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quarta-feira, 27 de julho de 2022

O  uso de medicamentos na prevenção do suicídio 

Sander Fridman, doutor em Psiquiatria pelo IPUB/UFRJ

O avanço nas opções e na compreensão especializada em torno do uso de medicamentos psiquiátricos mudou radicalmente a perspectiva de melhora dos sintomas emocionais, cognitivos e do comportamento, em relação ao que se tinha poucas décadas atrás.

Tratamentos de muitos anos, resultados muito incertos e a máxima responsabilidade pela “cura” depositada nos ombros do próprio paciente, não são qualificativos de um bom recurso que deve correr contra o tempo para ajudar pessoas que estão à beira de desistir de tudo – inclusive de suas chances frente a algum tratamento qualquer.

Mesmo inexistindo panaceia alguma capaz de impedir toda e qualquer tragédia, muitas circunstâncias clínicas psiquiátricas são passíveis de controle medicamentoso de modo relativamente ágil e acessível.

Algumas abordagens psicológicas brevíssimas, que devem ser bem dominadas pelo profissional capaz de atender crises com riscos, ajudam igualmente a potencializar a motivação do paciente para o tratamento, e a orientar os familiares, amigos ou seu suporte social, a melhor apoiá-lo ou a ela em seus piores momentos.

Tanto a intervenção psicológica como a medicamentosa, para que sejam tão rapidamente eficazes quanto possível, dependem de um ótimo domínio da “psicopatologia diferencial”, ou seja, da capacidade de discriminar quais medicamentos e intervenções psicológicas poderão melhor ajudar ou, ao contrário, até mesmo atrapalhar, piorando os riscos. O que infelizmente não configura jamais a certeza de resultados sempre felizes!

Depressão com ansiedade, trocas rápidas de humor, depressão com dor crônica e outras doenças invalidantes, vozes e pensamentos que comandam o suicídio ou que acusam de culpas e falhas imperdoáveis, pessimismo extremo, depressão com abuso de álcool e drogas, depressão com muita desconfiança das pessoas que ama, depressão com impulsividade – todos estes são prenúncios de que algo de muito terrível poderá acontecer a qualquer momento, sempre surpreendendo a todos, e que, com a devida e pronta intervenção poderá ser, muito possivelmente, prevenida, para o bem de todos.

Fonte: https://litoralmania.com.br/o-uso-de-medicamentos-na-prevencao-do-suicidio-dr-sander-fridman/

sábado, 5 de abril de 2014

Remédio que pode curar e matar... Ansiolíticos e antidepressivos em pauta.

A NOTÍCIA
DGS propõe que médicos receitem menos ansiolíticos
1º Abril 2014

A Direção-Geral de Saúde está a definir um conjunto de medidas para reduzir a prescrição de antidepressivos e ansiolíticos, não só em número mas também em duração de consumo».

A medida faz parte do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013-17, que a considera prioritária porque o consumo em excesso é uma das formas mais frequentes de suicídio entre mulheres e idosos», escreve o DN.

PISTAS PARA ENTENDER A NOTÍCIA 
Ansiolíticos e antidepressivos a mais
4 Fevereiro 2013

José Pinto Gouveia, psiquiatra e investigador, defende um maior equilíbrio entre a medicação e outras formas de tratar a ansiedade e a depressão.

O nosso inquérito a 2069 portugueses revelou que um quarto consumiu ansiolíticos no último ano, muitos, por mais de 12 meses. Um em cada quatro evidenciava sinais de dependência física ou psicológica, o que traduzido para a população adulta nacional representa cerca de 250 mil.

José Pinto Gouveia, professor catedrático e investigador na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e ex-chefe dos serviços de psiquiatria dos Hospitais daquela Universidade, explica-nos porque surgem estes problemas de dependência e a necessidade de outras abordagens à saúde mental.

Haverá consumo excessivo de ansiolíticos e antidepressivos em Portugal?

