quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Caso de uma sobrevivente suicida, felizmente acolhida e cuidada...

 Tentou o suicídio por quatro vezes


“Rute” (nome fictício) é um dos sete utentes que tiveram comportamento suicidário que a MenteMovimento está a acompanhar no âmbito do Projeto Habitus


Giselia Nunes (28 novembro 2019)

“Queria adormecer e não acordar mais”, repetiu “Rute” várias vezes durante a conversa com a nossa reportagem, de mais de uma hora e meia. Natural do concelho de Oliveira de Azeméis, esta mulher de apenas 45 anos, divorciada e com uma filha, abriu-nos o livro da sua vida, partilhando vivências que não lembram ao diabo! Ao ponto de nos levar a autoquestionar como é que (sobre) viveu até hoje.

Ao labor, “Rute” começou por relatar uma infância “com muitos problemas em casa”. Mesmo após os pais se terem divorciado, as discussões continuaram a ser o “prato do dia” e ela só queria acabar com aquele “pesadelo”. Tanto que, e uma vez que não conseguiu concretizar o sonho de “entrar em Belas Artes”, no Porto, “viu no casamento “uma oportunidade de sair de casa”. Na altura, “já tomava depressivos, havendo dias em que andava completamente noutro mundo”, admitiu ao nosso jornal.

 “Rute” casou um dia antes de completar 22 anos com um rapaz mais velho, amigo de um antigo namorado, e já depois de ter tentado o suicídio pela primeira vez por ingestão medicamentosa. Ao todo, e sempre utilizando o mesmo método porque diz ter “medo da dor”, foram quatro as tentativas que cometeu até ao momento. Nenhuma delas com sucesso, felizmente.
Ao casar, “foi pior a emenda do que o soneto”
Ao casar, “foi pior a emenda do que o soneto”. Além de “possessivo e ciumento”, como já era quando namoravam, o marido também bebia e consumia drogas, o que “Rute” só veio a saber quando foi viver com ele. Um quadro familiar que viria a piorar com episódios de violência doméstica, de tal forma que “chegava a estar noites e noites acordada com medo dele, porque ele tinha uma faca”, com dívidas por causa do álcool, etc.

“Rute” chegou mesmo a ter vergonha de sair à rua até ao dia em que, com a ajuda do pai, abandonou a casa. Também o divórcio não foi fácil. Mas, “após inúmeras tentativas”, “consegui livrar-me dele e nunca mais o vi até hoje”.

Fechado este “capítulo”, não demorou muito tempo a ter outro relacionamento que, de igual modo, deixou muito a desejar. “Rute” conheceu o segundo marido, pai da sua filha, no local de trabalho, o qual “já tinha outra maneira de ser, de estar”. Mas todo este encantamento “foi sol de pouca dura”. “Começámos [também] a ter muitas discussões”, o que complicou quando “Rute” descobriu que tinha cancro da mama. A sua filha tinha quatro anos quando soube que estava doente.
O marido nunca a acompanhou a uma consulta nem sequer aos tratamentos. Como se não bastasse, “quando chegava a casa dos tratamentos muito mal, ele era agressivo”. “Via-me a perder o cabelo, as pestanas, e reagia como se eu tivesse uma simples gripe”, contou “Rute”, que mais tarde viria a confirmar que era traída.

Tentou pôr termo à vida, novamente, já a filha “tinha seis, sete anos”. Só o facto de não poder pegar na menina ao colo devido à doença fê-la sentir que “era um empecilho, que estava ali a mais”. Chegou até a fazer um vídeo de despedida para a filha, que o pai fez questão de lhe mostrar.
Ao fim de quase 14 anos, e de viver mais um “verdadeiro filme de terror”, “Rute” tentou suicidar-se mais duas vezes. Mas (sobre)viveu! Confidenciou ao nosso semanário que, apesar do “enorme vazio que sempre sentiu”, “há uma força” que a mantém agarrada à vida. E essa “força” é a sua filha, de 18 anos, que, presentemente, está com o pai, mas com a qual tem uma boa relação. “O simples facto de querer continuar a lutar deve-se a querer deixar esse exemplo para a minha filha, quero que ela saiba que a mãe sempre lutou, apesar das dificuldades”, garantiu.
“Rute” ficou a saber do Projeto Habitus e da MenteMovimento através do hospital
“Rute” reside em S. João da Madeira (SJM) há alguns anos. Após mais uma relação amorosa fracassada, vive agora sozinha e encontra-se desempregada, tendo voltado “a ter crises de ansiedade, de nervosismo, de querer partir tudo”. No Hospital de Dia de Psiquiatria, instalado na unidade hospitalar de S. João da Madeira, foi-lhe diagnosticada Síndrome de Borderline ou perturbação de personalidade borderline. Após tantos anos de sofrimento, ficou a saber que tem um transtorno mental grave caracterizado por um padrão de instabilidade contínua no humor, no comportamento, autoimagem e funcionamento.

Também no Hospital de Dia de Psiquiatria ficou a conhecer o Projeto Habitus e a MenteMovimento. E abençoada a hora que isso aconteceu.  Nesta associação fundada em outubro de 2016 por um movimento cívico de utentes, profissionais de saúde e cuidadores informais, da qual faz parte há meio ano, encontrou “pessoas amigas, que se preocupam comigo”. Aliás, “Rute” aceitou dar este testemunho ao labor, “porque a MenteMovimento tem-me ajudado muito”. Além disso, esta sua partilha é também um apelo para que “as pessoas não deixem de dar apoio quando alguém pede ajuda, para que não ignorem”.

