Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de março de 2019

Imprensa e notícia sobre suicídio: uma discussão sempre

A imprensa da Paraíba deve ou não noticiar casos de suicídio?
Eliabe Castor - PB Agora - (11 mar 2019)

A observação vem da jornalista e pesquisadora da temática, Cláudia Carvalho, que está concluindo a tese de mestrado na pós-graduação em Jornalismo Profissional da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), cujo título é: "O delicado lugar do suicídio no noticiário impresso paraibano". Categórica, ela afirma que a Academia não prepara o jornalista para lidar com o tema. Não se discute abertamente em sala de aula como a notícia deve ser tratada, havendo um tabu sobre a temática que extrapola a sala de aula e chega às redações.

Tão permanente quanto a morte, é a lacuna que ela deixa. Essa sensação é potencializada, especialmente, quando a partida não é esperada. Talvez o vazio mais acentuado resida quando se perde alguém por ter praticado o suicídio. É nesse delicado assunto, que se pode gravitar em questões éticas e sociais, observando que muito raramente os veículos de comunicação da Paraíba noticiam casos de pessoas que atentaram contra a própria vida.

Ela afirma que essa realidade não se resume, apenas, à Paraíba. "Na verdade, o que acontece na imprensa paraibana é um reflexo do que acontece na imprensa brasileira. Há uma dificuldade em abordar o tema e ainda persiste um tabu, segundo o qual não se deve noticiar suicídios, pois acredita-se que, ao noticiar um caso, estaria levando ao surgimento de vários outros", relata a pesquisadora.

A fundamentação de Cláudia Carvalho encontra respaldo em observações científicas realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que organizou, no ano de 2000, a feitura do "guia" intitulado: “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais de mídia”. O material cita uma publicação de 1774. " Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Johann Wolfgang von Goethe.

No romance, é possível associar meios de comunicação de massa ao suicídio. Nessa história, o herói atira em si próprio após um amor mal sucedido. Logo após a publicação, foram registrados na Europa vários relatos de jovens que cometeram suicídio usando esse método. O fenômeno originou o termo “Efeito Werther”.

“Efeito Werther”. Um gatilho para o suicídio

Em linhas gerais, o “Efeito Werther” provoca o que se chama de “suicídio copiado”, quando alguém tira a sua vida e a publicização  do ocorrido serve como um gatilho para o próximo suicídio. Em geral, o ato é praticado por uma pessoa fragilizada, portadora de problemas emocionais ou transtornos de comportamento que levam, por exemplo, à depressão profunda.

A psiquiatra Francineide Maciel, com 18 anos de experiência na área de saúde mental, entende a importância do estudo da pesquisadora paraibana, e responde não ter dúvidas que uma notícia sobre um suicídio, enfocando o ato em si como forma de espetacularização do fato é danosa. Ela aponta que, ao oferecer detalhes do suicídio, relatar o conteúdo de cartas de despedidas ou mostrar a técnica utilizada para retirar a vida, na verdade é um desserviço da mídia.

"Existem estudos sérios quanto esse assunto. É um fenômeno mundial. Deve-se ter cuidado ao noticiar", alertou a médica psiquiatra, analisando que, bem mais importante que detalhar fatos e “romantizar” o suicídio na mídia, é discutir e levantar questões sobre o problema nos meios de comunicação.

A imprensa cessou os desafios da “Baleia Azul”


Para Cláudia Carvalho e Francineide Maciel, os veículos de comunicação cumprem seu real papel quando abordam o suicídio como um problema social que precisa ser discutido com responsabilidade. Ambas citam os casos da “Baleia Azul” e da “Boneca Momo”, desafios postos na internet que redundaram em suicídios e crimes entre crianças e jovens.

“A imprensa deu publicidade, levou a discussão do assunto para a sociedade, para os pais, e alertou as autoridades sobre os perigos vindos de mentes doentias que incitavam jovens e crianças para esses absurdos”, observou Francineide Maciel, para em seguida afirmar que tais “desafios” foram cessados e muitos dos responsáveis presos graças ao papel dos meios de comunicação.

