sábado, 24 de outubro de 2020

Quando o problema alheio é semelhante ao nosso... Suicídio como problema grave de saúde pública

Novo México enfrenta com terapia aumento do suicídio de crianças e adolescentes

Cláudia Collucci (Folha de São Paulo)

Cinquenta dias antes da eleição americana, a Folha começou a publicar a série de reportagens “50 estados, 50 problemas”, que se debruça sobre questões estruturais dos EUA e presentes na campanha eleitoral que decidirá se Donald Trump continua na Casa Branca ou se entrega a Presidência a Joe Biden.

Até 3 de novembro, dia da votação, os 50 estados do país serão o ponto de partida para analisar com que problemas o próximo – ou o mesmo – líder americano terá de lidar.

Quem observa um grupo de adolescentes sentado no chão de uma escola vazia em Santa Fé, no Novo México, não imagina que a conversa animada seja sobre um tema que tanto assombra as autoridades americanas de saúde: o suicídio infantojuvenil.

Na faixa etária entre 10 e 24 anos, a taxa dessas mortes aumentou de 7 para 11 em cada grupo de 100 mil, entre 2007 e 2018, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).

O Novo México figura entre os cinco estados com maior incidência, com taxa de 20,9 mortes por 100 mil, quase o dobro da média nacional. O Alasca lidera, com 36 mortes por 100 mil.

O temor das autoridades de saúde é que os casos de suicídios cresçam ainda mais no pós-pandemia, já que os sinaisde depressão e ansiedade entre os americanos triplicaram desde o início da crise sanitária, segundo pesquisas.

O isolamento social é a chave para desacelerar a disseminação do vírus, mas também é fator de risco para vários transtornos psiquiátricos, incluindo o suicídio, diz o psiquiatra Rodrigo Martins Leite, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A situação já era preocupante antes da pandemia. O Bark, um aplicativo que alerta os pais quando os filhos acessam conteúdo online suspeito, analisou a atividade de mais de 1 milhão de pré-adolescentes em 2019 e revelou que 55% deles conversaram sobre depressão, e 35% estavam envolvidos em episódios de automutilação ou ideias suicidas.

Uma das iniciativas para o enfrentamento dessa crise acontece desde 2015 em Santa Fé. Semanalmente, estudantes se reúnem em escolas sob a mediação de conselheiros do projeto Semicolon (ponto e vírgula, em inglês), voltado à prevenção do suicídio.

É uma espécie de terapia em grupo, em que os jovens têm liberdade para expressar suas angústias e recebem apoio de acordo com o grau da ideação suicida.

“Cruzamos um limiar. Todas as dificuldades emocionais e problemas de relacionamento que costumávamos ver com os jovens de 16, 17, 18 anos, agora vemos em crianças mais novas”, diz Apryl Miller, diretora executiva do Sky Center, clínica responsável pelo Semicolon.

A preocupação não se resume aos jovens. O CDC vem documentando um aumento na taxa nacional de suicídio: de 10,7 por 100 mil pessoas em 2001 para 14, em 2018.

Entre os americanos em idade produtiva (16-64 anos), o índice cresceu 40% no mesmo período. O suicídio é uma das dez principais causas de morte nos EUA e é responsável pela maioria das mortes por armas de fogo.

Os dois principais candidatos presidenciais oferecem planos de prevenção ao suicídio, mas priorizam apenas os veteranos de guerra, subgrupo com maior risco do que a população em geral.

O site de campanha de Donald Trump destaca a criação de uma força-tarefa dedicada à prevenção de suicídios entre veteranos, e seu orçamento proposto para 2021 aloca cerca de 30% a mais de recursos para prevenção de suicídio nesse grupo. Não há referência à prevenção de suicídio entre jovens.

O plano de prevenção do suicídio de Joe Biden também é focado nos veteranos, com promessa de financiamento de serviços de saúde mental, início precoce de tratamentos e aumento de profissionais. Biden diz que fortalecerá programas de prevenção de suicídio entre adolescentes LGBTQ+, mas não fornece detalhes.

 

8 passos para identificar pessoas com pensamento suicida

 

1. Isolamento: jovens que estão passando por um momento difícil tendem a se isolar. O mesmo ocorre com aqueles que enfrentam bullying.

