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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Especialistas alertam sobre sinais de ideação suicida em adolescentes e crianças

Em referência ao Setembro Amarelo, a  Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), em parceria com Secretaria da Saúde (SESAB), realizou, nesta quarta-feira(15), duas ações para debater a prevenção do suicídio. Pela manhã, no auditório da Escola de Saúde Pública da Bahia, a psicóloga Aline Villafane abordou o tema “Como identificar sinais de ideação suicida em adolescentes e crianças”. À tarde, através do canal do Youtube do Instituto Anísio Teixeira (IAT), foi realizado um debate sobre a “Segurança e o cuidado com a vida”, com membros da Polícia Militar da Bahia.
 
A psicóloga Aline Villafane alertou sobre sinais que todos devem estar atentos. “São as mais diversas possibilidades. Precisamos ficar atentos quando a criança e o adolescente ficam inapetentes, quando deixam de se cuidar da maneira habitual, ou seja, vestem qualquer roupa ou ficam repetindo a mesma sem nenhuma preocupação ou quando mudam bruscamente de comportamento e humor. Um outro ponto importante é observar os sinais de automutilação. Normalmente, se escondem com blusas de mangas compridas e fazem cortes em locais diversos, como virilhas e axilas, porque são fáceis de esconder. Ao percebermos os sinais, devemos tentar nos aproximar do adolescente para ver se ele consegue se sentir à vontade para falar do seu sofrimento. Se a pessoa estiver suscetível à conversa, devemos procurar saber dela a melhor maneira de ajudar e construir com ela esse processo de cuidado. Caso não consiga,  precisamos acionar um atendimento especializado”.
 
De acordo com o subsecretário da Educação do Estado, Danilo Souza, que mediou o segundo encontro, o tema delicado precisa ser pautado durante o ano com as comunidades escolares e toda a sociedade. “Estamos conversando sobre a vida, com um debate importante e atual. Vivemos momentos difíceis, com perdas irreparáveis de entes queridos e ainda estamos passando por este processo de pandemia. Temos que pensar em solidariedade e juntar forças para enfrentar a tristeza e os momentos difíceis com esperança e lucidez. Com um olhar fraterno e atento, podemos acolher e cuidar da saúde mental e construirmos um mundo mais justo para todos”.
 
Rosário Muricy, que é superintendente de Recursos Humanos da SEC, participou das duas atividades e ressaltou que a campanha, promovida por meio do Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor, fortalece ações de escuta e cuidado para prevenção do problema. “O suicídio é uma questão de saúde pública e a educação é algo fundamental para levarmos o conhecimento às nossas redes e podermos identificar e tratar o tema com cuidado e muito zelo. A escola é um espaço onde temos a possibilidade de ler os nossos estudantes, identificando os problemas que indicam que a pessoa precisa de uma ajuda e a rede de Educação é fundamental para promoção de uma maior conscientização no despertar de um olhar sem preconceitos sobre a temática”.
 
Também participaram dos encontros a coordenadora do Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor, Elisabeth Dias; a major Patrícia Silva; a capitã Maria da Soledade; o cabo Nei Cleber; e a diretora de Gestão de Cuidado da SESAB, Liliane Silveira. A transmissão contou com a tradução em Libras pela intérprete Taiane Alves. Na próxima quinta (22), a campanha continua com a palestra “Criando esperança por meio da ação” com Catarina Dhal, representando a Organização Pan-Americana de Saúde.

Fonte: http://escolas.educacao.ba.gov.br/noticias/setembro-amarelo-especialistas-alertam-sobre-sinais-de-ideacao-suicida-em-adolescentes-e-cr

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Setembro amarelo: o suicídio no mundo contemporâneo

Rafael Polakiewicz

O suicídio é um grave problema de saúde no mundo. O ato interrompe um processo natural da vida, sendo este ocasionado por diversos sentimentos conflituosos, onde a plenitude da vida se torna cada vez mais distante. Gostaria de chamar atenção não para os fatores subjetivos inerentes ao sujeito, que se relacionam com o suicídio, mas sobre a doutrina materialista em que vivemos, que corrompe muitas pessoas ao ato. O distanciamento do “Ser” e a aproximação do “Ter”, pode estar provocando um colapso nas proposições de vida e um distanciamento de uma vida feliz. O desgosto pela vida, onde muitos sentem que não há mais razões para viver, pode estar provoca o suicídio. 

Fato é que, os sentimentos são criados pelo mundo externo aliado a vulnerabilidade do indivíduo. No mundo atual há a estranha necessidade de sucesso, vendida todos os dias como ato necessário para viver  provoca sensação de que subindo degraus, sempre ganhando, sempre melhorando nossa vida material, sendo mais rico ou mais bem sucedido, chegaremos a condição de felicidade. Quando não alcançado, a compreensão de vitória ou de ser bem sucedido, podemos cair em  uma crise existencial, provocada pela pressão desenfreada do mundo. Quando esses fatos são aliados ao desamparo social e possuem a impulsividade do sujeito relacionada, temos um amplo caminho para a perda de nossa identidade, de nossa alegria e do nosso propósito de vida. 

Propósito é ato constante na vida feliz. É importante dizer que não é todo propósito que é bom ou que é benéfico para a pessoa. Muitos caminhos que tomamos nos levam direto a busca de resultados e isso quer dizer que nasce uma pressão para o comportamento perfeito. Nunca usamos tanto a palavra FOCO! Objetivo é sempre a concentração na apropriação quase sempre material. Poucas vezes vemos a palavra sugerida ao foco na felicidade, foco na família, foco nas coisas boas da vida. Nesse movimento, a sociedade vai gerando um sinônimo entre felicidade e chegar ao topo. Mas será que esse movimento tem gerado boas coisas à sociedade? Bom, bem sabemos em nossas vidas pessoais, que a pressão por melhores resultados nos trás sentimentos como estresse, ansiedade, raiva etc. Quando não alcançamos bons resultados, desenvolvemos frustrações que podem até nos levar a uma compreensão que a vida não vale a pena. 

O atual cenário, onde milhares de pessoas no mundo cometem suicídio, pode se aproximar de um ritual japonês denominado Haraquiri. Iniciado com os Samurais esse ritual consistia na reparação da honra pelo suicídio. Na Segunda Guerra Mundial, generais que não conseguiam vitória em guerra, também tiravam a própria vida, por se sentirem indignos e desonrados com as derrotas.  No mundo atual, o suicídio parece estar ligado a vulnerabilidades psíquicas e ao sentimento de derrota, de impotência diante do sucesso. Muitos se afetam no caminho natural do viver em sociedade que preserva a moralidade, honra e outros atributos ligados à vitória e ao sucesso, não sei se nos distanciamos muito dos antigos samurais, mas sei que temos mais recursos também para lidar com essas questões. 

suicídio

O Setembro Amarelo como iniciativa para discutir o suicídio

O suicídio é um terrível mal que deve ser combatido pela humanidade. A trágica solução que alguns encontram para o sofrimento leva famílias e toda a sociedade ao sofrimento. O Setembro Amarelo veio como forma de resposta. No dia 10 de setembro temos o dia mundial de combate ao suicídio. Discussões são realizadas em todo mundo com objetivo de diminuir a incidência de suicídio. No Brasil, a iniciativa ficou famosa no mês de setembro, mas sabendo as autoridades da importância de se discutir o assunto em todos os meses do ano. Desde 2014, o setembro amarelo faz parte do calendário de atenção do Ministério da Saúde e inicia-se com campanhas de instituições e conselhos de classe dos trabalhadores da saúde do Brasil. Os casos atingem mais os jovens e, por isso, requer atenção da população e do estado. Mas não é o bastante, com a pandemia há necessidade do aumento de iniciativas para a diminuição dos casos de suicídio no Brasil.