“Eu e outros como eu podemos nem pedir ajuda verbalmente, mas fazemo-lo através de sinais (partir tudo discutir, multas, dívidas, etc.)”, referiu, acrescentando que “os outros normalmente só julgam quando deviam questionar mais, deviam olhar para este problema com olhos de ver”. Em seu entender, “as pessoas nem se apercebem que um dos maiores problemas da sociedade é a saúde mental”. “A maior parte diz que está bem e não está. Devemos estar mais atentos”, alertou.

MenteMovimento acompanha pessoas que tiveram comportamento suicidário

E realmente o alerta de “Rute” faz cada vez mais sentido.  Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) estamos mesmo perante “uma epidemia” que mata no mundo uma pessoa a cada 40 segundos. De acordo com os dados mais recentes da OMS, o suicídio é responsável por cerca de 800 mil mortes por ano, apresentando uma taxa maior nos homens do que nas mulheres. E – imagine-se! – na faixa etária entre os 15 e os 29 anos, surge como a segunda causa que mais mata, logo a seguir aos acidentes rodoviários.

Em SJM este “problema de saúde pública” não passa ao lado de quem de direito. Há mais trabalho a ser levado a cabo para além do que é feito pelo Hospital de Dia de Psiquiatria. Tanto que “Rute” é um dos sete utentes que tiveram comportamento suicidário que a MenteMovimento está a acompanhar.

Nesta associação sediada na cidade, integra a Unidade Sócio-Ocupacional, um dos eixos de intervenção do Projeto Habitus cuja entidade promotora é a câmara municipal, que tem como população alvo adultos com experiência de doença mental, clinicamente estáveis, que tenham possibilidade de inserção e reabilitação. Ou seja, nesta unidade não são admitidos indivíduos em casos de deficiência intelectual; consumos de álcool e/ou de substâncias ilícitas; sem adesão terapêutica; demências e doenças neuro degenerativas; sem acompanhamento médico; e/ou que apresentem, em crise, comportamentos agressivos, que possam comprometer a integridade física de outros ou do próprio.
Unidade Sócio-Ocupacional tem 34 utentes
 Os objetivos da Unidade Sócio-Ocupacional são – como explicou ao nosso jornal Ana Ferreira, terapeuta ocupacional da MenteMovimento –  apoiar a nível psicossocial pessoas com experiência de doença mental e dos seus cuidadores; promover atividades ocupacionais e grupos terapêuticos; proporcionar um espaço seguro onde a pessoa se possa expressar de forma livre e usufruir da partilha de experiências; e adquirir competências pessoais e sociais com vista à preparação para a integração profissional.

Presentemente, “temos em funcionamento um conjunto de oficinas sócio-ocupacionais e grupos terapêuticos, quer para os utentes quer para os cuidadores informais, que permitem o desenvolvimento de competências funcionais, no sentido de potenciar oportunidades de participação e inserção social, a todas as pessoas que nos procuram”, prosseguiu a responsável.

Fazendo as contas, no total, são 34 os utentes que se encontram em acompanhamento. Provenientes da região de Entre Douro e Vouga (Oliveira de Azeméis, Arouca, Vale de Cambra, S. João da Madeira e Santa Maria da Feira), são maioritariamente do sexo feminino e com idades compreendidas entre os 26 e os 61 anos.

Ainda a propósito, Ana Ferreira avançou que, destes 34, sete tiveram um comportamento suicidário, principalmente por ingestão medicamentosa. Situação que, como adiantou, se verifica “mais no género masculino, com idades compreendidas entre 26 e os 61 anos”. Além disso, informou que todos os utentes (com ou sem comportamento suicidário) foram referenciados pelo médico de família ou médico psiquiatra, através do preenchimento de uma ficha de referenciação.

CHEDV tem Consulta de Prevenção de Comportamentos Autolesivos e Suicidários
O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV) tem a funcionar no Hospital de S. João da Madeira, desde janeiro de 2017, a Consulta de Prevenção de Comportamentos Autolesivos e Suicidários. Criada no âmbito do Projeto de Prevenção do Departamento de Saúde Mental do CHEDV e contando com três profissionais (dois psiquiatras e uma psicóloga clínica), trata-se de uma consulta apenas de referenciação interna, para pessoas que já sejam acompanhadas em consulta de Psiquiatria Geral, com mais de 18 anos e que, pelo quadro clínico, exijam um acompanhamento especializado nesta área.

Em declarações ao labor, a sua coordenadora, Ana Cristina Lopes, não pôde adiantar o número de utentes que estão a ser seguidos. Mas partilhou algumas informações detalhadas sobre o Projeto de Prevenção do Departamento de Saúde Mental que esteve na sua génese. Este – segundo disse a psiquiatra que participou em outubro passado na tertúlia “Prevenção do suicídio: falar é o melhor remédio!”, promovida pela MenteMovimento em S. João da Madeira – surgiu em 2016 enquadrado no Plano Nacional de Prevenção do Suicídio (2013-2017).
 
Focando-se na articulação com as estruturas da comunidade, de forma a sinalizar e apoiar indivíduos que possam estar em risco na região, este projeto do CHEDV aposta em ações de sensibilização e no trabalho em rede. Além de ações destinadas à população em geral, como a que teve lugar na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, em outubro de 2017, houve outras direcionadas aos porteiros sociais (psicólogos, professores, assistentes sociais), militares da GNR, agentes da PSP e bombeiros, na Torre da Oliva, em novembro de 2018.