Se pensarmos no número de casos de depressão na população, talvez não haja: a Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2020, esta doença seja a mais prevalente no mundo ocidental. Mas, se tivermos em conta que uma parte da população deprimida não está a receber tratamento, seria levado a concluir que há.

Qual é a percentagem de doentes com depressão não tratados?

Não há estudos muito claros sobre isso em Portugal. Lá fora, há uns anos, calculava-se que só um quinto dos deprimidos receberia tratamento. Penso que atualmente a percentagem de não tratados diminuiu, devido à facilidade de acesso e, sobretudo, porque os médicos de família estão mais atentos e já começam a identificar e a tratar. 
     
O médico de família estará preparado para acompanhar a saúde mental?

Os médicos de família têm um papel muito importante. Nos últimos 20 ou 30 anos, houve progressos enormes na formação: há duas décadas, nem sequer identificavam as depressões e as perturbações ansiosas. Hoje, estão preparados para medicar depressões, nas situações mais simples, mas não para tratar da saúde mental. Mesmo que estivessem, pergunto se teriam tempo. Os problemas de saúde mental, se encarados seriamente, implicam tempo... é preciso dar espaço para que a pessoa diga o que está a acontecer na sua vida e para debater soluções. Com a sobrecarga que têm, os médicos de família dificilmente terão condições para tratar problemas de saúde mental. Se medicam em excesso? Talvez. Mas os psiquiatras também o fazem.

Qual seria a solução?

Era preciso que a formação dos psiquiatras e de outros médicos na área da saúde mental fosse mais abrangente, menos focada na intervenção psicofarmacológica. Esta é importante, mas não a única via. O equilíbrio entre a medicação e as outras intervenções é difícil, porque entram aqui muitos fatores. É preciso ter em conta, por exemplo, que grande parte da formação pós-graduada dos psiquiatras nas últimas décadas foi paga pelas empresas farmacêuticas. Obviamente, isso tem consequências nas suas orientações terapêuticas. A classe conseguiu não se deixar controlar completamente, mas é um fator influente.

Também há que pesar as expectativas dos doentes. Existem dois tipos de doentes: uns têm uma atitude clara contra a medicação, outros, expectativas excessivas e acreditam que, por tomarem um comprimido, a vida muda. Ambas são irrealistas e é preciso saber geri-las da melhor forma na consulta.

Quando é que os medicamentos são indispensáveis?

As depressões que surgem no contexto de uma doença afetiva ou bipolar exigem medicação, não há dúvida. O mesmo sucede com as depressões endógenas, que resultam de alterações no ciclo biológico (e não de acontecimentos pontuais).

Quando há uma grande inibição psicomotora, os medicamentos também são úteis. Se os níveis de ansiedade forem muito elevados, é importante combinar antidepressivos com ansiolíticos, na primeira fase do tratamento.

Nas depressões mais reativas, resposta a uma situação pontual, os medicamentos nem sempre ajudam. Imagine que trabalha com um chefe que o humilha sistematicamente. O que faz? Revolta-se e abandona o posto ou desiste e deprime. Neste caso, se a atitude do responsável se mantiver, o antidepressivo não pode valer-lhe. A única forma de resolver a questão é tentar modificar a seu modo de reagir e de ouvir o chefe: a desvalorização constante pode significar que não dá lhe os sinais de submissão que ele pretende ou que vê, em si, uma ameaça. Por isso, terá de treinar a melhor forma de posicionar-se.

Na maioria dos casos, o melhor tratamento passará por psicoterapia em conjunto com a medicação?

Não me parece que deva existir mais psicoterapia formal, estruturada, de forma rígida, em 12, 20 ou 25 sessões. Mas os psiquiatras devem estar atentos aos casos da vida e intervir de uma forma a que gosto de chamar psicoterapêutica, mas que não passa pela tal estrutura rígida. Imagine, por exemplo, que teve uma rutura afetiva e, por isso, não dorme, está triste, perdeu o apetite, está desinteressada pelas coisas, sente-se cansada… ou seja, tem uma série de sintomas depressivos, que já duram há algum tempo. Posso receitar-lhe um antidepressivo que vai pô-la a dormir e a comer melhor, mas continuará a olhar para a rutura da mesma forma e a pensar, eventualmente, que a relação acabou porque não tem qualidades ou que há algo de errado consigo.

