sábado, 15 de julho de 2017

Livro sobre suicídio e sua prevenção é lançado na Paraíba

O que homeopatia, reiki, espiritismo, emoterapia, constelação familiar, acupuntura, terapia floral, yoga podem ter em comum? São meios de prevenção do suicídio.

Na obra, a ser lançada hoje, 15 de julho de 2017, a bibliografia sobre a prevenção do suicídio se enriquece.

Livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio
O livro “Suicídio: prevenção, posvenção e direito à vida – Volume I”, da Fonte Editorial, será lançado neste sábado (15), às 17 horas, no Centro Cultural Ariano Suassuna, do Tribunal de Contas do Estado, em Jaguaribe, que inseriu o evento na programação literária da Casa. Em seguida ao lançamento, haverá uma apresentação da Banda 5 de Agosto, com formação de Big Band e participação especial da Solista Amanda Cunha. O público poderá ainda prestigiar a exposição de telas do artista plástico Guto Holanda, paulistano radicado na Paraíba desde 2011 e cujo talento tem passado pelas melhores galerias e espaços da cultura paraibana.

Organizado pela professora doutora Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, que também assina um dos artigos, o livro reúne 13 textos de autores de diversas áreas abordando a problemática do suicídio por diversos prismas, cada um em seu campo de atuação.

“Imbuídos do compromisso de colaborar com a minoração do número de incidências de suicídios e tentativas de suicídio, os autores que compõem a coletânea decidiram ‘arregaçar as mangas’ e enfrentar, sem temor, tabus, silêncios ou silenciamentos, o complexo e multifacetado fenômeno”, explica Iracilda, que é doutora em Letras pela UFPB, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, membro do Grupo de Estudos em Psicanálise e Suicídio e organizadora do Núcleo de Estudos, Prevenção e Posvenção do Suicídio (NEPPS).

Os autores e seus temas
Maria do Socorro Sousa, médica com especialização em pediatria e homeopatia, escreve sobre “Homeopatia e sintomas de predisposição suicida”.

Sayonara Maria Lia Fook, doutora em Farmácia e coordenadora do Ceatox de Campina Grande, e Mayrla de Sousa Coutinho, enfermeira e mestre em Saúde Pública, tratam de “Suicídio por envenenamento: entre o viver e o morrer”.

Luciana Silveira, mestre em Reiki e palestrante sobre o tema, Reike, yoga e câncer, aborda “Reiki na depressão e na pessoa com ideação suicida”.

Vânia Reis, professora e pesquisadora aposentada da UFPI, e Rener Leite da Cunha, fitoterapeuta, assinam  o capítulo que enfatiza “A vida é um presente de Deus: potencializando a ação do centro espírita em defesa da vida”.

Rosângela Xavier da Costa, administradora e mestre em Ciência das Religiões escreve sobre “Constelação familiar e suicídio: caminhos entrelaçados de amor”.

Iracilda Cavalcante de Freitas Gonçalves, pós-doutora em Ciência da Religião pela Universidade de Juiz de Fora, trata acerca da educação emocional no artigo: “Emoterapia: descobrindo sentidos do viver pelo autoconhecimento e pelo autocuidado”.

Norma Pereira Dantas Cavalcanti e Keyla Dantas Cavalcanti de Sousa, médicas homeopatas e acupunturistas discorrem  sobre “A importância do tratamento de acupuntura na depressão e doenças mentais para prevenção do suicídio”.

Carmen Dolores Gomes Marinho, médica especialista em Pediatria, Infectologia e Homeopatia, escreve sobre “Terapia Floral como meio preventivo de suicídio”.

Cláudia Maria de Carvalho, jornalista e radialista, mestranda em Jornalismo Profissional pela UFPB, assina o artigo “Suicídio: a pauta proibida”, explicando o tabu que envolve o assunto no ambiente jornalístico, suas razões e como o tema pode ser noticiado de maneira adequada.

Maria Lúcia Abaurre Gnerre, doutora em História, professora da UFPB e pesquisadora das religiões orientais assina o artigo “Yoga e prevenção do suicídio: uma abordagem com base no método da Ashtanga Vinyasa Yoga”.

Matheus da Cruz e Zica, pós-doutor em História pela UFMG, professor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador dos campos da História, da Educação e da Psicanálise,  apresenta “Considerações acerca da educação para uma morte digna”.

