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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Valorizar a vida é a melhor prevenção

Marcelo Grisa (5 setembro 2022)

       Além das ações externas, oficinas do Caps reforçam ações pelo autocuidado no mês de setembro

Diego (nome fictício) tem 24 anos e chegou pela primeira vez no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Estrela, Rio Grande do Sul, em 2017. Sua mãe o deixou no local e foi trabalhar. Naquele momento, ele já havia passado cerca de dez anos entre diferentes tratamentos psicológicos.

Era uma tristeza enorme. As coisas não fazem muito sentido. A vida era meio cinza”, admite. Segundo ele, apesar de todo o tratamento anterior, era difícil se abrir pelo julgamento que as pessoas ainda têm da depressão e da ansiedade.

Após passar uma manhã inteira na instituição, Diego ainda não sabia, mas havia tomado o primeiro passo para superar pensamentos e ideias de suicídio. Para ele, os remédios ajudam, mas o tratamento no Caps mudou sua vida. “A vontade de viver tinha sumido. É como se ela brotasse de novo a partir daí.”

A mãe de Diego sempre o apoiou em seu tratamento. Segundo ele, perceber que pelo menos uma pessoa se importa foi o suficiente para seguir em frente.

Um dia de cada vez

Diego acredita que, num primeiro momento, é necessário encontrar motivos para viver todos os dias. “Focar naquilo que é bom, adia os pensamentos ruins. Cada vez que você se prende a um momento, tem mais oportunidade de perceber que é possível viver sem esse peso”, aponta.

A assistente social do Caps, Lori Braun, explica que pessoas próximas são importantes para a continuidade no tratamento dos pacientes. “É necessário o envolvimento de uma rede de apoio quando uma pessoa não tem energia para dar o primeiro passo e buscar ajuda”, afirma.

A enfermeira Débora Martins lembra que não é apenas o Caps que pode atender essa demanda. “Qualquer um está sujeito a ter um sofrimento psíquico. Essa pessoa nessa situação precisa de alguém para conversar, e isso pode ser feito também no posto de saúde”, diz. Em alguns casos, a equipe faz o primeiro atendimento e pode redirecionar o tratamento para uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

A campanha

O Setembro Amarelo ocorre em 78 países. Dentre eles, o Brasil. Em 2022, o tema é “Criando esperança através da ação”. O objetivo é refletir a necessidade de ações coletivas para lidar com essa questão de saúde pública.

Uma das psicólogas do Centro de Atenção, Maria Angélica Hartmann Gräeff, ressalta a necessidade de o poder público investir na promoção da saúde mental. “Falam em pós-pandemia. Mas antes da pandemia, a depressão já era a maior causa de afastamento do trabalho. Com a Covid, aumentou muito a nossa demanda, em especial dos casos de ansiedade na população mais jovem”, argumenta.

Autocuidado

A psicóloga Ana Júlia Knack lembra que o paciente precisa também fazer mudanças na sua rotina para valorizar sua própria vida. “É hoje confirmado que o exercício físico ajuda muito quem tem ansiedade.”

Ana Júlia afirma que uma série de atitudes pode contribuir para o autocuidado. Ela aponta que atitudes como cuidar da beleza e comer melhor não servem apenas para isso, mas também para se sentir bem consigo mesmo, o que complementa o tratamento e a medicação.

Diego trabalha para se ocupar sempre. Ele tem como paixão a arte gráfica. Há alguns anos, não tinha vontade de desenhar. Hoje, ele pega o lápis todo dia para produzir algo quando está em casa e, a partir disso, faz planos para o futuro. “Eu ainda vou montar um estúdio de tatuagem, tenho certeza”, completa.

Seminário “Saúde Mental e Prevenção do Suicídio”

Dia: 14/09/22
Horário: 8h
Local: Câmara de Vereadores de Estrela-RS
Mediação: psiquiatras Clara Rohrsetzer Sfoggia e Luciana Silveira
Público-alvo: profissionais da rede intersetorial
Organização: CAPS

Seminário “Valorização da vida”

Dia: 26/09/22
Horário: 13h30min
Local: Câmara de Vereadores de Estrela-RS
Público-alvo: comunidade em geral e convidados
Organização: CAPS e equipe de saúde mental da atenção básica

Fonte: https://grupoahora.net.br/conteudos/2022/09/05/valorizar-a-vida-e-a-melhor-prevencao/

sábado, 9 de abril de 2022

Cidades do ABC oferecem serviços e ações de prevenção ao suicídio 

Amanda Sakumoto (8 abril 2022)


Importante problema da saúde pública, o suicídio é complexo e multicausal, com impacto individual e social, que pode atingir pessoas de diferentes origens, gêneros, culturas, classes sociais e idades. Segundo o Ministério da Saúde, os fatores vão desde os de natureza sociológica, econômica, política, cultural, até psicológicos e psicopatológicos, bem como biológicos. Com olhar sobre o problema, cidades da região ofertam serviços e ações de prevenção ao suicídio, que não ficam concentradas apenas ao mês de conscientização, o Setembro Amarelo.

Em Diadema, além das ações realizadas anualmente no mês de setembro, a cidade possui grupo técnico, com profissionais de diversos setores da saúde (atenção básica, saúde mental, atenção especializada, urgência e emergência, hospital municipal e vigilância sanitária) que promovem a revisão do fluxo de notificação e de atendimentos, com objetivo de agilizar, humanizar e qualificar o acolhimento dos casos pela rede municipal de saúde.

Munícipes que necessitem de acolhimento podem procurar a unidade básica de saúde mais próxima de sua residência ou uma das unidades do CAPS (Centro de Apoio Psicossocial). Os endereços estão disponíveis no site da Prefeitura. Em situações agudas, o atendimento pode ser realizado no pronto-socorro do Hospital Municipal (Avenida Piraporinha, 1682, bairro Piraporinha).

