sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Ver, compadecer, cuidar... Campanha da Fraternidade 2020: união em favor da vida!

Com o objetivo de valorização à vida em várias esferas, Campanha da Fraternidade é lançada em Brusque

Bruno da Silva (26 fevereiro 2020)

Com o compromisso de valorização à vida, a paróquia São Luiz Gonzaga lançou nesta quarta-feira, 26, a Campanha da Fraternidade 2020. O pároco Diomar Romaniv destacou que o projeto de dignificação da vida é um projeto não só da igreja, mas de toda a sociedade e que existem muitos grupos, cristãos ou não, que celebram esses valores.

“Queremos motivar para que as pessoas consigam dar passos para ajudar o próximo como pode, de mãos unidas no mesmo no projeto de cuidar e promover a vida”, diz. O lema da campanha nacional é ‘Viu, sentiu compaixão e cuidou dele’.

Estiveram presentes no lançamento da campanha também a vice-presidente da Ação Social Paroquial São Luiz Gonzaga, Maria Aparecida Frainer, o comandante do Corpo de Bombeiros de Brusque, Jacson de Souza, além de dois voluntários do Centro de Valorização da Vida de Brusque (CVV), José Airton Leopoldino e Luciana Raimundo Marcos.

Maria Aparecida destacou o trabalho realizado pela Ação Social com a população carente da região, de outras cidades que se mudaram para a cidade e também de outros países. O grupo funciona com o trabalho de uma assistente social e o apoio de voluntários na distribuição de roupas e alimentos. O atendimento acontece três vezes por semana e atende 30 pessoas por dia.

“O tema da Campanha da Fraternidade leva a reflexão sobre três verbos: ver, compadecer e cuidar, e é exatamente isso que a Ação Social da paróquia faz. A Ação Social é o primeiro lugar que as pessoas que vem de fora procura, porque ele precisam de alimentos e roupas. Os voluntários que atendem são capacitados para se colocar no lugar dessas pessoas”, explica.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar por telefone, email e chat. Luciana destaca que o centro desenvolve um trabalho de acolher sem julgar.

“Quem nos liga, busca desabafar, conversar. O anonimato também faz com que muitas pessoas acabem contando suas histórias, seus problemas. Quem chega à nós, é acolhido. Nós conseguimos saber do sucesso do trabalho, porque, dentro da nossa história de 58 anos, as mesmas pessoas ligam de volta agradecendo pelo efeito positivo que isso causou na vida delas”, relata.

Ela também ressalta que o CVV trabalha em busca de realçar o talento e habilidade das pessoas. “As vezes é preciso conversar para reorganizar as ideias e fazer as pessoas reconhecerem seus potenciais”, ressalta.

O comandante do Corpo de Bombeiros falou também sobre o papel da corporação na valorização da vida. “Buscamos acima de tudo preservar as pessoas. Somos apenas uma pequena peça dessa engrenagem, que se chama vida. Os bombeiros militares tentam contribuir aquelas pessoas que buscam atendimento e uma forma de ser ouvidos, em alguns momentos”, conta.

Fonte: https://omunicipio.com.br/com-o-objetivo-de-valorizacao-a-vida-em-varias-esferas-campanha-da-fraternidade-e-lancada-em-brusque/

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Curso sobre “Prevenção do Suicídio e mundo acadêmico” é promovido na Unioeste, em Cascavel-PR

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), promove o curso “Prevenção do Suicídio e mundo acadêmico” nos dias 2 e 3 de março de 2020, das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17 horas no Miniauditório II da Unioeste.

O curso será presidido pela professora Dione Menz, que é enfermeira e psicóloga, professora da Universidade Federal do Paraná, setor de educação profissional e tecnológica (SEPT). Tem aproximação com as áreas de Saúde Coletiva, Saúde Mental, Saúde da Família, Reforma Psiquiátrica, Drogadição, Prevenção do Suicídio, Psicologia Comunitária e Tecnologias na Educação.


O curso está sendo promovido pela direção do campus de Cascavel, Pronto Atendimento Psicopedagógico e Saúde Integrada (PAPSI) e o colegiado de Ciências Biológicas.

