segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Outras visões sobre o suicídio

Atribuir o suicídio a apenas causas individuais e transtornos mentais é simplista demais 

Consolidar um diálogo sobre tentativas de suicídio justificados apenas em causas individuais e transtornos psiquiátricos, é simplista demais

Fernanda Magano* (16 setembro 2022)

É fundamental desvelarmos este tema sem preconceitos e amplificarmos na saúde pública ações de prevenção e cuidado.

Este deve ser um movimento cotidiano, todavia foi criado um “Dia Mundial da Prevenção do Suicídio” celebrado em 10 de setembro e referendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A data remete a um compromisso global para chamar atenção para a prevenção.

Segundo a OMS, o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte no mundo, sendo responsável por uma em cada 100 mortes, e se configura como um problema de saúde pública.

É um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Os índices de violência LGBTI+fóbica colocam o nosso país no primeiro lugar no ranking de assassinatos à população LGBTI+ em todo o mundo.

O racismo estrutural gera danos que impactam estados psíquicos através da humilhação racial e a subsequente ação de tentativa de apagamento das consequências do sofrimento psíquico entre a população negra.

Preocupa, e deve ser melhor estudada, a taxa de mortalidade por suicídio entre povos indígenas no Brasil ser três vezes maior que a da população em geral.

É preciso buscar formas de intervenção e cuidado da saúde mental desta população, respeitando suas concepções de vida, de morte, sua organização social e política, além de relações de parentesco diferenciadas e cosmologias e sistemas de crença específicos.

Minha provocação aqui é dirimir a afirmação direta de que as tentativas de suicídio estão associadas somente e diretamente a transtornos mentais, como a depressão e ao abuso de substâncias psicoativas. A questão é para além disto.

Nos efeitos da sociedade capitalista brasileira, que hoje está ainda mais profundamente marcada pelas desigualdades sociais e pela opressão, além das questões da competitividade e disputas com efeitos da fragilidade dos vínculos trabalhistas, as condições de trabalho e dificuldades socioeconômicas pioram a cada dia e a volta das populações abaixo da linha da miséria e com fome são cada vez mais visíveis.

Sem falar do inegável e descarado desmonte das políticas públicas e da política de austeridade fiscal, como a Emenda Constitucional 95, que apresentam efeitos cada vez mais nocivos.

Precisamos abrir este debate na sociedade, especialmente no Controle Social da Saúde, porque isto significa derrubar estigmas.

Para isso, é fundamental dar eco à discussão do fortalecimento e financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) como um sistema público, potente e suficiente para oferecer nas redes de atenção psicossocial estruturadas, o caminho mais indicado e justo para a prevenção ao suicídio.

Consolidar um diálogo sobre ideações, verbalizações, tentativas e suicídios consumados, apenas justificando em causas individuais e em transtornos psiquiátricos, é simplista demais.

Principalmente por estarmos ainda sob os efeitos da sindemia/pandemia da Covid-19, aonde ficou escancarado que o acesso a saúde pública é uma necessidade e um direito humano.

É preciso prevenção, detecção e resposta, e sobretudo uma discussão aberta sobre saúde mental também nas casas, nas escolas e nos locais de trabalho.

Um movimento voltado para a população em geral e grupos de risco, facilitando a conscientização e rompendo com as barreiras para a busca de ajuda, destacando que a maioria das tentativas ou dos suicídios concretizados, manifestam sinais verbais ou comportamentais, que funcionam com alertas.

É preciso enfrentar os estigmas, discuti-los, criar fatores de proteção, promovendo a conscientização, retomando o planejamento e a adoção de políticas de redução danos.

As ações de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) devem ocorrer incluindo abordagem multiprofissional, com profissionais da Psicologia, Enfermagem, Medicina, Terapia Ocupacional, Serviço Social, entre outros.

É preciso ampliar a sensibilidade nas intervenções nas UPAs 24H, no SAMU 192, nos pronto-socorros e nos hospitais, assim como as parcerias das ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV) com o SUS, por meio do número 188, e o suporte social dentro de serviços em Rede com a Educação e Sistema Único de Assistência Social (Suas).

