terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Trabalho em rede para a prevenção do suicídio em Santos-SP

Rede de apoio psicossocial e de prevenção ao suicídio tem portas abertas em Santos

14fev2019

Essa é a linha seguida pela Prefeitura, por meio de programas da Secretaria de Saúde, para prevenir e reduzir os casos de atentado contra a própria vida

Informar, auxiliar a reconhecer os sinais de alerta e dar apoio são os primeiros passos para evitar o suicídio. Essa é a linha seguida pela Prefeitura, por meio de programas da Secretaria de Saúde, para prevenir e reduzir os casos de atentado contra a própria vida.

As unidades da rede especializada de Saúde Mental do Município ficam de portas abertas (confira relação abaixo) à população e o atendimento é realizado por equipe multiprofissional formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, acompanhantes terapêuticos, entre outros especialistas.

O coordenador do setor na Prefeitura, o psicólogo Paulo Muniz, destaca que não é possível evitar todos os suicídios, mas é possível prevenir muitos deles se houver atenção aos sinais e, principalmente, ao modo de vida daqueles  com quem nos relacionamos.

"Ficar alerta aos sintomas pode ser a diferença para salvar uma vida. O suicídio não envolve apenas uma questão de saúde, mas também educação, a parte social e, principalmente, toda a família".

A questão é muito complexa, segue Paulo, "porque no suicídio a vítima e o agressor são a mesma pessoa. É importante ressaltar que um agravamento da situação costuma ser caracterizado previamente pelo aumento das manifestações, que não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos para um risco real".

Sinais de alerta

Expressão de ideias ou de intenções suicidas:

  • "Vou desaparecer"
  • "Vou deixar vocês em paz"
  • "Eu queria poder dormir e nunca mais acordar"
  • "É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar"

Quando você pede ajuda, você tem o direito de:

  • Ser respeitado e levado a sério;
  •  Ter o seu sofrimento levado em consideração;
  •  Falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação;
  • Ser escutado;
  • Ser encorajado a se recuperar.

O que fazer:

Se você acha que uma pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência (Samu 192) e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

Se a pessoa que o preocupa vive com você, assegure-se de que ela não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.

Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

Prevenção

A prevenção do suicídio passa principalmente pela produção de vida. Ações, comportamentos e atividades que valorizem a vida como tarefas a executar, objetivos e metas, arte, cultura, lazer, esportes e outras atividades que possam levar as pessoas a se sentirem produtivas e partícipes da sociedade ou de grupos com afinidade são a melhor forma de evitar decisões que possam levar uma pessoa a cometer suicídio.

Desde cedo é importante incentivar as crianças a atividades criativas nas quais elas possam encontrar e desenvolver os aspectos de realização e felicidade em cada fase de suas vidas.

Endereços e telefones para contato - Unidades de portas abertas

Caps ZNO 

Rua Bulcão Viana, 880, Bom Retiro - Telefone 3299-3824

Caps Centro

Av. Rodrigues Alves, 326, Macuco – 3222-1217

Caps Praia

Av. Cel. Joaquim Montenegro, 329, Aparecida – 3232-8411

Caps Vila Mathias

Av. Pinheiro Machado, 718, Marapé -  3225-5796;

Caps Orquidário

Avenida Francisco Glicério, 661, José Menino – 3251-2094

Caps Álcool e Drogas Infantojuvenil 24 Horas: CAPS ADIJ

Rua Campos Melo, 298, Encruzilhada -  3221-8637

Caps Álcool e Drogas Adulto

Rua Silva Jardim, 354, Macuco – 3237-2681

Caps Infantis:

Caps I ZOI

Avenida Bernardino de Campos, 617, Campo Grande – 3271-8235

Caps I ZNO

Praça Maria Coelho Lopes, 395, Santa Maria – 3299-7901

Caps I RCH

Rua Almeida de Morais, 214, Vila Mathias – 3221-2209 / 3221-4944

Fonte:
www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/rede-de-apoio-psicossocial-e-de-prevencao-ao-suicidio-tem-portas/122817/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Uma imagem impacta mais do que um catálogo de informações estatísticas!

