terça-feira, 17 de março de 2020

CVV vai à praça: escuta, abraços, acolhimento

Metrobus promove 'plantão de escuta' do CVV nos Terminais do Eixo Anhanguera


Um serviço diferente estará disponível para os passageiros do transporte coletivo na tarde desta terça-feira (10/03/2020). Aqueles que quiserem tirar suas dúvidas sobre o trabalho do CVV ou simplesmente ter aquele papo agradável na espera do próximo ônibus poderão entrar em contatos com voluntários do “Plantão de Escuta” que estará no Terminal Praça da Bíblia à partir das 16h. A ação continua no Terminal do Dergo, na manhã da próxima sexta-feira (13/03).


A equipe do CVV irá atender à todos os interessados em tirar suas dúvidas ou conversarem sobre os mais variados temas. Aproximadamente 15 mil pessoas passam pelos Terminais neste período. A alta circulação de pessoas no horário é um fator positivo para o desenvolvimento da ação, segundo o voluntário Fernando Tolentino, que explica alguns detalhes da ação.

“O ‘plantão de escuta’ já é realizado em várias capitais do Brasil, utilizando espaços públicos para falar sobre o tema com pessoas. Em São Paulo, por exemplo, é realizado no Metrô da cidade”, pontua. “Colocamos uma pequena mesa no local e esperamos as pessoas nos abordam para iniciar um assunto”, explica.

Não é a primeira vez que uma ação como essa é realizada nos Terminais do Eixo Anhanguera. “Em setembro, em decorrência do Setembro Amarelo, o CVV esteve trabalhando voluntariamente dentro de alguns espaços no Eixo Anhanguera. Abrimos para que voltassem sempre que quisessem e agora em virtude do Mês da Mulher, eles retornam ao Praça da Bíblia para mais um dia de ação”, explicou Paulo Cezar Reis, presidente da Metrobus.

Sobre o CVV

O CVV presta serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os cerca de 3 milhões de atendimentos anuais são realizados por 3.000 voluntários em mais de 110 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação), ou pelo www.cvv.org.br via chat, e-mail ou carta. A entidade realiza também ações presenciais, como palestras, Curso de Escutatória e grupos de apoio a sobreviventes do suicídio – GASS (https://www.cvv.org.br/cvv-comunidade/).

Fonte: https://altairtavares.com.br/metrobus-promove-plantao-de-escuta-do-cvv-nos-terminais-do-eixo-anhanguera/

sexta-feira, 13 de março de 2020

Formação de agentes para prevenção ao suicídio: uma experiência da Igreja Católica

Igreja de Campo Grande trabalha na formação de agentes para prevenção ao suicídio


O projeto, que compreende cursos de capacitação à distância e Ministério da Escuta, ainda está em fase embrionária, adianta o arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa. O objetivo, porém, é motivar ainda mais pra uma Igreja Samaritana, como inspira a Campanha da Fraternidade deste ano no Brasil.

Andressa Collet (Cidade do Vaticano)

O Ginásio Poliesportivo Dom Bosco, em Campo Grande, recebeu cerca de 5 mil fiéis neste domingo (1/3/2020) para a missa de abertura oficial da Campanha da Fraternidade. Neste ano, o tema é inspirado na parábola do Bom Samaritano, narrada no Evangelho de Lucas, para motivar as pessoas a ter compaixão e a agir.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande, que presidiu a celebração,  encorajou as comunidades a olhar para as periferias existenciais, como sempre insiste o Papa Francisco, e agir concretamente através das diversas atividades das pastorais sociais.

“A nossa opção foi incentivar a cada comunidade, a cada paróquia, a escolher uma das pastorais sociais – ou mais, se preferirem – de acordo com a realidade de cada uma delas. Nós temos pastorais sociais já bem desenvolvidas, como é o caso da Pastoral da Criança, do Menor, da Saúde, Carcerária, da Pessoa Idosa. E nós queremos, então, que essas pastorais possam ser mais focadas e desenvolvidas nas diversas comunidades e paróquias. Que cada comunidade possa, segundo o lema da Campanha da Fraternidade, parar, ver, sentir compaixão e cuidar daqueles que mais precisam.”
Formar multiplicadores na prevenção ao suicídio

Na capital do Mato Grosso do Sul, em nível diocesano, a Igreja vai promover ações de prevenção ao suicídio. Uma delas é a promoção  de cursos de capacitação, inclusive como o modelo de Educação à Distância, para formar agentes que trabalhem na prevenção ao suicídio, dando continuidade ao projeto iniciado ainda em 2018.