Temos que enfrentar falácias e buscar compreender as perdas e sofrimentos, as vivências com violências, as histórias de vida com traumas repetidos, as situações de abuso, violência doméstica, assédio moral, assédio sexual, humilhações e constrangimentos e tantas outras formas de sofrimentos invisíveis.

Para garantir saúde mental e prevenir o suicídio é fundamental que os direitos sociais sejam garantidos, fazer valer e cumprir os preceitos do Artigo 6º da Constituição Federal, que define e enumera quais são os direitos sociais: à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho, à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à Previdência Social, à proteção à maternidade e à infância e promover assistência aos desamparados.

*Fernanda Lou Sans Magano é psicóloga, conselheira nacional de saúde e integrante da mesa diretora do Conselho Nacional de Saúde (CNS)

Fonte: www.viomundo.com.br/blogdasaude/fernanda-magano-atribuir-o-suicidio-a-apenas-causas-individuais-e-transtornos-mentais-e-simplista-demais.html

sábado, 10 de setembro de 2022

Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) oferece acolhimento para prevenção de suicídio

(8 setembro 2022)

O próximo dia 10 é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, organizado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) e endossado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa um compromisso global para chamar atenção para prevenção do suicídio.

De acordo com a última pesquisa realizada pela OMS em 2019, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de 1 milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas tiram a própria vida, por dia.

Ainda segundo a OMS, a maioria dos casos tem relação com doenças mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se essas pessoas tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e informações.

Por causa disso e também aliado ao caráter comunitário, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) disponibiliza acolhimento a essas pessoas. “A Unisc oferece uma diversidade de ações através dos seus diferentes cursos. No Serviço Integrado de Saúde (SIS), oferecemos atendimento psicoterápico à comunidade, sendo que entre os transtornos mais frequentes está a depressão”, fala o professor Jerto Cardoso da Silva, responsável pela área da psicologia no SIS.

Os interessados podem ligar para o SIS pelo telefone (51) 3717-7480 para se inscrever nos acolhimentos, com ou sem encaminhamento.

Egressa da Unisc passa orientações

A psicóloga e mestre em Psicologia pela Unisc, Vanessa Mendes Pinto Mostardeiro, desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre o tema. 

Foi elaborado um estudo extremamente relevante, realizado numa Organização Militar, o qual pode proporcionar reflexões a respeito do sofrimento psíquico dos militares propensos à prática de suicídio, além de desenvolver ações interventivas preventivas eficazes para minimizar a possibilidade de risco do suicídio.
Dentro desta pesquisa e ao longo do mestrado, Vanessa diz que é possível traçar alguns sinais de alerta.

É comprovado que a cada 10 suicídios consumados, 9 deles poderiam ter sido evitados pelos sinais emitidos como mudança na personalidade, mudança no hábito alimentar e de sono, raiva de si mesmo, entre outros.
Ainda, Vanessa explica que, em geral, os suicídios são premeditados e as pessoas dão sinais das intenções. 

Reconhecer esses sinais de alerta e oferecer apoio ajudam a prevenir. A expressão do desejo suicida nunca deve ser interpretada como simples ameaça ou chantagem emocional. Perguntar sobre a intenção suicida não aumenta nas pessoas o desejo de realizar o ato.
Caso estes sinais ocorram, Vanessa orienta a encontrar um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. 

Deixe-a saber que você está lá para escutar, ouça com a mente aberta e atenção, seja empático e ofereça apoio. Leve a situação a sério e verifique o grau de risco. Não fique chocado, envergonhado ou em pânico, apenas acolha. Nunca guarde segredos sobre esse assunto. Incentive a pessoa a procurar ajuda de um profissional especializado em saúde mental. Ofereça-se para acompanhá-la em uma consulta. Caso você ache que essa pessoa está em perigo iminente, não a deixe sozinha. Não desqualifique a pessoa, nem faça o problema dela parecer sem importância. Não compare a situação com outros casos.

