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sábado, 9 de abril de 2022

Cidades do ABC oferecem serviços e ações de prevenção ao suicídio 

Amanda Sakumoto (8 abril 2022)


Importante problema da saúde pública, o suicídio é complexo e multicausal, com impacto individual e social, que pode atingir pessoas de diferentes origens, gêneros, culturas, classes sociais e idades. Segundo o Ministério da Saúde, os fatores vão desde os de natureza sociológica, econômica, política, cultural, até psicológicos e psicopatológicos, bem como biológicos. Com olhar sobre o problema, cidades da região ofertam serviços e ações de prevenção ao suicídio, que não ficam concentradas apenas ao mês de conscientização, o Setembro Amarelo.

Em Diadema, além das ações realizadas anualmente no mês de setembro, a cidade possui grupo técnico, com profissionais de diversos setores da saúde (atenção básica, saúde mental, atenção especializada, urgência e emergência, hospital municipal e vigilância sanitária) que promovem a revisão do fluxo de notificação e de atendimentos, com objetivo de agilizar, humanizar e qualificar o acolhimento dos casos pela rede municipal de saúde.

Munícipes que necessitem de acolhimento podem procurar a unidade básica de saúde mais próxima de sua residência ou uma das unidades do CAPS (Centro de Apoio Psicossocial). Os endereços estão disponíveis no site da Prefeitura. Em situações agudas, o atendimento pode ser realizado no pronto-socorro do Hospital Municipal (Avenida Piraporinha, 1682, bairro Piraporinha).

Em nota, a cidade informa que por conta da pandemia, as atividades grupais e de prevenção foram suspensas, mas o atendimento às pessoas em intenso sofrimento psíquico com risco à violência autoprovocada foi mantido. As atividades em grupo, ligadas às violências, são prioridade na retomada feita atualmente.

Ribeirão Pires oferece atendimento nos três CAPS da cidade: Infantil (avenida Fortuna, 320 – Centro), CAPS AD – Álcool e Drogas – (rua Domingos Benzenuto, 12 – Centro) e Adulto (rua Afonso Zampol, 41 – Centro), de segunda sexta-feira, das 8h às 16h. Os endereços dos CAPS estão disponíveis no site ribeiraopires.sp.gov.br.

Em nota, a Prefeitura informa que os profissionais dos equipamentos de apoio psicossocial da cidade realizam intervenções e palestras durante todo ano, destinadas a moradores com idades a partir de 12 anos, além das ações do Setembro Amarelo. No primeiro bimestre de 2022, mais de 7,3 mil pessoas passaram pelos serviços psicológicos da cidade.

Aumento das notificações de lesões autoprovocadas

Em São Bernardo, há atendimento psicológico nas 33 unidades básicas de saúde da cidade, bem como nos nove CAPS e no pronto-socorro de saúde mental 24h. Todos os endereços estão disponíveis no site da Prefeitura. Por meio de nota, a cidade informa que todos os equipamentos desenvolvem atividades permanentes de conscientização e prevenção ao suicídio, com palestras informativas e ações intersetoriais, com matriciamento e monitoramento de casos atendidos em equipamentos municipais de saúde.

O presidente do Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) e secretário da pasta em São Bernardo, Geraldo Reple Sobrinho, aponta que na cidade houve um aumento de 11%, em 2021, nas notificações de lesões autoprovocadas, com maior incidência entre jovens com idades até 35 anos.

Em entrevista ao RDtv, nesta quinta-feira (7/4), Reple afirma que a secretaria de saúde realiza trabalho em parceria com a educação, para levar palestras às escolas, tanto para crianças quanto para os adolescentes, e reforça a necessidade de aproximar a família. “Normalmente quem tem tendência suicida não faz de uma vez; eles vão dando sinais. Quando ocorre essa coisa fatídica, a gente conversa com a família que, nesse momento, percebe que tinha notado algo diferente. Adolescente que se tranca no quarto e fica jogando, às vezes está pedindo socorro e a gente não sabe”, orienta.

A psicóloga Amanda Moretti da Cruz ressalta que é preciso ficar atento aos sinais, mas é necessário entender que, em caso de depressão, por exemplo, não necessariamente a pessoa demonstra tristeza. “É preciso perceber as alterações de humor e de comportamento. Mesmo que a pessoa ainda consiga fazer algumas atividades, como sair para uma festa, não significa que ela não esteja em sofrimento”, explica.

Quanto aos fatores desencadeadores de lesões autoprovocadas ou suicídio, Amanda aponta que podem existir diversos agentes causadores, e reforça que cada indivíduo é único e as situações afetam as pessoas de maneiras diferentes. “Muitas vezes o fator que leva ao suicídio é desconsiderado. É preciso se colocar no lugar do outro, ouvir, entender que aquela dor é válida mesmo que eu não sinta, e se colocar à disposição, mostrar que a pessoa não está sozinha. Incentive à buscar ajuda, não há problema em ter ajuda profissional”, orienta.

Centro de Valorização da Vida

O CVV — Centro de Valorização da Vida promove serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar. O atendimento é feito sob total sigilo e anonimato. Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail.

Além dos atendimentos, o CVV oferece materiais de apoio para ações de prevenção ao suicídio. No site da entidade, é possível encontrar vídeos, artigos e manuais sobre o tema, destinado à jovens, pais e educadores.

