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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Ação de prevenção do suicídio em escola de Manaus-AM: alunos unidos em favor da vida!

Estudantes espalham mensagens de esperança em escola para prevenir suicídio

Pedro Sousa (7 agosto 2019)

A tragédia da perda de um colega uniu estudantes da Escola Estadual Sant’Ana, em Manaus, em atividades que levam esperança e incentivo

O mês de julho de 2019 mudou o modo de pensar dos alunos da Escola Estadual Sant’Ana, localizada na avenida André Araújo, bairro Petrópolis. No dia 16, os jovens estudantes receberam a triste notícia de que um de seus colegas havia tirado a própria vida. Em meio à tristeza, uma luz de esperança se espalhou pela escola e hoje, 22 dias após a tragédia, mensagens de incentivo feitas pelos próprios estudantes decoram as paredes das salas de aulas e banheiros do local.

“Receber a notícia de que um dos nossos alunos havia tirado a própria vida foi sem dúvidas um ‘baque’ muito forte em todos nós da escola. Apesar da perda de um dos nossos alunos queridos, resolvemos buscar o melhor em tudo isso para podermos continuar e seguir em frente”, disse o professor de Inglês, Caio Jobim.

O professor Caio gere o Clube do Livro da escola Sant’Ana, que integra ao menos 40 alunos em atividades que incentivam o hábito da leitura entre estudantes do Ensino Médio. Adiada devido ao luto pelo estudante, que frequentava o clube, a primeira atividade do grupo teve um significado diferenciado.

“De certa forma isso uniu os estudantes. No primeiro dia de aula do clube, nos inspiramos em uma ação de estudantes do Distrito Federal, e cada um dos alunos do clube escreveu bons pensamentos e palavras de esperança e incentivo que ficaram expostas na parede da sala do clube”, comentou o professor.

Mensagens de incentivo decoram as paredes do Clube do Livro, na Escola Estadual San'Ana. Foto: Junio Matos

Esperança que contagia

A participação na atividade foi tanta que logo algo que era de dentro do Clube do Livro, já havia se expandido para outros cantos da escola. Os banheiros masculinos e femininos também foram inundados de mensagens em papéis escritos a lápis, caneta, grafismo, colagem ou desenhos, que disseminaram esperança aos que liam.

“Nós havíamos utilizado a página da escola para emitir uma declaração de luto. Após aquele momento de surpresa geral, poder ver a união dos alunos em prol de uma boa mensagem foi algo sem igual. Enquanto os alunos do projeto do Clube do Livro realizavam a atividade em sala de aula, diversas alunas e alunos do turno matutino decoravam os banheiros com as mensagens de incentivo”, explicou o gestor da escola Sant’Ana, Júlio Viana.


Atividade do Clube do Livro também foi parar em outras partes do colégio. Foto: Junio Mato

Surpresa e superação

Para a estudante Adriele Nunes, de 17 anos, a ação após a perda do colega muda a realidade de quem lê e, também, de quem escreve as mensagens. “Fazer a atividade das mensagens de incentivo significou bastante para nós, já que existem inúmeras pessoas que possuem baixa autoestima e não confiam no seu corpo, nem na sua imagem. Pessoas com problemas, assim, podem chegar na escola e se deparar com esses bilhetes de esperança que, apesar de simples, podem fazer a diferença para eles e para nós mesmos”, destacou a aluna do 3º ano do Ensino Médio.

Já para Fabiana Peres, também de 17 anos e aluna do 3º ano do Ensino Médio na escola, é preciso ter uma grande atenção com possíveis problemas que jovens na idade dela possam estar passando.

“Acho que tudo isso que aconteceu na escola deixou a gente mais alerta com o outro. Somos todos jovens na escola e é uma época em que coisas confusas acontecem e que não conseguimos entender imediatamente. Os bilhetes e as mensagens, apesar de simples, nos ajudam a olhar para o outro, acho que deixa as pessoas mais tranquilas e confiantes, faz com que percebam que não estão sozinhos”, disse Fabiana.

Problema grave

Segundo dados da Organização Panamericana de Saúde (Opas), a cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número maior ainda de indivíduos tenta suicídio. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece o suicídio como uma prioridade de saúde pública.

Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás. O suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo, no ano de 2016

Seduc inaugura Núcleo de Atenção Psicossocial Escolar

Para intensificar ações de prevenção, intervenção e promoção da saúde mental na comunidade escolar, a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc-AM) inaugurou, no dia 8 de julho, a Coordenação de Atenção Psicossocial do Escolar (Capse).

Segundo a Seduc, a Coordenação era uma necessidade antiga para um melhor desenvolvimento humano, rendimento e sucesso escolar. Questões familiares, depressivas, uso de drogas e outros tipos de violência serão abordadas pelo grupo.

