segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro sobre prevenção do suicídio torna-se best-seller!


A maioria dos leitores conhecem o André Trigueiro.

Talvez não saibam que ele escreveu este livro. Aí está balanço enviado pela editora que o publicou. 

Centenas de palestras foram feitas por todo o país. 

Milhares de pessoas esclarecidas. 

Alentador!



sábado, 7 de maio de 2016

Seminário de prevenção do suicídio na Universidade Estadual do Piauí (Uespi)

Palavras iniciais necessárias

Temos republicado notícias sobre muitos eventos sobre prevenção do suicídio no Piauí. É louvável a reação dos piauienses ao aumento dos índices de suicídio em seu estado. Que estas iniciativas sejam copiadas por todo o país!

Uespi promove seminário voltado à prevenção do suicídio

Discussão sobre perda e morte também será discutido no I Seminário de Tanatologia da Uespi

A Pró-Reitoria de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários da Universidade Estadual do Piauí e o curso de Psicologia da IES finalizaram nesta quarta-feira (4), o projeto de extensão do I Seminário de Tanatologia da Uespi: Novos Sentidos às Perdas e à Morte. A execução do projeto será no próximo dia 19 de maio na Uespi, campus Torquato Neto, proporcionando a discussão sobre a prevenção do suicídio e socialização de habilidades no manejo de situações de perda e morte em ambientes escolares, por exemplo. O evento conta com a parceria da Comissão de Tanatologia do Conselho Regional de Psicologia (21ª Região).

A abertura está marcada para as 8h30 do próximo dia 19, no Auditório Geratec (Uespi, Torquato Neto). A programação do evento irá até as 18h. No período da manhã serão realizadas mesas-redondas; à tarde as oficinas. Nas mesas-redondas serão discutidas temáticas como Morte e Outras Perdas na Escola; Criança, o Adolescente e a Morte; Profissionais da Educação e Morte; A Prevenção do Suicídio; A Busca de Sentidos da Vida; Valorização à Vida e Novos Sentidos às Perdas e à Morte. Professores do Curso de Psicologia da Uespi e psicólogos da Comissão de Tanatologia do Conselho Regional de Psicologia serão os responsáveis pelas oficinas e mesas-redondas.

“Haverá também uma mesa-redonda onde serão apresentados resultados de três oficinas [sobre prevenção do suicídio, socialização de habilidades no manejo de situações de perda e morte] que foram realizadas no ano de 2015 em parceria com o  Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor), em três campi da Uespi: Esperantina, Parnaíba e Piripiri”, disse Raimundo Dutra, pró-reitor de Extensão da Universidade Estadual do Piauí.

As oficinas serão divididas em quatro grupos para o debate dos assuntos: Novos Sentidos às Perdas e à Morte e a Perda na Escola. “Serão quatro grupos discutindo a mesma temática ao mesmo tempo em lugares diferentes do campus Torquato Neto”, acrescentou o professor. As atividades serão divididas entre o Anfiteatro do Centro de Ciências da Natureza (CCN), sala de vídeo e de aula do Centro de Ciências da Educação, Comunicação e Artes (CCECA) e Auditório Geratec.

Patrícia Melo do Monte, professora do curso de Psicologia da Uespi e coordenadora do Seminário falou sobre a importância do evento. “O evento vai ser importante para que possamos socializar os excelentes resultados com as oficinas realizadas nos campi do interior no ano passado. Vamos poder auxiliar os professores a lidarem com situações de perda na escola e de certa forma prevenir dificuldades de aprendizagem que podem ser decorrentes dessas perdas, e fomentar conhecimento e o desenvolvimento de algumas práticas com os participantes do Seminário, no sentido também de viabilizarmos esse trabalho de prevenção no meio social”, destacou Patrícia.

Inscrições

O período de inscrição vai de 9 a 18 de maio. Os interessados em participar do I Seminário de Tanatologia da Uespi podem homologar inscrição na Prex, situada na Uespi, campus Torquato Neto; no Centro Acadêmico de Psicologia (Centro de Ciências da Saúde, localizado no Centro, próximo ao Hospital São Marcos) ou diretamente com a professora Patrícia Melo por meio do telefone  (86) 99976-8720.

Estão sendo ofertadas 200 vagas gratuitas, destinadas à comunidade em geral, alunos de Psicologia, Pedagogia e profissionais da área ou de áreas afins de qualquer instituição. Alunos e professores do ensino médio e fundamental de qualquer instituição pública ou privada também são convidados. Ao final do evento, todos os participantes receberão certificado equivalente a 10 horas-aula.

Uma reação à altura

O Seminário é uma importante iniciativa diante do alarmante cenário local no que se refere ao suicídio, que se tornou um grave problema de saúde pública no Piauí. Em 2006, a Organização Mundial de Saúde informou que Teresina era a cidade com maior índice de suicídios femininos do Brasil, com 4,2 mulheres por 100 mil habitantes.