Contra o frio número das estatísticas, o impacto de uma só imagem!


226 pares de sapatos foram colocados na escadaria deste pavilhão em Liverpool, representando as crianças que se suicidaram em 2017

Fonte: https://magg.pt/2019/02/09/estes-sapatos-representam-as-criancas-que-se-suicidaram-em-2017/

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Enlutado por suicídio

Do blog Psicologia e Prevenção do Suicídio  




Como ajudar um enlutado por suicídio?

Flávia Andrade

O luto é considerado uma reação humana a perda de algo existencialmente significativo, seja um ente querido ou o rompimento de algum laço afetivo, por exemplo.

Donald Woods Winnicott, psicanalista inglês, considerava o luto como um processo de transformação, uma espécie de transição de uma dor psíquica muito profunda, até uma forma de nostalgia. Em outras palavras, a dor intensa da perda, vai, com o tempo de cada um, de cada sujeito, sendo substituída por saudade, por lembrança.

Para Winnicott é necessário e absolutamente saudável, do ponto de vista psíquico, vivenciar o luto, chorar a dor da maneira com que cada um, singularmente, a sinta. Os limites emocionais são absolutamente individuais e, em decorrência, a dor do luto e a maneira de expressar essa dor, também é absolutamente individual. Não cabe portanto, comparar dores ou minimizar a dor do outro, menos ainda julgar essa dor.

No caso de luto por suicídio, justamente pelo que o próprio suicídio representa e invoca em termos de estigmas morais (especialmente os secundários a dogmas religiosos), a dor do luto pode ter alguns agravantes e especificidades.

O suicídio em muitos casos deixa uma situação de dor e violência extrema escancaradas. Em alguns casos,os entes da pessoa que se foi se deparam com a cena da morte e isso pode ser devastador. Além disso, o suicídio pode suscitar naqueles que ficam a culpa, a auto-acusação e especialmente o desejo de obter respostas.

É muito comum que haja ainda sentimento de vergonha, o que pode fazer essas pessoas esconderem o fato e se isolarem com suas dores enormes, sem saber o que fazer com elas.

É preciso acolher a dor dos enlutados
principalmente em três aspectos: autorizar a dor, desmistificar a questão da culpa e a questão da vontade de obter explicação, pois, como esclarecem Fukumitsu e Kovacs (2016), muitas vezes, a verdade foi embora com aquele que morreu.

É imperativo assinalar que o suicídio é um fenômeno multifatorial, ou seja, multicausal, e ainda que suscite dúvidas e muitas angústias e perguntas em quem fica, é um ato individual. Seria praticamente inviável responder porque alguém tiraria a própria vida; isto é um processo individual complexo e de muita angústia para se obter uma única explicação.

Um fenômeno como o suicídio é multifatorial e não poderia ser explicado por um acontecimento único e pontual. A construção de uma angústia como a que leva a um ato como esse só pode ser algo de complexidade tal, que não caberia tentar desenrolar o nó perguntando “porque?”

Prevenimos o suicídio enquanto há vida, pois refletir sobre suicídio e sobre morte em geral é pôr em pauta, antes de qualquer outra coisa, a significação e o sentido próprio do viver. Há tempos, os filósofos sabem que a morte não é um tabu, (como passamos a encará-la socialmente), mas sim um tema que nos faz pensar no modo que escolhemos viver. Pensar a morte é refletir sobre a vida. Do mesmo modo, Camus (filósofo argelino/francês) já admitia considerar o suicídio como a questão filosófica essencial. O suicídio, diz Camus, é o que nos faz refletir sobre se a vida vale a pena ser vivida. Nesse sentido, entendemos que decidir o que vale a pena na vida é do âmbito individual, significado e sentido de vida, é algo que cada um busca construir, reinventar e transformar para si, constantemente. E é talvez isso que o suicida deixe de conseguir, em determinado momento; se torna angustiado a tal ponto que não vê mais a oportunidade de reinventar significados para a própria existência. É justamente por isso que podemos entender que o enlutado apenas intensifica o sofrimento ao perguntar porquê? Porque nós talvez jamais entendêssemos os motivos de alguém tirar a própria vida. O suicídio se previne em vida, mas infelizmente, nem sempre é possível evitar totalmente que ocorram.