Sinais de alerta 

  • Expressões de ideias ou de intenções suicidas, isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, como parar de realizar atividades que antes considerava prazerosas;
  • Pessoas com comportamento retraído - dificuldade de relacionamento pessoal;
    Mudança na personalidade - irritabilidade, pessimismo, tristeza profunda, acessos de choro ou apatia;
  • Mudança no hábito alimentar e de sono;
  • Tentativa de suicídio anterior;
  • Raiva de si mesmo - odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha;
    Perda recente de entes queridos – morte, divórcio, separação, dentre outros; e
  • Histórico familiar de suicídio.
  • Deve-se, também, atentar para as frases de alerta: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria dormir e nunca mais acordar”, “Quero desaparecer”, “Não me deixe fazer besteira”, “sou um peso para as pessoas”, “Não vejo futuro para mim”, “Não aguento mais sofrer”, “não suporto mais essa vida”, “ainda vou fazer besteira”, “minha vida não vale mais a pena”. 

Saiba mais

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza, em território nacional, o Setembro Amarelo. Em 2022, o lema é “A vida é a melhor escolha!”.  Universidade tem o Serviço Integrado de Saúde (SIS) que disponibiliza apoio

Fonte: https://www.portalarauto.com.br/Pages/213911/unisc-oferece-acolhimento-para-prevencao-de-suicidio

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Taxa de suicídio entre bancários é alarmante!

Setembro Amarelo estimula a vida e previne o suicídio

Contraf-CUT  (6 setembro 2022)

A vida é a melhor escolha! Com esse lema, o Setembro Amarelo, que ocorre desde 2014 no Brasil, engloba uma série de ações de prevenção ao suicídio, em especial baseadas na difusão de informação. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), essa é a maior campanha antiestigma do mundo.

Esta sexta-feira (10) é o Dia Internacional de Prevenção ao Suicídio, no entanto as entidades ligadas ao tema atuam o ano todo, de modo contínuo, para desestimular qualquer risco, pois o volume de casos mostra que se trata de uma questão que afeta todas as sociedades.

Conforme a última pesquisa sobre o tema, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, são registrados mais de 700 mil casos por ano em todo o mundo, mas estima-se que esse número seja de até 1 milhão. No Brasil, são notificados cerca de 14 mil por ano, ou seja, 38 pessoas em média cometem suicídio por dia no país. 

Como ajudar

Todas as pessoas devem atuar na prevenção do suicídio. Essa postura nem sempre é fácil de ser adotada, pois o assunto ainda é visto como um grande tabu. Conforme orientações das entidades médicas, como a APD, o CFM e a OMS, a primeira e principal iniciativa pessoal para isso é informar-se.

Como o pensamento de uma pessoa que está considerando se matar passa a ser controlado por seu sofrimento emocional, é fundamental que quem está próximo dela consiga identificar essa sua condição, saiba ouvi-la sem julgamentos, demonstre empatia e possa encaminhá-la aos cuidados de um psiquiatra, que é o profissional capaz de salvá-la.

Várias publicações ajudam nesse processo, como as cartilha Suicídio: informando para prevenir, do CFM, e Prevenção ao suicídio e promoção da vida, do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários). Para divulgar e participar da campanha do Setembro Amarelo deste ano, conheça as diretrizes da APB e do CFM.

Bancários e bancárias

A categoria bancária é uma das que apresentam alto índice de suicídio no Brasil. Entre 1993 e 1995, por exemplo, quando ocorreram várias privatizações e reestruturações no setor, foram registrados 72 suicídios entre bancários, ou seja, um a cada 15 dias. Outro levantamento, mostra que de 1996 a 2005 foram 181 casos, ou um a cada 20 dias.

O documentário 4 Contos, a tragédia por trás do lucro, produzido pelo SindBancários e disponível no Youtube, trata da questão especificamente dentro da categoria. A produção é baseada em testemunhos de bancários que estiveram próximos à decisão extrema de pôr fim à própria vida e mostra com bastante realismo como a pressão no ambiente de trabalho está relacionado ao suicídio.

“Nós, bancários, somos muito cobrados no trabalho por resultados abusivos, metas inatingíveis, assédio moral, o que causa um profundo sentimento de insegurança, medo e solidão”, afirma o secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles.

Pesquisa sobre sequelas da covid-19, desenvolvida pela Contraf-CUT, mostrou, por exemplo, que 67,1% dos bancários e bancárias sentem quase o tempo todo a cabeça cheia de preocupação e que 45% nunca ou quase nunca se sentem alegres.