Já, o Mapa da Violência 2012 – relatório que mostra o perfil da violência contra crianças e adolescentes no Brasil – revela que o Piauí é o estado com o maior crescimento em número de suicídios de crianças e adolescentes na faixa etária de menos de um ano a 19 anos de idade. Mostra também que Teresina ocupa o 1° lugar entre as capitais brasileiras no número de suicídios, levando-se em conta todos os habitantes. Ainda segundo o Mapa, foi registrado no Piauí, de 2000 para 2010, um aumento de 253,7% na taxa de suicídios.

http://capitalteresina.com.br/noticias/saude/uespi-promove-seminario-voltado-a-prevencao-do-suicidio-40696.html

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Tristeza não é depressão... Mais uma reportagem esclarecedora sobre a depressão!

Tristeza não é depressão, depressão é não sentir nada

Não ter reação, não sentir a dor da perda, não sentir nada de nada, apenas uma culpa profunda. Estes podem ser sinais de uma depressão, especialmente se duram muito tempo.

Estes o título e o subtítulo da matéria especial do jornal Observador, de Portugal, sob a batuta da jornalista Vera Novais, publicada ontem, 1° de maio de 2016.

Reproduziremos integralmente a reportagem nas linhas abaixo, em razão de ser muito esclarecedora. Uma ilustração (depressão ontem e hoje) foi por nós traduzida e adaptada.

Tristeza não é depressão, embora a prostração seja um dos estados comuns de quem sofre da doença. Assim, não podemos classificar todas as pessoas tristes como deprimidas, mas nem por isso os números da doença são menos preocupantes – há mais de 350 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo, refere a Organização Mundial de Saúde.

A depressão é uma das doenças mais comuns em todo o mundo e uma das principais causas de incapacidade. As faltas ao trabalho, ou a presença não produtiva dos trabalhadores, significam perdas significativas para as empresas. Um impacto económico que chega aos 92 mil milhões de euros na Europa refere a Eutimia – Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal.

Além do prejuízo económico, a doença tem elevados custos humanos: cerca de dois terços das pessoas que sofrem de depressão cometem suicídio, refere a Nature. Só no Reino Unido três quartos das pessoas com depressão nunca chegam a receber diagnóstico ou tratamento.

“O problema é que muitas pessoas acham que a depressão não é uma verdadeira doença, que é uma reação às situações difíceis da vida”, diz ao Observador Ulrich Hegerl, presidente da direção da Aliança Europeia Contra a Depressão. Enquanto as pessoas não perceberem que isto é um problema real, o dinheiro para a investigação nesta área vai faltar, assim como os recursos para tratar as pessoas, afirma o psiquiatra.
“Como agravante, os doentes com depressão não se conseguem fazer ouvir, estão deprimidos, não se manifestam. Não têm esperança e culpam-se a si próprios. ‘Sou culpado. Fiz tudo errado na minha vida. Não mereço que outras pessoas tomem conta de mim. Sou um fardo’, estes são os pensamentos das pessoas com depressão.”
Muitas pessoas pensam que qualquer doença psicológica pode ser chamada de depressão, mas não é nem assim, pois não? O que é realmente a depressão?

Se eu tiver em consulta uma mulher que perdeu o marido, que tem uma doença somática grave, que tem de deixar a casa e que tem problemas com os filhos, é claro que esta mulher estará triste e desesperada, mas isto não é uma depressão.

Para saber se estou perante uma depressão ou não, procuro vários sintomas. Por exemplo, se há uma tendência para sentimentos de culpa. Isto é típico da depressão. Ela não culpa os filhos que não a visitam, mas culpa-se por ser uma má pessoa, por fazer as coisas erradas. Depois, as pessoas dizem que estão cansadas, não no sentido de ensonadas, mas no contrário – estão exaustas, devido a um estado de elevada excitação interior. E as pessoas dizem também que não são capazes de sentir nada, nem mesmo a dor de perder alguém. Em termos técnicos é a “sensação de não sentir nada”. É um estado específico em que não é visível nenhum tipo de sentimentos, nem alegria, nem raiva. É como se estivessem mortos por dentro.

Quando eu falo com uma destas pessoas, com uma depressão profunda, é sempre interessante perceber que durante uma conversa não há quaisquer movimentos ou expressões que seria normal vermos numa conversa com outra pessoa – movimentos para a frente e para trás, por exemplo. Apresentam o mesmo estado emocional o tempo todo.

Claro que precisamos ainda de observar outros sintomas e que estes se mantenham durante duas semanas, para que se cumpram os critérios de diagnóstico da depressão. São eles: estar abatido, ter perturbações na energia – não é falta de energia, mas inibição de energia, que quer dizer que há uma resistência ao movimento ou à fala, que é diferente de estar sonolento -, anedonia (incapacidade de sentir prazer, nem mesmo nas coisas mais felizes) e, claro, distúrbios de processos cerebrais. Pelo menos dois destes sintomas centrais têm de estar presentes durante duas semanas.

Mas há pessoas que, por vezes, se sentem assim durante alguns dias. Estão deprimidas?

Se alguma coisa muito má acontece, pode estar presente durante um período de tempo curto, mas não está presente durante duas semanas. E há outros sintomas que têm de manifestar-se, como problemas em dormir – quase todos os doentes com depressão os têm -, perda de apetite com frequente perda de peso, porque não sentem prazer em comer, problemas de concentração e de memória, o que leva as pessoas a pensarem que têm Alzheimer, sentimento de culpa e desespero.

