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sábado, 10 de setembro de 2022

Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) oferece acolhimento para prevenção de suicídio

(8 setembro 2022)

O próximo dia 10 é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, organizado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) e endossado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Representa um compromisso global para chamar atenção para prevenção do suicídio.

De acordo com a última pesquisa realizada pela OMS em 2019, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de 1 milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas tiram a própria vida, por dia.

Ainda segundo a OMS, a maioria dos casos tem relação com doenças mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se essas pessoas tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e informações.

Por causa disso e também aliado ao caráter comunitário, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) disponibiliza acolhimento a essas pessoas. “A Unisc oferece uma diversidade de ações através dos seus diferentes cursos. No Serviço Integrado de Saúde (SIS), oferecemos atendimento psicoterápico à comunidade, sendo que entre os transtornos mais frequentes está a depressão”, fala o professor Jerto Cardoso da Silva, responsável pela área da psicologia no SIS.

Os interessados podem ligar para o SIS pelo telefone (51) 3717-7480 para se inscrever nos acolhimentos, com ou sem encaminhamento.

Egressa da Unisc passa orientações

A psicóloga e mestre em Psicologia pela Unisc, Vanessa Mendes Pinto Mostardeiro, desenvolveu um trabalho de pesquisa sobre o tema. 

Foi elaborado um estudo extremamente relevante, realizado numa Organização Militar, o qual pode proporcionar reflexões a respeito do sofrimento psíquico dos militares propensos à prática de suicídio, além de desenvolver ações interventivas preventivas eficazes para minimizar a possibilidade de risco do suicídio.
Dentro desta pesquisa e ao longo do mestrado, Vanessa diz que é possível traçar alguns sinais de alerta.

É comprovado que a cada 10 suicídios consumados, 9 deles poderiam ter sido evitados pelos sinais emitidos como mudança na personalidade, mudança no hábito alimentar e de sono, raiva de si mesmo, entre outros.
Ainda, Vanessa explica que, em geral, os suicídios são premeditados e as pessoas dão sinais das intenções. 

Reconhecer esses sinais de alerta e oferecer apoio ajudam a prevenir. A expressão do desejo suicida nunca deve ser interpretada como simples ameaça ou chantagem emocional. Perguntar sobre a intenção suicida não aumenta nas pessoas o desejo de realizar o ato.
Caso estes sinais ocorram, Vanessa orienta a encontrar um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. 

Deixe-a saber que você está lá para escutar, ouça com a mente aberta e atenção, seja empático e ofereça apoio. Leve a situação a sério e verifique o grau de risco. Não fique chocado, envergonhado ou em pânico, apenas acolha. Nunca guarde segredos sobre esse assunto. Incentive a pessoa a procurar ajuda de um profissional especializado em saúde mental. Ofereça-se para acompanhá-la em uma consulta. Caso você ache que essa pessoa está em perigo iminente, não a deixe sozinha. Não desqualifique a pessoa, nem faça o problema dela parecer sem importância. Não compare a situação com outros casos.

Sinais de alerta 

  • Expressões de ideias ou de intenções suicidas, isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, como parar de realizar atividades que antes considerava prazerosas;
  • Pessoas com comportamento retraído - dificuldade de relacionamento pessoal;
    Mudança na personalidade - irritabilidade, pessimismo, tristeza profunda, acessos de choro ou apatia;
  • Mudança no hábito alimentar e de sono;
  • Tentativa de suicídio anterior;
  • Raiva de si mesmo - odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha;
    Perda recente de entes queridos – morte, divórcio, separação, dentre outros; e
  • Histórico familiar de suicídio.
  • Deve-se, também, atentar para as frases de alerta: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria dormir e nunca mais acordar”, “Quero desaparecer”, “Não me deixe fazer besteira”, “sou um peso para as pessoas”, “Não vejo futuro para mim”, “Não aguento mais sofrer”, “não suporto mais essa vida”, “ainda vou fazer besteira”, “minha vida não vale mais a pena”. 

Saiba mais

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza, em território nacional, o Setembro Amarelo. Em 2022, o lema é “A vida é a melhor escolha!”.  Universidade tem o Serviço Integrado de Saúde (SIS) que disponibiliza apoio

Fonte: https://www.portalarauto.com.br/Pages/213911/unisc-oferece-acolhimento-para-prevencao-de-suicidio

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Setembro amarelo: o suicídio no mundo contemporâneo

Rafael Polakiewicz

O suicídio é um grave problema de saúde no mundo. O ato interrompe um processo natural da vida, sendo este ocasionado por diversos sentimentos conflituosos, onde a plenitude da vida se torna cada vez mais distante. Gostaria de chamar atenção não para os fatores subjetivos inerentes ao sujeito, que se relacionam com o suicídio, mas sobre a doutrina materialista em que vivemos, que corrompe muitas pessoas ao ato. O distanciamento do “Ser” e a aproximação do “Ter”, pode estar provocando um colapso nas proposições de vida e um distanciamento de uma vida feliz. O desgosto pela vida, onde muitos sentem que não há mais razões para viver, pode estar provoca o suicídio. 