Ageirton dos Santos Silva, voluntário do Centro de Valorização da Vida, professor do IFPB e doutor em Letras pela UFRN, escreve sobre “CVV: uma história de amor pela valorização da vida, identificada com a prevenção ao suicídio”.

Eduardo Sérgio Soares Sousa; médico, doutor em Ciências da Saúde e Sociologia; Henrique Miguel de Lima Silva, doutorando e mestre em Linguística; Josefa Ângelo Pontes de Aquino, farmacêutica e supervisora de Análise de Epidemiologia da Secretaria de Saúde da Paraíba; e Márcio Rijoan Albuquerque Cavalcante, graduando em Odontologia, Saúde Coletiva e Educação e Saúde produzem em coautoria o artigo: “Já não me importo mais: um estudo do suicídio no Estado da Paraíba entre 2006 e 2015”.

Fonte: http://www.diariodosertao.com.br/noticias/cultura/209395/livro-que-aborda-o-suicidio-sob-os-olhares-de-varios-especialistas-sera-lancado-neste-sabado-na-paraiba.html

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O suicídio, a imitação e o papel da imprensa

Entre Werther e Papageno

O pesquisador David Phillips cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado: foi recomendado que histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa

julho de 2017
Da redação

A série 13 reasons why causou furor. Na trama, uma estudante do ensino médio se suicida e deixa 13 fitas, uma para cada pessoa que ela acredita ter contribuído de alguma forma para sua decisão. Cada episódio refere-se a uma dessas gravações. Alguns dizem que a série é um retrato preciso e sensível da angústia e pode ajudar a esclarecer as motivações por trás do ato de atentar contra a própria vida. Os críticos, entretanto, temem a glamorização desse gesto ou sua normalização como uma opção legítima para tratar frustrações, o que pode conduzir ao aumento desse tipo de ocorrência. Afinal, é bem conhecido na literatura especializada o fato de que o suicídio pode ser um fenômeno contagioso.

Qualquer possível causa de tal proliferação deve ser levada a sério, embora, do ponto de vista científico, o papel da ficção na inspiração do suicídio seja, na melhor das hipóteses, pouco claro. Obviamente a série não é a primeira obra a deflagrar controvérsias. Romeu e Julieta,de William Shakespeare, foi acusada inúmeras vezes de exaltar o suicídio de jovens. O romance de Johann Wolfgang von Goethe Os sofrimentos do jovem Werther, lançado em 1774, descreve a dor de um rapaz por causa de seu amor por Charlotte, que se casa com Albert, amigo do protagonista. Atormentado, Werther decide que um deles deve morrer e acaba atirando em si próprio com a pistola de Albert. Acreditava-se que o trabalho de Goethe tenha levado muitos jovens a decidir terminar sua vida em toda a Europa, vários deles usando armas e vestidos com roupa similar à descrita pelo autor. Alguns até tinham cópias do romance ao lado de corpo, abertos na página que relatava o suicídio.

O pesquisador David Phillips, que se dedicou a estudar o tema, cunhou o termo, “efeito Werther” para se referir ao fenômeno dos suicidas imitadores. O resultado da pesquisa de Phillips, da década de 70, foi a recomendação de que as histórias sobre suicídio não fossem noticiadas com ênfase pela imprensa. Ele considerou também que a cobertura excessiva da mídia de suicídios de celebridades realmente levou a um aumento nas tentativas de atentar contra a própria vida. As mulheres na faixa dos 30 anos pareciam mais propensas ao ato após a morte de Marilyn Monroe, em 1962.

Em Viena, na década de 80, uma série de suicídios cometidos no metrô foi combatida pela decisão dos principais jornais da cidade de reduzir substancialmente a publicidade dessas mortes. Depois de certa data, essas ocorrências já não eram mencionadas. Isso coincidiu com uma queda progressiva no número de casos, o que ilustrou o poder da mídia para o bem.

Contrariando o efeito Werther, há o efeito de Papageno, numa referência ao personagem da ópera A flauta mágica, de Wolfang Amadeus Mozart. Convencido de que nunca vai conquistar seu amor, Papageno, ele tenta se enforcar, mas é persuadido por três espíritos a não acabar com sua vida.

