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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Centro de Valorização à Vida lança projeto de apoio à saúde mental em estação de metrô em

O 'Plantão de Escuta' será aberto na sexta-feira (10), com atendimento na Estação Acesso Norte. 
 
Voluntários fazem escuta ativa e afetiva na estação da Lapa nesta quarta-feira

O Centro de Valorização da Vida (CVV) em parceria com a CCR Metrô Bahia, concessionária que administra o sistema de metrô em Salvador, vai lançar o projeto 'Plantão de Escuta'. A iniciativa, que terá início na sexta-feira (10), contará com uma sala na Estação Acesso Norte onde sempre haverá um voluntário do CVV disponível para quem precisar conversar.

A ação faz parte do 'Setembro Amarelo', mês de prevenção do suicídio e de incentivo aos cuidados com a saúde mental. Uma proposta semelhante começou na Estação da Lapa, também em Salvador, nesta quarta (8), e segue até o próximo dia 28. 

O Plantão de Escuta vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. A interação será por videoconferência, para evitar a disseminação do coronavírus.

Além do espaço que será inaugurado, a rede do CVV funciona 24 horas por dia pelo telefone 188 ou pela internet, através do site.

Fonte: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2021/09/08/centro-de-valorizacao-a-vida-lanca-projeto-de-apoio-mental-em-estacao-de-metro-em-salvador-veja-detalhes.ghtml



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Uma dor de que não se fala

Bahia registrou um suicídio por dia em 2017

“Vai passar... ”, “É assim mesmo...” eram respostas que Amanda Monteiro ouvia quando contava como se sentia. Mas nos momentos em que estava triste e angustiada, achando que não tinha lugar no mundo, a jovem de 22 anos não queria escutar nada.

“Só queria não me sentir sozinha”, lembra a estudante de enfermagem. O sofrimento era tanto que ela tentou suicídio três vezes em duas semanas.  “Nos momentos de dor, a gente não quer que o outro esteja ali. A gente quer que ele seja: seja amável, seja gentil”, destaca, seis meses depois.

Diogo Garrido preferia guardar tudo para si, por receio que seus sentimentos fossem encarados como drama. Nas vezes em que falou, o estudante de Letras escutou dos amigos e da família: “É uma fase, vai passar”.

Veja o vídeo: https://www.facebook.com/correio24horas/videos/1997507190263763/

Após duas tentativas de suicídio e três meses de internação em uma clínica particular, o jovem de 24 anos faz questão de contar o que vem enfrentando para alertar outras pessoas sobre o tema: “dor não tem régua, não existe uma medida universal. Cada pessoa sabe o que está passando”.

O suicídio ainda é tabu, embora represente a causa de morte de aproximadamente um milhão de pessoas no mundo por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na Bahia, a dor que não se fala mata uma pessoa por dia. Até 9 de novembro de 2017, o estado registrou oficialmente 373 suicídios - 23% dos casos foram cometidos por jovens entre 15 e 29, como Amanda e Diogo, e 9% por idosos acima de 70 anos.

No Brasil, suicídio é a terceira causa de morte na juventude, atrás apenas de homicídios e acidentes de trânsito, de acordo com o Mapa da Violência (2014).

Os idosos representam as maiores taxas no país, com 8 suicídios para cada 100 mil habitantes. Entre 2002 e 2012, o Brasil passou de 4,4 para 5,3 suicidas por 100 mil habitantes, o que representa um crescimento de 20,3%. Em 2012, a Bahia tinha uma taxa de 3,4 suicídios por 100 mil habitantes, com um aumento de 92% no mesmo período.

Em 2016, foram computados no estado 412 suicídios de pessoas de distintas classes sociais, gêneros, escolaridades e profissões. A taxa foi de aproximadamente 2,7 suicidas por 100 mil habitantes, mas isso não significa que a luz amarela deva ser desligada.

Os números, inclusive, podem ser mais altos, pois nem todas as ocorrências são notificadas, o que é obrigatório no sistema de saúde brasileiro desde 2014. Além disso, alguns casos entram em outras estatísticas, como acidente de trânsito, por exemplo.

Sinais

Muitas mortes por suicídio poderiam ser prevenidas se os sinais e fatores de risco associados ao ato fossem discutidos abertamente, não somente no Setembro Amarelo - campanha que há três anos alerta os brasileiros sobre a necessidade de se falar sobre o tema.
    “Os primeiros sinais são manifestações de sofrimento psíquico. A pessoa fica triste, mais isolada, não necessariamente chorando. Muda o comportamento de forma brusca, passa a ser agressiva, irritadiça. É importante estar atento”, diz a psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do Núcleo de Prevenção do Suicídio (Neps), do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave), do Hospital Roberto Santos.
Amigos e parentes próximos terminam tendo os primeiros contatos com as ideações suicidas de um indivíduo que sofre uma dor existencial. Quando isso acontece, é importante acolher a pessoa e estar disposto e preparado a ouvir sem julgamentos as intenções de tirar a própria vida. Elas aparecem direta ou indiretamente, por meio de frases como “se pudesse, eu dormia e não acordava”, “minha vida não tem sentido”, “eu sou um fardo” ou “morrer seria um alívio para mim”.