Quando se tem uma depressão tem-se sempre a sensação que é um estado terrível e que não há escapatória, não se tem a sensação de que é um mau episódio que vai passar e que em poucos dias vai-se estar bem. A sensação de não haver escape, de não haver esperança, leva aos pensamentos sobre como se pode acabar com este estado terrível — aos pensamentos suicidas. É um risco permanente na depressão que as pessoas tenham comportamentos suicidas. A depressão é a maior causa de suicídios em todo o mundo.


Todas as pessoas com depressão têm este tipo de pensamentos?

Mesmo pessoas que não estejam com uma depressão, em momentos mais difíceis da vida, podem ter este tipo de pensamentos. Mas a maior parte das pessoas com depressão têm pensamentos destes [suicidas] e muitas desenvolvem impulsos neste sentido. Muitas assustam-se com estes impulsos e procuram um médico, porque começam a ter medo de se magoarem. Os pensamentos vêm subitamente, como estar perto de uma linha do comboio e pensar em saltar.

Qual a origem da depressão? É genética, ambiental, traumática ou tudo isto?

A definição de depressão é que é uma disfunção da mente e do corpo. Muitos doentes perguntam isso [qual a origem] e eu explico sempre com o exemplo da moeda que tem duas faces. Enquanto ser humano podemos observar a interação social: o que a pessoa está a dizer, qual a história da sua vida, que boas e más experiências teve antes. Neste nível de observação podemos detetar fatores que aumentam o risco de depressão no futuro. Por exemplo, os traumas e abusos nos primeiros anos de vida aumentam o risco de depressão no futuro.

Às vezes encontramos gatilhos para a depressão, como acontecimentos negativos. Às vezes mesmo acontecimentos positivos podem ser um gatilho, como entrar de férias. São as mudanças na constância da vida que podem desencadear a doença. Claro que podemos tratar este lado da moeda com psicoterapia.

Mas a moeda tem sempre outro lado, neste caso, interior – o que se passa no cérebro em termos biológicos. A genética, que influencia o risco de ficar doente, mudanças nos neurotransmissores e nos processos que ainda não foram completamente compreendidos – é muito complexo. Neste caso, pode tratar-se as mudanças nos neurotransmissores com antidepressivos. Não se trata de um tratamento em detrimento de outro, é um uso complementar.




Um dos grupos que vive eventos traumáticos, neste momento, são os refugiados. São um grupo de risco?

As estatísticas disponíveis em relação aos diagnósticos psiquiátricos demonstram que os distúrbios são principalmente afetivos. A prevalência de traumas também é mais elevada do que na população em geral, mas não tão alta como se pensa. Outro ponto é que, se viveram um evento traumático, devem poder ter um momento de segurança e coesão social, porque o tempo ajuda a curar. Devemos permitir-lhes que não tenham uns traumas atrás dos outros, mas que tenham um período de calma e segurança depois do evento traumático terminar. Este é, provavelmente, o fator mais importante para permitir [aos refugiados] ultrapassarem o trauma – o tempo. Há tratamentos para o stress pós-traumático, mas a eficácia não é tão boa quanto gostaríamos. Não existe nenhum comprimido que acabe com o trauma, portanto o tempo é importante. Em relação à depressão há muito bons tratamentos. Mesmo que as pessoas não se deem bem com um medicamento, podemos tentar outro e combiná-lo com psicoterapia.

Qualquer pessoa pode vir a sofrer de depressão?

Se tivermos uma predisposição genética, ou se sofremos um trauma na infância, existe um grande risco de vir a sofrer de depressão. E não precisam ser fatores externos fortes. Vê-se muitos casos que, da noite para o dia, podem passar da depressão para a excitação e, de repente, a euforia passa e volta a depressão. E sem nenhum motivo aparente.

Pode imaginar que, se tiver azar, cai numa depressão. E, depois, a depressão vai à procura dos aspetos mais negativos da vida – todos temos lados mesmo bons na vida – e estes aspetos negativos são ampliados, colocados no centro das atenções e a pessoa não vê mais nada que não estas situações. Claro que a pessoa depois pensa que a depressão é por causa destes eventos negativos, mas a maior parte das vezes não são a razão. Para quem tem problemas muito graves, isso pode ser um gatilho, mas a maior parte das vezes a causa não é evidente.
"Há uma ideia de que a depressão é uma reação a uma situação adversa da vida — o que é compreensível. Não está completamente errado, mas não é absolutamente verdade."
E as crianças pequenas podem ter depressões?

Podem, mas não é muito fácil detetar. Agora sabemos que crianças com menos de 10 anos podem ter depressões – têm medo de ir para a escola, não querem brincar, por exemplo. Depois, o risco de ficarem deprimidos na adolescência aumenta. E mantêm um risco alto durante toda a vida adulta.

Pode prevenir-se a depressão?

Sabe o que o Mark Twain recomendou para prevenir as doenças mentais: “Escolhe os teus pais com cuidado e morre cedo”. Prevenção precoce é difícil, porque ainda não sabemos muito bem como funciona a doença. Se for uma pessoa em risco – se os pais ou irmãos sofrem de depressão -, então deve informar-se sobre a doença, de forma a reconhecê-la e a procurar tratamento precocemente, conhecer o tratamento e quem o providencia. E isto ajuda, claro, a lidar com este problema.