2. Mudanças de humor: agressividade, tristeza ou ansiedade que não passam durante um longo período são sinais de alerta. A agressividade aparece especialmente nos meninos.

3. As chances de uma pessoa tentar se suicidar novamente após uma primeira tentativa são altas. Por isso os primeiros dias após o ocorrido demandam conversa com o jovem e atenção ao seu comportamento.

4. Despedir-se de amigos e doar objetos importantes podem anteceder um suicídio. Deve-se observar o objetivo da ação. Doar pode ser sinal de renovação da vida, mas também de fechamento de um ciclo.

5. Descuido com a aparência em jovens que sempre foram vaidosos ou negligências que envolvam a rotina básica de higiene são preocupantes. Em meninas, perfeccionismo e autocobrança são mais frequentes.

6. O uso excessivo de drogas pode ser tanto um sinal de que a pessoa não está bem como um fator de risco. Quem está em sofrimento pode ficar mais sensível aos efeitos de substâncias que alterem a consciência.

7. Sono e alimentação desregulados: é comum que adolescentes durmam e comam muito ou pouco, de acordo com a fase em que estão. É importante observar se há mudanças de outros hábitos.

8. Pessimismo e desesperança: adolescentes que acreditam ser um peso na vida dos outros e falam muito em morrer precisam de ajuda. Com a internet, é importante observar também como o jovem tem se expressado nas redes sociais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/novo-mexico-enfrenta-com-terapia-aumento-do-suicidio-de-criancas-e-adolescentes.shtml

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Andréa Nakane fala sobre André Trigueiro. E não é fofoca...

Um papo maneiro e esperto 

Diário do Rio de Janeiro

Andréa Nakane

O carioca, André Trigueiro, jornalista conceituado que trabalha na Globonews, CBN e Rede Globo, logo depois da eclosão da pandemia no Brasil, iniciou o Papo das 9, um bate papo virtual, de um hora de duração, transmitido pelo Instagram e no seu canal oficial do YouTube, que tem atraído uma média cativa de 3.500 pessoas diariamente em tempo real.

O roteiro informal dessa conversa, que já contabiliza 155 horas de conteúdo, ou seja, 155 lives, inicia-se com uma calorosa saudação matinal, seguida de uma leitura aleatoriamente recebida ao folhear o livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Pastorini, composto com mensagens sucintas e reflexivas, logo depois, André Trigueiro, oferece uma dica de leitura, geralmente relacionadas a temas que lhes traz mais intimidade e interesse, versados em meio ambiente, sustentabilidade, psique humana e na doutrina espírita, já que o jornalista é um dos nomes públicos mais conhecidos no Brasil que segue as orientações dessa crença religiosa.

Nas lives do André Trigueiro, também há espaço, todos os dias, para recomendações de atos de caridade, em forma de doações para entidades, associações e organizações não governamentais que atuam em diversas causas sociais e ambientais. 

Logo depois desse momento, o jornalista faz uma espécie de resumo das principais notícias que estão em voga, acrescentando sua visão e incitando que todos os participantes também reflitam sobre os assuntos.

E para manter maior proximidade e verdadeira integração, André Trigueiro abre a última parte da live para responder perguntas que são enviadas pelos seguidores, que versam sobre os mais distintos assuntos, com ênfase em questões humanitárias e espirituais na maioria das vezes. Algumas indagações são de grande profundidade, o que remete uma percepção de familiaridade e intimidade gerada com as conexões realizadas, frutos de um comprometimento altruísta, generoso e caridoso do jornalista, que conseguiu ir muito além de ser um emissor fidedigno de informações e formatou uma aliança comunicacional de um puro relacionamento genuíno, vigoroso e fraterno.

Domingo, a live é diferente, e torna-se um composto de noções e conhecimentos dirigidos, uma verdadeira jornada temática, que agrupa, entre 4 e 6 sessões de muitas elucidações e pareceres. André Trigueiro também já realizou lives especiais com próceres como Caetano Veloso, Leonardo Boff, Flávio Venturini, Djamila Ribeiro, Lenine, Irvênia Prado, Marina Silva, Paulo César Frutuoso, entre outros célebres nomes.


Todo esse conteúdo está disponível nas redes sociais do André Trigueiro ou em sua homepage – mundosustentavel.com.br, garantindo um rico acervo para consultas, estudos ou simplesmente entretenimento com conteúdo sério e ilibado.

