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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Diálogo familiar previne incidência de depressão em idosos

Manter uma rotina de consultas e exames pode trazer prevenção e preparo para o idoso

Em setembro, desde 2015, é realizada uma campanha de prevenção do suicídio pelos profissionais da saúde com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema. Com os anos, o "Setembro Amarelo" foi ganhando mais força e trazendo ainda mais apoio para pessoas que sofrem de depressão.

Contudo, ainda há um mito que ronda o assunto que insiste em afirmar que essa é uma patologia desta geração e que os mais velhos não sofrem com este mal, porém, quem acredita nisso está enganado. Segundo o Ministério da Saúde, a taxa do suicídio entre idosos a partir de 70 anos, nos últimos seis anos, aumentou, ou seja, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil nesse período.

Além disso, 51% dos casos de suicídio no Brasil ocorrem dentro de casa, aponta outro dado da FioCruz, o que é o fator principal de risco para os casos de suicido dos idosos, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Para a psicóloga Tais Fernandes, da Said Rio, empresa de cuidadores de idosos, é muito importante levar essa informação e esses dados à sério. "Na terceira idade, homens e mulheres enfrentam muitos desafios, que podem ser desde a dificuldade em manter o convívio social, até as limitações físicas. Apesar dessas incapacidades serem consideradas normais a partir dos 60 anos, isso gera desconforto nos idosos que até então eram independentes e agora precisam de cuidados especiais"
Pensando nisso, a profissional resolveu listar 5 dicas para evitar a depressão nos mais velhos:

• Estimular um estilo de vida saudável

Poucos sabem, mas manter uma vida regrada com uma boa alimentação e prática de exercícios físicos podem evitar o surgimento dessa doença, isso porque, esses hábitos estimulam os hormônios da felicidade e fazem com que o idoso se sinta melhor consigo mesmo e até mais disposto.

• Formação de grupos

O item acima pode ajudar neste tópico. Ao começar a praticar uma atividade do gosto do idoso, ele pode conhecer pessoas da mesma idade e com interesses em comum, assim, ele terá com quem conversar e não se sentirá deslocado.

O mesmo vale para a família, procurem se unir mais com os pais e os avôs de idade, conversem sobre assuntos que eles também conheçam, isso evita que eles se distanciem do contato social.

• Trabalhar a aceitação

Isso pode até não ser uma tarefa fácil, mas é uma das principais a serem trabalhadas com o grupo da terceira idade. Para alguns é mais difícil que outros aceitar que a velhice chegou, mesmo que sabemos que isso é um fato e que vai acontecer.

Por isso, converse, explique, mostre para seu familiar e amigo, que isso é normal, e que assim como em todas as outras fases da vida, o envelhecimento também tem seus charmes e vantagens.

• Mantenha uma rotina com seu médico

Nessa fase da vida, o surgimento de doenças se torna comum, por isso manter uma rotina de consultas e exames pode trazer prevenção e preparo para o idoso. Além disso, ele poderá ter consciência do que acontece com o corpo dele e isso trará uma sensação de segurança e independência.

• Se necessário, procure a ajuda de um profissional

Mesmo com todas as dicas de prevenção, nem sempre conseguimos controlar o que irá ou não acontecer. Por isso, o mais importante é estar atento aos sinais e procurar ajuda profissional quando necessário. Não tenha receio do prognóstico, confie que a melhor solução e tratamento virá de uma pessoa que entende do assunto.

"Hoje em dia, os tabus em volta da depressão e do suicídio estão cada vez menores e precisamos usar isso para prevenir essa doença que atinge pessoas de todas as idade. Atente-se aos sinais, alterações de humor e hábitos, diminuição de autoestima e da capacidade de sentir felicidade, cansaço, pensamentos negativos recorrentes, entre outros. A família e os amigos podem salvar vidas", finaliza a psicóloga Tais.

Fonte:  https://folhabv.com.br/noticia/SAUDE/Saude/Dialogo-familiar-previne-incidencia-de-depressao-em-idosos/79861



quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Três moças lá de Minas, bem unidas em favor da vida (Luciana, Larrisa e Juliana)

Vida em tirinhas: prevenção e posvenção ao suicídio

Jéssica Mayara* (1º setembro 2020)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, de acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, segundo a entidade, para cada suicídio cometido, mais pessoas tentam tirar a própria vida.

Justamente por isso, a psicóloga clínica, tanatologista, suicidologista e paliativista Luciana Carvalho Rocha destaca ser importante falar sobre o assunto, de forma responsável, a fim de conscientizar e prevenir a prática do suicídio. 

Deste modo, Luciana, a também psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora da Família em Tiras, Juliana Rodrigues, idealizaram um projeto voltado a difundir informações sobre o assunto.

“A iniciativa surgiu em uma conversa em que percebemos que falar sobre suicídio de uma forma mais 'leve' poderia ser eficaz, trazendo um resultado positivo neste contexto. Dessa forma, encontramos nas ilustrações essa possibilidade”, conta Luciana. 

A partir disso, ela relata que foi necessário pensar sobre o assunto, partindo do princípio da psicoeducação. Isso porque, segundo a psicóloga, ao contrário do que muitos pensam, falar e tratar sobre o assunto suicídio perpassa pelo critério de informação e conscientização sobre os riscos, fatores de proteção e sinais correlacionados ao ato. 

(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

“É preciso, por exemplo, analisar a perspectiva de uma pessoa que já tentou o suicídio, mas não morreu, de uma pessoa que esteja pensando em cometer o ato e, também, de um familiar ou amigo de alguém que já tenha tirado a própria vida. Então, com base nisso, selecionamos algumas situações e criamos as tirinhas, de forma que a gente pudesse alcançar pessoas que tivessem passando por situações 'semelhantes'”, diz. 

Conforme Luciana, o suicídio precisa ser tratado em dois âmbitos correlatos: o da prevenção e o da posvenção. Ou seja, na conscientização do suicídio, a fim de evitar que mais pessoas o entendam como uma solução, e, também, no cuidado com pessoas que perderam alguém para o suicídio. Exatamente por isso, a psicóloga destaca a intenção de que o projeto alcance mais pessoas. 

“A ideia das tirinhas, com imagens e frases curtas, foi pensando justamente nesse ponto de conscientizar o máximo de pessoas possível sobre a necessidade de falar sobre o suicídio. E a melhor forma de tratar esse assunto é pelo debate. Para isso, as pessoas precisam entender que o suicida ou a família de alguém que tirou a própria vida não é estereotipada, pois, muitas vezes, as pessoas têm uma ideia completamente errônea sobre isso. E 100% dos indivíduos que cometem o ato têm uma ou mais doenças mentais”, afirma. 

No entanto, Luciana pontua que patologias mentais são mais recorrentes do que as pessoas acreditam. Portanto, conclui ser importante que o tema seja mais discutido.