A depressão pode ser tratada só com psicoterapia ou tem sempre de recorrer a medicamentos?

As orientações de tratamento na Alemanha dizem que se deve usar psicoterapia ou medicação nas formas mais moderadas, mas na maior parte dos casos mais graves de depressão é preciso recorrer a antidepressivos.

A maior parte dos países usa antidepressivos como forma de tratamento, já na Alemanha temos muitos psicoterapeutas. Mas enquanto um psicoterapeuta pode tratar 50 pessoas por ano, um psiquiatra trata 500 pessoas com depressão. Os antidepressivos são um tratamento muito bom e para mim, se estiver perante uma pessoa com uma depressão severa, é a minha primeira opção.

Muitos médicos de clínica geral também prescrevem antidepressivos. De facto, em muitos países, a maior parte dos antidepressivos são receitados pelo médico de clínica geral.

Usamos mais antidepressivos do que devíamos?

Não conheço bem a situação em Portugal, mas é verdade que aqui são muito mais usados do que na Alemanha. Não sei qual é a razão: se é excesso de medicação ou se existem menos recursos para a psicoterapia.

Na Alemanha, a relutância em tomar antidepressivos é forte, as pessoas têm medo de ficar dependentes, têm medo das mudanças que ocorrem, não querem tomar químicos – se for um produto natural tomam-no de bom grado, mas são muito céticos em relação aos químicos. Claro que a situação em Espanha e Portugal é diferente, não imprimem tantas emoções negativas em relação à toma de antidepressivos. Mas não conheço bem a situação.


Ainda assim, existe um estigma em relação às consultas com psiquiatras. Como podemos ultrapassar isso?

Com informação, simplesmente com informação. Esta é uma doença do cérebro, não só, mas também. Assim como a epilepsia, não é só uma doença do cérebro, é uma doença que afeta toda a vida. É uma doença que pode atingir todas as pessoas, mas é tratável. Esta é a mensagem-chave desta aliança contra a depressão: há ajuda disponível, os medicamentos não criam dependência, não mudam a personalidade, não são comprimidos da felicidade – se alguém saudável os tomar não vai ficar pedrado nem ter momentos de euforia, pode ter apenas uns efeitos secundários.

Mas vai manter-se o problema de que as doenças mentais ou psiquiátricas, como a depressão, mudam a parte mais íntima e sagrada que temos – nós próprios. O ego, é isto que muda. Não algo de que estejamos distantes, como uma dor física. A depressão muda-nos e isto é assustador para muitas pessoas. Para quem não está doente também pode ser assustador se uma pessoa mudar subitamente: se não rir, se não quiser partilhar a intimidade, se não quiser sair. Não é fácil de perceber a depressão como um problema.

Os doentes aceitam que outras pessoas lhes digam que devem ir ao médico?

Claro que há muitas pessoas que dizem que a depressão é culpa sua, ou que não são doentes psiquiátricos. Mas esta perceção tem mudado nos últimos anos: as pessoas estão mais abertas e mais bem informadas. E quanto mais informação existir, mais fácil é para as pessoas aceitarem.

As pessoas podem ser curadas da depressão ou podem apenas ser tratadas e a doença voltar outra vez?

Se a pessoa tiver uma propensão para a depressão – e se já teve depressão uma vez, tem essa propensão – há probabilidade de ficar doente outra vez. Os riscos de voltar a adoecer, mesmo que já não se imagine que se pode voltar a ficar deprimido, mantêm-se, mas podem ser reduzidos por psicoterapia ou antidepressivos.

E é preciso fazer psicoterapia ou tomar medicamentos para o resto da vida?

Não necessariamente. Algumas pessoas têm um único episódio e não voltam a ter outro até ao final da vida, mesmo sem tratamento específico. Mas a maior parte das pessoas têm mais do que um. Quem tiver dois ou três episódios, tem uma probabilidade elevada de ter mais durante a vida. Neste caso, pode fazer sentido fazer antidepressivos durante vários anos.


A depressão ainda é um problema difícil de aceitar e de lidar e a própria família, amigos ou colegas de trabalho têm dificuldade em entender e ajudar estas pessoas.

Um familiar deve informar-se sobre o que é a depressão: deve ler e deve ter um conhecimento profundo da situação. Em geral, os mediadores comunitários, professores, padres, etc., devem ter um conhecimento básico sobre a doença.

Algumas empresas, por exemplo, têm programas e linhas de orientação para o caso das pessoas que têm problemas com álcool. Há um procedimento implementado para o alcoolismo, mas não há um procedimento para a depressão, apesar de ser uma doença frequente, com custos elevados para a empresa, e ser tratável. E a depressão é mais fácil de tratar do que o alcoolismo. No caso da dependência de álcool há mais conhecimento. No caso da depressão, seria melhor se as pessoas tivessem acesso a tratamento mais cedo, para sair da depressão mais rápido.

Os empregadores deveriam prestar mais atenção a esta doença?