“Como projeto diocesano, nós queremos dar continuidade a um trabalho já iniciado na Campanha de 2018 que tratou da superação da violência. Naquela ocasião, nós havíamos montado 11 grupos de trabalho pensando na superação da violência contra a criança, contra a mulher, contra a pessoa idosa, a questão do narcotráfico, do crime organizado, a violência contra os povos indígenas, a violência racial e um grupo particularmente novo na nossa região ganhou corpo que é o que pretendia trabalhar a prevenção contra o suicídio, que hoje é praticamente uma epidemia mundial. O Mato Grosso do Sul, até recentemente, tinha o segundo lugar no Brasil em índices percentuais; agora diminuiu um pouco, passou para terceiro lugar, mas, mesmo assim, o índice ainda é muito muito alto. Então, 2018, nós tivemos a oportunidade de promover vários cursos de prevenção ao suicídio, inclusive contando com a participação do pastor Reis, da Igreja Batista, que há 17 anos já realiza esse tipo de formação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Uma pessoa muito aberta ao ecumenismo, que está cedendo todo o material que acumulou durante todos esses anos. Ele também é capelão-bombeiro. De modo que agora nós queremos incentivar ainda mais na formação de agentes que possam estar trabalhando e sendo multiplicadores na prevenção do suicídio. E mais ainda: nós queremos criar um curso de Educação à Distância, modelo EaD, portanto, para formar pessoas que possam estar colaborando nessa prevenção ao suicídio em qualquer canto do Brasil que assim desejarem. Esse curso, naturalmente, será aberto a qualquer pessoa que queira. A prevenção de suicídio não é típica de católicos.”


Ministério da Escuta 24h por dia

A Arquidiocese está implementando a Pastoral Prevenção ao Suicídio. Quem quiser participar como voluntário, pode se inscrever em link disponível no próprio site, onde se encontra também endereço de e-mail e contato telefônico para outras informações.

Os suicídios, segundo especialidades no tema, são mais do que fatalidades. Pesquisas acadêmicas revelam que pelo menos 90% dos adolescentes que se matam têm algum tipo de problema mental que varia da depressão, a principal causa para suicídios nessa faixa etária, passando pela ansiedade, violência ou vício em drogas. O Ministério da Escuta, um serviço de acolhida também a esses problemas, será criado em Campo Grande, como antecipa Dom Dimas.

“Mas, queremos dar também uma matriz, um rosto especificamente católico e cristão para o Ministério da Escuta que nós pretendemos criar. Já estamos também com a grade bastante avançada e a ideia é ter centros de referência onde as pessoas possam encontrar ali, voluntários que, 24 horas por dia, estarão disponíveis para ouvir a qualquer um que venha simplesmente para desabafar, para falar das suas angústias. Naturalmente essas pessoas terão que ter feito o curso de prevenção ao suicídio, mas elas vão além, porque elas deverão ouvir também pessoas que tenham problemas familiares, violência doméstica e muitas outras coisas que não estão levando necessariamente a uma ideia à ação suicida, mas podem estar levando a angústias muito sérias, simplesmente por não terem com quem partilhar."
Ainda é um projeto embrionário, mas com a graça de Deus queremos dar passos significativos. Queremos nós mesmos nos tornarmos uma Igreja Samaritana para levar outros a parar, ver, compadecer-se e cuidar de quem precisa.
Fonte: www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-03/pastoral-prevencao-ao-suicidio-campo-grande-dom-dimas.html

quinta-feira, 12 de março de 2020

Carnaval e prevenção do suicídio: experiência em Belo Horizonte

Valorização da Vida no cortejo: o desafio de se abordar a Prevenção do Suicídio no carnaval em BH  

Um breve relato sobre a luta pela vida e a prevenção do suicídio!


Cristiane Santos de Souza Nogueira (3 março 2020)

O suicídio é um fenômeno que perpassa a história da humanidade, sendo considerado na atualidade como um problema de saúde pública. Desde 2003 a OMS instituiu o dia 10 de setembro como sendo o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. No Brasil, a campanha do setembro amarelo se iniciou em 2015 e tem ganhado força a cada ano. Tendo como slogan “Falar é a melhor solução” objetiva-se promover e ampliar espaços de sobre suicídio, sensibilizando a população para as questões do adoecimento mental e desconstruindo mitos que impedem que as pessoas busquem ajuda diante da dor emocional.

No entanto é importante que tais temas possam ser abordados durante todas as épocas do ano, uma vez os índices de adoecimento psíquico da população crescem no mundo todo e que é preciso conscientizar as pessoas para que aprendam a reconhecer e respeitar o sofrimento mental da mesma forma que reconhecem e respeitam o sofrimento e o adoecimento do corpo.

Em novembro de 2019 uma das organizadoras de um bloco de carnaval de Belo Horizonte fez contato com o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais solicitando orientações sobre como abordar a questão da prevenção do suicídio visto ser o tema escolhido pelo bloco para o cortejo de 2020.

Em sua 9ª edição, o bloco que desde 2012 carnavaliza BH levantando as bandeiras do amor, da diversidade, da alegria, do respeito e demarcando o posicionamento contra qualquer tipo de preconceito e manifestação de ódio, definiu ter como tema o SETEMBRO AMARELO “para lembrar as pessoas que a vida de cada um é muito importante".