Depressão, por exemplo, é uma doença mental, e a gente sabe que no mundo, hoje, temos aproximadamente 300 milhões de pessoas deprimidas. Então, não é à toa que tantas pessoas tentam tirar a própria vida. Precisamos falar sobre isso, porque as pessoas quando tiram a própria vida, elas estão adoecidas e não querem, de fato, morrer, elas apenas não enxergam outra ‘saída’ para o sofrimento.” 

Acolhimento e ajuda especializada  

Luciana destaca que, em caso de pensamentos suicidas, as pessoas precisam buscar ajuda profissional de um psicólogo e/ou psiquiatra, contando, também, com o acolhimento, o que, para ela, deve ser um exercício diário e não somente lembrado no mês de conscientização do suicídio, o setembro amarelo. 

Não é apenas conversar em tempos de conscientização, mas, sim, acolher, de fato. Para isso, temos, além da ajuda vinda de pessoas próximas, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona como uma rede de apoio às pessoas em crise. Por fim, se faz importante entender, assim como demonstramos em nosso trabalho, por meio das tirinhas, que quando uma pessoa diz que quer morrer, não é para chamar a atenção, isso é um sinal. Precauções precisam ser tomadas.” 

“Precisamos falar sobre suicídio!” 

As tirinhas, feitas por Luciana, em parceria com a psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora Juliana Rodrigues, tratam do tema suicídio, em um projeto intitulado "Precisamos falar sobre suicídio!", de forma a abordar todas as vertentes do ato, como ações de acolhimento a serem direcionadas à familiares que perderam alguém por suicídio e às pessoas que pensam em cometer o ato. 

Para conferir e fazer parte dessa conscientização, as tirinhas podem ser acessadas por meio da conta pessoal de Luciana e, também, do perfil oficial da Famílias em tiras e do "Do luto à luta", todas elas cadastradas no Instagram

Peça ajuda! 

Em caso de pensamento suicida, o Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ser acionado a qualquer momento, estando em pleno funcionamento durante 24 horas por dia, via telefone (188) e/ou por e-mail ou chat, por meio do site oficial da entidade, que informa: “o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo”. 

* Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram 

Fonte: www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/09/01/interna_bem_viver,1181157/vida-em-tirinhas-prevencao-e-posvencao-ao-suicidio.shtml

 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Revista Encontro reúne especialistas para tratar da questão do suicídio

Suicídio entre adolescentes e jovens não para de crescer no Brasil e no mundo

Encontro convidou especialistas para debater este assunto preocupante

Marina Dias  17/07/2018 

No final do século XVIII, quando o escritor alemão Goethe lançou Os Sofrimentos do Jovem Werther, em que o personagem principal se mata, a obra foi acusada de causar uma onda de suicídios entre leitores. O efeito contágio que a disseminação de uma notícia do tipo pode causar ficou, então, conhecido como "Efeito Werther". É por isso que casos de suicídio são pouco divulgados pela mídia. No entanto, em tempos de redes sociais, mesmo episódios que não saíram nos jornais ou foram manchete em portais de notícia chegam até nós. É assim, via grupos de pais no WhatsApp, por exemplo, que os belo-horizontinos têm ficado sabendo, cada vez mais, de casos de suicídio entre estudantes na cidade, tanto de colégios quanto de faculdades (nessas últimas, chama a atenção o número de episódios envolvendo alunos de medicina). Também em São Paulo, escolas de prestígio tiveram recentes ocorrências de morte por suicídio - estas, inclusive, noticiadas pela mídia.

Por tudo isso, mais casos têm vindo à tona. O aumento nos números de suicídios, no entanto, não é só impressão. As estatísticas revelam que a ocorrência desses episódios entre adolescentes e jovens cresce de maneira preocupante não só no Brasil, mas no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já coloca o suicídio como segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil, de 2000 a 2015, os casos aumentaram 65% entre pessoas com idade de 10 a 14 anos e 45% na faixa de 15 a 19 anos - mais do que o aumento na média da população, que foi de 40%. Segundo a mais recente edição do Mapa da Violência (documento realizado com base em dados do Ministério da Saúde), de 2002 para cá, a taxa de suicídio de jovens tem sido consistentemente maior do que a do restante da população, tendo crescido de forma contínua no período pesquisado.

O fenômeno tem gerado atitudes por parte do poder público, como campanhas de prevenção e a recente iniciativa de tornar a ligação para o número de telefone do Centro de Valorização à Vida (188) gratuita em todo o território nacional. Também motivou escolas a abordar o tema de diversas maneiras, como palestras de especialistas para os pais e rodas de conversa com alunos. Os pais, por sua vez, têm sido incentivados a conversar com os filhos e a ficar atentos a sinais de que algo não vai bem, como isolamento, irritabilidade, expressão de ideias ou intenções suicidas e, principalmente, mudança repentina no comportamento do jovem. Na avaliação de especialistas, esse movimento tem sido positivo na intenção de retirar o suicídio das sombras. A grande maioria concorda que falar sobre o tema - de maneira responsável e abalizada - é uma forma de prevenção.

Com o objetivo de contribuir para essa discussão, Encontro convidou cinco especialistas para uma mesa-redonda sobre o tema. "É preciso saber que o assunto é complexo e não há fórmulas prontas", diz a psicanalista e psicóloga especialista em saúde mental Cristiane Barreto. Ela foi uma das participantes da roda de conversa, juntamente com o psiquiatra Humberto Corrêa, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, presidente da Associação Brasileira para o Estudo e Prevenção do Suicídio e presidente da Associação Latino-Americana de Suicidologia; José Belizário, psiquiatra e doutor em saúde e educação pela FioCruz; Patrícia Ragone, psicóloga, educadora parental e autora do livro Laços - Contribuições da Terapia Cognitiva para as Relações Familiares; e Rosângela Teles, pedagoga, mestre em educação e coordenadora do Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Com perspectivas e experiências de atendimento diferentes, cada um dos especialistas trouxe uma visão e uma reflexão particular sobre a juventude atual, as dificuldades da sociedade contemporânea, a influência das redes sociais, o papel da escola e as mudanças da dinâmica familiar. E, ainda que tenham opiniões diversas em alguns pontos, todos concordam sobre a importância de os pais estarem, de fato, presentes na vida dos filhos e de buscarem ajuda, quando for o caso. "O suicídio é um comportamento complexo, que deixa muitas interrogações nos sobreviventes", diz Humberto Corrêa. "Sabemos, no entanto, que pode ser prevenido. Se perceber alguém precisando de ajuda, leve-o a um serviço de saúde. Todo aviso deve ser encarado seriamente."

