O que é: evento de seleção e capacitação de novos voluntários
Quando: 19 e 20/07/2014
Quem promove: Posto CVV Abolição
Onde: Rua Abolição, 411 - Bela Vista - São Paulo (localização no Google Map)
O que ocorrerá durante o evento: durante as atividades - de caráter gratuito - haverá seleção dos interessados em colaborar com a entidade. Para ser voluntário vinculado ao Programa CVV de prevenção ao suicídio, apoio emocional e valorização da vida basta ter mais de 18 anos, ter disponibilidade de tempo (média de 4 horas e meia, uma vez por semana), disposição para ajudar o próximo e abertura para o autoconhecimento e aprendizado.
CVV em dois minutos no youtube!
Para saber mais sobre o suicídio leia esta cartilha!
Blog destinado à coleta e disseminação de informações sobre prevenção do suicídio e valorização da vida
domingo, 13 de julho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Nova abordagem para vencer as doenças da mente?!
Rumo à cura: enfim uma nova abordagem para vencer doenças da mente
Não é mera provocação. É tão somente o título de uma mensagem recebida do Instituto Pensamentos Filmados na nossa caixa postal virtual.O Pensamentos Filmados é uma OSCIP (ONG) dirigida pela atriz Ana Maria Saad. Ela está, no momento, organizando o 1º Congresso on line de Medicina Integrativa na Saúde Mental.
Para acompanhar as movimentações envie uma mensagem para este endereço eletrônico.
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sábado, 7 de junho de 2014
Autópsia psicológica em discussão a partir de um caso concreto: Alentejo, Portugal.
Psicólogo defende que “no Alentejo há mais doença mental encapotada do que parece”
Especialista enfrentou no terreno a dificuldade de pôr em práticas as chamadas "autópsias psicológicas", que tentam estudar a vida das pessoas que se suicidaram.
José Henrique Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, diz que “no Alentejo o suicídio esteve sempre muito associado ao isolamento e à solidão, mas ligou-se pouco à psicopatologia”, quando “na região há muito mais doença mental encapotada do que parece”. A sua será uma das várias intervenções do 3.º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana, que decorre em Serpa desde quinta-feira e termina no sábado.
“Sabe-se, pela maioria dos estudos, que a doença mental, nomeadamente a depressão, concorre para a maioria dos casos de suicídio”, refere o psicólogo, que fez parte do Departamento de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo. As causas e os perfis dos suicidas estão pouco estudados e, com esse objectivo, tentou usar o instrumento da chamada “autópsia psicológica” numa população de Odemira, concelho apontado pelos especialistas como tendo uma das maiores taxas de suicídio não só a nível nacional como mundial. Segundo dados do Observatório do Suicídio e Para-suicídio do Baixo Alentejo, em 2011, Odemira registou 30,7 suicídios por 100 mil habitantes, contra 9,6 da média nacional. Em 2012, subiu para 46,5.
Uma autópsia psicológica pretende reconstituir os últimos meses de vida de uma pessoa que se suicidou, tentando perceber as causas do suicídio, nomeadamente com entrevistas a familiares. No Plano Nacional de Prevenção do Suicídio diz-se que “a autópsia psicológica constituiria um método muito útil de investigação retrospectiva”, mas também se diz que a sua realização exigiria “recursos humanos diferenciados e meios logísticos onerosos, que, à luz da realidade nacional, inviabilizam a sua utilização por rotina, embora possa – e deva – ser utilizada, com vantagem, em casos seleccionados”.
José Henrique Santos experimentou na prática as dificuldades deste método, que tentou pôr em prática no âmbito de uma tese de mestrado em Políticas de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, aprovada em Março deste ano. Em Odemira entrevistou familiares de 30 suicidas, mas notou que havia grande dificuldade em falar sobre o sucedido. “Emocionam-se, não sei se dizem tudo o querem dizer sobre o suicídio”, diz. Essa reacção pôs em causa “a qualidade da informação recolhida”, observa. Tentou também coligir dados sobre as pessoas que se suicidiram nos registos de saúde, mas também aí pouco descobriu sobre os seus perfis de saúde. Nesse sentido, defende que “deve aumentar a quantidade de informação registada”, sublinhando a importância de promover “hábitos de investigação nos serviços de saúde mental”.
Do relato dos poucos familiares com quem conseguiu falar, 30 pessoas, constatou que estas pessoas que se suicidiram tinham menos actividades de lazer, em comparação com um outro grupo de pessoas da mesma localidade que tinham morrido de causas naturais – recebiam menos amigos e família e tinham menos actividades ligadas ao desporto, à caça e à pesca. Apresentavam também menos idas ao médico. José Henrique Santos diz que, apesar de haver mais acesso à saúde no Alentejo do que há 15-20 anos, continua a haver “problemas de acessibilidade”, associados, por exemplo, a dificuldades de transporte, a que se junta “uma desvalorização da saúde mental por parte das próprias pessoas”.
“Era importante afinar ou precisar as condições de despiste de patologias mentais, nomeadamente da depressão para uma mais precoce identificação destes casos e assim poder actuar sobre eles.” No seu contacto com as populações o que o impressionou foi a confirmação dessa ideia de que “há muito mais doença mental encapotada do que parece". "Se não se apanhar há muita gente que se perde.”
Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/psicologo-defende-que-no-alentejo-ha-mais-doenca-mental-encapotada-do-que-parece-1638873
CATARINA GOMES
Especialista enfrentou no terreno a dificuldade de pôr em práticas as chamadas "autópsias psicológicas", que tentam estudar a vida das pessoas que se suicidaram.