Programação


02/03/2020
Prevenção do Suicídio e o Mundo Acadêmico - Professores e profissionais.
Horário: 8 às 17h
Local: Mini Auditório 3 
Campus Cascavel

03/03/2020

Prevenção do Suicídio e o Mundo Acadêmico - Graduandos, pós-graduandos e demais profissionais.
Horário: 8 às 17h
Local: Mini Auditório 3 
Campus Cascavel

Currículo da Profª Dione Maria Menz


Dione é professora da Universidade Federal do Paraná, Setor de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT). Doutoranda em Educação - UFPR. Mestra em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná (2012), especialista em Saúde Mental Comunitária pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1996). Graduada em Psicologia (1994) e em Enfermagem e Obstetrícia (1987) ambas pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente é coordenadora do projeto de extensão "Núcleo Interdisciplinar de Enfrentamento a Drogadição da UFPR (NIED)" e do Projeto de Extensão "Luto e Prevenção do Suicídio", vice coordenadora do projeto de pesquisa "Centro Regional de Referência para Formação em Políticas Sobre Drogas UFPR (CRR)". Tem aproximação com as áreas de Saúde Coletiva, Saúde Mental, Saúde da Família, Reforma Psiquiátrica, Drogadição, Prevenção do Suicídio, Psicologia Comunitária e Tecnologias na Educação.

Link para inscrição: https://midas.unioeste.br/sgev/eventos/prevencao_suicidio

E-mail para contato: ana.bittencourt@unioeste.br

Alerta! Eutanásia tem vínculo com o suicídio e a sua prevenção...

A fundamentação em 21 pontos do não à eutanásia 


O debate sobre a eutanásia traduz um sensível conflito de valores e uma mudança radical de paradigma da sociedade, que exige um referendo.

Como contributo construtivo para este importantíssimo debate, desenvolvo em sintéticos 21 pontos a fundamentação para o não à eutanásia e para a necessidade de um referendo sobre esta matéria, que não é, nem pode ser, uma questão política partidária ou sectária.

O que está em causa não é meramente uma “liberdade individual de escolha” mas sim uma mudança radical dos valores, dos princípios e da estrutura da sociedade em que vivemos. Da total proibição de matar passaremos a viver numa sociedade que permite matar, sem fronteiras bem definidas e que se vão alargando progressivamente. Tão complexa e marcante decisão só pode ser tomada em referendo e após um debate nacional, não apenas alguns debates elitistas, porque nos vai afetar a todos.

1) O conceito de “morrer com dignidade” não pode ser indevidamente associado à antecipação da morte. A vida e a morte são sempre dignas na sua essência, independentemente dos contextos. A dignidade reside nas próprias pessoas, não no tipo de morte.

2) O projeto de Lei do PS, por exemplo, permite que a eutanásia seja requerida por “pessoa, maior, em situação de sofrimento extremo, com lesão definitiva ou doença incurável e fatal”, havendo a consciente preocupação de não referir doentes terminais e aceitando a antecipação da morte em dias, semanas, meses ou anos, numa subjetividade extrema e perigosa de definições.

3) Refere-se habitualmente que a defesa da eutanásia é uma questão de defesa da liberdade individual escolha. Porém, quem o afirma cai em enorme contradição, pois, afinal, são colocadas imensas restrições à decisão individual, que depende, nomeadamente, de parecer médico e de uma comissão, pelo que o conceito de defesa da liberdade individual, não colhe.

4) É curioso o modo ilusório de utilização da conceção de “escolha pessoal”. A “escolha” da morte não é uma opção, mas sim o resultado da “exclusão” externa de todas as outras opções. De igual modo, ao contrário do que muitos ainda pensam, o suicídio não é um ato de coragem mas sim de desespero ou de pedido de ajuda.

Ainda assim, para ser uma genuína “escolha” significaria que, primeiro, todos teriam de ter direito a optar pelos cuidados paliativos precoces e ter acesso a cuidados domiciliários e apoios sociais adequados, para não fragilizar e pressionar os mais vulneráveis a recorrer, afinal, à única “opção” disponível, pedirem para serem mortos, o que seria profundamente antissocial.

5) Afirma-se que “os cuidados paliativos não eliminam por completo o sofrimento”, como se fosse possível alguém ter uma vida sem sofrimento e como se devêssemos perseguir uma vida sem sofrimento, desde logo uma irreal impossibilidade. Com os recursos farmacológicos e tecnológicos atualmente existentes faz ainda menos sentido falar-se em dor descontrolada ou incontrolável.

Sem aprofundar o tema, recordamos que Marguerite Yourcenar disse que o prazer e a dor são duas sensações vizinhas e Sófocles afirmou que o que nos liberta do sofrimento da vida é o amor.

Quem, como e onde? O que propõem os partidos sobre eutanásia

6) Persiste uma enorme confusão de conceitos. Note-se que dois em cada três adultos do Quebec pensa que eutanásia é a simples retirada de tratamento, o que não é verdade. Também em Portugal, muitas pessoas defendem a eutanásia com base neste mesmo erro.

7) Os defensores da eutanásia recusam a via francesa, da sedação terminal/paliativa a pedido sem indução deliberada da morte. A sedação terminal ultrapassa todos os argumentos dos defensores da eutanásia, sem ser necessário alterar a legislação e o paradigma da sociedade. Apenas fica menos barata.