Fonte: www.reporterdiario.com.br/noticia/3086086/cidades-do-abc-oferecem-servicos-e-acoes-de-prevencao-ao-suicidio/ 

domingo, 9 de janeiro de 2022

A Finlândia também é aqui, bem ali em Maringá...

A aplicação eficaz dos recursos da saúde é uma questão de... gestão! No mais das vezes não é de ausência ou falta de recursos, mas de sólidas políticas públicas e de quem as aplique.

Os bons exemplos de gestão no Brasil são sempre objeto de admiração, mas raramente de estudo para a devida replicação.

Janeiro Branco: Prefeitura de Maringá tem rede ampla de apoio à saúde mental da população

7 de janeiro de 2022

O ano de 2022 iniciou com a Campanha Janeiro Branco destinada à divulgação, prevenção, tratamento e promoção do bem-estar mental e emocional. Diferentemente do Setembro Amarelo, que se pauta principalmente na prevenção do suicídio, essa campanha abrange a saúde mental em qualquer circunstância.

Apesar de as campanhas serem de suma importância para debater o tema, ações preventivas de conscientização e tratamento em relação à saúde mental da população são realizadas durante todo o ano pela Prefeitura de Maringá.

A Secretaria de Saúde oferece uma rede de atendimento especializado para o tratamento da saúde mental para a população. São quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) destinados para atender de forma integral e contínua pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, ou provocados pelo uso abusivo de álcool e outras drogas.

Um dos centros é voltado para atendimento de crianças/adolescentes e outro possui atendimento 24 horas com entrada na unidade entre 7h e 19h. As unidades têm equipe multiprofissional composta por assistentes sociais, enfermeiros, auxiliar de enfermagem, médico psiquiátrico, terapeuta ocupacional e psicólogos.

A rede de atenção à saúde mental também é estendida para as 34 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com atendimento psicológico. Em 2021, as UBSs atenderam 23.907 pessoas com o atendimento psicológico, e nos CAPS, mais de 60 mil ao todo.

A coordenadora da Saúde Mental, Maria Heloísa Cella, enfatiza os cuidados com a saúde das pessoas em sofrimento. “Precisamos falar sobre saúde mental, as pessoas precisam saber que, se estiverem em sofrimento, podem buscar ajuda”, destaca.
Veja os horários de atendimento, local e os serviços prestados em cada unidade:

CAPS I - Centro de Atenção Psicossocial Infantil: Serviço para atendimentos a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas, cujo comprometimento cause prejuízos acentuados em vários aspectos da rotina diária.
Horário de funcionamento: 7h30 às 18h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS AD II - Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e ou Drogas: é um local que oferece tratamento para a população maringaense adulta, que apresenta intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de álcool e outras drogas.
Horário de funcionamento: 7h às 19h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS II Canção - Centro de Atenção Psicossocial para atendimento a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes.
Horário de funcionamento: 7h as 18h.
Endereço: Rua Alfredo Pujol, 733

CAPS III: Atendimento para pessoas com transtornos mentais graves. Possui 12 leitos de acolhimento de curta permanência. O acolhimento em leito acontece diariamente das 7h às 19 horas. O cuidado recebido no acolhimento em leito funciona 24 horas.
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

Hospital Municipal - Emergência Psiquiátrica 24 horas
Rua. Ver. Gerson Soares Costa Kuriango esq. Av. Nildo Ribeiro da Rocha, s/n - Jd. Ipanema

Fonte: www2.maringa.pr.gov.br/site/noticias/2022/01/07/janeiro-branco-prefeitura-de-maringa-tem-rede-ampla-de-apoio-a-saude-mental-da-populacao/39080
 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

MPCE discute com Município de Iguatu e Escola de Saúde Pública ações do Plano Municipal de Prevenção ao Suicídio

Daniela Lima

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) participou, nesta terça-feira (20/07), de reunião para discutir as ações do Plano Municipal de Intervenção, Prevenção e Posvenção ao Suicídio do Município de Iguatu. O encontro marcou a interiorização de fluxos e protocolos a partir de estratégias localizadas no enfrentamento ao suicídio no Ceará. O acompanhamento é mais uma ação do Programa Vidas Preservadas.

A reunião aconteceu por meio da plataforma Microsoft Teams, com a condução do promotor de Justiça e coordenador do Programa Vidas Preservadas, Hugo Frota Magalhães Porto Neto. Pelo MPCE, também participaram a titular da 3ª Promotoria de Justiça de Iguatu, a promotora de Justiça Helga Barreto Tavares, e a analista ministerial Ana Lisse Assunção de Carvalho.

Para o promotor Hugo Porto, a reunião marcou o início do processo de interiorização das atividades com base nos Planos Municipais de Intervenção, Prevenção e Posvenção ao Suicídio. Atualmente há 115 municípios com planos construídos ou em construção. “Esses instrumentos, juntamente com o diagnóstico dos serviços, equipamentos e recursos no território, dialogarão agora com os fluxos e protocolos em construção, cujos pilotos serão desenvolvidos nos municípios de Iguatu, Juazeiro do Norte e Cariús, além de na Regional 6 em Fortaleza”, informou.