A atuação do núcleo será por meio de palestras, rodas de conversa, representações teatrais e outras ações educativas compõem a estratégia contínua da equipe da Capse para trabalhar a prevenção à violência nas escolas. A nova coordenação será responsável, ainda, por alinhar ações entre os psicólogos e assistentes sociais das coordenadorias.

Os alunos, pais ou responsáveis que quiserem realizar pedidos de ajuda, denúncias e sugestões ao Capse podem enviar um e-mail para o endereço eletrônico psicossocial@seduc.net. Segundo a Secretaria, a caixa de entrada dos e-mails são revisadas diversas vezes ao dia para garantir que nenhum passe despercebido.

Disque 188

O Ministério da Saúde disponibiliza em todo o Brasil o acesso gratuito ao serviço de ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio e dá atenção a pessoas que sofrem de ansiedade e depressão.

Para conseguir falar com algum voluntário treinado para esses tipos de situações, basta discar o número 188 pelo telefone. A assistência também é prestada pessoalmente, por e-mail ou chat.

Fonte: www.acritica.com/channels/manaus/news/estudantes-do-am-decoram-escola-com-mensagens-de-incentivo-e-esperanca

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Amazonas promoverá ações de prevenção do suicídio nos municípios de fronteira

Comitê prepara oficinas de prevenção ao suicídio em municípios do AM

As oficinas devem acontecer no mês de agosto nos municípios de Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga. Os municípios foram escolhidos por liderarem as ocorrências

Portal A Crítica (7 julho 2019) com informações de assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Amazonas

O Comitê Gestor de Prevenção ao Suicídio realizará, no mês de agosto, oficinas do projeto para promoção da saúde, vigilância, prevenção e atenção integral relacionada ao suicídio nos municípios de Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga. É mais uma etapa do projeto que no Amazonas tem a frente profissionais da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), das secretarias municipais, da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas), Núcleo de Apoio à Vida Manaus (Navima) e Universidade Paulista (Unip).

O Comitê Gestor de Prevenção ao Suicídio foi criado em maio deste ano para planejar as ações do projeto a partir do grupo de trabalho relacionado ao tema e iniciou as atividades em janeiro. A última reunião ocorreu na última sexta-feira (05), na sede da Susam.

Os municípios foram escolhidos por liderarem as ocorrências. Em Manaus, no ano de 2017, foram registrados 87 casos, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). De  2015 a 2017 foram 310 casos registrados no Estado. “O projeto é para qualificar os profissionais e preparar a sociedade para esse fenômeno que é multifatorial e que tem se tornado cada vez mais presente", afirma o secretário Estadual de Saúde, Rodrigo Tobias.

Conforme a coordenadora do Comitê Gestor de Prevenção ao Suicídio, Luciana Diederich, as oficinas terão duração de dois dias em cada município e as inscrições destinadas a profissionais dos setores de saúde, assistência, justiça, segurança, educação, movimentos sociais indígenas e não indígenas. “Quanto mais segmentos da sociedade pudermos atingir, será melhor ainda. Não ficar só no âmbito da Saúde, estabelecer o que a gente chama de intersetorialidade. Vamos envolver o máximo de profissionais que também lidam com esse tema e fazem esses atendimentos para orientar sobre as diretrizes do programa”, disse Luciana Diederich.

As oficinas vão abordar conhecimentos tradicionais, os cuidados com álcool e drogas, a cultura de paz, humanização nos serviços, além de realizar treinamentos para a notificação compulsória de automutilação e tentativa de suicídio, instituída pela lei nº 13.819/2019.

Como desdobramento do combate ao suicídio, serão criados comitês nos 62 municípios para que desenvolvam ações e estratégias de prevenção permanente e intersetorial. “Embora seja um projeto que tenha início, meio e fim, as ações têm que ser de caráter permanente”, destacou a coordenadora.

Indígenas

Conforme dados do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade entre índios é quase três vezes maior que o registrado entre brancos e negros, o que corresponde a 15 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Para a coordenadora do projeto e psicóloga, Melina Lima, as ações para a prevenção do suicídio devem ter “um olhar específico para a população indígena”.  “Em São Gabriel da Cachoeira, por exemplo, 70% da população é considerada indígena. É um desafio, porque é um contexto, um universo em parte desconhecido por nós. Por isso a necessidade de uma escuta diferenciada da questão da interculturalidade que a gente fala, de você tentar enxergar a cultura do outro, o olhar sob a perspectiva do outro”, explicou.

A psicóloga ressalta a participação e contribuição dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) para atingir e sensibilizar a população indígena e os profissionais que lidam diretamente com os povos.