Aumento dos casos entre jovens

Humberto Corrêa: O porquê desse aumento de casos de suicídio entre jovens é complexo, como tudo que envolve suicídio. É multifatorial. Mas uma coisa que ajuda a entender esse movimento é o laço social. Nós sabemos que, quanto mais laços sociais tem uma comunidade e um indivíduo, menores são as taxas de suicídio. E vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista, mais competitiva, em que adolescentes são treinados para serem executivos desde cedo. Além disso, as famílias são cada vez menores. Outro ponto que me chama a atenção é o uso de álcool e drogas, que ocorre cada vez mais cedo e em quantidade maior. Esse é outro fator de risco. Outro elemento importante: esta é uma geração pouquíssimo resiliente. Esses jovens não aprenderam a ter frustração e ouvir "não". Então, na menor intempérie, desabam, porque não aprenderam a lidar com os problemas da vida.

Rosângela Teles: Estamos vendo uma nova dinâmica familiar, em que esses jovens têm pouquíssimo contato com os pais e dificuldade de criar vínculos - porque os filhos estão sempre em escolas ou com babás. E, principalmente, eles tiveram uma infância muito curta. Sabemos que na primeira infância é quando se desenvolve essa estrutura,  não só cognitiva mas também psicoafetiva. Nesse sentido, eles têm pouca oportunidade, porque nas escolas só há investimento no desenvolvimento cognitivo. Temos então jovens altamente preparados, extremamente inteligentes, mas muito fragilizados emocionalmente. Tenho uma amiga, psicóloga, que fala da metáfora do psiquismo "casca de ovo", ou seja, que se quebra muito facilmente. E a alta competitividade que existe hoje em dia também. Nas faculdades de medicina, vê-se muito isso… Os alunos têm uma autocobrança, um perfeccionismo… E escutam desde pequenininhos em casa: "aqui só pode nota dez, viu?".

Patrícia Ragone: Os jovens estão despreparados para algumas coisas, como para a solução de pequenos problemas. Porque pensa nessa "saída" do suicídio quem não está conseguindo vislumbrar solução para os problemas. Então, quando você desdobra alternativas com esse jovem, ele sai daquela onda de pensamento adoecido, compulsivo, estreito. Mas os pais devem se questionar se eles mesmos são elementos vivos de esperança, compromissados com a vida. E se passam isso para seus filhos.

Sinais que merecem atenção

Humberto Corrêa: Nos adolescentes, deve-se estar atento principalmente a mudanças de comportamento. O jovem começa a ter um rendimento pior na escola, ficar mais isolado, trancado no quarto mexendo na internet ou irritado.

Rosângela Teles: No meu atendimento, uma das primeiras prescrições que faço é quanto ao sono. Quantas horas você está dormindo? Por que tão poucas? O sono é muito importante. E sem aparelhos eletrônicos no quarto. E os pais têm de ficar atentos. Se os meninos acordam morrendo de sono, se os professores reclamam que ele está cochilando em sala… Isso é um sinal.

Cristiane Barreto: Desses sinais todos que foram ditos, há um que me parece mais importante, que é o aspecto da introspecção, o isolamento, sinais de angústia. E quando você não consegue mais estabelecer com seu filho - ou seu amigo, ou sobrinho - uma conversa em que possa transmitir algo dos seus valores ou até como você fez para atravessar fases difíceis da vida. Isso é importante nesse tempo, e é na adolescência mesmo que construímos uma forma de lidar com nosso pior, que não é eliminável. Ou seja, quando você achar que o isolamento é para além do que devia, esse é um sinal para se fazer presente, oferecer ajuda, palavras.

Humberto Corrêa: Uma coisa que acho importante é dizer que a maioria dos suicidas avisou nos dias anteriores, nas semanas anteriores, para pessoas próximas, sobre aquela intenção.

Redes sociais

José Belizário: Todo mundo que nasceu a partir de 1994 é da "iGeneration". Isso é no mundo todo, independentemente de cultura, classe social. São crianças que precocemente entram no mundo digital. Os mais jovens ficam uma média de nove horas por dia nas mídias digitais. Temos então alguns pontos importantes, sendo o primeiro a questão do sono. Os smartphones provocam uma alteração no nosso sono, devido à onda azul de luz que os aparelhos emitem e que inibe a produção de melatonina. Por isso, as pessoas que ficam no celular depois das oito da noite dormem mal e dormem menos. O dia seguinte delas também é pior; elas têm menos seratonina, uma substância muito importante para suportarmos o dia seguinte. Outro ponto importante é que os aplicativos atuais, que envolvem "likes", geram uma alteração no nosso sistema de recompensa. A pessoa passa a querer um retorno rápido e passa a depender da curtição no Instagram, no WhatsApp, para ter uma sensação de recompensa. Usando as mídias sociais o quanto têm usado, meninos e meninas não têm o sistema de recompensa estruturado para suportar as coisas da vida, e pequenas ocorrências os levam a um desespero muito grande.

Humberto Corrêa: Mas quem é que permite que a criança fique tantas horas no celular? Os pais.

José Belizário: Mas as famílias também estão dominadas pela questão da tecnologia… As crianças não querem mais brincar com os pais. Elas vão aos lugares, e lá precisa ter wi-fi. Elas não trocam o celular por brincadeira. Agora, se você tira o celular, se vai para um lugar sem internet, eles brincam, se divertem. Mas com a presença do celular, não. A mídia digital provoca vício.

Humberto Corrêa: Minha filha de 13 anos hoje não vai sozinha para a escola, sendo que moramos a quatro quarteirões dela, por questões de segurança. O que eu digo é: eu não deixo minha filha andar quatro quarteirões na cidade, mas vou permitir que ela navegue na internet sozinha, sem supervisão? Eu falo com ela que o celular dela é emprestado, pois é meu, na verdade. Ela vai usar na hora que eu permitir.

José Belizário: As famílias estão no mesmo barco. Quem deu o celular foi alguém da família, quem usa o celular na frente das crianças são os pais… A grande questão é que, quanto menos eles usarem, mais saudáveis eles vão ser. Quanto mais tarde tiverem acesso, melhor. Quanto mais regulado, melhor.

Humberto Corrêa: A tecnologia é uma grande vantagem, mas temos de saber usar. A questão é o limite. Pais não colocam limites, permitem que as crianças façam tudo. Acho que estamos vivendo uma geração que não tem limite por falta de quem os coloque. Vão crescendo dessa forma e, na primeira frustração que encontrarem, vão desabar.

Tecnologia

José Belizário: Então a solução que eu acho que é viável: insistirmos na importância do sono (pois nossos genes foram preparados para dormirmos cedo e levantarmos cedo) e da atividade física. Essas duas coisas juntas fazem com que nosso sistema de recompensa consiga fazer uma barreira a esses efeitos das mídias sociais. Pois o que vemos são meninos e meninas com sintomas impressionantes de vício e de abstinência quando tiramos o celular deles.