8) Ignora-se a real experiência de outros países e a verdadeira rampa deslizante a que deu origem a aprovação da eutanásia e a extensão da inerente cultura, com aumento progressivo de pessoas eutanasiadas, mesmo sem ser a pedido. Não são especulações ou ilegítimos temores, é a realidade, que a seguir se descreve.

9) Não há salvaguardas eficazes para o doente potencialmente submetido a bullying familiar no sentido de pedir a eutanásia para “deixar de ser um fardo”... Esta matéria é tanto mais sensível quanto se sabe que os idosos têm uma particular dificuldade/inibição em se queixarem dos maus tratos e pressões que recebem. Os defensores da eutanásia sabem que muitas pessoas em situação mais frágil e de maior dependência vão ser “massacradas” para “pedirem” a eutanásia, mas não se importam. A aprovação deste “direito individual” iria colidir frontalmente com o “direito coletivo” das pessoas não serem pressionadas a “pedirem” a sua eutanásia. E não há salvaguarda legal que o impeça!

10) Devido ao segredo médico, a família de um doente pode em qualquer altura ser surpreendida pela informação de que um seu familiar foi eutanasiado, sem sequer ter uma hipótese de o ajudar. O caso de Tom Mortier, completamente surpreendido pela eutanásia da mãe, que pediu para ser morta por sofrer de uma depressão, é paradigmático, tendo avançado com um processo contra o Estado belga no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

11) Na Bélgica e na Holanda a eutanásia tem sido aplicada a doentes mentais, incluindo síndroma de asperger, distúrbios da personalidade, doentes que nunca tiveram sequer uma hospitalização por doença psiquiátrica e casos com forte componente de isolamento social e solidão, sugerindo que a eutanásia foi aplicada como um substituto para um efetivo suporte psicossocial. Discute-se agora a extensão da eutanásia às demências. Progressivamente a eutanásia vai sendo transformada numa “terapêutica” simples, barata e eficaz...

12) A sociedade pode desistir de programas de prevenção do suicídio, que representa um grave problema de saúde pública, e passar até a facilitá-lo. O"cansaço da vida" pode ser uma razão cada vez mais comum para as pessoas escolherem o suicídio assistido.

13) Atualmente, na Holanda, já se antecipa a criação de uma clínica especializada na eutanásia infantil e Eduard Verhagen, um dos arquitetos do Protocolo de Groningen, relativo à eutanásia infantil, considera que algumas crianças com menos de 12 anos estão aptas a tomar a decisão sobre a sua própria eutanásia.

14) A cultura da eutanásia será naturalmente transmitida aos doentes e será mais uma forma de indução do pedido. A aprovação cultural pode servir como um incentivo para o suicídio. Muitos doentes poderão ser avaliados por médicos que não os conhecem e a quem foram referenciados apenas para avaliação da eutanásia, uma decisão simplificada se o médico for favorável à solução. Na Holanda, a eutanásia tornou-se num tratamento normal.

15) Uma elevada percentagem de casos de eutanásia não são reportados porque os médicos não os considerarão como verdadeira eutanásia, sendo muitas vezes os fármacos administrados por enfermeiros (BMJ, 2010; 341: c5174). É uma ilusão pensar que salvaguardas e controlos legais evitam abusos e a verdade é que as transgressões identificadas nunca foram julgadas.

16) Na prática, atribui-se ao médico o poder legal de matar. A relação médico-doente pode ser afetada, perturbando a confiança do doente e da família do doente no médico. “A ideia da medicina como uma profissão que encarna um compromisso comum para cuidar de pessoas que estão doentes e debilitados, de modo a restaurar sua saúde, vai desaparecer rapidamente da memória” (JAMA, 2016; 315: 247-8).

17) A morte assistida não é compaginável com o conceito de ato médico aprovado pela União Europeia dos Médicos Especialistas (UEMS).

18) Com a Declaração Antecipada de Vontade, ou o recurso ao (não) Consentimento Informado, o doente tem a tranquilidade de saber que nunca será submetido a tratamentos ou intervenções que não pretenda ou que possam configurar distanásia.

19) Afirmam alguns que a aprovação da eutanásia é um progresso civilizacional e dão os exemplos dos países que já a aprovaram, que são uma esmagadora minoria! Porque não se referem os países que a recusaram, como a França e a Finlândia, mais recentemente, e todos os outros? Já agora, para correção, a Suíça não aprovou a eutanásia, mas apenas o suicídio assistido.