Os pesquisadores King-wa Fu, professor associado no Centro de Estudos de Mídia e Jornalismo da Universidade de Hong Kong, e o cientista social Paul Yip, fundador e diretor do Centro de Pesquisa e Prevenção do Suicídio da Universidade de Hong Kong, examinaram os impactos da morte de três celebridades asiáticas, comparando registros semanas antes e depois das ocorrências. Eles descobriram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade em Seul, Hong Kong e Taiwan, em comparação com um período de referência. A maior incidência de vítimas estava entre pessoas com idade próxima e do mesmo gênero das celebridades.

Cientistas reconhecem, no entanto, que a evidência de relações entre suicídios em ficção de suicídio na TV e no cinema é mais complicada. A revisão da literatura sobre filmes e retratos televisivos de suicídio não revela conclusões sobre o impacto de suicídios ficcionais sobre os resultados suicidas reais na população em geral. Mas sabem que a identificação com a vítima é fator importante para desencadear a imitação. E circunstâncias que facilitam o comportamento suicida são contrabalançadas por fatores protetores que o inibem, como a fé religiosa, a presença de apoio social (amigos, família) e capacidade de perceber que as situações, por piores que pareçam – ou de fato sejam –, não são permanentes.

Números preocupantes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o suicídio como uma prioridade de saúde pública, já que as taxas têm aumentado desde a década de 90, ano em que a OMS lançou um programa de prevenção. Em média, 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos, e 75% desses casos ocorrem em países de média e baixa renda. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para acidentes de trânsito. O índice nessa faixa etária entre as mulheres é de 2,6 casos por 100 mil habitantes, mas a taxa salta para 10,7 na população masculina. Mas um dado chama atenção: entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Os países que realizaram campanhas de esclarecimento a respeito do problema conseguiram baixar seus números. Cerca de 90% dos casos poderiam ter sido evitados. Segundo estimativas da OMS, para cada caso há pelo menos 20 tentativas malsucedidas. Os maiores índices de suicídio no Brasil ocorrem em áreas de concentração de comunidades indígenas. Segundo estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), das cinco cidades com as maiores taxas de suicídio de jovens, quatro ficam no Amazonas.

Para lidar com a questão, em 1962 foi criada a organização filantrópica Centro de Valorização da Vida (CVV), que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional com o intuito de prevenir suicídio ou apenas atender pessoas que precisem e queiram conversar, com total sigilo. Após a exibição da série 13 reasons why, os pedidos de ajuda ao CVV duplicaram.

Fonte: Mente Cérebro (Scientific American)
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/entre_werther_e_papageno.html

sábado, 1 de julho de 2017

Sono como possível indicador de tendência suicida

Problemas de sono podem sinalizar agravamento de tendências suicidas em jovens

Alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, afirma pesquisadora.

O estudo aponta que o tratamento dos problemas relacionados à falta de sono pode aliviar a tendência suicida, a segunda causa de morte entre adultos jovens no país, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

"O suicídio é o resultado trágico de doenças psiquiátricas que interagem com múltiplos fatores de riscos biológicos, psicológicos e sociais", destacou Rebecca Bernert, professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento de Stanford e uma das autoras da pesquisa.

"As alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alarme, ainda que não estigmatizem e sejam altamente tratáveis", enfatizou Rebecca.

O estudo também apresenta uma importante colaboração para o tratamento deste problema, que causou a morte de 44 mil pessoas nos EUA em 2016, segundo a Fundação Americana para Prevenção do Suicídio.

A pesquisa recolheu tanto informações objetivas quanto reportadas pelos 50 participantes adultos com idades entre 18 e 23 anos e alto risco de suicídio, selecionados a partir de uma base de investigação de cerca de cinco mil estudantes universitários.

O sono dos participantes no estudo foi observado objetivamente durante uma semana, na qual um sensor especial instalado em seus pulsos - configurado para medir o sono - foi usado a fim de determinar se dormiam ou se estavam acordados.

Tanto no início da pesquisa como após 7 e após 21 dias, os participantes responderam questionários para medir a gravidade dos seus sintomas suicidas, insônia, pesadelos, depressão e consumo de álcool.

Aqueles que tinham um maior grau de variação do momento em que adormeciam durante a noite até a hora em que acordavam mostraram uma maior tendência a apresentar sintomas suicidas nas revisões dos 7 e 21 dias. Igualmente, aqueles que reportaram maior quantidade de horas de insônia e pesadelos mostraram tendências suicidas mais altas.

