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sexta-feira, 13 de março de 2020

Formação de agentes para prevenção ao suicídio: uma experiência da Igreja Católica

Igreja de Campo Grande trabalha na formação de agentes para prevenção ao suicídio


O projeto, que compreende cursos de capacitação à distância e Ministério da Escuta, ainda está em fase embrionária, adianta o arcebispo de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa. O objetivo, porém, é motivar ainda mais pra uma Igreja Samaritana, como inspira a Campanha da Fraternidade deste ano no Brasil.

Andressa Collet (Cidade do Vaticano)

O Ginásio Poliesportivo Dom Bosco, em Campo Grande, recebeu cerca de 5 mil fiéis neste domingo (1/3/2020) para a missa de abertura oficial da Campanha da Fraternidade. Neste ano, o tema é inspirado na parábola do Bom Samaritano, narrada no Evangelho de Lucas, para motivar as pessoas a ter compaixão e a agir.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande, que presidiu a celebração,  encorajou as comunidades a olhar para as periferias existenciais, como sempre insiste o Papa Francisco, e agir concretamente através das diversas atividades das pastorais sociais.

“A nossa opção foi incentivar a cada comunidade, a cada paróquia, a escolher uma das pastorais sociais – ou mais, se preferirem – de acordo com a realidade de cada uma delas. Nós temos pastorais sociais já bem desenvolvidas, como é o caso da Pastoral da Criança, do Menor, da Saúde, Carcerária, da Pessoa Idosa. E nós queremos, então, que essas pastorais possam ser mais focadas e desenvolvidas nas diversas comunidades e paróquias. Que cada comunidade possa, segundo o lema da Campanha da Fraternidade, parar, ver, sentir compaixão e cuidar daqueles que mais precisam.”
Formar multiplicadores na prevenção ao suicídio

Na capital do Mato Grosso do Sul, em nível diocesano, a Igreja vai promover ações de prevenção ao suicídio. Uma delas é a promoção  de cursos de capacitação, inclusive como o modelo de Educação à Distância, para formar agentes que trabalhem na prevenção ao suicídio, dando continuidade ao projeto iniciado ainda em 2018.

“Como projeto diocesano, nós queremos dar continuidade a um trabalho já iniciado na Campanha de 2018 que tratou da superação da violência. Naquela ocasião, nós havíamos montado 11 grupos de trabalho pensando na superação da violência contra a criança, contra a mulher, contra a pessoa idosa, a questão do narcotráfico, do crime organizado, a violência contra os povos indígenas, a violência racial e um grupo particularmente novo na nossa região ganhou corpo que é o que pretendia trabalhar a prevenção contra o suicídio, que hoje é praticamente uma epidemia mundial. O Mato Grosso do Sul, até recentemente, tinha o segundo lugar no Brasil em índices percentuais; agora diminuiu um pouco, passou para terceiro lugar, mas, mesmo assim, o índice ainda é muito muito alto. Então, 2018, nós tivemos a oportunidade de promover vários cursos de prevenção ao suicídio, inclusive contando com a participação do pastor Reis, da Igreja Batista, que há 17 anos já realiza esse tipo de formação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Uma pessoa muito aberta ao ecumenismo, que está cedendo todo o material que acumulou durante todos esses anos. Ele também é capelão-bombeiro. De modo que agora nós queremos incentivar ainda mais na formação de agentes que possam estar trabalhando e sendo multiplicadores na prevenção do suicídio. E mais ainda: nós queremos criar um curso de Educação à Distância, modelo EaD, portanto, para formar pessoas que possam estar colaborando nessa prevenção ao suicídio em qualquer canto do Brasil que assim desejarem. Esse curso, naturalmente, será aberto a qualquer pessoa que queira. A prevenção de suicídio não é típica de católicos.”


Ministério da Escuta 24h por dia

A Arquidiocese está implementando a Pastoral Prevenção ao Suicídio. Quem quiser participar como voluntário, pode se inscrever em link disponível no próprio site, onde se encontra também endereço de e-mail e contato telefônico para outras informações.