Os patrões sabem que têm muito prejuízo com as pessoas deprimidas, que estão presentes no trabalho, sem produzirem, e que contribuem para o absentismo — é um dos maiores prejuízos das empresas. Podem beneficiar se criarem um ambiente na empresa em que as pessoas com este tipo de doenças não precisam de as esconder, mas pelo contrário podem ser um pouco mais abertas e ser aceites, e se, adicionalmente, tiverem alguns conhecimentos básicos sobre quem pode tratar estas pessoas, como um psiquiatra ou um psicoterapeuta.

Quais os principais objetivos da Aliança Europeia Contra a Depressão?

Eu e o Ricardo Gusmão [Presidente da EUTIMIA – Aliança Europeia Contra a Depressão em Portugal] estabelecemos intervenções diretas nas comunidades em quatro níveis: cooperação com médicos de clínica geral, porque a maior parte das pessoas são tratadas por estes médicos; uma campanha para sensibilizar o público em geral e aumentar os seus conhecimentos; treinar mediadores comunitários, professores, padres, farmacêuticos e outros profissionais de saúde; e apoiar os doentes e familiares, criando grupos de ajuda, disponibilizando informação na internet. As missões são: primeiro, aumentar os cuidados de saúde das pessoas com depressão, e, segundo, prevenir o comportamento suicida. Combinamos estes dois objetivos, que parcialmente se sobrepõem, porque a depressão e os suicídios estão relacionados — existem outras doenças mentais relacionadas com o suicídio, mas a depressão é a principal.

Fonte: http://observador.pt/especiais/tristeza-nao-depressao-depressao-nao-sentir-nada/


sábado, 30 de abril de 2016

Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio, do Hospital Roberto Santos, de Salvador-BA, inaugura espaço cultural

Excelente notícia!

Roberto Santos inaugura espaço de leitura
Itana Silva
Sex, 29/04/2016 

O Centro de Informações Antiveneno (Ciave) do Hospital Geral Roberto Santos inaugurou na tarde desta sexta-feira, 29, o Espaço de Leitura e do Cinema do Neps (Cineps). O local faz parte do Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (Neps).

De acordo com a psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do núcleo, o espaço foi criado para o encontro com a leitura. "Ele simboliza o esforço geral dos técnicos e pacientes do Neps e da equipe do Ciave em compartilhar esforços por um objetivo comum", descreveu Soraya.

A sala de leitura foi viabilizada a partir da doação de livros e possui acervo com cerca de 200 publicações. Soraya contou ainda que o projeto foi idealizado por uma das pacientes.

"Ela é estudante de biblioteconomia. A partir das doações que chegaram até agora, através de amigos, pacientes, profissionais daqui, ela catalogou com a ajuda do pessoal", ilustrou Soraya.

A psicóloga esclarece que qualquer pessoa pode fazer doações para o Cineps, basta que o interessado leve o livro ao local. "Esperamos receber mais doações, para que o acervo seja ampliado", conta a psicóloga. Os livros poderão ser consultados no local ou por empréstimo.

Com relação ao cinema, inicialmente, serão sessões bimestrais e, posteriormente, mensais. Conforme a psicóloga, os filmes a serem exibidos abordarão questões contemporâneas, "para que os pacientes possam se informar sobre o que está ocorrendo no mundo", em meio ao processo de recuperação da depressão.

Apresentação musical marcou a inauguração da biblioteca da unidade de saúde
Neps

O Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio é um serviço desenvolvido pelo Ciave, designado à prevenção  e redução de reincidências destes eventos. "Aqui é mais que um lugar de tratamento. É um lugar de laços", explicou Soraya.

A equipe do núcleo é formada por enfermeira, psicólogas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras. O grupo atende pacientes de todas as idades.

Os participantes do núcleo aproveitaram a oportunidade para mostrar a gratidão que sentem por fazerem parte do grupo.

Conforme declarou Sirleia Fagundes:
"Vir para cá foi meu divisor de águas. Eu não tinha uma vida e, aqui, aprendi a construir uma. Os profissionais do Neps me ajudaram a voltar à minha vivência"
Rosana Vasconcelos, que também é atendida pela equipe, disse que lá se sente protegida e cuidada. Contou Rosana:
"Quando eu cheguei aqui, tive a impressão de que era uma clínica particular. As pessoas são, acima de tudo, humanas. Me senti acolhida"
Texto adaptado.
Fonte: http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1766618-roberto-santos-inaugura-espaco-de-leitura

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Teste: o que você sabe sobre o suicídio?!

A atriz Ana Maria Saad se autointitula uma "suicida sobrevivente sem vergonha"; sem vergonha de falar sobre o tema, de expor o que lhe aconteceu e como se recuperou e livrou-se (ela se refere à cura) da depressão!!

Site da atriz e ativista social em favor da saúde mental e outras tantas boas causas
http://www.anamariasaad.com.br/

Ted Talks (palestra em inglês, com legenda) com Ana Maria. Tema/título: Suicida Sobrevivente
https://www.youtube.com/watch?v=5XMgy2-Nu6o

Foi no site dela que busquei este teste, que ora reproduzo. Os comentários das respostas são dela e retratam, em muitos trechos, o despojamento e irreverência desta ímpar figura!

Suicídio: um Teste surpreendente

Fizemos uma pequena alteração no texto original para adaptá-lo aos nossos leitores.

1 / Se alguém esta determinado a se matar, não há nada que você possa fazer.  (Verdade ou mentira?)

