quarta-feira, 24 de junho de 2009

Os mitos da depressão

Frase

"Depressão é sinal de fraqueza, se ela realmente quisesse, ela poderia sair dessa depressão"', ou "Ela tem um caráter forte. Vai sair dessa".

Esclarecimento

Nem força de caráter nem situação social protegem alguém contra a depressão. Ela pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora e em qualquer idade. Como a depressão é causada por um desequilíbrio no cérebro, é pouco provável que ela "saia sozinha" de uma depressão. Medicamentos e outras terapias são geralmente necessários.

Frase

"É melhor não perguntar sobre a depressão. Só piora as coisas. "

Esclarecimento

Quando estamos deprimidos, um ouvinte solidário pode ajudar muito. Mesmo que a intenção seja boa, se os amigos e parentes ignoram nossa depressão, podem nos fazer ficar mais retraídos e envergonhados de nossos sentimentos.

Frase

"Se ele sair mais, logo vai se sentir melhor", ou "Se me envolver no trabalho, a depressão vai embora."

Esclarecimento

A maior parte das pessoas com depressão não gosta mais das atividades que antes as faziam felizes. Sem tratamento, sair tem um efeito mínimo no estado mental de um deprimido. Da mesma forma, envolver-se no trabalho não ajuda a se livrar da depressão. A depressão sem tratamento pode durar nove meses ou mais.

Frase

"Não sei por que ela está deprimida. Ela tem um ótimo emprego e um marido maravilhoso. A vida dela é bem mais fácil que a minha. "

Esclarecimento

Como a depressão é uma doença, pode afetar a todos por melhor que seja a vida da pessoa.

Frase

"Sei que ele está muito deprimido e falou em morte, mas ele não vai se suicidar. Ele não é disso."

Esclarecimento

A depressão pode mudar as pessoas. Qualquer deprimido que pense em morte ou suicídio precisa de auxílio médico IMEDIATAMENTE.

Acréscimo final

Depressão mata. Ou em linguagem técnica é "alta a morbidade causada pela depressão".

O índice de morte nos pacientes depressivos - por vinculação direta com a doença - é de 11% entre a população em geral. Um índice que se equipara às doenças do coração.

Por fim, é preciso ficar claro: a cura da depressão depende, em grande parte, da ingestão de medicamentos. Psicoterapia, grupo de ajuda, auxílio espiritual, apoio familiar são sempre coadjuvantes no tratamento, nunca um substituto!

PS.: o navio Esperança (Hope) pode nos conduzir aos portos seguros da serenidade se enfrentarmos o mar intranquilo da depressão; mas não há outro jeito: temos que navegar, que seguir adiante, corajosamente, depois de tomarmos os cuidados iniciais, com o auxílio de profissionais habilitados e competentes.

Fonte: http://www.acessa.com/arquivo/viver/psique/1998/09/08-Depressao/

terça-feira, 23 de junho de 2009

Velocidade sem motivo, sem rumo certo...

A vinculação dos acidentes de trânsito a comportamentos suicidas é frequente e alguns estudos indicam que parte destas mortes tem um componente marcadamente autodestrutivo, principalmente quando associado à ingestão de bebidas alcóolicas e drogas.

As campanhas de valorização da vida, nas atitudes frente ao trânsito ou outras atividades cotidianas, deverão levar em conta o que o artigo abaixo destaca como um condicionante cultural muito presente e desencadeador de atitudes pouco "amiga da vida - nossa e daqueles que estão à nossa volta": a idéia de "vida curta, breve", que deve ser "rapidamente fruida, consumida, aproveitada"...

Vale respirar fundo e ler calmamente, sem nenhuma pressa...

Idéia da ‘vida curta’ é convite à rapidez | 07/06/2009

Surgida na Revolução Industrial, a valorização da velocidade foi incorporada ao cotidiano e, atualmente, é tratata como natural

Luciana La Fortezza

A Revolução Industrial deu “start” à idéia de velocidade. Com o tempo, ela foi incorporada e naturalizada. Passou a integrar o próprio espírito humano, explica o antropólogo Cláudio Bertolli, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Ficou uma noção muito clara na nossa consciência de que a vida é curta. Sendo curta, precisa ser aproveitada com uma multiplicidade de atividades”, analisa.

O resultado é um conjunto de novas neuroses. “Por um lado, as pessoas sentiram que fizeram muitas coisas. Por outro lado, sentem que não viveram esse conjunto de atividades porque foram realizadas rapidamente”, comenta o antropólogo. Atualmente, a lógica capitalista da rapidez nos faz considerar até doente quem não a assimila, quem não vive sob o lema “tempo é dinheiro”, diz Bertolli. Na contramão, alguns grupos bem restritos tentam rever essa noção.

“Os hippies fizeram isso lá nos anos 60. Por que não saímos desse espaço urbano, que nos incita a fazer mais e mais, e vamos nos recolher em comunidades rurais? A busca da chamada tranqüilidade acaba sendo interessante. O mundo capitalista se aproveita disso, inclusive. As pessoas recebem inúmeros e-mails de hotéis-fazenda convidando para espairecer, para fazer as coisas mais devagar”, destaca o professor. Ele explica que rapidez também está associada ao modernismo. A poesia “Bauru”, de Rodrigues de Abreu, por exemplo, elogia o movimento.