“As consequências dessa opressão podem ser observadas pelo forte aumento de afastamentos na categoria por problemas psíquicos, que, nos últimos anos, superou inclusive as ocorrências de lesão por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/Dort)”, continua o secretário. “Essa situação de estresse pode ser tão intensa, que o trabalhador se sente encurralado, a ponto de ser levado ao suicídio”, conclui.

Seminário

Nos próximos dias 12, 13 e 14, das 9h às 18h, será realizado o 2º Seminário Sofrimento Mental e Suicídio: Estratégias de Enfrentamento no Trabalho, organizado pelo Ministério Público do Trabalho e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com apoio da Contraf-CUT e de diversas outras entidades. O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do MPT de Campinas.

Fonte: www.apcefsp.org.br/noticias/setembro-amarelo-estimula-a-vida-e-previne-o-suicidio

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Debate sobre depressão e prevenção ao suicídio percorrerá escolas de Santos a partir de setembro

Em tempos em que a depressão atinge quase 40% dos jovens brasileiros, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), direcionar holofotes à doença torna-se ainda mais necessário.

Visando ampliar o debate sobre o tema em Santos, foi lançado nesta quinta-feira (25), no Teatro Guarany, o projeto ‘Fala Galera’. A ação levará rodas de bate-papo e dinâmicas às escolas municipais e estaduais a partir de 1º de setembro. A iniciativa é da Coordenadoria da Infância e Juventude (Cojuv), da Secretaria da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos.Iniciativa visa combater a doença entre os jovens

As primeiras escolas que aderiram ao projeto são Florestan Fernandes e Cidade de Santos (Embaré), José Carlos de Azevedo Junior (São Manoel), Irmão José Genésio (Morro José Menino), Oswaldo Justo (Chico de Paula), Mário de Alcântara (Valongo), Edméa Ladevid (Gonzaga) e Lourdes Ortiz (Aparecida).

O projeto levará ao ambiente escolar o escritor santista Marcos Martinz, 21 anos, reconhecido nacionalmente pelo livro ‘Até que a Morte nos Ampare’. A obra, que já vendeu mais de 10 mil exemplares e liderou a categoria Saúde no site Amazon, nasceu de manuscritos durante um tratamento de depressão. Escritor sofreu bullying no ensino médio e deu a volta por cima através da escrita

À época, com 16 anos, Martinz foi vítima de bullying na escola, fato que o levou a uma tentativa de suicídio. Superada a depressão, hoje o jovem santista retrata sua vitória pessoal nos bancos escolares com linguagem descontraída.

“Fico feliz e emocionado por poder contar minha história. Acredito que meu livro tem um papel de responsabilidade social. Muitas vezes quem está com depressão não sabe que contraiu a doença. Esse é um momento de despertar e abordar a valorização da vida”, ressaltou Martinz, que conversou com cerca de 150 jovens de grêmios estudantis de Santos, no lançamento desta manhã.

Além do bate-papo com o autor, o evento contou com manifestações artístico-culturais. Com temática voltada à prevenção do suicídio e participação de personagens da obra, o lançamento teve esquetes do grêmio estudantil Pedro II, além de apresentação musical do projeto TamTam.

Para a coordenadora do projeto, a educadora Christiane Andréa, o ‘Fala Galera’ conversará com os jovens santistas das mais variadas formas. “O projeto vai permitir uma conversa com esse renomado autor, abordando sentimentos, dores e as dificuldades de expressar suas emoções. Seja por meio da escrita, como foi com o Martinz, a música ou o teatro, a arte pode ajudar o jovem a superar a depressão”, ressaltou a chefe da seção de Políticas para a Infância e Juventude do Cojuv.

Fala galera

Entre os 150 estudantes presentes no Teatro Guarany, para Ana Laura Dias, 13, da Unidade Municipal de Ensino (UME) Ayrton Senna da Silva, o projeto auxiliará os jovens a lidar com as pressões sofridas no dia a dia. “Hoje os jovens sofrem muita pressão psicológica, seja por conta da escola ou fatos envolvendo amigos e família. E esse cenário não é fácil de lidar, até porque muitos não têm amigos. Esse projeto é bom para incentivarmos o diálogo nas escolas e mostrar que todos podem ser ouvidos e ajudados”, afirmou a estudante.