MENTIRA. Depressão e sentimentos suicidas não passam com o tempo. Acolher a pessoa de modo que ela possa por seus sentimentos para fora, encorajando-a a buscar ajuda profissional para se tratar e dar suporte emocional até que a vontade suicida passe, são modos de ajudar.

2 / Pessoas que cometem suicídio são loucas.

MENTIRA. Algumas pessoas que cometem suicídio romperam com a realidade, mas sofrimento intenso, extremo desgaste emocional e transtornos mentais como a depressão e bipolaridade também podem levar a sentimentos suicidas.

3 / Tentativa de suicídio é um pedido de ajuda.

VERDADE. Tentativa de suicídio é um sinal claro de que a pessoa está enfrentando sentimentos os quais não está apta a lidar, precisando de ajuda para tanto.

4 / Quase sempre a pessoa antes de cometer suicídio manda sinais de alerta.

VERDADE. Muitas pessoas irão fazer comentários sobre desejarem estar mortas ou como todos estariam bem melhor se elas não estivessem por perto. Até mesmo aqueles que não expressam desejo de morte podem mostrar sinais de depressão.

5 / Falar sobre suicídio com alguém que tem inclinação suicida irá influenciar mais ainda.

MENTIRA. Perguntar sobre sentimentos suicidas para a pessoa dará abertura para ela falar sobre os sentimentos que já existem, mas que ela mesma tem medo de encarar.

6 / Suicidas não querem realmente morrer, querem somente acabar com sua dor.

VERDADE. Suicidas querem viver, mas eles não conseguem achar nenhuma outra saída para acabar com a dor insuportável que sentem.

7 / Quando a pessoa começa a se tratar o risco dela se suicidar acaba.

MENTIRA. Por mais que a pessoa tenha começado o tratamento e até medicação, ela não está fora de perigo. Ela pode se sentir mais energética e é capaz inclusive de usar tal energia para agir em favor dos seus sentimentos suicidas, já que ainda não houve tempo para seu humor melhorar significativamente.

8 / A maioria das pessoas que cometeram suicídio comentaram a respeito antes.

VERDADE. É muito frequente e comum a pessoa dar indicações de que está sentindo vontade de se matar através de comentários que expressam o desejo de estar morta, ou de como todos a sua volta estariam melhor se ela não estivesse por perto. Às vezes são comentários sutis, mas eles existem, ou até mesmo um atípico silêncio.

9 / Uma pessoa bêbada que fala que tem vontade de se matar não deve ser levada a sério.

MENTIRA. Quando alguém fala sobre suicídio deve sempre ser levada a sério. O álcool retira as inibições que uma pessoa possa ter, o que faz com que ela fale coisas que normalmente não revelaria.

10 / Se uma pessoa teve uma tentativa malsucedida de suicídio no passado, ela tem menos chances de se matar.

MENTIRA. A maioria dos suicídios foi precedida de uma tentativa que falhou.

11 / Quem realmente quer se matar vai e se mata sem qualquer aviso.

MENTIRA. Quase sempre há sinais de aviso, seja em um comentário sobre o desejo de estar morta, ou nos sintomas de depressão.

12 / Pessoas que cometem suicídio são fracas.

MENTIRA. Pessoas fortes podem cometer suicídio. Depressão e outros transtornos mentais são doenças, não um sinal de fraqueza.

13 / Pessoas que ameaçam se matar estão tentando manipular o outro.

MENTIRA. Pessoas que falam de suicídio estão fazendo um apelo por ajuda.

14 / Quando as pessoas se sentem melhor, o perigo passou.

MENTIRA. Se a pessoa tem tido sentimentos suicidas e de repente se sente melhor, isto poderia ser um sinal de que ela tomou a decisão de se matar e sente-se aliviada por causa de sua escolha.

15 / Suicídio pode afetar pessoas de qualquer idade, incluindo crianças.

VERDADE. Ninguém está imune aos transtornos mentais como depressão.

16 / Se um amigo lhe conta sobre seus sentimentos suicidas e lhe pede para guardar segredo, você deve ser um amigo leal e não contar para ninguém.

MENTIRA. Suicídio é uma questão de vida ou morte. É melhor chateá-lo, mas pedir ajuda por ele, do que vê-lo morto.

17 / Uma tentativa que não deu certo indica que a pessoa não queria realmente morrer.

MENTIRA. Suicídios que são bem-sucedidos geralmente foram precedidos por tentativas que falharam. Tentativas de suicídio são um grito por ajuda e nunca devem ser ignoradas.

18 / A única ajuda que funciona é através de psicoterapia.

MENTIRA. Tratamento correto é importante, mas há muito que a família e amigos podem fazer sem nenhum treinamento especial para apoiar o suicida. Eles podem ter um papel crucial na recuperação do paciente.

19 / Apesar de nossos esforços, suicídios podem ocorrer. Ninguém deve se culpar quando alguém escolhe a morte.

VERDADE. Você é somente humano e não é responsável quando alguém escolhe morrer. Você faz o melhor que pode, mas somente a pessoa pode escolher entre viver ou não.