Especialistas indicam que a melhor maneira de lidar com a questão é perguntar da forma mais direta possível: “Onde está doendo?”, “O que está acontecendo com você?” e “Como eu posso te ajudar?”. E, em seguida, buscar acompanhamento psicológico e psiquiátrico para o indivíduo.
    “A pessoa  com ideação suicida está com pensamento distorcido em relação a si, à realidade, à sociedade. Não é uma coisa abrupta. Isso pode começar de maneira insidiosa, pouco aparente e, se não é tratada de pronto, vai ficando aparente, incapacita para as atividades da vida”, analisa Sandra Peu, diretora da Associação Psiquiátrica da Bahia (APB) e coordenadora do Setembro Amarelo em Salvador.
Apesar de existir uma correlação grande entre suicídio e doenças mentais, como  depressão, transtorno de humor bipolar, dependência de álcool e outras drogas psicoativas, não se pode determiná-las como as únicas causas.

“Nem todo mundo que se mata está deprimido, nem todo deprimido se mata. Nem todo mundo que quer morrer, quer se matar. Na verdade, a pessoa quer viver. Ela quer sanar o sofrimento, uma dor desmedida na vida que tem. É esse o tempo que a gente tem para trabalhar, para cuidar desse sujeito, para que ele possa enxergar outras formas de vida”, afirma Soraya.

Nem sempre o caminho até o serviço de psiquiatras e psicólogos é rápido e simples. Além dos estigmas sociais, a própria rede de saúde pública é restrita.

Fila de espera


Na Bahia, o Neps é o único órgão especializado em prevenção do suicídio.  Fundado há 10 anos, o núcleo atende cerca de 300 pessoas e neste momento conta com fila de espera.

O trabalho que começou com o atendimento a pacientes que davam entrada no hospital por tentativa de suicídio, hoje alia o tratamento convencional psicoterápico e médico com ações de prevenção que trabalham as possibilidades de produção de quem já tentou suicídio, como leitura, rodas de leitura, cinema e jornal, envolvendo a rede em torno delas.

Antes de fundar o Neps, Soraya Carvalho trabalhou 16 anos atendendo pessoas que já tinham tentado suicídio no Roberto Santos.
    “A reincidência baixou muito. Um dos fatores de risco mais importantes a considerar no suicídio é a tentativa de suicídio anterior. Quem quer se matar avisa”, destaca Soraya.
E os relatos de quem é atendido pelo núcleo mostram que é possível acreditar na vida, apesar das dores existenciais. “Depois de todos esses anos [de sofrimento], eu só vim realmente ter esperança de que eu posso ter uma vida normal, mesmo com os traumas e as dores que eu já passei, quando conheci o Neps e outras pessoas que têm problemas e transtornos semelhantes ao meu”, conta Amanda, que concilia o tratamento com as aulas na Universidade Federal da Bahia (Ufba).
    “Isso tirou o sentimento de solidão. É o mais forte e mais recorrente, como se só você passasse por aquilo tudo. Quando cheguei, encontrei um espaço que me mostrou que não, que eu não sou a única, que existem outras pessoas como eu. E outras pessoas que estão lidando com isso há mais tempo que eu. Isso me mostra uma possibilidade de vida. Sim eu posso viver”, afirma a jovem de 22 anos.
Sobreviventes

A assistência também deve ser dada aos sobreviventes, denominação dada a parentes e amigos de quem comete suicídio, além daqueles que não conheciam as vítimas, mas lidam de alguma forma com a morte delas.

“Depois que acontece, todo mundo acaba vendo os indícios que não via. Aí começa a desenvolver teorias, perceber o que não notava”, conta o produtor Murilo Fróes, que perdeu um amigo de mais de 15 anos para o suicídio. “Ele sempre foi uma pessoa muito fechada, reservada e ninguém notou uma mudança de comportamento. Eu conhecia uma pessoa que a própria família não sabia que existia”.

A jornalista Paula Fontenelle terminou se tornando uma especialista no tema depois que seu pai se matou. Em 2008, ela lançou o livro Suicídio: o futuro interrompido e no site www.prevencaosuicidio.blog.br ajuda pessoas a enfrentarem a questão, sejam elas familiares ou quem tem a dor existencial.
    “O tabu dificulta vivenciar o luto de maneira saudável. É diferente de outros porque a gente não tem com quem falar. Ninguém sabe o que dizer e o silêncio impera. O luto precisa ser vivenciado e parte disso é exprimir sua dor. Se ninguém te pergunta ou ouve, a dor cresce dentro de você”, afirma Paula.
“Ouvir cuidadosamente, sem julgamentos, com compaixão. E deixar que o outro te dê o limite de até onde pode ir. Mas não apenas partir do pressuposto de que a gente não quer falar”, reforça Paula, que atualmente faz mestrado na George Fox University, em Portland (EUA), pesquisando o tema tratamento de trauma e prevenção ao suicídio.