André Trigueiro, também é professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, além de autor de diversos livros, entre os quais, destacam-se: “Cidades e Soluções – Como construir uma sociedade sustentável” (Ed. Leya, 2017); “Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise” (Ed. Globo, 2012); “Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Ed. Globo, 2005), Coordenador editorial e um dos autores do livro “Meio Ambiente no século XXI” (Ed. Sextante, 2003), “Espiritismo e Ecologia” (Ed. FEB, 2009) e “Viver é a Melhor Opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015) e “ A Força do Um” (Ed. Infinda, 2019).

Morador do aprazível bairro de Laranjeiras, André Trigueiro como ecologista, com discurso alinhado a sua prática, faz em sua residência coleta seletiva de lixo, com direito a compostagem, não come carne vermelha, reduziu ao mínimo o consumo de carne branca, procura o consumo racional da água, não compra nada em embalagens plásticas e busca, manter-se pragmático com sua própria consciência, tornando-se, assim também, uma referência de cidadão para tantos que há muito já o admiravam, antes de pandemia, e muitos outros, que o conheceram melhor no encantador e edificante Papo das 9, que não atrasa nem um minuto e pontualmente emana boas energias diretamente do Rio para todo o Brasil, e em muitos dias, com audiência estrangeira, afinal o mundo todo hoje está na rede, sobretudo quando ela é fonte de vibrações muito positivas e esperanças no Amanhã.

Fonte: https://diariodorio.com/andrea-nakane-um-papo-maneiro-e-esperto

Três moças lá de Minas, bem unidas em favor da vida (Luciana, Larrisa e Juliana)

Vida em tirinhas: prevenção e posvenção ao suicídio

Jéssica Mayara* (1º setembro 2020)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, de acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, segundo a entidade, para cada suicídio cometido, mais pessoas tentam tirar a própria vida.

Justamente por isso, a psicóloga clínica, tanatologista, suicidologista e paliativista Luciana Carvalho Rocha destaca ser importante falar sobre o assunto, de forma responsável, a fim de conscientizar e prevenir a prática do suicídio. 

Deste modo, Luciana, a também psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora da Família em Tiras, Juliana Rodrigues, idealizaram um projeto voltado a difundir informações sobre o assunto.

“A iniciativa surgiu em uma conversa em que percebemos que falar sobre suicídio de uma forma mais 'leve' poderia ser eficaz, trazendo um resultado positivo neste contexto. Dessa forma, encontramos nas ilustrações essa possibilidade”, conta Luciana. 

A partir disso, ela relata que foi necessário pensar sobre o assunto, partindo do princípio da psicoeducação. Isso porque, segundo a psicóloga, ao contrário do que muitos pensam, falar e tratar sobre o assunto suicídio perpassa pelo critério de informação e conscientização sobre os riscos, fatores de proteção e sinais correlacionados ao ato. 

(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

“É preciso, por exemplo, analisar a perspectiva de uma pessoa que já tentou o suicídio, mas não morreu, de uma pessoa que esteja pensando em cometer o ato e, também, de um familiar ou amigo de alguém que já tenha tirado a própria vida. Então, com base nisso, selecionamos algumas situações e criamos as tirinhas, de forma que a gente pudesse alcançar pessoas que tivessem passando por situações 'semelhantes'”, diz. 

Conforme Luciana, o suicídio precisa ser tratado em dois âmbitos correlatos: o da prevenção e o da posvenção. Ou seja, na conscientização do suicídio, a fim de evitar que mais pessoas o entendam como uma solução, e, também, no cuidado com pessoas que perderam alguém para o suicídio. Exatamente por isso, a psicóloga destaca a intenção de que o projeto alcance mais pessoas. 

“A ideia das tirinhas, com imagens e frases curtas, foi pensando justamente nesse ponto de conscientizar o máximo de pessoas possível sobre a necessidade de falar sobre o suicídio. E a melhor forma de tratar esse assunto é pelo debate. Para isso, as pessoas precisam entender que o suicida ou a família de alguém que tirou a própria vida não é estereotipada, pois, muitas vezes, as pessoas têm uma ideia completamente errônea sobre isso. E 100% dos indivíduos que cometem o ato têm uma ou mais doenças mentais”, afirma. 