Fato é que, os sentimentos são criados pelo mundo externo aliado a vulnerabilidade do indivíduo. No mundo atual há a estranha necessidade de sucesso, vendida todos os dias como ato necessário para viver  provoca sensação de que subindo degraus, sempre ganhando, sempre melhorando nossa vida material, sendo mais rico ou mais bem sucedido, chegaremos a condição de felicidade. Quando não alcançado, a compreensão de vitória ou de ser bem sucedido, podemos cair em  uma crise existencial, provocada pela pressão desenfreada do mundo. Quando esses fatos são aliados ao desamparo social e possuem a impulsividade do sujeito relacionada, temos um amplo caminho para a perda de nossa identidade, de nossa alegria e do nosso propósito de vida. 

Propósito é ato constante na vida feliz. É importante dizer que não é todo propósito que é bom ou que é benéfico para a pessoa. Muitos caminhos que tomamos nos levam direto a busca de resultados e isso quer dizer que nasce uma pressão para o comportamento perfeito. Nunca usamos tanto a palavra FOCO! Objetivo é sempre a concentração na apropriação quase sempre material. Poucas vezes vemos a palavra sugerida ao foco na felicidade, foco na família, foco nas coisas boas da vida. Nesse movimento, a sociedade vai gerando um sinônimo entre felicidade e chegar ao topo. Mas será que esse movimento tem gerado boas coisas à sociedade? Bom, bem sabemos em nossas vidas pessoais, que a pressão por melhores resultados nos trás sentimentos como estresse, ansiedade, raiva etc. Quando não alcançamos bons resultados, desenvolvemos frustrações que podem até nos levar a uma compreensão que a vida não vale a pena. 

O atual cenário, onde milhares de pessoas no mundo cometem suicídio, pode se aproximar de um ritual japonês denominado Haraquiri. Iniciado com os Samurais esse ritual consistia na reparação da honra pelo suicídio. Na Segunda Guerra Mundial, generais que não conseguiam vitória em guerra, também tiravam a própria vida, por se sentirem indignos e desonrados com as derrotas.  No mundo atual, o suicídio parece estar ligado a vulnerabilidades psíquicas e ao sentimento de derrota, de impotência diante do sucesso. Muitos se afetam no caminho natural do viver em sociedade que preserva a moralidade, honra e outros atributos ligados à vitória e ao sucesso, não sei se nos distanciamos muito dos antigos samurais, mas sei que temos mais recursos também para lidar com essas questões. 

suicídio

O Setembro Amarelo como iniciativa para discutir o suicídio

O suicídio é um terrível mal que deve ser combatido pela humanidade. A trágica solução que alguns encontram para o sofrimento leva famílias e toda a sociedade ao sofrimento. O Setembro Amarelo veio como forma de resposta. No dia 10 de setembro temos o dia mundial de combate ao suicídio. Discussões são realizadas em todo mundo com objetivo de diminuir a incidência de suicídio. No Brasil, a iniciativa ficou famosa no mês de setembro, mas sabendo as autoridades da importância de se discutir o assunto em todos os meses do ano. Desde 2014, o setembro amarelo faz parte do calendário de atenção do Ministério da Saúde e inicia-se com campanhas de instituições e conselhos de classe dos trabalhadores da saúde do Brasil. Os casos atingem mais os jovens e, por isso, requer atenção da população e do estado. Mas não é o bastante, com a pandemia há necessidade do aumento de iniciativas para a diminuição dos casos de suicídio no Brasil.

Algumas informações sobre o assunto são importantes

Principais fatores de risco:

– Doenças mentais
 
Tentativa prévia 
 
– Pessoas jovens

As doenças mentais elevam a vulnerabilidade para o suicídio. Damos atenção aqui à depressão que aparece como uma das doenças que mais leva os jovens a buscar o fim da própria vida. A tentativa prévia aparece na maioria dos casos de suicídio, sendo que 8 em cada 10 pessoas que cometeram o suicídio já realizaram alguma tentativa ao longo da vida. Os jovens são vulneráveis ao Suicídio. Esses são suscetíveis às mudanças fisiológicas, pois estão em fase de amadurecimento físico e psíquico. Quem convive com um adolescente, sabe que as mudanças nem sempre são fáceis. Nós sabemos que tudo isso vai passar, mas para isso precisamos trabalhar juntos em prol da criança ou do jovem que está precisando da nossa ajuda

Como identificar que o jovem está precisando de ajuda? 

– Fique atento às modificações do corpo ou mudanças fisiológicas que levam ao desencadeamento de doença psíquica. Essa fase é de constante modificação e devemos ter muita atenção; 
 
Analisar se a pessoa possui vulnerabilidades sociais ou genéticas. As vulnerabilidades sociais são fatores de risco. Mas não é apenas avaliar a condição socioeconômica, mas questões que levam a pessoa a um detrimento da saúde mental; 
 
Fique atento aos sinais. Os pais, professores, parentes e amigos podem ser fundamentais nessa identificação. Algumas alterações de comportamento quando observadas podem salvar vidas; 
 
– Observe se o jovem fica isolado, se possui impulsividade de reação, tristeza constante, dificuldade em se relacionar com pessoas, crises de raiva ou agitação, problemas com autoestima, se gosta de comportamento de risco, se utiliza álcool ou outras drogas em excesso. 
 