Cristiane Barreto: É claro que existe um excesso, um mundo intoxicado, em que prevalecem as relações de consumo. Mas costumamos demonizar rápido os objetos inventados no mundo contemporâneo. Às vezes os pais têm uma tendência de proibir, de tirar o celular ou o computador como uma primeira resposta, sendo que essa pode ser a única forma de ligação que alguns desses adolescentes têm com o mundo. E em alguns casos o que está em jogo nem é a relação excessiva com esse objeto, mas o tanto que as pessoas ao redor não se perguntam por que essa relação está tão excessiva, por que só há satisfação dessa maneira. A televisão já foi uma discussão em relação às crianças há tempos. A questão não era a criança e a televisão, era não ter nenhuma outra forma de satisfação, e o sujeito abandonado diante dessa solidão, inclusive frente à oferta gigantesca que o mundo fornece atualmente, sem nenhum ponto de orientação… É preciso saber que não há fórmulas prontas.

José Belizário: O que é importante é que essas redes são muito frágeis, não se sustentam enquanto laços. A mídia digital não faz laço, o WhatsApp não faz laço, não é olhar no olho. Claro que não podemos tirar isso do jovem que cresceu assim. Mas é importante limitar. Um famoso colégio de Belo Horizonte vai fazer nas olimpíadas um campeonato de iSports. Isso não é esporte. Não gera endorfina.

Humberto Corrêa: Obviamente, ninguém vai tirar a web da vida dos adolescentes. Faz parte da vida deles, da nossa. Mas acho que tem de haver um limite, porque é potencialmente aditivo. E volto na questão do laço social. Os amigos no Facebook, no WhatsApp, não substituem os amigos reais. Você pode ter mil contatos no WhatsApp, mil seguidores no Instagram, e nenhum amigo de verdade. Eles não são reais: não mostram a realidade. Só colocam as coisas boas, fotos felizes, viajando. Isso não é real.

Ciberbullying

José Belizário: Outro ponto importante é o bullying, que hoje é muito mais sério, pois acontece em rede, em redes muito mais amplas. Atendi um menino que sofria bullying e hoje mora nos Estados Unidos. Aqui em BH, não adiantava nem mudar de escola, porque no meio social dele o bullying foi se espalhando.

Patrícia Ragone: Antes da internet, das redes sociais, o bullying, quando acontecia, ficava restrito à escola. O jovem ia para casa e tinha uma trégua desse bullying. Hoje, não. Ao contrário, ele se perpetua.

Humberto Corrêa: Então a internet favorece o suicídio de que maneira? Com o ciberbullying, pois sabemos que o bullying aumenta o índice de suicídios (e curiosamente tanto em quem sofre quanto em quem faz). Há ainda sites que incentivam o suicídio. Mas a principal questão é a falta de limites que os nossos adolescentes têm, que não são colocados pelos pais, pela sociedade. Acho incabível deixar um adolescente oito horas por dia na internet.

Família

Patrícia Ragone: A dificuldade do limite, que já era grande, tornou-se ainda mais desafiadora com algo tão sedutor quanto um celular, que coloca o mundo dentro da sua casa.

Humberto Corrêa: A França está em vias de aprovar uma lei que proíbe jovens de até 15 anos de entrar na escola com celular. É um limite. A sociedade falou "Chega. Não pode".

Patrícia Ragone: O grande segredo é como criar esses limites. Como é importante nos reeducarmos. Fizemos lá em casa o que chamamos do "estacionamento do celular", para que tenhamos um tempo em família razoável qualificado. Porque, se nós mesmos não nos percebermos, caímos também no uso excessivo do celular.

José Belizário: Limite não é dado, é copiado. As crianças, até os 6 anos, copiam tudo. Copiam o que os pais fazem. Então tem de ser dado esse exemplo. Não adianta proibir e depois fazer.

Humberto Corrêa: Concordo em parte. Tem coisas que eu posso fazer e minha filha não, porque eu sou adulto e ela é criança.

Rosângela Teles: Um dos pontos essenciais dessa nova dinâmica familiar é a diluição ou em alguns casos o desaparecimento da relação de autoridade. Isso tem reflexos diretos na escola, que acaba tendo dificuldade no trato com os jovens, porque, para seu desenvolvimento, é preciso esforço. Então, quando não se exige esforço do jovem, quando se facilita demais, a pessoa não vê mais o esforço como valor. E por que as famílias não estão fazendo isso? Existem várias teorias, uma delas está inserida nessa cultura consumista em que o ter é mais importante que o ser. Nesse sentido, os pais acham que estão dando o melhor de si à medida que estão fornecendo coisas para seus filhos, em detrimento da presença. Vivemos em uma sociedade de empreendedores, executivos. Nesse modelo, as pessoas têm de se dedicar muito ao trabalho. Os pais chegam em casa esgotados. Não existe tempo, disponibilidade. E há um senso comum, em que distorceram inclusive conceitos da psicologia, de que não se pode frustrar o menino. Há um excesso de tentar sempre manter a autoestima da criança, associando a frustração com sofrimento.

Patrícia Ragone: E como os pais chegam em casa? Tão saturados que os meninos pensam o seguinte: o mundo do trabalho é um mundo que satura, que deprime. Temos de ter cuidado e nos questionar: eu guardo energia para chegar em casa e ter com meus filhos uma relação que me possibilite conhecê-los? Porque o entendimento hoje dos pais de conhecer os filhos passa muito mais por vasculhar e ter a senha das redes sociais do que sentar-se e poder mergulhar no mundo do filho. Antes, os pais eram emocionalmente disponíveis. Hoje temos pais virtualmente distraídos. Falta essa escuta ativa. Não digo que não devamos ter uma delimitação, mesmo combinar de ter acesso à senha. Mas precisamos conhecer os filhos de outras formas. Não necessariamente no grupo de WhatsApp de mães. As mães gastam tanto tempo no grupo de WhatsApp que já chegam para conversar com o filho com base no que viram no grupo, sem perguntar, olho no olho, "o que você tem a me dizer sobre isto?".

José Belizário: Se esses filhos estiverem na mídia digital, não vão conseguir conversar. Se não regularmos o tempo de mídia e o tempo de sono deles, não tem jeito.

Humberto Corrêa: E não é questão de culpar os pais. Os pais estão precisando de ajuda.

Cristiane Barreto: Acredito que precisamos partir do pressuposto de que o mundo sofreu mudanças importantes e sem retorno. Não nos cabe ser nostálgicos. Há uma responsabilidade coletiva que exige, a meu ver, não pensar em crianças adoecidas, por um lado, e pais que precisam de ajuda, por outro. Existe, sim, uma sociedade com formas de se comunicar, de amar, muitas vezes desastrosas. Precisamos nos implicar em construir espaços coletivos respeitando o estilo de cada um.

Quando os jovens "chamam a atenção"

Patrícia Ragone: Há uma tendência de os pais se cegarem para isso, não acreditarem que isso possa acontecer, e acontece. Quando um menino, em dias quentes, está com capuz, moletom, manga comprida, e o pai achar que é da fase do desenvolvimento… não é. Investigue. O adolescente pode estar se mutilando. A automutilação é fator de risco para o suicídio. Há ainda sinais cognitivos, quando começam a falar "não estou satisfeito", "essa vida não presta". Fazer alguns desapegos materiais é um sinal importante. Quando há mudanças muito bruscas em relação a como se comportavam.. Os pais tendem a achar que é uma manipulação. E esses sinais não podem ser negligenciados. Ainda que o jovem não chegue ao ato em si, ele já está no processo de morrência.

