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sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Busca ativa por sobreviventes enlutados por suicídio ocorre desde o início do ano, em Venâncio Aires-RS

Taís Fortes 

Há dois anos, Venâncio Aires ganhou um novo aliado na prevenção dos suicídios e na promoção da vida. Isso porque, em agosto de 2019, foi criado o Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios, com o objetivo de dar mais visibilidade e ampliar o debate sobre essa temática, além de promover ações de conscientização sobre o assunto e se tornar uma referência para a comunidade buscar auxílio e informações.

Ao longo dessa caminhada, o grupo, que é formado por profissionais de diferentes setores das áreas da saúde, educação, assistência social, segurança e outros órgãos não governamentais, já desenvolveu diversas atividades. Uma delas está direcionada aos sobreviventes enlutados por suicídio, ou seja, às pessoas que foram impactadas de alguma forma pelo suicídio de familiares, amigos ou colegas de trabalho.

Patrícia Antoni e Zamara Silveira explicam os serviços de atendimento para prevenção do suicídio

Desde o ano passado, o comitê realiza encontros bimestrais para acolher esses indivíduos e oferecer um lugar, sem julgamentos, para o compartilhamento de experiências. A próxima reunião está agendada para o dia 13 de outubro, no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), localizado na rua Visconde do Rio Brando, 1037 (ao lado da Casa da Luz), das 14h às 16h.

Além disso, desde o início do ano, a psicóloga Zamara Amorim Silveira, que atua na Vigilância Epidemiológica e no Centro de Atendimento de Doenças Infectocontagiosas (Cadi) está realizando um trabalho de busca ativa e de atendimento a esses sobreviventes enlutados. A ação acontece em parceria com o comitê.

Atendimento

A profissional explica que, a partir do momento em que é informada sobre um suicídio em Venâncio, busca, por meio dos sistemas de prontuário, entrar em contato com os familiares mais próximos dessa pessoa. “Fizemos ligações convidando para atendimento e vendo como esses familiares estão ou realizamos visitas domiciliares para falarmos um pouco sobre o comitê, saber como essa família está, conhecer a história da pessoa que se suicidou, oferecer ajuda e convidar para participar dos grupos”, compartilha.

A coordenadora do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídio, enfermeira Patrícia Antoni, observa que o trabalho envolvendo os sobreviventes enlutados se intensificou. “Desde o início do ano está sendo feita essa busca. Antes, isso já era feito pelo comitê, mas não de forma tão intensa. O trabalho com os sobreviventes enlutados foi uma crescente”, relata.

Durante essa busca ativa, os familiares também são informados sobre as formas de contato com a rede de atendimento. Desde o início do ano, a psicóloga também retomou a busca por pessoas que tentaram suicídio, serviço que já vinha sendo realizado antes mesmo da criação do comitê municipal, mas foi afetado por causa da pandemia da Covid-19.

Para Zamara, a importância de realizar esse atendimento é conseguir falar mais sobre a prevenção do suicídio. “Nós que atendemos os sobreviventes enlutados percebemos o quanto ainda é difícil falar sobre esse tema. Esse foi um grande ganho, para que as pessoas procurem mais ajuda e se sintam mais à vontade para isso”, avalia.

Patrícia também avalia de forma positiva esse serviço. “Um vai falando para o outro, o que torna a psicóloga Zamara e o comitê referências. A informação de que existe um lugar para pedir ajuda e de atendimento sem julgamentos vai se espalhando”, destaca.

Contatos da rede de atendimento em Venâncio

• Caps II: 2183-0788
• Caps AD: 2183-0787 ou (51) 9714-6306 (com WhatsApp)
• Caps Infantil: 2183-0789
Doutor Protege Saúde Mental
• Página no Facebook e perfil no Instagram do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios
• Em casos de tentativa de suicídio, a orientação é acionar o Samu e procurar por atendimento no Hospital São Sebastião Mártir e na UPA.

188 - é o contato do Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e de prevenção do suicídio, com atendimento voluntário e gratuito para todas as pessoas que querem e precisam conversar. O diálogo acontece em total sigilo, por telefone, e-mail ou chat, durante 24 horas todos os dias. Mais informações sobre esse serviço pode ser consultadas em www.cvv.org.br.

Saiba mais

Segundo a coordenadora do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios, Patrícia Antoni, e a psicóloga Zamara Silveira, o maior número de casos de suicídio em Venâncio acontece entre homens acima dos 50 anos e que moram no interior. Entretanto, a maior quantidade de tentativas de suicídio é entre as mulheres.