O coordenador do Vidas Preservadas afirmou ainda que se somam a esses fatores o funcionamento da Central de Acionamento (porta de entrada para os cidadãos) e o Mapa da Saúde Mental. Como explicou o promotor, as plataformas tecnológicas colaborativas permitem que cada município conheça os recursos que possui, sejam equipamentos e serviços da saúde, da assistência social, da educação, da iniciativa privada, das universidades, do voluntariado, dentre outros. Hugo Porto lembrou ainda que o Vidas Preservadas é um movimento de parcerias. “Estamos construindo com todos uma infraestrutura de prevenção e posvenção para enfrentarmos os desafios do suicídio no Estado, olhando inclusive para as recomendações presentes no manifesto encaminhado ao governador ainda em 2019”, ressaltou.

Durante a reunião, o Município de Iguatu apresentou o Plano Municipal de Intervenção, Prevenção e Posvenção ao Suicídio, elaborado após interlocução intensa da 3ª Promotoria de Justiça de Iguatu, que atuou com recomendações, requisições e ofícios para que a estratégia contemplasse não apenas necessidades pontuais, mas um projeto maior, que é o Programa Vidas Preservadas.

“O plano contou com importantes contribuições e foi analisado a partir de sugestões e apontamentos, com o intuito de contribuir e acrescentar aspectos como o matriciamento e o atendimento em saúde mental, que ainda passa por muita resistência na prática. Nesse sentido, surgiram algumas requisições, como a necessidade de treinamento e aperfeiçoamento dos profissionais, para ofertarem o atendimento em saúde mental também na atenção básica do município. Nesse esteio, temos a firme convicção de que o plano apresentado tem muito a contribuir e representa, sim, um grande avanço para a saúde mental de Iguatu”, considerou a promotora de Justiça Helga Barreto Tavares.

Ao fim da reunião, foram definidos quatro encaminhamentos. À Coordenadoria de Saúde Mental de Iguatu, foi estabelecido prazo de 10 dias para encaminhar relatório sobre as ações de matriciamento realizadas no último ano, constando ainda informações sobre o plano elaborado para os próximos seis meses. Já para a Coordenadoria da Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (Copom), foi solicitado apoio ao matriciamento em saúde mental de Iguatu, especialmente no que se refere ao telematriciamento.

Os outros dois encaminhamentos foram direcionados à Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP). À superintendência geral foi pedido apoio no que se refere à formação e capacitação dos profissionais em saúde mental do município de Iguatu e especificamente à unidade da ESP de Iguatu, suporte às ações que vierem a ser desenvolvidas relacionadas ao tema de saúde mental, tanto pela Copom como pela própria ESP.

Também participaram da reunião representantes do CREAS Iguatu, da ESP, das Secretarias da Educação e da Assistência Social do Município de Iguatu, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), da Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Ceará (APDMCE) e da Copom.

Na opinião da representante da APDMCE, Suellen Pinheiro, é essencial, para a efetivação das políticas públicas voltadas à saúde mental, “o acompanhamento e o monitoramento dos planos municipais de prevenção de suicídio em todos os municípios que tenham elaborado seus projetos, como acontece em Iguatu”. Segundo ela, esse acompanhamento permite a correção de rumos e adequações do plano aos fluxos estabelecidos ao município, o que leva à “maior resolutividade das demandas”. Para o assessor técnico da ESP/CE, André Tavares, “aproximar ensino, serviço e gestão é um importante passo para qualificar a assistência à população”.

O psiquiatra Davi Queiroz, da Copom, considera que esse é um passo para estar incluído no território e evoluir com o plano de uma maneira concreta. “Antes de ir para o território o plano fica no papel. Quando começamos a discutir serviços a serem acionados, fluxos e percursos do paciente na rede e como sensibilizar gestores e trabalhadores da rede, traçamos um caminho para colocar em prática tudo de que temos falado. É muito mais uma questão de sensibilizar gestores e trabalhadores do que criar serviços novos, bem como de organizar os fluxos do que criar novos pontos de atenção”, analisou o médico.

Para a psicóloga da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Alessandra Silva Xavier, a presença intersetorial durante a reunião revela o quanto é necessário buscar soluções de forma conjunta. “Não é possível desenvolver qualquer ação de saúde mental e prevenção do suicídio sem entender a complexidade integral do sujeito. Achei valiosíssima a presença de representantes da assistência social, da saúde, do Ministério Público, da Secretaria de Saúde do Município, do Estado, da Escola de Saúde Pública e da presença sempre valiosa do Vidas Preservadas. É importante para identificar o que está sendo feito, dar continuidade às linhas de cuidado e identificar as necessidades, lacunas e fragilidades, que são históricas e extremamente complexas”, ressaltou.

Fonte: https://maisfm.com/mpce-discute-com-municipio-de-iguatu-e-escola-de-saude-publica-acoes-do-plano-municipal-de-prevencao-ao-suicidio/

 


 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Ações da rede de apoio psicossocial na saúde pública: a experiência de União dos Palmares-AL

Com o NIP, veja como a Prefeitura de União transforma a vida das pessoas

O Núcleo de Integração Psicológica (NIP) foi inaugurado em novembro de 2019, e funciona como um serviço de fortalecimento psicológico para a população de União dos Palmares. Anexo ao Centro de Saúde Dr. José de Araújo Lima, o NIP oferta serviços de psicoterapia, acolhimento, grupos psicoterapêuticos e práticas integrativas, que servem de apoio aos atendimentos regulares feitos nas Unidades Básicas de Saúde.