O suicídio acontece por uma conjunção de muitos fatores, explica psiquiatra Francineide Maciel. Alguns deles são sociais, psicológicos, orgânicos e genéticos. Mas os motivos predominantes são transtornos psiquiátricos, sendo o mais comum a depressão. Também há o transtorno bipolar, a esquizofrenia, a síndrome de Borderline e o abuso de drogas.

“Todos eles têm tratamento, inclusive na rede pública. São informações importantes para constar numa reportagem realmente informativa”, diz a médica psiquiatra. Em termos gerais, quando o suicídio é consumado, principalmente quando a pessoa é uma figura pública, deve-se trazer à tona como o suicida estava se sentindo ao praticar o ato, se ele apresentava sinais de depressão, por exemplo. Isso pode ajudar outros na mesma situação na busca de ajuda”, recomendou Francineide Maciel.

Fonte: www2.pbagora.com.br/noticia/saude/20190223223438/especial-a-imprensa-da-pb-deve-ou-nao-noticiar-casos-de-suicidio

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Em tempo: evento na Fiocruz debateu suicídio e imprensa

Preconceito dificulta discussão sobre suicídio

Igor Cruz (em 26/05/2010)

Como parte das comemorações pelos 110 anos da Fiocruz, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) promoveu, no dia 25/5, o seminário “Suicídio na Imprensa: entre informação, prevenção e omissão”, que contou com a participação de especilistas no assunto e profissionais de imprensa. Foram convidados para a discussão o editor de Saúde do jornal O Globo, Antônio Marinho; o jornalista e professor da PUC-Rio, Arthur Dapieve; o pesquisador e coordenador do Grupo de pesquisa de prevenção do suicídio do Icict, Carlos Eduardo Estellita-Lins; a editora de Saúde do jornal Extra, Flávia Junqueira e o professor da Unicamp e presidente da Comissão de prevenção do suicídio, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Neury José Botega, reconhecido como um dos mais proeminentes pesquisadores sobre o tema no país.

O diretor do Icict, Umberto Trigueiros, deu início às discussões e ressaltou a importância da abordagem do tema para o instituto. Para ele, a iniciativa abre um leque para se trabalhar a informação e a comunicação no que diz respeito a todo sofrimento humano, ao entrelaçar o olhar da sociedade com o olhar da mídia. “Isso é algo que estamos construindo ao longo do tempo. Temos um 'Observatório de Saúde na Mídia', que investigou, inicialmente, a epidemia de dengue e, hoje, pesquisa outros temas. Daqui a um tempo, o suicídio também poderá ser incorporado ao catálogo de informações e assim poderemos trabalhar do ponto de vista acadêmico, de formação e de programas de saúde”, afirmou.

O jornalista e professor Arthur Dapieve falou sobre sua dissertação de mestrado apresentada em 2006 na PUC-Rio, na qual analisou o que foi publicado no jornal O Globo sobre suicídio, em 2004. A pesquisa revelou que, dentre as 142 matérias publicadas durante o ano de 2004, quase a metade falava sobre a morte (suicídio) de Getúlio Vargas, que completava 50 anos. O jornalista acredita que esse fato pode ter inflado o número de matérias sobre suicídio. Outros resultados apontaram 29 menções sobre atentados terroristas. “O mais curioso nisso tudo é que neste tipo de matéria (ato terrorista), às vezes, o suicida sequer era contabilizado entre as vítimas”, salientou.

Para Dapieve, além da divulgação e abordagem do suicídio na imprensa, outro problema é a subnotificação dos casos na imprensa. Segundo ele, as estatísticas do Ministério da Saúde sobre suicídios em 2004 apontaram 96 casos, enquanto que os jornais haviam registrado apenas um. “A imprensa realmente tem preconceito em divulgar notícias sobre suicídio, mas deve-se lembrar que os preconceitos da sociedade também se refletem nas práticas do jornalismo. Acredito que romantizar os suicídios não ajuda muito, mas também não noticiá-los é um problema sério. O que devemos buscar é um equilíbrio entre esses dois pilares”, explicou.