Cristiane Barreto: Quando os pais alegam, com conotação negativa, que o filho está "chamando a atenção", eu inverto isso, pois, se faz algo para chamar atenção, é preciso que o olhar deles esteja ali. Quando falam sobre essa questão de "manipulação", ora, é bom que a pessoa saiba manipular com a linguagem, pois é com ela que se faz laço social. Pensar nas ações de alguém como manipulação, no sentido de má-fé, para se conseguir o que se quer costuma não passar de julgamento moral, que contribui pouco para escutar o que está em questão.

Humberto Corrêa: Se a pessoa usa isso "para chamar a atenção", temos de pensar que ela está precisando de ajuda.

Escola

Rosângela Teles: Como esse é um fenômeno multifatorial, e cada caso tem sua própria complexidade, precisamos também pensar em rede. Além de focar nos pais, temos de observar a escola, que, estrategicamente, tem acesso aos pais e pode contribuir muito. Os professores também têm de estar preparados para lidar com essas subjetividades.

Humberto Corrêa: No ano passado, foi publicado um estudo europeu interessante. Eles testaram abordagens de prevenção de suicídio entre estudantes. No primeiro mês de aula, professores falaram em sala sobre suicídio, ansiedade, depressão, álcool etc. Monitores treinados reuniam-se com alunos para falar desses assuntos, havia cartazes espalhados nas escolas, e cartilhas foram entregues para eles levarem para casa. Isso reduziu durante o ano escolar inteiro o comportamento suicida dos alunos. Ou seja, falar sobre suicídio não aumenta o risco, diminui. Mas tem-se que falar de forma adequada. Um exemplo: outro dia eu vi minha filha estudando ciências, mitocôndrias. Era o detalhe do detalhe do detalhe que, para mim que sou médico e trabalho com genética, não faz a menor falta. Ela estava estudando isso, mas na escola não conversam sobre as emoções, ansiedade…

Cristiane Barreto: A escola tem dever de dizer para o estudante que ele não é só aquilo que parece estar determinado pelo discurso dos pais. Na adolescência ele tem de se desgrudar disso para ser outra coisa. E a escola tem de fazer com que esse desejo e essas descobertas  não sejam mortas cotidianamente. Hoje tem sido mais importante discutir detalhes insignificantes nas matérias do que discutir sobre a vida. Não se trata de recusar a conversa sobre o suicídio ou a dor de existir, podemos falar da morte, se isso ronda. E fazer ver, entender, que o suicídio não é uma solução, muito menos a única saída, frente à dificuldade que é viver. A adolescência é um período de travessia difícil, mas não precisa ser trágica. É também nesse período que acontecem encontros que mudam o rumo da vida, por vezes, para melhor.

Veja onde procurar ajuda

Em casos de emergência: SAMU 192, UPA, Pronto-socorro, Hospitais
Serviços de saúde: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde

Centro de Valorização da Vida
Telefone 181 (ligação gratuita) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e Voip, 24 horas, todos os dias. Em Belo Horizonte, o posto fica na rua Desembargador Barcelos, 1.286, Nova Suíça (horário: 15h às 23h, diariamente)

Grupo de apoio a enlutados por suicídio (Gaes): gaesufmg@gmail.com (informações e inscrições)

www.revistaencontro.com.br/canal/revista/2018/07/suicidio-entre-adolescentes-e-jovens-nao-para-de-crescer-no-brasil-e-n.html

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Replicando artigo sobre "suicídio, depressão, familia e relações interpessoais"

Suicídio, Depressão, Família e Relações Interpessoais

A Organização Mundial de Saúde estima que um milhão de pessoas cometem suicídio Anual,ou seja, aproximadamente 2740 pessoas por dia no universo. Dados da Estimativa da OMS, ainda de 2002 revelam números assustadores quanto ao avanço das doenças Neurológicas,
Psiquiátricas e Psicológicas afirmando que 154 milhões de pessoas sofrem de Depressão; e mais 15 milhões sofrem de transtornos causados pelo uso de bebida alcoólica e outras drogas, lembre-se, esses dados são de 2002.


O Brasill está entre os dez países do mundo no ranking do suicídio, cerca de 8.000 casos por ano. Vamos conversar sobre esta patologia associada a outras doenças que podem agravar esta estatística, contribuindo para sua manifestação que resulta em tristeza familiar e social.

Porém é importante acrescentar que muitas mortes não são registradas como suicídio, além de não se ter de forma precisa dados estatísticos de tentativas infrutíferas de auto extermínio, que, segundo estima a OMS podem estar na esfera de 20 vezes superiores aos casos consumados.

Aqui vale citar que o Sistema de Saúde Brasileiro, o chamado SUS, aquele que todos pagamos através de inúmeros impostos, ocupa a 125ª posição no ranking internacional de bom desempenho dos sistemas públicos de saúde.
Estamos na UTI institucional chamada Saúde, visto que nossa péssima colocação nos reporta aos níveis inferiores de países como El Salvador, que ocupa a 115ª posição.
Só para citar alguns dos melhores países em assistência a Saúde no mundo, está: França, Itália, Singapura, Espanha, Áustria e Japão. (World Health Report (2000) Organização Mundial de Saúde, p. 153).
No Brasil, segundo o psiquiatra Carlos Felipe Almeida, coordenador das Diretrizes Nacionais de Prevenção do Suicídio, isto mesmo, existe este cargo no Ministério da Saúde. Este profissional avalia que também existem diferenças entre regiões quando se fala em suicídio, faixa etária, gênero e até etnias no Brasil: "Há lugares que têm mais fatores de risco ao suicídio, como o uso abusivo de álcool e drogas. Em contrapartida, há outros que têm mais fatores de proteção, como qualidade de vida".

Em relação aos indígenas, Almeida diz que em todas as etnias, as taxas são altas, o que eleva os índices nos locais onde vivem essas populações. "A taxa em Dourados, no Mato Grosso do Sul, é elevada por causa da mortalidade entre os Guarani-Kaiowá".

Segundo Carlos Almeida, o que acontece, por exemplo, em Macapá, dados de 2004 do Ministério da Saúde, revelam que esse estado lidera o ranking de mortalidade por suicídio masculino entre as capitais: 13,6 mortes a cada 100 mil homens. E justifica: "Como no Amapá cerca de 70% da população vive na capital, é natural que lá o índice seja maior que entre outras cidades do estado”. Porém o mesmo Ministério da Saúde revela que no Rio Grande do Sul, levantamento realizado em 2004, ou seja, no mesmo período, que esse estado apresenta a maior mortalidade masculina por suicídio do país: 16,6 mortes a cada 100 mil homens. Em último lugar está o estado do Maranhão, com 2,3 mortes a cada 100 mil homens.