"Os transtornos do sono e as ideias suicidas são sintomas de depressão, por isso é fundamental destrinchar estas relações e avaliar os fatores que se sobressaem para prever o risco", ressaltou Rebecca.

"Acreditamos que o estudo das perturbações do sono pode representar uma importante oportunidade para a prevenção do suicídio", opinou.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/problemas-de-sono-podem-sinalizar-agravamento-de-tendencias-suicidas-em-jovens.ghtml

terça-feira, 13 de junho de 2017

Mitos e verdades sobre o suicídio segundo André Trigueiro


Cão que late não morde

A maioria das pessoas que tiraram a própria vida ou tentaram fazê-lo (pelo menos dois terços dos casos) anunciaram a intenção previamente.

Se alguém deseja se matar, não há nada que possa ser feito

Ajuda apropriada e apoio emocional podem reduzir o risco de suicídio. Não é possível evitar em 100% dos casos, mas em grande parte das situações.

Quem só fica tentando o suicídio, não vai se matar realmente

Quem já tentou se matar alguma vez pertence ao grupo de maior risco de suicídio e deve ter suas ameaças sempre levadas a sério.

Falar sobre suicídio pode encorajá-lo

Ao contrário. Dar oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus maiores medos e sentimentos pode fazer a diferença em favor da vida.

Se uma pessoa já pensou seriamente em se matar, ela será sempre um suicida

Quem deseja tirar a própria vida pode pensar isso por um período limitado de tempo. Com apoio emocional, pode superar a crise e seguir em frente.

O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)

O que dirige a ação autoinfligida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Pessoas que se matam não avisam a ninguém

De cada dez pessoas que cometem suicídio, oito deixam pistas concretas de suas intenções. Mas essas advertências nem sempre são verbais ou percebidas com clareza por quem está próximo.

Quem fala sobre suicídio está tentando apenas chamar a atenção

Em mais de 70% dos casos, quem ameaça se matar realiza a tentativa ou comete suicídio. Quem pensa seriamente em suicídio costuma deixar pistas ou avisos que devem ser entendidos como gritos de socorro.

A melhoria do estado emocional elimina o risco do suicídio

Em boa parte dos casos, os suicídios ocorrem no prazo de até três meses após uma aparente melhora, depois de um estado depressivo severo.

Depois que uma pessoa tenta se matar, é improvável que ela tente novamente

Em 80% dos casos, quem comete suicídio já realizou pelo menos uma tentativa anteriormente.

Uma tentativa de suicídio mal sucedida significa que a pessoa não estava realmente determinada a se matar

Algumas pessoas são ingênuas quando intencionam se matar. A tentativa em si é o fator mais importante, não o método.

Trechos do livro Viver é a melhor opção, a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo, de André Trigueiro (Editora Correio Fraterno, 2015).

Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1939:mitos-e-verdades-sobre-o-suicidio&catid=118:prevencao-do-suicidio&Itemid=2

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Proposta de Semana Nacional de Valorização da Vida no Senado Federal

Segue um extrato da notícia publicada. Fazemos votos para que, em meio a tantos problemas, se consiga fazer passar no Senado esta proposição!


Brasil poderá ter evento nacional destinado à prevenção do suicídio
Tatiana Beltrão 30/05/2017

Começa a tramitar nesta terça-feira (30) no Senado um projeto de lei que institui a Semana Nacional de Valorização da Vida, um evento anual para prevenção ao suicídio. Durante a semana, governos e sociedade deverão promover atividades em todo o país para debater estratégias de conscientização e esclarecer a população sobre questões como o que pode levar alguém a tirar a própria vida, quais os possíveis sinais de alerta e onde procurar ajuda. O evento deverá ser realizado na semana do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O projeto, do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), é uma resposta a uma preocupação antiga de entidades médicas. O suicídio é um grave problema de saúde pública. Faz mais vítimas do que a guerra e os homicídios, somados. É a segunda causa de morte de jovens no mundo. Mata mais do que o HIV. E apesar dessa gravidade, ainda é um tabu, cercado de preconceitos e do qual pouco se fala.