Queremos dobrar nosso recado de afeto e trazer um tema que é por muitos ignorado. Avalia-se como uma atitude responsável do bloco buscar suporte profissional para levar esse tema para as ruas, demonstrando ter consciência sobre a necessidade se falar de maneira correta sobre um tema tão delicado. Nas chamadas para as atividades eu foram realizadas conjuntamente entre CRP e Bloco de carnaval, marca-se o convite para falar sobre o tema e para a responsabilidade de cada um na prevenção do suicídio e valorização da vida.

“É um tema tranquilo para ser tratado? NÃO! Qualquer um pode falar sobre? TAMBÉM NÃO! Para dar a devida seriedade e respeito ao assunto, contamos com o apoio do Conselho Regional de Psicologia … que já faz ações de prevenção ao suicídio e irá colaborar com a gente”.

"Na próxima segunda-feira, 13/01, vamos ter uma roda de conversa sobre Valorização da Vida. É muito importante que a banda vá em peso para saber mais do tema e conseguir levar uma mensagem da forma mais respeitosa possível”.

Ainda que não haja consenso entre a própria categoria da Psicologia, sobre os efeitos de campanhas e ações que envolvem a sociedade no tocante ao fenômeno do suicídio o CRP avaliou ser pertinente ofertar as orientações e suporte necessário para realização do cortejo, não podendo recuar ou se eximir desse debate, visto que a categoria profissional tem sido cada vez mais demandada no enfrentamento do suicídio.

Foi realizada uma reunião na sede do CRP para primeiros alinhamentos e definições em dezembro de 2019, com a primeira orientação norteadora: em se tratando de carnaval, o tema seria abordado pela Valorização da Vida, buscando formas de se passar a mensagem da prevenção do suicídio com leveza e da forma lúdica que a ocasião comporta.

O primeiro encontro, em janeiro de 2020, aconteceu em forma de roda de conversa, onde se buscou refletir sobre o fenômeno do suicídio considerando os aspectos epidemiológicos, demográficos, intrapessoais (transtornos mentais e comorbidades psiquiátricas), mas principalmente os aspectos interpessoais.

Ao discutir características do modo de vida contemporâneo foi possível deslocar o comportamento suicida dos fenômenos da patologização e medicalização da vida, reconhecendo que a nossa forma de viver comporta elementos que fazem sofrer o ser humano e que o comportamento suicida pode se apresentar como expressão da dor intensa e sofrimento emocional insuportável, estando presente ou próximo de cada pessoa que ali podia se expressar. Buscou-se desconstruir mitos sobre o fenômeno do suicídio, apresentando fatores de risco e de proteção, legitimando que as pessoas são capazes de reconhecer sinais de sofrimento emocional, mas que para isso é preciso investir mais na convivência, na disponibilidade de escutar sem julgamento e de ofertar apoio e suporte emocional.

Reiterou-se que é preciso fortalecer as redes de apoio, ofertar canais e ferramentas de apoio, legitimar a importância de se buscar ajuda profissional quando necessário e de construir saídas locais, mapeando os recursos e dispositivos disponíveis nos territórios de pertencimento.

O segundo encontro se deu em formato de oficina abordando Valorização da Vida, contando com a colaboração da conselheira do CRP e de uma jornalista que contextualizou a chita enquanto tecido de resistência subversiva, resistência político afetiva na história do Brasil desde a colonização.  O bloco não usa abadás ou fantasias, sendo instituído o uso da chita para confecção de roupas e adereços para seus integrantes.

A jornalista ao citar Walter Benjamin e sua obra “a história dos vencidos”, fala da chita em sua cesura, fazendo um recorte na história e demonstrando o descontínuo do tecido do povo. 

Originalmente da Índia, a Chintz foi levada para a Europa no século XVI por Vasco da Gama, sendo um tecido nobre e tão caro quanto a seda. Suas cores e figuras acompanham e interpretam a cultura local, sofrendo alterações pelos países por onde passa.

Considerada mais que um tecido, um padrão, amplamente usado na decoração, na porcelana e na impressão de tecidos nobres, a Chita chega ao Brasil no século XVII, havendo uma proibição de sua produção pela coroa de Portugal, uma vez que os nobres só podiam comprar tecidos da Europa. Tal proibição não impediu que os escravos produzissem o tecido em teares escondidos, sendo usado também pelos os índios, passando a ser considerado no Brasil como pano de pobre, dos rejeitados enquanto em Portugal se realiza concursos de vestido de chita.

Para os africanos que aqui estavam, a chita era um tecido carregado de memória afetiva, por a resistência em continuar tecendo. Os inconfidentes se vestiam de chita quando protestavam nas ruas da antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto nas Minas Gerais.  Assim passa a ter a conotação de subversão e no século XIX vem nova ordem de proibição de qualquer tecido em MG, que teve a primeira grande industria dedicada à produção de chita.


“O não conformismo nas roupas tende naturalmente a expressar o não conformismo em ideias sociais e políticas”. (Flugel)

Contextualizando a chita, a essência do bloco estava colocada. Assim, como a Valorização da Vida seria a tônica da abordagem da prevenção do suicídio no cortejo de carnaval, definiu-se pelo uso de chitas em cor amarela, tecidos com girassol e do próprio girassol como símbolo para 2020. Tornou-se oportuno também contextualizar sobre o uso da cor amarela e do girassol como símbolos da campanha da prevenção do suicídio no Brasil e no mundo.