20) O grande progresso da civilização foi a defesa da vida! Modificar um dos pilares centrais dos valores da sociedade, do edifício do Direito e dos princípios milenares da Medicina, que evoluíram para uma efetiva salvaguarda do direito das pessoas à vida, à sua dignidade como pessoas e a uma vida que cumpra os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seria mudar radicalmente a estrutura e o modelo da Sociedade em que vivemos, com consequências facilmente (im)previsíveis.

21) Porque o que está em causa não é meramente uma “liberdade individual de escolha” mas sim uma mudança radical dos valores, dos princípios e da estrutura da sociedade em que vivemos, pois da total proibição de matar passamos a viver numa sociedade que permite matar, sem fronteiras bem definidas e que se vão alargando progressivamente, tal decisão só pode ser tomada em referendo. Afinal, quem tem medo deste debate e da decisão livre e esclarecida do povo?

*José Manuel Silva é médico, especialista em medicina interna e foi bastonário da Ordem dos Médicos entre 2011 e 2017

Fonte: https://rr.sapo.pt/2020/02/16/pais/a-fundamentacao-em-21-pontos-do-nao-a-eutanasia/noticia/182189/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Conquistas relevantes de saúde pública no Piauí privilegia a saúde mental

Teresina implanta leitos para internação de pessoas com risco de suicídio


A Fundação Municipal de Saúde (FMS) iniciou a implantação de oito novos leitos psiquiátricos no Hospital da Primavera, zona norte de Teresina, destinados, prioritariamente, à internação de pessoas com alto risco para suicídio. A adequação do espaço, prevista para ser concluída em 70 dias, fará de Teresina a capital pioneira no Brasil a implantar leitos específicos para esse cuidado. O dado foi divulgado pela Gerência de Saúde Mental, após pesquisa junto às outras capitais brasileiras.

O presidente da FMS, Charles Silveira, afirma que a ação vai beneficiar a população que está em sofrimento mental. “Nesse momento, estamos fortalecendo essa rede de assistência. Nos próximos dias iremos expandir o PROVIDA, ambulatório que atende quem tentou suicídio, e inaugurar o novo CAPS da zona Sudeste. Ainda queremos conscientizar a população de que todos, com conhecimento e atitude acolhedora, podem contribuir com a prevenção do suicídio”, afirmou o gestor.

Para ter acesso aos leitos psiquiátricos do Hospital da Primavera, a pessoa deverá estar em situação de urgência psiquiátrica, como tentativa de suicídio, e ser atendida em hospitais públicos de Teresina. “Nesses casos, se houver necessidade, os médicos desses locais poderão solicitar a transferência do paciente para ser internado no Hospital da Primavera e receber cuidados mais intensivos antes de ter alta médica”, explica a gerente de saúde mental da FMS, Luanna Bueno.

O suicídio é um grave problema de saúde pública, que pode ocorrer por vários fatores e, segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos estão atrelados a transtornos mentais. “É preciso discutir e quebrar tabus, porque não falar sobre suicídio é tão nocivo quanto falar de maneira errada. A gente não pode divulgar casos isolados, mas pode falar sobre doenças mentais e onde buscar tratamento. Temos uma rede extensa que presta esse tipo de serviço”, finaliza Luanna Bueno.

Conheça a atual rede de assistência à saúde mental da FMS:

  • PROVIDA - ambulatório especializado que atende especificamente pessoas que tentaram suicídio e que fica localizado dentro do Centro de Saúde Lineu Araújo. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e atende por demanda espontânea.
  • Sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) - atendem pessoas com transtornos mentais severos e possuem equipe composta por psiquiatra, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional, assistente social e equipe de apoio. Nestes locais, são realizadas atividades em grupo, atendimentos individuais, oficinas terapêuticas e atendimento à família.
  • 90 Unidades Básicas de Saúde - podem atender casos de transtornos mentais leves e possuem médicos e enfermeiros capacitados para esse tipo de atendimento. Se houver necessidade, na própria Unidade a pessoa faz a marcação para se consultar com psicólogos e psiquiatras nos ambulatórios espalhados em Teresina.
  • SAMU 192 - Em caso de urgência psiquiátrica, como surto psicótico ou tentativa de suicídio, a população pode acionar o SAMU, por meio do número gratuito 192 ou ir por meios próprios para o Hospital Areolino de Abreu, que possui psiquiatras 24 horas e é o hospital referência em atendimento de urgência psiquiátrica. Outra opção é se dirigir aos CAPS.
  • ONGs:  Centro de Valorização da Vida (CVV) - telefone 188; Centro Débora Mesquita (CDM) - telefone: (86)99827-3343/ 98894-5742;  e Grupo Apoio Contato e Esperança (GRACE) – telefone: (86)3237-0077/3237-0202 são organizações filantrópicas que contribuem com a prevenção e posvenção do suicídio em Teresina.
Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/317405/teresina-implanta-leitos-para-internacao-de-pessoas-com-risco-de-suicidio

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Vulnerabilidade social e suicídio

Qual a relação entre o suicídio de crianças e adolescentes e a pobreza?