A melhor solução será, provavelmente, conversar sobre a forma como está a ver a situação, como acredita nas histórias que a sua cabeça lhe conta acerca de si e do seu “desvalor”. Desta forma, pode descer à terra e perceber que a sua relação acabou por razões que pouco terão a ver consigo. Esta é uma intervenção psicoterapêutica que não implica uma estrutura rígida, mas exige 45 a 50 minutos com o doente.

Uma atitude antimedicação também não é útil. Os antidepressivos já salvaram muitas vidas. A pouca eficácia que possam ter, muitas vezes, faz a diferença entre viver ou matar-se. A regra é sermos exigentes na identificação dos casos que precisam de uma medicação continuada e daqueles em que é útil mas não chega.

Além disso, é preciso saber o que pedir aos antidepressivos. Podemos pedir que estimulem um pouco o nosso humor, que ajudem a dormir melhor, a estar um pouco mais tranquilos... Podemos pedir-lhe que ajudem a induzir alterações, mas não podemos esperar que modifiquem a nossa vida e a forma como funcionamos com o trabalho e com os amigos. Se tomarmos um antidepressivo e nos metermos na cama, nunca ultrapassaremos a depressão.

Da sua experiência, quanto tempo demora um tratamento destes?

Às vezes, basta uma consulta. A depressão é um sentimento profundo de desvalorização, de achar que se vale menos do que os outros. Já tive doentes que me disseram: “o que mais me custa é ver ao estado a que me deixei chegar”. Nessa altura, temos de mostrar à pessoa que não pode acreditar em tudo o que a cabeça lhe diz.  Por exemplo, se estou deprimido, apenas tenho acesso a memórias negativas, pelo que fico convencido de que a minha vida se fez de derrotas. Isso deve-se ao funcionamento normal do cérebro, não tem a ver com aquela pessoa em particular. A nossa memória funciona muito por afetos. Quando estamos deprimidos, surge o lado negro; se estivermos bem dispostos, só nos lembramos de coisas fantásticas. Ao perceber esta mecânica, podemos desenvolver estratégias para minimizar os efeitos das experiências negativas.

Quando é que um doente deve passar do médico de família para o especialista?

Os antidepressivos começam, normalmente, a fazer efeito após três semanas. Se não houver melhoras ao fim de um mês, é possível mudar de medicamento ou juntar outro. Se ao fim de mais um mês não melhorar, deve procurar um especialista, de preferência, com formação em psicoterapia.

A depressão metaforicamente é uma desistência, um quadro de derrota. Quando a pessoa decide procurar ajuda, está a dar um passo em direção à saída. Se o médico, além do antidepressivo, lhe fizer perceber que há um sentido para o sofrimento e lhe apontar outros caminhos, o problema começa a resolver-se. O efeito placebo dos antidepressivos é muito grande: 20 a 25 por cento dos doentes melhoram com bolinhas de pão, se estiverem convencidos que estão a tomar medicamentos. Penso que isso acontece quando o doente quer encontrar a saída. Se for pressionado pelos familiares a procurar ajuda, e aparecer no consultório sem expectativas, os medicamentos não funcionam. É preciso um trabalho mais profundo.

O nosso estudo revelou que os pacientes sentem mais efeitos secundários, como irritação e nervosismo, quando deixam de tomar os medicamentos. Como se explica?

Alguns antidepressivos têm um “desmame” difícil. Se a pessoa não reduzir lentamente, pode sentir efeitos secundários, como agitação e irritação. Mas estes também podem estar relacionados com as expectativas dos pacientes, que pensam que vão piorar ao deixar a medicação. Já tive doentes que tomavam um oitavo de comprimido e diziam que não dormiam se deixassem de fazê-lo. É uma dose espiritual... (risos)

A solução é fazer um desmame lento e orientado pelo técnico de saúde. Os maiores problemas surgem quando os doentes se sentem melhor e resolvem, por si mesmos, interromper o tratamento, para ver se já estão bem.