Nos últimos dois anos, é possível perceber uma redução no número de suicídios registrados em Venâncio Aires. Contudo, não é possível apontar uma causa para que isso tenha acontecido, uma vez que o suicídio é considerado multifatorial. No entanto, Patrícia e Zamara observam que desde 2019 se falou mais sobre esse assunto, no sentido de prevenção.

Conforme o Portal BI Público, até ontem, o município tinha registrado 10 suicídios. No ano passado, aconteceram 14 suicídios; em 2019, foram 27; em 2018, Venâncio registrou 18 casos e, em 2017, foram 23 suicídios.

Setembro Amarelo

• Ocorre amanhã, a Caminhada de Promoção da Vida, a partir das 15h30min, em frente à igreja matriz, na Travessa São Sebastião Mártir. O evento é aberto para profissionais, usuários dos serviços de saúde e para a comunidade em geral.

• Dentro das programações do Setembro Amarelo do município, também está programada para o dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, uma palestra sobre o tema saúde mental.

• Voltada para os profissionais da saúde, educação, assistência social e acadêmicos destas áreas, a programação ocorre das 13h às 16h30min, na Câmara de Vereadores. A inscrição pode ser feita pelo Whatsapp (51) 99714-6306 ou ainda pelas redes sociais do Comitê.

Fonte: https://folhadomate.com/livre/busca-ativa-por-sobreviventes-enlutados-por-suicidio-ocorre-desde-o-inicio-do-ano-em-venancio/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Sobreviventes enlutados por suicídio: a boa experiência de acolhimento em Venâncio Aires-RS

Comitê divulga cronograma dos encontros de sobreviventes enlutados por suicídio

 

Enfermeira Patrícia Antoni fala sobre as ações realizadas pelo comitê

Enfermeira Patrícia Antoni fala sobre as ações realizadas pelo comitê
Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)
Os integrantes do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires definiram um calendário com as datas em que serão realizados os encontros de sobreviventes enlutados por suicídio. A atividade, que começou a ser colocada em prática pelo grupo no ano passado, quando dois eventos foram realizados, terá sequência neste ano, com reuniões bimestrais.

A terceira edição está agendada para a próxima quarta-feira, 10, no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) II, localizado na rua Visconde do Rio Branco, número 517, no Centro. A atividade ocorre das 17h30min às 19h30min. “No ano passado, realizamos dois encontros, um em setembro e outro em novembro, para termos a experiência de como seria. Decidimos fazer o cronograma para este ano, para que as pessoas possam se organizar”, explica a coordenadora do comitê, a enfermeira Patrícia Antoni.

Ainda de acordo com ela, o grupo decidiu seguir com a realização do evento porque acredita que essa seja uma importante estratégia para alcançar as pessoas que foram impactadas pela perda de alguém por suicídio. “Um plano para este ano é trabalhar mais com os sobreviventes enlutados. É um projeto voltado à prevenção”, acrescenta.

“O luto por suicídio é bem mais difícil e prolongado, porque ele envolve sentimentos de culpa, raiva, tristeza, busca por motivos para isso ter acontecido e dúvidas sobre o que poderia ter feito para impedir.”

Acolhimento

O objetivo do comitê ao realizar os encontros é oferecer aos sobreviventes enlutados por suicídio um espaço de acolhimento, pertencimento, conversa aberta e sem tabus nem julgamento, para a troca de experiências, garantido sigilo e respeito aos participantes. “O grupo é uma busca espontânea de pessoas que querem participar porque estão dispostas a falar”, observa Patrícia.

Para qualificar ainda mais os eventos, integrantes do comitê que têm interesse em participar dos encontros estão participando de uma formação on-line oferecida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).

Para a coordenadora do comitê, chegar até os sobreviventes enlutados por suicídio é importante porque, em algumas situações, esse assunto se torna um tabu dentro da própria família. “Ser um sobrevivente é um fator de risco”, salienta. Por isso, o grupo busca oferecer um espaço que sirva como uma rede de apoio entre as pessoas enlutadas por suicídio, além de oferecer atendimento de saúde mental especializado.

Cronograma

• Os encontros serão realizados nos dias 10 de fevereiro, 14 de abril, 9 de junho, 11 de agosto, 13 de outubro, 8 de dezembro. O local e o horário dos encontros serão definidos após a última atividade e serão divulgados nas redes sociais do Comitê de Prevenção dos Suicídios.