O pesquisador e coordenador do Grupo de pesquisa de prevenção do suicídio do Icict, Carlos Eduardo Estellita-Lins, ressaltou que o debate sobre suicídio está situado em um entrecruzamento de posturas e atitudes. Para ele, a divulgação dos meios de se cometer o suicídio e a omissão de fatos são problemas graves que envolvem a questão. “Deve-se lembrar que a omissão também é o falar demais, a fala descontextualizada, não somente o silêncio”, ponderou.

O editor de Saúde do jornal O Globo, Antônio Marinho, revelou que há como se fosse uma lenda dentro das redações em relação à divulgação de notícias de suicídio. “Não é porque não queremos falar, é porque não tratamos do assunto, de fato. Aí eu pergunto, mas quem inventou isso? Ninguém. É uma coisa que está meio definida”, explicou. “No jornal, falamos do assunto quando há um ataque suicida, normalmente na editoria Internacional, ou quando há uma caso de eutanásia, mas não se discute o porquê do ato”, completou. Para o jornalista, a mídia precisa aprender a discutir o tema, porque na verdade nunca houve uma tentativa.

Já Flávia Junqueira, do jornal Extra, revelou que quando se aborda o suicídio é muito mais pelo estrago que o ato causou do que pela discussão do motivo. Outro fator apontado pela jornalista é que a linha editorial do jornal pode decidir sobre a divulgação, ou não, de notícias sobre suicídio . “No Extra, como se trata de um jornal popular, procuramos apontar o viés positivo das notícias. Então, falar de suicídio se torna complicado”, revelou.

Por fim, o professor da Unicamp e presidente da Comissão de prevenção do suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Neury José Botega, fez uma apresentação com base nos dados do Sistema de Informações de Mortalidade do DataSUS, do ano de 2008. De acordo com Botega, foram notificados mais de 9 mil casos de suicídios no Brasil naquele ano, o que corresponde a quase 25 mortes por dia. O pesquisador explicou que deve-se tomar cuidado ao se falar sobre o número de casos, pois em saúde pública se trabalha com coeficientes para cada 100 mil habitantes ao longo de um ano.

“No que diz respeito a suicídios, é um número pequeno em escala mundial. Por outro lado, como o Brasil é um país muito populoso, mesmo coeficientes relativamente pequenos produzem um número de mortes considerável”. Botega também ressaltou o problema da subnotificação de casos. Segundo ele, os números registrados oficialmente podem variar e estima-se que este número seja 20% maior do que o oficial.

De acordo com o pesquisador, algumas intervenções podem ser realizadas, como campanhas de conscientização da população em geral e também campanhas voltadas para grupos de risco (pessoas que sofrem de doenças mentais). Como exemplo, Botega citou um manual lançado pelo Ministério da Saúde voltado para profissionais das equipes de saúde mental e também um manual da ABP voltado para profissionais de imprensa. Neste sentido, o pesquisador acredita que nenhum país, por mais evoluído e desenvolvido, consegue, de imediato, sanear a população do suicídio, mas muitas pessoas que estão sob o risco de cometer o suicídio podem e devem receber ajuda.

Fonte: http://www.fiocruz.br/icict/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1763&sid=84

sábado, 1 de agosto de 2009

Quando o suicídio deve tornar-se notícia?

A imprensa deve noticiar suicídios?

Plínio Bortolotti

Na segunda-feira, uma leitora questionou por qual motivo O POVO não divulgara um caso de suicídio acontecido em Fortaleza, no sábado anterior (6/11). Respondi que o jornal tem por diretriz não divulgar suicídios ou fazê-lo da forma o mais discreta possível, devido à influência negativa que isso pode ter sobre algumas pessoas, segundo atestam especialistas no assunto. A leitora não se conformou, respondeu não haver influência pior do que as notícias sobre crimes, vistas todos os dias nos jornais. Nunca havia parado para refletir sobre o assunto e resolvi fazê-lo durante a semana, com ajuda de estudiosos do assunto.