A Agência Europeia do Medicamento recomenda um máximo de 12 semanas para o tratamento com benzodiazepinas (ansiolíticos), mas muitos inquiridos afirmam tomá-las há mais de um ano. O que está errado? 

Teórica e tecnicamente, a toma prolongada é um erro. Mas alguns doentes deixam de dormir, se não tomarem a pequena dose a que estão habituados ao deitar. Penso que terão sido estes que apanharam no estudo.

O ideal seria ensinar-lhes outras estratégias de sono. Se estivermos constantemente a pensar em dormir, não o conseguimos: para pensar, temos de estar acordados.

Há pessoas que têm dificuldade em adormecer porque vão ruminar para a cama, isto é, quando se deitam começam a pensar nos problemas do dia seguinte, ou naquilo que os preocupa. Isto vai impedi-los de adormecer. Há métodos para corrigir isso, mas é preciso conhecê-los e treiná-las. Uma boa higiene do sono é muito importante para se ter um sono reparador. Por vezes, é difícil convencer os doentes a passar por esse período de aprendizagem.

Quais são as consequências da toma prolongada?

Segundo alguns estudos, tomar doses médias ou elevadas de benzodiazepinas durante anos pode ter consequências negativas para a memória. Não conheço estudos que avaliem o efeito de uma dose mínima ao deitar. Na minha experiência, conheci muita gente que as tomou durante anos seguidos sem que os efeitos fossem óbvios. Mas estamos num terreno movediço.

Já o uso de doses elevadas, durante o dia, para controlar a ansiedade é errado. Na minha prática clínica, faço tudo para evitá-lo. Agora, estou a seguir um doente que tomava 48 miligramas de bromazepam por dia, há 20 anos [nas situações mais usuais, utilizam-se 3 a 9 miligramas]. É um homem obsessivo, que catastrofiza tudo o que lhe acontece, pelo que a solução foi darem-lhe ansiolíticos. Depois, começou a automedicar-se, chegando àquelas quantidades. Estamos a tentar reduzir devagarinho, 9 miligramas por semana.

A maioria dos doentes que toma doses altas fá-lo em automedicação. Há os que levam a receita e aumentam a dose por iniciativa própria, os que compram na farmácia sem receita, etc.... Além disso, em quase todas as famílias portuguesas há alguém que toma benzodiapezinas e que dispensa uns comprimidos a quem não tem recomendação médica para tomá-los. 
Alguns medicamentos destes são propícios a abusos. É o caso das benzodiazepinas com semivida curta, ou seja, que têm uma ação muito rápida e forte, mas cujo efeito cai abruptamente. Quando isso acontece, a ansiedade aumenta e a pessoa tende a tomar mais para manter os resultados. Estes medicamentos apresentam maior potencial para criar dependência.  

Os serviços de saúde estão preparados para responder ao aumento de problemas em períodos de crise?

Penso que estão, mas não sei que resposta vão dar. Se me aparecer uma mulher deprimida porque está desempregada e não tem comida para dar aos filhos, como resolvo? Dou-lhe antidepressivos? Estas perturbações estão relacionadas com a vida. Os serviços de saúde, por si, muitas vezes não conseguem resolver. Tem de haver uma resposta global, em conjunto com os serviços sociais.

Fonte:
http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=469336
http://www.deco.proteste.pt/saude/medicamentos/noticia/ansioliticos-e-antidepressivos-a-mais

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

há sempre remédio...

Há sempre medicamentos novos surgiram e trazendo esperança de dias melhores para pacientes de toda ordem.

O medicamento citado, abaixo, é para os deprimidos, isto é, milhões de pessoas por todo o mundo.

Uma boa notícia, sem dúvida!