No entanto, Luciana pontua que patologias mentais são mais recorrentes do que as pessoas acreditam. Portanto, conclui ser importante que o tema seja mais discutido.

Depressão, por exemplo, é uma doença mental, e a gente sabe que no mundo, hoje, temos aproximadamente 300 milhões de pessoas deprimidas. Então, não é à toa que tantas pessoas tentam tirar a própria vida. Precisamos falar sobre isso, porque as pessoas quando tiram a própria vida, elas estão adoecidas e não querem, de fato, morrer, elas apenas não enxergam outra ‘saída’ para o sofrimento.” 

Acolhimento e ajuda especializada  

Luciana destaca que, em caso de pensamentos suicidas, as pessoas precisam buscar ajuda profissional de um psicólogo e/ou psiquiatra, contando, também, com o acolhimento, o que, para ela, deve ser um exercício diário e não somente lembrado no mês de conscientização do suicídio, o setembro amarelo. 

Não é apenas conversar em tempos de conscientização, mas, sim, acolher, de fato. Para isso, temos, além da ajuda vinda de pessoas próximas, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona como uma rede de apoio às pessoas em crise. Por fim, se faz importante entender, assim como demonstramos em nosso trabalho, por meio das tirinhas, que quando uma pessoa diz que quer morrer, não é para chamar a atenção, isso é um sinal. Precauções precisam ser tomadas.” 

“Precisamos falar sobre suicídio!” 

As tirinhas, feitas por Luciana, em parceria com a psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora Juliana Rodrigues, tratam do tema suicídio, em um projeto intitulado "Precisamos falar sobre suicídio!", de forma a abordar todas as vertentes do ato, como ações de acolhimento a serem direcionadas à familiares que perderam alguém por suicídio e às pessoas que pensam em cometer o ato. 

Para conferir e fazer parte dessa conscientização, as tirinhas podem ser acessadas por meio da conta pessoal de Luciana e, também, do perfil oficial da Famílias em tiras e do "Do luto à luta", todas elas cadastradas no Instagram

Peça ajuda! 

Em caso de pensamento suicida, o Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ser acionado a qualquer momento, estando em pleno funcionamento durante 24 horas por dia, via telefone (188) e/ou por e-mail ou chat, por meio do site oficial da entidade, que informa: “o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo”. 

* Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram 

Fonte: www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/09/01/interna_bem_viver,1181157/vida-em-tirinhas-prevencao-e-posvencao-ao-suicidio.shtml

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

É necessário novamente e sempre falar sobre o suicídio

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

Sivan Mauer (26 agosto 2020)

Desde 2003, o dia 10 de setembro é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Porém, desde 1994 já existia a campanha “Setembro Amarelo”, que teve início nos Estados Unidos com os pais e amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou a própria vida. Mike tinha grandes habilidades para lidar com mecânica automotiva, e recuperou e pintou de amarelo um Mustang ano 1968. As habilidades levaram Mike a ficar conhecido como Mustang Mike. Já a fita amarela virou tradição quando os jovens amigos de Mike as prenderam na lapela, no cabelo ou no chapéu no dia do funeral do jovem, onde também distribuíram cartões com a inscrição It's ok to Ask4help, que basicamente significa "não tem problema pedir ajuda". A fita amarela lembrava a cor do Mustang de Mike, e o formato da fita em coração era para lembrar as pessoas que ele deixou. Impressionantemente, em cerca de três semanas o primeiro cartão distribuído no funeral chegou às mãos de um professor, com um pedido de socorro de uma aluna.

A história de Mike é comovente e tenho de certeza que sensibiliza a muitos, mas infelizmente no dia a dia a realidade não é bem esta, pois, o suicídio muitas vezes é alvo de preconceito e mitos, tanto por parte da população leiga quanto da comunidade médica. É preciso entender que o suicídio não é uma doença. Entretanto, na maioria das vezes, ele é o resultado de algumas doenças como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Entre 80% e 90% das pessoas que cometem suicídio estão sofrendo de algum tipo de transtorno do humor, ou seja, estão tão doentes como aquele paciente que teve um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Muitas vezes, o paciente psiquiátrico sofre preconceito até mesmo por médicos de outras áreas e outros profissionais da saúde, em hospitais gerais. Ironicamente os médicos fazem parte de uma das profissões que mais cometem suicídio no mundo.