O projeto também colaborou na organização do II Encontro do Fórum Social da União de Freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo, este ano, no Dia Mundial da Saúde Mental – Prevenção do Suicídio (10 de outubro) e tem vindo a articular com a Rede Local de Intervenção Social (RLIS). Nota ainda para, em termos de articulação com os cuidados de saúde primários, as ações de sensibilização para profissionais de saúde do ACeS Aveiro Norte (sete sessões replicadas em três centros de saúde – S. João da Madeira, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis), em janeiro de 2018.

No que diz respeito a cuidados especializados hospitalares, além da Consulta de Prevenção de Comportamentos Autolesivos e Suicidários, Ana Cristina Lopes falou-nos ainda da terapia de grupo e da articulação com equipa de enfermagem do Serviço de Urgência para sinalização dos utentes admitidos por comportamentos suicidários e autolesivos. Por último, referiu-se ao desenvolvimento de um projeto de investigação com a Universidade de Aveiro na área da literacia em depressão e suicídio, na sequência de uma candidatura aprovada e financiada no âmbito do Concurso “Comunicar Saúde”.

Fonte: https://labor.pt/home/2019/11/28/tentou-o-suicidio-por-quatro-vezes/

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Amanda Ramalho, do ‘Esquizofrenoias’, dá 6 dicas para manter a saúde mental em dia   

 

Amanda Ramalho se tornou uma referência quando o assunto é saúde mental. Ciente do potencial das novas tecnologias de informação, a comunicadora atrai atenção, sobretudo entre os mais jovens, pela forma descolada e sem estereótipos com que fala sobre assunto delicados como depressão e suicídio.

Ela é a criadora do ‘Esquizofrenoias’, podcast que nasce para discutir as questões da mente sem rodeios. O trabalho fez tanto sucesso, que foi indicado ao prêmio ‘APCA’ como melhor podcast.

 

A ideia do podcast veio da necessidade de falar sobre o tema. Eu convivo com ansiedade e depressão desde minha infância. Fui diagnosticada aos 16 mas, com 5 anos já sentia o coração disparar tanto que minha mãe me levava em cardiologistas. Fiz eletrocardiograma. Evidentemente, não dava nada. Tenho 33 anos e sempre sonhei em abordar o tema. Triste pensar que nesse tempo todo ninguém pensou em falar a respeito da maneira que eu faço, mais leve, livre, sem glamour, quase que didático.

Depois de uma longa entrevista com a jovem paulistana, o Hypeness pediu que Amanda desse seis dicas para melhorar a saúde mental de maneira fácil e prática.

Dicas de Amanda Ramalho


Durante o ‘Esquizofrenoias’ eu e o convidado da semana damos dicas simples para melhorar sua saúde mental de maneira fácil e prática. A convite do Hypeness, selecionei seis delas.

1. Abrir a janela e comer macarrão

É muito comum em dias tristes não abrirmos a janela por autonegligência, esquecimento ou aquela vontade de deixar tudo escuro para dormir mais e mais.

Neste dias, crie coragem, levante da cama e deixe o sol entrar. Quem nunca ouviu sobre os benefícios da vitamina D para a depressão?

O macarrão reabastece nossas reservas de energia. O prato facilita a captação do triptofano, que nada mais é que um precursor da serotonina. Sobre o sol, experimente 20 minutinhos por dia e muita coisa boa vai te acontecer.

2. Ter um animal


Se você decidiu fazer algumas mudanças permanentes para a sua saúde mental, ter uma animalzinho é terapêutico. Eu tenho três. Mas não precisa de tantos assim, tá?

A troca que recebemos de um cãozinho ou um gato é a melhor sensação que alguém pode experimentar. Sei que nem todo mundo pode ter um animal, mas já pensou na dedicação que podemos dar a uma planta? É igualmente satisfatória. É tão visual vê-la crescer forte, acompanhar as evoluções. Dá uma ótima sensação de bem-estar.

3. Higiene do sono

Dormir bem é talvez a atitude mais efetiva que alguém pode tomar para melhorar a vida. Das dicas que dei até agora, essa vai te causar mais resistência. Vamos por partes: qual a cor da lâmpadas do seu quarto?

Se você respondeu brancas, faça o possível para trocá-las por amarelas o mais rápido possível. Por quê? Porque as lâmpadas amarelas trazem sensação de aconchego. São um descanso para os olhos. Diferente das brancas, que significam atenção e foco. Tudo aquilo que não queremos antes de dormir.

4. Modo soneca

Adormecer com o celular na mão é um estímulo para a atenção. Isso faz com que você demore a pegar no sono. Quando acordamos no meio da noite para dar aquela VERIFICADA nos e-mails e nas redes sociais, sem perceber perdemos algumas horas de sono por ficarmos mais alertas.

Dormir bem ajuda no aprendizado e melhora nossa memória de longo prazo. Se você é desses que sempre verifica o aparelho durante a noite, experimente deixar o celular na sala ou na cozinha antes de dormir. Depois me conta os benefícios.

5. Lavanda e aromaterapia

A aromaterapia é uma grande aliada da saúde mental. Uma gotinhas de óleo essencial no seu difusor do quarto ou mesmo no travesseiro ajudam a pacificar o ambiente e deixar o seu cérebro menos ativo. Com isso, você vai ter o almejado sono de qualidade.

Há quem diga que dormir é perda de tempo…

6. Fale, mas ouça

Expor sentimentos nunca é fácil, ainda mais se você não está acostumado. Carregamos fardos desnecessários que quando são verbalizados e divididos, diminuem de tamanho consideravelmente. Você não precisa passar por tudo isso sozinho.