Já Agatha Luiza Batista, 14, da UME Cidade de Santos, acredita que o 'Fala Galera' contribuirá no bate-papo com os amigos de sala de aula. “Conheço colegas que sofrem com depressão, ansiedade e, sempre que posso, tento ajudá-los com uma palavra de conforto. O suicídio é um assunto muito delicado. Tenho certeza que esse evento de hoje vai me ajudar com futuras conversas, sem dúvida alguma”, destacou a solidária estudante. 

Itegrante das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio, o ‘Fala Galera’ também percorrerá as escolas durante os meses de outubro e novembro. Segundo a coordenação do projeto, a iniciativa ainda pretende marcar presença nas escolas da rede particular de ensino. 


Sinopse do livro

Todas as noites o espírito de Marcos é levado para um passeio ao mundo dos mortos por Dona Morte, para conhecer a história de algumas pessoas que estão estagnadas em um portal do outro lado da vida e que buscam a redenção.

Em um desses passeios noturnos, Dona Morte o apresenta a Rosa, uma jovem que morreu aos 17 anos, no dia de seu casamento. 'Até que a morte nos ampare' trata de assuntos sérios de forma leve. Com linguagem descontraída, o autor mescla suspense, drama e momentos divertidos na figura da simpática personagem Dona Morte, que com humor sarcástico presenteia o leitor com ensinamentos e reflexões.

A delicadeza para tratar de um tema que a maioria das pessoas ignoram - a depressão, principalmente entre os jovens - e o ritmo de suspense e mistério prendem a atenção do começo ao fim e fazem deste livro uma leitura indispensável.

Inscrições

Escolas públicas ou particulares interessadas em receber o projeto devem entrar em contato pelo telefone da Coordenadoria da Infância e Juventude de Santos: (13) 3202-1889.

Fonte: www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/debate-sobre-depressao-e-prevencao-ao-suicidio-percorrera-escolas-de-santos-a-partir-de-setembro

Com lema "A vida é a melhor escolha", Setembro Amarelo alerta sobre suicídio

Beatriz Gomes

10 de setembro é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Desde 2014, a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o CVV (Centro de Valorização da Vida) organizam, em todo território nacional, a campanha Setembro Amarelo, para chamar atenção sobre suicídio, um problema de saúde pública. As ocorrências têm crescido, principalmente entre os jovens, e desafiado toda a sociedade. Com o lema A vida é a melhor escolha, a campanha marca o Dia Mundial do Suicídio, 10 de setembro.

Os suicídios, segundo o psiquiatra Líbano Abiatar, estão quase todos associados à presença de transtornos mentais, principalmente os de humor, esquizofrenia, por uso de substâncias psicoativas e os de personalidade. “Familiares e amigos de pessoas que possuem pensamentos suicidas podem ajudar se auxiliar a vítima a procurar ajuda especializada, e prover um ambiente seguro e continente, de forma que a pessoa se sinta acolhida e tenha menor risco de evoluir para o comportamento suicida”, reforça.

Sobre o tratamento, Abiatar ressalta que todas as atitudes que promovem saúde mental podem ajudar. “Numa situação grave como essa, as modalidades de tratamento não são excludentes, e sim adjuvantes, complementares. A identificação e o manejo dos transtornos mentais associados pode reduzir significativamente o risco de suicídio”, esclarece.

O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, de acordo com as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicadas em junho de 2021, no relatório de suicídio mundial de 2019. Anualmente, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que devido a HIV, malária, câncer de mama, ou, até, guerras e homicídios. Em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio: uma em cada 100 mortes, o que levou a OMS a produzir novas orientações para ajudar os países a melhorarem a prevenção do suicídio e atendimento.

A região do ABC não possui um órgão responsável pelos registros de suicídio na região, mas dados de 2017 da Fundação Seade, registraram 229 casos de mortes por agressão na região do ABC, números que incluem óbitos por suicídio. Sendo eles, 63 em Santo André, 58 em Diadema, 51 em Mauá, 40 em São Bernardo, sete em São Caetano, seis em Rio Grande da Serra e quatro em Ribeirão Pires.

