quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Prevenção ao suicídio: urgência mundial

Cilene Queiroz (Campo Grande-MS)
Escritora, bióloga e mestre em 
Sistema de Produção em Agronomia

Li e reli várias vezes as reportagens, porque fiquei chocada. Não era matéria corriqueira na mídia atual, não se tratava de roubo na Petrobras e Eletrobras, mas era algo ainda pior. Era algo sobre o suicídio. O mais surpreendente é que o suicídio é prevenível em 90% dos casos.

O relatório da OMS é um apelo à ação para resolver um grave problema de saúde pública. Possivelmente, as pessoas devem se questionar o motivo de a OMS se vincular a um problema dessa altura. A humanidade, infelizmente, ainda fraqueja diante desse problema. Portanto, de antemão, percebendo isto, a OMS lança um relatório sobre a prevenção do suicídio.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a International Association for Suicide Prevention (Iaps) instituíram a data “10 de setembro 2014” como o Dia Mundial para Prevenção do Suicídio. A OMS divulgou dados do primeiro “
Relatório Global para Prevenção do Suicídio”. Foi um dia muito importante para a OMS, que vem tentando sensibilizar jornalistas e comunicadores com o tema. No primeiro relatório publicado pela OMS sobre o assunto, os dados são impressionantes e alarmantes.

Por isso, devemos todos nós, com força e garra, aderir a esta campanha. Não basta apenas rotular, como sendo mais um a fazer parte da campanha. Mas procurar informar-se, interessar-se por ter mais conhecimento. É algo às vezes difícil de compreender.

A cada dia se tem mais notícias, de jovens que consciente ou inconscientemente colocam em risco suas próprias vidas. O comportamento suicida indireto implica atividades perigosas, sem que exista uma intenção consciente de morrer. Os exemplos de suicídio indireto incluem o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o uso de qualquer tipo de droga, como o consumo de cigarros.

Infelizmente no relatório da OMS não há nada sobre suicídio indireto dos jovens. É plausível olhar em derredor e ver o que está acontecendo nas grandes metrópoles, como também nas pequenas cidades. A droga faz parte desta luta sim, embora, mostre-se de forma velada.

Ainda no relatório da OMS, revela-se que mais de 800 mil pessoas dão fim à própria vida todos os anos no mundo, tornando o suicídio um grande problema de saúde pública. E de acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 75% dos casos ocorrem em países de baixa e média renda.

O relatório aponta que o envenenamento, o enforcamento e o uso de armas de fogo são os métodos mais comuns de suicídio global. Atualmente, apenas 28 países são conhecidos por ter estratégias nacionais de prevenção do suicídio. É muito pouco se tratando com vida. Os países mais desenvolvidos fazem a sua prevenção, embora ainda timidamente; enquanto os menos desenvolvidos, praticamente nada tem feito.

O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e o tabu em torno deste tipo de morte impede que famílias e governos abordem a questão abertamente e de forma eficaz. Acredita-se que após o lançamento deste relatório da OMS haja um acompanhamento melhor ao cidadão com tendência ao suicídio.

Os suicídios no Brasil vêm aumentando de forma progressiva. Embora as taxas de suicídio sejam consideradas baixas, entre 5.4 e 5.9 a cada 100.000 habitantes. Ocupa o 113º lugar no mundo e oitavo na América Latina em taxas de suicídio. Dentro do País as taxas são distribuídas desigualmente. São mais baixas no Norte e muito mais altas na região Sul, onde em várias cidades elas se assemelham às da Europa Central.

E para finalizar, uma citação de Eça de Queiroz:

Houve um filósofo que deixou aos infelizes esta máxima: Se a tua dor te aflige, faz dela um poema.

Fonte: www.correiodoestado.com.br/opiniao/cilene-queiroz-prevencao-ao-suicidio-urgencia-mundial/234711/

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio Anônimo - GASSA

Encontros mensais são destinados a quem já tentou suicídio e a familiares de suicidas

Estudos apontam que a cada suicídio, cinco ou seis pessoas sofrem consequências emocionais ou sociais que podem causar sequelas pelo resto de suas vidas. Normalmente são familiares do suicida ou amigos muito próximos que podem sentir culpa, vergonha, tristeza ou outras emoções bastante marcantes e difíceis de se trabalhar. Devido ao tabu e preconceitos que ainda cercam o assunto, muitas dessas pessoas são discriminadas e perseguidas por amigos, vizinhos e colegas de trabalho ou escola, o que agrava seus traumas, inseguranças e sensação de solidão.