Fale com alguém e quando alguém desabafar com você, apenas ouça. Não julgue. É justamente o medo do julgamento que faz com que a maioria das pessoas prefira sofrer sozinho.

O que te faz mal? Você sabe responder? Muitos desses gatilhos são evitáveis. Por que não mudar seu comportamento? Autoconhecimento é isso, saber os seus limites e o que suas atitudes podem acarretar em você mesmo. Existem muitos gatilhos evitáveis. Por que não evitá-los?

Ficou interessado em saber mais sobre dicas e métodos para manter a saúde mental em dia? Amanda Ramalho conversou com o pessoal do Instituto Vita Alere – que atua na prevenção e posvenção do suicídio – sobre transtorno bipolar, medicação e bem-estar.


O podcast ‘Esquizofrenoias’ preparou um especial sobre o ‘Setembro Amarelo’ tratando de depressão. Na conversa com Verônica Faxina Boa, que depois de enfrentar a depressão, se tornou, talvez, a primeira faxineira criadora de conteúdo.

* Amanda Ramalho é comunicadora e apresenta o podcast ‘Esquizofrenoias’.

Fonte: https://amp.hypeness.com.br/2019/10/amanda-ramalho-do-esquizofrenoias-da-6-dicas-para-manter-a-saude-mental-em-dia/

Profissionais de segurança recebem apoio emocional


Rede de Proteção à Vida (RPV) realiza trabalho com a Polícia Civil e agentes da Penitenciária Feminina 


As estatísticas mostram números reflexivos. A maior causa de mortes entre os profissionais de segurança não é por confronto. É pelo suicídio. É uma categoria que está exposta a uma rotina difícil que reflete em transtornos psicológicos.  A 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que 75% dos casos de mortes de policiais não ocorreram durante operações. O suicídio se tornou uma situação grave. Neste ano o 19º Batalhão da Polícia Militar no Vale do Araranguá fez um trabalho junto a Rede de Proteção à Vida (RPV), depois foi a vez do 9º Batalhão de Polícia Militar atingir toda a corporação em Criciúma. Novembro é o mês de serem realizadas ações junto a Polícia Civil de Criciúma e a Penitenciária Feminina.

Ao longo do mês de novembro, integrantes da Rede de Proteção à Vida (RPV) desenvolvem encontros semanais com os profissionais da segurança que foram divididos em escala, tanto na Polícia Civil que findou os trabalhos na última semana, quanto na Penitenciária feminina.
O ciclo de palestras possui objetivo de promover a reflexão e o bem estar emocional dos profissionais de segurança. Todos os policiais civis integrantes da Delegacia Regional de Criciúma participaram de um encontro, fruto da sensibilidade do delegado regional Vitor Bianco Junior, que viu a necessidade de estender este olhar aos policiais. Realizaram as atividades da RPV na Polícia Civil o palestrante Jefferson Sotero, as psicólogas Geisa Rosso e Marcia Helena Pereira Fedalto, o policial civil Almir Fernandes de Souza e o músico Paulo Araújo.


A diretora da Penitenciária feminina, Bárbara Santos de Souza, também organizou grupos de profissionais a fim de todos participarem do momento de reflexão, autoestima e acolhimento.  As atividades são desenvolvidas no presídio pelo palestrante Jefferson Sotero e o músico Paulo Araújo. O voluntário Eduardo Schaucoski realizou os registros fotográficos tanto na Civil quanto no presídio.
O desafio de cuidar é grande, tanto que o cuidador também precisa de cuidados. Surge então a atenção ao cuidador da área de segurança pública. A necessidade do cuidado para quem dedica a sua vida a proteger a vida dos outros. A equipe da RPV possui embasamento para trazer à tona o debate em torno da saúde do trabalhador  com cuidados a sua saúde mental.
RPV

A Rede de Proteção à Vida (RPV) é um movimento voluntário e cidadão, com foco na valorização da vida e prevenção do suicídio, sem credos, sem partidos. Busca sensibilizar a sociedade sobre a importância do tema. Fazem parte: Polícias Militar/Civil, ACIC, Assoc. Criciumense para Saúde Mental/Ceres, Serv. de Psicologia Aplicada Esucri/SPAE, Núcleo de Prevenção às Violências e Promoção da Saúde/Nuprevips, SAMU, Compev, Centro de Valorização da Vida – CVV, GASS – Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio, Sociedade de Psicologia de Criciúma, FIESC/Sesi. Acesse o site: www.protecaoavida.com.br, e conheça o trabalho. Seja voluntário. E-mail: contato@protecaoavida.com.br. As redes sociais com informações regionais são o Facebook: facebook/redeabraceumavida/ e o Instagram: @rpv_vida.

Fonte: https://www.uaaau.com.br/imprensa-livre/profissionais-de-seguranca-recebem-apoio-emocional

sábado, 9 de novembro de 2019

Suicídio no futebol: a luta de Teresa Enke para que tragédias como a do seu esposo não se repitam

"Tenho de dar significado à tragédia". Dez anos depois, Enke vive pela voz da mulher, Teresa, que luta para que a história não se repita


Mariana Fernandes (9 nov 2019)

A 10 de novembro de 2009, Enke pôs termo à própria vida. Dez anos depois, é a mulher, Teresa, que luta todos os dias para que a história sem final feliz do guarda-redes alemão não se repita.