Solidão

Muitas pessoas com sentimento de solidão encontram no Centro de Valorização da Vida (CVV) um apoio. Presente há 29 anos em Salvador, o serviço presta atendimento 24 horas a pessoas com qualquer tipo de conflito, por telefone (custo de ligação local, em breve será gratuita para todo o país por meio do 188 ) e chat na internet. Sem, no entanto, substituir o acompanhamento psicológico. De forma sigilosa e anônima, o indivíduo telefona e conversa com um voluntário sobre qualquer assunto.

“O voluntário do CVV é um amigo provisório naquele momento. É como um espelho, no qual a pessoa vê sua imagem refletida e pode pensar o que está acontecendo com ela e encontrar seu caminho, a decisão que precisa tomar, qual ajuda terá”, explica Josiana Rocha, que atua há 27 anos na organização.

Em Salvador, o CVV conta com 41 voluntários, que trabalham cinco horas, uma vez por semana. “Qualquer um pode se voluntariar, não é necessário ser da área de saúde, nem ter formação acadêmica. Basta ter disponibilidade de tempo e doação de calor humano”, enfatiza a voluntária. Interessados em se voluntariar devem procurar o CVV e fazer cadastro.

ONDE BUSCAR AJUDA

Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps): 71 3116-9440, em horário comercial
Centro de Valorização da Vida (CVV): 71 3322-4111 ou 141 (capitais) / www.cvv.org.br

LOCAIS COM ATENDIMENTO PSICOLÓGICO E PSIQUIÁTRICO GRÁTIS OU DE BAIXO CUSTO

NAPSI - Núcleo de Atendimento Psicológico
Av. Ademar de Barros, 343, Ed. Julio Call, sala 108 – Tel.: 3247-5020. Psicodiagnóstico, psicoterapia, orientação profissional, psiconcologia.

CEFAC - Centro de Estudos de Família e Casal
Parque Lucaia, Ed. WM – Tel.: 3334-3150 Psicoterapia individual, conjugal e familiar.

CECOM - Centro Comunitário Batista Cleriston Andrade
Rua Lord Cockrani, Garibaldi – Tel.: 3235-8114. Atendimento individual e em grupo.

CCVP - Complexo Comunitário Vida Plena
Rua Artur Gonzales (fim de linha de Pau da Lima).

COFAM - Centro de Orientação Familiar
Av. Joana Angélica, 79, Pavilhão Julia Carvalho, Internato Nossa Sra. de Misericórdia – Pupilleira. Tel: 3242-5959. Atendimento de psicoterapia individual e em grupo uma vez ao mês. Não cobra taxa.

Lar Harmonia
Rua Dep. Paulo Jacson, 560 – Piatã. Tel.: 3286-7796, ramal 119. Psicoterapia individual, em grupo, familiar e orientação profissional. Não cobra taxa.

Centro de Valorização da Vida
R. Luis Gama, 47 – Nazaré – Tel.: 3322-4111; 3244-6936 Atendimento por telefone 24 horas e pessoalmente das 7h às 18h.

IJBA -  Instituto Junguiano da Bahia
Alameda Bons Ares, 15, Candeal Salvador - Bahia. Marcação de Consultas: (71) 3356-1645

Faculdades

BAHIANA
Av. Dom João VI, 275 – Brotas. Tel.: 3276-8259 Cadastro por telefone em janeiro e em junho. Não é cobrada taxa.

UNIFACS - NEPPSI
Rua Ponciano de Oliveira, 126, 1º andar. Av. Anita Garibaldi, Rio Vermelho. Tel.: 3330-4677 / 4678 Cadastro por telefone. Psicoterapia individual, grupal e familiar.

FTC
Av. Luis Viana Filho, 8.812, Paralela. Tel.: 3281-8073 Cadastro por telefone. A taxa varia de acordo com o paciente. Psicoterapia individual, grupal e familiar.

UNIJORGE
Av. Luis Viana Filho, 6.775, Paralela. Tel.: 3206-8015 / 3534-8000. Cadastro por telefone.

IMAS – Instituto Multidisciplinar de Assistência à Saúde do Centro Universitário Jorge Amado
Av. Edgard Santos, s/nº – Narandiba – Salvador. Tel.: (71) 3103-3900.

UFBA
Estrada de São Lázaro, 170, São Lázaro – Tel.: 3235-4589. Cadastro por telefone no inicio de cada semestre. Psicoterapia e Orientação Profissional.

Ruy Barbosa
Rua Theodomiro Batista, 422 – Rio Vermelho. Tel: 3334-2021 / 3205-1745. Psicoterapia individual, grupal, familiar e orientação profissional.

UNINASSAU: inscrição online para atendimento psicológico de adultos no seguinte link - http://bit.ly/2jj8ulF

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/uma-dor-de-que-nao-se-fala-bahia-registra-um-suicidio-por-dia-em-2017/

sábado, 30 de abril de 2016

Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio, do Hospital Roberto Santos, de Salvador-BA, inaugura espaço cultural

Excelente notícia!