Em nota, a cidade informa que por conta da pandemia, as atividades grupais e de prevenção foram suspensas, mas o atendimento às pessoas em intenso sofrimento psíquico com risco à violência autoprovocada foi mantido. As atividades em grupo, ligadas às violências, são prioridade na retomada feita atualmente.

Ribeirão Pires oferece atendimento nos três CAPS da cidade: Infantil (avenida Fortuna, 320 – Centro), CAPS AD – Álcool e Drogas – (rua Domingos Benzenuto, 12 – Centro) e Adulto (rua Afonso Zampol, 41 – Centro), de segunda sexta-feira, das 8h às 16h. Os endereços dos CAPS estão disponíveis no site ribeiraopires.sp.gov.br.

Em nota, a Prefeitura informa que os profissionais dos equipamentos de apoio psicossocial da cidade realizam intervenções e palestras durante todo ano, destinadas a moradores com idades a partir de 12 anos, além das ações do Setembro Amarelo. No primeiro bimestre de 2022, mais de 7,3 mil pessoas passaram pelos serviços psicológicos da cidade.

Aumento das notificações de lesões autoprovocadas

Em São Bernardo, há atendimento psicológico nas 33 unidades básicas de saúde da cidade, bem como nos nove CAPS e no pronto-socorro de saúde mental 24h. Todos os endereços estão disponíveis no site da Prefeitura. Por meio de nota, a cidade informa que todos os equipamentos desenvolvem atividades permanentes de conscientização e prevenção ao suicídio, com palestras informativas e ações intersetoriais, com matriciamento e monitoramento de casos atendidos em equipamentos municipais de saúde.

O presidente do Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) e secretário da pasta em São Bernardo, Geraldo Reple Sobrinho, aponta que na cidade houve um aumento de 11%, em 2021, nas notificações de lesões autoprovocadas, com maior incidência entre jovens com idades até 35 anos.

Em entrevista ao RDtv, nesta quinta-feira (7/4), Reple afirma que a secretaria de saúde realiza trabalho em parceria com a educação, para levar palestras às escolas, tanto para crianças quanto para os adolescentes, e reforça a necessidade de aproximar a família. “Normalmente quem tem tendência suicida não faz de uma vez; eles vão dando sinais. Quando ocorre essa coisa fatídica, a gente conversa com a família que, nesse momento, percebe que tinha notado algo diferente. Adolescente que se tranca no quarto e fica jogando, às vezes está pedindo socorro e a gente não sabe”, orienta.

A psicóloga Amanda Moretti da Cruz ressalta que é preciso ficar atento aos sinais, mas é necessário entender que, em caso de depressão, por exemplo, não necessariamente a pessoa demonstra tristeza. “É preciso perceber as alterações de humor e de comportamento. Mesmo que a pessoa ainda consiga fazer algumas atividades, como sair para uma festa, não significa que ela não esteja em sofrimento”, explica.

Quanto aos fatores desencadeadores de lesões autoprovocadas ou suicídio, Amanda aponta que podem existir diversos agentes causadores, e reforça que cada indivíduo é único e as situações afetam as pessoas de maneiras diferentes. “Muitas vezes o fator que leva ao suicídio é desconsiderado. É preciso se colocar no lugar do outro, ouvir, entender que aquela dor é válida mesmo que eu não sinta, e se colocar à disposição, mostrar que a pessoa não está sozinha. Incentive à buscar ajuda, não há problema em ter ajuda profissional”, orienta.

Centro de Valorização da Vida

O CVV — Centro de Valorização da Vida promove serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar. O atendimento é feito sob total sigilo e anonimato. Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail.

Além dos atendimentos, o CVV oferece materiais de apoio para ações de prevenção ao suicídio. No site da entidade, é possível encontrar vídeos, artigos e manuais sobre o tema, destinado à jovens, pais e educadores.

Fonte: www.reporterdiario.com.br/noticia/3086086/cidades-do-abc-oferecem-servicos-e-acoes-de-prevencao-ao-suicidio/ 

domingo, 9 de janeiro de 2022

A Finlândia também é aqui, bem ali em Maringá...

A aplicação eficaz dos recursos da saúde é uma questão de... gestão! No mais das vezes não é de ausência ou falta de recursos, mas de sólidas políticas públicas e de quem as aplique.

Os bons exemplos de gestão no Brasil são sempre objeto de admiração, mas raramente de estudo para a devida replicação.

Janeiro Branco: Prefeitura de Maringá tem rede ampla de apoio à saúde mental da população

7 de janeiro de 2022

O ano de 2022 iniciou com a Campanha Janeiro Branco destinada à divulgação, prevenção, tratamento e promoção do bem-estar mental e emocional. Diferentemente do Setembro Amarelo, que se pauta principalmente na prevenção do suicídio, essa campanha abrange a saúde mental em qualquer circunstância.

Apesar de as campanhas serem de suma importância para debater o tema, ações preventivas de conscientização e tratamento em relação à saúde mental da população são realizadas durante todo o ano pela Prefeitura de Maringá.

A Secretaria de Saúde oferece uma rede de atendimento especializado para o tratamento da saúde mental para a população. São quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) destinados para atender de forma integral e contínua pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, ou provocados pelo uso abusivo de álcool e outras drogas.

Um dos centros é voltado para atendimento de crianças/adolescentes e outro possui atendimento 24 horas com entrada na unidade entre 7h e 19h. As unidades têm equipe multiprofissional composta por assistentes sociais, enfermeiros, auxiliar de enfermagem, médico psiquiátrico, terapeuta ocupacional e psicólogos.

A rede de atenção à saúde mental também é estendida para as 34 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com atendimento psicológico. Em 2021, as UBSs atenderam 23.907 pessoas com o atendimento psicológico, e nos CAPS, mais de 60 mil ao todo.