Tem de existir sempre um ponto de viragem. Um acontecimento que marca um antes e um depois. Que altera as perspetivas, obriga a mudanças, torna preponderante uma reviravolta no que tinha existido até aí. Para Teresa Enke, é por isso que o marido é um mártir. Para Teresa Enke, a utilização da palavra forte e dura é correta porque tudo mudou desde que o marido morreu. Pode não ter mudado de repente, pode não ter mudado de um dia para o outro e pode ainda estar a mudar, uma década depois: mas tudo mudou. Há 10 anos, Robert Enke perdeu a defesa da própria vida e suicidou-se numa estação de comboios na Alemanha. E Teresa Enke carrega esse dia todos os dias para “dar significado à tragédia”.

A 10 de novembro de 2009, o mundo parou em choque para ouvir a notícia da morte de Robert Enke. O mundo do futebol, o mundo do desporto e o mundo no geral ficaram incrédulos a olhar para televisões, a ler jornais e a ouvir rádios quando souberam pela primeira vez que Robert Enke tinha morrido. Não só porque tinha 32 anos, não só porque era o guarda-redes titular do Hannover, não só porque era o principal candidato à baliza da seleção alemã no Mundial da África do Sul: mas porque o que tinha acabado de acontecer era diferente de tudo aquilo que conhecíamos até então. Enke, com uma carreira que tinha passagens pelo Benfica e pelo Barcelona e que parecia estar finalmente a ter reflexo na seleção, tinha colocado termo à própria vida. A crueldade da situação, a frieza com que tudo aconteceu — sem aviso, sem preparação –, deixou-nos em pânico. Como é que Enke, que parecia ser mais um ao lado de todos os outros jogadores de futebol, tinha feito aquilo?

Os dias que se seguiram trouxeram respostas. Todas dadas, sem pruridos, sem receios, por Teresa. “É uma loucura porque agora tudo se sabe, de qualquer forma. Pensámos que conseguíamos fazer tudo e fazer tudo com amor mas nem sempre se consegue. Foi o medo daquilo que as pessoas iriam pensar quando se tem uma criança e o pai sofre de depressão. Sempre lhe disse que isso não era um problema. O Robert cuidou da Leila com amor, até ao fim. Depois da morte da Lara tudo nos aproximou. Tentei dizer-lhe que há sempre uma solução. Levava-o aos treinos. Queria ajudá-lo a ultrapassar tudo. Mas ele já não queria ajuda”, disse a mulher do guarda-redes no dia do funeral. Lara, a primeira filha do casal, morreu devido a uma problema cardíaco; em maio de 2009, seis meses antes de morrer, Enke e a mulher adotaram Leila. Foi o incontrolável medo de perder a filha que impediu o jogador de revelar que estava a lutar contra uma grave depressão.

Teresa Enke é fundadora e presidente da Fundação Robert Enke

Depressão essa que não era propriamente uma novidade. Ainda que o ano de 2009 tenha sido o mais complexo, existiram outros alertas ao longo do tempo: o ataque de pânico que teve logo depois de assinar pelo Benfica e que quase o fez desistir de se mudar para Portugal; a forma pouco saudável como reagiu ao facto de ser suplente de Víctor Valdés no Barcelona; o bloqueio que sofreu durante um jogo ao serviço do Fenerbahçe; o estado depressivo em que se afundou logo depois da morte da filha, em 2006. Tudo isso, embora com altos e baixos, culminou naquele dia há 10 anos porque se arrastou e avolumou como uma bola de neve. “Ele sofria de depressão e medo de falhar. Apesar de fazer terapia diária durante meses, não conseguiu evitar o suicídio”, explicou Valentin Markser, médico que acompanhou o guarda-redes na passagem pelo Barcelona. Segundo o especialista, Enke pediu desculpa à família e aos profissionais de saúde na carta que deixou por ter mentido deliberadamente de forma a fazê-los acreditar que estava melhor.

Dez anos depois, o mundo do desporto atravessa uma fase de viragem e de autêntica revolução no que toca à saúde mental. Se a NBA inovou com a criação de um plano obrigatório e transversal a todas as equipas para evitar e prevenir situações de risco, são cada vez mais os jogadores de futebol que revelam que ultrapassaram depressões, ansiedades, ataques de pânico. Buffon, Ederson e Marcelo estão entre os mais recentes mas também Gary Neville, Ferdinand e Iniesta já confessaram ter sofrido de situações semelhantes. Na Alemanha, o país de Enke, todas as academias de todos os clubes de futebol têm equipas de psicólogos e terapeutas preparadas para lidar com jovens jogadores e convencê-los, desde muito novos, de que é normal e aceitável admitir que não está tudo bem. No futebol profissional, porém, as coisas não são assim tão sim

A base do problema é que tudo o que tem a ver com saúde mental ainda é abordado com ansiedade. Tem tudo a ver com a forma como as pessoas maquilham a própria mente. Tendem a tentar continuar a funcionar para lá do problema durante o maior período de tempo que conseguirem, mesmo quando já estão a sofrer. A dor mental é muito diferente da dor física”, explicou Marion Sulprizio, uma psicóloga desportiva, durante uma conferência organizada pela Fundação Robert Enke. A Fundação, criada por Teresa Enke, tem como objetivo combater o preconceito contra as perturbações mentais no desporto no geral e no futebol em particular e organiza várias ações de sensibilização para aprofundar o tema.