José Henrique Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, diz que “no Alentejo o suicídio esteve sempre muito associado ao isolamento e à solidão, mas ligou-se pouco à psicopatologia”, quando “na região há muito mais doença mental encapotada do que parece”. A sua será uma das várias intervenções do 3.º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana, que decorre em Serpa desde quinta-feira e termina no sábado.
“Sabe-se, pela maioria dos estudos, que a doença mental, nomeadamente a depressão, concorre para a maioria dos casos de suicídio”, refere o psicólogo, que fez parte do Departamento de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo. As causas e os perfis dos suicidas estão pouco estudados e, com esse objectivo, tentou usar o instrumento da chamada “autópsia psicológica” numa população de Odemira, concelho apontado pelos especialistas como tendo uma das maiores taxas de suicídio não só a nível nacional como mundial. Segundo dados do Observatório do Suicídio e Para-suicídio do Baixo Alentejo, em 2011, Odemira registou 30,7 suicídios por 100 mil habitantes, contra 9,6 da média nacional. Em 2012, subiu para 46,5.
Uma autópsia psicológica pretende reconstituir os últimos meses de vida de uma pessoa que se suicidou, tentando perceber as causas do suicídio, nomeadamente com entrevistas a familiares. No Plano Nacional de Prevenção do Suicídio diz-se que “a autópsia psicológica constituiria um método muito útil de investigação retrospectiva”, mas também se diz que a sua realização exigiria “recursos humanos diferenciados e meios logísticos onerosos, que, à luz da realidade nacional, inviabilizam a sua utilização por rotina, embora possa – e deva – ser utilizada, com vantagem, em casos seleccionados”.
José Henrique Santos experimentou na prática as dificuldades deste método, que tentou pôr em prática no âmbito de uma tese de mestrado em Políticas de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, aprovada em Março deste ano. Em Odemira entrevistou familiares de 30 suicidas, mas notou que havia grande dificuldade em falar sobre o sucedido. “Emocionam-se, não sei se dizem tudo o querem dizer sobre o suicídio”, diz. Essa reacção pôs em causa “a qualidade da informação recolhida”, observa. Tentou também coligir dados sobre as pessoas que se suicidiram nos registos de saúde, mas também aí pouco descobriu sobre os seus perfis de saúde. Nesse sentido, defende que “deve aumentar a quantidade de informação registada”, sublinhando a importância de promover “hábitos de investigação nos serviços de saúde mental”.
Do relato dos poucos familiares com quem conseguiu falar, 30 pessoas, constatou que estas pessoas que se suicidiram tinham menos actividades de lazer, em comparação com um outro grupo de pessoas da mesma localidade que tinham morrido de causas naturais – recebiam menos amigos e família e tinham menos actividades ligadas ao desporto, à caça e à pesca. Apresentavam também menos idas ao médico. José Henrique Santos diz que, apesar de haver mais acesso à saúde no Alentejo do que há 15-20 anos, continua a haver “problemas de acessibilidade”, associados, por exemplo, a dificuldades de transporte, a que se junta “uma desvalorização da saúde mental por parte das próprias pessoas”.
“Era importante afinar ou precisar as condições de despiste de patologias mentais, nomeadamente da depressão para uma mais precoce identificação destes casos e assim poder actuar sobre eles.” No seu contacto com as populações o que o impressionou foi a confirmação dessa ideia de que “há muito mais doença mental encapotada do que parece". "Se não se apanhar há muita gente que se perde.”
Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/psicologo-defende-que-no-alentejo-ha-mais-doenca-mental-encapotada-do-que-parece-1638873
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terça-feira, 27 de maio de 2014
Fórum de Prevenção ao Suicídio no Piauí
Quando: 21 de maio 2014
Agente promotor: Secretaria Estadual da Saúde (Sesapi)
Evento: Fórum de Prevenção ao Suicídio.
A realização do evento teve como objetivo a conscientização dos públicos a respeito da prevenção ao suicídio, buscando reforçar a auto-estima das pessoas, bem como o sentimento de valorização da vida e da importância da família. O fórum é voltado para profissionais da área da saúde, além de ser aberto ao público em geral.
Segundo Leda Trindade, gerente de Atenção à Saúde Mental, esse é o primeiro encontro realizado no interior com foco na prevenção do suicídio, tendo reunido mais de 600 pessoas no Ginásio Poliesportivo da cidade. O próximo fórum deve acontecer no município de Esperantina, com data ainda a definir.
“Em Teresina, como em todo o mundo, o índice de suicídio é bastante alto. Ocupamos o 5º lugar no ranking nacional e, por isso, estamos trabalhando para reduzir esse número. Como metodologia de trabalho tentamos convencer as pessoas sobre a importância da vida, através de ações que visam à valorização da auto-estima de cada indivíduo. Temos que entender que cada pessoa é diferente da outra e que ela pode expressar sentimentos diferentes. Ficamos felizes pela participação das pessoas e pelo acolhimento da Prefeitura. Procuramos usar uma linguagem sem termos técnicos para envolver o público”, explica Leda Trindade.
Temas debatidos no evento:
- Importância da rede psicossocial na prevenção do suicídio (Psicóloga Leda Trindade);
- Suicídio e saúde Mental (Dr. Edwyrton de Freitas);
- Prevenção e pósvenção do suicídio: relatos vivenciais (Dra. Elis Regina Pereira – psicóloga);
- Processo de luto por suicídio e grupo de suporte ao luto (Dra. Patrícia Moreira – psicóloga).
Fonte: http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/295375_governo_realiza_forum_de_prevencao_ao_suicidio_em_inhuma.html
Agente promotor: Secretaria Estadual da Saúde (Sesapi)
Evento: Fórum de Prevenção ao Suicídio.