Entre a população leiga o preconceito em relação ao suicídio se amplifica. A falta de empatia pelo paciente pode ser exemplificada por meio de vários casos. Em um deles, uma pessoa estava tentando tirar a própria vida saltando de uma ponte entre Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo. O resgate levou algumas horas, e neste intervalo as pessoas se expressavam de todas as maneiras, sendo a mais frequente o pedido para que o suicida se jogasse de uma vez por todas. Algumas, inclusive, afirmaram que se dispunham a empurrá-lo. Em um certo momento iniciou-se um buzinaço, e assim por diante. Empatia é um fator importante para que exista o acolhimento do paciente psiquiátrico, e isso pode ser decisivo em momentos emergenciais. Ainda bem que no caso do Espírito Santo existia uma equipe dos bombeiros muito bem treinada, que demonstrou empatia e cuidado com o paciente, evitando o suicídio.

Podemos observar, também, o preconceito em relação a algumas populações no Brasil, como as indígenas, que chegam a ter uma prevalência de suicídio triplicada quando comparada à da população em geral. Isso demonstra um descaso da sociedade em geral, do governo e das entidades responsáveis por esta população, que demonstra negligência diante de um número tão expressivo de suicídios. As campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina entende que isso pode ser prevenido. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisam se atualizar e entender os novos fatores de risco para doenças mentais. Alguns estudos, por exemplo, demonstram que cyberbullying e o tempo que se passa na internet estão relacionados a suicídio.

Algumas formas de prevenção passam por abordagens psicoterápicas e outras pelo uso de psicofármacos. Entre as abordagens psicoterápicas se destaca o CVV (Centro de Valorização da Vida), que desde 1962 exerce um grande papel na sociedade, trabalhando na prevenção do suicídio.

O CVV atende 24 horas por telefone ou site, além de realizar atendimento pessoal. Quanto à questão psicofarmacológica, a maneira mais efetiva e importante de prevenção ao suicídio é o uso do lítio. Hoje, esta abordagem já é fato. Mas ela precisa ser disseminada entre médicos clínicos que atendem pacientes, principalmente nos
pronto-socorros. Precisamos ter em mente a questão da recidiva das tentativas de suicídio. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado com a seriedade devida. Apenas com medidas preventivas e educacionais, episódios como o que ocorreu na ponte poderão deixar de existir. E as pessoas, em vez de torcerem para que o suicida se jogue da ponte ou do alto de um edifício, terão o mínimo de empatia em relação ao sofrimento humano. 

*Dr. Sivan Mauer é médico psiquiatra especialista em transtornos do humor. O profissional é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: https://xvcuritiba.com.br/setembro-amarelo-precisamos-falar-sobre-suicidio-por-dr-sivan-mauer/

sábado, 22 de agosto de 2020

Pandemia e os fatores de risco para o suicídio

Pandemia: pesquisa revela aumento de busca no Google por palavras relacionadas ao suicídio

Deise Aur

As medidas preventivas ao contágio da Covid-19 provocou mudanças drásticas na rotina e estilo de vida dos cidadãos, causando estresse, ansiedade e preocupação, o que está intimamente ligado à saúde mental, que por sua vez pode se tornar fatores de risco ao suicídio.

O novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da doença respiratória Covid-19, teve seu início em dezembro de 2019. De lá para cá, o surto que virou pandemia mexeu com o modo de vida de pessoas do mundo inteiro, refletindo até mesmo nos mecanismos de buscas do Google, o que mais vem inquietando as pessoas durante a pandemia.

Um estudo feito por pesquisadores da Columbia University Irving Medical Center, publicado no periódico Plos One, avaliou dados do Google em pesquisas de buscas feitas nos Estados Unidos, revelando um acentuado aumento de busca por informações sobre dificuldades financeiras e ajuda humanitária, fatores que impactam o equilíbrio psíquico do ser humano.

Essa pesquisa feita nos EUA, e outros estudos em diversos países, relacionaram o comportamento detectado nas pesquisas do Google aos fatores desencadeadores do suicídio. Os pesquisadores chegaram à essa conclusão avaliando pesquisas online relacionadas ao suicídio e suas causas,  durante a parte inicial da pandemia e o seu impacto a longo prazo sobre a saúde mental humana.