Clara Barreto (4 fevereiro 2020)

As taxas de suicídio entre jovens são mais altas em municípios americanos com índice elevado de pobreza. Além disso, essa associação foi particularmente proeminente para suicídios por armas de fogo. Essas foram as conclusões do estudo da Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States 2007-2016, publicado no JAMA Pediatrics.

Suicídio de crianças e adolescentes


O suicídio é a segunda principal causa de morte entre indivíduos de 10 a 19 anos nos Estados Unidos, e as taxas praticamente dobraram na última década. Os jovens em comunidades mais pobres correm maior risco de resultados negativos para a saúde. Todavia a associação entre suicídio pediátrico e pobreza não é bem conhecida. Portanto, para avaliar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza em municípios americanos, Hoffman e colaboradores analisaram, em estudo retrospectivo e transversal, os suicídios entre jovens de 5 a 19 anos ocorridos de 1° de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2016 nos Estados Unidos.

Os suicídios foram identificados por meio dos códigos da Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão (CID-10) oriundos do Centers for Disease Control and Prevention’s Compressed Mortality File. O número de óbitos foi contado anualmente. O desfecho primário foi a morte por suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. Os códigos incluíam auto-mutilação intencional. A análise dos dados foi realizada de 1° de fevereiro a 10 de setembro de 2019.

Os pesquisadores utilizaram um modelo de regressão binomial negativa multivariável para analisar a associação entre as taxas de suicídio pediátrico e a concentração de pobreza nos municípios, relatando taxas de incidência ajustadas (adjusted incidence rate ratios – aIRRs) com um intervalo de confiança de 95% (IC 95%). Foram controladas, por ano, as características demográficas das crianças que morreram (idade, sexo e raça/etnia), urbanidade do município e características demográficas do município (idade, sexo e composição racial).

De 2007 a 2016, um total de 20.982 jovens de 5 a 19 anos morreram por suicídio. Destes, 17.760 (84,6%) tinham entre 15 e 19 anos, 15. 982 (76,2%) eram do sexo masculino e 14.387 (68,6%) eram brancos de origem não-hispânica. A taxa anual de suicídios foi de 3,35 por 100.000 jovens de 5 a 19 anos.

No modelo multivariável, os municípios com concentrações de pobreza de 10% ou mais apresentaram taxas de suicídio mais altas de maneira gradual [10,0%-14,9%: aIRR, 1,25 (IC95%, 1,06-1,47); 15,0% -19,9%: aIRR, 1,30 (IC95%, 1,10-1,54); e 20,0% ou mais: aIRR, 1,37 (IC95%, 1,15-1,64)], comparados com os municípios com menor concentração de pobreza (0% -4,9%). Isto é, os municípios com taxas de pobreza de 20% ou mais tiveram 1,37 vezes mais suicídios por jovens a cada ano.

Os pesquisadores então analisaram as três formas mais comuns de suicídio durante o período do estudo (asfixia, armas de fogo e envenenamento). Não foi encontrada associação entre a taxa de suicídio por asfixia ou envenenamento e os níveis de pobreza. No entanto, os suicídios por armas de fogo tiveram a associação mais forte com a concentração de pobreza (aIRR, 1,87; IC 95%, 1,41-2,49), em municípios com concentração de pobreza de 20% ou mais em comparação com municípios com concentração de pobreza de 0% a 4,9%.


Os resultados do estudo de Hoffman e colaboradores sugerem que uma maior concentração de pobreza nos municípios está associada ao aumento das taxas de suicídio entre jovens de 5 a 19 anos. De acordo com os pesquisadores, esses achados podem orientar a pesquisa sobre fatores de risco associados ao suicídio pediátrico, visando ao incremento de esforços para sua prevenção.


Referência bibliográfica


Hoffmann JA, Farrell CA, Monuteaux MC, Fleegler EW, Lee LK. Association of Pediatric Suicide With County-Level Poverty in the United States, 2007-2016 [published online ahead of print, 2020 Jan 27]. JAMA Pediatr. 2020;10.1001/jamapediatrics.2019.5678. doi:10.1001/jamapediatrics.2019.5678

Fonte: https://pebmed.com.br/qual-a-relacao-entre-o-suicidio-de-criancas-e-adolescentes-e-a-pobreza/

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Espaço de escuta e de prevenção do suicídio: notável experiência em Portugal

A publicação da reportagem abaixo deve-se  ao fato de que a instituição abaixo descrita, a Associação Coração com Vida, é um grande espaço de escuta terapêutica, onde se acolhe pessoas às voltas com muitos dos problemas (e traumas) que induzem à violência e, principalmente, a violência autoprovocada. O notável é que este local de convivência e acolhimento é praticamente um complexo de serviços entrelaçados para servir às pessoas que os buscam. A se replicar mundo afora!