Segundo a Prefeitura de Santo André, retirados do Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação), em 2020 o município teve 421 notificações de tentativa de suicídio e/ou lesões autoprovocadas. Em 2021, foram registradas 478 notificações e, em 2022, até o momento, foram 286. Em relação aos casos de suicídio em Santo André, foram registrados 31 óbitos em 2020, 29 em 2021 e 29 em 2022, até agora.

Ações na região

Há dois anos, Santo André instituiu a Linha de Cuidado às Tentativas de Suicídio (TS). Nela foi estabelecido que todas as entradas de TS das UPAs (unidades de pronto atendimento) seguiriam para o Pronto Socorro de Psiquiatria do CHM (Centro Hospitalar Municipal) para avaliação psiquiátrica e psicológica, posteriormente às unidades do CAPS, Centro de Atenção Psicossocial (Adulto, AD, IJ). Mesmo o seguimento do tratamento feito nos CAPSs , o serviço de psicologia do CHM segue em contato telefônico com os pacientes.

O cuidado dispensado não pode se restringir apenas ao psiquiatra e psicólogo, mas a grupos e oficinas terapêuticas, apoio e orientação aos familiares, hospitalidade diurna e noturna (internação). Por isso, Ribeirão Pires realizará palestras nas unidades de saúde e eventos nos CAPSs da cidade, além de reforçar as ações de prevenção ao suicídio Através dos centros, oferece desde assistência social até psiquiatra.

Diadema irá promover ações intersetoriais para o Setembro Amarelo com olhar voltado para o cuidado e para a defesa da vida. Com o tema “A vida é a melhor escolha: cante, dance e saboreie”, a programação vem com atividades para o público em geral e engloba palestras, rodas de conversa, caminhada, peça de teatro, oficinas para manejo dos casos, entre outros. A programação está em fase de preparação.

Peças teatrais

Em alusão ao Setembro Amarelo, São Bernardo programa diversas atividades, com foco na prevenção ao suicídio. O objetivo é sensibilizar e alertar a população sobre a importância do debate sobre o suicídio e suas causas, especialmente, neste momento de pandemia. Uma das ações será o evento “Vida, Uma Experiência”, que será realizado na Fábrica de Cultura local, nos dias 20, 21 e 23 de setembro, das 9 às 16h. Peças teatrais, rodas de conversa, danças circulares, palestras de especialistas e pacientes, oficinas, trabalhos manuais, prática de tai chi chuan e um sarau também estão na programação.

Para reforçar o cronograma, as nove unidades CAPS também promovem em setembro atividades integrativas e de sensibilização junto ao público atendido nos centros, como distribuição de laços amarelos, projeções de vídeos, oficinas e rodas de conversas.

Em São Caetano, haverá atividades internas nos CAPSs, assim como treinamento em risco de suicídio para a Atenção Básica. Na rede são oferecidos estão os CAPS, CAPS AD, equipe de saúde mental da USCA (Unidade de Saúde da Criança e do Adolescente), equipe de saúde mental do CAISM (Centro de Atenção integral à Saúde da Mulher), suporte da Atenção Básica para casos leves e PS Psiquiátrico para casos agudos. Para casos de suicídio é obrigatória a notificação compulsória. Assim, o pronto-socorro faz a notificação e essa informação é centralizada na vigilância epidemiológica.

Além da rede pública municipal, o CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimento voluntário e gratuito a todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone 141 e email santoandre@cvv.org.br 24 horas, todos os dias.

Fonte: www.reporterdiario.com.br/noticia/3146169/com-lema-a-vida-e-a-melhor-escolha-setembro-amarelo-alerta-sobre-suicidio/

 

 

Valorizar a vida é a melhor prevenção

Marcelo Grisa (5 setembro 2022)

       Além das ações externas, oficinas do Caps reforçam ações pelo autocuidado no mês de setembro

Diego (nome fictício) tem 24 anos e chegou pela primeira vez no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Estrela, Rio Grande do Sul, em 2017. Sua mãe o deixou no local e foi trabalhar. Naquele momento, ele já havia passado cerca de dez anos entre diferentes tratamentos psicológicos.

