o relato dos jornalistas nesta matéria da BBC.

Como suicídio de funcionária exausta levou à renúncia do presidente de gigante japonesa
29 dezembro 2016

O presidente da principal agência de publicidade do Japão anunciou sua renúncia ao cargo após o suicídio de uma funcionária que se dizia física e mentalmente exausta por causa do excesso de trabalho.

Tadashi Ishii liderava a Dentsu, uma gigante nipônica de publicidade, e assumiu a responsabilidade pela morte da jovem. Ele afirmou que vai tornar a renúncia efetiva na próxima reunião da diretoria da empresa, em janeiro.

Matsuri Takahashi tinha 24 anos e trabalhava na companhia havia sete meses quando pulou da janela de um prédio onde morava - que era da própria Dentsu - na noite de Natal de 2015.

O caso veio à tona nesta semana, depois da decisão do Ministério do Trabalho japonês de processar a empresa pela morte dela.

O governo chegou a fazer uma investigação e uma varredura na Dentsu para obter informações sobre as práticas de trabalho. Foi determinado que a empresa descumpriu as leis trabalhistas e, portanto, tem responsabilidade legal pela morte da jovem.

Na última quarta-feira, a empresa admitiu que cerca de 100 trabalhadores ainda faziam cerca de 80 horas extras por mês.

Exausta

As mortes por excesso de trabalho são um problema tão grande no Japão que já existe até um termo para descrevê-las: "karoshi".

Antes de se matar, Takahashi deixou um bilhete para a mãe, no qual escreveu: "você é a melhor mãe do mundo, mas por que tudo tem que ser tão difícil?".

Semanas antes da morte, ela escreveu uma mensagem nas redes sociais em que dizia: "quero morrer". Em outra, alertava: "estou física e mentalmente destroçada".

Contratada em abril do ano passado, a jovem chegava a fazer cerca de 105 horas extras por mês.

Além disso, a família acusou a empresa de obrigá-la a registrar menos horas do que de fato trabalhava. Em muitos casos, o registro mostra que ela trabalhou 69,9 horas por mês, perto do máximo de 70 horas permitidas, mas a cifra era bem maior.

Takahashi havia acabado de se formar na prestigiosa Universidade de Tóquio e expunha as condições duras de trabalho na sua conta no Twitter, onde detalhava jornadas de até 20 horas diárias.

A carga horária disparou em outubro de 2015, quando ela só chegava em casa por volta de 5h, depois de ter trabalhado dia e noite. Além disso, ela não teve nenhum dia de folga em sete meses.

Ao anunciar sua demissão, o presidente da Dentsu afirmou que jamais deveriam ser permitidas essas quantidades excessivas de trabalho.

"Lamento profundamente não ter prevenido a morte da nossa jovem funcionária por excesso de trabalho e ofereço minhas sinceras desculpas", disse Ishii.

Outros casos

A morte de Takahashi não foi a única por esse motivo no quadro de funcionários da Dentsu.

As autoridades concluíram que o falecimento de um jovem de 30 anos, ocorrido em 2013, também teria ocorrido pelo mesmo motivo.

Antes disso, o Ministério do Trabalho havia determinado uma mudança nas práticas de trabalho da Dentsu desde o suicídio de outro empregado, Ichiro Oshima, em 1991, também por causa de carga de trabalho excessiva.

A morte de Ichiro foi a primeira a ser oficialmente atribuída ao trabalho em excesso. Ele havia tirado apenas um dia de folga em 17 meses e só conseguia dormir uma média de duas horas por noite.

Mesmo assim, a empresa argumentou na Justiça em 1997 que o suicídio havia sido motivado por "problemas pessoais".

Mais de 2 mil 'karoshis'

O caso de Takahashi reacendeu o debate sobre o karoshi e levou o governo a aprovar, nesta semana, um pacote de medidas destinadas a prevenir novas mortes.

A sociedade japonesa valoriza estilos de vida que incluem uma extrema dedicação à profissão. Dados oficiais apontam que mais de 2 mil pessoas se suicidam anualmente pelo estresse relacionado ao trabalho excessivo.

Mas a quantidade de mortes pode ser maior se considerados problemas de saúde, como falhas cardíacas ou acidentes vasculares cerebrais, também causados pela prática.

Um relatório apresentado pelo governo em outubro revelou que, em 22,7% das empresas analisadas, alguns empregados fazem mais de 80 horas extras todos os meses.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38461828