Algumas informações sobre o assunto são importantes

Principais fatores de risco:

– Doenças mentais
 
– Tentativa prévia 
 
– Pessoas jovens

As doenças mentais elevam a vulnerabilidade para o suicídio. Damos atenção aqui à depressão que aparece como uma das doenças que mais leva os jovens a buscar o fim da própria vida. A tentativa prévia aparece na maioria dos casos de suicídio, sendo que 8 em cada 10 pessoas que cometeram o suicídio já realizaram alguma tentativa ao longo da vida. Os jovens são vulneráveis ao Suicídio. Esses são suscetíveis às mudanças fisiológicas, pois estão em fase de amadurecimento físico e psíquico. Quem convive com um adolescente, sabe que as mudanças nem sempre são fáceis. Nós sabemos que tudo isso vai passar, mas para isso precisamos trabalhar juntos em prol da criança ou do jovem que está precisando da nossa ajuda

​Como identificar que o jovem está precisando de ajuda? 

– Fique atento às modificações do corpo ou mudanças fisiológicas que levam ao desencadeamento de doença psíquica. Essa fase é de constante modificação e devemos ter muita atenção; 
 
– Analisar se a pessoa possui vulnerabilidades sociais ou genéticas. As vulnerabilidades sociais são fatores de risco. Mas não é apenas avaliar a condição socioeconômica, mas questões que levam a pessoa a um detrimento da saúde mental; 
 
– Fique atento aos sinais. Os pais, professores, parentes e amigos podem ser fundamentais nessa identificação. Algumas alterações de comportamento quando observadas podem salvar vidas; 
 
– Observe se o jovem fica isolado, se possui impulsividade de reação, tristeza constante, dificuldade em se relacionar com pessoas, crises de raiva ou agitação, problemas com autoestima, se gosta de comportamento de risco, se utiliza álcool ou outras drogas em excesso. 
 
– Observe se o jovem provoca automutilações, que é definida como qualquer comportamento intencional envolvendo agressão a si próprio, sem intenção de suicídio. É um fator de risco, mesmo não sendo objetivo, o suicido. Esse evento nos mostra que o adolescente pode não saber lidar com situações.

O acolhimento, a empatia e a criação de vínculos são dispositivos importantes para qualquer contato com o jovem. Lembre-se que no mundo de hoje, a pressão por resultados chega cada vez mais cedo na vida dos jovens. Por isso, essa discussão se torna cada vez mais necessária nos ambientes escolares e nos territórios. É importante criar redes de acolhimento dos jovens, impedindo que doenças tratáveis possam se tornar um perigo real. Os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros que são o maior número de profissionais da linha de frente, devem investir na prevenção do suicídio. Para isso, torna-se necessário que os diversos atores da sociedade possam refletir também sobre a lógica de vida, de estudo e trabalho dos jovens. 

Autor

Referências

Maia RS, Rocha MMO, Araújo TCS, Maia EMC. Comportamento suicida: reflexoes para profissionais de saúde. Rev. bras. psicoter. 2017;19(3):33-42. Disponível em: http://rbp.celg.org.br/detalhe_artigo.asp?id=234 
 
Martínez Cárdenas Alberto, González Sábado Rita, Tabernilla Guerra Odalis Norma, Domínguez Morales Wendy, Reytor Ballester Danaysis. Satisfacción estudiantil sobre el manual “Prevención de la Conducta Suicida” en Medicina General Integral. EDUMECENTRO. 2021 Sep;  13( 3 ): 119-131. http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2077-28742021000300119
 
Razzouk Denise. Por que o Brasil deveria priorizar o tratamento da depressão na alocação dos recursos da Saúde?. Epidemiol. Serv. Saúde. 2016  Dez;  25( 4 ): 845-848. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742016000400018

​Fonte: https://pebmed.com.br/setembro-amarelo-o-suicidio-no-mundo-contemporaneo/

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Caso do jogador do Flamengo, Michael, evidencia a importância de uma rede de apoio na prevenção do suicídio

blogdojuares (Camaquã-RS)

“Eu tive depressão no ano passado, sofri muito com isso. Na época, eu estava no hotel e quis me
suicidar. Me veio pensamentos ruins e eu queria saber como era me jogar do prédio. Então, eu gritei por socorro, pela minha mulher, pelo doutor Tanure, Diego Ribas, Diego Alves, Filipe Luís, o Rafinha, o Marcos Braz também. Eles me fizeram ser querido, ser abraçado. Eles tiveram um cuidado comigo, que ninguém antes tinha feito”. Esse relato impactante do atacante Rubro Negro, Michael, despertou discussões sobre a importância de uma rede de apoio estruturada e atuante na prevenção do suicídio.

Depressão e pensamentos suicidas: uma dor silenciosa que acomete milhares de pessoas ao longo do mundo. Pensar em suicídio é, infelizmente um processo inerente à condição humana. A dificuldade em encontrar soluções imediatas para os problemas, seja de que natureza for, faz com que o indivíduo se sinta fragilizado emocionalmente, a ponto de gerar uma sufocante necessidade de eliminar a dor a qualquer custo. Desta maneira nasce a urgência em tirar a própria vida, em uma tentativa de alívio às pressões externas.

Michael relata ter vivido esse pesadelo em 2020, onde os pensamentos suicidas, motivados por uma depressão profunda, tiraram sua paz e pintaram seus dias de cinza. Mas felizmente, foi com o apoio do Staff do Flamengo, do técnico Jorge Jesus, dos amigos e da esposa que ele conseguiu ter consciência de si mesmo e mudar o cenário. Além claro, da grande ajuda e acompanhamento de profissionais especializados em saúde mental.

O jogador rubro negro, através de seu relato corajoso, descortina dados de uma estatística infeliz sobre o suicídio no Brasil. Os números são assustadores e refletem o que todos sabemos, mas nem sempre paramos para avaliar: nossa sociedade precisa se mobilizar para tratar as questões ligadas a este episódio de forma cautelosa, objetivando eliminar os tabus contidos no tema. Temos atualmente, conforme pesquisas, 15 a 18 mortes por suicídio a cada 100 mil pessoas, das quais a grande maioria, é composta por jovens entre os seus 14 a 21 anos. Em média, dois adolescentes tiram a própria vida por dia, segundo pesquisas. Mas em geral, o suicídio pode afetar qualquer pessoa e nossos adultos estão também entre os maiores candidatos, atingindo um percentual em torno de 48% na faixa etária de 35 a 55 anos. Mortes das quais, 90% poderiam ser evitadas, se a oferta de ajuda de saúde mental e de acolhimento para pessoas em risco de suicídio, fosse mais efetiva.

O desejo de morrer e dar fim à própria vida é um gesto de autodestruição e autoflagelo. Sintomas como a depressão, ansiedade, fracasso, fobias, humilhações e culpas, são certamente, potenciais sinalizadores de que algo está errado e que sentimentos conflituosos foram despertados por gatilhos diversos. Por não conseguir apoio ou sabedoria para lidar com esses conflitos emocionais, o indivíduo entra em um processo neurótico e interno, onde não consegue ter a clareza de que tirar a vida significa uma solução imediata para um problema temporário. Porém, o suicídio não está necessariamente ligado a uma doença mental, na verdade é um momento de desequilíbrio que a pessoa está passando e que, somente com o acolhimento correto, uma escuta ativa, um acompanhamento por um profissional de saúde mental qualificado, além de apoio familiar e de amigos, poderá obter um desfecho menos trágico.

Existem infinitos motivos para um ser humano estar desesperançado o suficiente a ponto de querer acabar com a própria vida; em geral, pode ser por luto, depressão, transtorno de ansiedade, outras questões mentais, violência sexual, abuso durante a infância, problemas financeiros, fim de relacionamento, bipolaridade, bullying, ou outra questão. E como essa rede de apoio pode ajudar? De que forma podemos acolher um suicida em potencial? Como perceber atitudes que possam culminar nesta tragédia? A grande verdade é que nosso olhar deve estar voltado para qualquer sintoma característico em relação a quem possa vir a cometer o ato.