POR QUE O GIRASSOL?

Setembro: início da primavera, estação das flores e da esperança. Pesquisas comprovaram que pessoas que moram em lugares bruscos, com pouco Sol, podem desenvolver tendências à Depressão.

Assim, o girassol é a flor da campanha da Prevenção do Suicídio justamente por acompanhar a alegria e a vitalidade da luz solar.

Nos campos, em dias nublados, os girassóis se voltam uns para os outros, buscando a energia em cada um.

Não ficam murchinhos, nem de cabeça baixa. Olham uns para os outros … Erguidos, lindos.

Nos ensinam que olhar para o outro, pode fazer toda diferença em nossas vidas, afinal a convivência é nossa força motriz. Seu miolo gera centenas de sementes, que produzem tantos outros novos girassóis! Semear esperança e muitos afetos é para o ser humano, sentido de vida!

Se não temos sol todos os dia, temos uns aos outros…
Que sejamos girassóis todos os dias!!!

Nesse segundo encontro abordou-se algumas atitudes e falas que devem ser evitadas ao se abordar o tema, ressaltou-se a importância da escuta ativa e de se apontar canais de ajuda e construção de saídas para pessoas que apresentem sinais de dor e sofrimento emocional. Depois de um brain storm coletivo, de frases, palavras e ideias com os presentes, foram selecionadas frases de impacto a serem usadas no cortejo:

    – Aguente firme, Você não está só!

    – Você tem o poder de dizer ‘não é assim que minha história termina’

    – Pare e respire, há opções melhores, e muitas pessoas que te amam

    – Mesmo que as coisas estejam difíceis, sua vida importa; você é uma luz brilhante em um mundo escuro, então, aguente firme.

    Valorizar a vida é…

    É ligar quando sentir saudades.

    É não ignorar um pedido de ajuda.

    É ouvir sem julgar.

    É respeitar as escolhas e vontades.

    É dizer que ama.

A comunicação entre a COMORG e a conselheira referência do CRP se manteve ativa para troca de ideias, construção de frases, mensagens e estratégias a serem usadas no cortejo. Através da revisão da playlist, definiu-se momentos de marcação sobre o tema durante o trajeto. Foi construído um release, um texto que foi disponibilizado a todos os integrantes do bloco, para que todos se preparassem para possíveis interpelações e questionamentos que pudessem surgir, antes, durante e após o cortejo, visto ser uma atitude ousada e polêmica um bloco de carnaval que abordar a prevenção do suicídio.

“O bloco do Batiza, com suas chitas que espalham resistência e empatia pelo carnaval de BH decidiu abordar a valorização da vida no seu cortejo de 2020. O tema da prevenção do suicídio ainda é polêmico, envolvido em muitos mitos e julgamentos morais e muitas pessoas têm medo de falar sobre o assunto. É preciso disseminar a mensagem de que a vida vale a pena, de existem razões para viver. É desconstruir as ideias em torno do sofrimento emocional, levando a sociedade a respeitar e reconhecer a dor da alma da mesma forma que reconhece a dor do corpo.

Dessa forma, as pessoas irão parar de esconder sua dor interna, falando e recebendo orientação, procurando ajuda profissional se for necessário. O suicídio é um problema de saúde pública no mundo inteiro, sendo o final de um processo de sofrimento insuportável.

Estima-se que 90% dos casos sejam evitáveis mas para seu enfrentamento é preciso o envolvimento de todos os atores sociais, que auxiliem as pessoas que sofrem de desesperança, de desamparo, de desespero a construírem saídas e alternativas para a vida. As pessoas podem aprender a reconhecer sinais e sintomas da dor emocional que não é visível aos olhos e só pode ser identificada através da convivência, das relações.

Precisamos de mais afetos e menos telas. De mais trocas e acolhimento e menos individualismo. É possível aprender a ofertar apoio, a ofertar escuta e acolhimento. Para isso, é preciso encarar as ameaças com seriedade, ajudar a pessoa a avaliar a situação, explorando soluções e dando orientações concretas para preservar a vida.

Para tanto, é preciso antes de tudo, procurar compreender (sem juízo de valor), ofertar disponibilidade de escuta sem repressões e sem ser invasivo, apontando canais de apoio como o CVV,  serviços e profissionais de saúde mental.  FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO E A CONVIVÊNCIA É A MELHOR SOLUÇÃO, se acreditamos e valorizamos a vida! Sejamos boas energias! Sejamos girassóis!” Vamos amarelar nossas chitas e as ruas por onde passarmos.