Exemplo

O psiquiatra Danúzio Carneiro, coordenador do Ambulatório de Psiquiatria Infanto-Juvenil do Hospital Geral de Fortaleza, reconhece que a divulgação de suicídios tende a ''criar exemplo''. Lembra que, à época da publicação, na Alemanha, de O sofrimento do jovem Werther (1774), de Johann Wolfgang Goethe, no qual o ''herói'' se mata devido a um amor frustrado, uma onda de suicídios espalhou-se entre jovens, fato atribuído à influência do livro. Danúzio diz que estudos de epidemiologia mostram que um suicídio pode influenciar outro, ''principalmente entre jovens''. Mas o psiquiatra também destaca ''o direito da sociedade ser informada'', considerado por ele ''um aspecto essencial da cidadania''. Por isso, em caso de publicação de notícias sobre suicídios, ele recomenda que o fato seja contextualizado, de modo a levar à reflexão e à ''aprendizagem psicossocial'', sendo também obrigatório ao jornal ''abster-se dos aspectos sensacionalistas''.

Informação e educação

Para o médico Francisco Simão, diretor técnico-científico da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a linha do jornal está ''corretíssima'' ao não divulgar suicídios, evitando criar uma ''síndrome de imitação''. Mas, em ''situações atípicas'', o médico acha que a imprensa pode fazer um ''trabalho informativo e educativo''. Simão também vê diferença entre a divulgação de suicídios e crimes. Para ele, o suicida está ''no limite da tensão'', por isso, muito suscetível a exemplos negativos.

Fábio Gomes de Matos, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFC, coordenador do Programa de Apoio à Vida do Hospital das Clínicas (núcleo de prevenção ao suicídio), concorda que a divulgação deve ser evitada. Ao ser perguntado se não haveria nenhum modo de a notícia ter algum tipo de efeito positivo, ele responde com uma proposta. Para o professor, ''a atitude mais sensata'' seria a formação de um fórum para discutir o assunto, sugerindo a participação de especialistas, da imprensa e de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com ''casos concretos'' que acontecem. A partir desse debate poder-se-ia pensar ''novas diretrizes'' em relação aos ''vários aspectos sobre o assunto'', argumenta.

Leitora

O fato a motivar a pergunta da leitora, citada no início do texto, foi o suicídio de um jovem dentro do shopping Aldeota Expansão. No mesmo lugar, já haviam ocorrido mais dois suicídios (2000 e 2004), e ainda outro (2001), em outro local do mesmo edifício. Quando fazia o levantamento para compor esta coluna tomei conhecimento de outra situação em que suicídios vêm se repetindo. Na cidade de Independência, nos últimos seis meses, houve quatro suicídios e outras cinco tentativas, entre jovens. Autoridades policiais e da saúde pública, preocupadas com o fato, buscam explicação na tentativa de entender o que está acontecendo.

Como agir?

Avaliando o assunto cheguei ao seguinte juízo: se acontece um suicídio isolado, o assunto diz respeito apenas à família, cuja privacidade tem de ser respeitada. Mas se os casos começam a repetir-se, principalmente se acontecem em um local específico, ou começam a atingir com mais intensidade determinados segmentos (jovens, moradores de uma cidade, ou de um bairro, por exemplo), o assunto passa a ser de interesse público, portanto, a imprensa deve cobri-lo, contribuindo para ajudar a buscar soluções para o problema. Essas são as ''situações atípicas'' das quais fala o médico Francisco Simão. Os cuidados que os meios de comunicação devem tomar com essas notícias estão bem explicitados nas declarações do psiquiatra Danúzio Carneiro, às quais nada teria a acrescentar. Uma boa proposta para entender melhor o assunto e se buscar a melhor forma de agir, faz o professor Fábio Gomes de Matos.

Não quero com esses argumentos contestar as assertivas dos especialistas, fundamentadas em estudos e observações próprias da área na qual atuam. Mas entendo que, em jornalismo, poucos assuntos podem ser analisados genericamente, a partir de ''imperativos categóricos'', sem a análise do fato concreto. O mesmo dilema acontece em relação aos seqüestros. A imprensa deve noticiar ou não quando o caso ainda está em andamento? As notícias põem ou não em risco a vida do seqüestrado?

