A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) e a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Odemira comemoram hoje o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.
Na Biblioteca de Odemira é apresentado o resultado do estudo “Suicídio e Autópsia Psicológica” realizado pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e sob coordenação científica do Coordenador Nacional do Projecto Europeu da Prevenção do Suicídio, Professor Ricardo Gusmão. Este estudo é apontado como inovador dada a utilização de um instrumento desenvolvido para investigação forense. A apresentação está a cargo do ex-coordenador executivo do Observatório do Suicídio e Parassuicídio do Baixo Alentejo, José Henrique Santos, psicólogo co-autor do trabalho.
A promoção da saúde mental também é a temática que vai ser abordada junto da comunidade feminina do Estabelecimento Prisional de Odemira, na próxima segunda-feira. Esta acção de sensibilização da ULSLA pretende apoiar as mulheres em exclusão social na identificação dos primeiros sinais e sintomas em saúde mental – neurose, psicose, depressão, entre outros.
Estas são algumas das iniciativas da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano desenvolvidas no âmbito das comemorações dos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
http://www.radiopax.com/index.php?go=noticias&id=4951
Blog destinado à coleta e disseminação de informações sobre prevenção do suicídio e valorização da vida
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
sábado, 7 de junho de 2014
Autópsia psicológica em discussão a partir de um caso concreto: Alentejo, Portugal.
Psicólogo defende que “no Alentejo há mais doença mental encapotada do que parece”
Especialista enfrentou no terreno a dificuldade de pôr em práticas as chamadas "autópsias psicológicas", que tentam estudar a vida das pessoas que se suicidaram.
José Henrique Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, diz que “no Alentejo o suicídio esteve sempre muito associado ao isolamento e à solidão, mas ligou-se pouco à psicopatologia”, quando “na região há muito mais doença mental encapotada do que parece”. A sua será uma das várias intervenções do 3.º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana, que decorre em Serpa desde quinta-feira e termina no sábado.
“Sabe-se, pela maioria dos estudos, que a doença mental, nomeadamente a depressão, concorre para a maioria dos casos de suicídio”, refere o psicólogo, que fez parte do Departamento de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo. As causas e os perfis dos suicidas estão pouco estudados e, com esse objectivo, tentou usar o instrumento da chamada “autópsia psicológica” numa população de Odemira, concelho apontado pelos especialistas como tendo uma das maiores taxas de suicídio não só a nível nacional como mundial. Segundo dados do Observatório do Suicídio e Para-suicídio do Baixo Alentejo, em 2011, Odemira registou 30,7 suicídios por 100 mil habitantes, contra 9,6 da média nacional. Em 2012, subiu para 46,5.
Uma autópsia psicológica pretende reconstituir os últimos meses de vida de uma pessoa que se suicidou, tentando perceber as causas do suicídio, nomeadamente com entrevistas a familiares. No Plano Nacional de Prevenção do Suicídio diz-se que “a autópsia psicológica constituiria um método muito útil de investigação retrospectiva”, mas também se diz que a sua realização exigiria “recursos humanos diferenciados e meios logísticos onerosos, que, à luz da realidade nacional, inviabilizam a sua utilização por rotina, embora possa – e deva – ser utilizada, com vantagem, em casos seleccionados”.
José Henrique Santos experimentou na prática as dificuldades deste método, que tentou pôr em prática no âmbito de uma tese de mestrado em Políticas de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, aprovada em Março deste ano. Em Odemira entrevistou familiares de 30 suicidas, mas notou que havia grande dificuldade em falar sobre o sucedido. “Emocionam-se, não sei se dizem tudo o querem dizer sobre o suicídio”, diz. Essa reacção pôs em causa “a qualidade da informação recolhida”, observa. Tentou também coligir dados sobre as pessoas que se suicidiram nos registos de saúde, mas também aí pouco descobriu sobre os seus perfis de saúde. Nesse sentido, defende que “deve aumentar a quantidade de informação registada”, sublinhando a importância de promover “hábitos de investigação nos serviços de saúde mental”.