Com uma equipe formada por sete profissionais de psicologia, assistente social e psiquiatra vinculados à atenção básica, os serviços de terapia alternativa, que incluem oficinas de mandalas, auriculoterapia, meditação guiada, entre outros, representam o grande diferencial do NIP, que auxiliam na prevenção do suicídio e valorização da vida.

O serviço foi implementado na gestão do prefeito Areski Freitas (MDB), após uma série de experiências exitosas realizadas pela equipe de psicologia da Secretaria de Saúde. Sob a liderança da psicóloga Luciene Figueredo, a ideia do NIP nasceu a partir das Rodas de Terapia Comunitária Integrativa realizadas para os alunos da Escola Municipal Mário Gomes.

– Já estávamos com 90 alunos participando dos encontros, e a demanda só aumentava. Foi quando percebemos que o município precisava de um núcleo de acolhimento psicológico – conta Luciene.

Em seu primeiro ano de funcionamento, foram realizados mais de 700 novos acolhimentos, que não incluiam serviços psiquiátricos. As sessões de psicoterapia somam cerca de mil atendimentos. Devido à pandemia da Covid-19, o núcleo pausou as atividades em grupo e trabalhou com serviços remotos para continuar levando conforto à população. Os atendimentos psiquiátricos também foram reduzidos, funcionando somente em caráter emergencial, assim como as atividades em grupo foram suspensas em prol da segurança sanitária.

Reconhecimento

O NIP simboliza um avanço nas práticas de apoio psicológico, e foi reconhecido a nível estadual, recebendo o prêmio da “Mostra Virtual Alagoana Aqui Tem SUS 2020”. Também participou da CIES como exemplo de experiências exitosas da comissão de integração. A gestão continua com o fortalecimento do serviço, pretendendo estimular os cuidados com a saúde mental e aderir campanhas como o Janeiro Branco, como forma de promoção dos serviços ofertados pelo município.

Fonte: www.br104.com.br/uniao-dos-palmares/com-o-nip-veja-como-a-prefeitura-de-uniao-transforma-a-vida-das-pessoas/


 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Conquistas relevantes de saúde pública no Piauí privilegia a saúde mental

Teresina implanta leitos para internação de pessoas com risco de suicídio


A Fundação Municipal de Saúde (FMS) iniciou a implantação de oito novos leitos psiquiátricos no Hospital da Primavera, zona norte de Teresina, destinados, prioritariamente, à internação de pessoas com alto risco para suicídio. A adequação do espaço, prevista para ser concluída em 70 dias, fará de Teresina a capital pioneira no Brasil a implantar leitos específicos para esse cuidado. O dado foi divulgado pela Gerência de Saúde Mental, após pesquisa junto às outras capitais brasileiras.

O presidente da FMS, Charles Silveira, afirma que a ação vai beneficiar a população que está em sofrimento mental. “Nesse momento, estamos fortalecendo essa rede de assistência. Nos próximos dias iremos expandir o PROVIDA, ambulatório que atende quem tentou suicídio, e inaugurar o novo CAPS da zona Sudeste. Ainda queremos conscientizar a população de que todos, com conhecimento e atitude acolhedora, podem contribuir com a prevenção do suicídio”, afirmou o gestor.

Para ter acesso aos leitos psiquiátricos do Hospital da Primavera, a pessoa deverá estar em situação de urgência psiquiátrica, como tentativa de suicídio, e ser atendida em hospitais públicos de Teresina. “Nesses casos, se houver necessidade, os médicos desses locais poderão solicitar a transferência do paciente para ser internado no Hospital da Primavera e receber cuidados mais intensivos antes de ter alta médica”, explica a gerente de saúde mental da FMS, Luanna Bueno.

O suicídio é um grave problema de saúde pública, que pode ocorrer por vários fatores e, segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos estão atrelados a transtornos mentais. “É preciso discutir e quebrar tabus, porque não falar sobre suicídio é tão nocivo quanto falar de maneira errada. A gente não pode divulgar casos isolados, mas pode falar sobre doenças mentais e onde buscar tratamento. Temos uma rede extensa que presta esse tipo de serviço”, finaliza Luanna Bueno.

Conheça a atual rede de assistência à saúde mental da FMS:

  • PROVIDA - ambulatório especializado que atende especificamente pessoas que tentaram suicídio e que fica localizado dentro do Centro de Saúde Lineu Araújo. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e atende por demanda espontânea.
  • Sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) - atendem pessoas com transtornos mentais severos e possuem equipe composta por psiquiatra, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional, assistente social e equipe de apoio. Nestes locais, são realizadas atividades em grupo, atendimentos individuais, oficinas terapêuticas e atendimento à família.
  • 90 Unidades Básicas de Saúde - podem atender casos de transtornos mentais leves e possuem médicos e enfermeiros capacitados para esse tipo de atendimento. Se houver necessidade, na própria Unidade a pessoa faz a marcação para se consultar com psicólogos e psiquiatras nos ambulatórios espalhados em Teresina.
  • SAMU 192 - Em caso de urgência psiquiátrica, como surto psicótico ou tentativa de suicídio, a população pode acionar o SAMU, por meio do número gratuito 192 ou ir por meios próprios para o Hospital Areolino de Abreu, que possui psiquiatras 24 horas e é o hospital referência em atendimento de urgência psiquiátrica. Outra opção é se dirigir aos CAPS.
  • ONGs:  Centro de Valorização da Vida (CVV) - telefone 188; Centro Débora Mesquita (CDM) - telefone: (86)99827-3343/ 98894-5742;  e Grupo Apoio Contato e Esperança (GRACE) – telefone: (86)3237-0077/3237-0202 são organizações filantrópicas que contribuem com a prevenção e posvenção do suicídio em Teresina.
Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/317405/teresina-implanta-leitos-para-internacao-de-pessoas-com-risco-de-suicidio

domingo, 22 de abril de 2018

O bom exemplo de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul: ações firmes baseadas em política pública de saúde mental!!!