Roberto Santos inaugura espaço de leitura
Itana Silva
Sex, 29/04/2016 

O Centro de Informações Antiveneno (Ciave) do Hospital Geral Roberto Santos inaugurou na tarde desta sexta-feira, 29, o Espaço de Leitura e do Cinema do Neps (Cineps). O local faz parte do Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (Neps).

De acordo com a psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do núcleo, o espaço foi criado para o encontro com a leitura. "Ele simboliza o esforço geral dos técnicos e pacientes do Neps e da equipe do Ciave em compartilhar esforços por um objetivo comum", descreveu Soraya.

A sala de leitura foi viabilizada a partir da doação de livros e possui acervo com cerca de 200 publicações. Soraya contou ainda que o projeto foi idealizado por uma das pacientes.

"Ela é estudante de biblioteconomia. A partir das doações que chegaram até agora, através de amigos, pacientes, profissionais daqui, ela catalogou com a ajuda do pessoal", ilustrou Soraya.

A psicóloga esclarece que qualquer pessoa pode fazer doações para o Cineps, basta que o interessado leve o livro ao local. "Esperamos receber mais doações, para que o acervo seja ampliado", conta a psicóloga. Os livros poderão ser consultados no local ou por empréstimo.

Com relação ao cinema, inicialmente, serão sessões bimestrais e, posteriormente, mensais. Conforme a psicóloga, os filmes a serem exibidos abordarão questões contemporâneas, "para que os pacientes possam se informar sobre o que está ocorrendo no mundo", em meio ao processo de recuperação da depressão.

Apresentação musical marcou a inauguração da biblioteca da unidade de saúde
Neps

O Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio é um serviço desenvolvido pelo Ciave, designado à prevenção  e redução de reincidências destes eventos. "Aqui é mais que um lugar de tratamento. É um lugar de laços", explicou Soraya.

A equipe do núcleo é formada por enfermeira, psicólogas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras. O grupo atende pacientes de todas as idades.

Os participantes do núcleo aproveitaram a oportunidade para mostrar a gratidão que sentem por fazerem parte do grupo.

Conforme declarou Sirleia Fagundes:
"Vir para cá foi meu divisor de águas. Eu não tinha uma vida e, aqui, aprendi a construir uma. Os profissionais do Neps me ajudaram a voltar à minha vivência"
Rosana Vasconcelos, que também é atendida pela equipe, disse que lá se sente protegida e cuidada. Contou Rosana:
"Quando eu cheguei aqui, tive a impressão de que era uma clínica particular. As pessoas são, acima de tudo, humanas. Me senti acolhida"
Texto adaptado.
Fonte: http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1766618-roberto-santos-inaugura-espaco-de-leitura

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um importante alerta para esta combinação: final de ano e jovens fragilizados

Na reportagem abaixo nós somos alertados, instruídos e orientados. Enfim, ela atende plenamente ao que se espera de uma boa matéria sobre o suicídio. Parabéns a Thais Borges!

Casos de suicídio aumentam entre jovens e também no final do ano

Todos os dias, pelo menos três pessoas tentam o suicídio na Bahia, segundo o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio

Thais Borges (thais.mascarenhas@redebahia.com.br) 23/12/2013  

Não tem um dia em que a doméstica Josenice dos Santos, 45 anos, saia de casa tranquila para trabalhar. Ela é mãe de seis filhos, mas a preocupação é com o terceiro da família. Em oito meses, Fagner dos Santos, 19, já tentou se matar duas vezes – a última foi há duas semanas. 

“Na segunda-feira, ele almoçou e saiu de casa, sem avisar. Ninguém sabia onde estava. Fiquei louca, porque ele estava sozinho e podia fazer qualquer coisa”. Fagner apareceu três horas depois. Disse à mãe que fora à igreja, mas a angústia dela não diminuiu. 

Josenice não é a única preocupada com um filho como Fagner, nem ele é o único a viver o drama de querer tirar a própria vida. 

Todos os dias, pelo menos três pessoas tentam o suicídio na Bahia, segundo o Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio (Neps), do Centro Antiveneno da Bahia (Ciave). E a maioria das tentativas  parte dos jovens.

Além disso, na época de festas de fim de ano, esse número aumenta. Só em dezembro, as ligações recebidas pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende pessoas com comportamento suicida, em Salvador, aumentam 40%.

Nos últimos 25 anos, o índice de suicídios cometidos por pessoas com idades entre 15 e 29 anos aumentou pelo menos 30% em todo o Brasil, segundo uma pesquisa do psiquiatra José Manoel Bertolote, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), autor de O Suicídio e Sua Prevenção. 

“Fizemos um estudo em São Paulo, com a análise dos atestados de óbito desse período. Entretanto, dados do Datasus (Banco de Dados do Sistema Único de Saúde) indicam a mesma tendência para o Brasil todo”, explicou.

Na Bahia, a tendência não é muito diferente. Só entre 2009 e 2011, houve um aumento de 14,1% dos suicídios naquela faixa etária: foram 113 em 2009, contra 129, em 2011, pelos dados do Datasus. 

Nos três anos, o total de jovens que se matou, 374, foi maior do que em qualquer outra faixa. Os suicídios dos jovens corresponderam a 30% de todos os casos: 1241. 