Fonte: http://www.anamariasaad.com.br/suicidio-um-teste-que-vai-te-surpreender/

domingo, 24 de abril de 2016

Curso para novos voluntários do CVV Abolição

O Centro de Valorização da Vida - CVV, realiza gratuitamente há 54 anos o  Serviço de Apoio Emocional e Valorização da Vida (consequentemente prevenindo o suicídio) utilizando o telefone e recentemente outros meios como ferramenta.

O posto CVV Abolição realizará nos dias 30 de abril e 1° de maio de 2016 um novo curso para seleção e capacitação de novos voluntários.

Evento

. De 13:30 às 18:30h
. Será apresentado a filosofia da entidade e a forma de cond
uta a ser seguida pelo voluntário.

É necessário comparecer aos dois dias do evento.

Local do evento

A seleção e capacitação será feita na Rua Abolição, 411 - Centro - São Paulo - próximo das estações do metrôs Anhangabaú ou Sé ou terminal de ônibus Bandeira.

Inscrições e informações 

Poderão ser feitas pelo telefones (11) 3242-4111 ou 141 ou pelo e-mail: abolicao@cvv.org.br.

Os candidatos poderão ainda fazer a inscrição 15 minutos antes do curso.

Mais informações

​​​Link do local no Google Mapas: aqui.

CVV Abolição
Ligue 141 | 24 horas

Youtube (CVV em dois minutos): http://www.youtube.com/watch?v=KyFzPPPHu5g
Facebook: www.facebook.com/cvv141
Twitter: @cvv141
Web site: http://www.cvv.org.br/



domingo, 10 de abril de 2016

Reflexões & ações oportunas vindas do Piauí

Carências e desafios dos serviços de prevenção ao suicídio

A ocorrência contínua de suicídios chama atenção para a necessidade de fazer um trabalho de atendimento e prevenção a pessoas com problemas de saúde mental e aprimorar os serviços que já existem

Em 2014, a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou que entre os anos 2000 e 2012 houve um aumento de 10,4% dos casos de suicídio no Brasil. Esse é o mais recente dado da entidade que alerta sobre a necessidade de aprimorar e avançar os serviços que já existem e fazer um trabalho de atendimento e prevenção a pessoas com problemas de saúde mental grave, sejam eles públicos, privados ou Organizações Não-Governamentais. O Jornal Meio Norte já divulgou um mapa do atendimento de prevenção ao suicídio.

No entanto, esses serviços apresentam algumas carências e gargalos que impedem uma maior eficácia nos atendimentos a pessoas com comportamentos suicidas. Além disso, é necessário que se criem mais ambulatórios, programas ou serviços que possam atender às pessoas que precisam de ajuda, pois especialistas afirmam que, com o acompanhamento adequado, elas podem superar esse momento de crise e prosseguirem suas vidas.


O Programa de Valorização da Vida e Prevenção do Suicídio – ProVida enfrenta uma série de demandas que precisam ser revistas para melhorar a prestação do seu serviço de atendimento à comunidade por meio de ações de valorização da vida e prevenção do comportamento suicida.

O cenário do ambulatório é composto por uma psiquiatra e dois psicólogos que atendem uma média de 260 pacientes por mês. Os atendimentos estão divididos entre individuais, familiares e pessoas que não precisam do serviço e que são encaminhados para outros setores (apenas 5% do total). De acordo com Daniel Feitosa, psicólogo do ProVida, um atendimento psicológico clínico dura cerca de 50 minutos.

Nos casos de possíveis suicidas, o atendimento se torna muito mais complexo e preciso. Os psicólogos se revezam no consultório de segunda à sexta-feira, nos turnos manhã e tarde. Feitosa ressalta que o total de atendimento ideal para o horário estabelecido, que é de 8h às 12h e das 13h às 15h, seria 4 pessoas por turno, mas já houve dias em que chegou a atender até 8 pacientes. A realidade enfrentada no local aponta a necessidade de investir na contratação de profissionais que lidem direta ou indiretamente com esse tipo de caso.

A única psiquiatra que atende no ambulatório está no último ano de residência, por isso teve seus horários de plantão reduzidos para o horário de 12h às 14h.

Estrutura

Outra demanda é a falta de estrutura no prédio, que no início do serviço, em setembro de 2014, recebia e acolhia os pacientes de forma mais confortável, pois o corredor que dava acesso à sala havia sido fechado e foram posicionados armários e longarinas. A porta de entrada fica em frente ao corredor. No local, o movimento era menor e a recepção das pessoas era mais confortável e discreta.

“Os pacientes ficavam esperando em um local calmo e o atendimento ocorria de forma mais tranquila, mas com o passar do tempo a parede foi quebrada, o movimento se intensificou e os pacientes ficam aguardando em meio à grande movimentação de pessoas. O nosso trabalho acaba sendo prejudicado”, destaca.



Caso alguém queira ligar para agendar um atendimento, não vai encontrar um telefone específico para o ProVida e nem a presença de um atendente, tão pouco uma recepção. Nem mesmo longarinas para esperar o atendimento sentado existem. O psicólogo lembrou que pelo local já passaram dois secretários que ajudavam imensamente o serviço, mas que foram tirados do serviço.