Outras ações

A partir da metade deste ano, os integrantes do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires também pretendem realizar encontros de formação para quem atua nas Estratégias Saúde da Família (ESFs), principalmente as agentes comunitárias de saúde. A intenção é capacitar esses profissionais para que eles façam buscas ativas com as famílias que perderam alguém por suicídio. “Oferecer estratégias para saber como abordar o assunto”, explica Patrícia.

No ano passado, o comitê começou a realizar ações interiorizadas em parceria com as equipes volantes do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Social. Foram duas edições, uma em Vila Palanque e uma em Vila Mariante. Na oportunidade, foram abordados assuntos relacionados à prevenção do suicídio, por meio de uma escuta sensível, sempre com o foco da valorização da vida. Neste ano, a atividade terá continuidade e deve acontecer em mais localidades.

Para este ano, o órgão também pretende realizar um seminário de prevenção ao suicídio aberto para a comunidade. Essa já era uma proposta pensada para ser desenvolvida no ano passado, mas que precisou ser adiada por causa da pandemia de Covid-19.

No fim do ano passado, teve início em Venâncio o projeto ‘Saúde Mental em foco: acolher é Prevenir’. A ação será realizada durante 12 meses e busca trabalhar a prevenção do suicídio e da automutilação com servidores de diferentes áreas. No fim da iniciativa, se pretende preparar uma cartilha com estratégias para acolher e tratar o risco de pacientes que procurarem pela rede de atendimento oferecida pela Prefeitura.

“Quando falamos sobre nossos sentimentos, podemos lidar com eles”

O diálogo é considerado uma importante maneira para que as pessoas consigam lidar com os sentimentos, em especial os que envolvem o luto. Em relação a isso, a psicóloga Zamara Amorim Silveira, que atua na Vigilância Epidemiológica e no Centro de Atendimento de Doenças Infecto-Contagiosas (Cadi) de Venâncio Aires, relata que é importante que as pessoas que foram impactadas por suicídio tenham um espaço para falar sobre esse sentimento.

“Os encontros do comitê são uma forma de oferecer a elas um espaço para dividir as experiências com outras pessoas que vivenciaram essa situação e verem como elas estão lidando com esse luto. É um local sem julgamento”, compartilha. O objetivo do grupo é falar mais sobre esse assunto para que as pessoas busquem ajuda antes de cometer o suicídio.

“Sabemos que o assunto suicídio ainda é um tabu na nossa sociedade. As pessoas têm vergonha e receio de falar sobre isso. Então, as famílias acabam se fechando e não buscam ajuda. Já é difícil podermos falar sobre saúde mental, sobre suicídio é mais ainda”, avalia. Zamara ainda menciona que, no mínimo, entre oito e dez pessoas são impactadas por um suicídio. Ela lembra que o sobrevivente enlutado é qualquer pessoa que de alguma forma foi impactada com a perda, não sendo, necessariamente, um familiar.

Luto

Segundo a psicóloga, não existe uma receita para lidar com o luto, uma vez que cada pessoa vai vivenciá-lo de maneira diferente, com base nas experiências que já teve. “Sempre orientamos que a melhor maneira é falar sobre isso para que possamos trabalhar ele. Não guardar esse sentimento. As pessoas acham que falar sobre isso vai aumentar as sensações negativas, mas muito pelo contrário, quando falamos sobre nossos sentimentos é que podemos lidar com eles. Não que a pessoa não vai sentir saudade daquele ente querido ou ficar um pouco mais entristecido, mas que ela possa seguir em frente com saúde mental”, ressalta.

Nesse sentido, Zamara explica que é importante que as pessoas procurem ajuda de profissionais especializados e de amigos. Ela reforça que é importante que as pessoas próximas de alguém que tenha risco de suicídio fiquem atentas aos sinais. “Um grande mito que existe em relação a isso é que quem fala não faz. Na verdade, quem fala faz sim. Esse é um sinal de alerta bem importante”, destaca.