Abordagem

O diretor de Redação, Carlos Ely, diz que a ''cultura'' de não divulgar suicídios, ou fazê-lo somente em casos ''muito específicos'', é antiga no O POVO - medida também adotada pela maioria dos jornais. Ele diz que o jornal aborda o tema do ponto de vista da saúde pública, como foi na reportagem publicada no caderno Ciência & Saúde, edição de 21/11/2004. Quanto aos casos concretos relatados acima, o diretor diz que o jornal vai cobri-los, mas que se discute na Redação a melhor forma de divulgar o assunto.

http://www.opovo.com.br/opovo/ombudsman/pliniobortolotti/535603.html

domingo, 29 de março de 2009

O vínculo entre problemas financeiros e suicídio nas crises econômicas

A imprensa, em muitos países, tem aberto espaço à discussão sobre o suicídio e formas de preveni-lo, chamando a atenção, ao mesmo tempo, para os contextos mais suscetíveis de ocorrência do mesmo.

Inegavelmente há um vínculo entre os problemas financeiros (a disponibilidade mais ou menos imediata de recursos pelas pessoas), a crise econômica (problemas estruturais, de médio e longo curso) e o suicídio. 

O estardalhaço que as más notícias em torno da crise econômica causam, há de ter seus efeitos danosos, incitando os mais frágeis à "solução final", certamente. Porém, o que há de causar mais impacto - silencioso e trágico - é o bombardeio constante de notícias que divulgam a crise em suas multifaces, sem muitas vezes apresentar alternativas ou saídas.

O artigo abaixo aprofunda algumas questões em torno do tema. Convidamos, pois, os leitores a lê-lo, a despeito da dificuldade de ler em língua estrangeira.

Los problemas financieros se relacionan con el suicidio
Daniel Estrada Ortiz (webjornal El Siglo de Durango)
16 de mar de 2009.

EXISTEN PERSONAS QUE SE VALÚAN DE ACUERDO CON SUS PROPIEDADES Y CUANDO NO TIENEN NADA SU VIDA PIERDE SENTIDO.

Hay personas que se valúan de acuerdo con sus propiedades, se esmeran en la generación de recursos y bienes; pero cuando los negocios se vienen abajo, sienten que ya no hay razón de vivir y es cuando se presenta el pensamiento suicida.

"Las personas deben valorarse más a sí mismas que a sus posesiones o actividades económicas" (foto).

En algunos países ya ha ocurrido que los empresarios que tenían deudas grandes y que invirtieron todo para mejorar su negocio, ello les representó deshacerse de sus pertenencias con la ilusión de poder repuntar en los negocios, pero al ocurrir lo contrario han preferido terminar con sus vidas.

Pérdida de respeto

María Antonieta Pulido, directora del Instituto de Tanatología y Prevención del Suicidio, comentó que existe una falta de valores y pérdida de respeto a la vida en la actualidad que propician que la muerte se convierta en una alternativa de salida a los problemas.

Mencionó que en ocasiones el ser humano se valora de acuerdo con las propiedades que tiene, se esmera en la generación de recursos y bienes, por lo que cuando sufre pérdidas, de pronto siente que ya no tiene nada por qué vivir.

Vida en pobreza

Por otra parte, los problemas económicos generan un cambio drástico de vida; en ocasiones la población más desprotegida ve muy reducidos sus gastos a tal grado de no tener dinero ni para alimentarse, “hace poco me tocó platicar con dos jóvenes que decían que tenían tres días sin probar alimento, uno de ellos incluso profesionista”, platicó la entrevistada.

En este sentido, hay personas que le pierden apego a la vida, pues creen que nunca podrán salir de la desgracia y a ellos hay que darles atención y tratamiento antes de que su pensamiento suicida sea más serio.

Situación severa

En la última década se ha incrementado el suicidio en un 400 por ciento en el país y se prevé un mayor incremento, razón por la cual las autoridades deben tomar más en serio este problema social y promover un centro de ayuda y prevención, abundó.