Com base nessa estatística o Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio Anônimo – GASSA, iniciativa do CVV, afirma que se cerca de 32 brasileiros cometem o suicídio diariamente segundo dados do Ministério da Saúde, então, surgem por dia pelo menos 160 pessoas direta e fortemente impactadas por essas perdas.

Além deles, as próprias pessoas que tentaram o suicídio precisam de muito suporte. Não há dados muito específicos, mas estima-se que de cada vítima de suicídio, outras duas tentaram se matar, ou seja, são mais de 60 novos brasileiros nessa situação diariamente e são eles que formam o maior grupo de risco para o suicídio. Se, por um lado são pessoas com alto risco, ao mesmo tempo é um grupo bem definido e fácil de identificar.

Ao mesmo tempo, pessoas com histórico de suicídio na família também apresentam maior propensão a se matar. Conseguimos atender a esses dois importantes grupos simultaneamente: quem já tentou suicídio e os familiares.

O Grupo de Apoio tem por objetivo facilitar a troca de experiências e apoio emocional, permitindo a conversa aberta e anônima de pessoas que vivenciaram situações semelhantes. Esse modelo permite um ganho de qualidade de vida dos participantes
e busca do equilíbrio emocional e mental, mas não elimina a necessidade do acompanhamento de profissionais da saúde.

O CVV possui experiência na prevenção do suicídio e apoio emocional há 52 anos e oferece essa nova opção de atendimento gratuito com base no conhecimento acumulado e em técnicas específicas para grupos de apoio a sobreviventes de suicídio.

Serviço
Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio Anônimo – GASSA

Reuniões mensais: toda primeira quarta-feira do mês

Horário: das 19h30 às 21h30

Local: Rua Abolição, 411 – Bela Vista – São Paulo (próximo à Praça Pérola Byington)

Quem pode participar: pessoas que tentaram suicídio, e familiares e amigos de suicidas

Informações: 11 9 8318-9663 / gassaabolicao@gmail.com

Os encontros são confidenciais, sigilosos e gratuitos

Fonte: www.segs.com.br/saude/21834-cvv-cria-grupo-de-apoio-aos-sobreviventes-do-suicidio.html

sábado, 25 de outubro de 2014

O suicídio nas Américas, segundo pesquisa da OPAS

Organização Pan-Americana da Saúde revela que 7 pessoas se suicidam por hora nas Américas

23 de outubro de 2014

Um relatório divulgado pelas Nações Unidas mostra que a região das Américas registra uma média de sete suicídios por hora.

O estudo, da Organização Pan-Americana da Saúde, foi divulgado na quarta-feira, na Cidade do México.

Comportamento

Segundo o relatório “Mortalidade por suicídio nas Américas”, existe um forte elo entre problemas de saúde mental e o suicídio. De acordo com a pesquisa, distúrbios mentais são um fator em quase 90% de todos os suicídios.

O levantamento recomenda aos países que avaliem os sistemas de saúde para identificar programas, serviços e recursos que possam prevenir e tratar problemas associados a um comportamento suicida

Foram analisados dados de 48 países e territórios no Hemisfério Ocidental.

Caribe que não fala espanhol

A região das Américas, no entanto, registra uma das taxas mais baixas se comparadas à media global. São 7,3 suicídios por 100 mil habitantes, quase quatro a menos que a estatística mundial.

A América do Norte, a zona do Caribe que não fala espanhol, concentra o maior número de casos de pessoas que tiram a própria vida. O número de homens que se matam é mais alto que o de mulheres, e entre as faixas etárias, indivíduos maiores de 70 anos são os mais propensos a cometer suicídio.

Mas o problema é também a terceira maior causa de morte entre jovens de 10 a 24 anos. Os países com as taxas mais altas são Guiana, Suriname, Uruguai e Chile. Seguidos por Trinidad e Tobago, Estados Unidos, Cuba e Canadá.

Problemas têm solução

A diretora da Paho, Carissa Etienne, disse que os distúrbios mentais como depressão e excesso de álcool, devem ser diagnosticados e tratados o mais cedo possível.
 
Segundo ela, é preciso ainda ser mais vigilante com quem já tentou se matar. Etienne afirmou que a prevenção do suicídio não é apenas responsabilidade dos profissionais de saúde, mas de todos: comunidades, famílias, igrejas e grupos sociais.

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde lembrou que geralmente quem atenta contra a própria vida tem sentimentos de perda, abandono ou culpa. Mas que quase sempre os problemas têm solução.