Novo anti-depressivo poderá fazer efeito em poucos dias
30 outubro 2013

Hoje os remédios disponíveis demoram semanas para começar a fazer efeito e atenuar os sintomas da depressão.

Mas pesquisadores norte-americanos descobriram um novo antidepressivo que poderá atuar em poucos dias.

"Observamos efeitos terapêuticos de ação rápida em várias tarefas comportamentais depois da administração de compostos que bloquearam os receptores de serotonina 2C", disse Mark Opal, estudante da Universidade de Chicago e principal autor do estudo.

"Só começamos a analisar as melhorias ao fim de cinco dias, mas é possível que elas tenham começado a registar-se mais cedo", acrescenta.

A descoberta

Os especialistas, da Universidade de Chicago, nos EUA, descobriram que bloquear, de forma seletiva, um subtipo de um receptor de serotonina - neurotransmissor que atua no cérebro e regula elementos como o sono e o humor - foi capaz de acelerar os efeitos dos antidepressivos em ratinhos, o que poderá trazer uma nova classe de remédios para tratar a depressão.

Quando este receptor é bloqueado, acreditam os especialistas, há maior libertação de dopamina em regiões do cérebro como o córtex pré-frontal.

"Um dos principais problemas associados ao tratamento da depressão é, neste momento, a demora que existe até que os efeitos terapêuticos comecem a fazer-se sentir. Portanto, tem havido uma grande necessidade de descobrir medicamentos de ação rápida", explica Stephanie Dulawa, coordenadora do estudo publicado nesta terça-feira na revista científica Molecular Psychiatry, em comunicado.

Atualmente, apenas dois remédios - a cetamina e a escopolamina - têm ação rápida contra os sintomas depressivos, mas, devido aos graves efeitos colaterais, nenhum deles é adequado para uso humano, alertam os cientistas.

Segundo Dulawa, esta realidade faz com que as terapias, normalmente prolongadas, possam ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, que, muitas vezes, passam meses e meses trocando de medicação sem conseguir progressos.

Depois de testes feitos em laboratório, os pesquisadores conseguiram bloquear seletivamente este receptor em ratos, e observaram uma redução significativa dos comportamentos depressivos em apenas cinco dias (em comparação com as duas semanas necessárias para que se verificasse com a medicação convencional).

Este é o primeiro mecanismo biológico capaz de aliviar os sintomas da depressão de forma rápida identificado desde a descoberta da cetamina e da escopolamina, representando, potencialmente, uma alternativa muito mais segura.

Com informações do Boas Notícias.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os mitos da depressão

Frase

"Depressão é sinal de fraqueza, se ela realmente quisesse, ela poderia sair dessa depressão"', ou "Ela tem um caráter forte. Vai sair dessa".

Esclarecimento

Nem força de caráter nem situação social protegem alguém contra a depressão. Ela pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora e em qualquer idade. Como a depressão é causada por um desequilíbrio no cérebro, é pouco provável que ela "saia sozinha" de uma depressão. Medicamentos e outras terapias são geralmente necessários.

Frase

"É melhor não perguntar sobre a depressão. Só piora as coisas. "

Esclarecimento

Quando estamos deprimidos, um ouvinte solidário pode ajudar muito. Mesmo que a intenção seja boa, se os amigos e parentes ignoram nossa depressão, podem nos fazer ficar mais retraídos e envergonhados de nossos sentimentos.

Frase

"Se ele sair mais, logo vai se sentir melhor", ou "Se me envolver no trabalho, a depressão vai embora."

Esclarecimento

A maior parte das pessoas com depressão não gosta mais das atividades que antes as faziam felizes. Sem tratamento, sair tem um efeito mínimo no estado mental de um deprimido. Da mesma forma, envolver-se no trabalho não ajuda a se livrar da depressão. A depressão sem tratamento pode durar nove meses ou mais.

Frase

"Não sei por que ela está deprimida. Ela tem um ótimo emprego e um marido maravilhoso. A vida dela é bem mais fácil que a minha. "

Esclarecimento

Como a depressão é uma doença, pode afetar a todos por melhor que seja a vida da pessoa.