– Observe se o jovem provoca automutilações, que é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão a si próprio, sem intenção de suicídio. É um fator de risco, mesmo não sendo objetivo, o suicido. Esse evento nos mostra que o adolescente pode não saber lidar com situações.

O acolhimento, a empatia e a criação de vínculos são dispositivos importantes para qualquer contato com o jovem. Lembre-se que no mundo de hoje, a pressão por resultados chega cada vez mais cedo na vida dos jovens. Por isso, essa discussão se torna cada vez mais necessária nos ambientes escolares e nos territórios. É importante criar redes de acolhimento dos jovens, impedindo que doenças tratáveis possam se tornar um perigo real. Os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros que são o maior número de profissionais da linha de frente, devem investir na prevenção do suicídio. Para isso, torna-se necessário que os diversos atores da sociedade possam refletir também sobre a lógica de vida, de estudo e trabalho dos jovens. 

Autor

Referências

Maia RS, Rocha MMO, Araújo TCS, Maia EMC. Comportamento suicida: reflexoes para profissionais de saúde. Rev. bras. psicoter. 2017;19(3):33-42. Disponível em: http://rbp.celg.org.br/detalhe_artigo.asp?id=234 
 
Martínez Cárdenas Alberto, González Sábado Rita, Tabernilla Guerra Odalis Norma, Domínguez Morales Wendy, Reytor Ballester Danaysis. Satisfacción estudiantil sobre el manual “Prevención de la Conducta Suicida” en Medicina General Integral. EDUMECENTRO. 2021 Sep;  13( 3 ): 119-131. http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2077-28742021000300119
 
Razzouk Denise. Por que o Brasil deveria priorizar o tratamento da depressão na alocação dos recursos da Saúde?. Epidemiol. Serv. Saúde. 2016  Dez;  25( 4 ): 845-848. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742016000400018

Fonte: https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-o-suicidio-no-mundo-contemporaneo/

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Preconceito com tratamentos de saúde mental ainda é entrave para combate ao suicídio

“O preconceito em torno do tema suicídio é um dos principais fatores que corroboram para o crescimento dos números, especialmente de homens, que têm mais dificuldade em pedir ajuda que as mulheres. O primeiro passo é deixar de lado essa falácia de que uma terapia é “frescura” ou “mi mi mi”. Desmistificar a área da saúde mental. As pessoas precisam cada vez mais de ajuda profissional. E elas podem e merecem esse tratamento. E no caso da tentativa propriamente dita, a forma de acolhimento por parte dos profissionais tem se mostrado eficaz até em evitar uma provável reincidência”, afirmou Diógenes Martins Munhoz, major do Corpo de Bombeiros de São Paulo e diretor da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio e idealizador do curso e da técnica de abordagem técnica “A tentativa de suicídio”, que tem várias publicações sobre o tema da suicidologia, durante o lançamento do Fórum Paranaense de Prevenção e Pósvenção promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Paraná.

Ele explicou o tema pelo prisma da urgência e emergência, que é o atendimento a pessoas que tentaram o suicídio. Após dez anos de estudos, em 2015 lançou o curso, que considera uma nova ferramenta para auxiliar na humanização desse atendimento, que envolve uma gama de profissionais: bombeiros, trabalhadores do SAMU, da urgência e emergência, policiais militares, socorristas, enfermeiros, médicos, que acabam atendendo a um número muito grande de pessoas que tentam suicídio no Brasil. “Antes de desenvolvermos essa técnica, buscávamos como tática distrair essa pessoa no momento da abordagem. E não importava quem era esse tentante. Só pensávamos em fazer com que desistisse. Mas e depois?“, contou.

Foi com o pensamento de dar condições para que esse tentante (como são chamadas as pessoas que tentam suicídio) desistisse definitivamente da ideia, que surgiu essa forma de abordagem humanizada, como o acolhimento. Hoje, Corpos de Bombeiros de 19 estados utilizam. Com isso, Diógenes afirmou que em São Paulo, por exemplo, houve queda de 23% nas ocorrências que resultavam em mortes dos tentantes. “Nós mostramos a essa pessoa como ela é fundamental para sua família, para a sociedade, lançando mão de técnicas de psicologia, psiquiatria, e áreas afins”.

A pandemia e o suicídio

Também palestrou a psicóloga e especialista no tema, Karen Scavacini que, entre outros títulos, e funções, faz parte da diretoria da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio, é doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP e mestre em saúde pública e mental em prevenção ao suicídio, pelo Institute Karolinska, da Suécia. O tema trazido aos participantes do encontro foi “Suicídio e Pandemia”.  “Lembro que o suicido tem relações com muitos fatores: relações sociais, culturais, econômicas, psicológicas e situacionais e a pandemia se tornou um destes fatores, como dentro do comportamento suicida”, indicou.

A especialista faz parte de uma organização internacional que abrange 41 países que estuda os números da Covid-19 e a relação da pandemia com os casos de suicídio. O objetivo é utilizar estratégias de prevenção antes e depois que a situação melhorar ou se resolver.  