A coordenadora da Saúde Mental, Maria Heloísa Cella, enfatiza os cuidados com a saúde das pessoas em sofrimento. “Precisamos falar sobre saúde mental, as pessoas precisam saber que, se estiverem em sofrimento, podem buscar ajuda”, destaca.
Veja os horários de atendimento, local e os serviços prestados em cada unidade:

CAPS I - Centro de Atenção Psicossocial Infantil: Serviço para atendimentos a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, inclusive pelo uso de substâncias psicoativas, cujo comprometimento cause prejuízos acentuados em vários aspectos da rotina diária.
Horário de funcionamento: 7h30 às 18h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS AD II - Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e ou Drogas: é um local que oferece tratamento para a população maringaense adulta, que apresenta intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de álcool e outras drogas.
Horário de funcionamento: 7h às 19h
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

CAPS II Canção - Centro de Atenção Psicossocial para atendimento a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes.
Horário de funcionamento: 7h as 18h.
Endereço: Rua Alfredo Pujol, 733

CAPS III: Atendimento para pessoas com transtornos mentais graves. Possui 12 leitos de acolhimento de curta permanência. O acolhimento em leito acontece diariamente das 7h às 19 horas. O cuidado recebido no acolhimento em leito funciona 24 horas.
Endereço: Rua Pioneiro João José Queiroz, 650

Hospital Municipal - Emergência Psiquiátrica 24 horas
Rua. Ver. Gerson Soares Costa Kuriango esq. Av. Nildo Ribeiro da Rocha, s/n - Jd. Ipanema

Fonte: www2.maringa.pr.gov.br/site/noticias/2022/01/07/janeiro-branco-prefeitura-de-maringa-tem-rede-ampla-de-apoio-a-saude-mental-da-populacao/39080
 

domingo, 10 de outubro de 2021

Serviços de saúde mental sofreram interrupções em 60% dos países das Américas em 2021, diz OMS

Diego Suárez, do El Comercio de Perú/GDA* (10 outubro 2021)

LIMA — Há um ano, Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), emitiu uma mensagem forte: a pandemia da Covid-19 estava causando uma crise de saúde mental nas Américas em uma escala nunca vista antes.

Hoje, quando se comemora a luta global contra esses tipos de doença, as perspectivas continuam preocupantes. No entanto, não é tarde para tomar as medidas necessárias e evitar que a pandemia deixe uma marca indelével na saúde mental da população.

Impacto significativo

Estudos nacionais da Argentina, Brasil, Canadá, México, Peru e Estados Unidos documentaram altas taxas de transtornos psicológicos, ansiedade e depressão na população em geral. Da mesma forma, uma pesquisa realizada pela empresa Ipsos nos países mencionados, assim como na Colômbia e no Chile, revelou que, em média, 12% dos adultos sofreram uma deterioração significativa de sua saúde emocional e mental.

Em relação aos menores de idade, a ansiedade e a depressão representam quase 50% dos transtornos mentais em crianças e jovens entre 10 e 19 anos na América Latina e no Caribe, segundo o levantamento “Situação Mundial da Infância 2021” do Unicef (fundo das Nações Unidas para a infância e a juventude). Deve-se notar que, antes da pandemia, mais de uma em cada sete crianças e adolescentes no mundo sofria de transtorno mental e 46 mil cometiam suicídio anualmente. Hoje, a situação se agravou, indica o relatório.

Aumentos no uso de álcool e de substâncias também foram relatados. Da mesma forma, registros de telefonemas para linhas diretas, relatórios policiais e outros prestadores de serviços indicam um aumento nos casos relatados de violência doméstica, particularmente abuso infantil e violência contra as mulheres.

As condições de saúde mental causam grandes deficiências nas Américas. Um terço de todas as deficiências por doença na região se deve a problemas de saúde mental — afirma Renato Oliveira e Souza, chefe da Unidade de Saúde Mental da região na Opas.

Mas, apesar desses números, o investimento dos governos continua insuficiente. Segundo o especialista, estima-se que os países das Américas destinem apenas 2% de seus orçamentos totais de saúde pública à saúde mental, e quase 61% desse montante é direcionado a hospitais psiquiátricos, que muitas vezes são locais de desrespeito aos direitos humanos.

A isso devem ser adicionados dois outros grandes problemas, que ocorrem desde antes da pandemia. O primeiro é a lacuna de tratamento (a porcentagem de pessoas que precisam de cuidados, mas não são tratadas): para algumas condições de saúde mental e de uso de substâncias, essa lacuna chega a quase 80%. O segundo é a carência de pessoal especializado: estima-se que haja 10,3 trabalhadores em saúde mental para cada 100 mil habitantes.

— Aconselhamos que o orçamento para saúde mental seja de no mínimo 5% ou 6%, mas depende das necessidades de cada país. O importante não é apenas aumentar o investimento, mas também que os recursos cheguem à comunidade, ou seja, integrar os serviços de saúde mental à atenção básica, que é o primeiro contato da pessoa com os serviços gerais de saúde — explica Oliveira e Souza.

Serviços interrompidos

Não há dúvida de que a pandemia aumentou o número de pessoas com novas doenças mentais ou agravou condições pré-existentes, como esquizofrenia, tendências suicidas ou vícios. No entanto, também fez com que os serviços de saúde mental e apoio psicossocial parassem de funcionar temporariamente ou tivessem seu pessoal reduzido. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), esses tipos de serviços sofreram interrupções em 60% dos países das Américas em 2021.

— Quando analisamos o estado dos diferentes serviços de saúde durante a pandemia, os atendimentos de saúde mental são os que receberam o maior impacto. Eles foram encerrados, como parte de medidas de proteção pública, ou muitas vezes os profissionais que ali trabalhavam foram transferidos em resposta rápida à emergência da Covid-19. A realidade é que, quando os serviços de saúde mental são mais necessários, eles têm o pior desempenho. É verdade que existem boas iniciativas para combater esse problema, como a grande expansão dos serviços por meio da internet ou do telefone, mas também sabemos que não atingem a todos — diz Oliveira e Souza.