A realização do evento teve como objetivo a conscientização dos públicos a respeito da prevenção ao suicídio, buscando reforçar a auto-estima das pessoas, bem como o sentimento de valorização da vida e da importância da família. O fórum é voltado para profissionais da área da saúde, além de ser aberto ao público em geral.
Segundo Leda Trindade, gerente de Atenção à Saúde Mental, esse é o primeiro encontro realizado no interior com foco na prevenção do suicídio, tendo reunido mais de 600 pessoas no Ginásio Poliesportivo da cidade. O próximo fórum deve acontecer no município de Esperantina, com data ainda a definir.
“Em Teresina, como em todo o mundo, o índice de suicídio é bastante alto. Ocupamos o 5º lugar no ranking nacional e, por isso, estamos trabalhando para reduzir esse número. Como metodologia de trabalho tentamos convencer as pessoas sobre a importância da vida, através de ações que visam à valorização da auto-estima de cada indivíduo. Temos que entender que cada pessoa é diferente da outra e que ela pode expressar sentimentos diferentes. Ficamos felizes pela participação das pessoas e pelo acolhimento da Prefeitura. Procuramos usar uma linguagem sem termos técnicos para envolver o público”, explica Leda Trindade.
Temas debatidos no evento:
- Importância da rede psicossocial na prevenção do suicídio (Psicóloga Leda Trindade);
- Suicídio e saúde Mental (Dr. Edwyrton de Freitas);
- Prevenção e pósvenção do suicídio: relatos vivenciais (Dra. Elis Regina Pereira – psicóloga);
- Processo de luto por suicídio e grupo de suporte ao luto (Dra. Patrícia Moreira – psicóloga).
Fonte: http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/295375_governo_realiza_forum_de_prevencao_ao_suicidio_em_inhuma.html
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terça-feira, 6 de maio de 2014
Suicídio e rock: pano de fundo ou indução?
Avenged Sevenfold se manifesta sobre fã que cometeu suicídio
Após a divulgação do suicídio do jovem britânico Oliver King, de 16 anos, o Avenged Sevenfold resolveu se manifestar. O rapaz se matou ao som do grupo e de Pinkly Smooth, um projeto de Jimmy "The Rev" Sullivan e Synyster Gates, respectivamente ex-baterista e guitarrista do Avenged Sevenfold.
O Avenged Sevenfold e o Pinkly Smooth são acusados de influenciar o suicídio do jovem. Como o Smooth não está mais em atividade e dois ex-integrantes fazem ou fizeram parte do Avenged Sevenfold, o grupo ainda existente falou abertamente sobre o caso, em uma carta publicada na página oficial de Facebook.
Uma mensagem importante do Avenged Sevenfold:
Para todos os nossos fãs leais, amigos, seguidores e admiradores.
Ficamos sabendo recentemente do trágico suicídio de um jovem de 16 anos do Reino Unido que estava ouvindo músicas e assistindo vídeos do Avenged Sevenfold e um projeto antigo de alguns membros da banda, Pinkly Smooth, horas antes da sua morte. Queremos que todos vocês saibam que estamos devastados e com o coração partido pelos familiares, amigos e comunidade. Sua dor deve ser inimaginável e as nossas condolências vão para eles.
Especialistas na área de suicídio asseguraram-nos que há sempre muitas coisas que contribuem para uma tragédia como esta e, embora, a música possa desempenhar um papel importante na vida de alguém, não pode ser culpada por algo como isso. A pesquisa mostra que 90% das pessoas que tomam a sua vida tem uma doença mental em curso no momento da sua morte. Isso é algo que a maioria das pessoas não fala e que impede a obtenção de ajuda e tratamentos.
A notícia da morte deste jovem abalou a todos nós na banda. Fã ou não, ninguém deve sentir tal descrença. Ele também nos comprometeu mais do que nunca para fazermos algo sobre isso, para que não volte a acontecer. Se você está entre os nossos fiéis seguidores, você sabe que estaremos em um grande festival no dia 10 de maio - o Rise Above Fest. Não poderíamos estar mais honrados por fazer parte deste evento, com apoio dos esforços do Seether para ajudar a aumentar a conscientização sobre as realidades de suicídio. Eles fizeram uma parceria com uma grande organização sem fins lucrativos que previne o suicídio, o SAVE - Suicide Awareness Voices of Education, que é uma das principais organizações do tipo no mundo. Chegamos para salvar e fazer a nossa parte para nos juntarmos à luta deles contra o estigma de suicídio e doenças mentais. Queremos fazer a diferença e você também pode.
Se você estiver próximo de Bangor, em 10 de maio, venha para o festival (www.riseabovefest.com). Se você não puder estar lá, confira o leilão on-line, em que você pode encontrar alguns itens autografados que nós fornecemos para ajudar a arrecadar dinheiro para o SAVE - sua doação irá diretamente para ajudar a evitar outra tragédia deixando muitos a questionar "por quê".
Se você quiser saber mais sobre prevenção do suicídio, visite www.save.org.
Em nome de nós da banda, empresários, equipe e famílias, saiba que você também pode passar por isso. Não desista nunca. Juntos, teremos certeza de que ninguém mais morrerá desta forma.