O estudo

Os pesquisadores usaram um algoritmo para analisar os dados do Google, no período de 3 de março de 2019 a 18 de abril de 2020, a fim de identificar os fatores relacionados ao risco de suicídio.

Para Madelyn Gould, professora de Epidemiologia em Psiquiatria na Universidade de Columbia, e autora sênior do estudo, esse resultado é preocupante:

“A escala do aumento nas pesquisas do Google relacionadas a dificuldades financeiras e alívio de desastres durante os primeiros meses da pandemia foi notável, então esta descoberta é preocupante”, alerta.

Primeira autora deste estudo, a analista de dados Emily Halford, detectou uma preocupação em reduzir os efeitos nocivos da pandemia sobre o psicológico das pessoas:

“Não tínhamos uma hipótese clara sobre se haveria um aumento nas consultas relacionadas ao suicídio durante esse período, mas previmos um senso nacional de comunidade durante a pandemia que pode mitigar o comportamento suicida em curto prazo.”

Estudos anteriores

Baseados nos efeitos de desastres e tragédias que aconteceram anteriormente, outros estudos sugeriram que as taxas de suicídio geralmente diminuem logo após estes desafortunados acontecimentos. Mas em contrapartida, podem aumentar meses depois, como ocorreu após a pandemia de gripe de 1918 e o surto da SARS de 2003 em Hong Kong.

A busca por ajuda durante a Pandemia

Um outro comportamento que ficou evidente neste estudo, foi o significativo aumento de consultas relacionadas à depressão, e ainda um tanto maior em relação à Síndrome do Pânico.

“Parece que os indivíduos estão lutando contra o estresse imediato da perda do emprego e do isolamento e estão pedindo ajuda aos serviços de emergência, mas o impacto sobre o comportamento suicida ainda não se manifestou”, explica Madelyn Gould

Geralmente, a depressão pode demorar mais para se desenvolver, enquanto os ataques de pânico podem ser uma reação mais imediata à perda do emprego e aos eventos emocionalmente carregados em meio ao isolamento social da pandemia.

Outros termos que apareceram nas busca do Google foram os relacionados à solidão e isso se deve ao distanciamento social, uma das principais medidas implantadas para reduzir a disseminação do coronavírus. Para Madelyn Gould:

“esta abordagem pode ter efeitos secundários prejudiciais, como solidão e exacerbação de doenças mentais preexistentes, que são fatores de risco de suicídio conhecidos“.

Em virtude destes resultados, os pesquisadores ainda ressaltam que é de vital importância a prevenção ao suicídio,  garantindo a acessibilidade de serviços de saúde mental, durante e posteriormente à pandemia.

Psiquiatra explica como cuidar da Saúde da Mente

Neste vídeo do canal Saúde da Mente, o médico Psiquiatra Dr. Marco Antonio Abud Torquato Jr. ensina 10 dicas para regular as emoções e lidar melhor com a pandemia.

Como manter a saúde mental em dia

Para quem está se sentindo abalado emocionalmente e mentalmente pelos efeitos da Pandemia, seguem, maneiras de promover a melhora psíquica, durante e depois da quarentena:

  • Seja seletivo com relação ao que entra em sua mente, através dos meios de comunicação
  • Não julgue seus sentimentos, apenas os observe e deixe-os ir
  • Não se identifique com os radicalismos alheios, seja na política ou outros setores
  • Priorize o essencial, pois é a base para viver melhor
  • Procure focar naquilo que te faz bem
  • Seja gentil e tenha paciência consigo mesmo e saberá ser assim com os demais
  • Pratique atividades como yoga ou meditação que contribuem para desenvolver a atenção, a serenidade e a gratidão.

Como buscar ajuda

Somando-se ao resultado desse estudo, lembramos que estamos prestes a entrar na campanha Setembro Amarelo de Prevenção ao Suicídio. Por isso, é bom lembrar e compartilhar formas de obter ajuda psicológica, caso sentir que esteja precisando ou se conhecer alguém que necessite de apoio.

Veja como conseguir assistência psicológica gratuita:

CVV

O Centro de Valorização da Vida-CVV é uma entidade que oferece apoio emocional e de prevenção do suicídio, com atendimento gratuito e sob sigilo àqueles quer precisam conversar e desabafar.  

RAPS

Instituto Sapentia Cordis disponibiliza uma Rede de Atendimentos Psicológicos Sociais pela Internet.