Uma imagem vale por mil palavras.

Simples assim: a carta de serviços oferecida à população em um cartaz feito com competência. Na retaguarda, no entanto, muito trabalho para tornar isso possível!!

Cada município pode e deve copiar essa ideia!!




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PLANO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL, DIGO, NO PIAUÍ!!

Piauí cria plano de ação para prevenção do suicídio

Além de instituir o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI).

Denise Nascimento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no
Brasil 400 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de transtorno mental. Nesse contexto, o suicídio tem se destacado como um grave e crescente problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

Tendo isso em vista, dentro das políticas da Rede de Atenção Psicossocial, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí tem realizado ações de conscientização para as questões que envolvem a saúde mental. Uma delas é a elaboração, em parceria com outras instituições, do plano de ação para prevenção do suicídio que visa à sistematização e organização do fluxo de atenção e cuidado à saúde do paciente em risco de suicídio, buscando a redução desse agravo de saúde.

O plano prevê medidas como campanhas educativas, ações de promoção em saúde e prevenção de danos, reforçando a ação da atenção primária, visando o fortalecimento e a melhoria da qualidade de vida dessa população. Além disso, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Costa, instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI), composto por equipe multiprofissional e interinstitucional para realização de debates constantes acerca do tema e vigilância das ações.

Uma das principais estratégias adotadas, como explica o secretário Francisco Costa, é “trabalhar a prevenção do suicídio logo na atenção básica, sensibilizando as equipes de Estratégia da Saúde da Família e capacitando os agentes comunitários de saúde para que eles estejam aptos a identificar pessoas com comportamentos autodestrutivos e fazer os encaminhamentos necessários para o tratamento adequado”.

Outra ação é a elaboração de um aplicativo como ferramenta que permita os professores, no âmbito da educação tanto no nível fundamental, médio como no superior, detectarem precocemente pessoas com sofrimento psíquico que podem levar ao suicídio. O Estado também irá fomentar pesquisas científicas junto ao grupo de estudo sobre prevenção ao suicídio nas Universidades e Faculdades.

Como dispositivos de assistência, o Estado oferece gratuitamente acesso a hospitais, centro de acompanhamento e programas de cuidados em Saúde Mental. Atualmente, o Piauí possui 62 Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e implementou leitos psicossociais na rede hospitalar.

Realidade no Piauí
O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes superior à do Brasil. Enquanto a taxa do Estado é de 7,6, a do país é de 5,3. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Estado da Saúde apontam que nos anos de 2015 e 2016 foram registrados 541 óbitos por suicídio no Estado.

A notificação das tentativas de suicídio também vem aumentando em todos os anos, em 2015 foram 603 tentativas, já no ano seguinte foram 724, totalizando 1.327 casos. A faixa etária com maior número de óbitos por suicídio está entre 20 e 29 anos. Além disso, Teresina ocupa o 1º lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes, e em 2º lugar na população jovem entre 15 e 24 anos.

Fonte: http://www.piaui.pi.gov.br/noticias/index/categoria/2/id/29449

sábado, 11 de janeiro de 2014

Suicídio & Saúde Pública

Suicídio deve ser tratado como questão de saúde pública

Adriana Martins/ Portal Fiocruz

Ao ano, quase um milhão de pessoas morrem em decorrência de suicídio. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ato está entre as dez causas de morte mais frequentes em muitos países do mundo. No Brasil, são registradas 10 mil mortes por ano, com uma taxa de 4,8 a cada 100 mil habitantes, em 2008. Depois destes dados, podemos pensar o suicídio como uma questão de saúde pública? Especialistas na área de saúde mental defendem que sim. E acreditam que esses números podem diminuir se aumentarem os debates sobre o assunto. É o que faz a Fiocruz, por meio de pesquisas, projetos e capacitações. Profissionais de diversas áreas buscam desmitificar esse tabu e oferecer um melhor acolhimento a quem busca ajuda no Sistema Único de Saúde.

A troca de informações sobre suicídio pode ser muito útil para diminuir esses índices. A OMS estima que 90% dos casos podem ser evitados quando há oferta de ajuda. Em geral, seis meses antes de consumar o ato, pessoas com pensamentos suicidas procuram ajuda com profissionais, em especial em clínicas médicas. Esta constatação, feita pelo Grupo de Pesquisa de Prevenção do Suicídio (PesqueSui/Icict/Fiocruz), questiona o atendimento primário à saúde. "Quem já tentou o suicídio tem um risco ainda maior. Toda tentativa precisa ser olhada com atenção", diz a psicóloga Clarice Moreira Portugal, pesquisadora no grupo.