Uma mudança completa

É provável que a pandemia da Covid-19 tenha efeitos adversos duradouros sobre a saúde mental e o bem-estar das pessoas e que continue a exercer pressão prolongada sobre os serviços especializados. Para o especialista da Opas, é essencial que os países priorizem a saúde mental agora, não apenas para responder aos problemas atuais, mas também para evitar que continuem ou piorem.

— É necessário que os países mudem seus sistemas de saúde mental, que muitas vezes são baseados em hospitais psiquiátricos. Os serviços precisam ser voltados para a comunidade. A situação melhorou, existem mais serviços comunitários de saúde mental, mas a cobertura ainda é muito baixa. Há um trabalho muito grande que temos em andamento com os países para garantir uma grande expansão dos serviços de saúde mental à comunidade —, declara Oliveira e Souza.

Alcançar essa meta também implicaria em quatro eixos principais: liderança política de alto nível e investimento adequado (cada dólar investido em saúde mental produz um retorno de quatro dólares); uma abordagem intersetorial (incluindo estados, sociedade civil, instituições acadêmicas, etc.); avanços na integração da saúde mental em todos os serviços de saúde, promoção e prevenção nas demais áreas da saúde e sociais; e uso das lições aprendidas durante a pandemia para investir em novas tecnologias.

Suicídios alto nas Américas

Quando a Opas avaliou seu Plano de Ação de Saúde Mental 2015-2020, observou um progresso notável em áreas como a redução da função dos hospitais psiquiátricos e o desenvolvimento de programas de prevenção. No entanto, a taxa regional apresentou números muito negativos.

Na região, quase 100 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Entre 2000 e 2019, a taxa de suicídio por idade nas Américas aumentou 17%, enquanto a taxa global e as taxas para todas as outras regiões da OMS diminuíram.

— O aumento da taxa regional de suicídio é um fator importante que nos fará dar maior ênfase à colaboração técnica com os Estados-membros, no sentido de aumentar o apoio aos seus planos nacionais de prevenção do suicídio. A redução dos suicídios é realmente uma área em que estamos piorando como região e temos que nos esforçar mais —, afirma Oliveira e Souza.

A Opas destaca que entre as principais medidas de prevenção do suicídio estão a limitação do acesso a meios para cometer suicídio (como a armas de fogo), identificação precoce, manejo e monitoramento das pessoas afetadas por pensamentos e comportamentos suicidas, bem como promoção de habilidades socioemocionais.

Embora seja verdade que ainda há muito trabalho a ser feito e pouco a comemorar no Dia Mundial da Saúde Mental, é de extrema importância fazer um apelo à união e à eliminação das desigualdades. Saúde mental de qualidade é um direito humano.

*O Grupo de Diarios América (GDA), ao qual pertence O GLOBO, é uma rede de veículos líderes em seus países fundada em 1991, que promove os valores democráticos, a imprensa independente e a liberdade de expressão na América Latina através do jornalismo de qualidade.

Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/bem-estar/servicos-de-saude-mental-sofreram-interrupcoes-em-60-dos-paises-das-americas-em-2021-diz-oms-25230601

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Ações da rede de apoio psicossocial na saúde pública: a experiência de União dos Palmares-AL

Com o NIP, veja como a Prefeitura de União transforma a vida das pessoas

O Núcleo de Integração Psicológica (NIP) foi inaugurado em novembro de 2019, e funciona como um serviço de fortalecimento psicológico para a população de União dos Palmares. Anexo ao Centro de Saúde Dr. José de Araújo Lima, o NIP oferta serviços de psicoterapia, acolhimento, grupos psicoterapêuticos e práticas integrativas, que servem de apoio aos atendimentos regulares feitos nas Unidades Básicas de Saúde.

Com uma equipe formada por sete profissionais de psicologia, assistente social e psiquiatra vinculados à atenção básica, os serviços de terapia alternativa, que incluem oficinas de mandalas, auriculoterapia, meditação guiada, entre outros, representam o grande diferencial do NIP, que auxiliam na prevenção do suicídio e valorização da vida.

O serviço foi implementado na gestão do prefeito Areski Freitas (MDB), após uma série de experiências exitosas realizadas pela equipe de psicologia da Secretaria de Saúde. Sob a liderança da psicóloga Luciene Figueredo, a ideia do NIP nasceu a partir das Rodas de Terapia Comunitária Integrativa realizadas para os alunos da Escola Municipal Mário Gomes.

– Já estávamos com 90 alunos participando dos encontros, e a demanda só aumentava. Foi quando percebemos que o município precisava de um núcleo de acolhimento psicológico – conta Luciene.

Em seu primeiro ano de funcionamento, foram realizados mais de 700 novos acolhimentos, que não incluiam serviços psiquiátricos. As sessões de psicoterapia somam cerca de mil atendimentos. Devido à pandemia da Covid-19, o núcleo pausou as atividades em grupo e trabalhou com serviços remotos para continuar levando conforto à população. Os atendimentos psiquiátricos também foram reduzidos, funcionando somente em caráter emergencial, assim como as atividades em grupo foram suspensas em prol da segurança sanitária.

Reconhecimento

O NIP simboliza um avanço nas práticas de apoio psicológico, e foi reconhecido a nível estadual, recebendo o prêmio da “Mostra Virtual Alagoana Aqui Tem SUS 2020”. Também participou da CIES como exemplo de experiências exitosas da comissão de integração. A gestão continua com o fortalecimento do serviço, pretendendo estimular os cuidados com a saúde mental e aderir campanhas como o Janeiro Branco, como forma de promoção dos serviços ofertados pelo município.