No entanto, a grande realidade é que, muitas vezes quem está prestes a se suicidar não demonstra isso claramente; motivo pelo qual devemos ter a sensibilidade em oferecer ajuda diante de uma crise. Saber ouvir e permitir que os sentimentos sejam externados e verbalizados, sem julgamentos ou minimizações, é a melhor saída. Em alguns momentos, a vida pode parecer nos envolver em um turbilhão de emoções, mas não podemos nos entregar a angústia e ao desespero, e assim tirar a vida, pois toda tempestade passa e o sol volta a brilhar. O autoconhecimento nos fortalece e fornece subsídios para que o enfrentamento a questões psicológicas e traumáticas não afetem o nosso emocional a ponto de gerar desequilíbrios que possam vir a nos levar a cometer um ato tão conclusivo, que nos impeça de enxergar o mundo e suas adversidades. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. A escuta ativa deve sempre estar presente nesses diálogos. Empatia, funciona muito nestas horas. Ouça empaticamente. Tente se colocar no lugar da pessoa. A dor não faz qualquer distinção. Todos podem ser acometidos por esse sentimento, independentemente de idade, ideologias, gênero, orientação sexual, nacionalidade, classe social e etnia. E quando essa sensação de desespero e desamparo é profunda demais, a ponto de não ser suportada, os pensamentos suicidas ganham força. Esse fardo é tão pesado que pode fazer com que a pessoa acredite que o suicídio seja a única maneira de se livrar dos problemas, julgando-se incapaz de suportá-lo e enxergando a vida como algo sem significado.

Enfim, fortaleça essa rede de apoio, ela é fundamental para salvar vidas e resgatar indivíduos que acreditam que nada mais vale a pena. Assim como aconteceu com o jogador Michael, várias pessoas podem estar em adoecimento psíquico. Portanto, acolha, demonstre apoio, tenha empatia e fique atento aos sinais que estão sendo emitidos, demonstrando que algo está errado. O equilíbrio emocional é primordial para afastar qualquer tipo de pensamento ruim. Não deixe para o dia seguinte, se você pode acolher, ouvir e ajudar alguém em sofrimento. Muitas vezes, temos pessoas a nossa volta que estão sorrindo por fora, mas internamente, estão com o psicológico abalado e fragilizado e já não suportam mais a dor. Entendem que a melhor maneira de MATAR e eliminar esse sentimento é tirando a própria vida. Uma solução definitiva para excluir problemas temporários. Ou seja, saúde mental é coisa séria, não ignore os sinais de pedido de socorro. A melhor arma no combate a este mal é o combo: afeto, empatia, apoio emocional e a estruturação de uma rede de apoio acolhedora e presente.

Fonte: https://blogdojuares.com.br/noticia/59650/caso-do-jogador-do-flamengo-michael-evidencia-a-importancia-de-uma-rede-de-apoio-na-prevencao-do-suicidio.html

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CVV em processo de instalação em Manaus

Ações de prevenção podem evitar até 90% dos casos de suicídios, que têm crescido no AM
Voluntários

Silane Souza - Manaus (AM)

Pelo menos 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Visando essa assistência, um grupo de voluntários quer trazer para Manaus o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua nesse sentido há mais de 50 anos. Um dos objetivos é reduzir o índice de suicídios da capital amazonense que é a nona entre as capitais brasileiras em número de casos.

As negociações para a instalação do CVV são avaliadas pelos coordenadores nacionais em parceria com entidades locais. O coordenador de expansão da instituição, João Régis, chegou ontem à tarde a Manaus justamente para cuidar dessas parcerias e realizar palestras acerca da entidade e do trabalho realizado por ela. Ele ficará na cidade até sábado, participando de encontros com representantes de órgãos públicos e rodas de conversa com profissionais do serviço de saúde e estudantes universitários.

De acordo com a psicóloga Aline Félix, a primeira medida preventiva contra o suicídio é a educação: é preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema para que todos possam ajudar. “Sabemos que o número de suicídios tem aumentado muito e, em Manaus, percebemos a necessidade de haver um centro como o CVV, pois ele traz a proposta de prevenir suicídio e preservar a vida por meio de atendimentos voluntários”, explicou.

O Centro de Valorização da Vida atua há 55 anos na valorização da vida e prevenção do suicídio, tendo inclusive o reconhecimento do Ministério da Saúde para tratar dos temas relacionados à prevenção do suicídio. São 76 postos no Brasil com mais de 2,2 mil voluntários treinados e capacitados para oferecer o apoio emocional. Os atendimentos são feitos 24h por dia por telefone (141 disque nacional), pessoalmente, por correspondência, chat, voip ou e-mail, encontrados no site www.cvv.org.br.

Aline ressaltou que, antes de uma pessoa tentar suicídio ela apresenta vários sinais: isolamento, tristeza ou agressividade, entre outros, e todos precisam ficar atentos a qualquer mudança de comportamento para poder ajudar. “Por isso a importância do compartilhamento de informações e a constituição desse espaço para saúde mental. Às vezes, a família não sabe quais são esses sinais e acredita que é besteira, quando a pessoa está precisando de ajuda”, observou.

Casos registrados no Amazonas cresceram 49% em 2015

Em 2015, 121 pessoas tiraram a própria vida, no Amazonas, de acordo com o 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em novembro do ano passado.  Um crescimento de 49,3% em relação a 2014, quando 81 casos de suicídio haviam sido registrados no Estado. Com este indicador, o Amazonas figura na 15ª posição com o maior número de mortes por suicídio no Brasil.

Já Manaus é a nona entre as capitais do País em casos de suicídio, segundo dados apresentados em setembro de 2016 pela Associação Amazonense de Psiquiatria (AAP). Há, em média, na capital amazonense, oito suicídios a cada 100 mil homens e dois a cada 100 mil mulheres. Os números são considerados defasados pela APP em razão da subnotificação de casos, ou seja, muitos não são registrados.

Os indicadores apontaram que 96% das pessoas que cometeram suicídio sofriam de algum transtorno mental, sendo os principais os transtornos de humor (35%), como depressão e bipolaridade; transtornos por uso de álcool e outras drogas (22%); transtornos de personalidade (11,6%), como psicopatias e síndrome de boder

‘Saúde mental é um dever  de todos’

O cuidado com portadores de transtornos mentais é tarefa de toda a sociedade, por isso sua discussão não pode se restringir aos muros dos órgãos de saúde. Esse é o posicionamento que a Rede de Atenção Psicossocial do Amazonas (RAPs) vai defender no 1º Simpósio Intersetorial “Para além dos muros institucionais: trabalhando as minorias”.

O evento será realizado hoje, às 8h, no auditório João Bosco Ramos de Lima, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), na avenida Mário Ypiranga, bairro Parque Dez, Zona Centro-Sul.

“A rede precisa articular outros serviços e outros setores. É preciso trabalhar com movimento social, outras secretarias. Não adianta a gente falar da Luta Antimanicomial, enquanto outros segmentos ainda acham que tem que ter hospício”, comenta Luciana Diederich, coordenadora da RAPs.

Para ela, não adianta fechar hospícios sem mudar a forma de enxergar a loucura. E o desafio que está posto é pensar outras formas de vivência para portadores de transtornos mentais que não seja o isolamento social. E o primeiro a superar esse desafio é o próprio poder público, defende a psicóloga.

“Se a gente não fala sobre outras formas de viver sem ser o isolamento social, outras instituições que vão substituir os manicômios vão reproduzir as mesmas práticas. Por isso a gente precisa do envolvimento de mais atores nesse tema”, declara Luciana.

O simpósio será realizado um dia antes do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o 18 de maio. A Luta Antimanicomial é um movimento que defende mudanças nos parâmetros éticos e técnicos no atendimento aos portadores de sofrimento emocional grave. O processo é também conhecido como “Reforma Psiquiátrica” e teve início no final da década de 1980.

Fonte: http://www.acritica.com/channels/cotidiano/news/conscientizar-para-prevenir-os-suicidios

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

+ Setembro Amarelo!

Setembro amarelo alerta contra o suicídio


Mariana DantasDo NE10
No Mundo, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos / Foto: Free Image
No Mundo, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundosFoto: Free Image
Após 17 anos de um casamento feliz, Fernanda* não soube lidar com a dor da separação.  Ver a tristeza do casal de filhos, na época com 12 e 16 anos, aumentou seu sofrimento. Quatro anos após o divórcio, a filha mais nova resolveu morar com o pai.  O vazio do lar também tomou o coração de Fernanda, que entrou em depressão. Não queria mais viver. E, por isso, tentou se matar mais de 15 vezes, misturando álcool com remédios de tarja preta. Na última vez ingeriu chumbinho. Foi parar na UTI.