Saúde Brasil

O site Saúde Brasil traz várias informações de como ter hábitos saudáveis e cuidar da saúde mental durante a pandemia.

Outras tipos de assistência psicológica

Outra formas de se obter assistência psicológica e gratuita você encontra neste conteúdo:

Agora, dispondo de todas essas informações, cuide-se e compartilhe esse conteúdo com quem estiver precisando. Muitas pessoas perderam trabalho, outras perderam entes queridos. O momento é difícil. É preciso força e solidariedade.

Fonte: www.greenme.com.br/viver/costume-e-sociedade/48872-busca-google-suicidio-pandemia/

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Colaboração global de cientista em favor da prevenção do suicídio

 

Covid-19: Cientistas ampliam colaboração global para combate ao suicídio


Efeitos da pandemia na saúde mental global começa a preocupar pesquisadores de diversos países, que se unem para intensificar estudos e mitigar riscos

19 agosto 2020

Pandemia tem causado graves impactos na saúde mental

Saúde mental: pandemia agrega uma série de situações que afetam a mente (Thanakorn Suppamethasawat)

Pela primeira vez, a atual geração enfrenta uma pandemia que abala diversos setores da economia global e da vida pessoal. Grandes empresas enfrentam suas piores crises, pequenos comércios fecham as portas, o consumo se adapta para o mundo digital.

Ao mesmo tempo, não há quem não esteja estressado de alguma forma. Quem precisa sair de casa enfrenta a tensão de se expor ao vírus. Quem pode fazer quarentena se vê preso, com um acúmulo de tarefas para dar conta no mesmo espaço e no mesmo tempo. Somam-se as preocupações com a saúde e a estabilidade financeira - e até as fake news entram no jogo.

Este conjunto de efeitos, é claro, tem grande impacto na saúde mental. No Brasil, logo no início da pandemia, uma pesquisa liderada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro já mostrava um aumento importante em sintomas como estresse agudo, depressão e crise aguda de ansiedade.

A experiência de outras epidemias mundo afora ajudam a predizer o que, agora, parece óbvio. O surto de influenza equino na Austrália, em 2007, levou donos de cavalo a quadros importantes de estresse psicológico. Da mesma forma, a epidemia de ebola no Senegal, entre 2014 e 2016, fez com que mais de 90% da população habitante de áreas de risco tivessem mais ansiedade e insônia.

Com extensão geográfica e temporal, as consequências da covid-19 preocupam cada vez mais os cientistas da área da saúde mental. Recentemente, um grupo de pesquisadores de países europeus e da Austrália estabeleceu uma colaboração para estudos de prevenção de suicídio no contexto da pandemia.

Agora, o grupo aponta para a necessidade de incluir representantes de países em desenvolvimento, de regiões como Oriente Médio, África e América do Sul.

“O foco primário das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde tem sido o impacto da covid-19 na saúde física, mas precisamos reforçar as ações em prol da saúde mental, incluindo a prevenção de suicídio”, dizem os pesquisadores em editorial publicado na revista científica alemã Hogrefe.

“As possíveis consequências da pandemia vão se desdobrar de diversas maneiras a longo prazo, variando de acordo com a duração e intensidade de infecção. Pesquisas são necessárias para assegurar que todos os aspectos da saúde sejam considerados nas tomadas de decisão.”

De acordo com a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio, o ato de dar fim à própria vida é a 10ª principal causa de morte nos Estados Unidos, gerando 132 vítimas por dia. A situação é crítica se analisado o grupo de pessoas de 10 a 34 anos: neste caso, o suicídio é a 2ª principal causa de morte.

Ainda nos Estados Unidos, homens cometem 3,6 vezes mais suicídio do que mulheres. Do total de pessoas atingidas, 90% tinham doença mental diagnosticável.

 Fonte: https://exame.com/ciencia/covid-19-cientistas-ampliam-colaboracao-global-para-combate-ao-suicidio/

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Prevenção de suicídio entre jovens universitários: manual validado

Prevenção ao suicídio é tema de artigo publicado por aluna de iniciação científica da UEA

A estudante do curso de Medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA), Anelys Feitoza Siqueira, teve um artigo publicado na edição de 20 anos da “Rev Rene”, publicação editada pela Universidade Federal do Ceará (UFCE). O trabalho busca dar visibilidade e causar reflexões em volta da temática do suicídio entre jovens universitários e é fruto do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) da UEA, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A produção, intitulada “Validação de Manual sobre Prevenção do Suicídio para universitários: falar é a melhor solução”, é um produto das investigações desenvolvidas pelo Laboratório de Tecnologias para o Trabalho e Educação na Saúde (LATTED), liderado pelo orientador, e durou três anos para ser finalizada.