“Quando o suicídio deixar de ser tabu, provavelmente os casos vão diminuir, porque as pessoas vão ir antes buscar ajuda. É importante incentivar as pessoas a conversarem, para mostrar que isso não é nenhuma fraqueza ou covardia. Muito pelo contrário, ela está em sofrimento porque está lutando há muito tempo com tudo que sente.” Zamara Amorim Silveira, psicóloga

 

Suporte e histórico

Foto: Taís Fortes/Folha do Mate 
• A partir deste ano, a psicóloga Zamara Silveira passará a trabalhar de forma mais específica no acolhimento de sobreviventes enlutados por suicídio e de pessoas que tentaram cometer suicídio, a partir das notificações que chegam até a Vigilância Epidemiológica. O objetivo é estimular a prevenção. Além disso, ela será a profissional responsável por atender as demandas que chegam por meio do Doutor Protege Saúde Mental. “Esse trabalho com os enlutados vai colaborar para que eles se sintam mais à vontade para participar dos encontros”, avalia.

• De acordo com Zamara, quando os casos de suicídio são estudados e acompanhados, se percebe que a grande maioria dessas pessoas que cometeram tiveram algum caso na família. “Sabemos que o histórico familiar é um fator de risco para o suicídio. Por isso, é ainda mais importante abrir esse espaço [dos encontros], para que os sobreviventes enlutados possam ver que isso não é vergonhoso, para que eles consigam lidar com esse sofrimento.”

Fonte: https://folhadomate.com/livre/comite-divulga-cronograma-dos-encontros-de-sobreviventes-enlutados-por-suicidio/

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Município gaúcho reforça ações de prevenção do suicídio: exemplo a ser seguido

Venâncio lança projeto de prevenção ao suicídio

Projeto ‘Saúde Mental em foco: Acolher é Prevenir’ foi lançado nesta semana

Criado pela Secretaria Municipal de Saúde, com apoio do Comitê Municipal de Prevenção dos Suicídios de Venâncio Aires, o projeto ‘Saúde Mental em foco: Acolher é Prevenir’, que tem o objetivo de desenvolver ações de prevenção ao suicídio e à automutilação, inicia com a visitação aos serviços da rede. O objetivo é fazer o diagnóstico da situação no município.

As profissionais da empresa Converge, de Estrela (município vizinho), – uma psicóloga, uma enfermeira e uma assistente social –, buscam os dados epidemiológicos de suicídio e dos números de serviços, potencialidades e fragilidades. A compilação das informações começou no início de novembro, quando foi assinado o contrato com a empresa vencedora da licitação. A partir de janeiro serão feitas ações diretamente com os profissionais da rede de saúde, educação, assistência social, segurança e outros setores.

Em um ato de lançamento do projeto, nesta semana, na Prefeitura, a coordenadora do Comitê, Patrícia Antoni, comemorou a realização do projeto. “Lutamos bastante para conseguir a implantação deste projeto, que será fundamental para dar suporte e melhor direcionamento para a nossa rede, que não consegue fazer um acompanhamento e um trabalho permanente com os próprios profissionais. Então, o Comitê vai estar apoiando a realização deste trabalho, que vem a agregar muito para os profissionais que atuam diretamente no atendimento”, destacou.

Representando a empresa Converge, a assistente social, Luciana Gorgen, e a psicóloga, Mariana Mazzarino, ressaltaram a importância do projeto. “Temos a certeza de que teremos muito êxito e alcançaremos os objetivos deste contrato e fazer a diferença na busca de soluções para esta problemática existente no município”, destaca Luciana. Da mesma forma, Mariana, adiantou que “já visitamos os principais serviços da rede de saúde, também na educação, assistência e segurança, para termos uma noção das principais necessidades e carências, assim como potencialidades desses setores. A partir disso, vamos, agora, realizar conversas, oficinas de capacitações, algumas mais específicas em relação a serviços especializados, atenção básica, atuação com população infanto-juvenil, dos servidores destes setores e com isso o objetivo é colocar em voga o assunto da saúde mental”, explicou.

O secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber, salientou a necessidade de trabalhar o tema da saúde mental no município. “Sempre tivemos dificuldades de implantar esse projeto, com uma empresa para trabalhar no município nesse tema. Com o edital chegamos a empresa Converge, que já está desempenhando um bom trabalho e que ainda terá vários desdobramentos. Como secretário de saúde fico feliz em deixar esse legado para a cidade. Têm-se inúmeros casos em nosso município e só quem está na ponta sabe das dificuldades e da quantidade de casos que acontecem em nosso município. Por isso, fico feliz em estar participando deste projeto, porque Venâncio precisa falar sobre esse tema, entender o que acontece, fazer um trabalho de base para então tratar essa problemática.”

