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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Andréa Nakane fala sobre André Trigueiro. E não é fofoca...

Um papo maneiro e esperto 

Diário do Rio de Janeiro

Andréa Nakane

O carioca, André Trigueiro, jornalista conceituado que trabalha na Globonews, CBN e Rede Globo, logo depois da eclosão da pandemia no Brasil, iniciou o Papo das 9, um bate papo virtual, de um hora de duração, transmitido pelo Instagram e no seu canal oficial do YouTube, que tem atraído uma média cativa de 3.500 pessoas diariamente em tempo real.

O roteiro informal dessa conversa, que já contabiliza 155 horas de conteúdo, ou seja, 155 lives, inicia-se com uma calorosa saudação matinal, seguida de uma leitura aleatoriamente recebida ao folhear o livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Pastorini, composto com mensagens sucintas e reflexivas, logo depois, André Trigueiro, oferece uma dica de leitura, geralmente relacionadas a temas que lhes traz mais intimidade e interesse, versados em meio ambiente, sustentabilidade, psique humana e na doutrina espírita, já que o jornalista é um dos nomes públicos mais conhecidos no Brasil que segue as orientações dessa crença religiosa.

Nas lives do André Trigueiro, também há espaço, todos os dias, para recomendações de atos de caridade, em forma de doações para entidades, associações e organizações não governamentais que atuam em diversas causas sociais e ambientais. 

Logo depois desse momento, o jornalista faz uma espécie de resumo das principais notícias que estão em voga, acrescentando sua visão e incitando que todos os participantes também reflitam sobre os assuntos.

E para manter maior proximidade e verdadeira integração, André Trigueiro abre a última parte da live para responder perguntas que são enviadas pelos seguidores, que versam sobre os mais distintos assuntos, com ênfase em questões humanitárias e espirituais na maioria das vezes. Algumas indagações são de grande profundidade, o que remete uma percepção de familiaridade e intimidade gerada com as conexões realizadas, frutos de um comprometimento altruísta, generoso e caridoso do jornalista, que conseguiu ir muito além de ser um emissor fidedigno de informações e formatou uma aliança comunicacional de um puro relacionamento genuíno, vigoroso e fraterno.

Domingo, a live é diferente, e torna-se um composto de noções e conhecimentos dirigidos, uma verdadeira jornada temática, que agrupa, entre 4 e 6 sessões de muitas elucidações e pareceres. André Trigueiro também já realizou lives especiais com próceres como Caetano Veloso, Leonardo Boff, Flávio Venturini, Djamila Ribeiro, Lenine, Irvênia Prado, Marina Silva, Paulo César Frutuoso, entre outros célebres nomes.


Todo esse conteúdo está disponível nas redes sociais do André Trigueiro ou em sua homepage – mundosustentavel.com.br, garantindo um rico acervo para consultas, estudos ou simplesmente entretenimento com conteúdo sério e ilibado.

André Trigueiro, também é professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, além de autor de diversos livros, entre os quais, destacam-se: “Cidades e Soluções – Como construir uma sociedade sustentável” (Ed. Leya, 2017); “Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise” (Ed. Globo, 2012); “Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Ed. Globo, 2005), Coordenador editorial e um dos autores do livro “Meio Ambiente no século XXI” (Ed. Sextante, 2003), “Espiritismo e Ecologia” (Ed. FEB, 2009) e “Viver é a Melhor Opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015) e “ A Força do Um” (Ed. Infinda, 2019).

Morador do aprazível bairro de Laranjeiras, André Trigueiro como ecologista, com discurso alinhado a sua prática, faz em sua residência coleta seletiva de lixo, com direito a compostagem, não come carne vermelha, reduziu ao mínimo o consumo de carne branca, procura o consumo racional da água, não compra nada em embalagens plásticas e busca, manter-se pragmático com sua própria consciência, tornando-se, assim também, uma referência de cidadão para tantos que há muito já o admiravam, antes de pandemia, e muitos outros, que o conheceram melhor no encantador e edificante Papo das 9, que não atrasa nem um minuto e pontualmente emana boas energias diretamente do Rio para todo o Brasil, e em muitos dias, com audiência estrangeira, afinal o mundo todo hoje está na rede, sobretudo quando ela é fonte de vibrações muito positivas e esperanças no Amanhã.

Fonte: https://diariodorio.com/andrea-nakane-um-papo-maneiro-e-esperto

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Entrevista com André Trigueiro

Por que setembro é dedicado a falar sobre suicídio? As ações não deveriam ser permanentes?

Dez de setembro foi determinado pela Organização Mundial da Saúde como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. E setembro inteiro é dedicado a debates, reflexões, movimentos sociais das mais diferentes formas para o nobre objetivo de chamar a atenção ao fato de que o suicídio é caso de saúde no Brasil e no Mundo. (...) A data também serve para lembrar que 90% dos suicídios poderiam ser reversíveis porque estão ligados a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis.

O tabu sobre o tema ainda é grande, mas parece ser decrescente nos últimos anos. Ainda falta avançar sobre isso?

O tabu vem deixando de ser um obstáculo à prevenção como foi num passado recente. E isso se deve ao Setembro Amarelo, também à mobilização das redes, a organizações como o CVV (Centro de Valorização da Vida), o Centro Brasileiro de Psiquiatria e profissionais de saúde que militam a essa área. Todos nós, com informação adequada, podemos auxiliar quem esteja em sofrimento. (...)

Até que ponto a crise econômica influencia casos de suicídio?
O percentual maior de casos de suicídio no mundo acontece em países pobres ou em desenvolvimento. Pode não ser apenas a escassez de recursos econômicos, mas as suas implicações. Uma pessoa com depressão em países que não tenham serviços públicos terá que custear o tratamento, que é caro. O CVV, que faz mais de 1 milhão de atendimentos por ano, traz uma percepção interessante. É comum, em período de crise econômica, que homens desempregados se sintam humilhados. Eles recorrem ao CVV num momento de muita dor, pois eles não correspondem às expectativas construídas culturalmente sobre a figura do homem. Nos é ensinado que o homem deve prover a casa e isso tem muito a ver com a sociedade patriarcal. A questão não é o desemprego em si, mas no fato do varão não ter como sustentar a família.