Era uma tristeza enorme. As coisas não fazem muito sentido. A vida era meio cinza”, admite. Segundo ele, apesar de todo o tratamento anterior, era difícil se abrir pelo julgamento que as pessoas ainda têm da depressão e da ansiedade.

Após passar uma manhã inteira na instituição, Diego ainda não sabia, mas havia tomado o primeiro passo para superar pensamentos e ideias de suicídio. Para ele, os remédios ajudam, mas o tratamento no Caps mudou sua vida. “A vontade de viver tinha sumido. É como se ela brotasse de novo a partir daí.”

A mãe de Diego sempre o apoiou em seu tratamento. Segundo ele, perceber que pelo menos uma pessoa se importa foi o suficiente para seguir em frente.

Um dia de cada vez

Diego acredita que, num primeiro momento, é necessário encontrar motivos para viver todos os dias. “Focar naquilo que é bom, adia os pensamentos ruins. Cada vez que você se prende a um momento, tem mais oportunidade de perceber que é possível viver sem esse peso”, aponta.

A assistente social do Caps, Lori Braun, explica que pessoas próximas são importantes para a continuidade no tratamento dos pacientes. “É necessário o envolvimento de uma rede de apoio quando uma pessoa não tem energia para dar o primeiro passo e buscar ajuda”, afirma.

A enfermeira Débora Martins lembra que não é apenas o Caps que pode atender essa demanda. “Qualquer um está sujeito a ter um sofrimento psíquico. Essa pessoa nessa situação precisa de alguém para conversar, e isso pode ser feito também no posto de saúde”, diz. Em alguns casos, a equipe faz o primeiro atendimento e pode redirecionar o tratamento para uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

A campanha

O Setembro Amarelo ocorre em 78 países. Dentre eles, o Brasil. Em 2022, o tema é “Criando esperança através da ação”. O objetivo é refletir a necessidade de ações coletivas para lidar com essa questão de saúde pública.

Uma das psicólogas do Centro de Atenção, Maria Angélica Hartmann Gräeff, ressalta a necessidade de o poder público investir na promoção da saúde mental. “Falam em pós-pandemia. Mas antes da pandemia, a depressão já era a maior causa de afastamento do trabalho. Com a Covid, aumentou muito a nossa demanda, em especial dos casos de ansiedade na população mais jovem”, argumenta.

Autocuidado

A psicóloga Ana Júlia Knack lembra que o paciente precisa também fazer mudanças na sua rotina para valorizar sua própria vida. “É hoje confirmado que o exercício físico ajuda muito quem tem ansiedade.”

Ana Júlia afirma que uma série de atitudes pode contribuir para o autocuidado. Ela aponta que atitudes como cuidar da beleza e comer melhor não servem apenas para isso, mas também para se sentir bem consigo mesmo, o que complementa o tratamento e a medicação.

Diego trabalha para se ocupar sempre. Ele tem como paixão a arte gráfica. Há alguns anos, não tinha vontade de desenhar. Hoje, ele pega o lápis todo dia para produzir algo quando está em casa e, a partir disso, faz planos para o futuro. “Eu ainda vou montar um estúdio de tatuagem, tenho certeza”, completa.

Seminário “Saúde Mental e Prevenção do Suicídio”

Dia: 14/09/22
Horário: 8h
Local: Câmara de Vereadores de Estrela-RS
Mediação: psiquiatras Clara Rohrsetzer Sfoggia e Luciana Silveira
Público-alvo: profissionais da rede intersetorial
Organização: CAPS

Seminário “Valorização da vida”

Dia: 26/09/22
Horário: 13h30min
Local: Câmara de Vereadores de Estrela-RS
Público-alvo: comunidade em geral e convidados
Organização: CAPS e equipe de saúde mental da atenção básica

Fonte: https://grupoahora.net.br/conteudos/2022/09/05/valorizar-a-vida-e-a-melhor-prevencao/

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Álcool e drogas: quando a dependência das substâncias leva ao suicídio

É preciso entender o recado oferecido pelas estatísticas e agir para evitar novas mortes

Analice Gigliotti (1º agosto 2022)

Estudo inédito da UnB (Universidade de Brasília) – publicado em artigo científico na revista BMC Psychiatric – concluiu que quatro em cada dez pessoas que cometeram suicídio no Distrito Federal, entre 2005 e 2014, usavam substâncias psicoativas, como álcool e drogas. A relação faz todo sentido, na medida em que a bebida alcoólica aumenta a desinibição, a impulsividade e a agressividade, podendo ser um facilitador para um ato tão extremo.