De acordo com Fukumitsu e Kovacs (2016), os enlutados por suicídio enfrentam, além da dor da perda por morte, a dor da culpa, da vergonha (pelos fatores morais aos quais o suicídio se relaciona) e muitas vezes das autoacusações, uma vez que o enlutado nesse caso pode ser levado a pensar que poderia ter agido de modo a evitar o ato suicida.

Se autoacusar ou procurar respostas pode ter o efeito de apenas aumentar a dor do luto e da perda, que já e imensa. É preciso sim, autorizar o choro, o luto e a despedida, mas sem intensificar atitudes ou dores que só irão machucar ainda mais.

É preciso que os enlutados por suicídio saibam que merecem apoio, afeto e acolhimento para suas dores. E principalmente, que é possível reconstruir sua história e retomar suas vidas, apesar desse processo tão doloroso. Para resumir, quando me perguntam o que dizer a alguém que está enlutado, geralmente respondo que nesses casos pode ser mais necessário ouvir do que falar. E agir de modo a mostrar-se disponível; abraçar, acolher o choro, não julgar. Dizer, com ações, a frase: “onde dói e como posso te ajudar?’

* Flávia Andrade Almeida – Psicóloga clínica e hospitalar, especialista em prevenção do suicídio. Mestranda em filosofia com o tema “Suicídio segundo Michel Foucault". Autora da fan page Psicologia e Prevenção do Suicídio.

Abaixo links úteis e a relação dos grupos de apoio aos sobreviventes (enlutados) por suicídio.

Caso precise de ajuda ligue CVV (Centro de Valorização da Vida) 188 – ligação gratuita em todo o território nacional.

Referências 

CAMUS, Albert. O Mito de Sísifo . Rio de Janeiro: BestBolso, 2013.

FUKUMITSU, Karina Okajima e KOVACS, Maria Júlia. Especificidades sobre processo de luto frente ao suicídio. Psico (Porto Alegre) [online].2016, vol.47, n.1, pp. 03-12. ISSN 1980-8623. http://DX.doi.org/10.15448/1980-8623.2016.1.19651

WINNICOTT, Donald Woods. Privação e delinquência. São Paulo: Martins Fontes, 2014

Links úteis

Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio (GASS)

Cartilha da Organização Mundial da Saúde - Prevenção do suicídio

Cartilha da Associação Brasileira de Psiquiatria - Suicídio, informando para prevenir

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Fonte: https://jornalggn.com.br/entenda/como-ajudar-um-enlutado-por-suicidio-por-flavia-andrade/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Um exemplo de união profissional em favor da prevenção do suicídio

Há 12 anos rede de profissionais e voluntários atua para prevenção ao suicídio em Adamantina

A psicóloga Ana Vitória Salimon C. dos Santos há 12 anos estuda o assunto e faz parte de grupo que trabalha com a prevenção do problema na cidade e região.

Jornal Impacto (26 jan 2019)

Psicóloga Ana Vitória Salimon (Foto: João Vinícius | Grupo Impacto)

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabeleceu a meta de reduzir em 10% os casos de mortes por suicídio até 2020. No Brasil, os números são preocupantes: de 2007 a 2016, 106.374 pessoas morreram em decorrência do suicídio — em 2016, a taxa foi de 5,8 por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde.

Casos divulgados pelas redes sociais e parte da imprensa nas últimas semanas trouxeram a população de Adamantina sensação que o problema é alarmante, no sentido de que qualquer vida perdida por causa externa, seja homicídio, suicídio, acidente de trânsito ou outra situação, pressupõe a necessidade de reflexões e, quando necessário, ações para evitar novas perdas.

Adamantina não está entre as maiores taxas de mortalidade por suicídio do país, apesar de apresentar taxa considerada média. A informação é da psicóloga Ana Vitória Salimon C. dos Santos, que há 12 anos estuda o assunto e faz parte de grupo que trabalha com a prevenção do problema na cidade e região.

Segundo ela, falar sobre suicídio não é necessariamente um problema, porém depende de como, o quê e para quê se comenta.