Fonte: www.acritica.com/channels/cotidiano/news/comite-prepara-oficinas-de-prevencao-ao-suicidio-em-municipios-do-am

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ALERTA!!

Ainda os ecos do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, no dia 10 de setembro!

Amazonas registra o maior crescimento  de suicídio de jovens do País 

Dados do Mapa da Violência foram lembrados no Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, na quarta

domingo 14 de setembro de 2014
Márcia Valéria / portal@d24am.com

Manaus - Segundo dados do Mapa da Violência do Ministério da Saúde (MS), o Amazonas tem a maior taxa de crescimento de suicídio juvenil do País: 134,9% entre os anos de 2002 e 2012. O mais preocupante, de acordo com o MS, é que estima-se 300 tentativas para cada caso registrado, além da sub-notificação. O levantamento, divulgado em julho, voltou ao debate na última quarta-feira, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.

A dona de casa Maria* entrou em desespero quando a filha Katia*, de 20 anos, disse que tinha chegado a medir a altura entre o telhado da varanda e o chão para ver se conseguia pendurar uma corda e pular. “Ela não falou diretamente a palavra suicídio, mas como já vinha apresentando sinais de depressão, decidi procurar ajuda antes que minha filha tirasse a própria vida. Hoje, fora do quadro depressivo, ela me contou que só não se matou naquela época porque pensou em mim”, contou.

Já a cabeleireira Eliane* chegou a tempo de segurar as pernas do filho André*, de 18 anos, que estava em cima de um banco e preso a uma corda amarrada na sacada da janela do quarto. “Deus me deu forças e eu o segurei a tempo e impedi que ele pulasse. Como sequela, ele ficou com uma cicatriz no pescoço”, disse.

Outras mães não tiveram a mesma sorte que Maria e Eliane e seus filhos. No período de dez anos, aponta o Mapa da Violência, 100,6 a cada 100 mil crianças, adolescentes e jovens com menos de 25 anos cometeram suicídio no Estado. Foram 781 mortes, destas 402 em Manaus, 65,5 para cada 100 mil habitantes juvenil da capital.

A psicóloga Auxiliadora Ribeiro, da clínica Pais e Filhos, afirma que vários motivos levam um jovem escolher por fim a sua vida e, na maioria dos casos, estão ligados à depressão. Ela alerta que os familiares devem estar atentos aos sinais.

“A qualidade de vida que tem, o tipo de família que ele pertence, o papel que ele desempenha perante os familiares, as frustrações, as perdas, as decepções, o uso excessivo de álcool e drogas e o nível de tolerância que ele encara sua vida pode levá-lo ao suicídio”. disse.

Para ela, a  grande demanda dos dias atuais requer investimento e participação dos jovens nas mais diversas esferas e contextos familiares. “Sendo assim o jovem se vê pressionado a responder cada vez mais. Alguns percebem-se incapazes e veem no suicídio uma solução”.

Ela orienta que a atenção dos pais, a acolhida nos momentos difíceis e o limite são ingredientes que permitem que, em situações que geram ameaça ao jovem, ele possa apresentar defesas adequadas e assim bloquear  as situações que geram angustia e ansiedade.

Ranking
O Mapa da Violência também aponta dois municípios amazonenses, de até 20 mil habitantes, entre as três maiores taxas de suicídio de jovens do País.  Em primeiro lugar no ranking,  está São Gabriel da Cachoeira (51,2) e, em terceiro, São Paulo Olivença (36,7). Em segundo, aparece Três Passos, no Rio Grande do Sul (41,9).

Tefé, com taxa de 16,7, também aparece no Mapa da Violência na 29ª posição e Tabatinga, com 14,7, na 90ª posição, entre as 100 cidades de até 20 mil habitantes com as maiores taxas de suicídio juvenil.

De acordo com o Mapa da violência, entre o número de casos  de suicídio na população geral, o crescimento foi de 131,3% entre 2002 e 2012, no Estado. Em Manaus, no mesmo período, o crescimento foi de 89,6%. Foram  1.407 mortes em dez anos, que representa a taxa de 90,7 para cada 100 mil habitantes. Em Manaus, foram 784 mortes, 51,6 para cada 100 mil.

O MS alerta que  os suicídios vêm aumentando de forma progressiva e constante, no Amazonas. Foram 80 em 2002, 147 em 2008 e 185 em 2012. Entre os jovens foram 43, 93 e 101, no mesmo período.

*Os nomes são fictícios para manter a privacidade das famílias.

Fonte: http://new.d24am.com/noticias/amazonas/amazonas-registra-maior-crescimento-suicidio-jovens-pais/119887