Avenged Sevenfold
Fonte: http://revista.cifras.com.br/noticia/avenged-sevenfold-se-manifesta-sobre-fa-que-cometeu-suicidio_9348
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Reescrever os rumos da própria vida e preservá-la... ainda há tempo:)
Campanha reescreve cartas de suicídio para buscar um final diferente
Em campanha publicitária, o CVV (Centro de Valorização da Vida), ONG que atua na prevenção do suicídio há 52 anos, decidiu reorganizar cartas reais de suicidas. A ideia é demonstrar que a confusão mental e emocional pode ser modificada para o início de uma nova fase da vida. A agência escolhida foi a Leo Burnett Tailor Made.
A agência se baseou em cartas reais deixadas por pessoas que atentaram contra a própria vida. Os textos foram reescritos, utilizando as mesmas palavras, de forma com que os autores chegassem a conclusões diferentes.
“Esse ato de reescrever sua própria vida ao reorganizar as ideias é um conceito fundamental da atuação do CVV”, diz Adriana Rizzo, voluntária do CVV. “Muitas pessoas nos procuram porque as emoções se acumulam sem serem bem resolvidas, o que dificulta a clareza sobre as situações da própria vida. Ao se sentir acolhido, sem pressões ou cobranças, a própria pessoa reorganiza seus pensamentos durante a conversa com o voluntário do CVV e encontra outras saídas”, explica Adriana.
Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, o suicida pede ajuda e tenta outras soluções até o ato final. Porém a falta de conscientização e de comunicação reduz as chances de prevenção do suicídio.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que nove de cada dez suicídios poderiam ser evitados. “Pelo menos 25 brasileiros morrem vítimas de suicídio diariamente”, afirma Adriana. “A ideia suicida é muito mais comum do que se pensa. Um estudo da Unicamp aponta que 17% dos adultos já pensaram seriamente em se matar.”
O CVV é um serviço gratuito e realizado exclusivamente por voluntários desde sua fundação, em 1962. A entidade oferece apoio emocional a pessoas que sentem a necessidade de conversar de forma aberta e acolhedora, sem receber críticas, julgamentos ou cobranças, seja pelo telefone (141), seja por Skype, chat, e-mail, carta ou pessoalmente.
Fonte: http://www.mazarine.com.br/campanha-reescreve-cartas-de-suicidio-para-buscar-um-final-diferente/
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sábado, 5 de abril de 2014
Remédio que pode curar e matar... Ansiolíticos e antidepressivos em pauta.
A NOTÍCIA
DGS propõe que médicos receitem menos ansiolíticos
1º Abril 2014
A Direção-Geral de Saúde está a definir um conjunto de medidas para reduzir a prescrição de antidepressivos e ansiolíticos, não só em número mas também em duração de consumo».
A medida faz parte do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013-17, que a considera prioritária porque o consumo em excesso é uma das formas mais frequentes de suicídio entre mulheres e idosos», escreve o DN.
PISTAS PARA ENTENDER A NOTÍCIA
Ansiolíticos e antidepressivos a mais
4 Fevereiro 2013
José Pinto Gouveia, psiquiatra e investigador, defende um maior equilíbrio entre a medicação e outras formas de tratar a ansiedade e a depressão.
O nosso inquérito a 2069 portugueses revelou que um quarto consumiu ansiolíticos no último ano, muitos, por mais de 12 meses. Um em cada quatro evidenciava sinais de dependência física ou psicológica, o que traduzido para a população adulta nacional representa cerca de 250 mil.
José Pinto Gouveia, professor catedrático e investigador na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e ex-chefe dos serviços de psiquiatria dos Hospitais daquela Universidade, explica-nos porque surgem estes problemas de dependência e a necessidade de outras abordagens à saúde mental.
Haverá consumo excessivo de ansiolíticos e antidepressivos em Portugal?
Se pensarmos no número de casos de depressão na população, talvez não haja: a Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2020, esta doença seja a mais prevalente no mundo ocidental. Mas, se tivermos em conta que uma parte da população deprimida não está a receber tratamento, seria levado a concluir que há.
Qual é a percentagem de doentes com depressão não tratados?
Não há estudos muito claros sobre isso em Portugal. Lá fora, há uns anos, calculava-se que só um quinto dos deprimidos receberia tratamento. Penso que atualmente a percentagem de não tratados diminuiu, devido à facilidade de acesso e, sobretudo, porque os médicos de família estão mais atentos e já começam a identificar e a tratar.
O médico de família estará preparado para acompanhar a saúde mental?
Os médicos de família têm um papel muito importante. Nos últimos 20 ou 30 anos, houve progressos enormes na formação: há duas décadas, nem sequer identificavam as depressões e as perturbações ansiosas. Hoje, estão preparados para medicar depressões, nas situações mais simples, mas não para tratar da saúde mental. Mesmo que estivessem, pergunto se teriam tempo. Os problemas de saúde mental, se encarados seriamente, implicam tempo... é preciso dar espaço para que a pessoa diga o que está a acontecer na sua vida e para debater soluções. Com a sobrecarga que têm, os médicos de família dificilmente terão condições para tratar problemas de saúde mental. Se medicam em excesso? Talvez. Mas os psiquiatras também o fazem.
Qual seria a solução?
Era preciso que a formação dos psiquiatras e de outros médicos na área da saúde mental fosse mais abrangente, menos focada na intervenção psicofarmacológica. Esta é importante, mas não a única via. O equilíbrio entre a medicação e as outras intervenções é difícil, porque entram aqui muitos fatores. É preciso ter em conta, por exemplo, que grande parte da formação pós-graduada dos psiquiatras nas últimas décadas foi paga pelas empresas farmacêuticas. Obviamente, isso tem consequências nas suas orientações terapêuticas. A classe conseguiu não se deixar controlar completamente, mas é um fator influente.
