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terça-feira, 8 de março de 2016

Suicídio e (in)felicidade: paradoxos.

O grande paradoxo: índice de suicídios é maior nos países considerados “mais felizes”

Por que EUA, Canadá, Dinamarca, Islândia, Irlanda e Suíça estão entre os países com mais suicídios?

O suicídio é a primeira causa de morte não natural em vários dos países mais desenvolvidos do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, são registradas por ano mais suicídios do que mortes por acidentes de trânsito.

O risco de suicídio no mundo é três vezes maior entre os homens do que entre as mulheres.

No tocante aos mais jovens, o suicídio é a segunda causa principal de morte no grupo de 15 a 29 anos de idade, segundo os dados do estudo “Prevenção do suicídio: um imperativo global”, divulgado em 2014 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Como cruciais para a prevenção, os especialistas ressaltam as redes familiares fortes e a capacidade de assimilar a frustração.

Mais suicídios nos países ditos “mais felizes”

Uma das questões que mais chamam a atenção em se tratando de suicídio é o paradoxo de que as maiores taxas de suicídio são registradas nos países considerados “mais felizes”.

Estes dados já são enfatizados no estudo “Dark Contrasts: The Paradox of High Rates of Suicide in Happy Places” (“Contrastes obscuros: o paradoxo dos altos índices de suicídio em lugares felizes”), de 2011, elaborado conjuntamente por pesquisadores da britânica Universidade de Warwick e pelos norte-americanos Hamilton College e Universidade de São Francisco.

Os cientistas responsáveis pelo estudo pretendiam documentar e analisar as causas desta paradoxal relação entre felicidade e suicídio, entendendo por “felicidade” um conjunto de aspectos de natureza material, como ter dinheiro suficiente, boa moradia, comida, roupa, carro e lazer, além de uma vida saudável, livre de privações e com autonomia para cuidar de si próprio.

O estudo levou em consideração as primeiras posições na lista dos países considerados pela revista Forbes como os “mais felizes do mundo”, bem como os seus índices de suicídio. Os 10 países, no ano do estudo, eram, por ordem de primeiro a décimo, a Noruega, a Dinamarca, a Finlândia, a Austrália, a Nova Zelândia, a Suécia, o Canadá, a Suíça, os Países Baixos e os Estados Unidos. Por sua vez, esta lista se baseava no chamado “Índice de Prosperidade”, elaborado pelo Instituto Legatum, de Londres, que classifica 110 países.

As conclusões do estudo indicaram que os países mais destacados na “lista da prosperidade” eram, ao mesmo tempo, os que apresentavam os índices mais altos de suicídio.

As causas do paradoxo

Os autores da pesquisa observam que o paradoxo tem a ver com uma comparação entre o nível de felicidade dos suicidas e o nível de felicidade dos outros: a felicidade alheia seria um fator de risco para as pessoas de baixa autoestima, descontentes por viver em lugares onde o resto dos indivíduos demonstra mais felicidade do que elas.

“As pessoas descontentes podem se sentir particularmente cansadas da vida em lugares felizes. Esses contrastes podem aumentar o risco de suicídio”, diz o professor Andrew Oswald, da Universidade de Warwick e responsável pelo estudo. “Sendo os seres humanos expostos às mudanças de humor, as comparações com os outros podem tornar mais tolerável a nossa existência num ambiente em que os outros são completamente infelizes”.

Tais conclusões questionam outras que, até então, atribuíam o índice de suicídios em países nórdicos às características particulares do próprio país, como as escassas horas de luz solar no inverno. Eram também apontadas diferenças culturais e atitudes sociais em relação com a felicidade e com o modo de conceber a vida.

Para Stephen Wu, do Hamilton College, “os resultados são coerentes com os de outra pesquisa segundo a qual as pessoas avaliam o próprio bem-estar a partir de comparações com as pessoas que as rodeiam. Essas comparações também acontecem com renda, desemprego, delinquência e obesidade”.

O contraste entre o Havaí e Nova Iorque

Os pesquisadores sugerem no estudo que as cidades com mais gente satisfeita tendem a ter maiores índices de suicídio do que aquelas com níveis de satisfação médio-baixos em termos de qualidade de vida. Um exemplo é o contraste entre o Havaí e Nova Iorque.

Segundo os seus dados, o Havaí é o segundo estado norte-americano com o nível de felicidade mais alto entre os habitantes, mas o quinto, de um total de 50 Estados, em número de suicídios. Já Nova Iorque está na 45ª posição entre os Estados com maior satisfação de vida, mas registra a segunda menor taxa de suicídio do país, logo atrás do Distrito de Colúmbia.

Como conclusão, os autores do estudo indicam que “os seres humanos podem construir suas normas mediante a observação do comportamento e dos resultados atingidos por outras pessoas e tendem a julgar a própria situação com menos dureza quando veem outras pessoas com resultados similares aos seus”.