Associação Coração com Vida é um espaço onde pode encontrar alguém para conversar


Está aberto ao público nas Caldas da Rainha desde fevereiro de 2018 um espaço da Associação Coração com Vida, que tem por missão desenvolver projetos com impacto social positivo na região.


Marlene Sousa (29 janeiro 2020)

Tem ao dispor das pessoas aconselhamento e uma área de convívio que dispõe de jogos de tabuleiro, televisão e partilha à volta de um café ou chá e um bolo.

O espaço tem ainda um banco de roupa e de brinquedos e realizam-se oficinas de artes, workshops, palestras, seminários e partilham-se habilidades.

Raquel Martins e Lusiana Lima (voluntárias), e Paulo Francisco, pastor da Igreja e presidente da associação

É um projeto da Associação Coração Com Vida, uma organização sem fins lucrativos da Igreja Evangélica Baptista das Caldas da Rainha.

Embora a associação já tenha sido fundada em 2016, foi só em 2018 que a Igreja Baptista teve possibilidades para poder abrir um espaço preparado para receber as pessoas.

“O nosso objetivo é ajudar e ouvir as pessoas”, disse ao Jornal das Caldas, Paulo Francisco, pastor desta Igreja e presidente da mesa de assembleia da associação.

O que está na base do projeto é o combate à solidão que é transgeracional, não é só um problema dos idosos”, sublinhou o pastor, revelando que desde que o espaço abriu tem recebido dezenas de pessoas.

Paulo Francisco adiantou que o espaço nasceu porque identificaram uma série de “necessidades no concelho*, pois éramos frequentemente contactados por pessoas que nos batiam à porta porque precisavam de desabafar”.

Os principais problemas sinalizados tinham a ver com situações de depressão, tentativas de suicídio, violência doméstica, isolamento e desemprego.

No espaço da Associação Coração Com Vida também se faz a prevenção do suicídio. “Há muitas pessoas com falta de esperança e nós queremos mostrar que há esperança e há quem disponha do seu tempo para ajudar sem segundas intenções e sem querer nada em troca”, explicou o responsável. 

Outro problema apontado pelo pastor é a violência doméstica. “Nós nem imaginamos a quantidade de pessoas que sofrem nas Caldas da Rainha por causa de divergências familiares e vítimas de violência doméstica”. Paulo Francisco revelou que a Associação Coração com Vida foi apresentada à Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade como uma instituição que faz resposta em primeira linha a este problema.

Daí que o espaço da Associação que se localiza na Rua do Montepio, 2, tem na porta afixado um documento com informação às vítimas de violência doméstica, incentivando a pedirem ajuda através do número 800 202 148.

Devido às necessidades verificadas criaram um gabinete próprio reservado onde duas vezes por semana (terças e sextas-feiras, das 14 às 18h) está uma pessoa especializada com formação na área de psicologia que faz aconselhamento. “Não é uma consulta”, apontou o pastor, sublinhando que é “um tempo de escuta, que é muito importante porque as pessoas têm necessidade de falar e numa sociedade tão rápida onde as pessoas andam a correr atrás das coisas por vezes não damos a devida atenção a quem precisa de ser escutado”.

Paulo Francisco, que é pastor da Igreja Batista desde 2012, também faz aconselhamento a quem precisa. Tem formação em engenharia mecânica e reside e trabalha na Marinha Grande. 

O espaço funciona com 15 voluntários. “Nós já temos mais de três mil horas de voluntariado desde que inaugurámos a 17 de fevereiro de 2018”, revelou o presidente da Associação.

A Associação Coração Com Vida é uma estrutura complementar à rede de apoios que já existe na cidade, tornando-se assim num espaço aberto à comunidade onde as pessoas sabem que encontram alguém para conversar. E todos são bem-vindos, independentemente se estão ou não inseridos na Igreja Evangélica Baptista. “Nós já fazemos este trabalho em prol da comunidade dentro da Igreja há muitos anos, mas sendo uma igreja de cariz evangélico achamos que é uma barreira emocional, então considerámos importante abrir o espaço para acudir a esta necessidade que existe”, explicou.

Paulo Francisco garante que a intenção “não é levar as pessoas para a Igreja Evangélica Baptista das Caldas” e o convite à Associação Coração com Vida “é para todos que procuram alguém  que os escuta e a todos aqueles que se queiram juntar ao projeto como voluntários”, salientando que o tipo de atividades que possam vir a desenvolver vai depender muito da disponibilidade e propostas dos próprios voluntários.