Também há que pesar as expectativas dos doentes. Existem dois tipos de doentes: uns têm uma atitude clara contra a medicação, outros, expectativas excessivas e acreditam que, por tomarem um comprimido, a vida muda. Ambas são irrealistas e é preciso saber geri-las da melhor forma na consulta.
Quando é que os medicamentos são indispensáveis?
As depressões que surgem no contexto de uma doença afetiva ou bipolar exigem medicação, não há dúvida. O mesmo sucede com as depressões endógenas, que resultam de alterações no ciclo biológico (e não de acontecimentos pontuais).
Quando há uma grande inibição psicomotora, os medicamentos também são úteis. Se os níveis de ansiedade forem muito elevados, é importante combinar antidepressivos com ansiolíticos, na primeira fase do tratamento.
Nas depressões mais reativas, resposta a uma situação pontual, os medicamentos nem sempre ajudam. Imagine que trabalha com um chefe que o humilha sistematicamente. O que faz? Revolta-se e abandona o posto ou desiste e deprime. Neste caso, se a atitude do responsável se mantiver, o antidepressivo não pode valer-lhe. A única forma de resolver a questão é tentar modificar a seu modo de reagir e de ouvir o chefe: a desvalorização constante pode significar que não dá lhe os sinais de submissão que ele pretende ou que vê, em si, uma ameaça. Por isso, terá de treinar a melhor forma de posicionar-se.
Na maioria dos casos, o melhor tratamento passará por psicoterapia em conjunto com a medicação?
Não me parece que deva existir mais psicoterapia formal, estruturada, de forma rígida, em 12, 20 ou 25 sessões. Mas os psiquiatras devem estar atentos aos casos da vida e intervir de uma forma a que gosto de chamar psicoterapêutica, mas que não passa pela tal estrutura rígida. Imagine, por exemplo, que teve uma rutura afetiva e, por isso, não dorme, está triste, perdeu o apetite, está desinteressada pelas coisas, sente-se cansada… ou seja, tem uma série de sintomas depressivos, que já duram há algum tempo. Posso receitar-lhe um antidepressivo que vai pô-la a dormir e a comer melhor, mas continuará a olhar para a rutura da mesma forma e a pensar, eventualmente, que a relação acabou porque não tem qualidades ou que há algo de errado consigo.
A melhor solução será, provavelmente, conversar sobre a forma como está a ver a situação, como acredita nas histórias que a sua cabeça lhe conta acerca de si e do seu “desvalor”. Desta forma, pode descer à terra e perceber que a sua relação acabou por razões que pouco terão a ver consigo. Esta é uma intervenção psicoterapêutica que não implica uma estrutura rígida, mas exige 45 a 50 minutos com o doente.
Uma atitude antimedicação também não é útil. Os antidepressivos já salvaram muitas vidas. A pouca eficácia que possam ter, muitas vezes, faz a diferença entre viver ou matar-se. A regra é sermos exigentes na identificação dos casos que precisam de uma medicação continuada e daqueles em que é útil mas não chega.
Além disso, é preciso saber o que pedir aos antidepressivos. Podemos pedir que estimulem um pouco o nosso humor, que ajudem a dormir melhor, a estar um pouco mais tranquilos... Podemos pedir-lhe que ajudem a induzir alterações, mas não podemos esperar que modifiquem a nossa vida e a forma como funcionamos com o trabalho e com os amigos. Se tomarmos um antidepressivo e nos metermos na cama, nunca ultrapassaremos a depressão.
Da sua experiência, quanto tempo demora um tratamento destes?
Às vezes, basta uma consulta. A depressão é um sentimento profundo de desvalorização, de achar que se vale menos do que os outros. Já tive doentes que me disseram: “o que mais me custa é ver ao estado a que me deixei chegar”. Nessa altura, temos de mostrar à pessoa que não pode acreditar em tudo o que a cabeça lhe diz. Por exemplo, se estou deprimido, apenas tenho acesso a memórias negativas, pelo que fico convencido de que a minha vida se fez de derrotas. Isso deve-se ao funcionamento normal do cérebro, não tem a ver com aquela pessoa em particular. A nossa memória funciona muito por afetos. Quando estamos deprimidos, surge o lado negro; se estivermos bem dispostos, só nos lembramos de coisas fantásticas. Ao perceber esta mecânica, podemos desenvolver estratégias para minimizar os efeitos das experiências negativas.
Quando é que um doente deve passar do médico de família para o especialista?
Os antidepressivos começam, normalmente, a fazer efeito após três semanas. Se não houver melhoras ao fim de um mês, é possível mudar de medicamento ou juntar outro. Se ao fim de mais um mês não melhorar, deve procurar um especialista, de preferência, com formação em psicoterapia.
A depressão metaforicamente é uma desistência, um quadro de derrota. Quando a pessoa decide procurar ajuda, está a dar um passo em direção à saída. Se o médico, além do antidepressivo, lhe fizer perceber que há um sentido para o sofrimento e lhe apontar outros caminhos, o problema começa a resolver-se. O efeito placebo dos antidepressivos é muito grande: 20 a 25 por cento dos doentes melhoram com bolinhas de pão, se estiverem convencidos que estão a tomar medicamentos. Penso que isso acontece quando o doente quer encontrar a saída. Se for pressionado pelos familiares a procurar ajuda, e aparecer no consultório sem expectativas, os medicamentos não funcionam. É preciso um trabalho mais profundo.
O nosso estudo revelou que os pacientes sentem mais efeitos secundários, como irritação e nervosismo, quando deixam de tomar os medicamentos. Como se explica?