Se você, caro leitor, ao ler o parágrafo acima concluiu que Fernanda não queria morrer, mas apenas chamar atenção ou acredita que, se ela quisesse mesmo se matar teria pulado de um prédio, sinto informar, você sabe muito pouco (ou quase nada) sobre suicídio. Se o filho de Fernanda não tivesse compreendido que, na verdade, a sua mãe precisava de ajuda, talvez hoje ela não estivesse viva. 

“Eu não queria chamar atenção. Queria morrer mesmo. Sentia uma dor tão insuportável que nem morfina resolvia”, afirma Fernanda, que com o incentivo do filho, buscou ajuda psiquiátrica. “Aprendi a me amar e hoje sou feliz ao lado da minha família. Trabalho na mesma clínica onde fiquei internada por nove meses, de maio de 2012 a janeiro de 2013. Busco dar força aos que estão enfrentando o que passei”, afirma Fernanda, 50 anos. 



Para ajudar tantas outras “Fernandas e Fernandos” que precisam de apoio para superar o sofrimento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu o Setembro Amarelo. Durante todo este mês, entidades não-governamentais pretendem promover ações para mostrar que é possível prevenir contra o suicídio, hoje considerado um problema de saúde pública. No Brasil, é registrada uma morte a cada 45 minutos. No Mundo, cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. E o mais triste é que 90% dos casos poderiam ter sido evitados.  

Além de vestir amarelo, o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há 53 anos em todo o País, prepara uma série de atividades para este mês. Em Pernambuco, voluntários farão panfletagem no Marco Zero (próximo domingo, dia 6) e na praia de Boa Viagem (feriado do 7 de Setembro). No próximo dia 10, Dia Mundial de Prevenção do Suicido, será promovida palestra no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ministrada pelo professor de filosofia Sérgio Ramos. Com o tema “Mantendo acesa a vontade viver”, a palestra tem entrada franca e começa às 15h. Inscrições devem ser feitas pelo e-mail recife@cvv.org.br. 

“O tema é tratado como tabu e isso só corrobora para aumentar os casos. Precisamos alertar a população para o problema. Um simples gesto de ouvir e ajudar a quem precisa pode salvar uma vida”, afirma Karina Soares, coordenadora do CVV em Pernambuco. Segundo Karina, o CVV conta com cerca de 50 voluntários no Estado, que realizam mais de 2.500 atendimentos ao mês. O serviço funciona 24h pelo telefone 141.  



COMO AJUDAR – A maioria das pessoas que pensa em cometer suicídio dá sinais que não devem ser ignorados por amigos e familiares, alerta a OMS. Doenças psíquicas como depressão estão associadas a muitos casos. "Mesmo que a pessoa não expresse claramente que pensa em se matar, é possível detectar algumas mudanças de comportamento. A depressão, por exemplo, altera a maneira de o paciente enxergar o mundo, mexe com sua cognição. Sentimentos de tristeza, pessimismo e angústia são constantes", explica o psiquiatra Everton Botelho, afirmando também que o uso de álcool e outras drogas são fatores de risco por serem “depressores”. 

Paula Fontenelle é autora de Suicídio: o futuro interrompido
Paula Fontenelle é autora de Suicídio: o futuro interrompidoFoto: Divulgação
O médico explica ainda que a primeira tentativa de suicídio deve ser considerada um pedido de ajuda. "Ao conversar com a pessoa, você não deve fazer críticas e nem julgamentos. Mostrar apenas que está disposto a ajudá-la e incentivar que procure um psiquiatra", orienta. Em relação à idade, os grupos de risco são jovens entre 15 e 29 anos e idosos com mais de 65 anos. “Os jovens têm mais dificuldade de enfrentar as cobranças de um mundo competitivo como o nosso. Já os idosos se deprimem com a solidão ou quando são acometidos de doenças crônicas e passam a achar que a vida não vale mais a pena”, explica o médico. 

Outros sintomas, considerados mais diretos e preocupantes, também podem ser percebidos através de conversas. “Valorizar demais o passado, se desfazer de objetos de valor sentimental, organizar a vida financeira e ligar para os amigos para se despedir são comportamentos de pessoas que podem estar perto de praticar o ato”, explica a jornalista Paula Fontenelle.  Após a morte do pai em 2005 por suicídio, a jornalista passou três anos buscando respostas que resultaram no livro “Suicídio: o futuro interrompido”. A obra traz opinião de especialistas, psicólogos, psiquiatras e relatos de famílias que perderam parentes e, ainda, de pessoas que reencontraram razões para viver. 

 * Fernanda - Para preservar a verdadeira identidade da entrevistada, o NE10 criou um nome fictício

Fonte: http://noticias.ne10.uol.com.br/saude/noticia/2015/09/01/setembro-amarelo-alerta-contra-o-suicidio-565860.php

quinta-feira, 23 de julho de 2015

I Seminário Saúde Mental e Comportamento Suicida - Maceió

Ocorreu, no dia 21 deste mês de julho de 2015, o  I Seminário Saúde Mental e Comportamento Suicida, na capital alagoana. Segue a notícia, abaixo, com alguns tópicos em destaque.

Servidores da SMS participam de seminário sobre saúde mental

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Coordenação de Doençadiscussão das estratégias de prevenção e notificação dos casos de tentativa de suicídio no município.
s e Agravos Não Transmissíveis (Dant), promoveu na manhã desta terça-feira (21), no auditório da Procuradoria Geral do Município (PGM), o I Seminário Saúde Mental e Comportamento Suicida. A capacitação foi direcionada aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (Caps e Atenção Básica) e Rede Hospitalar e tem como objetivo promover a sensibilização desses profissionais para a

A programação da manhã teve início com a palestra “Construindo  estratégias na atenção ao comportamento suicida no âmbito da saúde do município de Maceió”, ministrada por Tereza Tenório, coordenadora de Saúde Mental da SMS. De acordo com ela, essas discussões representam um marco na prevenção do suicídio no município, onde os índices estão cada vez mais alarmantes. “Suicídio é um fenômeno que vem ganhando impulso em termos numéricos nos últimos anos. Então a elaboração de um plano municipal se faz necessário para dar visibilidade ao tema e desenvolver medidas de prevenção e assistência na atenção básica”, explicou.

Já para Wilzacler Rosa e Silva, psicóloga e presidente da ONG Centro de Amor à Vida (Cavida), existe um mito muito grande sobre as tentativas de suicídio. “Muitos acham que quem tenta uma vez, mas não consegue, está só querendo chamar a atenção, já quem quer mesmo consegue. Nisso, muitos profissionais de saúde não passam mais a dar atenção à pessoa a partir da segunda vez que elas dão entrada nos serviços de saúde, o que é um erro, pois as tentativas irão continuar e uma hora aquela pessoa vai acabar conseguindo”, afirmou.

A psicóloga ressalta ainda que o comportamento suicida pode ser prevenido com sensibilidade. “Os profissionais estão sendo capacitados para intervir e evitar esse tipo de comportamento, mas não precisa ter formação técnica para ajudar alguém. Basta uma escuta, uma atenção especial para escutar aquele pedido de socorro que determinada pessoa está fazendo”, pontua Wilzacler Rosa e Silva, presidente da ONG Centro de Amor à Vida (Cavida).

Ao fim do seminário, Rozali Costa e Hilda Moura, coordenadora do Dant e assistente social da Dant, respectivamente, falaram sobre a importância da notificação no processo de identificação da violência interpessoal / autoprovocada, mostrando as mudanças que aconteceram na Ficha de Notificação de Violência Interpessoal/Autoprovocada, conforme implantação do Sinan­_NET versão 5.0. A nova versão da ficha inclui a violência sexual e a autoprovocada como de notificação imediata aos serviços de saúde, ou seja, em até 24 horas.