A altitude geográfica, outro fator de risco

Outra análise sobre mortalidade, realizada em 2.584 condados dos Estados Unidos e baseada em dados reunidos durante vinte anos por especialistas de diversos centros médicos do país, revelou que viver em altitudes maiores pode ser um fator de risco de suicídio.

Segundo os autores deste estudo, ainda é desconhecido o motivo dos índices maiores de suicídio entre as pessoas que vivem em regiões de maior altitude.

Fonte: http://pt.aleteia.org/2016/03/07/o-grande-paradoxo-indice-de-suicidios-e-maior-nos-paises-considerados-mais-felizes/

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

+ Setembro Amarelo!

Setembro amarelo alerta contra o suicídio


Mariana DantasDo NE10
No Mundo, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos / Foto: Free Image
No Mundo, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundosFoto: Free Image
Após 17 anos de um casamento feliz, Fernanda* não soube lidar com a dor da separação.  Ver a tristeza do casal de filhos, na época com 12 e 16 anos, aumentou seu sofrimento. Quatro anos após o divórcio, a filha mais nova resolveu morar com o pai.  O vazio do lar também tomou o coração de Fernanda, que entrou em depressão. Não queria mais viver. E, por isso, tentou se matar mais de 15 vezes, misturando álcool com remédios de tarja preta. Na última vez ingeriu chumbinho. Foi parar na UTI.

Se você, caro leitor, ao ler o parágrafo acima concluiu que Fernanda não queria morrer, mas apenas chamar atenção ou acredita que, se ela quisesse mesmo se matar teria pulado de um prédio, sinto informar, você sabe muito pouco (ou quase nada) sobre suicídio. Se o filho de Fernanda não tivesse compreendido que, na verdade, a sua mãe precisava de ajuda, talvez hoje ela não estivesse viva. 

“Eu não queria chamar atenção. Queria morrer mesmo. Sentia uma dor tão insuportável que nem morfina resolvia”, afirma Fernanda, que com o incentivo do filho, buscou ajuda psiquiátrica. “Aprendi a me amar e hoje sou feliz ao lado da minha família. Trabalho na mesma clínica onde fiquei internada por nove meses, de maio de 2012 a janeiro de 2013. Busco dar força aos que estão enfrentando o que passei”, afirma Fernanda, 50 anos. 



Para ajudar tantas outras “Fernandas e Fernandos” que precisam de apoio para superar o sofrimento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu o Setembro Amarelo. Durante todo este mês, entidades não-governamentais pretendem promover ações para mostrar que é possível prevenir contra o suicídio, hoje considerado um problema de saúde pública. No Brasil, é registrada uma morte a cada 45 minutos. No Mundo, cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. E o mais triste é que 90% dos casos poderiam ter sido evitados.  

Além de vestir amarelo, o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há 53 anos em todo o País, prepara uma série de atividades para este mês. Em Pernambuco, voluntários farão panfletagem no Marco Zero (próximo domingo, dia 6) e na praia de Boa Viagem (feriado do 7 de Setembro). No próximo dia 10, Dia Mundial de Prevenção do Suicido, será promovida palestra no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ministrada pelo professor de filosofia Sérgio Ramos. Com o tema “Mantendo acesa a vontade viver”, a palestra tem entrada franca e começa às 15h. Inscrições devem ser feitas pelo e-mail recife@cvv.org.br. 

“O tema é tratado como tabu e isso só corrobora para aumentar os casos. Precisamos alertar a população para o problema. Um simples gesto de ouvir e ajudar a quem precisa pode salvar uma vida”, afirma Karina Soares, coordenadora do CVV em Pernambuco. Segundo Karina, o CVV conta com cerca de 50 voluntários no Estado, que realizam mais de 2.500 atendimentos ao mês. O serviço funciona 24h pelo telefone 141.  



COMO AJUDAR – A maioria das pessoas que pensa em cometer suicídio dá sinais que não devem ser ignorados por amigos e familiares, alerta a OMS. Doenças psíquicas como depressão estão associadas a muitos casos. "Mesmo que a pessoa não expresse claramente que pensa em se matar, é possível detectar algumas mudanças de comportamento. A depressão, por exemplo, altera a maneira de o paciente enxergar o mundo, mexe com sua cognição. Sentimentos de tristeza, pessimismo e angústia são constantes", explica o psiquiatra Everton Botelho, afirmando também que o uso de álcool e outras drogas são fatores de risco por serem “depressores”. 

Paula Fontenelle é autora de Suicídio: o futuro interrompido
Paula Fontenelle é autora de Suicídio: o futuro interrompidoFoto: Divulgação
O médico explica ainda que a primeira tentativa de suicídio deve ser considerada um pedido de ajuda. "Ao conversar com a pessoa, você não deve fazer críticas e nem julgamentos. Mostrar apenas que está disposto a ajudá-la e incentivar que procure um psiquiatra", orienta. Em relação à idade, os grupos de risco são jovens entre 15 e 29 anos e idosos com mais de 65 anos. “Os jovens têm mais dificuldade de enfrentar as cobranças de um mundo competitivo como o nosso. Já os idosos se deprimem com a solidão ou quando são acometidos de doenças crônicas e passam a achar que a vida não vale mais a pena”, explica o médico. 