Alguns fatores como o isolamento social, estresse dos profissionais de saúde e o distanciamento físico podem ter contribuído para o crescimento dos casos. “O impacto tem sido muito grande, inclusive com a desativação de serviços psiquiátricos, o que comprometeu o tratamento de pessoas propensas ao suicídio”, ressaltou.

Pesquisas apontam que alunos que se afastaram das escolas, o impacto da economia, desemprego e o luto também podem influenciar o comportamento suicida, que está ligado a uma situação de desamparo e desesperança.

Em relação aos números, Karen diz que ainda é cedo para que se tenha resultados práticos. Porém, segundo um estudo feito em diversos países, demonstrou que as tentativas não costumam ocorrer durante a crise, mas depois dela. Mas adiantou: em alguns destes países houve até redução ao longo desses quase dois anos. Caso da Austrália e Inglaterra, por exemplo. “Uma das conclusões do estudo é que isso vem ocorrendo em países com poder aquisitivo mais alto e com o fato dos tentantes estarem em casa com suporte familiar. Por outro lado, a mesma análise apontou que os números aumentaram entre mulheres, em alguns casos, pelo fato de que elas acabaram sobrecarregaras ao longo da pandemia”, avaliou.

Uma cartilha confeccionada a pedido da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre prevenção ao suicídio pode ser acessada no site portal.fiocruz.br.

Questionamentos 

O público que assistiu o evento fez questionamentos e considerações aos palestrantes na parte final da audiência.  Entre os temas, os principais foram análises das ações governamentais frente à saúde mental, consideradas insuficientes; aumento de suicídios entre adolescentes devido ao Bullying; a ausência de diálogo e até a solidão; o papel da mídia no enfrentamento (equivocado, em muitos casos); a falta de preparo, até mesmo de profissionais que atuam na área; a discussão do tema durante todo o ano, não somente em datas específicas; o combate, a prevenção e o acompanhamento ostensivos, inclusive após uma tentativa de suicídio; e formas de abordagem próprias com equipes preparadas, como foi relatado que ocorre na Polícia Militar do Paraná.  Sugestões feitas serão utilizadas para transformarem em ações do Fórum.

O fórum 

O Fórum Paranaense de Prevenção e Pósvenção do Suicídio tem o objetivo de manter o debate permanente sobre o suicídio, propondo projetos para a geração de políticas públicas e provocar a discussão em toda a comunidade sobre ações que contribuam para a prevenção. “O Fórum vai funcionar como um canal de comunicação entre a população e o poder público, com participação dos segmentos do Poder Público estadual e municipal, sindicatos, movimentos sociais, redes da sociedade civil, familiares e cidadãos interessados na temática, estudantes e juventude, faculdades e universidades, entre outros. O objetivo é garantir a participação dos Conselhos Municipal e Estadual da Saúde, além de outros conselhos. Também será fundamental a participação de gestores, comunidade, além dos profissionais de outras áreas que não sejam da saúde: Assistência social, cultura, meio ambiente, já que as políticas públicas deverão ser feitas em interação com as outras políticas do estado e de municípios”, explicou Thais Diniz, assessora da Comissão de Direitos Humanos.

Como objetivos iniciais, o Fórum pretende mapear os órgãos representativos que atuam no tema, eleger uma equipe de trabalho e montar um plano de ação para o Fórum Estadual de Prevenção e Combate ao Suicídio. “Temos a intenção de promover eventos que vão acontecer durante todo o ano e em setembro, em razão do Setembro Amarelo, debater e reforçar a discussão em torno do tema e os seus efeitos para a população”, reforçou Thais.

Essa formação vem sendo debatida desde a audiência pública proposta pela ONG Decida Viver, de Maringá, em 2020. “Lembro que estamos no ano do centenário de nascimento de Paulo Freire, que dizia: no Brasil, manter a esperança viva é um ato revolucionário. E é o que nós estamos fazendo nesse momento. Lidar com um ato de suicídio marca a vida de qualquer pessoa”, observou o deputado Tadeu Veneri (PT), que preside a Comissão e conduziu a audiência. Ele também citou trechos de uma poesia do inglês John Donne: “Morremos um pouco a cada morte que presenciamos”. Isso serve um pouco para nós, porque cada vez que alguém que conhecemos nos deixa, nós também nos deixamos nele. E aqui temos vários especialistas que falam sobre isso”, completou.

 “Criar um Fórum como este é ressignificar a vida e representa um compartilhamento tanto das dores como do conhecimento. É um passo importantíssimo de valorização da vida e um descanso na loucura da vida, que só tem sentido se for vivida coletivamente", finalizou Veneri.