Garibaldi relata que decidiu apresentar o projeto após ser procurado por integrantes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que expuseram a ele a importância de combater o estigma em torno do suicídio e também da doença mental. Por isso, outro foco da Semana de Valorização da Vida será mobilizar a sociedade contra o preconceito em relação a essas doenças, que estão diretamente relacionadas ao risco de morte autoinfligida.

https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/brasil-podera-ter-evento-nacional-destinado-a-prevencao-do-suicidio

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma das melhores reportagens sobre prevenção do suicídio de 2017

A reportagem citada no título foi publicada pela Folha do Mate, jornal impresso e digital de Venâncio Aires, do Rio Grande do Sul.

Esta peça jornalística merece ser utilizada em oficinas de texto sobre como veicular informações sobre o suicídio, uma necessidade urgente!

A única foto que reproduziremos é de Monyque Schmidt, que tentou o suicídio e, hoje, tornou-se uma ativista em favor da prevenção do suicídio.

Reproduziremos a reportagem, abaixo, na íntegra.

Suicídio: no silêncio dos jovens, um pedido de ajuda

Juliana Bencke, em 27/05/2017 

O suicídio de um menino de 16 anos, há exato um mês, acendeu o sinal vermelho para uma situação que se esconde no silêncio, no sorriso das fotos do Facebook e na vida atribulada de muitos jovens. Além do garoto que tirou a própria vida, outras cinco tentativas de suicídio entre adolescentes de até 18 anos foram registradas em Venâncio Aires, desde o início do ano.

Elas se somam a outros 28 casos de adultos que atentaram contra a própria vida, só em 2017, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do município. "É uma situação preocupante", considera a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps II), Gabriela Ballardin Geara.

A falta de um Caps Infantil no município, serviço que atende crianças e adolescentes com problemas de saúde mental, agrava ainda mais o cenário. Atualmente, menores de idade que necessitam de atendimento psiquiátrico são encaminhados ao Caps Infantil de Rio Pardo.

Apesar disso, são apenas oito atendimentos e duas novas consultas oferecidas por mês. "Existe o projeto para criação de um Caps Infantil no município, mas está parado no Ministério da Saúde. Não estão habilitando nenhum novo serviço", afirma o secretário municipal de Saúde, Ramon Schwengber.

Em sintonia com o trabalho do Conselho Tutelar e das escolas, o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) absorvem parte da demanda. O primeiro, realiza atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem, enquanto o segundo atende crianças e adolescentes vítimas de violência física, psicológica e sexual.

Apesar disso, a falta de um serviço especializado em saúde mental para crianças e jovens impede que muitos casos sejam tratados como necessitam. Além disso, dificulta a obtenção de uma estatística sobre a real da situação e, até mesmo, impossibilita que os todos os casos cheguem à rede de saúde.

Embora o hospital já tenha atendido até mesmo casos de tentativas de suicídio por adolescentes de 12 anos, não é comum chegarem à instituição jovens que atentaram contra própria vida. Profissionais da instituição ponderam, no entanto, que muitas tentativas são camufladas: são desde casos de automutilação, que podem ser considerados 'acidentes', até situações em que o jovem se dopa de remédios e dorme por muitas horas.

"Só chegam ao hospital os casos mais graves", observa a psicóloga Susan Artus Dettenborn, gerente assistencial do HSSM. Junto da psicóloga Ana Lúcia Oliveira e da assistente social Ana Paula, ela explica, inclusive, que muitos casos de automutilação são tentativas veladas de suicídio. "Muitos jovens que praticam a automutilação relatam que têm vontade de morrer. Alguns chegam a dizer que se cortam porque não têm coragem de se matar", comenta.

Cortes tentam aliviar a dor

Embora não entrem nas estatísticas, casos de automutilação entre adolescentes são comuns em Venâncio Aires. Enquanto parte dos cortes seguem escondidos debaixo de casacos e camisetas de manga comprida, alguns casos chegam a conhecimento do Conselho Tutelar. Às vezes, o encaminhamento ocorre pela escola. Em outras, a própria família procura ajuda.

De acordo com a conselheira Maria Izonete Bertam, casos de meninas que se cortam são atendidos pela equipe do Conselho e, em geral, têm como motivação problemas relacionados à desestrutura familiar, além de casos de abuso sexual e uso de drogas. "A maioria das adolescentes que se automutila faz isso para chamar atenção e mostrar que algo não está bem, para tentar cessar uma dor que não conseguem resolver", comenta.