A loja social vende roupa, malas, brinquedos e livros a um preço simbólico que varia entre os cinquenta cêntimos aos dois ou três euros e que reverte a favor da manutenção do espaço. “Mas quem venha buscar roupa e não tenha dinheiro para pagar não é por isso que não levam os artigos que necessitam”, referiu.

A Associação Coração com Vida não tem qualquer subsídio, vive através da ajuda da Igreja Evangélica Baptista e de contribuições que permitem suportar os custos do espaço (água, eletricidade, seguros) e pagamento da renda, que é de cerca de 700 euros por mês

Brevemente vão ter consultas sociais na área da nutrição, psicologia e neuropsicologia, onde os profissionais de saúde irão cobrar um valor mais simbólico do que é o habitual.

A Coração com Vida fez ainda uma parceria com a Associação para a Promoção da Prevenção do Abuso Sexual (SFPPP) com o intuito de levar às crianças das escolas do concelho formação e informação sobre a prevenção de abusos sexuais. A vice-presidente da SFPPP, Margarida Ferraz, realiza palestras informativas às crianças sobre “Abusos Sexuais”, de forma lúdica e clara, na linguagem de cada faixa etária. Há disponibilidade para realizar gratuitamente estas palestras nos agrupamentos escolares das Caldas e da região, para isso basta entrarem em contacto com a Associação Coração com Vida pelo tel. 262144 503.

A associação funciona de terça a quinta-feira, das 15h00 às 18h00, mas o objetivo é estender os horários assim que o número de voluntários o permitir.

O intuito é também abrir um segundo espaço noutro concelho com o intuito de dar resposta a mais pessoas que precisam.  

Nota: concelho, neste texto, é o mesmo que "divisão territorial, administrada por um município"

Fonte: https://jornaldascaldas.com/Associacao_Coracao_com_Vida_e_um_espaco_onde_pode_encontrar_alguem_para_conversar_

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Suicídios no DF caíram 15% em 2019, mas tentativas cresceram 22%


Especialistas avaliam que melhor maneira de prevenir o impulso emocional é o suporte familiar e de amigos quando sinais aparecerem


Caio Barbieri (26 janeiro 2020) caio.barbieri@metropoles.com

Quinze minutos antes de o despertador tocar, Karina [nome fictício] já está de pé para enfrentar a rotina. Organizar o material escolar dos dois filhos, preparar o café da manhã, lancheiras e se arrumar para o novo trabalho voltou a ser um costume para a consultora de marketing. Quem hoje acompanha a naturalidade com que ela enfrenta as responsabilidades não imagina que há poucos meses a mulher de 42 anos quase se deixou vencer por uma forte depressão.

A crise foi gerada após ser demitida inesperadamente de uma empresa para a qual dedicou os últimos anos. O sentimento de rejeição se somou às dívidas que se acumularam durante o período de desemprego, resultando até numa ordem de despejo do apartamento onde morava. “Deus me livre sentir isso novamente. Falar sobre isso, mesmo depois de superado, ainda me incomoda, me faz pensar como não pedi ajuda antes para sair daquele buraco. Acho que, na verdade, eu não conseguia enxergar que minha vida poderia voltar a ser normal, como está hoje”, confidenciou ao Metrópoles.

Nossa personagem é apenas uma das inúmeras pessoas que sofrem ou sofreram com a doença silenciosa e que, em grande parte, escolhem o suicídio como forma de estancar a dor. No caso de Karina, o diálogo e o suporte da família e de amigos foram os fatores determinantes para driblar o mal. Por sorte, ela não integra os registros oficiais da Secretaria de Saúde do DF.

No DF, para se ter ideia, entre 2018 e o ano passado, os casos de suicídios notificados oficialmente pelas autoridades caíram 15%: foram 170 casos em 2019, contra 200 no ano anterior. Os números foram computados até o dia 30 de dezembro. Embora haja o registro de decréscimo, os índices ainda são expressivos, uma vez que representam uma vida perdida a cada dois dias. Ainda segundo o mesmo relatório, os óbitos evitáveis têm incidência maior entre homens. O autoextermínio, ainda conforme dados oficiais, atingiu principalmente pessoas maduras, na faixa etária de 40 anos.