Qual o papel do Estado para reduzir os índices?

O Brasil é um poucos países do mundo a instituir uma política nacional de prevenção ao suicídio. Trata-se de um grupo fechado, com aproximadamente 30 nações. Entretanto, é uma política atrofiada, não tem movimento e não acontece de fato. Diante da omissão de não construir essa musculatura institucional de prevenção, o Ministério da Saúde apoia o CVV. O serviço funciona hoje por três dígitos no telefone (141). A partir de 2020, todas as ligações para o CVV serão gratuitas pelo telefone 188. Hoje, apenas o Rio Grande do Sul, Estado recordista em suicídios, experimenta o serviço gratuito. (...)

Há preconceito da classe médica?

Temos novamente um tabu. Em boa parte das universidades de formação médica do Brasil, exclui-se a informação de como tratar, acolher e orientar pessoas que pensam em se matar. A área da saúde mental é discriminada no meio médico. É o primo pobre da medicina. Os profissionais da saúde mental não têm o mesmo prestígio que os profissionais de outras áreas médicas. Falta informação nas escolas de Medicina sobre o fenômeno do suicídio e como lidar com esse segmento crescente de pessoas que mundo afora experimentam uma dor difícil de descrever e que leva, em muitos casos, a pessoas achar que a solução é abandonar a existência. (...)

No livro, um espaço é dedicado à fé. Como relacionar essa questão ao suicídio?


Vamos encontrar casos de suicídio em todas as denominações religiosas, sem exceção. A religião não blinda a pessoa do risco suicida. Entretanto, algumas pesquisas indicam que aquela pessoa que tem fé ou construiu a convicção de que exista uma força superior enfrenta problemas sérios de forma diferente daquela sem religião. E, assim, estaria menos expostas ao risco suicida que outras. Mas o ser humano não é uma ciência exata e não se pode padronizar, achando que quem tenha fé, por princípio, é menos vulnerável. Cada caso é um caso.
 
Nota-se uma incidência grande de jovens que cometem suicídio. E, muitas vezes, jovens de classe média/alta, com boa condição social e econômica. Que reflexão você faz sobre isso?


Faltam pesquisas que apontem com devida base científica a razão porque isso acontece mundo afora. (...) Em muitos lares, existe pouco contato entre os filhos e os pais. O problema não é os pais trabalharem fora, e sim, o pouco tempo disponível em família, que não estaria sendo compartilhado de forma apropriada. Essa troca, do olho no olho, do colo, do calor humano e, sobretudo, na prioridade que se dê nas horas disponíveis para o intercâmbio amoroso estaria justificando casos de automutilação. (...)

Rede socais têm peso?

Estudos dão conta de que a garotada passa, em média, de sete a oito horas por dia na internet, consumindo precioso tempo e energia com atividades na nuvem, seja trocando informações nas redes sociais, fazendo pesquisas em ferramentas ou acessando vídeos. Alguns pensadores apontam que essa é uma geração que se acostumou a ter respostas rápidas para qualquer problema. A vida vai mostrando que certos problemas não se resolverão em questão de segundos, como uma grande frustração, uma decepção amorosa, um desapontamento. (...) Isso gera o problema da impulsividade, que pode gerar uma angústia, uma ansiedade que venha a justificar, em casos extremos, essa incompatibilidade com a vida. (...) E a juventude virtualizada, talvez, estaria menos treinada para essas situações e mais exposta a certos gêneros de dores que parecem insolúveis, e na verdade não são.(...)

Como preparar o jovem para o futuro diante desse avanço tecnológico?

Os pedagogos afirmam que a família responde pela parte mais importante da formação, principalmente até os 7 anos, período em que são forjados a personalidade e o caráter da criança. A escola vem no segundo lugar. É no ambiente escolar que começa o exercício da interação social. Filhos criados com preconceito replicam o preconceito na escola. Isso gera dor e sofrimento, como apelidos que machucam e as mais variadas ações, que modernamente se convencionaram chamar de bullying. Tudo isso deve justificar atenção redobrada do corpo docente. São novos protocolos que precisam ser construído na rotina escolar. É preciso um profissional com expertise para orientar o jovem em situação difícil. Esse canal de comunicação precisa estar aberto. O estudante tem que se sentir a vontade em procurar ajuda na hora que há um conflito. Os professores e funcionários precisam acompanhar a situação no jovem na escola. (...) Pode ser depressão infantil, e quem convive na escola precisa, na dúvida, reportar aos pais. (...)

Qual orientação para quem se encontra numa situação extrema de tristeza?
(...) Todos estamos sujeitos a isso. Nesse momento, é difícil acreditar ser possível virar o jogo e dar a volta por cima. O importante nesse momento é, mesmo não percebendo luz no fim do túnel e sem esperanças para conter ou amenizar essa dor, entender que todas as demais pessoas que se submeteram a um tipo de ajuda percebem melhora. Elas se livram desse estágio tão doloroso que levam muitos a pensar em colocar fim na sua existência. E resgatam a autoestima e o prazer de estar vivo, colecionando momentos e experiências que justificam essa profunda alegria e a sintonia com a vida. Acredite em você, permita-se sair do lugar onde se encontra e não lhe é favorável. É fundamental procurar ajuda, que pode ser uma assistência psicológica. Existem serviços gratuitos oferecidos por profissionais ou escolas de Psicologia que consagram parte do seu tempo para atendimento gratuito. Na psiquiatria, existem medicamentos que, na dosagem certa e com acompanhamento profissional, podem acelerar o processo de recuperação da saúde. Se não for possível fazer isso por você, faça por seu pai, sua mãe, seus irmãos, filhos, amigos, pelas pessoas que gostam de você. É muito triste quando uma luz se apaga no mundo e bastavam apenas alguns minutos para essa situação se reverter. Viver sempre foi a melhor opção.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/todos-nos-estamos-sujeitos-ao-risco-de-suicidio-alerta-jornalista/?cHash=2b476711b9a3f55b08931af2cfb10958



terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

André Trigueiro comenta o caso do PM que transmitiu o suicídio ao vivo no Facebook

Recebi uma ligação na manhã de hoje do Jornal Extra repercutindo o suicídio de um PM do Rio que foi transmitido ao vivo pelo facebook. Me ligaram por saberem do meu envolvimento com a causa da prevenção do suicídio e do livro "Viver é a Melhor Opção" que lancei em 2015. Sobre o assunto, gostaria de dizer o seguinte:

- Replicar fotos ou imagens de alguém em situação de extremo desespero ou desalento com a vida (não apenas o suicídio em si) é algo simplesmente abominável. Um desrespeito a pessoa que sofre, e também a quem vier a receber essa informação.
 