Há dois anos, por ocasião daquele que seria o 40.º aniversário de Enke, Teresa deu uma entrevista ao Telegraph onde revelou que o plano do alemão, depois de terminar a carreira, era regressar a Lisboa com a família e tornar-se treinador de guarda-redes no Benfica, onde passou “um dos períodos mais felizes”. Dez anos depois da morte de Enke, é Teresa quem tenta prolongar o legado do jogador para “quebrar o estigma, quebrar o tabu, mostrar que a doença mental é algo que pode ser curado e que não há nada de errado em admitir que temos um problema”, como explicou ao jornal inglês. Enke vive através da filha, que tem agora oito anos, através do futebol e através da memória de todos aqueles que a 10 de novembro de 2009 pararam em choque em frente a uma televisão, a uma rádio ou a um jornal. Mas vive principalmente através de Teresa, que o honra e homenageia nos mais simples pormaiores: como o facto de, há poucas semanas, ter enviado pessoalmente uma carta ao maquinista do comboio que acabou por atropelar o alemão. “Não sei o seu nome mas queria dizer-lhe que o Robbi nunca quis envolver mais ninguém na sua própria morte. Peço imensa desculpa. E sei que o Robbi diria exatamente o mesmo”, escreveu.

Fonte: https://observador.pt/2019/11/09/tenho-de-dar-significado-a-tragedia-dez-anos-depois-enke-vive-pela-voz-da-mulher-teresa-que-luta-para-que-a-historia-nao-se-repita/



quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Um gol de placa, a serviço da vida!

Campanha de prevenção ao suicídio do Fortaleza Esporte Clube é finalista em premiação 

Uma série de notícias a respeito de pichações nos muros do Fortaleza Esporte Clube viralizou há uns tempos atrás justamente porque ninguém entendeu o que estava acontecendo de errado. O time seguia por uma boa fase, com 3 títulos em 6 meses, havia acabado de receber a taça da Copa do Nordeste, quem poderia fazer aquilo? Acontece que o próprio foi responsável pelas pichações.



As pichações traziam frases como “acabou a paz”, “desisto, é o fim” e “eu não aguento mais” e faziam parte de uma campanha de prevenção ao suicídio elaborada em parceria com o Ministério Público. Com o nome de “Virando o Jogo” a campanha veio para mostrar que mesmo que pareça estar tudo bem, ainda é possível que não esteja.

Após serem notadas e repercutidas, as frases foram substituídas por mensagens de apoio à prevenção do suicídio. No Brasil, uma vida é interrompida a cada 45 minutos e Fortaleza é a segunda capital com o maior índice de suicídio. O que no futebol é a metade de uma partida, para muitas pessoas pode representar o fim.

A ação foi criada pela Agência Delantero e foi escolhida como finalista do El Ojo de Iberoamérica, o maior festival criativo da América Latina e prêmio de marketing mais importante da América Latina, Portugal e Espanha, como um dos cinco mais relevantes do mundo. A premiação acontece nos dias 6, 7 e 8 de novembro de 2019.

Até o momento a ação gerou mais de R$ 1,2 milhão em mídia espontânea e repercutiu em mais de 45 plataformas de comunicação, inclusive internacional, em TV, rádio, impresso e web, gerando mais de 41 milhões de pageviews.

Fonte: https://geekpublicitario.com.br/41937/prevencao-ao-suicidio-fortaleza-esporte-clube/

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Anjos na ponte: salvando vidas na Golden Gate

Os 'anjos' que já salvaram milhares de vidas impedindo suicídios em ponte dos EUA

Fernando Duarte - BBC World Service (16 outubro 2019)

Os policiais Kevin Briggs e Mia Munayer passaram as duas últimas décadas trabalhando na Golden Gate, em São Francisco, onde mais de 1,7 mil pessoas se mataram desde 1937, e impediram muitos de fazer o mesmo.

"Nenhuma pessoa que vem à ponte para pular quer morrer. Elas só querem saber que alguém se importa", diz Kevin Hines, que tentou dar fim à sua vida saltando da Golden Gate, em São Francisco, nos Estados Unidos, em setembro de 2000.

Embora várias pessoas o tenham visto na ponte pouco antes e uma turista tenha até pedido para ele tirar uma foto dela, ninguém percebeu que Hines estava angustiado ou perguntou se havia algo errado. Então, ele pulou.

Por um milagre, Hines sobreviveu à queda de 75 metros nas águas frias do Pacífico. No entanto, mais de 1,7 mil pessoas morreram ao pular da mesma ponte desde sua inauguração em maio de 1937, segundo dados oficiais.

A Golden Gate é a ponte mais visitada do mundo e também é um dos principais pontos de suicídio do planeta, a ponto de ter sua própria equipe de voluntários, a Bridgewatch Angels (anjos da brigada da ponte, em tradução livre), dedicada a detectar potenciais suicidas e salvar suas vidas com um método simples: ouvir o que têm a dizer.

Só em 2018, 214 pessoas tentaram pular. O fato de apenas 27 terem feito isso de fato é um sinal do sucesso do trabalho conjunto destes voluntários com a polícia.

O suicídio é um assassino global em grande escala. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que ocorram cerca de 800 mil mortes por este motivo no mundo a cada ano .

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a principal agência de saúde pública dos Estados Unidos, 47 mil pessoas tiraram suas próprias vidas no país em 2017, de acordo com os dados mais recentes disponíveis. O suicídio é hoje a segunda principal causa de morte entre os americanos com idades entre 10 e 34 anos.

Uma pessoa pode elaborar muitas razões para se matar, mas há uma forte ligação disso com problemas de saúde mental, especialmente depressão: 90% das pessoas que morrem por suicídio têm algum problema deste tipo ou teriam consumido substâncias químicas de forma abusiva no momento da morte, de acordo com a Save, uma organização americana de conscientização e prevenção de suicídio.