Alguns antidepressivos têm um “desmame” difícil. Se a pessoa não reduzir lentamente, pode sentir efeitos secundários, como agitação e irritação. Mas estes também podem estar relacionados com as expectativas dos pacientes, que pensam que vão piorar ao deixar a medicação. Já tive doentes que tomavam um oitavo de comprimido e diziam que não dormiam se deixassem de fazê-lo. É uma dose espiritual... (risos)
A solução é fazer um desmame lento e orientado pelo técnico de saúde. Os maiores problemas surgem quando os doentes se sentem melhor e resolvem, por si mesmos, interromper o tratamento, para ver se já estão bem.
A Agência Europeia do Medicamento recomenda um máximo de 12 semanas para o tratamento com benzodiazepinas (ansiolíticos), mas muitos inquiridos afirmam tomá-las há mais de um ano. O que está errado?
Teórica e tecnicamente, a toma prolongada é um erro. Mas alguns doentes deixam de dormir, se não tomarem a pequena dose a que estão habituados ao deitar. Penso que terão sido estes que apanharam no estudo.
O ideal seria ensinar-lhes outras estratégias de sono. Se estivermos constantemente a pensar em dormir, não o conseguimos: para pensar, temos de estar acordados.
Há pessoas que têm dificuldade em adormecer porque vão ruminar para a cama, isto é, quando se deitam começam a pensar nos problemas do dia seguinte, ou naquilo que os preocupa. Isto vai impedi-los de adormecer. Há métodos para corrigir isso, mas é preciso conhecê-los e treiná-las. Uma boa higiene do sono é muito importante para se ter um sono reparador. Por vezes, é difícil convencer os doentes a passar por esse período de aprendizagem.
Quais são as consequências da toma prolongada?
Segundo alguns estudos, tomar doses médias ou elevadas de benzodiazepinas durante anos pode ter consequências negativas para a memória. Não conheço estudos que avaliem o efeito de uma dose mínima ao deitar. Na minha experiência, conheci muita gente que as tomou durante anos seguidos sem que os efeitos fossem óbvios. Mas estamos num terreno movediço.
Já o uso de doses elevadas, durante o dia, para controlar a ansiedade é errado. Na minha prática clínica, faço tudo para evitá-lo. Agora, estou a seguir um doente que tomava 48 miligramas de bromazepam por dia, há 20 anos [nas situações mais usuais, utilizam-se 3 a 9 miligramas]. É um homem obsessivo, que catastrofiza tudo o que lhe acontece, pelo que a solução foi darem-lhe ansiolíticos. Depois, começou a automedicar-se, chegando àquelas quantidades. Estamos a tentar reduzir devagarinho, 9 miligramas por semana.
A maioria dos doentes que toma doses altas fá-lo em automedicação. Há os que levam a receita e aumentam a dose por iniciativa própria, os que compram na farmácia sem receita, etc.... Além disso, em quase todas as famílias portuguesas há alguém que toma benzodiapezinas e que dispensa uns comprimidos a quem não tem recomendação médica para tomá-los.
Alguns medicamentos destes são propícios a abusos. É o caso das benzodiazepinas com semivida curta, ou seja, que têm uma ação muito rápida e forte, mas cujo efeito cai abruptamente. Quando isso acontece, a ansiedade aumenta e a pessoa tende a tomar mais para manter os resultados. Estes medicamentos apresentam maior potencial para criar dependência.
Os serviços de saúde estão preparados para responder ao aumento de problemas em períodos de crise?
Penso que estão, mas não sei que resposta vão dar. Se me aparecer uma mulher deprimida porque está desempregada e não tem comida para dar aos filhos, como resolvo? Dou-lhe antidepressivos? Estas perturbações estão relacionadas com a vida. Os serviços de saúde, por si, muitas vezes não conseguem resolver. Tem de haver uma resposta global, em conjunto com os serviços sociais.
Fonte:
http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=469336
http://www.deco.proteste.pt/saude/medicamentos/noticia/ansioliticos-e-antidepressivos-a-mais
DGS propõe que médicos receitem menos ansiolíticos
1º Abril 2014
A Direção-Geral de Saúde está a definir um conjunto de medidas para reduzir a prescrição de antidepressivos e ansiolíticos, não só em número mas também em duração de consumo».
A medida faz parte do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013-17, que a considera prioritária porque o consumo em excesso é uma das formas mais frequentes de suicídio entre mulheres e idosos», escreve o DN.
PISTAS PARA ENTENDER A NOTÍCIA
Ansiolíticos e antidepressivos a mais
4 Fevereiro 2013
José Pinto Gouveia, psiquiatra e investigador, defende um maior equilíbrio entre a medicação e outras formas de tratar a ansiedade e a depressão.
O nosso inquérito a 2069 portugueses revelou que um quarto consumiu ansiolíticos no último ano, muitos, por mais de 12 meses. Um em cada quatro evidenciava sinais de dependência física ou psicológica, o que traduzido para a população adulta nacional representa cerca de 250 mil.
José Pinto Gouveia, professor catedrático e investigador na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e ex-chefe dos serviços de psiquiatria dos Hospitais daquela Universidade, explica-nos porque surgem estes problemas de dependência e a necessidade de outras abordagens à saúde mental.
Haverá consumo excessivo de ansiolíticos e antidepressivos em Portugal?
Se pensarmos no número de casos de depressão na população, talvez não haja: a Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2020, esta doença seja a mais prevalente no mundo ocidental. Mas, se tivermos em conta que uma parte da população deprimida não está a receber tratamento, seria levado a concluir que há.
Qual é a percentagem de doentes com depressão não tratados?