Ele destaca que já foi feito um ofício e entregue à direção do Hospital Lineu Araújo e à direção da Fundação Hospitalar de Teresina (FHT), solicitando a presença de um secretário para auxiliar no serviço burocrática, para que os profissionais possam se dedicar exclusivamente aos atendimentos. “A gente torce e pede para que essa situação seja resolvida, pois estamos ali para fazer nosso trabalho com todo nosso empenho, mas somos apenas uma parte da engrenagem que precisa de mais investimentos para funcionar melhor”, ressalta.

Ações estão sendo planejadas

A diretora de assistência hospitalar da Fundação Hospitalar de Teresina (FHT), Jesus Mousinho, responsável por gerir o Hospital Lineu Araújo, onde o ambulatório Pro Vida está instalado, afirmou que recebeu o comando do hospital em janeiro deste ano e que a prioridade é melhorar todos os serviços que o centro de especialidades médicas oferece. Ela acrescenta que o ProVida possui um agravante por causa da FHT não dispor de um núcleo de saúde mental.


Na estrutura e organização do prédio, a diretora afirmou que o corredor voltou a ser aberto porque impedia que os demais pacientes tivessem acesso a algumas salas e destacou que no hospital há a presença de mulheres gestantes, crianças e idosos. “O corredor é passagem para as pessoas e no período da chuva as pessoas que estavam sendo atendidas tinham que atravessar pela rua para marcar o retorno ou um exame, por isso resolveu-se abrir novamente o corredor”, disse.

Sobre a prestação de serviço da secretaria no ambulatório, a gestora lembra que o serviço foi suspenso por conta de uma determinação do Ministério do Trabalho, que mandou retirar todos os prestadores de serviço da Rede Municipal de Saúde, mas enfatizou que uma nova profissional já está sendo contactada para iniciar o trabalho.

“Eu estive no Provida e uma secretária já está designada para começar a trabalhar no local”, completa.

Em relação ao número de profissionais, está sendo articulado junto com a equipe da saúde mental da Fundação Municipal de Saúde (FMS), para reorganizar o Provida, identificar as necessidades e demandas, como o trabalho está sendo desenvolvido. “Nós estamos melhorando cada setor do Lineu Araújo e vamos rever o que podemos melhorar no Provida”, pontua.

Jesus Mousinho disse ainda que vai estudar a possibilidade de instalar um telefone próprio para o atendimento do ambulatório. “Nós já tivemos em um primeiro encontro com a equipe da FMS e vamos para um segundo para providenciar todas essas questões em relação ao ProVida”, frisa.

Centros, grupos e ONGs precisam de apoio

A falta de recursos para produção de material informativo é uma realidade no Centro Débora Mesquita (CDM) e no Centro de Valorização da Vida (CVV), como também para outras instituições que atuam na causa. A ausência de um programa informativo e de acompanhamento ao público infantojuvenil é outra questão que precisa de um olhar mais sensível por parte de investidores e do poder público.

No caso do CDM, o número de voluntárias é pequeno, visto que a demanda aumenta a cada dia, além da carência de um psiquiatra no Centro. Há uma grande e urgente necessidade de ações do poder público na capacitação dos agentes de saúde, e todos envolvidos na área da saúde sobre o assunto, como também agir expandindo as informações e os serviços para todo o estado.

No CVV, a pouca disponibilidade de recursos financeiros impede os voluntários de fazerem uma divulgação maior nas diversas mídias acerca da disponibilidade e da gratuidade do serviço para a comunidade de Teresina e Timon. A falta de recursos também impede a confecção de cartazes, panfletos, banners, faixas etc, que permitiriam dar mais visibilidade à prestação do serviço.

“Seria interessante convencer a administração dos meios de comunicação a cederem gratuitamente pequenos espaços diários para veiculação de vídeos, spots ou banners em jornais impressos e em portais de internet. Com relação à produção de materiais de divulgação, seria interessante se algumas empresas pudessem ajudar a confeccionar os cartazes, panfletos, banners, faixas e mais”, avalia Eyder Mendes, coordenador de Divulgação do Posto CVV Teresina.

CVV precisa de mais voluntários

Além disso, a organização, que é uma das mais antigas do Brasil, ainda não conseguiu preencher as 24 horas de atendimento após 30 anos funcionando em Teresina. Atualmente, o horário das 22h às 06h da manhã não possui atendimento, pois faltam voluntários.

Um dos principais fatores é a dificuldade de recrutar voluntários que são selecionados por meio de processo seletivo e passam por um curso de capacitação. Faltam também recursos financeiros para custear despesas de transporte/hospedagem para os voluntários que precisem participar de cursos do próprio CVV fora de Teresina.

Eyder lembra que o CVV precisa de uma sede própria, em razão da entidade não ter nenhuma segurança para a continuidade da prestação de nossos serviços voluntários. Atualmente, o trabalho acontece em salas cedidas pela Prefeitura de Teresina através da Semtcas.

O Grupo de Apoio Contato Esperança (Grace) reconhece que é preciso mais divulgação através da mídia; falar com mais veemência sem que isso onere as ONGS que precisam de ajuda para se manter, além de mobilizações pró-vida nos semáforos entregando folhetos no Dia Mundial de Combate ao Suicídio e divulgação dos seus serviços.

Fonte; http://www.jornal.meionorte.com/theresina/carencias-e-desafios-dos-servicos-de-prevencao-ao-suicidio-287909