Os suicídios, segundo especialidades no tema, são mais do que fatalidades. Pesquisas acadêmicas revelam que pelo menos 90% dos adolescentes que se matam têm algum tipo de problema mental que varia da depressão, a principal causa para suicídios nessa faixa etária, passando pela ansiedade, violência ou vício em drogas. O Ministério da Escuta, um serviço de acolhida também a esses problemas, será criado em Campo Grande, como antecipa Dom Dimas.

“Mas, queremos dar também uma matriz, um rosto especificamente católico e cristão para o Ministério da Escuta que nós pretendemos criar. Já estamos também com a grade bastante avançada e a ideia é ter centros de referência onde as pessoas possam encontrar ali, voluntários que, 24 horas por dia, estarão disponíveis para ouvir a qualquer um que venha simplesmente para desabafar, para falar das suas angústias. Naturalmente essas pessoas terão que ter feito o curso de prevenção ao suicídio, mas elas vão além, porque elas deverão ouvir também pessoas que tenham problemas familiares, violência doméstica e muitas outras coisas que não estão levando necessariamente a uma ideia à ação suicida, mas podem estar levando a angústias muito sérias, simplesmente por não terem com quem partilhar."
Ainda é um projeto embrionário, mas com a graça de Deus queremos dar passos significativos. Queremos nós mesmos nos tornarmos uma Igreja Samaritana para levar outros a parar, ver, compadecer-se e cuidar de quem precisa.
Fonte: www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-03/pastoral-prevencao-ao-suicidio-campo-grande-dom-dimas.html

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Pastoral da Escuta: católicos em favor da vida!

O gesto da escuta faz toda a diferença


Campanha “Setembro Amarelo”


As estatísticas apontam que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no planeta, o que resulta numa média de 800 mil mortes por ano. O problema é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade, sendo que para cada suicídio há 26 tentativas.


Os números fazem parte de um levantamento efetuado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ganham relevância mundial em decorrência do Dia de Prevenção do Suicídio, lembrado todos os anos em 10 de setembro.

De acordo com o organismo internacional, todos os países, sejam ricos ou pobres, registram casos de suicídio. No entanto, quase 80% desses óbitos são identificados em nações de renda baixa e média. A maioria das ocorrências acontece em zonas rurais e agrícolas, sendo que o envenenamento por pesticida é o método usado em 20% de todas as mortes. Outros meios comuns são o enforcamento e o uso de arma de fogo.

A OMS lembra que, nos países de renda alta, já foi reconhecido um vínculo entre suicídio e problemas de saúde mental, como depressão e transtornos de uso de álcool. Contudo, muitos suicídios, aponta a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), são cometidos por impulso, em momentos de crise.

SETEMBRO AMARELO

A fim de intensificar esforços na prevenção do suicídio em nível mundial, teve início, em 2003, a campanha “Setembro Amarelo”. Articulada pela Organização Mundial da Saúde, Federação Mundial para a Saúde Mental e pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio, está presente em cerca de 40 países. No Brasil — cujas estatísticas apontam que a cada 45 minutos uma pessoa põe fim à própria vida —, as entidades responsáveis por sua organização e divulgação, desde 2015, são o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

SAÚDE PÚBLICA

A OMS considera a prática do suicídio um problema de saúde pública e recomenda que países identifiquem os principais métodos que algumas pessoas usam para pôr fim à própria vida. Com isso, é possível restringir o acesso a tais meios. Outras medidas para prevenir esse tipo de morte é a implementação de políticas para limitar o consumo abusivo de álcool e drogas.

O organismo internacional defende ainda o fornecimento de serviços de saúde mental eficazes. Analogamente, governos também devem oferecer acompanhamento médico após tentativas de suicídio.

Na avaliação da agência das Nações Unidas, é necessária uma abordagem integrada, que mobilize não apenas a saúde, mas também a educação, os meios de comunicação, instituições trabalhistas e o setor agrícola.
Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros, afirma a OMS. Em muitos países, o tema é um tabu — o que impede pessoas que tentaram se suicidar de procurar ajuda. Até hoje, apenas alguns países incluíram a prevenção do suicídio em suas prioridades de saúde e apenas 28 nações relataram ter uma estratégia nacional de prevenção.