Em relação às mulheres, Mato Grosso do Sul ocupa o primeiro lugar, com taxa de 4,2 mortes a cada 100 mil mulheres. Em último lugar estava o Rio Grande do Norte, com mortalidade de 0,6 a cada 100 mil mulheres.
Em 2004 a média nacional era de 4,5 mortes por 100 mil habitantes, de acordo com um estudo feito pelo Ministério da Saúde, em parceria com universidades públicas e privadas, sem informar quais são estas universidades.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Japão, a média é de 25 mortes por 100 mil habitantes, enquanto que em países como Espanha, Itália, Irlanda, Egito e Holanda, é de menos de dez mortes a cada 100 mil habitantes.

O suicídio está entre as três principais causas de morte em idades entre os 15 e os 34 anos. Em alguns países da Ásia e Europa, o suicídio ocupa as primeiras e segundas posições entre as principais causas de morte para ambos os sexos.


Observe como é complexa a questão do suicídio, quando comparada as principias causas de morte na China e Europa:

China:
1ª - Suicídio;
2ª - Acidentes de veículos motorizados;
3ª - Câncer.

Europa:
1ª - Acidentes de Tráfego;
2ª - Suicídio;
3ª - Câncer.

Porém, "quando comparamos a média brasileira à de outros países, pode parecer que não há problema", diz o coordenador do Núcleo de Intervenção em Crise e de Prevenção Suicídio da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Tavares. "Por localidades, no entanto, existem muitas diferenças, e há lugares em que as taxas são comparadas à gravidade de outros países".

Apesar desta confusão de dados estatísticos, o técnico do Ministério da Saúde tenta explicar a necessidade dos números, que mesmos imprecisos objetivam segundo Almeida: “... ser levado em consideração para que se possam organizar políticas de intervenção e prevenção ao suicídio".

Realmente tudo no Brasil é muito difícil, até apresentar dados estatísticos do mesmo Ministério da Saúde, isto o torna um Ministério de Dados SUS-peitos, pois estamos apresentando números de 2004, visto que a política pública para ser tratada de forma precisa, necessita primeiro que seus números sejam atuais e assim se compartilhem com a sociedade, dados com consistência científica para que a população possa saber das reais condições dessa patologia em nosso país.

Mas como diz Boris Casoy: “Isso é uma vergonha”!

Não há uma explicação conclusiva e nem convincente para essas taxas, visto o suicídio ser um fenômeno pessoal e social, ou seja, há uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, psiquiátricos, sociais, econômicos e ambientais que podem estimular uma pessoa a tirar a própria vida. Porém buscar estudar esse fenômeno e nos preocupar com o mesmo, tem sido um grande desafio para os estudiosos do comportamento humano, visto que todos nós, durante nossa existência, iremos encontrar famílias acometidas por traumas, em função de um ente querido ter tirado sua própria vida, diante de um ato de fuga de contato extremado e sem uma explicação maior, pois a vida é o único bem comum ao ser humano, e diante dessa consciência, somos o regente de nossa orquestra chamada vida, embalados por sentimentos e valores sociais, que no compasso da angustia de viver, causam efeitos dialéticos e expressa o empírico do ser a convicção de nossa própria morte.
Sabemos do vasto avanço do uso de drogas ilícitas em nossa sociedade, e como me disse recente um amigo policial: “o tráfico tomou conta das cidades brasileiras”. Mas nossas autoridades estão querendo discutir altos investimentos para a copa do mundo, trem bala entre Campinas-Sp e Rio de Janeiro, Rj, e assim se constrói uma nação em que o maior marketing político é o velho pão e circo. Ou seja, comida e diversão, sem necessariamente se discutir qualidade de vida, assistência integral e real a saúde da população brasileira.

Para aprofundar a discussão sobre o Suicídio, temos que analisar a associação entre depressão, alcoolismo e impulsividade, sendo estes alguns dos fatores que podem ajudar na perversa estatística da patologia.


A depressão é um transtorno mental, que atinge a pessoa como um todo. Famílias com histórico de depressão tendem a manifestar um sentimento de menos valia por seus filhos, possibilitando o agravamento maturacional da personalidade, expondo ao risco patológico. Nesse sentido se faz necessário uma ação terapêutica de medicação e psicoterapia, objetivando combater a depressão e assim impedir o impulso suicida.

O alcoolismo é uma patologia que pode chegar a elevar o risco de suicídio, visto sua impulsividade ser severa, contribuindo para o agravamento da patologia.

O traço comum a essas duas patologias está na impulsividade que se caracteriza como uma disposição a reações rápidas e não planejadas, motivadas por estímulos internos ou externos, que ocorrem sem a devida atenção quanto à conseqüências negativas futuras para o indivíduo ou para os outros e seus familiares. O que torna a impulsividade patológica é exatamente a incapacidade sistemática de resistir a ela, ou seja, evitar que o comportamento venha a ocorrer novamente.

A força e a natureza dos impulsos suicidas não são mais que um dos fatores que determinam se um indivíduo tentará ou não o suicídio. Algumas pessoas desenvolvem forte aversão ao assassinato de outra pessoa, bem como sua imagem narcisista reflete uma consciência em ser contra o suicídio. Porém quando as pessoas estão diante de maiores dificuldades existenciais, ou enfrentando vergonhas públicas, ou ainda período de perda de ente querido, que por ventura tenha se suicidado, ou subitamente veio a falecer, estes fatores podem gerar um rompimento com os valores estabelecidos anteriormente em sua personalidade, possibilitando o devaneio e impulso em buscar da morte, o que no sentido Freudiano, seria a vitória de Thanatos, Deus da Morte, sobre Eros, o Deus do Amor.


Diante dessa complexidade que significa discutir o Suicídio vamos avaliar não as teorias das suas possíveis causas, mesmo as citadas por Émile Durkheim, em seu necessário livro Suicídio, mas sim propor uma reflexão que nasça da análise do discurso da sociedade atual, que se propaga como sendo capaz de universalizar a busca da qualidade de vida, potencializando a chamada era do conhecimento e da comunicação, onde é ofertado um mundo on-line, disponibilizando salas de bate-papo e redes sociais, que estão disponíveis para grande parte das nações, inclusive a japonesa, que possui uma das melhores rendas per-capta do mundo, interligando o homem diante do computador, com o celular que também permite acessar a internet, possibilitando um tempo real de comunicação universal, sem fronteiras e sem aprisionamento ideológico.

Todos já ouvimos isso em todas as formas de propagação, e recentemente observamos que as chamadas redes sociais, serviram de instrumento de clamor social e convocação de ações para a queda até de ditadores, como os países árabes acabam de nos presentear com esse belo exemplo em saber usar a tecnologia. Porém o que mantém esse alto índice de suicídio, se podemos até marcar com várias pessoas em uma praça pública para troca de abraços?