Composição do Fórum – Tomaram posse como integrantes do Fórum, a psicóloga, especialista em Psicologia da Saúde, mestre em Psicologia Clínica, doutoranda, idealizadora e fundadora do Comitê de Prevenção e Pósvenção ao Suicídio da Secretaria Municipal de Saúde de Maringá, membro da diretoria da Associação Brasileira de Estudos sobre Prevenção do Suicídio, pós-graduanda em Traumas, Cuidados Paliativos e Processos Autodestrutivos, Raquel Antoniassi, como coordenadora; como secretária-geral,  Regina Aparecida de Paula, graduada em Geografia e Direito, pós-graduanda em Direito Eleitoral, professora da rede municipal de Maringá, assessora parlamentar e idealizadora da ONG Decida Viver e como vice coordenadora,  a psicóloga Tatiane Lori Alvim, coordenadora da ONG Decida Viver,  pós-graduanda em Traumas, formada em Tanatologia, mediadora da Comunicação Não-violenta, responsável técnica do Projeto Lutar e idealizadora do Projeto Sentido de Vida.

www.jornaldafronteira.com.br/preconceito-com-tratamentos-de-saude-mental-ainda-e-entrave-para-combate-ao-suicidio/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Sobreviventes enlutados por suicídio: a boa experiência de acolhimento em Venâncio Aires-RS

Comitê divulga cronograma dos encontros de sobreviventes enlutados por suicídio

 

Enfermeira Patrícia Antoni fala sobre as ações realizadas pelo comitê

Enfermeira Patrícia Antoni fala sobre as ações realizadas pelo comitê
Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)
Os integrantes do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires definiram um calendário com as datas em que serão realizados os encontros de sobreviventes enlutados por suicídio. A atividade, que começou a ser colocada em prática pelo grupo no ano passado, quando dois eventos foram realizados, terá sequência neste ano, com reuniões bimestrais.

A terceira edição está agendada para a próxima quarta-feira, 10, no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II, localizado na rua Visconde do Rio Branco, número 517, no Centro. A atividade ocorre das 17h30min às 19h30min. “No ano passado, realizamos dois encontros, um em setembro e outro em novembro, para termos a experiência de como seria. Decidimos fazer o cronograma para este ano, para que as pessoas possam se organizar”, explica a coordenadora do comitê, a enfermeira Patrícia Antoni.

Ainda de acordo com ela, o grupo decidiu seguir com a realização do evento porque acredita que essa seja uma importante estratégia para alcançar as pessoas que foram impactadas pela perda de alguém por suicídio. “Um plano para este ano é trabalhar mais com os sobreviventes enlutados. É um projeto voltado à prevenção”, acrescenta.

“O luto por suicídio é bem mais difícil e prolongado, porque ele envolve sentimentos de culpa, raiva, tristeza, busca por motivos para isso ter acontecido e dúvidas sobre o que poderia ter feito para impedir.”

Acolhimento

O objetivo do comitê ao realizar os encontros é oferecer aos sobreviventes enlutados por suicídio um espaço de acolhimento, pertencimento, conversa aberta e sem tabus nem julgamento, para a troca de experiências, garantido sigilo e respeito aos participantes. “O grupo é uma busca espontânea de pessoas que querem participar porque estão dispostas a falar”, observa Patrícia.

Para qualificar ainda mais os eventos, integrantes do comitê que têm interesse em participar dos encontros estão participando de uma formação on-line oferecida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).

Para a coordenadora do comitê, chegar até os sobreviventes enlutados por suicídio é importante porque, em algumas situações, esse assunto se torna um tabu dentro da própria família. “Ser um sobrevivente é um fator de risco”, salienta. Por isso, o grupo busca oferecer um espaço que sirva como uma rede de apoio entre as pessoas enlutadas por suicídio, além de oferecer atendimento de saúde mental especializado.

Cronograma

• Os encontros serão realizados nos dias 10 de fevereiro, 14 de abril, 9 de junho, 11 de agosto, 13 de outubro, 8 de dezembro. O local e o horário dos encontros serão definidos após a última atividade e serão divulgados nas redes sociais do Comitê de Prevenção dos Suicídios.

Outras ações

A partir da metade deste ano, os integrantes do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires também pretendem realizar encontros de formação para quem atua nas Estratégias Saúde da Família (ESFs), principalmente as agentes comunitárias de saúde. A intenção é capacitar esses profissionais para que eles façam buscas ativas com as famílias que perderam alguém por suicídio. “Oferecer estratégias para saber como abordar o assunto”, explica Patrícia.

No ano passado, o comitê começou a realizar ações interiorizadas em parceria com as equipes volantes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Social. Foram duas edições, uma em Vila Palanque e uma em Vila Mariante. Na oportunidade, foram abordados assuntos relacionados à prevenção do suicídio, por meio de uma escuta sensível, sempre com o foco da valorização da vida. Neste ano, a atividade terá continuidade e deve acontecer em mais localidades.

Para este ano, o órgão também pretende realizar um seminário de prevenção ao suicídio aberto para a comunidade. Essa já era uma proposta pensada para ser desenvolvida no ano passado, mas que precisou ser adiada por causa da pandemia de Covid-19.

No fim do ano passado, teve início em Venâncio o projeto ‘Saúde Mental em foco: acolher é Prevenir’. A ação será realizada durante 12 meses e busca trabalhar a prevenção do suicídio e da automutilação com servidores de diferentes áreas. No fim da iniciativa, se pretende preparar uma cartilha com estratégias para acolher e tratar o risco de pacientes que procurarem pela rede de atendimento oferecida pela Prefeitura.