Em geral, além de chamarem os pais das vítimas para conversar sobre a situação, sempre que necessário, os conselheiros tutelares encaminham os adolescentes para atendimento psicológico no Creas. "Ao longo dos anos, esses casos têm aumentado. O que percebemos é que os adolescentes têm muita informação, mas pouca comunicação. Não conseguem se expressar", observa Maria Izonete.

A psicóloga Gabriela Ballardin Geara explica que, por meio da automutilação, vítimas de um profundo sofrimento emocional tentam aliviar a sua dor 'interna' transferindo-a para o corpo. "A automutilação é uma forma de expressão de quem não consegue mais verbalizar. É um pedido de ajuda. A pessoa precisa estar muito fragilizada para fazer isso", ressalta.

"Queria matar aquela dor"

Uma angústia imensa e um sentimento de frustração tomavam conta de Monyque Schmidt. Prestes a completar 20 anos, ela tentou aliviar, com a bala de um revólver, o sofrimento que a consumia. 'Parecia que tudo era pior do que realmente era. Só via o lado negativo de tudo. Eu me sentia muito mal. Não tinha vontade de levantar da cama.'

Em meio a uma vida atribulada, à morte do avô e à sensação de uma cobrança de que sempre era preciso fazer mais, a jovem sentia-se desanimada. "Só conseguia pensar nas coisas que eu era incapaz de fazer. Eu exigia demais de mim e como não conseguia fazer tudo, achava que eu era incapaz."

Durante um mês, Monyque remoeu a angústia e a tristeza, e começou a pensar que queria morrer. "Tinha vergonha de falar o que eu estava sentindo. Me abri com a minha irmã, mas proibi ela de falar para meus pais", conta.



No início da noite de 6 de novembro de 2014, depois de discussões, ao longo do dia, tentou tirar a própria vida. "Eu só pensava que ia acabar com meu sofrimento. Foi o pior dia da minha vida, porque eu me sentia muito mal. Não tem nem como explicar, era algo muito forte. Queria matar aquela dor."

O tiro disparado por Monyque lesionou a medula e tirou da moça a capacidade de andar. "Logo comecei a sentir um formigamento nas pernas", lembra. Além da dor - que ainda persiste - e da recuperação lenta, ela precisou aprender a conviver, de forma ainda mais intensa, com olhares e julgamentos alheios.

"No começo, não saia de casa para nada. Eu escutava as pessoas falando na rua 'foi aquela guria que se deu um tiro', 'ela fez isso porque não tinha Deus no coração'. As pessoas falavam comigo e olhavam para as minhas pernas, não para os meus olhos", desabafa.

Com a certeza de que, para viver, "é preciso muito mais coragem", Monyque faz questão de falar sobre tudo o que aconteceu. Quer dividir a experiência e impedir que outros jovens passem pela mesma situação. Aos 23 anos, ela entende que, falar de suicídio é falar sobre como proteger a vida. 'Muita gente vem me procurar para conversar, porque acham que eu vou entender o que estão sentindo. É importante procurar ajuda com psicólogo. Todos nós precisamos de psicólogo. É importante chorar. Todo mundo tem direito de ficar triste, de ter suas fraquezas. De repente, se eu tivesse tido informações, naquela época, nada disso teria acontecido.'

Por meio das sessões diárias de fisioterapia, Monyque se esforça para voltar a andar. Na companhia da família e do namorado Ricardo de Campos, 23 anos, ela cultiva o bom humor, a vaidade e o gosto por passear. No futuro, quer fazer faculdade. 'No começo, achava que minha vida tinha acabado. Agora é diferente. Quero voltar a andar, mas, se isso não acontecer, não vou ficar triste.'

Para a jovem, a chance que teve de recomeçar a vida é a confirmação de que tudo passa. "Mesmo que tudo pareça ruim, é um ciclo. Pode estar ruim agora, mas depois fica bem. O importante é procurar ajuda."

"O suicídio é um ato de desespero"

Depressão, desamparo, desesperança e desespero. De acordo com a psicóloga Gabriela Ballardin Geara, esses quatro fatores estão diretamente ligados a casos de suicídio. "O suicídio não é uma escolha boa e natural, é fruto do sofrimento. Ninguém em sã consciência, que esteja bem, quer terminar com a própria vida. O suicídio é um ato de desespero, por meio do qual a pessoa quer por fim no seu sofrimento", enfatiza a profissional.

