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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Suicídio no Japão: os karoshi

Karoshi, segundo a Wikipédia, "pode ser traduzido literalmente do japonês como "morte por excesso de trabalho", é a morte súbita ocupacional. Embora esta categoria seja abrangente, o Japão é um dos poucos países que relatam estes casos nas estatísticas em uma categoria separada. As principais causas médicas das mortes pelo karoshi são ataque do coração e derrame devido a estresse.

Pode levar também ao suicídio, conforme o relato dos jornalistas nesta matéria da BBC.

Como suicídio de funcionária exausta levou à renúncia do presidente de gigante japonesa
29 dezembro 2016

O presidente da principal agência de publicidade do Japão anunciou sua renúncia ao cargo após o suicídio de uma funcionária que se dizia física e mentalmente exausta por causa do excesso de trabalho.

Tadashi Ishii liderava a Dentsu, uma gigante nipônica de publicidade, e assumiu a responsabilidade pela morte da jovem. Ele afirmou que vai tornar a renúncia efetiva na próxima reunião da diretoria da empresa, em janeiro.

Matsuri Takahashi tinha 24 anos e trabalhava na companhia havia sete meses quando pulou da janela de um prédio onde morava - que era da própria Dentsu - na noite de Natal de 2015.

O caso veio à tona nesta semana, depois da decisão do Ministério do Trabalho japonês de processar a empresa pela morte dela.

O governo chegou a fazer uma investigação e uma varredura na Dentsu para obter informações sobre as práticas de trabalho. Foi determinado que a empresa descumpriu as leis trabalhistas e, portanto, tem responsabilidade legal pela morte da jovem.

Na última quarta-feira, a empresa admitiu que cerca de 100 trabalhadores ainda faziam cerca de 80 horas extras por mês.

Exausta

As mortes por excesso de trabalho são um problema tão grande no Japão que já existe até um termo para descrevê-las: "karoshi".

Antes de se matar, Takahashi deixou um bilhete para a mãe, no qual escreveu: "você é a melhor mãe do mundo, mas por que tudo tem que ser tão difícil?".

Semanas antes da morte, ela escreveu uma mensagem nas redes sociais em que dizia: "quero morrer". Em outra, alertava: "estou física e mentalmente destroçada".

Contratada em abril do ano passado, a jovem chegava a fazer cerca de 105 horas extras por mês.

Além disso, a família acusou a empresa de obrigá-la a registrar menos horas do que de fato trabalhava. Em muitos casos, o registro mostra que ela trabalhou 69,9 horas por mês, perto do máximo de 70 horas permitidas, mas a cifra era bem maior.

Takahashi havia acabado de se formar na prestigiosa Universidade de Tóquio e expunha as condições duras de trabalho na sua conta no Twitter, onde detalhava jornadas de até 20 horas diárias.

A carga horária disparou em outubro de 2015, quando ela só chegava em casa por volta de 5h, depois de ter trabalhado dia e noite. Além disso, ela não teve nenhum dia de folga em sete meses.

Ao anunciar sua demissão, o presidente da Dentsu afirmou que jamais deveriam ser permitidas essas quantidades excessivas de trabalho.

"Lamento profundamente não ter prevenido a morte da nossa jovem funcionária por excesso de trabalho e ofereço minhas sinceras desculpas", disse Ishii.

Outros casos

A morte de Takahashi não foi a única por esse motivo no quadro de funcionários da Dentsu.

As autoridades concluíram que o falecimento de um jovem de 30 anos, ocorrido em 2013, também teria ocorrido pelo mesmo motivo.

Antes disso, o Ministério do Trabalho havia determinado uma mudança nas práticas de trabalho da Dentsu desde o suicídio de outro empregado, Ichiro Oshima, em 1991, também por causa de carga de trabalho excessiva.

A morte de Ichiro foi a primeira a ser oficialmente atribuída ao trabalho em excesso. Ele havia tirado apenas um dia de folga em 17 meses e só conseguia dormir uma média de duas horas por noite.