Não há estudos muito claros sobre isso em Portugal. Lá fora, há uns anos, calculava-se que só um quinto dos deprimidos receberia tratamento. Penso que atualmente a percentagem de não tratados diminuiu, devido à facilidade de acesso e, sobretudo, porque os médicos de família estão mais atentos e já começam a identificar e a tratar.
O médico de família estará preparado para acompanhar a saúde mental?
Os médicos de família têm um papel muito importante. Nos últimos 20 ou 30 anos, houve progressos enormes na formação: há duas décadas, nem sequer identificavam as depressões e as perturbações ansiosas. Hoje, estão preparados para medicar depressões, nas situações mais simples, mas não para tratar da saúde mental. Mesmo que estivessem, pergunto se teriam tempo. Os problemas de saúde mental, se encarados seriamente, implicam tempo... é preciso dar espaço para que a pessoa diga o que está a acontecer na sua vida e para debater soluções. Com a sobrecarga que têm, os médicos de família dificilmente terão condições para tratar problemas de saúde mental. Se medicam em excesso? Talvez. Mas os psiquiatras também o fazem.
Qual seria a solução?
Era preciso que a formação dos psiquiatras e de outros médicos na área da saúde mental fosse mais abrangente, menos focada na intervenção psicofarmacológica. Esta é importante, mas não a única via. O equilíbrio entre a medicação e as outras intervenções é difícil, porque entram aqui muitos fatores. É preciso ter em conta, por exemplo, que grande parte da formação pós-graduada dos psiquiatras nas últimas décadas foi paga pelas empresas farmacêuticas. Obviamente, isso tem consequências nas suas orientações terapêuticas. A classe conseguiu não se deixar controlar completamente, mas é um fator influente.
Também há que pesar as expectativas dos doentes. Existem dois tipos de doentes: uns têm uma atitude clara contra a medicação, outros, expectativas excessivas e acreditam que, por tomarem um comprimido, a vida muda. Ambas são irrealistas e é preciso saber geri-las da melhor forma na consulta.
Quando é que os medicamentos são indispensáveis?
As depressões que surgem no contexto de uma doença afetiva ou bipolar exigem medicação, não há dúvida. O mesmo sucede com as depressões endógenas, que resultam de alterações no ciclo biológico (e não de acontecimentos pontuais).
Quando há uma grande inibição psicomotora, os medicamentos também são úteis. Se os níveis de ansiedade forem muito elevados, é importante combinar antidepressivos com ansiolíticos, na primeira fase do tratamento.
Nas depressões mais reativas, resposta a uma situação pontual, os medicamentos nem sempre ajudam. Imagine que trabalha com um chefe que o humilha sistematicamente. O que faz? Revolta-se e abandona o posto ou desiste e deprime. Neste caso, se a atitude do responsável se mantiver, o antidepressivo não pode valer-lhe. A única forma de resolver a questão é tentar modificar a seu modo de reagir e de ouvir o chefe: a desvalorização constante pode significar que não dá lhe os sinais de submissão que ele pretende ou que vê, em si, uma ameaça. Por isso, terá de treinar a melhor forma de posicionar-se.
Na maioria dos casos, o melhor tratamento passará por psicoterapia em conjunto com a medicação?
Não me parece que deva existir mais psicoterapia formal, estruturada, de forma rígida, em 12, 20 ou 25 sessões. Mas os psiquiatras devem estar atentos aos casos da vida e intervir de uma forma a que gosto de chamar psicoterapêutica, mas que não passa pela tal estrutura rígida. Imagine, por exemplo, que teve uma rutura afetiva e, por isso, não dorme, está triste, perdeu o apetite, está desinteressada pelas coisas, sente-se cansada… ou seja, tem uma série de sintomas depressivos, que já duram há algum tempo. Posso receitar-lhe um antidepressivo que vai pô-la a dormir e a comer melhor, mas continuará a olhar para a rutura da mesma forma e a pensar, eventualmente, que a relação acabou porque não tem qualidades ou que há algo de errado consigo.
A melhor solução será, provavelmente, conversar sobre a forma como está a ver a situação, como acredita nas histórias que a sua cabeça lhe conta acerca de si e do seu “desvalor”. Desta forma, pode descer à terra e perceber que a sua relação acabou por razões que pouco terão a ver consigo. Esta é uma intervenção psicoterapêutica que não implica uma estrutura rígida, mas exige 45 a 50 minutos com o doente.
Uma atitude antimedicação também não é útil. Os antidepressivos já salvaram muitas vidas. A pouca eficácia que possam ter, muitas vezes, faz a diferença entre viver ou matar-se. A regra é sermos exigentes na identificação dos casos que precisam de uma medicação continuada e daqueles em que é útil mas não chega.
Além disso, é preciso saber o que pedir aos antidepressivos. Podemos pedir que estimulem um pouco o nosso humor, que ajudem a dormir melhor, a estar um pouco mais tranquilos... Podemos pedir-lhe que ajudem a induzir alterações, mas não podemos esperar que modifiquem a nossa vida e a forma como funcionamos com o trabalho e com os amigos. Se tomarmos um antidepressivo e nos metermos na cama, nunca ultrapassaremos a depressão.
Da sua experiência, quanto tempo demora um tratamento destes?
Às vezes, basta uma consulta. A depressão é um sentimento profundo de desvalorização, de achar que se vale menos do que os outros. Já tive doentes que me disseram: “o que mais me custa é ver ao estado a que me deixei chegar”. Nessa altura, temos de mostrar à pessoa que não pode acreditar em tudo o que a cabeça lhe diz. Por exemplo, se estou deprimido, apenas tenho acesso a memórias negativas, pelo que fico convencido de que a minha vida se fez de derrotas. Isso deve-se ao funcionamento normal do cérebro, não tem a ver com aquela pessoa em particular. A nossa memória funciona muito por afetos. Quando estamos deprimidos, surge o lado negro; se estivermos bem dispostos, só nos lembramos de coisas fantásticas. Ao perceber esta mecânica, podemos desenvolver estratégias para minimizar os efeitos das experiências negativas.