BLOCO DO BATIZA

Outras ações estavam planejadas para o cortejo como entrega de adesivos e de sementes de girassóis com frases de esperança, porém, com os problemas vivenciados pelos blocos de BH, às vésperas do início do carnaval, com

As repercussões resultaram em comprovar que é possível abordar a temática com seriedade e responsabilidade, através de orientações técnicas e com embasamento científico, em contextos diversos, com leveza e transmitindo mensagem de esperança. Pensando que as saídas devem ser locais, que as micro políticas podem operar transformações…

Essa experiência buscou efetivar a encomenda inicialmente formulada ao CRP, conjugando a essência do bloco com suas a chitas, com o amarelo do girassol na perspectiva da Valorização da Vida e da Prevenção do Suicídio, de forma lúdica, propiciando a sensibilização sem mobilizar resistências e defesas frente a um tema que toca a todos de forma tão profunda. Um cortejo de carnaval como resistência e subversão aos processos de medicalização e patologização, para uma aposta de vivencias afetivas, de fortalecimento de vínculos, do estreitamento dos laços de convivência. Uma aposta nas tecnologias leves, na melhoria da qualidade de vida das pessoas, que só é possível pelas relações, afinal o ser humano é ser gregário, que se abastece da luz, do calor e da energia de outros seres humanos.

Texto e Fotografia:
Cristiane Santos de Souza Nogueira,
Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais
Especial para os Jornalistas Livres

Edição da matéria:
Leonardo Koury Martins, Jornalistas Livres

Fonte: https://jornalistaslivres.org/valorizacao-da-vida-no-cortejo-o-desafio-de-se-abordar-a-prevencao-do-suicidio-no-carnaval-em-bh/

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Ver, compadecer, cuidar... Campanha da Fraternidade 2020: união em favor da vida!

Com o objetivo de valorização à vida em várias esferas, Campanha da Fraternidade é lançada em Brusque

Bruno da Silva (26 fevereiro 2020)

Com o compromisso de valorização à vida, a paróquia São Luiz Gonzaga lançou nesta quarta-feira, 26, a Campanha da Fraternidade 2020. O pároco Diomar Romaniv destacou que o projeto de dignificação da vida é um projeto não só da igreja, mas de toda a sociedade e que existem muitos grupos, cristãos ou não, que celebram esses valores.

“Queremos motivar para que as pessoas consigam dar passos para ajudar o próximo como pode, de mãos unidas no mesmo no projeto de cuidar e promover a vida”, diz. O lema da campanha nacional é ‘Viu, sentiu compaixão e cuidou dele’.

Estiveram presentes no lançamento da campanha também a vice-presidente da Ação Social Paroquial São Luiz Gonzaga, Maria Aparecida Frainer, o comandante do Corpo de Bombeiros de Brusque, Jacson de Souza, além de dois voluntários do Centro de Valorização da Vida de Brusque (CVV), José Airton Leopoldino e Luciana Raimundo Marcos.

Maria Aparecida destacou o trabalho realizado pela Ação Social com a população carente da região, de outras cidades que se mudaram para a cidade e também de outros países. O grupo funciona com o trabalho de uma assistente social e o apoio de voluntários na distribuição de roupas e alimentos. O atendimento acontece três vezes por semana e atende 30 pessoas por dia.

“O tema da Campanha da Fraternidade leva a reflexão sobre três verbos: ver, compadecer e cuidar, e é exatamente isso que a Ação Social da paróquia faz. A Ação Social é o primeiro lugar que as pessoas que vem de fora procura, porque ele precisam de alimentos e roupas. Os voluntários que atendem são capacitados para se colocar no lugar dessas pessoas”, explica.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar por telefone, email e chat. Luciana destaca que o centro desenvolve um trabalho de acolher sem julgar.

“Quem nos liga, busca desabafar, conversar. O anonimato também faz com que muitas pessoas acabem contando suas histórias, seus problemas. Quem chega à nós, é acolhido. Nós conseguimos saber do sucesso do trabalho, porque, dentro da nossa história de 58 anos, as mesmas pessoas ligam de volta agradecendo pelo efeito positivo que isso causou na vida delas”, relata.

Ela também ressalta que o CVV trabalha em busca de realçar o talento e habilidade das pessoas. “As vezes é preciso conversar para reorganizar as ideias e fazer as pessoas reconhecerem seus potenciais”, ressalta.

O comandante do Corpo de Bombeiros falou também sobre o papel da corporação na valorização da vida. “Buscamos acima de tudo preservar as pessoas. Somos apenas uma pequena peça dessa engrenagem, que se chama vida. Os bombeiros militares tentam contribuir aquelas pessoas que buscam atendimento e uma forma de ser ouvidos, em alguns momentos”, conta.

Fonte: https://omunicipio.com.br/com-o-objetivo-de-valorizacao-a-vida-em-varias-esferas-campanha-da-fraternidade-e-lancada-em-brusque/

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Curso sobre “Prevenção do Suicídio e mundo acadêmico” é promovido na Unioeste, em Cascavel-PR

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), promove o curso “Prevenção do Suicídio e mundo acadêmico” nos dias 2 e 3 de março de 2020, das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17 horas no Miniauditório II da Unioeste.

O curso será presidido pela professora Dione Menz, que é enfermeira e psicóloga, professora da Universidade Federal do Paraná, setor de educação profissional e tecnológica (SEPT). Tem aproximação com as áreas de Saúde Coletiva, Saúde Mental, Saúde da Família, Reforma Psiquiátrica, Drogadição, Prevenção do Suicídio, Psicologia Comunitária e Tecnologias na Educação.