Gabriela explica que, durante a adolescência, a família deixa de ser a maior referência para o filho. Em meio a mudanças físicas e psicológicas e a um 'vazio emocional' vivenciado pelo adolescente, se não houver um vínculo familiar forte ou uma boa relação social (grupo de amigos), ele pode encontrar a referência para seu comportamento em um jogo como o Baleia Azul, o qual propõe desafios como se cortar, deixar de comer e tirar a própria vida.

Segundo a psicóloga, o fortalecimento do vínculo familiar deve ser a principal aposta dos pais para evitar o suicídio dos filhos: é preciso conhecê-los, para identificar mudanças de humor e comportamento. "A proximidade é o que protege. Algumas pessoas conseguem pedir ajuda ao sentirem que não estão bem, mas algumas não conseguem", alerta.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/local/suicidio-no-silencio-dos-jovens-um-pedido-de-ajuda-

sábado, 27 de maio de 2017

Ações permanentes de prevenção do suicídio no Piauí

 O Piauí é, sem dúvida, um dos estados em que a prevenção do suicídio tem uma atenção permanente por parte das autoridades.

Mais uma notícia auspiciosa.

Profissionais da Sasc recebem capacitação em palestra sobre abordagem e prevenção do suicídio
Dentre os pontos abordados, foi mostrado que uma das formas de prevenção é falar abertamente sobre o assunto
Nahiza Monteles

Com foco na capacitação de profissionais da área de assistência social e cidadania para atuar na prevenção do suicídio, a Sasc [
Secretaria Estadual da Assistência Social] promoveu, nesta quarta-feira(24), no auditório do órgão, a palestra “Falando abertamente sobre o suicídio”, que foi proferida pela psicóloga e membro do Grupo de Trabalho e Prevenção do Suicídio do Estado do Piauí, Thatila Brito.

A saúde mental, definições de termos, esclarecimento sobre a abordagem e entendimento sobre contexto e prevenção foram alguns dos pontos explanados na palestra, que mostrou aos participantes que é recomendado que se fale sobre o tema. “Uma das grandes formas de prevenção é falar sobre o assunto. Podemos e devemos falar sobre suicídio, claro, seguindo todas as recomendações indicadas pelo Ministério da Saúde”, ressaltou Tathila Brito.

 “E uma oportunidade como essa palestra na Sasc se faz necessária também no sentido de capacitar e fornecer subsídios básicos para que os profissionais possam instrumentalizar, em suas áreas, sobre como tratar do assunto e formas de prevenção do suicídio”, afirmou a palestrante.

Os dados em torno do suicídio têm sido cada vez mais alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que todos os anos há cerca de um milhão de casos de suicídio em todo o mundo, sendo que cada um deles tem um sério impacto na vida de pelo menos 6 pessoas. Somente no Brasil, são registados cerca de 31 casos de suicídio por dia. Dentro desse dado nacional, a cidade de Teresina figura sempre entre os primeiros lugares nos altos números registrados.

Para a psicóloga e coordenadora na Diretoria de Proteção Social Básica, Laiana Ibiapina, a realização da palestra é crucial para desmitificar o tema, para saber falar sobre o assunto e ajudar a reduzir os números de casos. “Além de políticas públicas, é de suma importância que palestras dessa natureza sejam realizadas para fortalecer essa discussão, ainda mais numa cidade como Teresina, que apresenta altos índices de casos de suicídio. A sociedade precisa debater e saber as causas para que haja prevenção”, declarou Laiana.

A importância de participar do evento também foi ressaltada pela professora do Centro Educacional de Internação Provisória, Francisca Célia Silva, que destacou a oportunidade de se capacitar em sua atuação profissional “Como agentes sociais, é necessário estarmos por dentro de todos os fatores do tema em questão. Quanto mais esclarecimento, mais podemos ajudar as pessoas com quem lidamos diariamente”, frisou Célia.


Fonte: http://www.pi.gov.br/materia/sasc/profissionais-da-sasc-recebem-capacitacao-em-palestra-sobre-abordagem-e-prevencao-do-suicidio-1139.html