- Segundo a Organização Mundial de Saúde, é melhor não reportar casos de suicídio na mídia. Se isso for inevitável (como no caso do ator americano Robins Williams, em 2014) convém evitar generosos espaços com manchetes e imagens, não revelar o método empregado nem enaltecer s qualidades morais do suicida.
 
- Pessoas fragilizadas psíquica ou emocionalmente podem registrar notícias sobre suicídios como uma sugestão.
 
- A informação sobre suicídio que merece destaque na mídia (segundo a OMS) é a seguinte: em 90% dos casos, os suicídios são evitáveis por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis. Um dos principais fatores de risco suicida é a depressão. O PM que virou notícia por essa tragédia tinha um histórico de depressão, e havia sido internado 4 vezes na psiquiatria do Hospital Central da Polícia Militar. Não sabemos como foram esses atendimentos.
 
- Outro fator de risco é o acesso a armas. Soldados das Forças Armadas, Policiais (civis, militares, federais) ou qualquer pessoa que tenha porte de arma precisa ter assistência psicológica e apoio emocional constantes.
 
- Ninguém se mata por uma única razão. Pode haver uma causa preponderante, que jamais responderá sozinha pelo ato extremo de se matar. Suicídio é um fenômeno complexo que não se explica com conclusões precipitadas ou generalizações.
 
- Quem precisa de ajuda (e não tem dinheiro sobrando) pode procurar os CAPs (Centros de Apoio Psicossociais), os serviços gratuitos oferecidos por Faculdades de Psicologia espalhados pelo Brasil e o CVV - Centro de Valorização da Vida - pelo número 141.
 
- Amigos e parentes devem acompanhar eventuais comportamentos estranhos de reclusão social, não compartilhamento de informações, sucessivas queixas ou declarações que remetem a uma situação limite, falta de esperança ou de qualquer saída possível. Em se confirmando isso, não despreze a possibilidade de haver aí algum sinal indicando risco de suicídio.
 
A vida é para ser vivida.
 
Quando não estamos de bem com a vida, precisamos procurar ajuda. 
 
As crises passam. Nós devemos seguir adiante.
 
Fonte: André Trigueiro

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro sobre prevenção do suicídio torna-se best-seller!


A maioria dos leitores conhecem o André Trigueiro.

Talvez não saibam que ele escreveu este livro. Aí está balanço enviado pela editora que o publicou. 

Centenas de palestras foram feitas por todo o país. 

Milhares de pessoas esclarecidas. 

Alentador!



sábado, 13 de junho de 2015

André Trigueiro segue divulgando seu livro sobre o suicídio e sua possível prevenção

O suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos 

Fruto de vasta e atualizada pesquisa, o livro “Viver é a Melhor Opção: A Prevenção do Suicídio no Brasil e no Mundo” (Editora Correio Fraterno) será lançado nesta sexta-feira (12), em Belo Horizonte. Escrito pelo jornalista André Trigueiro, a publicação esclarece e previne sobre um assunto ainda tabu – especialmente entre os brasileiros – por meio de uma ferramenta simples e poderosa: a informação.

Trigueiro informa que, atualmente, o Brasil tem cerca de 11 mil casos de suicídio confirmados por ano. Conjunturas socioeconômicas, familiares e afetivas, além de doenças psicológicas estão entre as causas do suicídio. Para calçar esta abordagem, Trigueiro coletou dados relativos à saúde pública de vários países referentes aos índices de suicídio, além de reunir e alinhavar estudos sobre o tema. Porém, tudo é organizado para trazer o assunto para perto do leitor.

Mesmo sendo um problema tão presente na vida de tanta gente, Trigueiro revela que há pouca oferta de títulos que dialogam de forma clara e objetiva com as pessoas comuns. O jornalista diz que grande parte das publicações são destinadas basicamente a estudiosos ou profissionais de saúde.

O estudo aponta pesquisas que explicam porquê o suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos e por que ele é considerado caso de saúde pública no Brasil e no mundo. “Além disso, mostra o que está ao nosso alcance de fazer para reverter este caso”, completa Trigueiro.

André Trigueiro estará no “Sempre um Papo”, nesta sexta-feira (12), às 19h30, no Hospital Mater Dei (av. do Contorno, 900, bairro Santo Agostinho). Sábado (13), às 11h, ele estará em Sete Lagoas, no auditório do Unifemm (av. Marechal Castelo Branco, 2.765, bairro Santo Antônio).

A seguir, leia a entrevista completa que André Trigueiro concedeu ao Hoje em Dia:

Por que tocar neste tema?

AT - Como jornalista, evidentemente, este tema é relevante. E me chamou a atenção o fato de ele ser tão importante quanto invisível, tão urgente quanto ser objeto de tabu e isso, para mim, virou uma questão. Por que não conseguimos prestar atenção, minimamente, nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS)? Desde o ano 2000, a OMS orienta profissionais de comunicação do mundo inteiro sobre a necessidade de informar à população em relação a problemas, principalmente na área da saúde mental, no que se refere à depressão e alterações de humor, e a relação que existe entre estas patologias e o suicídio.