Hilda explica que os casos de violência autoprovocada têm crescido muito, principalmente entre os jovens, o que tem chamado atenção dos serviços de saúde. “O suicídio vem ocorrendo principalmente entre jovens da periferia, sem perspectiva de vida e que por isso decidem que não vale mais à pena viver. Ou seja, observa-se que essa situação está relacionada a estruturas sociais, econômicas e muito associado a desigualdades sociais”, afirmou.

As notificações são instrumentos de proteção que visam garantir o atendimento, encaminhamento e acompanhamento de pessoas em situação de violência. As fichas, além de traçar o perfil das pessoas vítimas de violência, servem para elaborar políticas públicas e reduzir a morbidade por causas externas.


Fonte: http://aquiacontece.com.br/noticia/2015/07/21/servidores-da-sms-participam-de-seminario-sobre-saude-mental

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Boa notícia, boa parceria, bons serviços a serem prestados!

O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio será inaugurado em São Paulo, no dia 31 de agosto deste ano de 2013.

Ele já existe, de fato, no mundo virtual, onde as psicólogas e psicoterapeutas Karen Scavacini e Karina Okajima Fukumitsu, ao lado do médico psiquiatra Dr. Teng Chei Tung, anunciam as atividades do Instituto: 

. atendimento, treinamento, supervisão, consultoria e pesquisa em torno da prevenção, intervenção e posvenção do suicídio. 

No site está anunciado alguns cursos a serem ministrados nos próximos dias/meses:

. Curso básico sobre prevenção ao suicídio (para leigos)

. Introdução à prevenção e posvenção ao suicídio

. Manejo e atendimento clínico para pacientes com comportamento suicida: ampliando as possibilidades de instrumentalização psicoterapêutica

. O paciente com comportamento suicida no hospital

. Suicídio e psiquiatria

. Luto por suicídio e manejo terapêutico no processo de luto de sobreviventes

Mais informações: contato@vitaalere.com.br

Nós nos congratulamos com a Karen, a Karina e o Teng e lhes desejamos boa sorte na longa jornada que começam, juntos, a empreender. 

Para finalizar deixo para todos o lema que está na página de abertura do site do Instituto:

O suicídio pode ser prevenido e o luto deve ser acolhido.


sábado, 3 de novembro de 2012

Documentário sobre suicídio


Suicídio no Brasil
UTV - RJ (Canal 11 da NET)
21/11, quarta-feira, 21h30
Horários alternativos: sábado, 13h; segunda-feira, 15h

O suicídio é um problema de saúde pública ainda considerado um tabu. Com a ideia de que a informação é um passo decisivo para romper o tabu social e trabalhar a prevenção, o documentário produzido pelo Grupo de Pesquisa de Prevenção do Suicídio, em parceria com a VideoSaúde, apresenta informações como dados epidemiológicos, percepção social e formas de enfrentamento. A direção é de Eduardo Thielen.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Boa notícia em atenção ao suicídio como política pública

 Coreia do Sul efetivará amanhã nova lei contra o suicídio

 
Uma nova lei contra o suicídio entrará em vigor amanhã na Coreia do Sul para tratar de deter a crescente tendência de atos desse tipo, estimados em 31,2 casos em 100 mil pessoas em 2010.

De acordo com a legislação, se estabelecerá um serviço telefônico de emergência às 24 horas, o qual será operado pelo centro de atenção de telefonemas de consulta do Ministério de Saúde e Assistência Social, informou hoje a pasta, citada por meios de imprensa.

A lei sobre a prevenção do suicídio e a criação de uma "cultura respeitosa com a vida" exige ao Governo realizar uma pesquisa nacional e adotar uma série de medidas para evitar as tentativas desse tipo e ajudar às pessoas que passam por isso.

E estipula a criação de centros de prevenção a esse ato em todo o país a fim de aplicar ações imediatas ante qualquer tentativa a respeito e oferecer consultas, bem como tratamento para as pessoas em risco.

Na Coreia do Sul, nação com a maior taxa de suicídio entre os 34 países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o indicador incrementou-se nos últimos anos.

De acordo com estatísticas oficiais, em 2008 teve 26 casos de suicídio em 100 mil habitantes e 21,8 em 2006.

Fonte: Seul, 30 mar (Prensa Latina) :: http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=492846&Itemid=1

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ferimentos que sinalizam risco de suicídio entre adolescentes

Jovens que têm o hábito de se cortar ou queimar correm mais risco de suicídio

Londres - Um em cada 12 adolescentes, na grande maioria meninas, tem o hábito de se machucar com cortes, queimaduras ou assumindo riscos que podem até ameaçar a vida. Cerca de 10% deles continua se machucando deliberadamente até a idade adulta, revela um novo estudo publicado no Lancet.

As lesões autoprovocadas são um dos principais sinais de alerta do risco de suicídio. Os autores do estudo esperam que os resultados ajudem a gerar mais intervenções precoces para evitar

Para os autores, o achado revela uma "janela de vulnerabilidade" quando os jovens atravessam a adolescência e costumam ter problemas para controlar as emoções.

"Essas lesões representam uma forma de lidar com essas emoções", dizem os autores. Eles também sinalizam que essas pessoas costumam ter problemas de saúde mental que não se resolvem sem tratamento.

"Devido à associação entre lesões provocadas em si mesmo e suicídio, o tratamento de transtornos mentais durante a adolescência poderia constituir um componente importante da prevenção do suicídio em adultos"

O hábito de machucar-se de propósito é um problema de saúde global, especialmente comum entre meninas e mulheres de 15 a 24 anos. Os especialistas temem que as taxas estejam aumentando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano, o que leva a uma taxa de mortalidade de 16 em cada 100.000 personas, ou uma morte a cada 40 segundos.
Nos últimos 45 anos, as taxas de suicídio aumentaram 60% em todo o mundo.

Soma de fatores

O estudo do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres, avaliou 1.800 jovens com idades entre 15 e 29 anos entre 1992 e 2008. Segundo os autores,uma combinação de mudanças hormonais durante a puberdade, mudanças cerebrais na adolescência pelo desenvolvimento final do córtex pré-frontal - área do cérebro associada ao planejamento, à expressão da personalidade e à moderação da conduta - e questões sociais como pressão dos pares, dificuldades emocionais e tensões familiares parecem ser fatores chave.

Os cortes e queimaduras foram as formas mais comuns de lesões entre os adolescentes, somadas a outros métodos como envenenamento e overdose.

Os cientistas disseram que, apesar de ser tranquilizador que quase 90% dos adolescentes que informaram ter se machucado tivessem deixado o hábito ao chegar à idade adulta, também vale reconhecer os altos riscos que correm os demais que continuam praticando.

Estudos anteriores demonstram que as pessoas que se machucam propositalmente e que sofrem alguma internação na adolescência são 100 vezes mais propensas ao suicídio do que a média da população.