O prefeito Giovane Wickert enfatizou a necessidade de realizar um trabalho mais aprofundado para alcançar a diminuição do índice de suicídios e de tentativas de suicídio no município. “Venâncio, infelizmente, tem um índice destacado, o que nos deixa inconformados, porque em nível nacional essa marca de maior índice de suicídio se dá em função da cultura do tabaco. E como integrante de entidades de defesa do tabaco isso me incomoda, porque ele é a base da nossa economia. Pode até ser um dos fatores, mas não da forma como é atribuído. Venâncio é o segundo maior município da América Latina em pequenas propriedades rurais. O município que tem mais de 50 mil habitantes com um terço morando no interior, também tem o fator da colonização. Então, é preciso uma análise mais aprofundada de todas as características. Por isso esse é o início da caminhada, queremos que tenha sequência e temos a certeza de que o resultado final será muito importante para Venâncio”.

Fonte: https://folhadomate.com/livre/venancio-lanca-projeto-de-prevencao-ao-suicidio/

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Reportagem sobre o suicídio no Rio Grande do Sul

O Adeus Solitário

Por que o Rio Grande do Sul é o que mais tem casos de suicídios?

Caminhos da Reportagem
No AR em 18/10/2018 - 21:45  - A reportagem pode ser assistida aqui 

Das 20 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes com as maiores incidências de suicídio, mais da metade é gaúcha. Os dados do Sistema de Informações de Mortalidade/ DataSus são de 2016, mas o problema preocupa os agentes de saúde desde a década de 1990.

Ao fazer o mapeamento das ocorrências, os pesquisadores dos municípios de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul sempre acabam numa lavoura de fumo, no galpão da propriedade rural onde o lavrador se recolhe para abreviar a vida em seu ato solitário. Os efeitos de agrotóxicos no sistema nervoso central, perdas na colheita causadas por desastres naturais, como chuvas de granizo e depressão não tratada, são em geral algumas das razões apontadas por médicos e pesquisadores.

A segunda maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos não está muito longe da lavoura. O Caminhos da Reportagem foi às escolas na grande Porto Alegre e na zona rural do município de Santa Cruz do Sul para saber como os professores trabalham com a tristeza dos alunos e a prevenção do suicídio.

Neste episódio vamos conhecer a história de sobreviventes que tentaram e não conseguiram, e os que partiram sem dar sinais.

Ficha Técnica

Reportagem: Bianca Vasconcellos
Produção: Aline Beckstein, Paula Abritta, Thaís Rosa e Lucas Scatolini (estagiário)
Imagens: William Sales
Apoio às imagens: Alexandre Nascimento, Bianca Vasconcellos e Jefferson Pastori
Auxílio técnico: Maurício Aurélio, Ivan Meira e João Batista Lima
Videografismo: Lucas Souza Pinto
Edição de imagens e finalização: Maikon Matuyama e Rodger Kenzo
Roteiro e direção: Bianca Vasconcellos


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Manual de prevenção ao suicídio no Rio Grande do Sul


Manual de prevenção ao Suicídio é distribuído para redes de atendimento

O Manual de Prevenção ao Suicídio já foi lançado e começou a ser distribuído para as redes de atendimento. A observação é do médico psiquiatra e coordenador da saúde mental e telessaúde do Sistema de Saúde Mãe de Deus e pesquisador da Universidade Estrácio de Sá do Rio de Janeiro, Ricardo Nogueira. O informativo é o resultado de uma pesquisa realizada nos municípios de Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Candelária e São Lourenço do Sul por Nogueira e uma equipe.

O material apresenta orientações aos que atuam em áreas, como de saúde, de assistência social, de educação e de segurança pública, além de dicas de prevenção aos pacientes que necessitam desse tipo de auxílio.

Vai auxiliar na prevenção e identificação dos casos. Ele afirma que a capacitação desses profissionais é a melhor forma de prevenir mais ocorrências. “Principalmente, para as Unidades Básicas de Saúde, emergência e Programa de Saúde da Família. È a melhor maneira. O trabalho deve ser permanente”. Uma equipe deve se dirigir para Venâncio Aires, nos próximos meses, mas ainda sem data definida.

Conforme ele, um evento de relançamento vai ser realizado durante um Seminário sobre a Valorização da Vida e Prevenção do Suicídio que ocorre no dia 22 de maio no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre. “Já foi lançado de forma digital e impressa. Deve sair ainda uma edição de bolso”. O médico destaca que o material deve ser distribuído para os municípios gaúchos.