Em que aspecto seu livro vai além no que se refere ao debate sobre o suicídio?

AT - Não há fartura de títulos que procurem dialogar de forma clara e objetiva com as pessoas comuns, e não apenas com estudiosos de psicologia ou psiquiatria ou profissionais de saúde. Por meio de uma linguagem clara e objetiva, procuramos reportar conhecimentos importantes na área da ciência que explicam porquê que, por exemplo, o suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos. Ou mesmo, porque ele é considerado caso de saúde pública no Brasil e no mundo e o que está ao nosso alcance fazer para reverter este quadro.

Qual foi o estopim para que você publicasse este livro justamente agora?

AT - Estudo este assunto desde 1999. Mas em setembro do ano passado foi publicado o mais amplo relatório da OMS sobre este tema. Eu achei que era a culminância. Achei que devíamos aproveitar este mote. Deu tempo de incluir no livro passagens da cerimônia do Oscar, deste ano, em que dois dos agraciados reportaram problemas em relação ao suicídio – isso em uma transmissão ao vivo transmitida para mais de 200 países, com mais de 1 bilhão de espectadores. Além disso, o suicídio de Robin Williams, no ano passado, foi o tema mais clicado no Google, no mundo inteiro.

Interessante... Triste, mas interessante.

AT - É um assunto que as pessoas vivenciam. Todo mundo conhece um vizinho, um amigo, um parente que já cometeu, mas este assunto não é discutido, não é comentado e não aparece na mídia. Como se explica isso? Imagine São Paulo, que até hoje está enfrentando uma epidemia de dengue... É uma comparação imperfeita, mas serve para entender o quanto é importante falar, mas prevenção se faz com informação, como dizem os profissionais de saúde. Como falar seria enfrentar a dengue, sem falar de dengue?

É difícil.

AT - Você deve se lembrar de um comercial da atriz Cássia Kiss, nos final dos anos 1980, na televisão, no qual ela aparecia apalpando os seios nus e ensinando as mulheres a identificarem caroços e nódulos. Muitos conservadores acharam pornográfico, que era uma devassidão... Agora, se perguntamos para um profissional de saúde que faz epidemiologia e que contabiliza casos de câncer de mama no Brasil, é possível ver como aquele comercial reduziu drasticamente a mortalidade e a remoção do seio, que é algo que traumatiza profundamente as mulheres. Por que um resultado tão bom na prevenção?

É o poder da informação.

AT - Este livro não é autoajuda. É um livro que ajuda a ajudar.

No livro, os números referentes às ocorrências de suicídio no Brasil aparecem abaixo da média mundial. Como analisamos isso?

AT - Isso em números relativos, ou seja, números de casos por grupo de 100 mil pessoas. Mas em números absolutos, temos um pouco mais de 11 mil casos confirmados por ano. Aí, o Brasil vai chegar ao 8º lugar no ranking mundial.

É muita gente!

AT - É muito. Por isso que é caso de saúde pública.

Você cita algum caso de país onde existia uma taxa de suicídio muito alta, mas que, por meio de uma política pública implantada, e essa taxa diminuiu?

AT - Houve alguns casos. Um exemplo é o Japão. O Japão tinha a dificuldade que o Brasil hoje enfrenta de tratar esse tema como um tabu. Quando o Japão resolveu tratar a prevenção do suicídio como política pública, articulando ações sob medida em diferentes lugares do país, em escolas, com dinâmicas, isso emprestou inteligência para a prevenção. A prevenção não pode ser um decreto, por meio do qual se baixa um “tijolaço”, e em todos os lugares se faz do mesmo jeito, para todas as pessoas. Não vai funcionar. É preciso inteligência na articulação. Lá, conseguiu-se até reverter taxas e em alguns casos, estabilizar a situação. É preciso assumir o problema e enfrentá-lo.

Quais são as situações peculiares de risco de suicídio no Brasil?

AT - Há algumas. A manipulação indevida de agrotóxico libera substância voláteis. O agricultor quando respira aquilo, isso altera a bioquímica do cérebro e mergulha em profunda depressão. Há cidades no Sul do país, que tem um alto índice de suicídio, e que, provavelmente, é devido a esta relação. Outro fator importante são as comunidades indígenas envolvidas nos conflitos agrários e que são expulsas de suas terras. Há ainda as questões familiares, como nos casos de opressão à mulheres e aos homossexuais. Ele vivem em um ambiente que não favorece o bem-estar.

Há um termo que você usa no livro que é curioso: a “suicidologia”. O que é isso?

AT - É uma nova área da ciência. Na verdade existem associações internacionais e congressos sobre o assunto.

Por que você teve a ideia de fazer este estudo e publicá-lo juntamente com as visões da Doutrina Espírita sobre o assunto?


AT - A própria editora não o considera um livro espírita. A primeira parte, jornalística, numa conta grosseira seria aproximadamente 4/5 do livro. A ideia foi minha (o jornalista, que é repórter na TV Globo e possui livros e vasta atuação na cobertura de assuntos ligados à ecologia, é espírita há cerca de 30 anos). Mas independentemente da crença, todas as religiões, das mais importantes, do ocidente ou do oriente, convergem e coadunam no entendimento de que o suicídio não constitui alívio ou solução para os problemas. É um consenso. Mas os capítulos do livro não se misturam. É um respeito que eu tenho com qualquer pessoa que não tenha interesse ou afinidade com esta doutrina ou com qualquer visão religiosa. Apenas acho muito interessante que eu me posicionasse também em relação a esta linha de fé que eu sigo.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/almanaque/o-suicidio-pode-ser-prevenido-em-90-dos-casos-diz-autor-1.324553

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A prevenção do suicídio: viver é a melhor opção

Falar do suicídio como falamos da AIDS ajuda a eventuais suicidas a evitarem este caminho. Mas não basta falar. Trata-se de falar com sumo respeito.

Leonardo Boff é teólogo e escritor  

O jornalista André Trigueiro é possuído por duas paixões: a causa ambiental e a prevenção do suicídio. No fundo é movido por um único grande amor: o amor apaixonado pela vida, seja da natureza ou seja do ser humano sob risco.