O PesqueSui realiza estudos sobre suicídio e ideação suicida, o uso de emergências psiquiátricas pela população e métodos de educação em massa sobre saúde mental. Em 2012, o grupo lançou o livro Trocando seis por meia dúzia – Suicídio como emergência do Rio de Janeiro, organizado pelo pesquisador Carlos Estellita-Lins. A obra relata o atendimento, nas emergências dos hospitais da cidade, a pacientes que tentaram se matar. Estellita diz que entre as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde no atendimento desses casos no Brasil estão a precariedade na formação em urgências psiquiátricas e em suicidologia. "Precisamos admitir que o suicídio é uma questão que diz respeito a todos os profissionais de saúde. Todos nós devemos buscar capacitação profissional para lidar com isto", afirma.

Nos últimos 45 anos, as taxas de morte por suicídio tiveram aumento de 60% no mundo, como mostra a OMS, ficando entre as três causas de morte mais frequentes em populações de 15 a 44 anos, em alguns países, e a segunda maior causa em grupos de 10 a 24 anos, em outras regiões. Nas populações brasileiras, houve um crescimento de suicídio entre os jovens, idosos, além de uma interiorização dos casos. Em 2008 foram registrados altos índices nas regiões de Amambaí e Paranhos, ambos no Mato Grosso do Sul: 49,3 e 35 casos de suicídio por 100 mil habitantes, respectivamente, segundo o DataSUS – Banco de dados do Sistema Único de Saúde. Em Ibirubá (RS), 34,5. Já Nova Prata do Iguaçu (PR) está em 15º lugar no Brasil, com 24,7 casos. Em Mato Grosso do Sul, as comunidades indígenas tem taxas bem elevadas. No Rio Grande do Sul a incidência é maior em comunidades de colonos ou aquelas ligadas à indústria fumageira.

Essas são as informações registradas. Mas o que acontece muito é a subimputação e mesmo subregistro dos óbitos. Ao examinar no DataSUS as mortes por causas externas o PesquiSui verificou uma ampla fatia de óbitos não especificados. É possível que mais de 20% destes sejam suicídios não investigados ou deliberadamente subtraídos no preenchimento do atestado.

'Falar sobre suicídio não provoca o suicídio'

Por ser um tabu, existem limitações para abordar o tema. Na tentativa de evitar mais casos, o Ministério da Saúde propos, em 2005, a Estratégia Nacional de Prevenção ao Suicídio, a qual cria grupos de trabalho, diretrizes nacionais, seminários, além do Manual de Prevenção do Suicídio para Profissionais das Equipes de Saúde Mental, lançado em 2006. Entre as ações da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), um manual de imprensa esclarece jornalistas sobre termos específicos e traz um panorama com dados e informações gerais que permitem uma compreensão mais adequada da saúde mental; e uma outra publicação, o livreto Comportamento suicida: conhecer para prevenir, orienta profissionais da imprensa sobre como abordar o tema, preservando o direito à informação e contribuindo para a prevenção.

"Falar sobre suicídio não provoca o suicídio", diz a especialista em saúde mental Maria Fernanda Cruz Coutinho, que também integra o PesqueSui. "Colocar a questão em pauta na mídia, nas escolas e instituições permite que se converse mais sobre isto. É preciso fazer circular, de modo global, informações a pacientes, familiares e profissionais da saúde", reforça.

Além do PesqueSui, na Fiocruz, outras iniciativas desenvolvem trabalhos e projetos estratégicos em saúde mental para capacitar profissionais da saúde, qualificar o campo de pesquisa e fortalecer políticas públicas de saúde, de direitos e do cuidado integral em saúde mental e de campos relacionados. Dentre estes podemos citar o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental (Laps), vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública e o Grupo de Trabalho em Saúde Mental, que fica na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), dentro do Laboratório de Educação Profissional em Atenção à Saúde (Laborat). A pesquisadora Nina Soalheiro, associada aos dois grupos, ressalta que a atenção básica, enquanto porta de entrada da rede pública de saúde, "pode e deve identificar os sinais, a gradação do sofrimento, as características que o paciente com tendência suicida apresenta, seja por meio de pensamentos de desesperança, desespero ou desamparo". Nina coordena o curso de especialização técnica de nível médio em saúde mental na Escola Politécnica, que, assim como o curso de especialização do Laps/Ensp, coordenado pelo professor Paulo Amarante, inclui em seu currículo a discussão sobre o suicídio como um problema e uma desafio para a saúde pública.

Suicídio no Brasil: documentário apresenta dados epidemiológicos, percepção social e formas de enfrentamento do problema

Além destas ações, a Fundação também aposta em meios de ampliar o acesso à informação. A pedido do PesqueSui, o historiador e documentarista Eduardo Thielen, da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, teve um novo desafio: transpor os debates sobre saúde mental para a linguagem audiovisual, criando imagens e textos para comunicar as informações. O resultado foi positivo. Embora o grande desafio tenha sido como encarar o tema, que é um tabu, o filme Suicídio no Brasil conseguiu abordar o tema falando que o fato existe, mostrou os grupos de risco e a que fatores estão associados.

"A proposta era dar uma introdução geral à ideia de suicídio, com base nas pesquisas feitas, em especial às do PesqueSui, com uma linguagem compreensível à maioria da população", diz Thielen. Para dar a 'voz do povo' ao documentário, ou seja, uma opinião sob o ponto de vista do senso comum, foram feitas entrevistas com transeuntes na Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. Lá, mais surpresas. "O mais curioso foi a facilidade das pessoas ao falar sobre o assunto. Quando levantamos o tema, sempre havia um ou outro com histórias para contar".