Oba, falei abraço!

Vamos analisar empiricamente esta ação, de marcar em praça pública o Dia do Abraço, o Dia do Amigo e assim esses dias que na internet falam da necessidade do calor e atenção humana. Este fato parace ser um sintoma universal de falta, pois se as pessoas tivessem esse comportamento em seu cotidiano, não necessitariam marcar um lugar para conseguir viver esse momento básico e mágico da vida.
E o que está acontecendo conosco? Somos abraçados? Abraçamos alguém hoje?
Mas eu tenho tantos bens materias que agora já posso até dizer que Deus me deu, pois ter fé para algumas pessoas é receber algo material de Deus. Vejo adesivo de carro com a frase: Presente de Deus. Ter carro significa uma ação de Deus em minha vida? E os que não tem carro, estão distantes de Deus, aqui vale lembrar que Jesus não se escreve com $, pois ele não tinha nem um burro para se locomover.

Assim pergunto!

Onde está o valor da vida?

Deus nos concedeu a Vida, não existe nada melhor do que saber viver. Esse é o único e maior patrimônio, porém algumas pessoas optam em materializar a vida e desta forma somos calvinistas de nós mesmos, sendo predestinados a ter e não a ser. Logo, a felicidade passa a ser o que eu e você temos, e não o que eu e você somos, ou seja, o ter assume o horizonte da felicidade, todos em busca do ter, e assim criamos a etiqueta da sociedade material, em detrimento do ser homem e feliz diante da dificuldade de viver.


Como será que está o contato com os nossos familiares, nossas amizades, nossa comunidade, nosso bairro, nossa sociedade? Será que teremos sempre que lembrar as pessoas de que existe o dia do abraço e do amigo e assim por diante. E o que fazer com esta falta de calor humano, que pode estar patrocinando essa onda de suicídio, vamos continuar convocando pessoas através do uso da tecnologia para que possamos nos encontrar na praça, no orkut, no facebook, no twitter, no msn...

O suicídio está aí, como disse anteriormente, preocupante e desafiador, pois essa patologia faz parte de todas as sociedades, significa que está presente no meu bairro, na minha comunidade, na minhas amizades e podendo se fazer presente em minha família.

Fica claro que não podemos viver sem abraçar e isso tem que estar vinculado a família, pois nada substitui os braços que abraçam e formalizam a genética da vida.

Os pais são os elementos da construção da estima e valorização dos filhos, não podem perder esse referência, visto que o sofrimento provido da falta de atenção, amor e respeito familiar são fortes indicadores de sentimentos de depreciação da prórpia pessoa.

Sem amor eu nada seria, já cantava Renato Russo.

O Amor se apresenta diante da vida como uma vitamina genética-afetiva, produzindo uma cascata de prazer hormonal, possibilitando uma ampliação saudável na rede de neurotransmissores, causando uma sensação de bem estar que nos reporta ao estado do bem de viver.
Quando da ausência do amor genético-afetivo, a vida revela um pesar emocional onde se faz necessário produzir medicação antidepressiva como Prozac, Paxil, Zoloft, Luvox, entre tantos outros, que diante da ausência originárias dos afetos familiares existenciais, benéficos do amor, são capazes de trazer de volta o equilíbrio químico cerebral diante de um quadro depressivo e assim ajudam a recomeçar e planejar a vida, podendo também evitar o suicídio. Porém esses comprimidos químicos não libertam a angústia causada pela falta da valorização familiar, que no sentido mais amplo passa pelo amor de pai e mãe, bem como da referência afetiva com os irmãos, tios, avós, etc.

Algumas relações familiares conflitivas são estimulativas à prática da violência entre seus membros, permitindo um jogo de culpa que faz tanto mal, como já cantava Gonzaguinha.

Quando os pais perdem o horizonte de educar, como referência de respeito aos filhos, esses por sua vez usam do mesmo exemplo em suas relações interpessoais com os irmãos chegando a valorizar mais as pessoas de fora do ambiente familiar, causando o abandono genético-afetivo, disseminando um individualismo capaz de olhar o mundo sem ver o interesse de mais ninguém, apenas o seu próprio, pois aprendeu que viver é igual a sobreviver, não importando por isso o sentimento do outro, mesmo que esse seja da família.

O suicídio é uma prática universal, assim como o amor é um sentimento universal, porém estima-se que diante das dificuldades da vida, os que têm maiores capacidades de superação tem algo importante a realizar em seu futuro. Lembre dos atletas que desafiam os limites da dor física em competições universais, eles sempre atribuem suas vitórias às pessoas que são seu ente querido, que por algum motivo não estão na presença, mas não deixa de estar presente no sentimento e na emoção da pessoa do atleta, que sem essa motivação subjetiva presente no momento da competição, sua vida ficaria um eterno abismo no horizonte da vitória.
Não podemos permitir que ainda se entenda que o homem é um ser apenas racional, pois Frejat na música Segredos canta: “procuro um amor que seja bom pra mim..., Eu procuro um amor, uma razão para viver”...ou seja um sentimento que me faça viver. Quantas pessoas você imagina que estão em busca desse momento em suas vidas?


É preciso eliminar a ideologia de que o homem possui um armário que possa guardar seus problemas, bem como precisamos fugir do formalismo técnico e a robotizaçao das relações interpessoais, sendo necessário aquecer o abraço da solidariedade e humanização das relações interpessoais nas instituições como um todo, somos frágeis e ao estarmos distantes de nossa natureza maior que é amar, corremos o risco de suicidar pela falta.

Com isto, temos que avaliar esses expressivos números de Suicídios no Brasil e no Mundo como algo muito desafiador no sentido de tomarmos medidas familiares e sociais capazes de encontrar uma condição de reduzir esse agravo provocado por questões gerais, como: pelos chamados transtornos neuropsiquiátricos, bem como avançar em estudos psicológicos objetivando oferecer tratamento que possam despertar o interesse em mudança de vida e valorização das pessoas diante dos afetos humanos, possibilitando também um maior aumento em investimento científico sem deixar de dar a atenção devida à genética-afetiva.

Mauri Gaspar
Psicólogo e Professor

Bibliografia
ANDREASEN, Nancy C. Admirável cérebro novo: Vencendo a doença mental na era do Genoma. Artimed, Porto Alegre/2005.
CORDIOLI, Aristides Volpato e colaboradores. Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª edição, artimed, Porto Alegre/2008.
MACKINNON , Roger A. e MICHELS, Robert. A entrevista psiquiátrica na prática diária. 3ª edição, artes médicas, Porto Alegre/1987.

As fotografias fazem parte do acervo pessoal de obras de artes.

Fonte:  http://mginsight.blogspot.com/2011/07/suicidio-depressao-familia-e-relacoes.html

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Para por fim às tantas "mortes prenunciadas"!