O manual foi produzido, na época, pelo aluno de Medicina, Iury Pedro Bento Barbosa, que se formou em 2015. Anelys assumiu o projeto e executou a etapa de validação da tecnologia e deu continuidade à pesquisa em 2016, sendo orientada nos dois primeiros anos pelo professor doutor Darlisom Sousa Ferreira e coorientada pelo professor mestre Wagner Ferreira Monteiro, e no último ano pela professora doutora Elizabeth Teixeira.

“A escolha do tema foi meio pessoal. No meu Ensino Médio, passei por um episódio bem delicado de vivenciar o que realmente é o suicídio, uma colega morreu por suicídio, e isso me marcou muito. Acabei vendo essa pesquisa como uma forma de ajudar para que outras pessoas não passassem pelo que eu, ela, a família e os colegas passaram. Desde que entrei na universidade tenho observado meus colegas adoecendo mentalmente, principalmente devido às pressões relacionadas aos cursos, e me refiro a todos os alunos da área da saúde com os quais tive contato”, explicou Anelys.

Casos no Brasil


No Brasil, entre 2002 e 2018, o suicídio aumentou quase 10%, de acordo com o Mapa da Violência, além de ser considerada a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Segundo a aluna, a pesquisa se torna essencial para a UEA, por trazer foco no suicídio e propiciar reflexões não antes debatidas dentro da instituição.

O orientador Darlisom Sousa Ferreira explica que, à época da seleção dos projetos de iniciação científica, buscava acadêmicos interessados em desenvolver projetos de pesquisa sobre temas atuais e emergentes. “Foi quando o Iury me procurou para a desenvolver um estudo sobre a temática do suicídio, que prontamente acolhi e que nas duas edições seguintes do Paic foi assumido pela Anelys”, conta ele.

O estudo, acrescenta Darlisom, seguiu com foco na a produção de tecnologias educacionais como instrumentos para o autocuidado e promoção da saúde. “Passamos ano a ano produzir, validar com juízes experts, validar com o público alvo e submeter os resultados à difusão em capítulos de livros, eventos e recentemente em periódicos científicos. É um material inovador e que reúne diversas evidências e experiências sobre essa pauta, o suicídio é uma epidemia e um grave problema de saúde pública mundial”, destacou.

A aluna atualmente está no Internato de Medicina e destaca que a disponibilização do manual para alunos da ESA é essencial para que a pesquisa traga frutos para o ambiente em que estuda e a possibilidade de adaptar o material para outras unidades.

“O manual é somente uma das formas de ajudar os acadêmicos da casa. Ele pode também trazer ideias para a universidade de como fazer sua parte nesse trabalho complexo da prevenção. São necessárias reformas profundas que não serão feitas rapidamente, mas que estão progredindo aos poucos, pelo menos dentro da ESA. Discutir isso já ajuda muito”, finaliza Anelys.

Atualmente, o Manual se encontra disponível no Repositório da UEA e será utilizado na retomada das atividades acadêmicas, sendo amplamente difundido pelos centros acadêmicos da instituição.
Sobre a publicação

A “Rev Rene” foi originada pela Rede de Enfermagem do Nordeste (Rene), sendo atualmente editada pela UFCE, sob a responsabilidade do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Publica trabalhos originais e inéditos de autores brasileiros, além de outros países, que contribuam para o conhecimento, desenvolvimento e a troca de conhecimentos relevantes para todas as esferas da prática, do ensino e da pesquisa em áreas da saúde e afins.

A revista é de acesso aberto e imediato, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

Acesso aos documentos


Universidade Estadual do Amazonas (UEA)

Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste (Rev. Rene) da Universidade Federal do Ceará (UFCE)

Fonte: https://manausalerta.com.br/prevencao-ao-suicidio-e-tema-de-artigo-publicado-por-aluna-de-iniciacao-cientifica-da-uea/