Frase

"Sei que ele está muito deprimido e falou em morte, mas ele não vai se suicidar. Ele não é disso."

Esclarecimento

A depressão pode mudar as pessoas. Qualquer deprimido que pense em morte ou suicídio precisa de auxílio médico IMEDIATAMENTE.

Acréscimo final

Depressão mata. Ou em linguagem técnica é "alta a morbidade causada pela depressão".

O índice de morte nos pacientes depressivos - por vinculação direta com a doença - é de 11% entre a população em geral. Um índice que se equipara às doenças do coração.

Por fim, é preciso ficar claro: a cura da depressão depende, em grande parte, da ingestão de medicamentos. Psicoterapia, grupo de ajuda, auxílio espiritual, apoio familiar são sempre coadjuvantes no tratamento, nunca um substituto!

PS.: o navio Esperança (Hope) pode nos conduzir aos portos seguros da serenidade se enfrentarmos o mar intranquilo da depressão; mas não há outro jeito: temos que navegar, que seguir adiante, corajosamente, depois de tomarmos os cuidados iniciais, com o auxílio de profissionais habilitados e competentes.

Fonte: http://www.acessa.com/arquivo/viver/psique/1998/09/08-Depressao/

quarta-feira, 27 de maio de 2009

E há remédio? Existe, há muito tempo...

O título acima é uma brincadeira com as palavras, para conscientemente chamar a tua atenção para o artigo abaixo, no qual destaco em cores a parte que se relaciona à questão da prevenção do suicídio.  O artigo, como um todo, no entanto, é muito importante para  todos nós - pacientes, médicos e estudiosos da saúde mental e áreas conexas (e os cidadãos em geral, evidentemente!)

Velhos remédios podem ser mais eficientes que novidades
25 de maio de 2009 

Dr. Richard A. Friedman

Recentemente, um dos residentes que supervisiono me contou sobre uma paciente de distúrbio bipolar cujo psiquiatra havia descrito um exótico coquetel de medicamentos, misturando um sedativo, um novo estabilizar de humor e o mais recente antipsicótico.

Fiquei intrigado - não pelo caso da paciente, descrito pelo residente como um exemplo clássico de psicose maníaco-depressiva, mas pelo que a história não revelava. Ao que parece, ninguém havia oferecido a essa paciente o uso de lítio, o tratamento isolado mais efetivo contra o distúrbio bipolar.

Quando me reuni com os residentes para seu seminário semanal, decidi que destacaria esse caso. Perguntei a eles qual era sua opinião sobre o tratamento daquela paciente.

Houve um longo silêncio. Um deles terminou por perguntar o que havia de errado com a prescrição. Por fim, um residente afirmou que sabia que o lítio era a resposta correta para o problema, mas que tratamentos mais novos são mais populares.

E foi assim que compreendi. Pouco importa que o lítio tenha provado sua segurança e eficácia ao longo de décadas de uso; ele se tornou antiquado, eclipsado por medicamentos mais novos e mais atraentes.

Os sais de lítio vêm sendo usados para combater o distúrbio bipolar desde os anos 50, quando foi descoberto que reduziam fortemente a intensidade e frequência das viradas de ânimo em cerca de 70% dos pacientes do problema. Embora o lítio deva ser usado com cuidado - ele só tem uso terapêutico em uma gama estreita de níveis sanguíneos e dosagens excessivas podem ter efeitos tóxicos -, também já ficou comprovado que é o único medicamento psicotrópico a ter efeitos especiais de prevenção do suicídio. Isso o torna especialmente útil, dado o risco elevado de suicídio associado aos distúrbios de alternância de humor.

Mas o lítio é barato e não é protegido por patentes, e por isso os laboratórios farmacêuticos pouco se interessam por ele. Em lugar disso, produziram uma nova geração de estabilizadores de humor, alguns dos quais mais toleráveis que o lítio, embora nenhum mais efetivo.