"Tinha que fazer algo para ajudar"


Embora a depressão seja um distúrbio de saúde mental tratável, o suicídio costuma ser um ato impulsivo. O que os Bridgewatch Angels procuram fazer é impedir que o suicídio inviabilize esta possibilidade de recuperação.

Apesar de viver na região, a policial Mia Munayer não tinha conhecimento do legado sombrio da Golden Gate, até assistir em 2010 ao documentário The Bridge (A ponte, em inglês), sobre o assunto.

"Tinha que fazer algo para ajudar a impedir que mais pessoas morressem", diz ela, que fundou então a Bridgewatch Angels. Desde 2011, os voluntários percorrem a ponte em datas importantes, como Dia dos Namorados ou véspera de Natal, e são treinados para abordar qualquer pessoa que achem que possa estar em perigo.

Munayer gastou mais de US$ 10 mil (R$ 41,5 mil) do próprio bolso para financiar as campanhas, que incluem seminários para pessoas interessadas em ajudar a patrulhar a ponte em épocas de maior preocupação.

A policial treina os voluntários para lidar com aqueles que parecem isolados e angustiados. Eles aprendem a detectar os sinais de alerta e maneiras de reagir a isso. Os voluntários fazem perguntas que podem começar com um simples "você está bem?". É uma questão de estimular a pessoa a falar.

"Conversamos com as pessoas. Mostramos que não estão sozinhas. Nós ouvimos. Às vezes, essa é a melhor resposta. Mas é importante tentar não tocar nos assuntos sensíveis e apenas mantê-las conversando", diz Munayer.

O guardião da Golden Gate


O sargento aposentado Kevin Briggs realizou paralelamente um trabalho semelhante. Ele não teve escolha ao se envolver com essa questão: por quase 20 anos, a Golden Gate fez parte de sua rota diária de patrulha.

Ele teve seu primeiro encontro com alguém que tentava se suicidar em 1994. "Na época, os policiais não tinham treinamento formal para lidar com essas situações. Fiquei aterrorizado quando vi uma jovem subindo no beiral", diz Briggs.

Ele começou então a ler sobre como lidar com suicidas no seu tempo livre. "Foi uma boa ideia, porque, por quase 20 anos, tive de lidar com essas situações com muita frequência."

"Às vezes, eu me questionava sobre as pessoas que salvei, como se fosse uma pesquisa. 'O que eu disse de bom? O que eu disse ou fiz de ruim?'", explica ele.

Ele ficou conhecido como "o guardião da Golden Gate" por ter convencido mais de 200 pessoas a não saltar. Fracassou em apenas duas ocasiões. "Você costuma se lembrar mais das pessoas com quem falhou do que daquelas que ajudou", diz ele, que mais tarde lidaria com um distúrbio de estresse pós-traumático por causa deste tipo de trabalho.

O ex-policial ganhou fama com um resgate de 2005 amplamente documentado pela imprensa local. Kevin Berthia tinha 22 anos, enfrentava uma depressão e tinha uma dívida de US$ 250 mil (R$ 1,03 milhão) por causa do tratamento de sua filha prematura. Briggs o encontrou prestes a saltar da ponte. "Conversamos por mais de 90 minutos, e ele desistiu", lembra ele.

As imagens desta intervenção foram reproduzidas pela mídia em todo o mundo. Berthia entregou oito anos depois a Briggs um prêmio concedido pela Fundação Americana para Prevenção do Suicídio.

"A Golden Gate é apenas um sinal do que está acontecendo nos Estados Unidos. O problema de saúde mental tornou-se grande demais para ser ignorado", acredita Briggs.

Essa visão também parece ser compartilhada pelas autoridades que administram a ponte. Após décadas de discussão sobre a instalação de uma barreira física para as tentativas de suicídio, a construção desta estrutura começou no final de 2017.

Uma rede de seis metros de largura ficará localizada seis metros abaixo da ponte. O site oficial da Golden Gate alerta que as pessoas que caírem ou saltarem "ainda poderão ficar feridas" ao fazer isso. A um custo de US$ 200 milhões (R$ 829,9 milhões), ficará pronta em 2021.

As estatísticas apontam ser improvável que potenciais suicidas da Golden Gate tentem se matar novamente. Munayer cita um estudo do psiquiatra Richard Seiden, que acompanhou pessoas que desistiram de pular da ponte entre 1937 e 1971. Seiden descobriu que, dos 515 indivíduos dissuadidos, apenas 25 se mataram mais tarde.

Mitos do suicídio


Munayer acredita que iniciativas como o documentário The Bridge tocam em um ponto sensível e confrontam o que ela chama de "mitos do suicídio".

"Às vezes, o simples ato de iniciar uma conversa casual pode ser suficiente para dissuadir alguém de tirar a própria vida. "Então, por que não deveríamos debater essa questão mais abertamente na sociedade?", questiona Munayer.

Poucas pessoas que saltam sobrevivem para contar sua experiência. Pular da ponte Golden Gate significa atingir a água a quase 140 km/h. A taxa de mortalidade é de mais de 95%, segundo dados oficiais.

Os poucos sobreviventes que falam publicamente sobre isso invariavelmente dizem ter lamentado a decisão de pular imediatamente após o salto. Alguns fazem parte do lobby para aumentar as medidas de segurança na ponte. "Essa ponte é uma mensageira da morte", disse Kevin Hines, que pulou em agosto de 2000, à emissora CNN.