Risco 

“Na maioria dos casos, há uma combinação entre fatores predisponentes, como genética e transtornos mentais, com fatores precipitantes, como perdas afetivas. Mais de 95% dos adultos e 85% dos adolescentes que se suicidam tinham um transtorno psiquiátrico na ocasião. Isso constitui um dos fatores de risco”, afirma Bertolote.

No caso de Fagner, a mãe do adolescente acredita que as tentativas podem ter sido motivadas pela depressão, diagnosticada este ano. “Ele não era assim. Antes, ria, conversava, tinha amigos e namorada”, lembra Josenice. 

Quando criança, Fagner era espancado pelo pai com frequência. Aos 10 anos, chegou a fugir de casa –passou um mês em um estacionamento, na Avenida Paralela, até ser encontrado por uma tia.

Depois que voltou para casa, os pais se separaram e a vida se normalizou. “Não sei por que só veio aparecer agora, mas acho que foi muita pancada que ele levou na cabeça”, diz a mãe. Na primeira tentativa, Fagner foi flagrado por uma irmã quando tentava se enforcar com uma calça jeans. 

Josenice conseguiu socorrer o filho e ele começou o tratamento no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) de Pernambués. Mas, da segunda tentativa de suicídio do filho, ela só ficou sabendo depois. 

O jovem foi à passarela da Estação Mussurunga, com intenção de se jogar. “Nesse dia, ele me pediu para comprar salgadinhos, para vender na estação, só que ele passou o dia inteiro lá”. Quando chegou em casa, estava quieto. Dois dias depois, no consultório da psicóloga que o atende no Caps, Fagner revelou os planos. “Ele ficou lá parado, encarando a rua, todo o tempo, querendo fazer. Mas, por algum motivo, voltou”, diz Josenice.

Fagner não fala sobre o assunto. Mas, mesmo que o tema da conversa seja outro, ele fala pouco. Hoje, antes de sair, Josenice esconde facas e até carregadores de celular. “Vivo com medo, porque não estou no coração dele”.

Segundo a psiquiatra Rosa Garcia, professora aposentada da Ufba, é improvável que as agressões do pai de Fagner tenham lhe deixado sequelas físicas. “O problema é que a criança fica impotente diante dos maus tratos e esse trauma pode refletir”. Ainda de acordo com ela, a maioria dos casos de suicídio ou tentativa tem vínculo com a depressão.

“Mas, entre os jovens, além dos que se deprimem, existem aqueles que agem por impulso. Se tiverem uma briga com os pais, agem como a pessoa que discute no trânsito e sai para tentar agredir. Não existe reflexão”, diz Rosa Garcia.

Por isso mesmo, para a psiquiatra e professora da Escola Bahiana de Medicina, Manuela Lima, o suicídio entre os jovens está ligado ao imediatismo. “O limiar da frustração fica muito baixo, porque o jovem tem pouco amadurecimento psíquico. Se alguma coisa não sai do jeito que quer, é o fim do mundo”.

Foi por impulso que o empresário Carlos*, 26 anos, decidiu acabar com a própria vida. Há quatro anos, ele tomou 120 comprimidos. Era um ano difícil: o pai tinha morrido, a mãe e a irmã estavam em depressão e o namorado com quem se casaria o traiu.

“Naquele momento, não pensei. Senti que não tinha mais como resolver a dor pelo meu pai, nem a situação com minha mãe, minha irmã e o ex. Foram minutos de loucura, sem medir consequências”. lembra ele, que diz sempre ter sido controlado.

Hoje, depois de fazer tratamento psicológico intensivo, ele está bem. O problema é ter que lidar com o medo de que a irmã, de 22 anos, consiga o suicídio. Em cinco anos, a jovem já tentou três vezes – duas com medicações. 
“Morro de medo, porque ela é explosiva e não aceita tratamento. Ela não consegue trabalhar, entrar na faculdade, nem aceita diálogo... Ela não aceita viver”, lamentou.

Expectativas 

Basicamente, para muitos jovens, o suicídio é uma forma de lidar com o sofrimento, segundo a psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do Neps. “As duas maiores causas são o desamparo e a incapacidade da pessoa atender às expectativas. À medida que falham, as pessoas se precipitam”.

O importante, para Soraya, é estar atento aos avisos. De acordo com o CVV, que trabalha com prevenção ao suicídio, oito entre cada dez pessoas que se matam fazem algum tipo de anúncio prévio. “Se não avisa diretamente, pode dizer nas entrelinhas, como em 'minha vida não vale nada’”.

Quando a família não consegue perceber os avisos, a morte parece ainda mais repentina. Até hoje, os parentes do marceneiro Lucas Campos, 30, não conseguiram se recuperar da perda de um sobrinho dele, há quatro anos. “Nunca notamos nenhum aviso. Não achamos carta, nada”. 

Rafael*, que nasceu em São Paulo, tinha vindo morar em Salvador aos 15 anos. Filho de pais separados, chegou à Bahia para viver com o pai e a madrasta – mas a convivência nunca foi boa. “Ele começou a ter problemas com drogas”, lembra Lucas. 
 