“Quando falamos sobre nossos sentimentos, podemos lidar com eles”

O diálogo é considerado uma importante maneira para que as pessoas consigam lidar com os sentimentos, em especial os que envolvem o luto. Em relação a isso, a psicóloga Zamara Amorim Silveira, que atua na Vigilância Epidemiológica e no Centro de Atendimento de Doenças Infecto-Contagiosas (Cadi) de Venâncio Aires, relata que é importante que as pessoas que foram impactadas por suicídio tenham um espaço para falar sobre esse sentimento.

“Os encontros do comitê são uma forma de oferecer a elas um espaço para dividir as experiências com outras pessoas que vivenciaram essa situação e verem como elas estão lidando com esse luto. É um local sem julgamento”, compartilha. O objetivo do grupo é falar mais sobre esse assunto para que as pessoas busquem ajuda antes de cometer o suicídio.

“Sabemos que o assunto suicídio ainda é um tabu na nossa sociedade. As pessoas têm vergonha e receio de falar sobre isso. Então, as famílias acabam se fechando e não buscam ajuda. Já é difícil podermos falar sobre saúde mental, sobre suicídio é mais ainda”, avalia. Zamara ainda menciona que, no mínimo, entre oito e dez pessoas são impactadas por um suicídio. Ela lembra que o sobrevivente enlutado é qualquer pessoa que de alguma forma foi impactada com a perda, não sendo, necessariamente, um familiar.

Luto

Segundo a psicóloga, não existe uma receita para lidar com o luto, uma vez que cada pessoa vai vivenciá-lo de maneira diferente, com base nas experiências que já teve. “Sempre orientamos que a melhor maneira é falar sobre isso para que possamos trabalhar ele. Não guardar esse sentimento. As pessoas acham que falar sobre isso vai aumentar as sensações negativas, mas muito pelo contrário, quando falamos sobre nossos sentimentos é que podemos lidar com eles. Não que a pessoa não vai sentir saudade daquele ente querido ou ficar um pouco mais entristecido, mas que ela possa seguir em frente com saúde mental”, ressalta.

Nesse sentido, Zamara explica que é importante que as pessoas procurem ajuda de profissionais especializados e de amigos. Ela reforça que é importante que as pessoas próximas de alguém que tenha risco de suicídio fiquem atentas aos sinais. “Um grande mito que existe em relação a isso é que quem fala não faz. Na verdade, quem fala faz sim. Esse é um sinal de alerta bem importante”, destaca.

“Quando o suicídio deixar de ser tabu, provavelmente os casos vão diminuir, porque as pessoas vão ir antes buscar ajuda. É importante incentivar as pessoas a conversarem, para mostrar que isso não é nenhuma fraqueza ou covardia. Muito pelo contrário, ela está em sofrimento porque está lutando há muito tempo com tudo que sente.” Zamara Amorim Silveira, psicóloga

 

Suporte e histórico

Foto: Taís Fortes/Folha do Mate 
• A partir deste ano, a psicóloga Zamara Silveira passará a trabalhar de forma mais específica no acolhimento de sobreviventes enlutados por suicídio e de pessoas que tentaram cometer suicídio, a partir das notificações que chegam até a Vigilância Epidemiológica. O objetivo é estimular a prevenção. Além disso, ela será a profissional responsável por atender as demandas que chegam por meio do Doutor Protege Saúde Mental. “Esse trabalho com os enlutados vai colaborar para que eles se sintam mais à vontade para participar dos encontros”, avalia.

• De acordo com Zamara, quando os casos de suicídio são estudados e acompanhados, se percebe que a grande maioria dessas pessoas que cometeram tiveram algum caso na família. “Sabemos que o histórico familiar é um fator de risco para o suicídio. Por isso, é ainda mais importante abrir esse espaço [dos encontros], para que os sobreviventes enlutados possam ver que isso não é vergonhoso, para que eles consigam lidar com esse sofrimento.”

Fonte: https://folhadomate.com/livre/comite-divulga-cronograma-dos-encontros-de-sobreviventes-enlutados-por-suicidio/

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Espaço de escuta e de prevenção do suicídio: notável experiência em Portugal

A publicação da reportagem abaixo deve-se  ao fato de que a instituição abaixo descrita, a Associação Coração com Vida, é um grande espaço de escuta terapêutica, onde se acolhe pessoas às voltas com muitos dos problemas (e traumas) que induzem à violência e, principalmente, a violência autoprovocada. O notável é que este local de convivência e acolhimento é praticamente um complexo de serviços entrelaçados para servir às pessoas que os buscam. A se replicar mundo afora!

Associação Coração com Vida é um espaço onde pode encontrar alguém para conversar


Está aberto ao público nas Caldas da Rainha desde fevereiro de 2018 um espaço da Associação Coração com Vida, que tem por missão desenvolver projetos com impacto social positivo na região.


Marlene Sousa (29 janeiro 2020)

Tem ao dispor das pessoas aconselhamento e uma área de convívio que dispõe de jogos de tabuleiro, televisão e partilha à volta de um café ou chá e um bolo.

O espaço tem ainda um banco de roupa e de brinquedos e realizam-se oficinas de artes, workshops, palestras, seminários e partilham-se habilidades.