A ideia de Thielen é que o documentário tenha uma segunda parte, para abordar grupos de risco, como adolescentes, idosos e indígenas. Para os interessados em saber mais sobre a questão, Thielen recomenda o filme nacional Elena, idealizado a partir das lembranças da diretora Petra Costa sobre sua irmã que cometeu suicídio.

O vídeo Suicídio no Brasil está em acesso aberto na internet. Para os interessados em obter uma cópia, os pedidos podem ser feitos com a VideoSaúde Distribuidora.

Fonte: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/34477#

sábado, 3 de dezembro de 2011

Suicídio como "problema de saúde pública" em Portugal


Suicídio: é nossa obrigação evitar todas as mortes

"O problema do suicídio, acima de tudo porque é nossa obrigação evitar todas as mortes evitáveis, irá manter-se com relevância no Plano Nacional de Saúde 2012-2016", disse Paulo Macedo.

O ministro falava em Beja na sessão de abertura do colóquio "O suicídio no Baixo Alentejo, preocupações e soluções", após ter inaugurado o novo Centro de Saúde da vila de Barrancos.

Segundo o ministro, "o suicídio é um problema de saúde pública e uma clara preocupação do Ministério da Saúde" e, por isso, "o Coordenador Nacional para a Saúde Mental tem inscrito, no seu programa de ação, a implementação do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio".

"O suicídio representa uma causa importante de morte prematura em toda a União Europeia", mas as taxas globais de suicídio em Portugal são "inferiores" às dos países do Norte e do Leste do Continente Europeu, frisou.

Segundo o ministro, em 2009 a taxa de mortes por lesões auto provocadas intencionalmente em Portugal foi de 9.5 por 100 mil habitantes, o correspondente a 957 suicídios.

Naquele ano, enquanto a taxa média nacional de suicídios foi de 9.5 por 100 mil habitantes, no Alentejo esteve próxima dos 27 e no Algarve foi de quase 16, disse o ministro.

Em Portugal existe "uma marcada assimetria entre o Norte e o Sul, sendo que nesta região as taxas "são mais elevadas", devido a vários fatores sociais e de saúde mental, como desertificação, personalidade melancólica, envelhecimento e baixa religiosidade.

"Portugal continua a estar entre os países da Europa com maior número de falecimentos sem causa identificada", disse, defendendo que é "fundamental que os médicos ultrapassem a tendência cultural, comum a toda a sociedade, de não evidenciar os casos de suicídio".

"A este dado, é preciso juntar o que muitas vezes parece comezinho, mas tem um impacto real, que é o facto de os seguros de vida não cobrirem suicídios", disse o ministro.

Segundo Paulo Macedo, os grupos de risco de suicídio estão, sobretudo, ligados aos doentes com problemas no âmbito da saúde mental, incluindo os que têm "consumos aditivos" e as "principais causas" são a depressão e o consumo elevado de bebidas alcoólicas.

"O risco encontra-se ainda presente em pessoas desfavorecidas socialmente, nas que tiveram perdas recentes e alguns grupos de emigrantes", disse, referindo que "também existem grupos profissionais com risco aumentado, como o dos próprios médicos".

Na sua intervenção, Paulo Macedo disse que "não serão os constrangimentos orçamentais" que farão o Governo "retroceder" na "determinação de eleger a Saúde Pública como um dos vetores de desenvolvimento e sustentabilidade" do Sistema de Saúde.

"Pelo contrário, é a situação que nos obriga a uma gestão criteriosa dos recursos materiais e humanos e nos faz eleger as questões da Saúde Pública na promoção da saúde e na prevenção da doença como prioridades", frisou.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma voz no deserto

Deputado gaúcho chama a atenção para o problemático do suicídio e a necessidade deste tema ser tratado como questão de saúde pública
Miki Breier (PSB) falou sobre a importância da prevenção ao suicídio. Como exemplo, ele citou o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade filantrópica, sem fins lucrativos e apolítica, criada há quase 50 anos no Brasil e há 40 anos em Porto Alegre. Segundo o parlamentar, o Centro está à disposição da comunidade 24 dias por dia, inclusive nos sábados, domingos e feriados, e é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como única entidade voluntária na prevenção do suicídio.
Conforme dados apresentados pelo deputado, hoje, no Rio Grande do Sul ocorrem três suicídios por dia, especialmente, em segmentos sociais de agricultores, médicos, policiais e aposentados. Ele também destacou os bons resultados obtidos com campanhas. "Em países que são realizadas campanhas de prevenção, os índices caíram vertiginosamente. Temos que prevenir e fazer com que as pessoas não busquem como última alternativa o suicídio, e que o assunto seja tratado como questão de saúde pública", disse Miki.

Fonte: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2745141/situacao-da-uergs-e-dos-arrozeiros-entre-os-temas-na-tribuna-nessa-terca-feira

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Suicídio. Tragédia silenciosa

"Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o de mortes em pelo menos dez vezes; é possível evitar uma parcela desses óbitos", escreve Neury José Botega, professor titular do Departamento de Psicologia Médica e psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), representante nacional na Associação Internacional de Prevenção do Suicídio e coordenador da Comissão de Prevenção de Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 06-12-2010.

Eis o artigo.