Quando completou 17 anos, a namorada de Rafael o encontrou já morto, depois que ele se enforcou na própria casa. Desde então, ninguém comenta o assunto na família. “Isso é uma coisa que afeta todos. Não é fácil, sabe?”, desabafa o tio. 

Mesmo com o abalo, para a psiquiatra Manuela Lima, é importante falar sobre o suicídio. “As pessoas acham que falar pode aguçar, mas é preciso se informar. Isso deve ser explorado por médicos, familiares, amigos, todos. Não é para ser uma coisa velada, porque o comportamento suicida só é previnido quando a gente sabe da existência dele", concluiu.

*Nomes fictícios

Por telefone, voluntários dão apoio emocional 24 horas por dia

Se, para muita gente, o mês de dezembro é sinônimo de alegria, com Natal e Reveillon, para quem está deprimido, pode ser ainda mais angustiante. Nessa época, o número de ligações recebidas pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em Salvador, aumenta 40%. 

Os números são 141 ou 3322- 4111 Na sede da entidade, que tem um programa de prevenção ao suicídio, 21 voluntários se revezam por 24 horas para atender que precisa de apoio emocional. 

Segundo a coordenadora de divulgação do CVV, Josiana Rocha, a entidade recebe, em média, 50 ligações por dia. Mas, no mês de dezembro, as chamadas diárias chegam a 70. “Nesse período, as pessoas que não entram no clima de confraternização se sentem solitárias”. 

Quem ligar pode falar do que quiser e ter certeza de que o sigilo estará garantido. “Quando a pessoa liga, a gente percebe que ainda há uma esperança, que ela pode sair do sofrimento. A prevenção do suicídio acontece quando você tenta compreender a pessoa”. 

Quando a demanda cresce, o CVV enfrenta dificuldades. “Temos duas linhas telefônicas, mas, com nosso quadro de voluntários, só uma está sendo utilizada. O ideal seria que as duas funcionassem”, explica Josiana. 

Para  as duas linhas estarem ativas, ela diz que seriam necessários 84 voluntários – cada um trabalhando cinco horas por semana. Atualmente, mais da metade dos voluntários faz duas jornadas. Para ser um voluntário, basta ter 18 anos ou mais. Depois de inscrito, o interessado vai participar de um treinamento de três meses. 

Apesar de os atendimentos por telefone serem o forte da entidade, quem quiser conversar com um voluntário da entidade pessoalmente pode se dirigir ao posto da ONG em Salvador, que fica na Rua Bângala, em Nazaré, diariamente, das 8h às 18h. Também é possível ter atendimento online, no site www.cvv.org.br, com voluntários de todo o Brasil.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/casos-de-suicidio-aumentam-entre-jovens-e-tambem-no-final-do-ano/?cHash=cc47c776668cfe5a51209fc35cc56312

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Na TV: prevenção do suicídio em programa, na Bahia


No programa Saúde & Vida, da Tarde TV, de Salvador-BA, Soraya Carneiro Carvalho-Rigo deu a entrevista que ser assistida aqui.

Soraya é psicóloga, psicanalista, especialista em Psicologia Hospitalar e participa do Núcleo
de Estudo e Prevenção do Suicídio (NEPS).

Segue link para o seu artigo Suicídio no Brasil: uma aposta na prevenção, apresentado no  IV Congresso Latinoamericano da ULAPSI, em 2012.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Pesquisadora baiana apresenta trabalho sobre prevenção do suicídio no Uruguai



Suicídio no Brasil - uma aposta na prevenção 


Trabalho apresentado no IV Congresso Latinoamericano de Psicologia ULAPSI 2012, nos dias 26, 27 e 28 de abril, em Montevideo por Soraya Carneiro Carvalho, que integra o Grupo de Trabalho "Psicologia e Suicídio na América Latina" (GT 13) da União Latino-americana de Entidades de Psicologia.

Psicóloga, Psicanalista, Especialista em Psicologia Hospitalar, Soraya é uma das criadora do NEPS – Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio, que nas palavras dela é
um ambulatório de saúde mental do estado da Bahia, que oferece acompanhamento à pacientes com depressão grave, que já tenham ou não tentado  o suicídio, através de ações com o paciente,  a família  e profissionais de saúde.
Este Núcleo tem desenvolvido um trabalho inovador a partir de práticas simples, ao oferecer
acompanhamento psicológico e psiquiátrico individual, e terapia ocupacional  individual e de grupo à pacientes com depressão grave  e risco de suicídio, além de visitas domiciliares e atividades sociais externas com grupos.
Para ler o artigo completo clique aqui.



domingo, 3 de junho de 2012

ALERTA: cyberbulling e suicídio juvenil em um caso concreto na Bahia


Adolescente morre após fim de namoro virtual com avatar

O que fazer quando são as palavras da pessoa que seu filho julga amar e que, a todo custo, quer proteger, que levam um adolescente de 15 anos a se matar? Essa é a pergunta que tentam responder os familiares do jovem C. M., que se suicidou no começo do mês passado, em Salvador, após iniciar namoro virtual por meio de um jogo. Os pais procuraram A TARDE para relatar o caso e alertar outras famílias sobre o risco. Este relato foi confirmado por uma fonte dentro da Justiça baiana. Informações como a identidade dos envolvidos foram preservadas para não prejudicar investigações policiais.