O amor pela natureza se materializa por seu programa, talvez o melhor do gênero sobre o ambiente da televisão nacional, transmitido pela Globonews com o título Cidades e Soluções.

O amor pelo ser humano sob risco de suicídio se mostra por sua atuação no Centro de Valorização da Vida (CVV) do Rio de Janeiro e por este esplêndido livro cujo título diz tudo: “Viver é a melhor Opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo”(Editora Espírita, São Bernardo do Campo 2015).

Não conheço na literatura acessível, texto mais minucioso, analítico, inspirador e sustentador do amor e da esperança pela vida que este de André Trigueiro.

Antes de mais nada, se comporta como um consciencioso jornalista investigador: recolhe, nas fontes mais seguras, os principais dados atinentes ao suicídio no Brasil e no mundo. Em seguida analisa os fatores e as causas que levam as pessoas a buscarem a própria morte. Por fim, sugere e propõe caminhos de acompanhamento e de superação. Como uma espécie de adendo, mas sem qualquer propósito proselitista, expõe didaticamente a visão espírita do suicídio, como ela o ajudou pessoalmente a ser mais humano e espiritual e como o suicida vem sendo tratado pela doutrina.

Primeiramente quebra o tabu e o silêncio que cercam o fenômeno mundial do suicídio. Prevenção se faz com informação. Falar do suicídio como falamos da AIDS ajuda a eventuais suicidas a evitarem este caminho. Mas não basta falar. Trata-se de falar, como demonstra em seu próprio texto, com sumo respeito, imbuído de compreensão e compaixão, evitando qualquer dramatização e espetacularização excessiva.

Os dados nos obrigam a falar do suicídio pois sua grande ocorrência se transformou num problema de saúde pública, raramente inserido nos planos sanitários dos governos. Os últimos dados acessíveis da Organização Mundial da Saúde (OMS) são de 2012. Ali se diz: são cerca de 804 mil casos por ano, o que vem dar um suicida a cada 40 segundos e ainda a cada dois segundos uma tentativa de suicídio.

No Brasil são 11.821 casos por ano o que equivale a 32 por dia especialmente na Amazônia, na Paraíba, na Bahia e no Rio Grande do Sul.

Numa perspectiva global, depois dos acidentes de trânsito é o suicídio a causa principal de mortalidade, cobrindo todas as idades, mas afetando principalmente os jovens entre 15-29 anos que representam 8,5% das mortes no mundo.

Este fato desafia a inteligência humana: como é possível que um ser chamado à vida, o dom mais precioso que existe no universo, pode buscar a eliminação da própria vida? Aqui se faz necessária uma realista compreensão da condição humana, feita de luz e de sombras, de sucessos e de fracassos, de esperança e de desespero. Este dado não é um defeito de nossa natureza, mas a constituição de nosso próprio ser, mortal, finito, imperfeito e sempre a caminho da perfeição. Há inúmeros fatores que levam as pessoas a buscar o suicídio: a inundação da dimensão de sombra, transtornos psicológicos, doenças incapacitantes, profundas decepções e prolongadas depressões. Mas mais que tudo, a perda do sentido da vida que suscita nas pessoas vulneráveis o impulso de desaparecer. Não raro, tirar a própria vida é uma forma de buscar um sentido que lhe é negado nesta vida. Daí nosso respeito face a quem toma tal decisão, não por covardia, mas por amor a uma vida supostamente melhor que esta.

Mas André Trigueiro sustenta com determinação e profunda esperança, a tese: “na maioria absoluta dos casos os suicídios são preveníveis”.

É neste contexto que detalha os vários caminhos especialmente desenvolvidos pelo grupo Samaritanos em Londres e pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), ambos de origem espírita mas sem qualquer disposição de conquistar para esse caminho espiritual. Estas duas instituições maiores compostas de voluntários (só os 70 postos no Brasil atendem por ano, na média 800 mil ligações por telefone ou internet) são as que diretamente se dedicam à prevenção do suicídio. Os valores que os inspiram são profundamente humanísticos e ético-espirituais: a compreensão, a acolhida, a escuta, a fraternidade, a cooperação, o crescimento interior e o exercício da vida plena.

Só o que reforça a vida pode salvar a vida sob risco. Vale a tese de Trigueiro: “viver é a melhor opção”.

É mérito de André Trigueiro não apenas nos transmitir essa mensagem de esperança e de escuta mas também de vivê-la concretamente em sua própria vida.

Fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/A-prevencao-do-suicidio-viver-e-a-melhor-opcao/5/33591

terça-feira, 12 de maio de 2015

Novo livro de André Trigueiro sobre a prevenção do suicídio

O lançamento do livro de André Trigueiro acontecerá no dia 18 de maio de 2015, na livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073), em São Paulo.

O título é mais do que sugestivo. A capa, bem elaborada, remete para a esperança (ainda que por um fio, assim como a vida de muitos...)

No evento será a feita gravação de um talk show para a Rádio CBN.

O autor, em seguida, dará autógrafo.

Todos os livro serão destinados, num gesto solidário, às atividades do CVV - Centro de Valorização da Vida.

Imperdível!


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Já aconteceu, mas vale a notícia.

André Trigueiro, conhecido jornalista e ativista da prevenção do suicídio tem trabalhado intra-muros, no movimento espírita, conforme o cartaz ao lado.

Ele, obviamente, aceita convite de quaisquer agremiações, independente de credo religioso ou político.

Que se multipliquem estes ativistas junto aos diversos movimentos religiosos, de apoio à saúde mental etc.!


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um jornalista, um tema significativo, uma causa nobre...


O jornalista André Trigueiro, apresentador do "Jornal das Dez", da "Globo News", lança amanhã (6 de fevereiro de 2012) o livro "Mundo Sustentável 2: novos rumos para um planeta em crise". Com 400 páginas que incluem transcrições de programas da "Globo News" e da rádio CBN, artigos de sites e revistas, o novo livro de Trigueiro fala sobre a crise ambiental no mundo e as experiências bem sucedidas para solucionar o problema.