De 1.088 casos analisados, 780 passaram por exames toxicológicos e 44% tiveram resultados positivos para substâncias psicoativas, das quais 72% para o consumo exclusivo de álcool (até 3 gramas por litro, quantidade capaz de causar confusão mental). Os dados brasileiros são superiores até mesmo aos Estados Unidos, onde a intoxicação por álcool está envolvida em 22% de todas as mortes por suicídio, de acordo com a SAMHSA (Substance Abuse and Mental Health Service Administration). Ainda de acordo com o órgão americano, um diagnóstico de abuso ou dependência de álcool está associado a um risco dez vezes maior de uma pessoa tirar a própria vida, se comparado à população de um modo
geral.

Quanto a combinação do uso abusivo de álcool com outras drogas, o estudo da UnB concluiu que 22% dos casos estavam relacionados com o uso combinado das duas substâncias, com destaque para a cocaína, mas não apenas ela. De acordo com estudo divulgado ano passado pelo Jama Network, a maconha está diretamente associada a um aumento de risco de ideação, plano e tentativas de se matar entre adultos.

Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a taxa média de suicídios ronda os seis casos ao ano a cada 100 mil habitantes (dos quais 9,8 são homens e 2,5 são mulheres). A maioria dos casos apurados na pesquisa da UnB foi cometida por homens – 84% –, um percentual que se confirma com estudos em outras cidades do Brasil, de acordo com o Ministério. Quando o assunto é a faixa etária, 55% são pessoas entre 30 e 59 anos, seguidos pelos mais jovens, entre 18 e 29 anos (35%). Estes dados acendem, mais uma vez, o alerta acerca da saúde mental dos brasileiros. O estudo da UnB possibilita levantar várias questões ricas para o debate.

Antes de mais nada, confirma o consumo de álcool como um perigo concreto. No Brasil, consome-se álcool em excesso – e cada vez mais cedo. De acordo com dados do II Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), 26% dos menores de idade já consomem álcool e segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), o brasileiro consome álcool pela primeira vez com 12 anos, em média. Este primeiro contato pode ser sozinho – para atender uma curiosidade particular -, em festas ou com amigos e, por fim, com os próprios pais, que preferem oferecer a bebida ao filho, acreditando ter algum tipo de controle – mas sem considerar que nenhum volume de álcool é seguro para adolescentes.

O estudo da UnB faz pensar ainda sobre como o público do sexo masculino é especialmente impactado pelo uso abusivo de álcool. Por décadas, o marketing das bebidas alcoólicas era focado nos homens. Além disso, trata-se também do reflexo de um traço cultural. Na nossa sociedade machista e patriarcal, homens são educados a sofrerem em silêncio. Sem compartilharem suas angústias e questões, acabam compensando a dificuldade de lidar com seus sentimentos na dependência de álcool e drogas.

É relevante destacar ainda que, de acordo com a coordenadora do estudo da UnB, professora Andrea Galassi, é grande a chance de uma pessoa que já tentou anteriormente por fim à própria vida tentar fazê-lo novamente. Por isso, familiares e amigos tem um papel fundamental. É preciso ficar atento a comportamentos padrão, como demonstrar falta de perspectiva ou preocupação excessiva com a morte, explicitar intenções suicidas, isolamento social excessivo ou vivenciar experiências com potencial traumático (como um episódio de discriminação, abuso ou demissão). 

Temos instalado no centro da sociedade brasileira uma questão: uma “epidemia” de uso abusivo de álcool e drogas. É urgente olhar para o tema com maturidade e ação, para que mais vidas não sejam perdidas.

Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.

Fonte: https://vejario.abril.com.br/coluna/analice-gigliotti/alcool-e-drogas-quando-a-dependencia-leva-ao-suicidio/?utm_source=emailmanager&utm_medium=email&utm_campaign=CISA_227