Familiares contaram que, desde a infância C. tinha dificuldade de expressar sentimentos. Chegou a fazer análise por duas vezes. “Era um menino muito tímido, mas depois da terapia melhorou”, lembra a mãe. Para a família, C. sempre foi introvertido, porém carinhoso, e apaixonado por música e tecnologia. “Lembro uma vez em que estava no computador e tudo travou. Ninguém conseguia dar jeito, mas em menos de cinco minutos, C. resolveu e, à época, ele era uma criança”, exclamou a avó. “Meu neto sempre gostou de computador, também aprendeu sozinho a tocar violão e a falar inglês”, acrescenta.

Talvez por isso, quando C., no final do ano passado, começou a se retrair ainda mais – não querer se alimentar nem ir à escola e a varar madrugadas em frente ao computador –, os pais pensaram que se tratava de apenas uma crise da adolescência. “Cheguei a falar em levá-lo ao psicólogo, mas ele disse que não queria”, lamentou o pai.

Ciúmes - Por trás da nova fase, estava o início de um namoro virtual com uma garota conhecida por meio da rede social IMVU – site que reúne salas de bate-papo com personagens em 3D e acúmulo de créditos a serem trocados por roupas, móveis, bebidas. Além disso, há interações que vão desde a troca de olhares até sexo virtual. Para usufruir da realidade alternativa, basta cadastrar e-mail, escolher idade, gênero e aparência. Foi o bastante para o jogo cair nas graças dos mais jovens: é comum encontrar nos ambientes virtuais – que simulam boates, praias, bares – avatares que dizem ter de 8 a 19 anos.

Um mundo atraente e fácil de dominar para C. M., conforme relata a mãe: “Descobrimos que ele era popular no jogo, tinha salas bem movimentadas e muitos créditos”. A situação ganhou contornos de problema quando, em novembro do ano passado, o jovem passou a namorar um avatar feminino que afirmava ter 14 anos. Após alguns meses de relacionamento, C. passou a ser acusado de traição por ter conversado com outras ‘garotas virtuais’.

Desde então, a menina começou uma série de ameaças de que o namoro estava terminado e de que ela iria se matar. Na manhã de 6 de maio, a família foi acordada pelo grito de um tio de C. ao ver o garoto enforcado na entrada do próprio quarto. “No dia da morte do meu filho, encontramos mensagens da garota dizendo que ele era um traidor, que iria queimar no inferno e que ela iria tirar a própria vida. Achamos que ele se matou por pensar que ela também havia feito o mesmo. A última mensagem dele dizia: 'vou provar meu amor por você'”, contou a mãe de C. Familiares ainda tentaram contato com o avatar. “Por mensagem, ela disse que ele tinha mesmo que 'queimar', por ser um traidor. Conseguimos ligar uma vez, mas a voz era distorcida. E ela não entrou mais no jogo”.

Para os pais, houve cyberbulling – perseguição e ataques sistemáticos por meio de novas tecnologias. O caso está sob investigação policial como possível incitação ao suicídio, crime que prevê pena de 2 a 6 anos de reclusão (dobrada se a vítima tiver menos de 18 anos).

http://atarde.uol.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5842384&t=Exclusivo:+Adolescente+morre+apos+fim+de+namoro+virtual+com+avatar

Mais sobre o caso (I):

Conversas e mensagens devem ser analisadas
Tássia Correia

Segundo o advogado Leandro Dissoli, especializado em direito digital, as conversas via internet e celular entre o adolescente C. M. e a namorada devem ser analisadas para descobrir se houve indução ao suicídio: “A pessoa tem que estimular ou ajudar a outra a se matar para configurar crime”, disse.

O especialista alerta ainda que pais devem estar atentos aos “cliques” dos filhos: “Os Termos de Acordo do IMVU , por exemplo, informam que menores de idade precisam de autorização dos pais para usá-lo. Isso é um indício importante”, acrescentou.

Centro de prevenção - Coordenadora do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), Soraya Carvalho, destacou que é preciso avaliar ainda a forma com que o adolescente se ligava a outras pessoas. “Quando uma relação se desfaz é natural que se sofra, mas existem os que passam a vida inteira buscando alguém que lhes diga quem eles são. Então, o fim do namoro, por exemplo, representa para alguns perda de identidade", explicou.