Fonte: www.br104.com.br/uniao-dos-palmares/com-o-nip-veja-como-a-prefeitura-de-uniao-transforma-a-vida-das-pessoas/


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Município gaúcho reforça ações de prevenção do suicídio: exemplo a ser seguido

Venâncio lança projeto de prevenção ao suicídio

Projeto ‘Saúde Mental em foco: Acolher é Prevenir’ foi lançado nesta semana

Criado pela Secretaria Municipal de Saúde, com apoio do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires, o projeto ‘Saúde Mental em foco: Acolher é Prevenir’, que tem o objetivo de desenvolver ações de prevenção ao suicídio e à automutilação, inicia com a visitação aos serviços da rede. O objetivo é fazer o diagnóstico da situação no município.

As profissionais da empresa Converge, de Estrela (município vizinho), – uma psicóloga, uma enfermeira e uma assistente social –, buscam os dados epidemiológicos de suicídio e dos números de serviços, potencialidades e fragilidades. A compilação das informações começou no início de novembro, quando foi assinado o contrato com a empresa vencedora da licitação. A partir de janeiro serão feitas ações diretamente com os profissionais da rede de saúde, educação, assistência social, segurança e outros setores.

Em um ato de lançamento do projeto, nesta semana, na Prefeitura, a coordenadora do Comitê, Patrícia Antoni, comemorou a realização do projeto. “Lutamos bastante para conseguir a implantação deste projeto, que será fundamental para dar suporte e melhor direcionamento para a nossa rede, que não consegue fazer um acompanhamento e um trabalho permanente com os próprios profissionais. Então, o Comitê vai estar apoiando a realização deste trabalho, que vem a agregar muito para os profissionais que atuam diretamente no atendimento”, destacou.

Representando a empresa Converge, a assistente social, Luciana Gorgen, e a psicóloga, Mariana Mazzarino, ressaltaram a importância do projeto. “Temos a certeza de que teremos muito êxito e alcançaremos os objetivos deste contrato e fazer a diferença na busca de soluções para esta problemática existente no município”, destaca Luciana. Da mesma forma, Mariana, adiantou que “já visitamos os principais serviços da rede de saúde, também na educação, assistência e segurança, para termos uma noção das principais necessidades e carências, assim como potencialidades desses setores. A partir disso, vamos, agora, realizar conversas, oficinas de capacitações, algumas mais específicas em relação a serviços especializados, atenção básica, atuação com população infanto-juvenil, dos servidores destes setores e com isso o objetivo é colocar em voga o assunto da saúde mental”, explicou.

O secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber, salientou a necessidade de trabalhar o tema da saúde mental no município. “Sempre tivemos dificuldades de implantar esse projeto, com uma empresa para trabalhar no município nesse tema. Com o edital chegamos a empresa Converge, que já está desempenhando um bom trabalho e que ainda terá vários desdobramentos. Como secretário de saúde fico feliz em deixar esse legado para a cidade. Têm-se inúmeros casos em nosso município e só quem está na ponta sabe das dificuldades e da quantidade de casos que acontecem em nosso município. Por isso, fico feliz em estar participando deste projeto, porque Venâncio precisa falar sobre esse tema, entender o que acontece, fazer um trabalho de base para então tratar essa problemática.”

O prefeito Giovane Wickert enfatizou a necessidade de realizar um trabalho mais aprofundado para alcançar a diminuição do índice de suicídios e de tentativas de suicídio no município. “Venâncio, infelizmente, tem um índice destacado, o que nos deixa inconformados, porque em nível nacional essa marca de maior índice de suicídio se dá em função da cultura do tabaco. E como integrante de entidades de defesa do tabaco isso me incomoda, porque ele é a base da nossa economia. Pode até ser um dos fatores, mas não da forma como é atribuído. Venâncio é o segundo maior município da América Latina em pequenas propriedades rurais. O município que tem mais de 50 mil habitantes com um terço morando no interior, também tem o fator da colonização. Então, é preciso uma análise mais aprofundada de todas as características. Por isso esse é o início da caminhada, queremos que tenha sequência e temos a certeza de que o resultado final será muito importante para Venâncio”.

Fonte: https://folhadomate.com/livre/venancio-lanca-projeto-de-prevencao-ao-suicidio/

terça-feira, 7 de maio de 2019

O que eu sei sobre depressão é suficiente para ajudar alguém em crise suicida?

Não, isto não é um teste sobre o que você sabe sobre depressão e risco suicida.

O meu público é vasto e parte dele não é de profissionais de saúde. Eu mesmo não sou desta área.

A ideia é, somente, levantar o que seria o mínimo de conhecimento necessário para ajudarmos as pessoas que suspeitamos encontrar-se às voltas com a depressão.

Na figura ao lado há informações do tipo "ampla e geral" sobre a depressão. Elas não atingem o cerne do Distúrbio depressivo maior (DDM) ou transtorno depressivo maior. Ou simplesmente, depressão.

No site Como sair da depressão há informações de melhor qualidade, como estas:

O que preciso de saber sobre a depressão?
  • Você não pode curar outra pessoa com depressão profunda/clínica.
  • Há altos e baixos na recuperação da depressão.
     
  • Não diga a uma pessoa com depressão que “você entende.” A menos que você tenha passado por depressão nalguma fase da sua vida.
     
  • A recuperação da depressão não é apenas uma questão de tomar a medicação e ir a terapia. O tratamento envolve uma série de mudanças fundamentais em uma pessoa.
Informações como estas nos ajuda na condição de cuidador, mesmo que provisório, de uma pessoa deprimida (ou com algum outro transtorno). 

A melhor estratégia, quando não somos da área da saúde, é mesmo conduzir a pessoa a um profissional.