Carta do pai de um jovem suicida

Caro Sr. Leonel Tafareo, superintendente do Pátio Brasil Shopping [em Brasília]:

Sou o pai do jovem Pedro Lucas, um rapaz íntegro e cheio de esperanças que recentemente tirou sua vida no Pátio Brasil. Está sendo muito difícil escrever esta carta, principalmente neste momento em que a dor, saudade e sentimento de perda ainda se fazem presentes. Mas são esses mesmos sentimentos, acrescidos do sentimento de indignação, que me moveram a escrever esse manifesto.

Fico a me perguntar quantos pais, amigos ou familiares das vítimas do shopping Pátio Brasil tiveram coragem de falar o que pensam, de reclamar os seus direitos de respeito e segurança, de expor a sua dor. Talvez poucos ou nenhum... Eu sei que nada trará o meu filho de volta, mas quem sabe esse meu ato possa preservar mais vidas e trazer mais respeito e consideração àquelas que já se foram.

Meu caro senhor, antes de acontecer com meu filho já sabia que o suicídio era uma prática corrente no shopping, já ouvira vários casos: de uma mulher grávida, uma senhora, vários garotos... Não imaginava que era tão comum até acontecer com alguém do meu mais profundo íntimo. Outro dia, através de conhecidos, soube que a estatística de suicídios no shopping apresenta o número médio de 12 (doze) por ano, ou seja 01 (hum) por mês! Meu Deus, quantas pessoas já se suicidaram lá e ninguém fez nada?!

Bem, até que já fizeram, pois o pessoal está treinado. A rapidez em isolar a área, cobrir as vítimas com um plástico preto e acionar a perícia é admirável. Eles são mais rápidos ainda em acobertar os fatos. Por que ninguém fala sobre as mortes?

Esse silêncio absoluto eu comprovei pessoalmente. No último sábado, dia 14 de março, visitei o shopping, o lugar onde meu filho pulou, onde ele caiu. Entrei em uma loja aleatória, fingindo ser um comprador comum. Quando discretamente perguntei do acidente, as atendentes fizeram cara de censura. “O pessoal faz a maior pressão para não comentarmos nada”, disse uma delas.

É clara e absurda a política do “pessoal” fazer as pessoas calarem, fazer as pessoas esquecerem logo o que aconteceu para não prejudicar as vendas, o lucro do Pátio Brasil. Aliás, do jeito que as coisas andam, por que ninguém ainda teve a brilhante idéia de abrir uma funerária no shopping, é dinheiro na certa.

O “pessoal”, a administração do shopping, também não quer nenhuma relação com os familiares das vítimas, pois ninguém, nenhum empregado do shopping, nem mesmo o senhor superintendente ou outro gerente do Pátio Brasil deu algum amparo a mim, à minha esposa, à mãe de meu filho; nem um telefonema, carta, ou aperto de mão. Quanta frieza!

A mídia também não faz alarde, o que, por um lado, considero positivo, pois a coisa fica menos banalizada. Por outro lado, ninguém fica sabendo dos inúmeros suicídios, fica como se nada tivesse acontecido.

Mas a banalização das mortes no shopping é inevitável, é um problema da nossa realidade. O suicídio no shopping virou espetáculo rotineiro, a que vários curiosos querem assistir, fotografar e até filmar a queda como se fosse a coisa mais comum do mundo.

Antes de o Pátio Brasil virar o lugar comum para os suicídios em Brasília, a Torre de TV era procurada para esse fim, até que, por respeito à vida humana, colocou-se lá grades protetoras para impedir que pessoas psiquicamente doentes, no momento maior dos seus desesperos, dali saltassem. Por que ainda o Pátio Brasil não tomou esta providência? Esperando o quê? Qual a maior preocupação da direção desse shopping?

A solução é simples: uma grade, rede ou tela de proteção, vidro ou até mesmo um parapeito mais alto resolve. O parapeito do lugar de onde meu filho saltou tem apenas 1,20m de altura, já é um risco para qualquer adulto, imagine para uma criança que inocentemente brinca! Eu tenho certeza que essas medidas não prejudicariam a estética ou o lucro do local.

Aquele sábado foi minha última visita ao shopping macabro. Minha família, meus amigos e a todos que eu puder passar essa mensagem tenho certeza que pensarão duas vezes antes de visitar o shopping Pátio Brasil.

Para concluir, senhor superintendente, saiba que o seu shopping, dada à insegurança e facilidade de pular, já é referência em estudos sobre suicídios, como o lugar mais procurado para esta prática, infelizmente.

Por fim, gostaria de colocar que o shopping deve ser um lugar alegre, que cultive a vida, e não a morte.

Como Vossa Senhoria pode imaginar, os familiares e eu especificamente me sinto com o acontecido. Assim, conforme já lhe disse pessoalmente em nossa conversa na data de 30/03/09, é imperioso que a fita (ou DVD) de segurança na qual aparecem trechos gravados do ocorrido não seja, em hipótese alguma, mostrada para nenhuma pessoa além daquelas responsáveis pelas investigações policiais sobre o assunto. Lembro que é de inteira responsabilidade civil e criminal de vocês a guarda da fita (ou DVD) e a tomada das medidas de cuidado e segurança para que as imagens não venham a ser vistas ou disponibilizadas para quaisquer pessoas alheias ao problema.

Com relação às providências que Vossa Senhoria me assegurou que serão estudadas para prevenir eventuais novos acontecimentos, como o que vitimou meu filho, reafirmo (como já fiz pessoalmente na oportunidade em que conversamos) que dentro de 90 dias voltarei a cobrar medidas efetivas.

Marcos de Alencar Dantas

Fonte: Blog do Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=carta-do-pai-de-um-jovem-suicida&cod_Post=182428&a=111)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Conversa terapêutica

No artigo Tristeza e suicídio entre adolescentes: fatores de risco e proteção, de Miria Benincasa e Manuel Morgado Rezende, é apontado como fator de proteção a existência de “alguém confiável para conversar”. 

A rede de apoio, apontada pelos adolescentes deste estudo, envolve, inicialmente, amigos e namorados(as), porém, é estendida a familiares... A família se, por um lado, é vista como única fonte constante e fiel de apoio para o futuro, por outro, é incapaz de tolerar o conhecimento sobre as vivências atuais dos adolescentes.

A partir desta constatação os autores identificaram a necessidade de se criar espaços de escuta e de se implantar programas de proteção à saúde e à vida voltados aos adolescentes.

Evocando Renato Russo em Há Tempos, diante das "ferrugens nos sorrisos" e da "imprevisibilidade das ocasionais possibilidades de braços a oferecer conforto a quem procura abrigo e proteção", fica o alerta da tristeza que pode se tornar depressão e desta para o suicídio a distância é, às vezes, muito pequena...

Para saber mais: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432006000100007&lng=pt&nrm=iso

Foto: Sanja Gjenero (Zagreb, Croácia)
Fonte: http://www.sxc.hu