“Existem materiais disponíveis na internet da Organização Mundial de Saúde e da Associação Brasileira de Psiquiatria que orientam como a questão deve ser abordada na mídia. Considerando que qualquer pessoa atualmente se coloca em meios de divulgação, as recomendações são válidas para todos, como, por exemplo, não divulgar fotos e imagens de suicídios ou tentativas, não colocar em destaque, nem expor pessoas e família, entre outros cuidados”, explica.

A profissional está a frente do Núcleo de Psicologia da UniFAI (Centro Universitários de Adamantina), é membro e articuladora da Rede Promover Vida e co-fundadora da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.

“Em Adamantina está sendo feito um trabalho há muito tempo de cuidado e prevenção do suicídio. Isso faz também que se tome conhecimento, as autoridades, destas situações. Não necessariamente Adamantina possui um número elevado. Existem lugares no Brasil, como Mato Grosso e Rio Grande do Sul, em que os números são absurdamente maiores. Mesmo se considerarmos somente o estado de São Paulo, Adamantina, a nossa microrregião, não possui o maior número de casos. Talvez por nossos municípios serem pequenos, e agora com as mídias sociais, existe uma rapidez muito grande em se veicular os casos, as vezes propagado de uma forma inadequada. As pessoas postam fotos, comentários, diria que são inadequadas, pois divulgam um pânico e expõem a pessoa que sofreu, que está em uma condição delicada, e seus familiares”, alerta.

Ana Vitória explica que o suicídio não tem uma explicação simplista, por isso deve se ter cuidado ao propagá-lo.  “Geralmente existem comentários: a pessoa se suicidou por um problema afetivo ou por uma questão financeira. Isso é o que chamamos na área de psicologia e psiquiatria de fator precipitante, o que não quer dizer que é a causa que levou ao suicídio. Existe um conjunto de fatores. O suicídio nunca pode ser visto apenas pela ótica individual. Tem que ser visto de forma complexa”.

Fatores sociais e individuais podem levar ao suicídio. “A gente tem que analisar o sentido da vida e da morte dentro de uma cultura, o que são valores para estas pessoas, avaliar as condições sociais e de vida. O que afeta para a pessoa chegar ao suicídio iremos pensar desde questões maiores, do próprio local em que sevive, política e economia, por exemplo, até questões que se aproximam do individuo, como a cultura, a forma de pensar, família, amigos, relações afetivas, religião, um conjunto de coisas”.

Rede de prevenção ao suicídio

Em 2005, os casos de suicídio em Adamantina, e as tentativas, já incomodavam profissionais da área de saúde, autoridades locais e estudantes do curso de Psicologia da UniFAI. “Naquela época não tínhamos a mínima noção de quantas pessoas e quais eram as características das mesmas”, relembra Ana Vitória.

Dois anos depois, uma sequência de suicídios e tentativas motivou mobilização da Secretaria de Saúde com o Núcleo de Psicologia da UniFAI. “Iniciamos o monitoramento em Adamantina e começamos entender se eram adultos ou crianças, gênero, quantos aconteciam, a partir daí o trabalho foi crescente. Em 2007 realizamos este levantamento. No ano seguinte priorizamos o atendimento psicológico destas pessoas no Núcleo de Psicologia e no Posto de Saúde. Um trabalho que foi se construindo”.

Em 2009, recorda Ana Vitória, o projeto começou a envolver a Psicologia da Santa Casa, o Centro de Atenção Psicossocial, que iniciava suas atividades no Município, e outras instituições, formando uma rede de acolhimento, diagnóstico e intervenções necessários.

“Ao passo que este projeto acontecia chegávamos mais perto das pessoas com comportamento suicida e/ou afetadas por elas, começamos orientar estas famílias. E de lá para cá só fomos aprimorando. Aumentamos a capacidade de atendimento em Psicologia com estagiários do último ano do curso.Fomos nos especializando em atender pessoas em risco”.

A profissional pontua que a princípio objetivavam que o atendimento deveria ser voltado a psicologia e psiquiatria, pensamento comum da população.