Enquanto isso não seja possível  (ou em paralelo) nosso dever é o de acolher e mostrar à pessoa o quanto ela é importante (a ponto de estarmos ocupados em cuidar dela!).

Se for tão somente uma tristeza passageira, o acolhimento trará o alívio necessário para a pessoa seguir adiante... Do contrário, ela estará sob os cuidados de um profissional que saberá lidar com a situação.

O que não devemos, nunca, é deixar a pessoa entregue aos seus próprios recursos (parcos ou nenhum!).

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Registrar corretamente tentativas de suicídio ajudará no atendimento

“Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará”, ressalta a enfermeira Hélcia Regina Lima Gonçalves

Roseane Pinheiro | 16/7/2017

A coordenadora do Núcleo de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DANT’S), Hélcia Regina Lima Gonçalves, defende que é necessário intensificar a cooperação entre as instituições de saúde para a prevenção do suicídio em Imperatriz. Entre os procedimentos está a correta utilização da ficha de notificação compulsória para que possam conhecer a realidade dos casos na cidade.

A enfermeira informa que o núcleo trabalha com todas as patologias não transmissíveis.  Para mapear os procedimentos, é adotada uma ficha de notificação compulsória que identifica as agressões que podem ser autoprovocadas, como o suicídio, ou interpessoais, a violência entre pessoas ou grupos. A entrevista foi concedida ao projeto Coletivas, da disciplina de Técnicas de Reportagem, do Curso de Jornalismo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é uma problema de saúde pública. O Brasil ocupa o indesejável oitavo lugar no ranking de países com maior número de suicídios. Como a sra. vê o suicídio, de acordo com sua vivência na área da saúde?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – O suicídio existe desde que o mundo é mundo. Esse fenômeno vem crescendo a cada dia. Hoje, mais de um milhão de pessoas, morre ou tenta morrer por suicídio no mundo e acaba sendo a décima causa de morte no nosso país. São muitas pessoas morrendo. Enquadramos o suicídio em diversas situações, mas vamos falar de duas vertentes: a positiva e a negativa. Para quem quer cometer esse ato é um pensamento positivo, mas, para nossa cultura, o pensamento suicida é negativista, principalmente porque nossa cultura é muito influenciada pala religião, somos em maioria cristãos e, por essa vertente religiosa, vamos ter o suicídio como um ato negativista. Mas para alguns estudiosos, inclusive jornalistas,  é um pensamento positivo.  E o principal pensamento positivo que a pessoas tem: “Eu vou resolver meus problemas”. Como? Com a morte.

Mas nós trabalhamos o suicídio como uma questão negativa, podemos apontar diversas causas. Uma delas é que pessoas que pensa e comete suicídio estaria teoricamente em estado de depressão e a depressão é a grande patologia do nosso século. Vários problemas de saúde vêm da depressão e o suicídio é um deles.

A ficha de notificação compulsória é recente, antes a mesma era somente preenchida pelos médicos, hoje em dia qualquer profissional de saúde que socorreu a vítima tanto no atendimento público quanto no privado é obrigado a preencher e depois encaminhar ao DANT’S (Doenças de Agravo Não Transmissíveis). Após chegar até vocês, qual o processo?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Após uma tentativa de suicídio iremos receber a notificação no sistema e  realizaremos uma busca para saber qual o acompanhamento que a pessoa precisará. A própria ficha possui um espaço especificando o órgão em que a pessoa pode ser encaminhada. Se for criança ao Conselho Tutelar, se for mulher à Delegacia da Mulher ou clínicas, hospitais, posto de saúde, entre outras instituições. Então buscaremos saber se tal pessoa possui algum acompanhamento, não somente no núcleo, mas na atenção básica de forma geral.

Uma das maiores benfeitorias dessa fixa de notificação compulsória é a identificação e recolhimento de dados de pacientes que tentaram suicídio e encaminhamento para a ajuda necessária. Você acha que em Imperatriz essas notificações estão ocorrendo corretamente e está sendo possível atender a população?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Sendo bem realista, ainda estamos iniciando o processo de atendimento à população. Nós estamos começando o processo de ampliação dos nossos atendimentos e conscientização dos profissionais da área de saúde agora. Temos parcerias com órgãos das mais diversas especialidades, pois não envolve só o suicídio, como, por exemplo: Secretária de Trânsito, a Delegacia da Mulher, as UPA’S (Unidade de Pronto Atendimento), o Socorrão, Socorrinho e hospitais privados, onde temos maior dificuldade. Existem tentativas de suicídio e um número considerável nas classes média e alta, mas não conseguimos identificar com clareza, pois são atendidos em hospitais particulares e pedem sigilo e tem esse direito. Só pode fazer a visita, independente se a rede de atendimento é pública ou privada, se a pessoa permitir e, se caso seja tentativa de suicídio, pois se houver óbito, a família é obrigada a nos receber. Tem um sistema que precisa ser fechado com esses dados de forma adequada, o que chamamos de “investigação de óbito”. Eu costumo dizer que ainda é uma situação subnotificada em Imperatriz. Identificam esses casos através do preenchimento da ficha, daí essas notificações vão até a gente, se não for, muitas vezes ninguém fica sabendo.

O suicídio é provocado por uma junção de diversos fatores. De acordo com os dados levantados, quais são as principais causas que levam uma pessoa a cometer suicídio na cidade?

Hélcia Regina Lima Gonçalves –  Diversos fatores mesmo, o suicídio pode estar ligado à depressão, uma questão financeira negativa, às situações de morte, perda de emprego recentemente, casos de divórcio ou perdeu um grande amor. A questão amorosa influencia muito e gera depressão, principalmente em jovens e adultos, entre outros fatores.