Sexta, 17 de Novembro de 2011 - Reuters
 
Fonte:  http://m.estadao.com.br/noticias/vidae,um-em-cada-12-adolescentes-se-machuca-de-proposito,799597.htm


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mais um artigo científico sobre prevenção do suicídio em congresso de psicologia


VIII Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar 

Prevenção do suicídio no contexto hospitalar 

Marília Frota Pinho, Ana Maria Vieira Lage (UFCE)

O suicídio é um óbito que resulta de uma ação ou omissão iniciada com a intenção de causar a morte e com a expectativa desse desfecho. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ano cerca de um milhão de pessoas cometem suicídio, ou seja, uma taxa de mortalidade de 16 a cada 100 mil habitantes, uma morte a cada 40 segundos. Tendo em vista a magnitude do comportamento suicida, as tentativas de suicídio correspondem cerca de 20 vezes mais o número de suicídios consumados. No contexto hospitalar, as principais situações clínicas associadas ao comportamento suicida são os pacientes que apresentam grave ideação suicida e os sobreviventes de tentativas de suicídio, os quais podem estar com comprometimentos clínicos e cirúrgicos estabilizados. Nestes casos, o profissional de saúde deve realizar uma avaliação do comportamento suicida, a fim de propor uma intervenção terapêutica eficaz. A avaliação deve incluir um levantamento dos fatores de risco relevantes, como tentativas prévias de suicídio; condições biopsicossociais; a magnitude dos sintomas suicidas atuais; fatores de stress que precipitem o suicídio; nível de impulsividade e de controle pessoal; e, fatores de proteção contra o suicídio. É importante o recolhimento de dados confirmativos com os acompanhantes, colegas ou amigos e, principalmente, de cônjuges e familiares que porventura estejam presentes no momento da avaliação. O manejo do paciente suicida deve incluir procedimentos de gestão como alistamento de apoios, com vários níveis de contrato pessoal e desenvolvimento familiar, bem como aconselhamento. O tratamento farmacológico ou internamento clínico também pode ser incluído nos procedimentos. É muito importante que os psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros psiquiátricos, psiquiatras e outros médicos trabalhem em conjunto, a fim de colaborar e cooperar uns com os outros para que o plano de gestão do suicídio seja adequado para cada perfil de paciente. A utilização de um “contrato de não suicídio” é uma técnica útil na prevenção do suicídio. Esta técnica pode ser usada em um contexto de emergência hospitalar, porém o resultado pode não vir a ser o esperado visto que o “contrato de não suicídio” baseia-se, principalmente, na relação terapêutica estabelecida entre o profissional e o paciente. Além desses procedimentos, algumas precauções devem ser tomadas, como: a remoção de objetos perigosos; o leito deve ser de fácil observação, se possível em andar térreo com janelas trancadas ou com grade; acesso ao banheiro sempre supervisionado; e autorização para que um acompanhante sempre esteja presente. A atenção deve ser redobrada em alguns períodos, tais como na troca de turnos da enfermagem, na licença hospitalar, na primeira semana após a internação e no primeiro mês após a alta hospitalar. Entretanto, observa-se, na maioria dos hospitais públicos e privados, o despreparo dos profissionais para lhe dar com o suicídio e suas implicações, sendo preciso, dessa forma, a aplicação de estratégias que visem melhorar os serviços de saúde e desenvolver intervenções efetivas. Para isso, é necessária a capacitação dos profissionais de saúde para a identificação do risco suicida nos pacientes e a intervenção, caso haja ideação ou planos. 

Palavras-chave: hospital, prevenção, suicídio, avaliação. 

Email de contato: mari_frota@hotmail.com

Fonte: http://sbph.org.br/csbph8/resumos/TEMA%20LIVRE%20268.pdf

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O impacto do suicídio e as medidas de prevenção

“Eu não quero mais viver! A vida perdeu o tom, a graça, o gosto e a luz!” – costuma-se ouvir daquele que se permitiu deslustrar e que não deseja mais viver. Dolorido, o discurso revela uma desordem nas ideias, um desconforto pelo fato de viver e de existir, um misto de desesperança com desespero, uma aspiração frustrada ou um amargo transtorno. Torna-se fundamental dizer que o sujeito que deseja cometer o “suicídio pode não ser necessariamente” alguém marcado “de covardia ou de coragem”, mas que, sim, está na divisa dos “seus sofrimentos”. A paciência “se esgota, a incredulidade prevalece” (Botelho: 2011). Alguns cometem o suicídio por não identificarem alternativas possíveis para a solução dos seus desafios, seja por estarem “em estado de desrazão” (Botelho: 2011), seja por preencherem a mente por um profundo desespero, o que os leva à incredulidade mórbida ou excessiva.

São várias as causas que levam ao suicídio. Por isso, é difícil explicar por que algumas pessoas escolhem o suicídio, enquanto outras, em situação similar ou pior, não o fazem (Santos: 2008). Entretanto, uma parte dos suicídios pode ser prevenida, conforme consta no Manual de Prevenção do Suicídio para Profissionais de Saúde, elaborado pela Organização Mundial da Saúde – OMS (2000). A prevenção envolve, sobretudo, “atenção aos comportamentos, disponibilizando formas de contato, como número de telefone, consultório, formas de acolhimento, demonstração de interesse e respeito” (Santos: 2008).

Embora muitos de nós já tenhamos expressado o desejo de “sumir do mapa”, somente uma minoria chega a cometer o ato letal. Para chegar ao ato suicida, muitas características devem ser observadas, desde transtornos de afetividade, [des]estrutura familiar, doenças crônicas, meio religioso, contexto sociocultural, componentes genéticos, etc. Mas, Cassorla (1998) explicita que o suicídio é um “evento que ocorre a partir do acúmulo de acontecimentos na história de vida da pessoa”, que vai se misturando aos aspectos físicos, genéticos, sociais, espirituais, etc. Botelho (2011) afirma que “alguns cometem [o suicídio] por terem mergulhado na loucura, outros por martírio (no ato de fé como no caso dos religiosos)”. No mesmo sentido, Pires (2004) diz que desde todos os tempos essas ideias martíricas de desenvolvem no seio ambivalente das religiões, onde os “amantes da morte” se nutrem de “desesperos e angústias, sacrifícios, autoflagelações, cilícios, conformismo piedoso, torturando-se para as delícias do paraíso”.

Por outro lado, sabe-se que existem diversas mortes simbólicas na vida de cada sujeito. Por ilustração: a passagem da infância para a adolescência marca a perda do corpo infantil e a perda dos pais da infância, o que levará o indivíduo a atravessar uma morte simbólica. Quando a pessoa chega ao suicídio de fato, já ocorreram mortes significativas, o que não significa quantidade de mortes simbólicas, mas, sim, um montante de mortes parciais (ou simbólicas) suficiente para diluir as potencialidades, consumando o sujeito, anuviado, em uma espécie de gradativa dilaceração. O ato letal somente constitui um ápice para esse amargo, doloroso e aflitivo processo.

Existem ficções e fatos a serem observados para a prevenção eficiente do suicídio. De acordo com o quadro disponibilizado pela OMS (2000), a ideia de que “pessoas que anunciam o suicídio” não o cometem é notoriamente falsa. É sabido que a maioria das pessoas que deram o fim à própria vida realizou anúncios ou avisos a amigos ou parentes. Além disso, a cartilha informa que nem todos os suicídios podem ser prevenidos, embora a ação preventiva deva ser constantemente realizada por profissionais da área de saúde e educação.

Na família, o enfrentamento do suicídio é doloroso e deixa profundas marcas na vida de todos os parentes. A elaboração do luto e da perda pode se agravar pelo sentimento de culpa excessiva, acusações desmedidas contra parentes que moram em cidades distantes e pelas mágoas que voltaram a emergir mesmo após anos depois de transcorrida a contrariedade familiar. Botelho (2011) afirma que o melhor a se fazer é “parar de buscar culpados ou de se culpar”. Assim, o olhar dos envolvidos deve se dilatar para todos os que estão gravitando em torno do trágico evento, de forma de que se perceba que eles estão fazendo “o melhor que eles conseguem, diante das circunstâncias difíceis que se apresentam” (Botelho: 2011).

Os que sobreviveram devem se socorrer mutuamente com dedicação, sinceridade e carinho, bem como manter acesa a chama do diálogo. É essencial perceber que a vida prossegue, assim como buscar apoio nas redes de relacionamento, nas atividades transcendentes (atividades religiosas, sociais, culturais) e com profissionais especializados. Mas, em meio ao caos, não é prudente manter as aparências da força e da coragem, uma vez que essas estruturas foram abaladas com a morte imprevista. É importante extravasar as emoções. Por isso, não insista em ficar de pé. Sente-se e reaja de acordo com os traços da sua personalidade. Sentimentos como a culpa, a raiva, a frustração e a vergonha podem emergir. O importante é não inibi-los completamente, mas, sim, comunicá-los, favorecendo a elaboração do luto. É fundamental o compartilhamento de ideias e de emoções, assim como o uso de todos os rituais (de acordo com as crenças da família) para se iniciar o processo de elaboração. Por fim, o cuidado dispensado deve primar pela reorganização de papéis na família, a fim de que os envolvidos possam identificar, mais unidos e fortalecidos, os dias melhores que virão.