Do relato dos poucos familiares com quem conseguiu falar, 30 pessoas, constatou que estas pessoas que se suicidiram tinham menos actividades de lazer, em comparação com um outro grupo de pessoas da mesma localidade que tinham morrido de causas naturais – recebiam menos amigos e família e tinham menos actividades ligadas ao desporto, à caça e à pesca. Apresentavam também menos idas ao médico. José Henrique Santos diz que, apesar de haver mais acesso à saúde no Alentejo do que há 15-20 anos, continua a haver “problemas de acessibilidade”, associados, por exemplo, a dificuldades de transporte, a que se junta “uma desvalorização da saúde mental por parte das próprias pessoas”.
“Era importante afinar ou precisar as condições de despiste de patologias mentais, nomeadamente da depressão para uma mais precoce identificação destes casos e assim poder actuar sobre eles.” No seu contacto com as populações o que o impressionou foi a confirmação dessa ideia de que “há muito mais doença mental encapotada do que parece". "Se não se apanhar há muita gente que se perde.”
Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/psicologo-defende-que-no-alentejo-ha-mais-doenca-mental-encapotada-do-que-parece-1638873
CATARINA GOMES
Especialista enfrentou no terreno a dificuldade de pôr em práticas as chamadas "autópsias psicológicas", que tentam estudar a vida das pessoas que se suicidaram.
José Henrique Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, diz que “no Alentejo o suicídio esteve sempre muito associado ao isolamento e à solidão, mas ligou-se pouco à psicopatologia”, quando “na região há muito mais doença mental encapotada do que parece”. A sua será uma das várias intervenções do 3.º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana, que decorre em Serpa desde quinta-feira e termina no sábado.
“Sabe-se, pela maioria dos estudos, que a doença mental, nomeadamente a depressão, concorre para a maioria dos casos de suicídio”, refere o psicólogo, que fez parte do Departamento de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo. As causas e os perfis dos suicidas estão pouco estudados e, com esse objectivo, tentou usar o instrumento da chamada “autópsia psicológica” numa população de Odemira, concelho apontado pelos especialistas como tendo uma das maiores taxas de suicídio não só a nível nacional como mundial. Segundo dados do Observatório do Suicídio e Para-suicídio do Baixo Alentejo, em 2011, Odemira registou 30,7 suicídios por 100 mil habitantes, contra 9,6 da média nacional. Em 2012, subiu para 46,5.
Uma autópsia psicológica pretende reconstituir os últimos meses de vida de uma pessoa que se suicidou, tentando perceber as causas do suicídio, nomeadamente com entrevistas a familiares. No Plano Nacional de Prevenção do Suicídio diz-se que “a autópsia psicológica constituiria um método muito útil de investigação retrospectiva”, mas também se diz que a sua realização exigiria “recursos humanos diferenciados e meios logísticos onerosos, que, à luz da realidade nacional, inviabilizam a sua utilização por rotina, embora possa – e deva – ser utilizada, com vantagem, em casos seleccionados”.
José Henrique Santos experimentou na prática as dificuldades deste método, que tentou pôr em prática no âmbito de uma tese de mestrado em Políticas de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, aprovada em Março deste ano. Em Odemira entrevistou familiares de 30 suicidas, mas notou que havia grande dificuldade em falar sobre o sucedido. “Emocionam-se, não sei se dizem tudo o querem dizer sobre o suicídio”, diz. Essa reacção pôs em causa “a qualidade da informação recolhida”, observa. Tentou também coligir dados sobre as pessoas que se suicidiram nos registos de saúde, mas também aí pouco descobriu sobre os seus perfis de saúde. Nesse sentido, defende que “deve aumentar a quantidade de informação registada”, sublinhando a importância de promover “hábitos de investigação nos serviços de saúde mental”.