O curso está sendo promovido pela direção do campus de Cascavel, Pronto Atendimento Psicopedagógico e Saúde Integrada (PAPSI) e o colegiado de Ciências Biológicas.

Programação


02/03/2020
Prevenção do Suicídio e o Mundo Acadêmico - Professores e profissionais.
Horário: 8 às 17h
Local: Mini Auditório 3 
Campus Cascavel

03/03/2020

Prevenção do Suicídio e o Mundo Acadêmico - Graduandos, pós-graduandos e demais profissionais.
Horário: 8 às 17h
Local: Mini Auditório 3 
Campus Cascavel

Currículo da Profª Dione Maria Menz


Dione é professora da Universidade Federal do Paraná, Setor de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT). Doutoranda em Educação - UFPR. Mestra em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná (2012), especialista em Saúde Mental Comunitária pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1996). Graduada em Psicologia (1994) e em Enfermagem e Obstetrícia (1987) ambas pela Universidade Federal do Paraná. Atualmente é coordenadora do projeto de extensão "Núcleo Interdisciplinar de Enfrentamento a Drogadição da UFPR (NIED)" e do Projeto de Extensão "Luto e Prevenção do Suicídio", vice coordenadora do projeto de pesquisa "Centro Regional de Referência para Formação em Políticas Sobre Drogas UFPR (CRR)". Tem aproximação com as áreas de Saúde Coletiva, Saúde Mental, Saúde da Família, Reforma Psiquiátrica, Drogadição, Prevenção do Suicídio, Psicologia Comunitária e Tecnologias na Educação.

Link para inscrição: https://midas.unioeste.br/sgev/eventos/prevencao_suicidio

E-mail para contato: ana.bittencourt@unioeste.br

Alerta! Eutanásia tem vínculo com o suicídio e a sua prevenção...

A fundamentação em 21 pontos do não à eutanásia 


O debate sobre a eutanásia traduz um sensível conflito de valores e uma mudança radical de paradigma da sociedade, que exige um referendo.

Como contributo construtivo para este importantíssimo debate, desenvolvo em sintéticos 21 pontos a fundamentação para o não à eutanásia e para a necessidade de um referendo sobre esta matéria, que não é, nem pode ser, uma questão política partidária ou sectária.

O que está em causa não é meramente uma “liberdade individual de escolha” mas sim uma mudança radical dos valores, dos princípios e da estrutura da sociedade em que vivemos. Da total proibição de matar passaremos a viver numa sociedade que permite matar, sem fronteiras bem definidas e que se vão alargando progressivamente. Tão complexa e marcante decisão só pode ser tomada em referendo e após um debate nacional, não apenas alguns debates elitistas, porque nos vai afetar a todos.

1) O conceito de “morrer com dignidade” não pode ser indevidamente associado à antecipação da morte. A vida e a morte são sempre dignas na sua essência, independentemente dos contextos. A dignidade reside nas próprias pessoas, não no tipo de morte.

2) O projeto de Lei do PS, por exemplo, permite que a eutanásia seja requerida por “pessoa, maior, em situação de sofrimento extremo, com lesão definitiva ou doença incurável e fatal”, havendo a consciente preocupação de não referir doentes terminais e aceitando a antecipação da morte em dias, semanas, meses ou anos, numa subjetividade extrema e perigosa de definições.

3) Refere-se habitualmente que a defesa da eutanásia é uma questão de defesa da liberdade individual escolha. Porém, quem o afirma cai em enorme contradição, pois, afinal, são colocadas imensas restrições à decisão individual, que depende, nomeadamente, de parecer médico e de uma comissão, pelo que o conceito de defesa da liberdade individual, não colhe.

4) É curioso o modo ilusório de utilização da conceção de “escolha pessoal”. A “escolha” da morte não é uma opção, mas sim o resultado da “exclusão” externa de todas as outras opções. De igual modo, ao contrário do que muitos ainda pensam, o suicídio não é um ato de coragem mas sim de desespero ou de pedido de ajuda.

Ainda assim, para ser uma genuína “escolha” significaria que, primeiro, todos teriam de ter direito a optar pelos cuidados paliativos precoces e ter acesso a cuidados domiciliários e apoios sociais adequados, para não fragilizar e pressionar os mais vulneráveis a recorrer, afinal, à única “opção” disponível, pedirem para serem mortos, o que seria profundamente antissocial.

5) Afirma-se que “os cuidados paliativos não eliminam por completo o sofrimento”, como se fosse possível alguém ter uma vida sem sofrimento e como se devêssemos perseguir uma vida sem sofrimento, desde logo uma irreal impossibilidade. Com os recursos farmacológicos e tecnológicos atualmente existentes faz ainda menos sentido falar-se em dor descontrolada ou incontrolável.

Sem aprofundar o tema, recordamos que Marguerite Yourcenar disse que o prazer e a dor são duas sensações vizinhas e Sófocles afirmou que o que nos liberta do sofrimento da vida é o amor.