E o lítio dificilmente está sozinho na posição de medicamento efetivo mas não muito atraente a perder prestígio sem motivo. Os novos tratamentos médicos são como a famosa nova vizinha: eles têm atrativos aos quais parece difícil resistir.

Médicos e pacientes são alvo de pesado marketing da parte das companhias farmacêuticas. Elas gostam de dizer que seu interesse é educar o público e os médicos sobre as diferentes doenças, mas até hoje nunca encontrei um paciente que houvesse aprendido algo de realmente informativo sobre uma doença em um anúncio.

Em lugar disso, recebo dezenas de pacientes em meu consultório ávidos por receber o mais novo antidepressivo ou estabilizador de humor, com base em promessas televisivas de tranquilidade.

Não deveria surpreender: as companhias de medicamentos ampliaram em 330% seu investimento em publicidade veiculada diretamente ao consumidor, entre 1995 e 2005, de acordo com um estudo publicado em 2007 pelo New England Journal of Medicine.

Ao contrário do público mais amplo, os médicos continuam a se acreditar imunes à influência dos fabricantes de medicamentos, a despeito de fortes indicação em contrário. Estudos demonstraram que médicos conectados ao setor farmacêutico se inclinam mais a receitas remédios de marca, de preferência aos genéricos mais baratos, quando comparados a médicos que não tenham vínculos com os laboratórios farmacêuticos.

Isso não significa que toda forma de influência seja negativa. Caso um novo remédio de fato se prove mais seguro ou efetivo que seus predecessores, evidentemente deveria ser receitado a todos aqueles que poderiam se beneficiar dele.

Muito frequentemente, porém, a nova panacéia nada mais é do que um remédio "eu também", ou seja, uma pequena modificação de um remédio já disponível, que oferece pouca ou nenhuma vantagem em termos de segurança ou eficácia.

Não muito tempo atrás, atendi uma paciente que me disse sofrer de depressão resistente a tratamento. Ela não havia reagido a testes com cinco novos antidepressivos. Liguei para o psiquiatra responsável, e perguntei se ele havia por acaso receitado à paciente algum dos antidepressivos mais antigos. Por ter pouca experiência com esses remédios, ele não o havia feito.

Sugeri que a paciente experimentasse um medicamento MAOI, um dos métodos tradicionais de tratamento do problema. Em seis semanas, ela mostrava sinais notáveis de melhora.

Pode bem ser verdade que os antidepressivos mais modernos sejam mais seguros e toleráveis, mas eles não são mais efetivos do que os antidepressivos mais antigos. E os médicos deveriam saber se os novos medicamentos são capazes de superar em eficiência os tratamentos mais antigos, exatamente o objetivo de uma proposta do presidente Obama quanto a pesquisas de comparação de eficiência.

Como era de esperar, a idéia vem sendo criticada por fabricantes de remédios e equipamentos médicos, que temem que seus produtos moderníssimos se provem menos eficientes do que remédios mais antiquados.

Não sei quando a vocês, mas eu pessoalmente não hesitaria jamais em optar por um medicamento antigo, com um histórico conhecido de eficiência e segurança, de preferência a um produto recém-chegado ao mercado, dispendioso e incapaz de oferecer vantagens adicionais com relação ao método supostamente antiquado.

Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3785526-EI8147,00.html

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Notícia antiga, entrevista realizada e informação que necessita de constante reatualização...

Drauzio Varella, além de escritor e apresentador de quadros de orientação médica na televisão, é pesquisador e mantém um site sobre temas (e objetos de interesses) diversos.

Na seção de entrevistas ele debate o suicídio com a Dra. Alexandrina Meleiro, médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Uma das perguntas remete aos antidepressivos, motivo deste post. Ele pergunta:

Como funcionam os neurotransmissores no cérebro de uma pessoa normal e que tipo de alterações podem levar a uma patologia como o suicídio?