A publicação conta com a colaboração de especialistas de diferentes áreas, como Sérgio Abranches, sociólogo, cientista e analista político especializado em Ecopolítica, e Samyra Crespo, secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

Antes de lançar "Mundo Sustentável 2", Trigueiro publicou, em 2005, "Mundo Sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação" e observa que de lá para cá muita coisa mudou. Mas a mudança radical na forma de vida da sociedade é uma questão de "mudança de cultura".

"Não se resolve o problema só com medidas governamentais. Nós somos cúmplices da crise, mas a parte da sociedade também não é suficiente para virar o jogo", disse ele ao SRZD. "Esse é um assunto que vai nos acompanhar até o fim do século. Assuntos ambientais vem para ficar", acrescenta ele acreditando que a população ainda precisa "se dar conta do senso de urgência", para mudar.

Este é objetivo de André Trigueiro. "O livro na verdade procura, há quatro meses da mais importante conferência de sustentabilidade do ano, oferecer subsídios para a compreensão do problema e a busca de soluções", definiu o autor que não duvida da mudança, mas afirma que precisamos "saber se haverá tempo".

"Meu desejo é que o livro ajude a acelerar o processo", finaliza.

"Mundo Sustentável 2: novos rumos para um planeta em crise" chega oficialmente as livrarias do Rio de Janeiro no dia 6 de fevereiro. O lançamento acontece às 19h na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, na Zona Sul da capital carioca.

Em São Paulo, o lançamento do livro será às 19h do dia 13 de fevereiro na Livraria Cultura da Av. Paulista, 2073, em Bela Vista.

Todos os direitos autorais foram cedidos para o CVV (Centro de Valorização da Vida), que completa 50 anos de serviço voluntário de apoio emocional e prevenção do suicídio.

É inegável a generosidade do André Trigueiro!



 
 

sábado, 23 de julho de 2011

Suicídio e Ecocídio no 7º Muticom - Mutirão Brasileiro de Comunicação

Destaque no painel “Comunicação como processo de valorização da vida”, André Trigueiro, professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e jornalista da Globo News, levantou questões sobre “ecocídio” e suicídio.

André Trigueiro frisou em seu discurso que é necessário uma prevenção do suicídio. O jornalista chamou a atenção pro fato de ter, em média, 1 milhão de mortes por ano e essas estatísticas aumentam na faixa etária de 21 anos. E para cada caso consumado, um grupo de 5 ou 6 precisam de ajuda. A OMS pede urgência para jornalistas não omitirem casos de suicídio da mídia, mas terem sempre cuidado ao abordar este tema para que não seja absorvido pelo público como uma sugestão, pois o suicídio já um caso de saúde pública no Brasil e no mundo.

Outro ponto muito explorado por Trigueiro foi o “ecocídio”. Para ele não é possível falar de comunicação e vida sem falar deste risco: “As escolhas que nossas civilizações fazem, determinam o risco do apagão da vida”. O jornalismo deve ser usado tanto para informar coisas benéficas como para fazer denúncias, mas não deve focar apenas no sensacionalismo e nem mostrar abusadamente imagens de tragédias: “Isso pode ser considerado crime de lesa-planeta”.

Outro integrante da mesa desta manhã, Joel Birman, professor do Instituto de Psicologia da UFRJ, quando questionado pelos participantes, disse que uma das possíveis causas do suicídio é o declínio da autoestima, devido ao não reconhecimento do sujeito.

Para Birman, a perda da autoestima que geralmente é ligada a uma perda impossível de ser suportada. Mas ele destaca que apesar dos sinais que esta dor provoca, é preciso muita sensibilidade para interpretar a possibilidade desta pessoa se matar, pois isso é um ato inesperado.

Ainda sobre esse assunto, ele percebe que os jovens de todas as classes sociais têm, hoje em dia, uma grande falta de autoestima. Isso ocorre por que eles fazem parte da parcela que está menos inserida no mercado de trabalho. Este não reconhecimento social e simbólico que os jovens estão fadados pode gerar uma série de problemas e o suicídio é um deles.

Birman também fez uma contextualização sobre a impotência do ser humano e a necessidade de transformar sinais em símbolos para traduzir as reações naturais do corpo. Para ele, o organismo humano possui a necessidade da oferta de um ato de amor para que haja a restauração da sua inquietude. O conforto é visto pelo professor como sinal de duas coisas: experiência básica de satisfação e princípio do prazer. Este acolhimento esperado é o reconhecimento da condição de sujeito. Sem isso, o organismo humano tenderia à morte.

Trigueiro disse, ainda, que a função do comunicador, hoje, é estratégica em denunciar o que está errado e comunicar iniciativas em favor da vida. "Também não adianta derramar sobre os jovens toda a desgraça, por que isso vai desarmar toda a sua capacidade criativa de buscar soluções". Para Trigueiro, reportar a crise significa "instigar principalmente os jovens na busca de soluções", sugeriu.

Fonte: Camila Santos e Revista Missões

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Suicídio: prevenção possível em 90% dos casos

André Trigueiro  

Prevenção de doenças se faz com informação. E que o que vale para dengue, AIDS, câncer de mama, tuberculose e hanseníase vale também para suicídio. Em 90% dos casos, os casos oficialmente registrados de suicídio estão relacionados a transtornos mentais como depressão, reações ao uso de drogas lícitas ou ilícitas, esquizofrenia, transtornos de personalidade e outros males que podem ser tratados se houver diagnóstico e acompanhamento médico. O apoio de familiares e amigos é considerado fundamental. O assunto merece atenção porque tanto no Brasil quanto no mundo, suicídio é caso de saúde pública.

Quando a Organização Mundial de Saúde revelou que aproximadamente três mil pessoas se matam por dia; que esse número cresceu 60% nos últimos cinquenta anos, especialmente nos países em desenvolvimento; e que o suicídio já é uma das três principais causas de morte entre os jovens e adultos de 15 a 34 anos, poucos veículos de comunicação se interessaram em abrir espaço para essas informações.