Quem, como e onde? O que propõem os partidos sobre eutanásia

6) Persiste uma enorme confusão de conceitos. Note-se que dois em cada três adultos do Quebec pensa que eutanásia é a simples retirada de tratamento, o que não é verdade. Também em Portugal, muitas pessoas defendem a eutanásia com base neste mesmo erro.

7) Os defensores da eutanásia recusam a via francesa, da sedação terminal/paliativa a pedido sem indução deliberada da morte. A sedação terminal ultrapassa todos os argumentos dos defensores da eutanásia, sem ser necessário alterar a legislação e o paradigma da sociedade. Apenas fica menos barata.

8) Ignora-se a real experiência de outros países e a verdadeira rampa deslizante a que deu origem a aprovação da eutanásia e a extensão da inerente cultura, com aumento progressivo de pessoas eutanasiadas, mesmo sem ser a pedido. Não são especulações ou ilegítimos temores, é a realidade, que a seguir se descreve.

9) Não há salvaguardas eficazes para o doente potencialmente submetido a bullying familiar no sentido de pedir a eutanásia para “deixar de ser um fardo”... Esta matéria é tanto mais sensível quanto se sabe que os idosos têm uma particular dificuldade/inibição em se queixarem dos maus tratos e pressões que recebem. Os defensores da eutanásia sabem que muitas pessoas em situação mais frágil e de maior dependência vão ser “massacradas” para “pedirem” a eutanásia, mas não se importam. A aprovação deste “direito individual” iria colidir frontalmente com o “direito coletivo” das pessoas não serem pressionadas a “pedirem” a sua eutanásia. E não há salvaguarda legal que o impeça!

10) Devido ao segredo médico, a família de um doente pode em qualquer altura ser surpreendida pela informação de que um seu familiar foi eutanasiado, sem sequer ter uma hipótese de o ajudar. O caso de Tom Mortier, completamente surpreendido pela eutanásia da mãe, que pediu para ser morta por sofrer de uma depressão, é paradigmático, tendo avançado com um processo contra o Estado belga no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

11) Na Bélgica e na Holanda a eutanásia tem sido aplicada a doentes mentais, incluindo síndroma de asperger, distúrbios da personalidade, doentes que nunca tiveram sequer uma hospitalização por doença psiquiátrica e casos com forte componente de isolamento social e solidão, sugerindo que a eutanásia foi aplicada como um substituto para um efetivo suporte psicossocial. Discute-se agora a extensão da eutanásia às demências. Progressivamente a eutanásia vai sendo transformada numa “terapêutica” simples, barata e eficaz...

12) A sociedade pode desistir de programas de prevenção do suicídio, que representa um grave problema de saúde pública, e passar até a facilitá-lo. O"cansaço da vida" pode ser uma razão cada vez mais comum para as pessoas escolherem o suicídio assistido.

13) Atualmente, na Holanda, já se antecipa a criação de uma clínica especializada na eutanásia infantil e Eduard Verhagen, um dos arquitetos do Protocolo de Groningen, relativo à eutanásia infantil, considera que algumas crianças com menos de 12 anos estão aptas a tomar a decisão sobre a sua própria eutanásia.

14) A cultura da eutanásia será naturalmente transmitida aos doentes e será mais uma forma de indução do pedido. A aprovação cultural pode servir como um incentivo para o suicídio. Muitos doentes poderão ser avaliados por médicos que não os conhecem e a quem foram referenciados apenas para avaliação da eutanásia, uma decisão simplificada se o médico for favorável à solução. Na Holanda, a eutanásia tornou-se num tratamento normal.

15) Uma elevada percentagem de casos de eutanásia não são reportados porque os médicos não os considerarão como verdadeira eutanásia, sendo muitas vezes os fármacos administrados por enfermeiros (BMJ, 2010; 341: c5174). É uma ilusão pensar que salvaguardas e controlos legais evitam abusos e a verdade é que as transgressões identificadas nunca foram julgadas.

16) Na prática, atribui-se ao médico o poder legal de matar. A relação médico-doente pode ser afetada, perturbando a confiança do doente e da família do doente no médico. “A ideia da medicina como uma profissão que encarna um compromisso comum para cuidar de pessoas que estão doentes e debilitados, de modo a restaurar sua saúde, vai desaparecer rapidamente da memória” (JAMA, 2016; 315: 247-8).

17) A morte assistida não é compaginável com o conceito de ato médico aprovado pela União Europeia dos Médicos Especialistas (UEMS).

18) Com a Declaração Antecipada de Vontade, ou o recurso ao (não) Consentimento Informado, o doente tem a tranquilidade de saber que nunca será submetido a tratamentos ou intervenções que não pretenda ou que possam configurar distanásia.

19) Afirmam alguns que a aprovação da eutanásia é um progresso civilizacional e dão os exemplos dos países que já a aprovaram, que são uma esmagadora minoria! Porque não se referem os países que a recusaram, como a França e a Finlândia, mais recentemente, e todos os outros? Já agora, para correção, a Suíça não aprovou a eutanásia, mas apenas o suicídio assistido.