Nogueira observa que, em Venâncio Aires, já foram registrados mais casos de janeiro até março. “Isso nos preocupa”. No entanto, lembra que em cidades como Santa Cruz e Candelária houve diminuição. “Das 20 cidades brasileiras com mais índices de suicídio, 10 estão no Rio Grande do Sul”, alerta.

A coordenadora do Programa de Prevenção à Violência (PPV) de Venâncio Aires, Cristina Telles Silva Pfeiffer, explica que já são entregues os manuais para as Unidades Básicas de Saúde do município e para os profissionais de saúde mental do Hospital São Sebastião Mártir. “Em breve teremos mais exemplares, que é de fácil leitura”.

De acordo com a primeira sargento da Brigada Militar do município, Carla Sibere de Oliveira, durante a pesquisa para a realização do manual foi possível perceber que na maioria dos casos de Venâncio Aires as pessoas tinham histórico de violência, como vítimas ou como agressores. “É urgente que se passe a desmistificar isso. È um problema que envolve várias famílias e é preciso identificar as vítimas. A violência passa de geração em geração. Pessoas que sofrem com isso, devem procurar tratamento e não deixar chegar a esse ponto”.

Além de Cristina e Carla, de Venâncio Aires também colaboraram na pesquisa a representante do Centro de Atendimento Psicosocial (Caps), Ângela Cristina Martins e da Educação, Alice Theis.

No mês de março do ano passado, ocorreu um Seminário sobre o assunto na Sociedade de Leituras que reuniu representantes de 29 municípios gaúchos.


07/04/2012 - Carolina Schmidt - Folha do Mate
Fonte: http://folhadomate.com/noticias/80-saude/1501-manual-de-prevencao-ao-suicidio-e-distribuido-para-redes-de-atendimento

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Venâncio Aires-RS devidamente no mapa da prevenção do suicídio e da violência

A 130 quilômetros da capital gaúcha encontra-se, cravada em meio ao Vale do Rio Pardo e do Taquari, a próspera cidade de Venâncio Aires, capital do chimarrão. 

Por ser a maior produtora de fumo do país e, em parte, por decorrência disso, ela também ostenta a estatística sombria ter uma elevadíssima taxa de suicídio, grande parte em consequência da utilização de agrotóxico nas lavouras do fumo e da intoxicação por meio deste, que por sua vez debilita os agricultores, que fragilizados acabam por colocar fim às próprias vidas. A despeito da multidimensionalidade das causas do suicídio, em Venâncio Aires os fatores de risco estão mais claramente identificados e hoje combatidos. 

A boa notícia, aí abaixo, é um reforço às ações que já vem sendo desenvolvidas para retirar a cidade da trágica estatística. 

Desejamos todo o êxito para estas ações, que em boa hora chegam à capítal da chimarrão.

Parceria apoiará prevenção à violência
Otto Tesche

O Projeto de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio da Universidade de Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, em parceria com o Programa de Prevenção da Violência do Rio Grande do Sul, começa a ser implantado em Venâncio Aires. O segundo maior município do Vale do Rio Pardo está entre as dez cidades brasileiras com maior índice de suicídio, e por isso a questão ganha atenção redobrada do atual governo e também de especialistas e pesquisadores. O plano vem ao encontro da proposta da administração municipal de qualificar e instrumentalizar o Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

Um encontro entre representantes da Secretaria da Saúde, o prefeito Airton Artus e integrantes do projeto, no início do mês, marcou a integração entre os órgãos. Conforme Artus, o projeto-piloto irá oportunizar que o Caps retome seu papel na comunidade. “Com esta filosofia de um novo tempo, de uma política moderna, daremos atenção especial ao Caps para que ele possa oferecer um trabalho de qualidade à nossa comunidade, não somente para as pessoas que estão sofrendo de distúrbios psíquicos, mas também para aquelas que apresentam problemas com drogas e álcool”, afirma.

Nos dias 31 de março e 1º de abril, um grupo da Secretaria de Saúde participou de oficinas organizadas pela pasta estadual. O encontro, realizado em Santa Cruz do Sul, teve por objetivo capacitar e debater as propostas do projeto. Agora, o grupo venâncio-airense irá realizar um levantamento de dados e traçar um perfil do município para apresentar no encontro estadual, que ocorrerá nos dias 4 e 5 de maio, na capital gaúcha.
 
Fonte: http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=111913&intIdEdicao=1755