"Eu não teria feito isso se alguém tivesse me abordado. Eu estava chorando e desorientado. Ninguém parou para perguntar o que estava errado. Finalmente, uma turista me parou. Ela queria uma foto sua. Concordei, e cinco cliques depois, eu ainda estava chorando, e ela foi embora. Eu sabia que ninguém se importava. Dei um passo para trás e me joguei."

Hines agora fala sobre sua experiência e é um ativista em questões de saúde mental e prevenção de suicídios, usando o slogan #BeHereTomorrow (#EstejaAquiAmanhã, em inglês).

"Se você vê alguém sofrendo, é seu dever se envolver e tentar fazer a pessoa se abrir e compartilhar o que está acontecendo em sua mente. Você pode ser um agente de mudança."

Precisa de ajuda?


O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece serviços de apoio emocional e prevenção de suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias.

A ligação para o CVV em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/10/16/os-anjos-que-ja-salvaram-milhares-de-vidas-impedindo-suicidios-em-ponte-dos-eua.htm

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Plano de aula para dois temas que se entrelaçam: automutilação e suicídio

Automutilação e suicídio: como abordar com a turma

Bárbara Rubira e Mariana Hallal (15 outubro 2019)

Em abril, o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que determina que hospitais e escolas devem notificar, de forma sigilosa, casos de automutilação e suicídio. A legislação instituiu também a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Segundo dados divulgados em setembro do ano passado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 5,8 suicídios por 100 mil habitantes em 2016, com um caso a cada 46 minutos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo todo. A entidade elaborou um Manual para Professores e Educadores, dedicado aos profissionais considerados fundamentais no combate ao problema entre adolescentes.

Uma reportagem feita pela repórter Júlia Marques mostra que a preocupação com o problema já tem mobilizado ações em escolas, consultórios e universidades. Algumas iniciativas partem inclusive dos próprios estudantes, que formam grupos de apoio com a orientação de especialistas.

Usando a reportagem e o manual da OMS, desenvolva discussões em sala de aula sobre os principais fatores de risco, sinais de alerta e maneiras de prevenir o suicídio.

Propostas de atividades 


1 – Sociologia


Discuta com os alunos: como as ideias de Émile Durkheim sobre o suicídio, elaboradas na França do século 19, se relacionam com o tema nos dias de hoje?

2 – Políticas públicas


Proponha um debate: as iniciativas do poder público no combate e prevenção à automutilação, ao suicídio e a outros problemas relacionados são eficientes? Que outras ações e projetos os alunos conhecem? O que mais poderia ser feito?

3 – Transtornos psicológicos


Pergunte aos os alunos o que eles sabem sobre depressão e ansiedade. Depois, peça a eles que pesquisem sobre o tema e desenvolvam um trabalho com suas percepções sobre o assunto. O objetivo é desmistificar essas doenças e quebrar preconceitos.

4 – Sem rótulos


Proponha uma atividade para debater os rótulos que são impostos aos adolescentes e discuta as consequências que isso pode ter no desenvolvimento de cada um. É um bom momento para trabalhar as diferenças e as particularidades dos alunos, mostrando que ser diferente é normal.

5 – Internet


Questione os alu
nos sobre o uso das redes sociais pelos adolescentes. Eles acham que o uso exagerado e certos comportamentos influenciam na autoestima? A realidade mostrada por personalidades das redes sociais pode deixá-los descontentes com a sua própria realidade? O que eles podem fazer para diminuir esses efeitos negativos das redes sociais?

6 – Habilidades socioemocionais


Proponha atividades que incentivem trabalhos em grupo e fortaleça a empatia entre os alunos. As habilidades socioemocionais também podem ser trabalhadas em conjunto com o psicólogo da escola ou da comunidade, por meio de palestras explicativas sobre temas pertinentes à saúde mental da turma (depressão, ansiedade, uso de álcool e drogas, entre outros). Aproveitar momentos de grande debate sobre o tema, como o Setembro Amarelo, é uma opção.

Banco de dados e materiais sobre o tema


Vídeo para trabalhar a vida no Instagram versus vida real (em inglês)

Guia do Instituto Ayrton Senna sobre competências socioemocionais no cotidiano das escolas
Centro de Valorização da Vida

Manual de prevenção do suicídio da Sociedade Brasileira de Psiquiatria

Instituto Vita Alere, que trabalha com suicídio, prevenção e posvenção

Projeto Cuca Legal, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Associação Americana de Suicidologia (em inglês)

A repórter Júlia Marques fala sobre a produção da matéria foi feita nesse vídeo.


Disciplinas envolvidas: Sociologia, Filosofia, Biologia.

Anos em que as habilidades podem ser trabalhadas: ensino médio

Referências na BNCC: Ciências da Natureza e suas Tecnologias – EM13CNT207*

Ciências Humanas e Sociais Aplicadas – EM13CHS502*; EM13CHS503*; EM13CHS605*

*(EM13CNT207) Identificar, analisar e discutir vulnerabilidades vinculadas às vivências e aos desafios contemporâneos aos quais as juventudes estão expostas, considerando os aspectos físico, psicoemocional e social, a fim de desenvolver e divulgar ações de prevenção e de promoção da saúde e do bem-estar.

*(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana (estilos de vida, valores, condutas etc.), desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade e preconceito, e propor ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às escolhas individuais.

*(EM13CHS503) Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

*(EM13CHS605) Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo.

O material teve a colaboração de Luciana Cardoso, psicóloga e professora de Filosofia da escola Imaculada Conceição (Pelotas/RS).

Fonte: https://educacao.estadao.com.br/blogs/estadao-na-escola/2019/10/15/automutilacao-e-suicidio-como-abordar-com-a-turma/