“Quando começamos a entender melhor fomos encontrando pessoas em situação de crise, das mais diversas ordens: financeira, afetiva, social. E começamos a ter clareza que não eram a psicologia e psiquiatria sozinhas que resolveriam a questão. Isso não seria prevenção ao suicídio. Tínhamos que promover uma melhor qualidade de vida”.

Para isso, no ano de 2010, foi realizada primeira reunião da Rede Promover Vida. “Quem tentou suicídio não precisará apenas da psicologia e psiquiatria, pode precisar da Secretaria de Esportes, pois necessita de saúde e lazer, talvez seja alguém que precise de atendimento ou benefício da área da Assistência Social, precisa de Cultura, apoio dos estabelecimentos de Educação, entre outras áreas”.

Neste trabalho de promover qualidade de vida e prevenção do suicídio e outras violências foi formada uma rede com diversos eixos, entre elas secretarias municipais de Adamantina, como de Saúde (órgão gestor, Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, Programas de Estratégias de Saúde da Família, Agentes Comunitários, Setor de Vigilância Epidemiológica, Unidades Básicas de Saúde, Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF), de Educação (Psicologia e órgão gestor) e da Assistência Social (órgão gestor, Centro de Referência em Assistência Social - CRAS, Centro de Referência Especializado em Assistência Social - CREAS, Centro de Convivência da Juventude- CCJ); instituição acadêmica: Centro Universitário de Adamantina, com a cooperação de vários cursos, além da Psicologia (dependendo as demandas: Publicidade, Design, Farmácia, Serviço Social, Enfermagem, Medicina, entre outros), Diretoria Regional de Ensino, Pronto-Socorro municipal, Santa Casa de Misericórdia, Corpo de Bombeiros e Conselho Tutelar. Também colaboram com a rede ex-alunos e ex-funcionários dos órgãos citados.

Participam também com frequência das ações representantes da Polícia Civil e Militar, do Centro de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor da Região Oeste - Secretaria de Administração Penitenciária (CQVIDASS/Croeste),Tiro de Guerra, técnicos do Poder Judiciário, representantes de organizações não governamentais, profissionais e órgãos de municípios vizinhos, entre outros.

“Trabalhar a questão do suicídio é trabalhar em rede. Prevenir aquilo que deu sinais e promover qualidade de vida. Trabalhamos em conjunto e cada órgão vai criando independência para desenvolver suas próprias ações”, diz Ana Vitória.

Para ampliar as discussões sobre o tema, todo mês de setembro é promovido o ‘Encontro por uma Cultura de Paz de Adamantina: ações de promoção da vida, prevenção do suicídio e outras violências’ e ‘Simpósio Regional de Prevenção e Posvenção do Suicídio’.

“Tratar a questão do suicídio é sair do lugar de falar qualquer coisa, principalmente na questão do julgamento. A nossa ótica é a do cuidado. Se alguém comentou, disse que pensou ou demonstrou um planejamento do suicídio, é necessário atenção. Ela precisa ser ouvida e cuidada. O que está acontecendo com ela precisa ser entendido”, aponta Ana Vitória.

Outra iniciativa para o cuidado foi articulação para instalar em Adamantina um posto do CVV (Centro de Valorização da Vida). “O Posto do CVV presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, respeito e anonimato”, explica. “Não é um atendimento profissional, não substitui atendimentos na área de saúde, quando necessário, mas é um atendimento humanizado, capacitado para prover apoio emocional”.

O atendimento é pelo telefone 188.

Fonte: http://ginoticias.com.br/ha-12-anos-rede-de-profissionais-e-voluntarios-atua-para-prevencao-ao-suicidio-em-adamantina/

sábado, 26 de janeiro de 2019

Alerta máximo!! Profissionais da saúde em perigo

Suicídio de profissionais da Saúde reforça alerta sobre dificuldades da área em Campo Grande

Profissionais sofrem por jornada exaustiva de trabalho, baixos salários, além dos atrasos recorrentes

Nathalia Pelzi (25 jan 2019)

Horas excessivas de trabalho e também uma carga emocional muito gr

O primeiro, no dia 2 de janeiro, ocorreu com a enfermeira Janaina Silva, 39 anos, que atuava no Hospital Regional Rosa Pedrossian. Agora, o técnico de enfermagem William Flávio Corrêa Franco, 37 anos, cujo corpo foi encontrado na madrugada desta sexta-feira (25), no banheiro da CTI da Santa Casa.

O que eles tinham em comum, além da profissão? Depressão, doença desdenhada e vista como ‘frescura’ por muita gente, que infelizmente atinge muitas pessoas.


À época da morte da enfermeira, o Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) emitiu uma nota em repúdio a qualquer tipo de julgamento em relação à prática do suicídio, e reforçou apoio a todos profissionais da área da saúde que sofrem por patologias relacionadas à saúde mental.

“É imprescindível lembrar que a depressão é um dos principais fatores que levam ao suicídio na área da saúde. Situações de crises profissionais em decorrência de baixos salários, cargas horárias exaustivas (pelo fato do profissional possuir mais de um emprego, em muitos casos), precariedade em materiais e equipamentos, falta de segurança física, entre outros fatores, interferem no emocional dos profissionais de saúde, em especial na enfermagem, ofício este que exige o acompanhamento dos pacientes 24 horas por dia”, reforçou a nota emitida pelo órgão.

Quanto à questão salarial, ao menos 70% dos 1,4 mil funcionários (980) do setor da enfermagem da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, estão sem décimo-terceiro.

“O hospital tem o ano inteiro para programar o 13º e agora diz que não tem dinheiro, por isso é que vamos definir se entramos ou não em greve por tempo indeterminado. É claro que apostamos numa negociação”, afirmou o sindicalista Lázaro Santana, presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de MS).

O Coren-MS  reforça que é preciso união da classe, principalmente na identificação de possíveis profissionais nesta condição. “O Conselho sugere também a toda categoria, sensibilidade na identificação do sofrimento de colegas de trabalho e das pessoas pertencentes aos demais círculos sociais. O intuito é que mais vidas não sejam interrompidas”.

Mesmo com aumento de casos de depressão, e agora suicídio, não há políticas públicas ativas para prevenir e cuidar da saúde emocional destes profissionais.

Segundo registro da Prefeitura de Campo Grande, de 2012 a 2017, houve aproximadamente 65 tentativas de suicídio por mês. Segundo levantamento do Núcleo de Prevenção às Violências e Acidentes e Promoção à Saúde (NPV), neste mesmo período, houve um total de 4.892 tentativas. Este mês é intitulado de “Janeiro Branco” que busca alertar a todos para o tema da saúde mental.

No dia 27 de janeiro ocorre uma mobilização nacional dos profissionais da saúde  para valorização e redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais. Os profissionais se reúnem na Praça do Rádio, no centro de Campo Grande, no domingo, às 9 horas.

SERVIÇO:

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

FONE: 188

Fonte: www.topmidianews.com.br/cidade-morena/quase-pronta/104707/
ande, assim é a rotina de profissionais da área da saúde. Em Campo Grande, em um mês, dois casos de suicídio envolvendo a profissão chocaram a população.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Japão: a música como última chance de prevenir o suicídio

Músico canta para impedir suicídios

Acredita que pode dissuadir aqueles que pretendem acabar com a própria vida e a verdade é que já recebeu mensagens de agradecimento de quem foi ajudado.

Ana João Mamede (24 jan 2019)

Cerca de uma centena de pessoas suicida-se anualmente na floresta japonesa de Aokigahara. É um dos locais no mundo mais procurados por aqueles que pretendem acabar com a própria vida. Kyochi Watanabe, músico que nasceu na região e mora numa cabana nas proximidades do bosque, nunca gostou dessa sombria realidade. No entanto, há oito anos, decidiu tomar medidas para ajudar a mudar a estatística.

Desde então, numa rotina quase diária, Kyochi Watanabe, 60 anos, desloca-se até à entrada da “floresta do suicídio”, como é conhecida no Japão, para, com o poder da música, tentar dissuadir aqueles que pretenderem suicidar-se. As notas de “Imagine”, música de John Lennon, na guitarra de Kyochi são sempre as primeiras a ser entoadas. É uma tentativa de quebrar o silêncio da floresta e de lembrar às pessoas que vão ao bosque com o intuito de se matar que a vida não pode acabar ali. O japonês canta e toca, também, algumas das suas músicas preferidas.

“Eu nasci aqui, tenho que cuidar deste local”, afirma Kyochi Watanabe, convicto que a música é uma boa forma de atingir as pessoas atormentadas. Já viu, inclusivamente, algumas delas a sair da floresta, depois de se encantarem pelo som da guitarra e há mesmo quem lhe envie mensagens de agradecimento depois de terem sido ajudadas.

A má fama da floresta levou a que as autoridades locais colocassem na entrada do bosque uma placa com uma mensagem positiva – “A vida é valiosa. Pense com calma… Nos seus pais, irmãos e irmãs, filhos… Não desespere. Fale com alguém” – e o número de telefone de uma linha de apoio para a prevenção do suicídio.

Já em 2019 o polêmico youtuber americano Logan Paul partilhou um vídeo, filmado no interior da floresta, onde exibia o cadáver de uma vítima de suicídio. As imagens causaram grande indignação, mas também suscitaram a curiosidade de algumas pessoas que, em poucos dias, tornaram Aokigahara como destino… turístico.

Apesar de as estatísticas terem diminuído desde 2016, o suicídio ainda é a principal causa de morte no Japão em cinco grupos etários. Independentemente dos números já serem mais animadores, Kyochi Watanabe não desiste da missão e continua, de guitarra na mão, a fazer tudo o que pode para que Aokigahara deixe de ser a “floresta dos suicídios”.

Fonte: www.noticiasmagazine.pt/2019/musico-canta-para-impedir-suicidios/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Convite à formação de novos voluntários em Campo Grande-MS

O GAV (Grupo Amor Vida) está em busca de voluntários para socorrer quem está prestes a tirar a própria vida

Quando o telefone toca no GAV, do outro lado da linha existe alguém que sofre ou tenta acabar com uma dor silenciosa, muitas vezes desconhecida pelos amigos e a família. Voluntários ouvem e passam até duas horas conversando com a mesma pessoa. O serviço não oferece atendimento médico ou acompanhamento em grupo, mas ouvidos acolhedores que ajudam refletir sobre a vida e desarmar o gatilho do suicídio.

"É o trabalho de ouvir o outro como um ser humano. Quando a pessoa compartilha uma dor o sofrimento diminui. É como se você levantasse a válvula de uma panela pressão. Isso fortalece as pessoas porquê boa parte dos casos de suicídio estão relacionamento com a rejeição e os medos da rejeição. Quando você aceita o outro incondicionalmente, isso fortalece e, quando alguém ouve nossos problemas, a gente consegue raciocinar melhor", explica o presidente Gerson Mardine Fraulob, voluntário do GAV desde 2011.

A grupo funciona em Campo Grande há 18 anos e já atendeu cerca de 2,5 mil ligações por mês. Atualmente, as ligações diminuíram porque a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cancelou o número 141, em que a ligação era gratuita. O atendimento resiste pelo telefone (67) 3383-4112, mas o presidente garante que em breve dois celulares vão contribuir com os atendimentos. "Estamos nos preparando para recuperar os atendimentos instalando números de duas operadoras. Assim, teremos telefone fixo e celulares para ajudar quem precisa", diz Gerson.

O grupo tem 40 voluntários, mas seria necessário dobrar o número de pessoas para conseguir atender 24 horas. "Hoje, atendemos apenas das 7h às 23h. Queremos ampliar o atendimento porque esse é um trabalho realizado no mundo todo. As pessoas ligam e conversam à vontade. Ajudar o outro é gratificante e o serviço pode ser feito por qualquer pessoa".

Seja um voluntário - Para fazer parte do grupo é necessário ter no mínimo 18 anos e fazer um curso de formação que começa no próximo dia 2 de fevereiro [de 2019]. Não é preciso formação profissional, apenas sensibilidade explica o presidente. "Tem que estar disposta a ouvir e em relativo equilíbrio para aceitar o outro incondicionalmente".

Para mais informações: (67) 3383-4112 ou neste link

Fonte: www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/por-telefone-como-evitar-que-um-desconhecido-mude-de-ideia-sobre-a-vida