Com informações da Rádio ONU de Nova York

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Prevenção do suicídio nas escolas... lá em Portugal

Uma onda de suicídio atinge algumas cidades brasileiras. Porto Velho é uma delas. No entanto, os responsáveis pela saúde pública estão longe de entender a gravidade da situação.

Ofereci-me para fazer palestra numa das maiores escolas públicas (gratuitamente, como é de praxe), mas não fui convidado.

Que não sejam necessárias mais tantas mortes para que despertemos para a necessidade de irmos às escolas prevenir o suicídio.

Prevenção do suicídio nas escolas volta a estar em debate na Escola de Enfermagem [em Coimbra, Portugal]

Encontro do projeto “+ Contigo”, promovido pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e pela Administração Regional de Saúde do Centro, traz a Coimbra especialistas em Psiquiatria e em Saúde Infantil, além de educadores, psicólogos e enfermeiros. Estudantes do 3º ciclo do Ensino Básico vão apresentar música rap inspirada no projeto

O alargamento, ao território nacional, do projeto de prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar “+ Contigo”, que a partir da região centro do país já se estendeu à Lourinhã, Algarve e Açores (Ilha do Pico), é um dos temas em destaque num encontro que se realiza, amanhã (dia 1 de outubro), na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC).

O III Encontro “+ Contigo” (programa em anexo), para partilha de resultados do projeto no ano letivo de 2013-2014, tem início às 9h30, na Sala de Reuniões da ESEnfC – Polo B, em S. Martinho do Bispo. A abrir a iniciativa, os psiquiatras Daniel Sampaio (Centro Hospitalar Lisboa Norte) e Diogo Guerreiro (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa) vão falar-nos, justamente, sobre prevenção do suicídio nas escolas.

Pelas 12h30, decorrerá a sessão de boas-vindas, com a presença da vice-presidente da ESEnfC, Aida Cruz Mendes, do presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, José Manuel Tereso, do diretor do Programa Nacional de Saúde Mental e coordenador do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, Álvaro de Carvalho, e do coordenador do “+ Contigo”, o professor da ESEnfC, José Carlos Santos.

Finda a sessão de boas-vindas, será apresentada uma música rap alusiva ao “+ Contigo”, criação de um grupo de estudantes do 3º ciclo do Ensino Básico que integra o projeto.

Da responsabilidade da ESEnfC e da ARS do Centro, o “+ Contigo” trabalha aspetos como o estigma em saúde mental, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas, devidamente enquadrados na fase da adolescência. A população-alvo deste programa é constituída por alunos do 3º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário.

O “+ Contigo” mereceu o apoio da Direção-Geral da Saúde, que o inseriu no conjunto de medidas do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio.

http://www.noticiasdecoimbra.pt/prevencao-do-suicidio-nas-escolas-volta-a-estar-em-debate-na-escola-de-enfermagem/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Posto Abolição do CVV promove treinamento para voluntários

O Centro de Valorização da Vida - CVV, realiza gratuitamente há 53 anos o  Serviço de Apoio Emocional e Valorização da Vida (consequentemente prevenindo o suicídio) utilizando o telefone e recentemente outros meios  como ferramenta.

O posto CVV Abolição realizará nos dias 27/09 e 28/09/2014 um novo curso para seleção e capacitação de novos voluntários e solicitamos a sua colaboração em divulgar o evento.

Evento

. De 13:30 às 18:30h
. Será apresentado a filosofia da entidade e a forma de conduta a ser seguida pelo voluntário.

É necessário comparecer aos dois dias do evento.

Local do evento

A Seleção e capacitação sera feita na Rua Abolição, 411 - Centro - São Paulo - Próximo as estações do Metrôs Anhangabaú ou Sé ou terminal de Ônibus Bandeira.

Inscrições e informações 

Poderão ser feitas pelo telefones (11) 3242-4111 ou 9.8143-3611, de 15 às 23h todos os dias ou por e-mail: abolicao@cvv.org.br. Os candidatos poderão ainda fazer a inscrição 15 minutos antes do curso.

Mais informações

Os postos CVV desenvolvem trabalhos de apoio emocional por meio de contatos telefônicos, atendimento pessoal, via correio, e-mail e mais recentemente via chat, no próprio site da entidade (www.cvv.org.br).

http://www.cvv.org.br.
http://www.youtube.com/watch?v=cRMG7jSARSU
https://www.facebook.com/postocvv.abolicao

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ALERTA!!