Mesmo assim, a empresa argumentou na Justiça em 1997 que o suicídio havia sido motivado por "problemas pessoais".

Mais de 2 mil 'karoshis'

O caso de Takahashi reacendeu o debate sobre o karoshi e levou o governo a aprovar, nesta semana, um pacote de medidas destinadas a prevenir novas mortes.

A sociedade japonesa valoriza estilos de vida que incluem uma extrema dedicação à profissão. Dados oficiais apontam que mais de 2 mil pessoas se suicidam anualmente pelo estresse relacionado ao trabalho excessivo.

Mas a quantidade de mortes pode ser maior se considerados problemas de saúde, como falhas cardíacas ou acidentes vasculares cerebrais, também causados pela prática.

Um relatório apresentado pelo governo em outubro revelou que, em 22,7% das empresas analisadas, alguns empregados fazem mais de 80 horas extras todos os meses.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38461828

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Indenização à família em razão de suicídio motivado por excessiva carga de trabalho

Um milhão de dólares por um suicídio causado por excesso de trabalho

A manchete acima, colhida hoje em um webjornal espanhol (heraldo.es), nos informa sobre a decisão do  tribunal de Hokkaido, no Japão, de conceder indenização milionária à  família de uma vítima de "karoshi", isto é, "a morte por excesso de trabalho". 

Em outros palavras, "karoshi" é a culminância de um processo que conduz alguém à morte por exaustão ou à decisão de pôr fim à própria vida, pela sobrecarga de trabalho, por ausência de folgas e, quase sempre, por pressões psicológicas que terminam por baixar a auto-estima, induzindo à depressão e, esta por sua vez, agravando ainda mais a situação. 

Enfim, a estreita vinculação entre o risco laboral e o suicídio tem sido objeto de muitos estudos e de decisões legais para a sua prevenção em muitos países.

Mais um alerta!

Un millón de dólares por un suicidio causado por el exceso de trabajo

La familia alegó que el hombre padecía una depresión y que el motivo de su suicidio fue su excesivo trabajo.

Una cooperativa agrícola nipona deberá indemnizar con 100 millones de yenes (1,11 millones de dólares) a la familia de un empleado que se suicidó a causa de la excesiva carga de trabajo, según dictaminó un tribunal de Hokkaido.

De acuerdo con la agencia local Kyodo, el juez Tadahiro Okayama aseguró que el suicidio del trabajador, a sus 33 años, "puede ser atribuido al trabajo".

El magistrado culpó además a la cooperativa para la que la víctima trabajaba de ignorar su seguridad por no reducir su carga laboral.

Los familiares de la víctima, que trabajan para la misma cooperativa en la ciudad de Otofuke, habían reclamado inicialmente 140 millones de yenes (1,56 millones de dólares) como compensación.

La familia alegó que el hombre padecía una depresión y que el motivo de su suicidio fue su excesivo trabajo, que comenzó a incrementarse en junio de 2004.

En abril de 2005, el empleado fue ascendido en la empresa pero recibió diversas reprimendas por parte de su superior y, sólo un mes después, se suicidó en un almacén de la cooperativa.

En 2007 fallecieron 147 personas en Japón debido al "karoshi", un término que el Gobierno japonés reconoció por primera vez en 1992 para designar el suicidio causado por la falta de descanso por las obligaciones laborales.

En ese mismo año, la Asociación Internacional para la Prevención del Suicidio (AIPS), vinculada a la OMS, confirmó que los problemas en el trabajo figuran entre los principales factores de riesgo que pueden desembocar en un comportamiento suicida.

También en 2007, el Ejecutivo nipón aprobó una propuesta de ley presentada por un grupo de trabajo de la Dieta en el que se plantean medidas preventivas concretas similares a las aplicadas en Reino Unido y Finlandia para reducir la tasa de suicidio.

http://www.heraldo.es/index.php/mod.noticias/mem.detalle/idnoticia.37690