Nesse sistema de notificação existe uma classificação para registrar se houve reincidência em casos de suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Temos na ficha um espaço que pergunta se é a primeira vez que a pessoa tenta o suicídio ou se já e consecutivo e será marcado o caso da pessoa. Se for consecutivo a gente pensa: “poxa, essa pessoa não está tendo uma ajuda necessária”. Então fazemos um atendimento para ela o mais rápido possível. Quando eu falo em descentralização para as unidades é porque não conseguimos ir à casa de todos que precisam de ajuda em Imperatriz. Até porque não atuamos somente em Imperatriz, recebemos notificações de várias outras cidades mais próximas, incluindo os estados do Pará e Tocantins, pois essas cidades trazem o paciente para o atendimento aqui nos hospitais municipais.

Pode acontecer de um funcionário da saúde não preencher essa ficha ou não preencher de forma correta? E sem tem alguma punição nesses casos?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Não existe. O profissional irá receber uma notificação para esclarecer o porquê do não preenchimento da ficha. Não haverá punições ou advertências, mas uma orientação dos responsáveis do setor para que possa acontecer a execução dessa tarefa de forma correta. Essa é somente uma das diversas fichas que existem para serem preenchida naquele lugar, por aquela pessoa. Quando você exerce uma função, adquire várias obrigações e você não deve deixar de fazer nenhuma dela se forem suas. Qualquer profissional de saúde pode fazer o preenchimento da ficha do paciente. É claro que logo que der entrada é necessário que se priorize a vida, mas antes desse paciente receber alta, esse procedimento tem que ser realizado. Caso a nossa instituição seja comunicada, mesmo se for um caso que não foi notificado antes, iremos assistir esse paciente da mesma forma. Muitas vezes os parentes, vizinhos ou agentes de saúde nos procuram e, por fim, nos dirigimos até a residência para realizar o atendimento.

A rede pública de saúde tem que trabalhar em parceria de forma coesa. Quais desses parceiros seria o principal?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os postos de saúde são de suma importância na identificação de ideação suicida. Nos bairros estão os postos de saúde com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde. Eles estão mais próximos da população. Os agentes de saúde é aquele indivíduo que sempre está na sua casa. De alguma forma, ele vai participar da sua vida, ouvindo, observando o que circunda. É chamado de “fofoqueiro”, sempre querendo saber da vida das pessoas, mas na verdade ele quer saber é da saúde da população. O agente de saúde vai visitar e tentar entrar nesse aspecto. Por quê? Vai proporcionar o tipo de ajuda que a pessoa está necessitando e a encaminhará para o atendimento certo.

Como é feita a abordagem com uma pessoa que tentou o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Nós não podemos ser tendenciosos, em hipótese alguma. Não podemos envolver aspectos religiosos. Eu tenho a minha, ele (paciente) tem a dele, que pode até ser a mesma minha, mas não podemos envolver esse aspecto de nenhuma forma, definindo o que é certo ou errado. Nós devemos descobrir o porquê de tal atitude para fazero encaminhamento mais adequado. Nem todos os praticantes de suicídio possuem problemas mentais, diferente do que a maioria das pessoas pensa. As doenças mentais são diversas e temos que ter cuidado ao analisar cada caso. Por exemplo, tem pessoas que fazem a auto-mutilação, porém não é considerado tentativa de suicídio. A pessoa se corta toda ou decepa partes do corpo, mas não quer provocar sua morte. Ela está agredindo, se violentando e se mutilando, mas nem por isso quer se matar.

Qual e a relação entre álcool, drogas e o suicídio?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Os jovens tendem a ir mais para o lado das drogas ilícitas, no início. Alguns procuram para se sentirem melhor, outros, por outro lado, procuram porque já conhecem e sabem que vai “deprimir” seu sistema nervoso central. Entre os jovens e adolescentes, o que mais intensifica o desejo de se suicidar é o uso de álcool, seguido das drogas ilícitas. O uso de álcool está tão livre, porque, mesmo estando lá escrito “proibido a venda de álcool para menores de 18 anos”, vemos muitos jovens de ambos os sexos bebendo livremente.  Nossa forma de nos vestir confunde, os adultos se vestem como adolescentes e os adolescentes se vestem como adultos e não sabemos mais a idade cronológica das pessoas. Por isso você senta em uma mesa de bar, toma uma bebida e ninguém te pede um documento para confirma tua idade, no Brasil ainda é assim. Em outros países, só é possível entrar em bares se apresentarmos documentos de identidade. E, por isso, o alcoolismo tem crescido muito e o suicídio junto, visto que é um dos fatores agravantes.  Isso não quer dizer que vou ficar bêbado e vou querer me suicidar. Algumas vezes sim, outras não.

Qual o perfil das pessoas que tentam o suicídio em Imperatriz, segundo os registros oficiais?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – É mais comum entre mulheres de classe média, na faixa etária entre 13 a 35 anos. As pessoas tentam se suicidar de diversas formas, geralmente por pesticidas, que não é somente remédios para rato. (...) Só no ano passado em Imperatriz, tivemos um registro de 32 tentativas de suicídios entre mulheres, destas 22 dos casos foi por envenenamento e 2 intoxicações medicamentosa, apenas 2 por arma de fogo e 1 óbito, ou seja, das 32 tentativas, somente oito casos não foram por tentativa de envenenamento. Já no mês de março deste ano, tivemos 23 tentativas de suicídios e dois óbitos, números que precisam ser combatidos com urgência.

Sua experiência na área da saúde lhe garante uma percepção mais aguçada para notar quando uma pessoa esta precisando de ajuda. Como você faz essa identificação do paciente?