Raquel Martins e Lusiana Lima (voluntárias), e Paulo Francisco, pastor da Igreja e presidente da associação

É um projeto da Associação Coração Com Vida, uma organização sem fins lucrativos da Igreja Evangélica Baptista das Caldas da Rainha.

Embora a associação já tenha sido fundada em 2016, foi só em 2018 que a Igreja Baptista teve possibilidades para poder abrir um espaço preparado para receber as pessoas.

“O nosso objetivo é ajudar e ouvir as pessoas”, disse ao Jornal das Caldas, Paulo Francisco, pastor desta Igreja e presidente da mesa de assembleia da associação.

O que está na base do projeto é o combate à solidão que é transgeracional, não é só um problema dos idosos”, sublinhou o pastor, revelando que desde que o espaço abriu tem recebido dezenas de pessoas.

Paulo Francisco adiantou que o espaço nasceu porque identificaram uma série de “necessidades no concelho*, pois éramos frequentemente contactados por pessoas que nos batiam à porta porque precisavam de desabafar”.

Os principais problemas sinalizados tinham a ver com situações de depressão, tentativas de suicídio, violência doméstica, isolamento e desemprego.

No espaço da Associação Coração Com Vida também se faz a prevenção do suicídio. “Há muitas pessoas com falta de esperança e nós queremos mostrar que há esperança e há quem disponha do seu tempo para ajudar sem segundas intenções e sem querer nada em troca”, explicou o responsável. 

Outro problema apontado pelo pastor é a violência doméstica. “Nós nem imaginamos a quantidade de pessoas que sofrem nas Caldas da Rainha por causa de divergências familiares e vítimas de violência doméstica”. Paulo Francisco revelou que a Associação Coração com Vida foi apresentada à Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade como uma instituição que faz resposta em primeira linha a este problema.

Daí que o espaço da Associação que se localiza na Rua do Montepio, 2, tem na porta afixado um documento com informação às vítimas de violência doméstica, incentivando a pedirem ajuda através do número 800 202 148.

Devido às necessidades verificadas criaram um gabinete próprio reservado onde duas vezes por semana (terças e sextas-feiras, das 14 às 18h) está uma pessoa especializada com formação na área de psicologia que faz aconselhamento. “Não é uma consulta”, apontou o pastor, sublinhando que é “um tempo de escuta, que é muito importante porque as pessoas têm necessidade de falar e numa sociedade tão rápida onde as pessoas andam a correr atrás das coisas por vezes não damos a devida atenção a quem precisa de ser escutado”.

Paulo Francisco, que é pastor da Igreja Batista desde 2012, também faz aconselhamento a quem precisa. Tem formação em engenharia mecânica e reside e trabalha na Marinha Grande. 

O espaço funciona com 15 voluntários. “Nós já temos mais de três mil horas de voluntariado desde que inaugurámos a 17 de fevereiro de 2018”, revelou o presidente da Associação.

A Associação Coração Com Vida é uma estrutura complementar à rede de apoios que já existe na cidade, tornando-se assim num espaço aberto à comunidade onde as pessoas sabem que encontram alguém para conversar. E todos são bem-vindos, independentemente se estão ou não inseridos na Igreja Evangélica Baptista. “Nós já fazemos este trabalho em prol da comunidade dentro da Igreja há muitos anos, mas sendo uma igreja de cariz evangélico achamos que é uma barreira emocional, então considerámos importante abrir o espaço para acudir a esta necessidade que existe”, explicou.

Paulo Francisco garante que a intenção “não é levar as pessoas para a Igreja Evangélica Baptista das Caldas” e o convite à Associação Coração com Vida “é para todos que procuram alguém  que os escuta e a todos aqueles que se queiram juntar ao projeto como voluntários”, salientando que o tipo de atividades que possam vir a desenvolver vai depender muito da disponibilidade e propostas dos próprios voluntários.

A loja social vende roupa, malas, brinquedos e livros a um preço simbólico que varia entre os cinquenta cêntimos aos dois ou três euros e que reverte a favor da manutenção do espaço. “Mas quem venha buscar roupa e não tenha dinheiro para pagar não é por isso que não levam os artigos que necessitam”, referiu.

A Associação Coração com Vida não tem qualquer subsídio, vive através da ajuda da Igreja Evangélica Baptista e de contribuições que permitem suportar os custos do espaço (água, eletricidade, seguros) e pagamento da renda, que é de cerca de 700 euros por mês

Brevemente vão ter consultas sociais na área da nutrição, psicologia e neuropsicologia, onde os profissionais de saúde irão cobrar um valor mais simbólico do que é o habitual.

A Coração com Vida fez ainda uma parceria com a Associação para a Promoção da Prevenção do Abuso Sexual (SFPPP) com o intuito de levar às crianças das escolas do concelho formação e informação sobre a prevenção de abusos sexuais. A vice-presidente da SFPPP, Margarida Ferraz, realiza palestras informativas às crianças sobre “Abusos Sexuais”, de forma lúdica e clara, na linguagem de cada faixa etária. Há disponibilidade para realizar gratuitamente estas palestras nos agrupamentos escolares das Caldas e da região, para isso basta entrarem em contacto com a Associação Coração com Vida pelo tel. 262144 503.