Fonte: http://www.quandoavidadizadeus.com/2011/09/o-impacto-do-suicidio-e-as-medidas-de.html#ixzz1ZRseUaM2

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Suicídio infantil

Segue abaixo dados sobre um artigo recém-publicado (no sítio Psicologia.PT) sobre o suicídio em crianças.
Suicídio infantil: reflexões sobre o cuidado médico
Elisa Pinto Seminotti (elisaseminotti@hotmail.com)

Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) - Brasil. Especialista em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)-BR. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Palavras-chave: Suicídio, criança, medicina

Resumo

O suicídio na infância e na adolescência é um sério e crescente problema, que tem se constituído como uma questão de saúde pública. Mesmo que a sociedade não disponha de espaço para tal discussão - carregada de tabus, medos, crenças religiosas e pessoais -, as crianças também fazem parte do contingente de tentadores de suicídio e suicidas no país e no mundo. O suicídio, em todas as faixas etárias, está entre as dez principais causas de morte no mundo, sendo a terceira causa mais comum de morte em jovens com idades entre 15 e 34 anos, e a quinta mais comum em crianças de idade escolar. O suicídio é considerado uma tragédia familiar e pessoal, que causa sofrimento naqueles envolvidos com a vítima. Considerando a dificuldade que existe para diferenciar ideações suicidas, tentativas e suicídio completo entre crianças, principalmente pequenas, a intervenção clínica para apoiar e tratar crianças em risco é difícil, mas de vital importância, principalmente quando visamos à prevenção do ato suicida. Dessa forma, o médico, como profissional próximo à criança e à família, porto seguro destas quando algo vai mal, tem o papel fundamental de ser um profissional capacitado para lidar com os temas da morte e da morte produzida, compreendendo este processo e disponibilizando sua atenção especial para casos de tentativa ou de risco de suicídio. O cuidado do médico vem como uma estratégia para tentar evitar que o desfecho trágico ocorra, e para auxiliar a família a reduzir o sofrimento que abate a criança suicida.
 Para ler o artigo completo clique aqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Do Piauí uma boa receita: junta-se competência com boa vontade e bons frutos hão de vir...

Proposta de Ações de Promoção à Saúde Mental em Oeiras-PI
Na décima quinta edição do Jornal Ágora, pertencente à ACO (Associação Cultural de Oeiras), que tem como Presidente o médico neurologista e escritor oeirense, Dr. João Carvalho, traz resultados de uma pesquisa que o mesmo realizou, sobre a problemática do suicídio em Oeiras onde buscou ver quais as causas do assunto com a finalidade contribuir com políticas públicas visando a prevenção.

E em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de do município de Oeiras, através de pessoas como, a Secretária de Saúde Auridene Freitas, Rita Noélia que é Coordenadora do PACS/PSF, Kércia Rêgo que é coordenadora da vigilância Epidemiológica, Roberta Dias responsável pela elaboração do projeto, foi que surgiu o projeto Proposta de Ações de Promoção à Saúde que deverá ser encaminhado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

A partir desta parceria entre Dr. João Carvalho e a Secretaria de Saúde do município de Oeiras o projeto já está em andamento. Dr. João Carvalho neurologista e estudioso no assunto, através realizou uma pesquisa no município constatou que o índice de óbitos por suicídios em Oeiras é bem maior do que a estimativa da OMS.

Segundo Dr. João, os dados foram levantados através das declarações de óbitos, do livro de atas do cartório municipal, do livro de ocorrência e dos boletins de atendimento do Hospital Regional de Oeiras no período de Janeiro a setembro de 2009.

“Foram contabilizados 43 suicídios. A estimativa de suicídio em Oeiras é de 14,1/100 mil habitantes, quase o dobro da estimativa nacional, o método mais freqüente foi o de enforcamento (76%), seguido de envenenamento (12%), arma de fogo (6%) e arma branca (6%)” relata Dr.João Carvalho.

As causas mais comuns apontadas foram: A perda emocional mal elaborada (43%), seguido por depressão (25%) e conflito sócio-econômico (12%). Foram devido a este grande crescimento que surgiu o interesse em desenvolver o projeto que visa capacitar os profissionais da atenção básica para as ações de prevenção e atenção às pessoas em risco de suicídio, sobreviventes e familiares.

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009, (17h25) - ASCOM

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Frases esparsas e contundentes


O suicídio é “um conjunto de gritos de ajuda que não são ouvidos a tempo”; daí ser necessário “disponibilizar o mundo e a humanidade para os ouvirem antes que eles se calem”.

Mário Rui, estudante de Psicologia da Universidade de Coimbra

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Texto simples e clássico sobre o suicídio

SUICÍDIO: Identificar, tratar e prevenir

Dra. Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro, Doutora em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Suicídio é a trágica e intempestiva perda de vida humana. O mais devastador e perplexo de tudo é que é representado por um ato da vontade.

A palavra suicídio deriva do latim e significa: sui = si mesmo e caedes = ação de matar, isto é, a morte de si mesmo. Os atos suicidas são definidos como comportamentos potencialmente autolesivos com evidência de que a pessoa pretendia se matar. O resultado de um ato suicida pode variar desde a não ocorrência de lesão até a morte. São subdivididos em tentativas de suicídio e suicídio (completo ou exitoso). As tentativas de suicídio são classificadas como sendo com ou sem lesão.

Tentativas de suicídio deveriam ser encaradas com seriedade, como um sinal de alerta revelando a atuação de fenômenos psicossociais complexos. As reduções nos índices de suicídio e de tentativas de suicídio são dois dos objetivos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde no documento "Saúde para todos no ano 2000” (WHO, 1992).

O grau de intenção suicida de uma pessoa deve ser considerado como um ponto num continuum: de um lado está a certeza absoluta de matar-se e no outro extremo está a intenção de seguir vivendo. A condiçãosine qua non do suicídio é uma morte em que o sujeito é, ao mesmo tempo, o agente passivo e ativo, a vítima -o desejo de morrer e o desejo de ser morto - e o assassino - o desejo de matar. Na intencionalidade do comportamento suicida deve-se levar em conta: 1. a possibilidade ou impossibilidade de reversão do método empregado para morrer; 2. as providências que tornam possíveis a ação de terceiros; 3. quando esta intervenção ocorre e pode-se inferir que a intencionalidade seja mínima. Avaliar o grau de gravidade de uma tentativa de suicídio pode ser uma tarefa bastante difícil, pois são atos intencionais de auto-agressão que não resultam em morte, desde atos discretos e velados de ameaça a própria vida, alguns deles talvez com o objetivo de ganhar atenção, até situações graves que necessitam de atendimento médico hospitalar. A noção de que a ideação suicida varia dentro de um continuum, ocorrendo desde idéias não especificadas como “a vida não vale a pena” ou “eu queria estar morto”, para idéias específicas que se acompanham de intenção de morrer e/ou de um plano de suicídio.

A intenção suicida genuína é freqüentemente ambivalente em relação a morte e a firmeza do propósito pode ser variável. Esses pacientes têm humor disfórico, com sentimento de inutilidade, falta de esperança, perda da auto-estima e desejo de morrer. Há o sentimento de dos três “is”: intolerável (não suportar),inescapável (sem saída) e interminável (sem fim). Suicidas potenciais podem se arrepender e procurar ajuda após o ato. O alívio, após a tentativa, faz a pessoa refletir sobre seu ato.

Identificando intenção suicida: a comunicação prévia de que iria ou vai se matar, mensagem ou carta de adeus, planejamento detalhado, precauções para que o ato não fosse descoberto, ausência de pessoas por perto que pudessem socorrer, não procurou ajuda logo após a tentativa de suicídio, método violento ou uso de drogas mais perigosas, crenças de que o ato seria irreversível e letal, providência finais (conta bancária, providenciar a escritura de imóveis, seguro de vida) antes do ato, afirmação clara de que queria morrer, arrependimento por ter sobrevivido.