Contato do Neps: 0800 284 4343

http://atarde.uol.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5842390&t=Exclusivo:+Conversas+e+mensagens+devem+ser+analisadas

Mais sobre o caso (II):

Ambiente criado por site pode incitar confusão mental
Tássia Correia

Avatares acumulam, gastam créditos e interagem

O ambiente criado pelo jogo IMVU também estaria ligado ao suicídio de C. , segundo afirma o pai. “Com o tempo, ele se transfigurou em seu avatar. Pintou e alisou o cabelo, passou a usar alargador na orelha e roupas semelhantes às do personagem. Acho que, para ele, aquele dia representou a morte do avatar, porque meu filho não estava ali há muito tempo". O comunicólogo Felippe Thomaz, integrante do Grupo de Pesquisa em Interação, Tecnologias Digitais e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, explica que essa transposição é mais comum em jogadores com problemas de autoestima e falta de aceitação. “No mundo virtual, essa pessoa consegue se mostrar de forma distinta do real. É mais fácil controlar aparência e gerenciar a própria impressão perante os outros. Ali, ele não é reconhecido por características físicas, mas pela habilidade em ajudar os outros e realizar tarefas”, complementou.
Apesar disso, Thomaz destaca que o ambiente criado pelos jogos pode influenciar essa relação: “A maioria dos games que simulam realidade virtual possui classificação acima dos 16 anos, pois entende-se que, abaixo dessa faixa, a pessoa ainda não tem capacidade para diferenciar os mundos e se portar naquele ambiente”.

Proteja seu filho

Atenção - Desinteresse absoluto, distúrbios de sono e alimentares, variações de humor, interesse por sites sobre suicídio e frases como “Não aguento mais essa vida” são sinais de que um adolescente pode estar pensando em se matar

Diálogo  - A ideia de que seu filho pode estar cogitando um suicídio assusta, mas evite frases como “esqueça isso, que absurdo, eu jamais faria algo assim”. Experimente falar sobre como essa fase também foi difícil para você e como sofreu com fins de relacionamentos. Compartilhe suas falhas

Ajuda  - Mesmo que o jovem não demonstre interesse, fale sobre atendimento psicológico e procure um psicoterapeuta. Faça isso rápido, não espere o momento crítico da depressão

Fonte Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio/Sesab

http://atarde.uol.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5842388&t=Exclusivo:+Ambiente+criado+por+site+pode+incitar+confusao+mental

domingo, 11 de setembro de 2011

Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio: exemplo de ação na prevenção do suicídio na capital baiana


Na Bahia, desde 2007 foi criado no Centro de Informações Antiveneno (Ciave), da Secretaria da Saúde do Estado, o Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (NEPS), que mantém o acompanhamento aos pacientes que tentaram suicídio, mas também oferece tratamento àqueles que não tentaram, mas que correm risco de fazê-lo. Desde sua criação, o NEPS já realizou 11.460 atendimentos, uma média de 2.865 consultas por ano.
Segundo a psicóloga Soraya Carvalho, idealizadora e coordenadora do NEPS, as tentativas de suicídio representam 30% dos casos atendidos no Ciave, razão pela qual, em 1991, foi inaugurado o Serviço de Psicologia, com o objetivo de prestar acompanhamento psicológico a pacientes que tentaram o suicídio, durante a internação hospitalar, desde a emergência até depois da alta, através do tratamento ambulatorial, pelo tempo necessário.
"Ao longo dos anos pôde-se verificar uma taxa de reincidência de tentativa de suicídio muito baixa (menor que 2%) entre os pacientes que se submeteram ao tratamento, mostrando a necessidade e a importância da ampliação do serviço, visando oferecer à comunidade um ambulatório para atender, preventivamente, pacientes com depressão grave e risco de suicídio, daí a implantação do NEPS", explica a psicóloga.
A OMS considera o suicídio um grave problema de saúde pública, correspondendo a mais da metade das mortes violentas no planeta. Estudos desenvolvidos pela OMS revelaram que os gastos com o suicídio representaram, em 2011, aproximadamente 1.8% do que foi gasto com as doenças no mundo. Para 2020, a projeção é para um crescimento significativo, atingindo 2.4% dos gastos.
Ainda de acordo com dados da OMS, em 2004 foram contabilizados mais de um milhão de suicídios no mundo, o que representa uma média de um suicídio a cada 35 segundos. Para cada suicídio consumado, estima-se de 15 a 25 tentativas.
No Brasil, embora a taxa média de suicídio - 6,6 suicídios por 100 mil/hab - seja considerada pouco expressiva em relação a outros países, deve-se atentar que devido ao seu vasto território, essas taxas podem apresentar uma acentuada oscilação, como pode ser verificado nos índices entre as capitais brasileiras que variam de 1,9 a 15 suicídios por 100 mil/hab, em Salvador e Boa Vista respectivamente. "Em números absolutos, o Brasil está entre os 10 países com o mais elevado número de suicídios no mundo, registrando 24 suicídios por dia, ou seja, uma média de um suicídio a cada hora", conta a coordenadora do NEPS.
O NEPS, além do acompanhamento psicológico, disponibiliza atendimento psiquiátrico ambulatorial, terapia ocupacional e reuniões informativas para familiares dos pacientes. No próximo dia 30 de setembro, o serviço promoverá o Fórum Baiano sobre Suicídio, marcando o transcurso da data com a realização do Fórum Baiano sobre Suicídio, no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.


Fonte: http://www.redehumanizasus.net/12121-dia-mundial-de-prevencao-do-suicidio