A associação funciona de terça a quinta-feira, das 15h00 às 18h00, mas o objetivo é estender os horários assim que o número de voluntários o permitir.

O intuito é também abrir um segundo espaço noutro concelho com o intuito de dar resposta a mais pessoas que precisam.  

Nota: concelho, neste texto, é o mesmo que "divisão territorial, administrada por um município"

Fonte: https://jornaldascaldas.com/Associacao_Coracao_com_Vida_e_um_espaco_onde_pode_encontrar_alguem_para_conversar_

terça-feira, 7 de maio de 2019

O que eu sei sobre depressão é suficiente para ajudar alguém em crise suicida?

Não, isto não é um teste sobre o que você sabe sobre depressão e risco suicida.

O meu público é vasto e parte dele não é de profissionais de saúde. Eu mesmo não sou desta área.

A ideia é, somente, levantar o que seria o mínimo de conhecimento necessário para ajudarmos as pessoas que suspeitamos encontrar-se às voltas com a depressão.

Na figura ao lado há informações do tipo "ampla e geral" sobre a depressão. Elas não atingem o cerne do Distúrbio depressivo maior (DDM) ou transtorno depressivo maior. Ou simplesmente, depressão.

No site Como sair da depressão há informações de melhor qualidade, como estas:

O que preciso de saber sobre a depressão?
  • Você não pode curar outra pessoa com depressão profunda/clínica.
  • Há altos e baixos na recuperação da depressão.
     
  • Não diga a uma pessoa com depressão que “você entende.” A menos que você tenha passado por depressão nalguma fase da sua vida.
     
  • A recuperação da depressão não é apenas uma questão de tomar a medicação e ir a terapia. O tratamento envolve uma série de mudanças fundamentais em uma pessoa.
Informações como estas nos ajuda na condição de cuidador, mesmo que provisório, de uma pessoa deprimida (ou com algum outro transtorno). 

A melhor estratégia, quando não somos da área da saúde, é mesmo conduzir a pessoa a um profissional.

Enquanto isso não seja possível  (ou em paralelo) nosso dever é o de acolher e mostrar à pessoa o quanto ela é importante (a ponto de estarmos ocupados em cuidar dela!).

Se for tão somente uma tristeza passageira, o acolhimento trará o alívio necessário para a pessoa seguir adiante... Do contrário, ela estará sob os cuidados de um profissional que saberá lidar com a situação.

O que não devemos, nunca, é deixar a pessoa entregue aos seus próprios recursos (parcos ou nenhum!).

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Falar em prevenção do suicídio é...

Algumas pessoas julgam mal quem comete o suicídio

Falar em prevenção do suicídio é se colocar no lugar de alguém que busca uma saída, e que não quer morrer, mas 'viver' melhor

Por Renata Brasil Araujo, psicóloga, coordenadora do Programa de Dependência Química do Hospital Psiquiátrico São Pedro e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead)

E se, em um dia qualquer, em que você se sentisse triste, desesperado com sua vida e sem esperanças, aparecesse alguém que lhe oferecesse uma viagem a um país desconhecido, mas que você imagina que seja um lugar tranquilo, no qual residem pessoas amigas, você iria? Você não se sentiria, ao menos, tentado a ir?

E se essa viagem não oferecesse passagem de volta? E se esse alguém fosse sua própria voz, aquela vozinha interior que se preocupa com você e que jamais lhe daria um mau conselho, mudaria sua opinião?

Falar em Setembro Amarelo e em prevenção do suicídio é se colocar no lugar de alguém que busca uma saída, e que não quer morrer, mas "viver" melhor, mesmo se não houver vida (perdoem-me o paradoxo). Ele pretende viver em outro mundo, que ele sonha que exista, onde mora um Deus bondoso, que vai lhe oferecer paz e perdão. E, se ele não acreditar nisso, por seu ceticismo, deve acreditar que a morte é, pelo menos, o fim para seu estado atual de "nada".

Existem pessoas que julgam mal quem comete o suicídio, mas deve ser porque não percebem o desespero que envolve fazer essa viagem sem volta. A dor do resultado do suicídio, na mente desses que são julgados, parece ser menor do que a dor de viver, e é justamente isto que os impele a tentar. Eles precisam que compreendamos que estão sofrendo e que devem urgentemente receber tratamento especializado para tal. Eles necessitam ser validados nas suas dores, mas também, ser apoiados a não agirem movidos por elas, sendo auxiliados a encontrar alternativas que lhes permitam ser felizes, pois devemos lembrar que há uma associação positiva entre grau de desesperança e risco de suicídio.

Assim, o que resumidamente precisamos fazer é nunca subestimar a dor do outro (este outro que pode estar aí, bem perto de você), mas ouvi-lo, ajudando-o na busca por tratamento e lhe oferecendo a esperança de uma vida melhor. Esse, sem dúvida alguma, é o jeito mais efetivo para prevenirmos o suicídio e diminuirmos os altos índices deste tipo de morte em nosso país.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2018/09/algumas-pessoas-julgam-mal-quem-comete-o-suicidio-cjm59w2sw03qp01pxe4z1vknd.html