Entre os jovens deve-se estar alerta para o abuso ou dependência de substâncias psicoativas associado a depressão, incluem: tentativa suicida prévia, idéias suicidas, sentimentos de desesperança e problemas de abuso de substâncias, luto, acesso fácil ao método do suicídio e falta de apoio social. Outras situações estressantes habituais na adolescência são as mudanças físicas e psíquicas, busca da identidade e autonomia, e relacionamentos com grupos que favoreçam comportamentos destrutivos: atividade sexual precoce e sem proteção, porte de armas, delinqüências, lutas corporais, tabagismo excessivo e intoxicação por álcool e pobre gerenciamento da rotina dos filhos por parte dos pais.

Indicativos de repetição de tentativa de suicídio: história prévia de hospitalização por auto-agressões, tratamento psiquiátrico anterior, internação psiquiátrica prévia, transtorno e personalidade anti-social, alcoolismo / drogadição e não estar vivendo com a família.

Fator precipitante: A intoxicação por álcool é um potente fator no momento da morte. Três características marcam o ato suicida praticado por alcoólatras deprimidos: a impulsividade da tentativa, aumento do consumo de álcool na véspera e intoxicação alcoólica precedendo a tentativa. A presença de uma arma de fogo em casa é o mais poderoso fator, principalmente em adolescentes.

Fatores de risco: Conhecer os fatores de risco auxilia a dissipar o mito de que o suicídio seja um ato aleatório ou que resulte unicamente de sofrimento. O risco de suicídio aumenta com a idade, atinge seu maior nível após os 65 anos. É duas a três vezes mais freqüente em homens que em mulheres. Os divorciados e viúvos são os mais atingidos (quatro vezes mais que os casados), sendo seguidos pelos solteiros (duas vezes mais), os casados são os menos afetados. A proteção oferecida pelo casamento é bem mais importante para os homens que para as mulheres. A gravidez e a maternidade são fatores protetores para as mulheres, embora uma gravidez não planejada, sobretudo na adolescência pode precipitar tentativa de suicídio. Há uma correlação positiva entre desemprego e suicídio, especialmente entre os homens. Estudos de história familiar mostram aumento de suicídio em famílias com vítimas de suicídio. Níveis cerebrais reduzidos de serotonina ou de seu metabólito, o ácido 5-hidroxi-indol-acético (5-HIAA), têm sido encontrados em vítimas de suicídio ou de graves tentativas. A história prévia de tentativa de suicídio é considerada um forte preditor de suicídio posterior, aumentando em cerca de 40 vezes nestes indivíduos em comparação com a população geral.

Abordagem das tentativas de suicídio: consiste nos cuidados iniciais à saúde, se emergência clínica e/ou cirúrgica, assegurar o bem-estar físico, evitando as complicações médicas decorrentes do ato. O médico do pronto-socorro deverá decidir se a vítima deve ser levada para a unidade de terapia intensiva (UTI), para o Centro cirúrgico ou ortopédico, setor de endoscopia ou clínica de queimados, ou as condutas nos casos de envenenamento. Poderá ser encaminhado ao ambulatório de saúde mental ou se deve ser transferido para uma unidade psiquiátrica pela presença de risco ou de transtorno psiquiátrico que necessite de tratamento especializado.

Após o exame clínico usual, devem ser investigados os recursos do paciente: avaliar a capacidade de elaboração, de resolução de problemas, os recursos materiais (moradia e alimentação), o suporte familiar (família próxima ou confiável), social, profissional e de instituições, e os eventos precipitantes: levantar todas as circunstâncias e motivações que deflagraram o ato. É freqüente a presença de vários fatores estressantes, ou problemas psicossociais crônicos, problemas policiais ou pendência judicial, perda de ente querido, luto, doença física crônica, desemprego, eventos de vida adversos na presença de depressão. Os conflitos interpessoais, como brigas, desentendimentos, separações, podem precipitar 50% das tentativas.

A hospitalização é indicada de acordo com o grau de risco potencial de suicídio, principalmente se o paciente não colabora, apresenta um transtorno mental grave que prejudica a sua crítica frente à situação e não possui uma rede de suporte familiar. Algumas vezes, uma hospitalização precipitada pode ser prejudicial ao paciente frente a uma avaliação errônea do risco de suicídio. Após a escolha do ambiente terapêutico (hospital, ambulatório, domicílio). A medicação adequada deve ser indicada e manuseada por profissionais habilitados com a dosagem, efeitos colaterais e interações medicamentosas, levando-se em conta as condições físicas do paciente, além da idade e peso. Grande vigilância faz-se necessária no início do tratamento com antidepressivos, pois eles demoram dias a semanas para alcançarem efeito terapêutico. O tratamento com eletroconvulsoterapia (ECT) deve ser cogitado naqueles casos graves, com forte determinação para o suicídio. Esse tipo de terapêutica não deve ser visto com preconceito, pois é um tratamento eficaz e seguro para diversos quadros psiquiátricos com risco de suicídio. O seu benefício ao paciente está relacionado diretamente à sua indicação oportuna e adequada, como na cardioversão. Em outros mais leves, encaminhamento para psicoterapia. A família e o paciente devem ser exaustivamente orientados e esclarecidos quanto à proposta terapêutica. Uma internação domiciliar pode ser uma alternativa razoável. Isso é possível quando há baixo risco de suicídio, supervisão disponível e suporte adequado em casa. Os familiares e amigos devem revezar-se na tarefa de vigilância. Sentimentos e comportamentos como choque, confusão, negação, inquietação, regressão, desesperança e estado de alerta são comuns nos familiares.

A vigilância deve ser providenciada com o intuito de garantir a segurança do paciente: 1. retirar da casa medicamentos potencialmente letais, armas brancas e armas de fogo; 2. manter abstinência de álcool e drogas que possuem efeitos desinibitórios; 3. evitar locais elevados e sem proteção, pelo risco de se jogar; 4. evitar que o paciente fique sozinho, ou trancado em um recinto. Pode ser realizado um contrato de"não-suicídio" (verbal ou escrito), que consiste em o paciente concordar em não realizar ato auto-agressão e relatar a um familiar se tiver desejos suicidas.

Prevenção: Dirigem-se à melhora da assistência clínica ao indivíduo que já luta contra idéias suicidas ou ao indivíduo que precise de atendimento médico por tentativa de suicídio; e abordagens que possam reduzir a probabilidade do suicídio antes que indivíduos vulneráveis alcancem o ponto de perigo. “Prevenir é melhor que remediar”.

Comentários Finais

Em termos de tratamento e prevenção do suicídio, é provável que a redução considerável de morbidades psiquiátricas (Transtorno Afetivo Bipolar, Esquizofrenia, Transtorno de dependência à substancias psicoativas, transtorno de personalidade etc) na população deve também diminuir o risco de suicídio. No entanto, dado o pequeno conhecimento sobre o valor preventivo das diversas intervenções existentes e que apenas uma pequena parcela de paciente com risco de suicídio recebem o tratamento adequado. Os esforços dos dirigentes de saúde pública devem concentrar-se em:

  1. Projetos educativos, com o intuito de aumentar o conhecimento público e profissional dos fatores de risco para o suicídio;
  2. Melhorar o sistema de saúde, para que possa garantir o acesso precoce a avaliações clínicas adequadas, aumentar a segurança e a efetividade dos tratamentos para os transtornos psiquiátricos com alto risco de suicídio; e
  3. Investigações sobre a prevenção de suicídio, as quais através de pesquisas médicas podem esclarecer os benefícios e riscos específicos dos tratamentos médicos e intervenções psicossociais que possam prevenir o suicídio.

O determinismo multifatorial do suicídio impõe-nos, de início, analisar cada fator de risco com prudência. As correlações estatísticas não são as causas; elas nos permitem formular hipóteses de certeza variada. Somente estudo prospectivo de avaliação de métodos de prevenção que procurem resposta para essas hipóteses pode permitir o engajamento de uma adequada política de profilaxia relacionada ao suicídio.

A autora deste artigo é co-autora do livro Suicídio: estudos fundamentais.

http://www.fenix.org.br/material/suicidio_texto.doc