20) O grande progresso da civilização foi a defesa da vida! Modificar um dos pilares centrais dos valores da sociedade, do edifício do Direito e dos princípios milenares da Medicina, que evoluíram para uma efetiva salvaguarda do direito das pessoas à vida, à sua dignidade como pessoas e a uma vida que cumpra os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seria mudar radicalmente a estrutura e o modelo da Sociedade em que vivemos, com consequências facilmente (im)previsíveis.

21) Porque o que está em causa não é meramente uma “liberdade individual de escolha” mas sim uma mudança radical dos valores, dos princípios e da estrutura da sociedade em que vivemos, pois da total proibição de matar passamos a viver numa sociedade que permite matar, sem fronteiras bem definidas e que se vão alargando progressivamente, tal decisão só pode ser tomada em referendo. Afinal, quem tem medo deste debate e da decisão livre e esclarecida do povo?

*José Manuel Silva é médico, especialista em medicina interna e foi bastonário da Ordem dos Médicos entre 2011 e 2017

Fonte: https://rr.sapo.pt/2020/02/16/pais/a-fundamentacao-em-21-pontos-do-nao-a-eutanasia/noticia/182189/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Conquistas relevantes de saúde pública no Piauí privilegia a saúde mental

Teresina implanta leitos para internação de pessoas com risco de suicídio


A Fundação Municipal de Saúde (FMS) iniciou a implantação de oito novos leitos psiquiátricos no Hospital da Primavera, zona norte de Teresina, destinados, prioritariamente, à internação de pessoas com alto risco para suicídio. A adequação do espaço, prevista para ser concluída em 70 dias, fará de Teresina a capital pioneira no Brasil a implantar leitos específicos para esse cuidado. O dado foi divulgado pela Gerência de Saúde Mental, após pesquisa junto às outras capitais brasileiras.

O presidente da FMS, Charles Silveira, afirma que a ação vai beneficiar a população que está em sofrimento mental. “Nesse momento, estamos fortalecendo essa rede de assistência. Nos próximos dias iremos expandir o PROVIDA, ambulatório que atende quem tentou suicídio, e inaugurar o novo CAPS da zona Sudeste. Ainda queremos conscientizar a população de que todos, com conhecimento e atitude acolhedora, podem contribuir com a prevenção do suicídio”, afirmou o gestor.

Para ter acesso aos leitos psiquiátricos do Hospital da Primavera, a pessoa deverá estar em situação de urgência psiquiátrica, como tentativa de suicídio, e ser atendida em hospitais públicos de Teresina. “Nesses casos, se houver necessidade, os médicos desses locais poderão solicitar a transferência do paciente para ser internado no Hospital da Primavera e receber cuidados mais intensivos antes de ter alta médica”, explica a gerente de saúde mental da FMS, Luanna Bueno.

O suicídio é um grave problema de saúde pública, que pode ocorrer por vários fatores e, segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos estão atrelados a transtornos mentais. “É preciso discutir e quebrar tabus, porque não falar sobre suicídio é tão nocivo quanto falar de maneira errada. A gente não pode divulgar casos isolados, mas pode falar sobre doenças mentais e onde buscar tratamento. Temos uma rede extensa que presta esse tipo de serviço”, finaliza Luanna Bueno.

Conheça a atual rede de assistência à saúde mental da FMS:

  • PROVIDA - ambulatório especializado que atende especificamente pessoas que tentaram suicídio e que fica localizado dentro do Centro de Saúde Lineu Araújo. O local funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e atende por demanda espontânea.
  • Sete Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) - atendem pessoas com transtornos mentais severos e possuem equipe composta por psiquiatra, psicólogo, enfermeiro, terapeuta ocupacional, assistente social e equipe de apoio. Nestes locais, são realizadas atividades em grupo, atendimentos individuais, oficinas terapêuticas e atendimento à família.
  • 90 Unidades Básicas de Saúde - podem atender casos de transtornos mentais leves e possuem médicos e enfermeiros capacitados para esse tipo de atendimento. Se houver necessidade, na própria Unidade a pessoa faz a marcação para se consultar com psicólogos e psiquiatras nos ambulatórios espalhados em Teresina.
  • SAMU 192 - Em caso de urgência psiquiátrica, como surto psicótico ou tentativa de suicídio, a população pode acionar o SAMU, por meio do número gratuito 192 ou ir por meios próprios para o Hospital Areolino de Abreu, que possui psiquiatras 24 horas e é o hospital referência em atendimento de urgência psiquiátrica. Outra opção é se dirigir aos CAPS.
  • ONGs:  Centro de Valorização da Vida (CVV) - telefone 188; Centro Débora Mesquita (CDM) - telefone: (86)99827-3343/ 98894-5742;  e Grupo Apoio Contato e Esperança (GRACE) – telefone: (86)3237-0077/3237-0202 são organizações filantrópicas que contribuem com a prevenção e posvenção do suicídio em Teresina.
Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/317405/teresina-implanta-leitos-para-internacao-de-pessoas-com-risco-de-suicidio