Em síntese, os antidepressivos atuam aumentando os níveis de neurotransmissores (serotonina e noradrenalina), o que evitará o risco do suicídio nas seguintes condições:

1) Caso o paciente consiga tomar a medicação regularmente, pois são necessários 10 (dez) dias, no mínimo, para o remédio fazer efeito;

2) Caso "a família e a equipe médica estejam alerta porque permanece o risco de o paciente atentar contra a própria vida". 

É acrescentada, ainda, a seguinte informação:

A "normalização da função cerebral em relação aos neurotransmissores" somente se dará após a medicação ter sido tomada durante 30 dias.

É fundamental, pois, os antidepressivos na prevenção do "risco suicida".

Para ler a entrevista completa, clique aqui.

Como complemento e atento ao título do post, segue na íntegra, notícia de um estudo sobre os depressivos: 


Antidepressivos não induzem a suicídio, diz estudo
20 de julho de 2004

Pacientes tratados com medicamentos antidepressivos correm maior risco de cometer suicídio nos primeiros dias da terapia, mas o risco é similar para qualquer dos medicamentos mais usados, disse um estudo publicado hoje. A pesquisa acrescenta que o risco do suicídio deve ser atribuído à própria depressão subjacente, não aos medicamentos.

O estudo, publicado na edição desta semana da Journal of the Amercan Medical Association (Jama), foi feito para descobrir se os chamados inibidores seletivos de recaptação de serotonina -- entre os quais os mais vendidos são o Paxil e o Prozac -- causam mais propensão ao suicídio do que outros medicamentos que melhoram o humor.

Esses medicamentos aumentam a quantidade de serotonina, uma substância ligada à depressão e à ansiedade, no cérebro. Casos de pacientes que se mataram durante o tratamento já chegaram aos tribunais, e há especial preocupação com seu impacto junto a adolescentes.

Os pesquisadores da Universidade de Boston examinaram os dados de quase 160 mil usuários de antidepressivos na Inglaterra entre 1993 e 99. Os quatro medicamentos usados foram a fluoxetina (Prozac), a paroxetina (Paxil), a amitriptilina e o dotiepina. Os dois últimos são parte de uma classe mais antiga de antidepressivos, os tricíclicos, que também atuam sobre as células nervosas do cérebro.

O grupo relatou que o comportamento suicida não-fatal é quatro vezes mais provável de ocorrer nos primeiros dez dias do tratamento com qualquer dos medicamentos, e três vezes mais provável nos 19 dias seguintes, do que para pacientes tratados durante três meses.

"Associações similares estavam presentes em todas as quatro drogas estudadas", disse a pesquisa. "Achamos que a explicação mais provável para esta conclusão é que o tratamento contra depressão pode não ser imediatamente efetivo, então há maior risco de comportamento suicida nos pacientes recém-diagnosticados e tratados do que naqueles tratados por mais tempo", disseram os autores.

"Também é possível que esta observação reflita o fato de os pacientes começarem a tomar antidepressivos quando sua depressão, que normalmente flutua com o tempo, está no seu pior momento", disseram eles. "Não podemos excluir o que achamos ser uma menor possibilidade, ou seja, que o próprio medicamento 'cause' a piora rápida da depressão, portanto levando ao comportamento suicida."

A FDA (órgão dos EUA que regulamenta remédios) determinou neste ano que os fabricantes de dez antidepressivos incluam nas embalagens alertas recomendando observação atenta de adultos e crianças para o caso de piora da depressão e surgimento de tendências suicidas.

Os autores disseram ainda que, "com base em informações limitadas", nada leva a crer que os medicamentos tenham efeitos diferentes entre adolescentes de 10 a 19 anos, mas reconheceram que seu estudo não é conclusivo nesse aspecto.

A Universidade de Boston disse que o estudo foi financiado com seus próprios recursos, e não com verbas dos fabricantes dos medicamentos. 

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI347344-EI238,00.html

Nota 
Muito embora o tema não seja sobre o Drauzio Varella, ele merece posar no post, seja por sua pergunta inteligente, seja pelo conjunto de sua obra, mas principalmente pelas suas ações em favor da vida.