Caixa de texto: 
Amor que mata

A estas alturas de la vida, entre 50 y 60 por ciento de los suicidios están relacionados con problemas de amor, reveló María Antonieta Pulido, directora del Instituto de Tanatología y Prevención del Suicidio. Dijo que, sim embargo, los rompimientos amorosos están rodeados de muchos “ingredientes”, como las adicciones, infidelidad, violencia intrafamiliar y depresión entre muchas más, pero el divorcio es el detonante para que se presente el suicidio. Para evitar riesgos, es importante concientizar a la población sobre valores de riesgo, cómo se manifiestan las personas que están pensando en quitarse la vida, saber qué señales dan y no ignorarlas. Por eso, es una de las muertes más culposas y vergonzosas, pues a los familiares les cuesta trabajo mencionar la forma en la que perdió la vida su ser querido.

Fonte: www.elsiglodedurango.com.mx/descargas/pdf/2009/03/16/16dgo05b.pdf?d

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

No mesmo dia, em duas publicações digitais, em Portugal...

O contágio e a imitação do suicídio em pauta

Nestes dias de janeiro duas notas em publicações virtuais chamou-nos a atenção. 

No dia 19, na coluna Pessoas do diáriodigital e no dia seguinte, na revista Blitz, ancorada no portal aeiou, duas notas abordam o tema suicídio.

......................................................................................

No diáriodigital a manchete era: "Hugh Laurie fez pacto de suicídio aos 15 anos". 

Uma questão, de imediato, se nos apresenta: pacto de suicídio (mesmo não consumado) é um mote adequado para se comentar acerca do sucesso profissional de alguém?

O formato da notícia coloca em pauta a discussão, (em aberto sob muitos aspectos), a respeito do contágio e da imitação do suicídio e do papel da mídia nos casos em que este é consumado sob a influência dos dois citados fenômenos (reprisaremos o conceito de contágio e imitação, abaixo).

A utilização do "pacto de suicídio" do futuro-Dr. House como mote e cenário para se destacar a sua própria ascensão como ator foi uma infeliz idéia, claramente desnecessária

A despeito da contextualização e das explicações acerca do pacto, não fica claro o destino dos pactuantes. Laurie safou-se, se deu bem apesar da "atitude arrogante" do adolescente que ele foi, que não via sentido em viver além dos 30 ou dos 40 anos... Mas quanto aos demais colegas? Que fim eles levaram? A nota não se refere a eles.

E a própria discussão (vaga, sem rumo)  em torno do valor de se viver ou não após os 30/40 anos não será, em demasia, perigosa? 

Daí as recomendações quanto aos riscos das referências gratuitas em torno do suicídio...

......................................................................................

A revista Blitz,  a nosso ver foi ainda mais infeliz ao dar ênfase à descrição da simulação do ato suicida pelo ator Heat Ledger, ocorrida durante a gravação de um curta-metragem. O mesmo viria a suicidar-se posteriormente, como sabemos. 

A glamourização da notícia está, a nosso ver, em se recriar todo o cenário que teria induzido, em parte, o ator australiano à consumação do suicídio, pois a revista descreverá o seu vínculo com o cantor Nick Drake (também suicida) e a música que viria a se tornar tema do short film

A reação de um dos leitores desta notícia pode melhor expressar o seu sensacionalismo:

UEEEEEEEEE bora ganhar trocos com a morte do outro?! BORAAAAAAAAAA!!!!

Enfim, os jornalistas precisam estudar o guia para profissionais de mídia (Prevenir o suicídio: Um guia para os profissionais dos mídia) para que se aborde de forma mais cuidadosa notícias sobre o suicídio.

Recado dado!

......................................................................................

Nota

Imitação constitui o processo pelo qual um suicídio exerce um efeito modelador em suicídios subseqüentes. 

Contágio é o processo pelo qual um determinado suicídio facilita a ocorrência de um futuro suicídio, indiferentemente do direto ou indireto conhecimento do suicídio precedente.

Fontes

Hugh Laurie fez pacto de suicídio aos 15 anos

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=181&id_news=368753 

Heath Ledger suicida-se em filme com canção de Nick Drake

http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/38988