Diariamente, 25 pessoas põem fim a suas vidas no Brasil. Foram 9.090 suicídios oficialmente registrados em 2008. Para cada óbito, no mínimo cinco ou seis pessoas próximas ao falecido foram profundamente afetadas. O impacto do suicídio na vida das pessoas e da nação é silenciado pela sociedade.

Nos meios de comunicação há orientação, discutível quando adotada em termos absolutos, de não se noticiar suicídio. Silencioso, ele resta à margem das tragédias nacionais. Mas é possível evitar uma parcela dessas mortes.

Numa escala mundial, nosso coeficiente de mortalidade por suicídio é relativamente baixo: 5,4 mortes em cada 100 mil habitantes, ao longo de um ano. Esse índice cresceu 30% nos últimos 25 anos.

O coeficiente é uma média nacional e esconde importantes contrastes. Em algumas cidades, os índices equiparam-se aos de países do Leste Europeu. Ademais, como somos um país populoso, atingimos o décimo lugar mundial em número total de suicídios, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No espectro do comportamento autoagressivo, o suicídio é a ponta de um iceberg. Estima-se que o número de tentativas supere o de mortes em pelo menos dez vezes. Um inquérito populacional elaborado pela OMS e levado a cabo por pesquisadores daUnicamp apurou que, em cada cem habitantes da cidade de Campinas, 17 já haviam pensado seriamente em pôr fim à vida e três efetivamente tentaram o suicídio.

A causa de um suicídio é invariavelmente mais complexa do que um acontecimento recente que salta à vista e que é tomado como explicação rápida para o ocorrido.

A perda do emprego ou o rompimento de um relacionamento amoroso geralmente são os fatores precipitantes. Na maioria das vezes, pessoas que põem fim à vida sofrem de um transtorno mental subjacente (fator predisponente) que aumenta a vulnerabilidade para o suicídio. Depressão e dependência de álcool são os mais frequentes.

Recentemente, nossa sociedade vem-se abrindo para discutir o tema-tabu. O suicídio passou a ser enfrentado na arena da saúde pública. Um exemplo disso é a parceria firmada entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a Rede Globo, a partir da qual inserções de 30 segundos entram na programação da televisão.

Há, hoje, considerável informação a respeito do que, em vários países, deu certo em prevenção.

Exemplo recente foi um estudo realizado em serviços médicos de vários países, entre os quais o Hospital de Clínicas da Unicamp, que acompanhou, desde o atendimento em um pronto-socorro, 1.867 pessoas que tentaram o suicídio.

Metade delas, após sorteio, foi acompanhada por meio de telefonemas periódicos. Após 18 meses, o número de suicídios nesse grupo foi, comparativamente, dez vezes menor. Com os telefonemas, a tentativa de suicídio deixou, assim, de ser um pedaço de história a ser esquecido ou silenciado.

Em agosto de 2006, o Ministério da Saúde publicou as diretrizes que orientariam umPlano Nacional de Prevenção do Suicídio. O plano ainda não saiu. É preciso transformar as diretrizes em ações assistenciais baseadas em evidências científicas, as quais, por sua vez, poderão orientar novas políticas de prevenção e estratégias de atendimento.

Na área da saúde, isso constitui um desejado círculo virtuoso entre política, assistência e pesquisa, que não é simples de ser alcançado.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=39039

sábado, 1 de agosto de 2009

Suícidio e saúde pública

Suicídio como problema de Saúde Pública: a polêmica do silêncio e desinformação

Claudia Meirelles

De todos os tipos de problemas na Saúde Pública, o suicídio é o que ocupa um espaço menor na mídia. Fala-se pouco ou quase nada sobre o assunto. Prevalece o entendimento que noticias sobre suicídio podem precipitar a ocorrência de novos casos, por imitação ou mimetismo, processo pelo qual a noticia serve de inspiração para repetição do ato.

Não falar ou evitar referências ao assunto, insere o suicídio no submundo dos tabus, prestando um desserviço ao país, na medida em que o princípio da precaução não deveria justificar a omissão deliberada de dados e estatísticas.

Essa postura excessivamente cautelosa da mídia desmobiliza um aparato que a sociedade só teria condições de acionar se devidamente informada e conscientizada a respeito do problema do suicídio no país.

O silencio alimenta a passividade e em saúde pública, melhores resultados aparecem com ações e apoios da mídia.

O suicídio é mascarado nas estatísticas oficiais, principalmente quando não há lesão externa. É responsável por cerca de 6 % das mortes por “causas externas”, atingindo na sua maioria jovens do sexo masculino.

O Ministério da Saúde possui um departamento responsável pela “Estratégia Nacional de Prevenção ao Suicídio”, ligado à Coordenação Geral de Saúde Mental do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Secretaria de Atenção à Saúde e divulgou alguns números oficiais, como o aumento do comportamento suicida entre jovens de 15 e 25 anos, com impactos e danos às famílias, instituições e sociedade.

O Centro de Valorização à Vida (CVV) é um importante aliado na área de prevenção, através de um trabalho voluntário, que tem se espalhado rapidamente pelo país e ganhado apoio de órgãos públicos.

Um trabalho rico, movido pela solidariedade, dedicação e compromisso com o conflito alheio, desprovido de preconceitos (...)

Fonte: http://www.itu.com.br/colunistas/artigo.asp?cod_conteudo=6810