Hélcia Regina Lima Gonçalves – Como enfermeira, recebemos muitas pessoas e podemos perceber pela fala, no momento do atendimento, que ela está enfrentando alguma situação que pode levar ao suicídio. Quando a pensar diz: “eu quero sumir por um tempo”; “quero dormir e não acordar mais”; “quero dormir por três dias”, é preciso ficar atento, principalmente pessoas mais próximas como filho, pais e amigos, independente da idade. A pessoa pode estar com algum problema grave. Para você pode não ser, mas para ela sim. Temos que pensar da seguinte forma: somos indivíduos diferentes, mesmo que passemos pelo mesmo problema, cada um vai agir de uma forma diferente. Então todos nós devemos ficar atentos principalmente para as pessoas mais próximas da gente, assim podemos ajudá-las a tempo.

http://www.imperatriznoticias.com.br/noticias/capa/registrar-corretamente-tentativas-de-suicidio-ajudara-no-atendimento/

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PLANO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO NO BRASIL, DIGO, NO PIAUÍ!!

Piauí cria plano de ação para prevenção do suicídio

Além de instituir o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI).

Denise Nascimento

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no
Brasil 400 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de transtorno mental. Nesse contexto, o suicídio tem se destacado como um grave e crescente problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias.

Tendo isso em vista, dentro das políticas da Rede de Atenção Psicossocial, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí tem realizado ações de conscientização para as questões que envolvem a saúde mental. Uma delas é a elaboração, em parceria com outras instituições, do plano de ação para prevenção do suicídio que visa à sistematização e organização do fluxo de atenção e cuidado à saúde do paciente em risco de suicídio, buscando a redução desse agravo de saúde.

O plano prevê medidas como campanhas educativas, ações de promoção em saúde e prevenção de danos, reforçando a ação da atenção primária, visando o fortalecimento e a melhoria da qualidade de vida dessa população. Além disso, o secretário de Estado da Saúde, Francisco Costa, instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio (GTI), composto por equipe multiprofissional e interinstitucional para realização de debates constantes acerca do tema e vigilância das ações.

Uma das principais estratégias adotadas, como explica o secretário Francisco Costa, é “trabalhar a prevenção do suicídio logo na atenção básica, sensibilizando as equipes de Estratégia da Saúde da Família e capacitando os agentes comunitários de saúde para que eles estejam aptos a identificar pessoas com comportamentos autodestrutivos e fazer os encaminhamentos necessários para o tratamento adequado”.

Outra ação é a elaboração de um aplicativo como ferramenta que permita os professores, no âmbito da educação tanto no nível fundamental, médio como no superior, detectarem precocemente pessoas com sofrimento psíquico que podem levar ao suicídio. O Estado também irá fomentar pesquisas científicas junto ao grupo de estudo sobre prevenção ao suicídio nas Universidades e Faculdades.

Como dispositivos de assistência, o Estado oferece gratuitamente acesso a hospitais, centro de acompanhamento e programas de cuidados em Saúde Mental. Atualmente, o Piauí possui 62 Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) e implementou leitos psicossociais na rede hospitalar.

Realidade no Piauí
O Piauí, segundo dados do Ministério da Saúde, mostrou-se com uma taxa bruta de mortalidade por suicídio a cada 100 mil habitantes superior à do Brasil. Enquanto a taxa do Estado é de 7,6, a do país é de 5,3. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Estado da Saúde apontam que nos anos de 2015 e 2016 foram registrados 541 óbitos por suicídio no Estado.

A notificação das tentativas de suicídio também vem aumentando em todos os anos, em 2015 foram 603 tentativas, já no ano seguinte foram 724, totalizando 1.327 casos. A faixa etária com maior número de óbitos por suicídio está entre 20 e 29 anos. Além disso, Teresina ocupa o 1º lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes, e em 2º lugar na população jovem entre 15 e 24 anos.

Fonte: http://www.piaui.pi.gov.br/noticias/index/categoria/2/id/29449

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

básico, elementar, primário...

Nota preliminar: Cuidado de saúde primário é equivalente a "Atenção primária à saúde (APS)" ou "Atenção básica" (governo do Brasil)


A prevenção do suicídio nos cuidados de saúde primários
por Ana Cardoso

Os cuidados de saúde primários (CSP) devem ser capazes de oferecer uma resposta adequada às necessidades dos utentes [usuários]. Sabe-se atualmente que o número de suicídios em Portugal tem vindo a aumentar e, por esse motivo, é crucial que os profissionais dos CSP saibam diagnosticar, identificar e tratar (ou encaminhar) todas queixas relacionadas com este fenómeno.

Considera-se que uma resposta adequada passa pela própria sensibilização dos técnicos e, por esse motivo, é crucial dotar as equipas através de formações que visem o treino de competências e que possibilitem o desenvolvimento de abordagens específicas a nível da prevenção do suicídio nos CSP.

É de salientar que as perturbações depressivas ocupam um lugar de destaque, tendo sido a quarta causa mais importante para a explicação da carga global da doença. As previsões da OMS apontam ainda para que em 2030 a depressão se torne no fator de maior contribuição para a carga da doença nos países desenvolvidos.

A necessidade em intervir a nível formativo para com os técnicos de saúde que trabalhem nos CSP passo por (1) promover o desenvolvimento das competências dos técnicos, permitindo o aprofundamento de perícias a nível do tratamento, diagnóstico e avaliação das perturbações depressivas (PD); (2) sensibilizar para o impacto das PD nos CSP; (3) promover o envolvimento de técnicos dos CSP a nível do desenvolvimento de novas competências que visem prevenir o suicídio; (4) facilitar a aquisição de conhecimentos específicos a nível de programas de intervenção nos CSP e (5) fomentar a necessidade do trabalho em equipa multidisciplinar.

A possibilidade de oferecer aos técnicos formação específica nesta área deve ser considerada como prioritária uma vez que se considera que os profissionais de saúde ao estarem mais sensibilizados, mais atentos e mais informados para com este fenómeno, poderão vir a ter uma atitude preventiva, evitando assim com que o número de suicídios registados nos últimos anos no nosso País venha a aumentar.

Fonte: