domingo, 15 de novembro de 2020

Zack Snyder e suas ações beneméritas em favor da vida

Zack Snyder lança camisa de Darkseid para levantar fundos para prevenção a suicídio

Renan Barcellos (11 novembro 2020)

O diretor Zack Snyder lançou outra nova campanha para beneficiar a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio. Lançando uma nova camiseta inspirada no visual de Darkseid em sua versão da Liga da Justiça, Snyder disse aos apoiadores que deseja arrecadar cerca de $70.000 dólares em vendas.

Darkseid (personagem fictício da DC Comics)

Esse montante colocaria os fãs do #ReleaseTheSnyderCut acima da marca dos $500.000 dólares em dinheiro arrecadado para a Fundação, já que os fãs começaram a escolher o grupo como sua instituição de caridade preferida. Essa luta é algo muito caro para Snyder; a razão pela qual ele deixou Liga da Justiça na primeira vez foi o suicídio de sua filha durante a produção.

Snyder compartilhou a imagem, com arte de Alex Pardee, com uma nota aos apoiadores que dizia: “Juntos, já arrecadamos mais de $430.000 dólares para a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio e seu trabalho incrivelmente importante. Esperamos que você possa ajudar nós alcançamos meio milhão de dólares! “
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O pai da suicidologia


Gustavo Bastos

Edwin Shneidman nasceu em New York, em 1918, e morreu em Los Angeles, em 2009. Este estudioso, que é considerado por muitos como o pai ou o fundador da Suicidologia, foi um psicólogo de formação, e como um dos expoentes principais na investigação intelectual e empírica na área do suicídio e da tanatologia, trouxe muitas contribuições em caráter pioneiro que culminaram nas ações preventivas contra o ato suicida.

Shneidman foi um dos pioneiros do Centro de Prevenção do Suicídio de Los Angeles e da Associação Americana de Suicidologia, foi professor na Universidade da Califórnia, e ajudou na fundação da revista Suicide and Life-Threatening Behavior. As obras principais de Shneidman são: The definition of suicide, de 1985, Suicide as psychache, de 1993, e The suicidal mind, de 1996.

Shneidman partiu para as suas investigações sobre o fenômeno do suicídio tendo como uma das inspirações as teorias da personalidade de Henry Murray, e Shneidman então consolidou a
concepção de que o suicídio seria o resultado final da confluência de um máximo de dor, um máximo de perturbação e um máximo de pressão, uma espécie de modelo cúbico que ficou conhecido como o "cubo suicida de Shneidman".


Neste cubo as variáveis podem aumentar ou diminuir a sua força, o que leva a especificar do que se trata tais variáveis. Ou seja, quando Shneidman se refere à dor, ele fala deste tipo de dor psicológica, que se refere à frustração pela falta das necessidades básicas psicológicas, e que se constitui como o fator central do fenômeno suicida.

No que se refere à concepção sobre a perturbação, engloba todo tipo de distúrbio, que pode ser exemplificado pelas distorções cognitivas e as automutilações. A concepção sobre a pressão se
refere ao que está fora e dentro do indivíduo, que está relacionado às vivências e aos acontecimentos de sua vida.

Shneidman coloca a intencionalidade do suicida em três aspectos que são a morte intencional, que implica num protagonismo consciente do suicida, um ato deliberado de se matar, a morte não intencional, em que pode ocorrer uma morte auto-infligida, mas em caráter acidental, como o disparo de uma arma de fogo de modo involuntário e, também, a morte subintencional, com um protagonismo indireto ou inconsciente do indivíduo, como ocorre, por exemplo, num acidente automobilístico violento.

As 10 características mais comuns aos suicidas, na classificação de Shneidman, tem definições como:


    Propósito - procura de solução;
    Objetivo - parar a consciência;
    Estímulo - dor psicológica intolerável;
    Stress - frustração pela falta das necessidades psicológicas;
    Emoção - desespero-desesperança;
    Estado cognitivo - ambivalência;
    Estado perceptivo - constrição;
    Ação - fuga;
    Ato interpessoal - comunicação de intenção e
    Consistência - de acordo com estratégias de "coping" mal adaptativas do passado.

Shneidman reúne os elementos que podem contribuir para o ato suicida, e que é seu ensaio de um cenário suicida explicativo, colocando o sentimento de dor intolerável, que se refere a necessidades psicológicas básicas que foram frustradas e não realizadas, as atitudes de autodepreciação, baixa auto-estima, que denotam uma auto-imagem que sucumbe ao não suportar uma dor psicológica intensa e profunda.

Tem, ainda, a incapacidade do indivíduo de dar conta de sua vida prática, de suas tarefas diárias, também incluindo a sensação de isolamento, e o desespero e a desesperança, em que o indivíduo já não vê o que fazer para sair de sua situação difícil, além da fuga, em que a cessação da existência é o que resta como solução para uma dor intolerável.

Em 1987, Shneidman escreve: " No Ocidente, o suicídio é um ato consciente de auto-aniquilação, melhor compreendido como uma doença multidimensional num indivíduo carente que acredita ser o suicídio a melhor solução para resolver um problema".

Em 1996, por sua vez, Shneidman vai além dos famigerados marcadores biológicos e centraliza o foco do suicídio como um fator de fracasso da sociedade. Em 2001, ele afirma: "O suicídio é um drama da mente… quase sempre relacionado com a dor psicológica, a dor das emoções negativas".

Shneidman estará também na elaboração do que será chamado de autópsias psicológicas, uma metodologia de investigação empírica sobre casos de suicídio. Este termo surgiu em 1958, se ligando ao esclarecimento de mortes após a realização da autópsia médico-legal, numa colaboração entre médicos-legistas e a Psiquiatria e a Saúde Mental.

Saindo de Los Angeles para o mundo, esta metodologia de investigação reuniu dados mundiais que apontaram a realidade da existência, referindo-se a estudos que envolveram milhares de suicidas, de patologia psiquiátrica em cerca de 90% dos casos e depressão em mais de 50% dos suicídios.

No que se refere ao cuidado da família dos suicidas, a intervenção de Shneidman foi designada pelo próprio como "pósvenção", que é, então, a intervenção específica sobre os familiares e amigos, sobretudo no auxílio aos processos de luto, no direcionamento de sua resolução.

Gustavo Bastos, filósofo e escritor.
Blog: http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

Fonte: www.seculodiario.com.br/colunas/o-pai-da-suicidologia

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Duas cartilhas, uma mensagem de alento!

Enquanto houver sol, ainda há de haver saída...

 Zelia Maria Bonamigo
Jornalista e Antropóloga
zeliabonamigo@uol.com.br

“Teve um momento e­m que, após ter testado positivo para a Covid-19, e de ter ficado bem ruim, achei que seria o fim. Você não imagina como é quando o ar não vem, e a gente precisa ser entubado, com risco de morrer. E o pior foi que, além disso, me lembrei de que estava brigado com meu pai, me sentia tão triste, mas tão sem chão, que cheguei a procurar suicídio. E diante da ameaça de morte pelo vírus, percebi que eu ainda poderia lutar para ficar bem com meu pai, e vencer os demais problemas em vez de buscar o suicídio, porque me dei conta de que, mesmo quando parecia não haver saída, haveria uma saída”.

O depoimento desse jovem, nominado aqui João Batista, me fez buscar estatísticas de suicídios. Nas Américas, por exemplo, segundo dados da OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde, cerca de 100 mil pessoas se suicidam anualmente. Conforme dados de 2016, são mais praticados por homens (em 78% dos registros), entre 25 e 44 anos (36%); e de 45 a 59 anos (26%).

Em Santa Catarina, conforme o Ministério da Saúde, 400 pessoas já morreram por suicídio em 2020. A maior parte das vítimas eram homens entre 20 e 59 anos. Os que tentaram e não morreram foram 2.678, destes, 764 jovens entre 20 e 29 anos.

Renato Oliveira e Souza, chefe da Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OPAS, considera fundamental que a prevenção do suicídio seja um trabalho conjunto. E você me pergunta: “Como assim? Porque eu não saberia o que fazer quando percebesse, antecipadamente, que uma pessoa quer se suicidar”. Ah, você saberá, sim, depois que ler os itens a seguir, que são elencados pelos CVV – Centros de Valorização da Vida (Ligue 188), que fazem atendimentos voluntários 24 horas, gratuitos e sigilosos:

a) ofereça escuta ativa, aquela que realmente dá o tempo para a pessoa se expressar, conforme for se sentindo à vontade.

b) diante da manifestação da pessoa estar depressiva ou dizer que a vida não tem jeito, por estar cheia de problemas, jamais a reprima dizendo “não faça isso, é pecado”. Escute-a, ajude-a, ofereça ajuda e suporte profissional.

Não conhece os sinais de alerta? A OPAS lembra que a pessoa:

a) fala sobre querer morrer, sentir grande culpa de algo;

b) sente raiva ou dor insuportável, física ou emocional;

c) come ou dorme muito pouco, usa álcool com mais frequência.

d) pesquisa na internet maneiras de morrer ou sobre planos de suicídio.

E você, já fez algo para prevenir o suicídio de alguém? Não é porque setembro terminou que os suicídios diminuíram. Por isso, “enquanto houver sol, sempre haverá saída”, e mesmo “a sós, ninguém está sozinho, é caminhando que se faz o caminho” (Titãs). Vamos nessa? Inspire-se, ouça a canção e acesse o livro Suicídio na Pandemia Covid-19. Eis uma das cartilhas. 

A outra é a Acolha a vida Porque a vida vale a pena! Orientações para famílias sobre automutilação e suicídio produzida sob a batuta da Angela Gandra, Secretária Nacional da Família.


 

sábado, 24 de outubro de 2020

Quando o problema alheio é semelhante ao nosso... Suicídio como problema grave de saúde pública

Novo México enfrenta com terapia aumento do suicídio de crianças e adolescentes

Cláudia Collucci (Folha de São Paulo)

Cinquenta dias antes da eleição americana, a Folha começou a publicar a série de reportagens “50 estados, 50 problemas”, que se debruça sobre questões estruturais dos EUA e presentes na campanha eleitoral que decidirá se Donald Trump continua na Casa Branca ou se entrega a Presidência a Joe Biden.

Até 3 de novembro, dia da votação, os 50 estados do país serão o ponto de partida para analisar com que problemas o próximo – ou o mesmo – líder americano terá de lidar.

Quem observa um grupo de adolescentes sentado no chão de uma escola vazia em Santa Fé, no Novo México, não imagina que a conversa animada seja sobre um tema que tanto assombra as autoridades americanas de saúde: o suicídio infantojuvenil.

Na faixa etária entre 10 e 24 anos, a taxa dessas mortes aumentou de 7 para 11 em cada grupo de 100 mil, entre 2007 e 2018, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).

O Novo México figura entre os cinco estados com maior incidência, com taxa de 20,9 mortes por 100 mil, quase o dobro da média nacional. O Alasca lidera, com 36 mortes por 100 mil.

O temor das autoridades de saúde é que os casos de suicídios cresçam ainda mais no pós-pandemia, já que os sinaisde depressão e ansiedade entre os americanos triplicaram desde o início da crise sanitária, segundo pesquisas.

O isolamento social é a chave para desacelerar a disseminação do vírus, mas também é fator de risco para vários transtornos psiquiátricos, incluindo o suicídio, diz o psiquiatra Rodrigo Martins Leite, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A situação já era preocupante antes da pandemia. O Bark, um aplicativo que alerta os pais quando os filhos acessam conteúdo online suspeito, analisou a atividade de mais de 1 milhão de pré-adolescentes em 2019 e revelou que 55% deles conversaram sobre depressão, e 35% estavam envolvidos em episódios de automutilação ou ideias suicidas.

Uma das iniciativas para o enfrentamento dessa crise acontece desde 2015 em Santa Fé. Semanalmente, estudantes se reúnem em escolas sob a mediação de conselheiros do projeto Semicolon (ponto e vírgula, em inglês), voltado à prevenção do suicídio.

É uma espécie de terapia em grupo, em que os jovens têm liberdade para expressar suas angústias e recebem apoio de acordo com o grau da ideação suicida.

“Cruzamos um limiar. Todas as dificuldades emocionais e problemas de relacionamento que costumávamos ver com os jovens de 16, 17, 18 anos, agora vemos em crianças mais novas”, diz Apryl Miller, diretora executiva do Sky Center, clínica responsável pelo Semicolon.

A preocupação não se resume aos jovens. O CDC vem documentando um aumento na taxa nacional de suicídio: de 10,7 por 100 mil pessoas em 2001 para 14, em 2018.

Entre os americanos em idade produtiva (16-64 anos), o índice cresceu 40% no mesmo período. O suicídio é uma das dez principais causas de morte nos EUA e é responsável pela maioria das mortes por armas de fogo.

Os dois principais candidatos presidenciais oferecem planos de prevenção ao suicídio, mas priorizam apenas os veteranos de guerra, subgrupo com maior risco do que a população em geral.

O site de campanha de Donald Trump destaca a criação de uma força-tarefa dedicada à prevenção de suicídios entre veteranos, e seu orçamento proposto para 2021 aloca cerca de 30% a mais de recursos para prevenção de suicídio nesse grupo. Não há referência à prevenção de suicídio entre jovens.

O plano de prevenção do suicídio de Joe Biden também é focado nos veteranos, com promessa de financiamento de serviços de saúde mental, início precoce de tratamentos e aumento de profissionais. Biden diz que fortalecerá programas de prevenção de suicídio entre adolescentes LGBTQ+, mas não fornece detalhes.

 

8 passos para identificar pessoas com pensamento suicida

 

1. Isolamento: jovens que estão passando por um momento difícil tendem a se isolar. O mesmo ocorre com aqueles que enfrentam bullying.

2. Mudanças de humor: agressividade, tristeza ou ansiedade que não passam durante um longo período são sinais de alerta. A agressividade aparece especialmente nos meninos.

3. As chances de uma pessoa tentar se suicidar novamente após uma primeira tentativa são altas. Por isso os primeiros dias após o ocorrido demandam conversa com o jovem e atenção ao seu comportamento.

4. Despedir-se de amigos e doar objetos importantes podem anteceder um suicídio. Deve-se observar o objetivo da ação. Doar pode ser sinal de renovação da vida, mas também de fechamento de um ciclo.

5. Descuido com a aparência em jovens que sempre foram vaidosos ou negligências que envolvam a rotina básica de higiene são preocupantes. Em meninas, perfeccionismo e autocobrança são mais frequentes.

6. O uso excessivo de drogas pode ser tanto um sinal de que a pessoa não está bem como um fator de risco. Quem está em sofrimento pode ficar mais sensível aos efeitos de substâncias que alterem a consciência.

7. Sono e alimentação desregulados: é comum que adolescentes durmam e comam muito ou pouco, de acordo com a fase em que estão. É importante observar se há mudanças de outros hábitos.

8. Pessimismo e desesperança: adolescentes que acreditam ser um peso na vida dos outros e falam muito em morrer precisam de ajuda. Com a internet, é importante observar também como o jovem tem se expressado nas redes sociais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/10/novo-mexico-enfrenta-com-terapia-aumento-do-suicidio-de-criancas-e-adolescentes.shtml

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Andréa Nakane fala sobre André Trigueiro. E não é fofoca...

Um papo maneiro e esperto 

Diário do Rio de Janeiro

Andréa Nakane

O carioca, André Trigueiro, jornalista conceituado que trabalha na Globonews, CBN e Rede Globo, logo depois da eclosão da pandemia no Brasil, iniciou o Papo das 9, um bate papo virtual, de um hora de duração, transmitido pelo Instagram e no seu canal oficial do YouTube, que tem atraído uma média cativa de 3.500 pessoas diariamente em tempo real.

O roteiro informal dessa conversa, que já contabiliza 155 horas de conteúdo, ou seja, 155 lives, inicia-se com uma calorosa saudação matinal, seguida de uma leitura aleatoriamente recebida ao folhear o livro Minutos de Sabedoria, de Carlos Pastorini, composto com mensagens sucintas e reflexivas, logo depois, André Trigueiro, oferece uma dica de leitura, geralmente relacionadas a temas que lhes traz mais intimidade e interesse, versados em meio ambiente, sustentabilidade, psique humana e na doutrina espírita, já que o jornalista é um dos nomes públicos mais conhecidos no Brasil que segue as orientações dessa crença religiosa.

Nas lives do André Trigueiro, também há espaço, todos os dias, para recomendações de atos de caridade, em forma de doações para entidades, associações e organizações não governamentais que atuam em diversas causas sociais e ambientais. 

Logo depois desse momento, o jornalista faz uma espécie de resumo das principais notícias que estão em voga, acrescentando sua visão e incitando que todos os participantes também reflitam sobre os assuntos.

E para manter maior proximidade e verdadeira integração, André Trigueiro abre a última parte da live para responder perguntas que são enviadas pelos seguidores, que versam sobre os mais distintos assuntos, com ênfase em questões humanitárias e espirituais na maioria das vezes. Algumas indagações são de grande profundidade, o que remete uma percepção de familiaridade e intimidade gerada com as conexões realizadas, frutos de um comprometimento altruísta, generoso e caridoso do jornalista, que conseguiu ir muito além de ser um emissor fidedigno de informações e formatou uma aliança comunicacional de um puro relacionamento genuíno, vigoroso e fraterno.

Domingo, a live é diferente, e torna-se um composto de noções e conhecimentos dirigidos, uma verdadeira jornada temática, que agrupa, entre 4 e 6 sessões de muitas elucidações e pareceres. André Trigueiro também já realizou lives especiais com próceres como Caetano Veloso, Leonardo Boff, Flávio Venturini, Djamila Ribeiro, Lenine, Irvênia Prado, Marina Silva, Paulo César Frutuoso, entre outros célebres nomes.


Todo esse conteúdo está disponível nas redes sociais do André Trigueiro ou em sua homepage – mundosustentavel.com.br, garantindo um rico acervo para consultas, estudos ou simplesmente entretenimento com conteúdo sério e ilibado.

André Trigueiro, também é professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio, além de autor de diversos livros, entre os quais, destacam-se: “Cidades e Soluções – Como construir uma sociedade sustentável” (Ed. Leya, 2017); “Mundo Sustentável 2 – Novos Rumos para um Planeta em Crise” (Ed. Globo, 2012); “Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação” (Ed. Globo, 2005), Coordenador editorial e um dos autores do livro “Meio Ambiente no século XXI” (Ed. Sextante, 2003), “Espiritismo e Ecologia” (Ed. FEB, 2009) e “Viver é a Melhor Opção – A prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo” (Ed. Correio Fraterno, 2015) e “ A Força do Um” (Ed. Infinda, 2019).

Morador do aprazível bairro de Laranjeiras, André Trigueiro como ecologista, com discurso alinhado a sua prática, faz em sua residência coleta seletiva de lixo, com direito a compostagem, não come carne vermelha, reduziu ao mínimo o consumo de carne branca, procura o consumo racional da água, não compra nada em embalagens plásticas e busca, manter-se pragmático com sua própria consciência, tornando-se, assim também, uma referência de cidadão para tantos que há muito já o admiravam, antes de pandemia, e muitos outros, que o conheceram melhor no encantador e edificante Papo das 9, que não atrasa nem um minuto e pontualmente emana boas energias diretamente do Rio para todo o Brasil, e em muitos dias, com audiência estrangeira, afinal o mundo todo hoje está na rede, sobretudo quando ela é fonte de vibrações muito positivas e esperanças no Amanhã.

Fonte: https://diariodorio.com/andrea-nakane-um-papo-maneiro-e-esperto

Três moças lá de Minas, bem unidas em favor da vida (Luciana, Larrisa e Juliana)

Vida em tirinhas: prevenção e posvenção ao suicídio

Jéssica Mayara* (1º setembro 2020)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, de acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, segundo a entidade, para cada suicídio cometido, mais pessoas tentam tirar a própria vida.

Justamente por isso, a psicóloga clínica, tanatologista, suicidologista e paliativista Luciana Carvalho Rocha destaca ser importante falar sobre o assunto, de forma responsável, a fim de conscientizar e prevenir a prática do suicídio. 

Deste modo, Luciana, a também psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora da Família em Tiras, Juliana Rodrigues, idealizaram um projeto voltado a difundir informações sobre o assunto.

“A iniciativa surgiu em uma conversa em que percebemos que falar sobre suicídio de uma forma mais 'leve' poderia ser eficaz, trazendo um resultado positivo neste contexto. Dessa forma, encontramos nas ilustrações essa possibilidade”, conta Luciana. 

A partir disso, ela relata que foi necessário pensar sobre o assunto, partindo do princípio da psicoeducação. Isso porque, segundo a psicóloga, ao contrário do que muitos pensam, falar e tratar sobre o assunto suicídio perpassa pelo critério de informação e conscientização sobre os riscos, fatores de proteção e sinais correlacionados ao ato. 

(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)
(foto: Juliana Rodrigues/Família em Tiras/Divulgação)

“É preciso, por exemplo, analisar a perspectiva de uma pessoa que já tentou o suicídio, mas não morreu, de uma pessoa que esteja pensando em cometer o ato e, também, de um familiar ou amigo de alguém que já tenha tirado a própria vida. Então, com base nisso, selecionamos algumas situações e criamos as tirinhas, de forma que a gente pudesse alcançar pessoas que tivessem passando por situações 'semelhantes'”, diz. 

Conforme Luciana, o suicídio precisa ser tratado em dois âmbitos correlatos: o da prevenção e o da posvenção. Ou seja, na conscientização do suicídio, a fim de evitar que mais pessoas o entendam como uma solução, e, também, no cuidado com pessoas que perderam alguém para o suicídio. Exatamente por isso, a psicóloga destaca a intenção de que o projeto alcance mais pessoas. 

“A ideia das tirinhas, com imagens e frases curtas, foi pensando justamente nesse ponto de conscientizar o máximo de pessoas possível sobre a necessidade de falar sobre o suicídio. E a melhor forma de tratar esse assunto é pelo debate. Para isso, as pessoas precisam entender que o suicida ou a família de alguém que tirou a própria vida não é estereotipada, pois, muitas vezes, as pessoas têm uma ideia completamente errônea sobre isso. E 100% dos indivíduos que cometem o ato têm uma ou mais doenças mentais”, afirma. 

No entanto, Luciana pontua que patologias mentais são mais recorrentes do que as pessoas acreditam. Portanto, conclui ser importante que o tema seja mais discutido.

“Depressão, por exemplo, é uma doença mental, e a gente sabe que no mundo, hoje, temos aproximadamente 300 milhões de pessoas deprimidas. Então, não é à toa que tantas pessoas tentam tirar a própria vida. Precisamos falar sobre isso, porque as pessoas quando tiram a própria vida, elas estão adoecidas e não querem, de fato, morrer, elas apenas não enxergam outra ‘saída’ para o sofrimento.” 

Acolhimento e ajuda especializada  

Luciana destaca que, em caso de pensamentos suicidas, as pessoas precisam buscar ajuda profissional de um psicólogo e/ou psiquiatra, contando, também, com o acolhimento, o que, para ela, deve ser um exercício diário e não somente lembrado no mês de conscientização do suicídio, o setembro amarelo. 

“Não é apenas conversar em tempos de conscientização, mas, sim, acolher, de fato. Para isso, temos, além da ajuda vinda de pessoas próximas, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que funciona como uma rede de apoio às pessoas em crise. Por fim, se faz importante entender, assim como demonstramos em nosso trabalho, por meio das tirinhas, que quando uma pessoa diz que quer morrer, não é para chamar a atenção, isso é um sinal. Precauções precisam ser tomadas.” 

“Precisamos falar sobre suicídio!” 

As tirinhas, feitas por Luciana, em parceria com a psicóloga Larissa Lupi e a ilustradora Juliana Rodrigues, tratam do tema suicídio, em um projeto intitulado "Precisamos falar sobre suicídio!", de forma a abordar todas as vertentes do ato, como ações de acolhimento a serem direcionadas à familiares que perderam alguém por suicídio e às pessoas que pensam em cometer o ato. 

Para conferir e fazer parte dessa conscientização, as tirinhas podem ser acessadas por meio da conta pessoal de Luciana e, também, do perfil oficial da Famílias em tiras e do "Do luto à luta", todas elas cadastradas no Instagram. 

Peça ajuda! 

Em caso de pensamento suicida, o Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ser acionado a qualquer momento, estando em pleno funcionamento durante 24 horas por dia, via telefone (188) e/ou por e-mail ou chat, por meio do site oficial da entidade, que informa: “o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo”. 

* Estagiária sob supervisão da editora Teresa Caram 

Fonte: www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/09/01/interna_bem_viver,1181157/vida-em-tirinhas-prevencao-e-posvencao-ao-suicidio.shtml

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

É necessário novamente e sempre falar sobre o suicídio

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

Sivan Mauer (26 agosto 2020)

Desde 2003, o dia 10 de setembro é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Porém, desde 1994 já existia a campanha “Setembro Amarelo”, que teve início nos Estados Unidos com os pais e amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou a própria vida. Mike tinha grandes habilidades para lidar com mecânica automotiva, e recuperou e pintou de amarelo um Mustang ano 1968. As habilidades levaram Mike a ficar conhecido como Mustang Mike. Já a fita amarela virou tradição quando os jovens amigos de Mike as prenderam na lapela, no cabelo ou no chapéu no dia do funeral do jovem, onde também distribuíram cartões com a inscrição It's ok to Ask4help, que basicamente significa "não tem problema pedir ajuda". A fita amarela lembrava a cor do Mustang de Mike, e o formato da fita em coração era para lembrar as pessoas que ele deixou. Impressionantemente, em cerca de três semanas o primeiro cartão distribuído no funeral chegou às mãos de um professor, com um pedido de socorro de uma aluna.

A história de Mike é comovente e tenho de certeza que sensibiliza a muitos, mas infelizmente no dia a dia a realidade não é bem esta, pois, o suicídio muitas vezes é alvo de preconceito e mitos, tanto por parte da população leiga quanto da comunidade médica. É preciso entender que o suicídio não é uma doença. Entretanto, na maioria das vezes, ele é o resultado de algumas doenças como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Entre 80% e 90% das pessoas que cometem suicídio estão sofrendo de algum tipo de transtorno do humor, ou seja, estão tão doentes como aquele paciente que teve um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Muitas vezes, o paciente psiquiátrico sofre preconceito até mesmo por médicos de outras áreas e outros profissionais da saúde, em hospitais gerais. Ironicamente os médicos fazem parte de uma das profissões que mais cometem suicídio no mundo.

Entre a população leiga o preconceito em relação ao suicídio se amplifica. A falta de empatia pelo paciente pode ser exemplificada por meio de vários casos. Em um deles, uma pessoa estava tentando tirar a própria vida saltando de uma ponte entre Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo. O resgate levou algumas horas, e neste intervalo as pessoas se expressavam de todas as maneiras, sendo a mais frequente o pedido para que o suicida se jogasse de uma vez por todas. Algumas, inclusive, afirmaram que se dispunham a empurrá-lo. Em um certo momento iniciou-se um buzinaço, e assim por diante. Empatia é um fator importante para que exista o acolhimento do paciente psiquiátrico, e isso pode ser decisivo em momentos emergenciais. Ainda bem que no caso do Espírito Santo existia uma equipe dos bombeiros muito bem treinada, que demonstrou empatia e cuidado com o paciente, evitando o suicídio.

Podemos observar, também, o preconceito em relação a algumas populações no Brasil, como as indígenas, que chegam a ter uma prevalência de suicídio triplicada quando comparada à da população em geral. Isso demonstra um descaso da sociedade em geral, do governo e das entidades responsáveis por esta população, que demonstra negligência diante de um número tão expressivo de suicídios. As campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina entende que isso pode ser prevenido. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisam se atualizar e entender os novos fatores de risco para doenças mentais. Alguns estudos, por exemplo, demonstram que cyberbullying e o tempo que se passa na internet estão relacionados a suicídio.

Algumas formas de prevenção passam por abordagens psicoterápicas e outras pelo uso de psicofármacos. Entre as abordagens psicoterápicas se destaca o CVV (Centro de Valorização da Vida), que desde 1962 exerce um grande papel na sociedade, trabalhando na prevenção do suicídio.

O CVV atende 24 horas por telefone ou site, além de realizar atendimento pessoal. Quanto à questão psicofarmacológica, a maneira mais efetiva e importante de prevenção ao suicídio é o uso do lítio. Hoje, esta abordagem já é fato. Mas ela precisa ser disseminada entre médicos clínicos que atendem pacientes, principalmente nos
pronto-socorros. Precisamos ter em mente a questão da recidiva das tentativas de suicídio. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado com a seriedade devida. Apenas com medidas preventivas e educacionais, episódios como o que ocorreu na ponte poderão deixar de existir. E as pessoas, em vez de torcerem para que o suicida se jogue da ponte ou do alto de um edifício, terão o mínimo de empatia em relação ao sofrimento humano. 

*Dr. Sivan Mauer é médico psiquiatra especialista em transtornos do humor. O profissional é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: https://xvcuritiba.com.br/setembro-amarelo-precisamos-falar-sobre-suicidio-por-dr-sivan-mauer/