Quando é que um doente deve passar do médico de família para o especialista?
Os antidepressivos começam, normalmente, a fazer efeito após três semanas. Se não houver melhoras ao fim de um mês, é possível mudar de medicamento ou juntar outro. Se ao fim de mais um mês não melhorar, deve procurar um especialista, de preferência, com formação em psicoterapia.
A depressão metaforicamente é uma desistência, um quadro de derrota. Quando a pessoa decide procurar ajuda, está a dar um passo em direção à saída. Se o médico, além do antidepressivo, lhe fizer perceber que há um sentido para o sofrimento e lhe apontar outros caminhos, o problema começa a resolver-se. O efeito placebo dos antidepressivos é muito grande: 20 a 25 por cento dos doentes melhoram com bolinhas de pão, se estiverem convencidos que estão a tomar medicamentos. Penso que isso acontece quando o doente quer encontrar a saída. Se for pressionado pelos familiares a procurar ajuda, e aparecer no consultório sem expectativas, os medicamentos não funcionam. É preciso um trabalho mais profundo.
O nosso estudo revelou que os pacientes sentem mais efeitos secundários, como irritação e nervosismo, quando deixam de tomar os medicamentos. Como se explica?
Alguns antidepressivos têm um “desmame” difícil. Se a pessoa não reduzir lentamente, pode sentir efeitos secundários, como agitação e irritação. Mas estes também podem estar relacionados com as expectativas dos pacientes, que pensam que vão piorar ao deixar a medicação. Já tive doentes que tomavam um oitavo de comprimido e diziam que não dormiam se deixassem de fazê-lo. É uma dose espiritual... (risos)
A solução é fazer um desmame lento e orientado pelo técnico de saúde. Os maiores problemas surgem quando os doentes se sentem melhor e resolvem, por si mesmos, interromper o tratamento, para ver se já estão bem.
A Agência Europeia do Medicamento recomenda um máximo de 12 semanas para o tratamento com benzodiazepinas (ansiolíticos), mas muitos inquiridos afirmam tomá-las há mais de um ano. O que está errado?
Teórica e tecnicamente, a toma prolongada é um erro. Mas alguns doentes deixam de dormir, se não tomarem a pequena dose a que estão habituados ao deitar. Penso que terão sido estes que apanharam no estudo.
O ideal seria ensinar-lhes outras estratégias de sono. Se estivermos constantemente a pensar em dormir, não o conseguimos: para pensar, temos de estar acordados.
Há pessoas que têm dificuldade em adormecer porque vão ruminar para a cama, isto é, quando se deitam começam a pensar nos problemas do dia seguinte, ou naquilo que os preocupa. Isto vai impedi-los de adormecer. Há métodos para corrigir isso, mas é preciso conhecê-los e treiná-las. Uma boa higiene do sono é muito importante para se ter um sono reparador. Por vezes, é difícil convencer os doentes a passar por esse período de aprendizagem.
Quais são as consequências da toma prolongada?
Segundo alguns estudos, tomar doses médias ou elevadas de benzodiazepinas durante anos pode ter consequências negativas para a memória. Não conheço estudos que avaliem o efeito de uma dose mínima ao deitar. Na minha experiência, conheci muita gente que as tomou durante anos seguidos sem que os efeitos fossem óbvios. Mas estamos num terreno movediço.
Já o uso de doses elevadas, durante o dia, para controlar a ansiedade é errado. Na minha prática clínica, faço tudo para evitá-lo. Agora, estou a seguir um doente que tomava 48 miligramas de bromazepam por dia, há 20 anos [nas situações mais usuais, utilizam-se 3 a 9 miligramas]. É um homem obsessivo, que catastrofiza tudo o que lhe acontece, pelo que a solução foi darem-lhe ansiolíticos. Depois, começou a automedicar-se, chegando àquelas quantidades. Estamos a tentar reduzir devagarinho, 9 miligramas por semana.
A maioria dos doentes que toma doses altas fá-lo em automedicação. Há os que levam a receita e aumentam a dose por iniciativa própria, os que compram na farmácia sem receita, etc.... Além disso, em quase todas as famílias portuguesas há alguém que toma benzodiapezinas e que dispensa uns comprimidos a quem não tem recomendação médica para tomá-los.
Alguns medicamentos destes são propícios a abusos. É o caso das benzodiazepinas com semivida curta, ou seja, que têm uma ação muito rápida e forte, mas cujo efeito cai abruptamente. Quando isso acontece, a ansiedade aumenta e a pessoa tende a tomar mais para manter os resultados. Estes medicamentos apresentam maior potencial para criar dependência.
Os serviços de saúde estão preparados para responder ao aumento de problemas em períodos de crise?
Penso que estão, mas não sei que resposta vão dar. Se me aparecer uma mulher deprimida porque está desempregada e não tem comida para dar aos filhos, como resolvo? Dou-lhe antidepressivos? Estas perturbações estão relacionadas com a vida. Os serviços de saúde, por si, muitas vezes não conseguem resolver. Tem de haver uma resposta global, em conjunto com os serviços sociais.
Fonte:
http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=469336
http://www.deco.proteste.pt/saude/medicamentos/noticia/ansioliticos-e-antidepressivos-a-mais
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