Talvez tenha prevalecido a tese de que qualquer menção ao suicídio na mídia possa fomentar a ocorrência de novos casos. O risco de fato existe quando se explora o assunto de forma sensacionalista, dando visibilidade a detalhes mórbidos que possam inspirar a repetição do gesto fatal. Mas a própria OMS recomenda enfaticamente a veiculação através da mídia de informações que ajudem na prevenção do suicídio. "A disseminação de informação educativa é elemento essencial para os programas de prevenção; nesse sentido, a imprensa tem um papel relevante", é o que se lê na apresentação do manual de prevenção do suicídio dirigido aos profissionais de imprensa pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde.

E quais são as informações relevantes que precisam ter mais espaço na mídia? Além do fato de que o suicídio é prevenível na maioria absoluta dos casos, é igualmente importante reconhecer as circunstâncias em que há "risco de suicídio", principalmente quando a pessoa verbaliza o desejo de se matar − nesses casos os profissionais de saúde informam que a maioria das pessoas que tiraram a própria vida comunicou a intenção previamente − ou quando apresenta os sintomas de depressão, que, nas manifestações mais graves, requer cuidados redobrados. No enfrentamento da depressão, estima-se que dois terços das pessoas tratadas respondem satisfatoriamente ao primeiro antidepressivo prescrito.

Embora este seja um assunto ausente na mídia, estima-se que ocorram 24 casos por dia no Brasil. Aqui ainda se registram taxas pequenas em relação a outros países (3,9 a 4,5 para cada cem mil habitantes), mas em números absolutos já estamos entre os dez países do mundo onde ocorrem mais suicídios (aproximadamente oito mil casos por ano), uma quantidade certamente bem superior, considerando que muitos atestados de óbito omitem a intenção do suicídio em mortes oficialmente causadas por acidentes de trânsito, overdose, quedas etc. Há outros números que deveriam justificar uma preocupação maior da sociedade em relação ao problema: as tentativas de suicídio ocorrem numa proporção pelo menos dez vezes superior ao dos casos consumados e para cada suicídio, há em média cinco ou seis pessoas próximas ao falecido que sofrem consequências emocionais, sociais e econômicas.

Omitir essas informações da sociedade significa esconder a sujeira debaixo do tapete e fingir que o problema não existe. Se prevenção se faz com informação, é preciso enfrentar com coragem o tabu que envolve o suicídio. Tão importante quanto rastrear as causas desse problema de saúde pública − incentivando a realização de pesquisas, seminários e congressos científicos − é apoiar e divulgar o trabalho realizado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Ministério da Saúde espalhados por todo o país (informações através DISQUE SAÚDE: 0800 61 1997) e também pelas redes de proteção que trabalham em favor da vida, como é o caso dos grupos de apoio que reúnem os "sobreviventes de si mesmo", aqueles que tentaram, mas não conseguiram se matar; familiares e amigos de suicidas que compartilham suas experiências em dinâmicas de grupo conduzidas por terapeutas; e organizações voluntárias que realizam gratuitamente um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone como é o caso do Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 141.

Bibliografia sugerida:

Suicídio: uma morte evitável (Ed. Atheneu; Henrique Côrrea e Sérgio Perez Barrero)

O Suicídio (Ed. Martin Claret; Emile Durkheim)

Tentativa de Suicídio - Um prisma para Compreensão da Adolescência (Ed. Revinter; Enio Resmini)

Comportamento Suicida (Ed. Artmed; Blanca Guevara Werlang; Neury Botega)

O Demônio do Meio-Dia - Uma anatomia da depressão (Ed. Objetiva; Andrew Solomon)

Mais sobre o autor: 
Jornalista, criador e professor do curso de Jornalismo Ambiental da PUC, RJ. Autor dos livros Mundo sustentável – abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação (Globo) e Espiritismo e ecologia (FEB). Site:www.mundosustentavel.com.br

Fonte: http://blog-espiritismo.blogspot.com/2011/05/mundo-sustentavel-suicidio-prevencao.html

domingo, 21 de novembro de 2010

Notícias sobre a palestra de André Trigueiro

No último 6 de novembro, o jornalista André Trigueiro reuniu uma plateia com cerca de 300 pessoas na Instituição Beneficente Nosso Lar, em São Paulo, para falar sobre a prevenção do suicídio.


Trazendo números bastante representativos, que colocam o Brasil, segundo ele, numa condição “vexatória”, disse que no país há estimativa de 24 suicídios por dia, uma taxa pequena em relação a outros países (3,9 a 4,5 para cada cem mil habitantes), mas preocupantes em números absolutos. “Estamos entre os dez países do mundo onde ocorrem mais suicídios, com aproximadamente 8 mil casos por ano. É caso de Saúde Pública”.


Ressaltou que apesar de milhões de pessoas desistirem, todo ano, de viver no mundo, o que se revela um problema urgente, que demanda ações e respostas, o assunto ainda é tido como tabu nos meios científicos, sociais e religiosos. “É importante se falar sobre suicídio, mas não de qualquer maneira. Há formas adequadas para se abordar o assunto”. Acrescenta ainda que há estudos que demonstram que essa ação pode ser prevenida e a omissão sobre o tema não ajuda em nada. Já se sabe, por exemplo, que o suicídio dificilmente é causado por um único motivo, lembrou.


Referiu-se ao livro Suicídio – uma morte evitável , de Humberto Corrêa e Sérgio Barrero, Editora Atheneu-Rio – como obra de referência atual sobre o assunto, que traz o último capítulo inclusive dirigido aos meios de comunicação. “Aquilo que já foi febre na tv brasileirira e que focava, por exemplo, uma pessoa se jogando de uma ponte, hoje tem sido evitado”.


Entre os itens abordados, Trigueiro comentou sobre a subnotificação, em que se omite a causa real na maior da parte dos atestados, tornando, portanto, os números relativos. Falou também sobre as religiões, que consideram o suicídio um crime, estigmatizando o suicida, quando na verdade deveriam dirigir preces e boas vibrações a eles...


Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/images/stories/site/treigo2.jpg

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Suicídio e prevenção

André Trigueiro

Prevenção de doenças se faz com informação. E que o que vale para dengue, AIDS, câncer de mama, tuberculose e hanseníase vale também para suicídio. Em 90% dos casos, os casos oficialmente registrados de suicídio estão relacionados a transtornos mentais como depressão, reações ao uso de drogas lícitas ou ilícitas, esquizofrenia, transtornos de personalidade e outros males que podem ser tratados se houver diagnóstico e acompanhamento médico. O apoio de familiares e amigos é considerado fundamental. O assunto merece atenção porque tanto no Brasil quanto no mundo, suicídio é caso de saúde pública.

Quando a Organização Mundial de Saúde revelou que aproximadamente três mil pessoas se matam por dia; que esse número cresceu 60% nos últimos cinquenta anos, especialmente nos países em desenvolvimento; e que o suicídio já é uma das três principais causas de morte entre os jovens e adultos de 15 a 34 anos, poucos veículos de comunicação se interessaram em abrir espaço para essas informações.

Talvez tenha prevalecido a tese de que qualquer menção ao suicídio na mídia possa fomentar a ocorrência de novos casos. O risco de fato existe quando se explora o assunto de forma sensacionalista, dando visibilidade a detalhes mórbidos que possam inspirar a repetição do gesto fatal. Mas a própria OMS recomenda enfaticamente a veiculação através da mídia de informações que ajudem na prevenção do suicídio. "A disseminação de informação educativa é elemento essencial para os programas de prevenção; nesse sentido, a imprensa tem um papel relevante", é o que se lê na apresentação do manual de prevenção do suicídio dirigido aos profissionais de imprensa pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde.

E quais são as informações relevantes que precisam ter mais espaço na mídia? Além do fato de que o suicídio é prevenível na maioria absoluta dos casos, é igualmente importante reconhecer as circunstâncias em que há "risco de suicídio", principalmente quando a pessoa verbaliza o desejo de se matar − nesses casos os profissionais de saúde informam que a maioria das pessoas que tiraram a própria vida comunicou a intenção previamente − ou quando apresenta os sintomas de depressão, que, nas manifestações mais graves, requer cuidados redobrados. No enfrentamento da depressão, estima-se que dois terços das pessoas tratadas respondem satisfatoriamente ao primeiro antidepressivo prescrito.

Embora este seja um assunto ausente na mídia, estima-se que ocorram 24 casos por dia no Brasil. Aqui ainda se registram taxas pequenas em relação a outros países (3,9 a 4,5 para cada cem mil habitantes), mas em números absolutos já estamos entre os dez países do mundo onde ocorrem mais suicídios (aproximadamente oito mil casos por ano), uma quantidade certamente bem superior, considerando que muitos atestados de óbito omitem a intenção do suicídio em mortes oficialmente causadas por acidentes de trânsito, overdose, quedas etc. Há outros números que deveriam justificar uma preocupação maior da sociedade em relação ao problema: as tentativas de suicídio ocorrem numa proporção pelo menos dez vezes superior ao dos casos consumados e para cada suicídio, há em média cinco ou seis pessoas próximas ao falecido que sofrem consequências emocionais, sociais e econômicas.

Omitir essas informações da sociedade significa esconder a sujeira debaixo do tapete e fingir que o problema não existe. Se prevenção se faz com informação, é preciso enfrentar com coragem o tabu que envolve o suicídio. Tão importante quanto rastrear as causas desse problema de saúde pública − incentivando a realização de pesquisas, seminários e congressos científicos − é apoiar e divulgar o trabalho realizado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Ministério da Saúde espalhados por todo o país (informações através DISQUE SAÚDE: 0800 61 1997) e também pelas redes de proteção que trabalham em favor da vida, como é o caso dos grupos de apoio que reúnem os "sobreviventes de si mesmo", aqueles que tentaram, mas não conseguiram se matar; familiares e amigos de suicidas que compartilham suas experiências em dinâmicas de grupo conduzidas por terapeutas; e organizações voluntárias que realizam gratuitamente um serviço de apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone como é o caso do Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 141.

Bibliografia

Suicídio: uma morte evitável (Ed. Atheneu; Henrique Côrrea e Sérgio Perez Barrero)

O Suicídio (Ed. Martin Claret; Emile Durkheim)

Tentativa de Suicídio - Um prisma para Compreensão da Adolescência (Ed. Revinter; Enio Resmini)

Comportamento Suicida (Ed. Artmed; Blanca Guevara Werlang; Neury Botega)

O Demônio do Meio-Dia - Uma anatomia da depressão (Ed. Objetiva; Andrew Solomon)

Jornalista, de rádio e tv, André Trigueiro é criador e professor do curs o de Jornalismo Ambiental da PUC, RJ. Autor dos livros Mundo sustentável – abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação (Globo) e Espiritismo e ecologia (FEB). Site: www.mundosustentavel.com.br.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Uerj realiza palestra do Centro de Valorização da Vida

Dia 15 de julho, às 14h, no Auditório 11, 1º andar do Pavilhão João Lyra Filho, a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) promoverá a palestra "Prevenção do suicídio na Uerj: a chegada do Centro de Valorização da Vida (CVV)". O palestrante será o jornalista André Trigueiro, da Globo News.

A palestra é uma das iniciativas do Programa de Prevenção do Suicídio da Uerj em parceria com o CVV.

O CVV existe há 48 anos e presta serviço voluntário de apoio emocional gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias. Atua na valorização da vida e, portanto, na prevenção do suicídio. O atendimento é feito por telefone, pessoalmente, por correspondência, chat ou e-mail. A pessoa que procura o CVV tem o sigilo assegurado.

Outras informações pelos telefones: 2334-2167 / 141 / 2233-9191

Fonte: Ascom da Uerj
http://www.governo.rj.gov.br/noticias.asp?N=59541