Do relato dos poucos familiares com quem conseguiu falar, 30 pessoas, constatou que estas pessoas que se suicidiram tinham menos actividades de lazer, em comparação com um outro grupo de pessoas da mesma localidade que tinham morrido de causas naturais – recebiam menos amigos e família e tinham menos actividades ligadas ao desporto, à caça e à pesca. Apresentavam também menos idas ao médico. José Henrique Santos diz que, apesar de haver mais acesso à saúde no Alentejo do que há 15-20 anos, continua a haver “problemas de acessibilidade”, associados, por exemplo, a dificuldades de transporte, a que se junta “uma desvalorização da saúde mental por parte das próprias pessoas”.
“Era importante afinar ou precisar as condições de despiste de patologias mentais, nomeadamente da depressão para uma mais precoce identificação destes casos e assim poder actuar sobre eles.” No seu contacto com as populações o que o impressionou foi a confirmação dessa ideia de que “há muito mais doença mental encapotada do que parece". "Se não se apanhar há muita gente que se perde.”
Fonte: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/psicologo-defende-que-no-alentejo-ha-mais-doenca-mental-encapotada-do-que-parece-1638873
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Alentejo e o suicídio endêmico dos idosos
Suicídio é consequência da falta de apoios à população idosa e comportamentos enraizados
Em declarações à agência Lusa, o clínico, que foi responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Beja durante cerca de três décadas, referiu que a região "foi sempre muito desprezada do ponto de vista dos apoios" e, durante muitos anos, foram "só os psiquiatras a falar" sobre o problema.
Debatendo-se com "carências de toda a ordem", aos idosos "mais desprotegidos" restava-lhes a solução do suicídio e, apesar das melhorias verificadas ao nível da assistência médica e social, o psiquiatra considera que "este problema vai continuar", porque ainda há "franjas de idosos isolados, depressivos e sozinhos".
Fernando Areal relacionou também as elevadas taxas de suicídio no Alentejo, sobretudo em Odemira (superior a 50 por 100 mil habitantes), com um "enraizamento de comportamentos com mais de 100 anos", sendo que, em determinadas zonas, como Sabóia, freguesia do concelho de Odemira, "um indivíduo suicidar-se é um ato de honra e não tem nada de negativo".
Para o psiquiatra, o problema tem de "ser trabalhado a nível das freguesias onde a taxa de suicídio é mais elevada" e congratulou-se por estar a ser construído, no Hospital de Beja, um internamento para doentes do foro psiquiátrico, apesar de considerar que tal já deveria ter acontecido há muito mais tempo.
Mário Jorge Santos, responsável pela área de Saúde Mental na Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde Alentejo Litoral, explicou à Lusa que, para ajudar na prevenção do suicídio na região, estão a ser utilizadas as unidades móveis de saúde de Odemira e Santiago do Cacém.
A "missão" destas unidades é identificar os habitantes dos montes, onde vivem, muitas vezes, apenas uma ou duas pessoas isoladas, de forma a saber-se "onde estão, quem são e quantos são", estratégia que, no entender do clínico, será "determinante para diminuir a taxa de suicídio no Alentejo".
Os médicos participaram esta tarde num fórum de discussão sobre o suicídio no Alentejo, no âmbito das VIII Jornadas de Saúde Mental do Alentejo, integradas no evento sobre saúde mental Praxis Mentis - Caminhos na Mente, a decorrer em Sines até sábado.
No mesmo debate, o psiquiatra Bessa Peixoto defendeu a necessidade de ser criado, em Portugal, um programa de saúde mental com um plano nacional de prevenção do suicídio, conforme preconizado pela Organização Mundial de Saúde.
Fonte: http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2011/06/02/alentejo-suicidio-e-consequencia-da-falta-de-apoios-a-populacao-idosa-e-comportamentos-enraizados---especialista
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