Ainda os ecos do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, no dia 10 de setembro!

Amazonas registra o maior crescimento  de suicídio de jovens do País 

Dados do Mapa da Violência foram lembrados no Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, na quarta

domingo 14 de setembro de 2014
Márcia Valéria / portal@d24am.com

Manaus - Segundo dados do Mapa da Violência do Ministério da Saúde (MS), o Amazonas tem a maior taxa de crescimento de suicídio juvenil do País: 134,9% entre os anos de 2002 e 2012. O mais preocupante, de acordo com o MS, é que estima-se 300 tentativas para cada caso registrado, além da sub-notificação. O levantamento, divulgado em julho, voltou ao debate na última quarta-feira, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.

A dona de casa Maria* entrou em desespero quando a filha Katia*, de 20 anos, disse que tinha chegado a medir a altura entre o telhado da varanda e o chão para ver se conseguia pendurar uma corda e pular. “Ela não falou diretamente a palavra suicídio, mas como já vinha apresentando sinais de depressão, decidi procurar ajuda antes que minha filha tirasse a própria vida. Hoje, fora do quadro depressivo, ela me contou que só não se matou naquela época porque pensou em mim”, contou.

Já a cabeleireira Eliane* chegou a tempo de segurar as pernas do filho André*, de 18 anos, que estava em cima de um banco e preso a uma corda amarrada na sacada da janela do quarto. “Deus me deu forças e eu o segurei a tempo e impedi que ele pulasse. Como sequela, ele ficou com uma cicatriz no pescoço”, disse.

Outras mães não tiveram a mesma sorte que Maria e Eliane e seus filhos. No período de dez anos, aponta o Mapa da Violência, 100,6 a cada 100 mil crianças, adolescentes e jovens com menos de 25 anos cometeram suicídio no Estado. Foram 781 mortes, destas 402 em Manaus, 65,5 para cada 100 mil habitantes juvenil da capital.

A psicóloga Auxiliadora Ribeiro, da clínica Pais e Filhos, afirma que vários motivos levam um jovem escolher por fim a sua vida e, na maioria dos casos, estão ligados à depressão. Ela alerta que os familiares devem estar atentos aos sinais.

“A qualidade de vida que tem, o tipo de família que ele pertence, o papel que ele desempenha perante os familiares, as frustrações, as perdas, as decepções, o uso excessivo de álcool e drogas e o nível de tolerância que ele encara sua vida pode levá-lo ao suicídio”. disse.

Para ela, a  grande demanda dos dias atuais requer investimento e participação dos jovens nas mais diversas esferas e contextos familiares. “Sendo assim o jovem se vê pressionado a responder cada vez mais. Alguns percebem-se incapazes e veem no suicídio uma solução”.

Ela orienta que a atenção dos pais, a acolhida nos momentos difíceis e o limite são ingredientes que permitem que, em situações que geram ameaça ao jovem, ele possa apresentar defesas adequadas e assim bloquear  as situações que geram angustia e ansiedade.

Ranking
O Mapa da Violência também aponta dois municípios amazonenses, de até 20 mil habitantes, entre as três maiores taxas de suicídio de jovens do País.  Em primeiro lugar no ranking,  está São Gabriel da Cachoeira (51,2) e, em terceiro, São Paulo Olivença (36,7). Em segundo, aparece Três Passos, no Rio Grande do Sul (41,9).

Tefé, com taxa de 16,7, também aparece no Mapa da Violência na 29ª posição e Tabatinga, com 14,7, na 90ª posição, entre as 100 cidades de até 20 mil habitantes com as maiores taxas de suicídio juvenil.

De acordo com o Mapa da violência, entre o número de casos  de suicídio na população geral, o crescimento foi de 131,3% entre 2002 e 2012, no Estado. Em Manaus, no mesmo período, o crescimento foi de 89,6%. Foram  1.407 mortes em dez anos, que representa a taxa de 90,7 para cada 100 mil habitantes. Em Manaus, foram 784 mortes, 51,6 para cada 100 mil.

O MS alerta que  os suicídios vêm aumentando de forma progressiva e constante, no Amazonas. Foram 80 em 2002, 147 em 2008 e 185 em 2012. Entre os jovens foram 43, 93 e 101, no mesmo período.

*Os nomes são fictícios para manter a privacidade das famílias.

Fonte: http://new.d24am.com/noticias/amazonas/amazonas-registra-maior-crescimento-suicidio-jovens-pais/119887