MISERICÓRDIA

Em 16 de outubro de 2018, o Papa Francisco falou para a televisão da Conferência Episcopal Italiana sobre o suicídio e a misericórdia de Deus. Na ocasião, o Santo Padre afirmou: “O suicídio seria como fechar a porta à salvação, mas tenho consciência de que nos suicídios não há plena liberdade. Pelo menos acredito nisso. Ajuda-me o que o Cura D’Ars disse à viúva cujo esposo se suicidou jogando-se de uma ponte em um rio. Disse: ‘Senhora, entre a ponte e o rio está a misericórdia de Deus”.

É fazendo desta misericórdia uma inspiração divina que, cada vez mais, a Igreja demonstra preocupação com os altos números de suicídio e vem, juntamente, com seus fiéis buscando maneiras de contribuir para que a vida seja cultivada.

Em Divinópolis (MG), Janaina Nunes é missionária consagrada da Comunidade Católica Missão Maria de Nazaré. Todos os dias, ela e outros missionários da comunidade atendem pessoas com o serviço de escuta por meio do projeto “Eu quero você vivo”.

A comunidade foi fundada há 14 anos e, desde então, realiza o trabalho de ouvir e rezar por aqueles que a procuram. Entretanto, o aumento no número de suicídios na cidade mineira fez com que os missionários percebessem a necessidade de organização e divulgação do projeto.

ESCUTA

“Todas as pessoas são, carinhosamente, muito especiais. Para mim, o que marca é poder fazer algo tão simples, que é escutar. Algo extremamente simples e que faz uma enorme diferença para as pessoas, tanto que elas desejam voltar”, continuou a missionária.

Janaina reforçou que não se trata de um tratamento profissional, mas que diariamente pessoas com sintomas de depressão frequentam o local. Em geral, os atendimentos ocorrem uma vez por semana, mas em casos mais complexos é possível a escuta mais de uma vez por semana.
Ela recordou, ainda, o caso de um homem que já frequentava o espaço e que, ao se divorciar da esposa, pensou em interromper a própria vida, mas, graças à ajuda dos missionários, não cometeu o suicídio.

CONVERSA EM GRUPO

A Paróquia Pessoal Nipo-Brasileira São Gonçalo, localizada na Praça Doutor João Mendes, no centro histórico de São Paulo, abre suas portas todas as quartas-feiras, das 14h às 16h, para quem deseja atendimento profissional.

A inciativa partiu do então Pároco, Padre Lourenço Gomes, já falecido, há oito anos, para que a Paróquia pudesse oferecer uma ação social para a comunidade. Doutor Bruno Predomo, psicanalista que, a pedido do Padre Lourenço, iniciou o trabalho, contou ao O SÃO PAULO que os atendimentos ocorrem por meio do diálogo em grupo e, em casos específicos, há o tratamento individual.

Para ele, o principal de um tratamento é a permanência nos encontros, o que, ainda, é uma dificuldade no atendimento realizado na paróquia do centro da capital paulista. Não há requisitos para a participação e não é necessária inscrição prévia.

Algumas paróquias que têm Pastoral da Escuta

PARÓQUIA SANTÍSSIMA TRINDADE
Avenida Marechal Fiuza de Castro, 861 - Vila São Domingos – Telefone: 3735-0461
Segundas e sextas-feiras, das 18h às 20h30
Quartas-feiras, das 18h30 às 20h30
Quintas-feiras, das 14h às 20h30

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Praça Silvio Romero, S/N - Tatuapé - Telefone: 2093-1920
Segundas-feiras, das 10h às 12h e das 14h às 17h
Terças-feiras, das 9h às 12h
Quartas-feiras, das 13h às 16h
Quintas-feiras, das 9h às 11h e das 13h às 15h
Sextas-feiras, das 14h às 18h30

PARÓQUIA SÃO GERALDO
Largo Padre Péricles, S/N – Perdizes - 3667-0660
Terças e quintas-feiras das 15h às 18h

Fonte: www.osaopaulo.org.br/noticias/o-gesto-da-escuta-faz-toda-a-diferenca