“Existem formas diferentes de lidar com os sofrimentos. As mulheres conseguem se abrir com mais facilidade. Geralmente, os homens são mais resistentes para falar de sentimento, principalmente quando é para pedir ajuda. Isso faz com que eles demorem mais a pedir e aceitar ajuda externa. Muitas vezes, a pessoa está passando por dificuldades, mas não se sente à vontade para falar sobre isso. É muito importante que, dentro do núcleo de confiança, especialmente no familiar, todos estejam atentos a comportamentos e mantenham o diálogo aberto”, explica André de Mattos Salles, psiquiatra da infância e adolescência do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Prevenção


Se por um lado a queda nos registros pode ser considerada um avanço, por outro, as tentativas de ceifar a própria vida cresceram 22%, segundo a Secretaria de Saúde. O Núcleo de Saúde Mental (Nusam) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal (Samu) contabilizou mais atendimentos relacionados ao suicídio no primeiro semestre de 2019 do que no mesmo período do ano anterior. Foram 792 chamados para tentativas e 219 por planejamento em 2019, contra 678 tentativas e 171 de ideação no ano anterior.

Os dois casos, tanto nas notificações de suicídio quanto de tentativas, ocorreram em maior número em setembro, justamente no período estabelecido pelo Ministério da Saúde para a realização da campanha de prevenção ao suicídio, o chamado de Setembro Amarelo. Os especialistas estão debruçados nos números, embora considerem que o assunto não pode ser tratado com a frieza matemática.

“Não dá para dizer qual é a causa do suicídio e nem por que está aumentando ou diminuindo. É o resultado de vários fatores individuais muito específicos. Existem fatores de risco, como transtornos mentais, a depressão, histórico familiar, abuso de substâncias, traços de personalidade e até história de vida, como abuso e negligência na infância. Por isso, temos os fatores de proteção, como a inserção social, para tentar inibir a atuação dos fatores de risco. Não dá para tratar de forma simplista”, explica a psiquiatra Fernanda Benquerer, coordenadora do Comitê Permanente de Prevenção do Suicídio do DF, órgão ligado à Secretaria de Saúde.

Pela importância do assunto, a médica especialista defende que toda a estrutura da rede pública de saúde esteja preparada para atender suspeitas ou tentativas a fim de evitar o suicídio. “Não é todo o serviço que vai tratar, acompanhar, cuidar, diagnosticar. Mas se você chega numa unidade básica, a pessoa precisa saber ouvir e saber como agir. A pessoa em risco de suicídio é um caso grave e precisa de um acompanhamento especializado. Para isso, temos os ambulatórios de atendimento mental, os CAPs [Centros de Atendimento Psicossocial], as emergências de pronto-socorro, o núcleo de saúde mental dentro do Samu. Temos todas essas redes para atenção psicossocial”, frisou a médica.

Ainda segundo ela, a Secretaria de Saúde do DF criou o Plano Distrital de Prevenção do Suicídio, aprovado em agosto de 2019. A especialista coordena o comitê desde dezembro de 2019, quando o grupo foi instituído por uma portaria distrital.

Valorização à vida


Voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Leila Herédia disse acreditar que o trabalho do grupo de ajuda também é importante na prevenção do suicídio. “Quando a pessoa não está bem, ela pensa na morte para se livrar daquela dor. Quando a pessoa fala, ela libera essa quantidade de emoções que está dentro dela”, disse.

Segundo Leila, políticas mundiais que deram certo precisam ser aplicadas no DF. “Falo do aumento do número de centros de saúde mental, o que garante mais acesso ao acompanhamento. No nosso caso, somos as chamadas help lines, que também são colocadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos três pilares para a prevenção ao suicídio. Outra coisa é criar barreiras para evitar o ato, que muitas vezes é resultado de uma impulsão. A gente não tem pretensão de substituir nenhum profissional de saúde, mas a gente quer ocupar o aqui e agora. É justamente o desabafo que evita essa impulsividade”, acredita.

Os mais de 100 voluntários que participam do projeto ouvem os desabafos de quem geralmente está sozinho e em momento de desespero, mas não podem indicar nenhum tipo de tratamento. Contudo, os especialistas que atuam na área de saúde orientam que, caso haja testemunho ou algum sinal de tentativa, que o Samu seja imediatamente acionado pelo telefone 192. Uma equipe multiprofissional irá até o local para avaliar e, a depender do caso, um acompanhamento passará a ser feito.

“A partir do momento que as pessoas conseguem identificar que não estão bem e que precisam de ajuda, já é meio caminho andado. É muito importante lembrar que esse momento é um processo de adoecimento. Durante a depressão, a pessoa tem a tendência de ver as situações de forma mais negativa. Esse julgamento crítico fica mais inibido e impede que a pessoa realmente perceba a situação em que se encontra”, reforçou o psiquiatra André de Mattos Salles.

Debate necessário


O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral.

Na avaliação do site, o silêncio camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o motivo que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.




Fonte: www.metropoles.com/distrito-federal/suicidios-no-df-cairam-15-em-2019-mas-tentativas-cresceram-22