Outros sintomas, considerados mais diretos e preocupantes, também podem ser percebidos através de conversas. “Valorizar demais o passado, se desfazer de objetos de valor sentimental, organizar a vida financeira e ligar para os amigos para se despedir são comportamentos de pessoas que podem estar perto de praticar o ato”, explica a jornalista Paula Fontenelle.  Após a morte do pai em 2005 por suicídio, a jornalista passou três anos buscando respostas que resultaram no livro “Suicídio: o futuro interrompido”. A obra traz opinião de especialistas, psicólogos, psiquiatras e relatos de famílias que perderam parentes e, ainda, de pessoas que reencontraram razões para viver. 

 * Fernanda - Para preservar a verdadeira identidade da entrevistada, o NE10 criou um nome fictício

Fonte: http://noticias.ne10.uol.com.br/saude/noticia/2015/09/01/setembro-amarelo-alerta-contra-o-suicidio-565860.php

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Taxas de suicídio em alta em Cuiabá: alerta e reflexões

Taxa de suicídios cresce 14,4% em Cuiabá; profunda discussão sobre tema é necessária

Arthur Santos da Silva

Um dos maiores problemas sociais brasileiros diz respeito ao suicídio. O desapego à vida materializado pelo ato de falsa coragem, que traz a morte, tornou-se crescente. Segundo informações levantadas pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (CEBELA) entre 1980 e 2012, por exemplo, as taxas de suicídio tinham crescido cerca de 62,5% no Brasil. Em Cuiabá, entre  os ano de 2002 e 2012, o aumento foi de 14,4%. Os dados foram divulgados no Mapa da Violência 2014.

Segundo o levantamento, o fenômeno veio aumentando seu ritmo a partir da virada de século, tanto para o conjunto da população quanto para a faixa jovem. Em todas as fases observa-se um panorama incremental nos suicídios: o fenômeno vêm crescendo à sombra dos acidentes de trânsito e a dos homicídios, tornando-se, assim, a terceira causa de morte no país.

O Brasil, nos últimos anos, o país apresentou 5,5 homicídios e 4,5 mortes no trânsito para cada suicídio. No Japão, por exemplo, são 70 suicídios para cada homicídio; 4,2 mortes no trânsito para cada homicídio.

Entre os anos 2002 e 2012, o total de suicídios no Brasil passou de 7.726 para 10.321, o que representa um aumento de 33,6%. Esse aumento foi superior ao crescimento da população brasileira no mesmo período, que foi de 11,1%. No Centro-Oeste a taxa de crescimento decenal dos suicídios alcançou 16,3%.

Entre os jovens, esse aumento total foi bem menor: 15,3%, passando de 2.515 para 2.900 suicídios entre 2002 e 2012. Regionalmente, o crescimento foi semelhante ao da população total, mas com situações estaduais muito diferenciadas. Mato Grosso apresentou uma taxa de 1,1% enquanto a Paraíba apresentou um crescimento de 122%. Se considerarmos o números da taxa de crescimento dos suicídios da população total (jovens e adultos) em ralação as capitais, Cuiabá ocupa a sétima colocação com um aumento de 14,4%.

Em contraponto, a principail organização de combate e prevenção dos suicídios no Brasil é o CVV (Centro de Valorização da Vida), uma das organizações não-governamentais (ONG) mais antigas do país. Baseando-se essencialmente no trabalho voluntário de milhares de pessoas distribuídas por todas as regiões, o CVV assumiu como tarefa a discussão do tema, gerando assim estudos e cartilhas de conscientização.

Em entrevista ao Olhar Direto, a coordenadora regional do CVV, Isaura Titon, comentou sobre as formas para a prevenção do suicídio. "Trabalhamos com a prevenção, mesmo com todas as limitações dos nosso centros. Divulgamos a importância do relacionamento humano, dizendo como é importante saber se relacionar, aceitando as diferenças, dando apoio e compreensão, difundindo respeito e solidariedade".

Para Isaura, o crescimento dos números de suicídios no últimos anos está relacionado à individualidade cada vez maior dos homens. "Vivemos em um sociedade individualista. os jovens hoje estão mais ligados com a tecnologia do que com os seus amigos", disse a coordenadora..

Em Cuiabá, o Centro de Valorização da Vida está localizado na rua Comandante Costa, número 296, no Centro Norte. O contato com os atendentes da ONG pode ser feito pelo telefone (65) 3321-4111.

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=taxa_de_suicidios_cresce_anualmente_no_brasil_cuiaba_assiste_aumento_dos_numeros&edt=34&id=372705