“A vida nunca é pensada parada. Fomos tão treinados, tão disciplinados, que não percebemos nenhum tipo de velocidade. Falamos rápido, dirigimos rápido, casamos, descasamos. Todo esse agito passou a ser normal. Só enxergamos a velocidade no outro. A nossa, não reparamos”, pondera o antropólogo. A mesma pessoa que critica excessos também os comete, ele afirma. Quanto à contradição da exigência da velocidade no cotidiano e a proibição delas nas ruas, Bertolli esclarece que o homem entende a realidade a partir da fragmentação.

Comportamento

“Sempre aspiramos ao total, ao holístico, mas não tivemos essa capacidade de olhar o todo. O próprio saber foi dividido - em história, geografia, filosofia, por exemplo”, acrescenta o professor da Unesp.

A velocidade também está relacionada à onipotência. “Eu tenho o controle do carro, da direção, acabo me auto-afirmando. O excesso de velocidade é um comportamento estudado pela psicologia muito mais em adolescentes e adultos jovens”, acrescenta o psicólogo e professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) Marcelo Mendes.

Ele também é coordenador do curso de perito e examinador do trânsito. “Nessa fase, pelo próprio desafio, pelos próprios enfrentamentos, na busca de quem eu sou, o carro passa a ser uma ferramenta de auto-afirmação. Hoje, o carro serve para o trabalho, para o lazer. Ter um carro está muito associado à condição social. As pessoas estão muito mobilizadas a ter um meio de locomoção, ter o melhor carro. Isso tem relação com status, com popularidade”, analisa o psicólogo.

Mendes defende políticas institucionais de educação para o trânsito. “É carente para o adolescente. O ensino fundamental tem trabalhado algumas coisas de tolerância, de valores. Só que, para adolescentes, há carência de políticas públicas de valorização da vida. De não usar o carro como arma, de não valorizar o excesso de velocidade”, conclui.

Fonte: http://www.jcnet.com.br/editorias/detalhe_geral.php?codigo=158334

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Bullying e suicídio

Destacamos abaixo alguns trechos de textos em que se comenta sobre a correlação entre bullying e suicídio.

O filme O Grande Garato (About a boy) trata do bullying.

“Bullying”: uma violência psicológica não só contra crianças
Raymundo de Lima

Lopes Neto observa que há casos de suicídio de pessoas que não suportaram tamanha pressão psicológica advindas do bullying. Talvez o pior efeito da pressão sofrida nos casos de bullying é a vítima se sentir condenada à ‘inexistência’, ou à ‘invisibilidade’, geralmente levado a cabo por grupo que combina entre si ignorar um colega, fazer de conta que ele não existe, desqualificá-lo na sua competência intelectual, ou rejeitar um pedido seu, etc. Há casos em que esse tipo de vítima passa a sofrer tão baixa auto-estima que nem sequer tem forças para desabafar com alguém.

Para ler a matéria completa clique aqui.

Columbine, Virgínia Tech e Bullying

Ramiro Marques

A investigação sobre os efeitos do bullying mostra que os indivíduos expostos, durante muito tempo, à sua acção negativa têm mais probabilidades de desenvolverem doenças relacionados com o stresse e evidenciam mais comportamentos suicidas.

Para ler a matéria completa clique aqui.

Bullying passa a ser acompanhado por pediatras nos Estados Unidos

Especialistas querem acompanhar tanto vítimas quanto agressores.
Ideia é tentar achar maneiras de prevenir e corrigir comportamento.

Perri Klass Do 'New York Times'

Na década de 1990, realizei exames físicos em um garoto da quinta ou sexta série da rede pública de ensino de Boston (Costa Leste dos EUA). Perguntei a ele qual era sua matéria preferida: ciências, definitivamente. Ele tinha ganhado um prêmio na feira de ciências e iria competir em uma feira com várias outras escolas.

O problema é que havia algumas crianças na escola perturbando-o diariamente por ele ter ganhado a feira de ciências. Ele era provocado, empurrado e, ocasionalmente, até agredido. A mãe do menino balançou a cabeça e se perguntou se a vida dele seria mais fácil se ele deixasse para lá essa coisa de feira de ciências.

O "bullying" (assédios e provocações) produz reações fortes e altamente pessoais. Eu me lembro do meu próprio sentimento de ofensa e identificação. Ali estava uma criança bastante inteligente, amante da ciência, possivelmente um futuro (insira aqui seu gênio favorito), atormentado por brutos. Isso foi o que fiz pelo meu paciente: aconselhei a mãe a telefonar para o professor e reclamar. Encorajei o menino a seguir com seu amor pela ciência.

Essas são três coisas que eu sei que deveria ter feito: não contei à mãe que o bullying pode ser evitado, e que isso depende da escola. Não chamei o diretor ou sugeri que a mãe o fizesse. Não pensei um segundo sequer nos provocadores, e qual seria o prognóstico para a vida deles.

Contra os bullies
Nos últimos anos, pediatras e pesquisadores dos Estados Unidos têm dado aos bullies (provocadores) e suas vítimas a atenção que, há tempos, eles merecem – e recebem na Europa. Ultrapassamos a ideia de que "crianças são assim mesmo", de que o bullying é uma parte normal da infância ou o prelúdio de uma estratégia de vida de sucesso. Pesquisas descrevem riscos no longo prazo – não só para as vítimas, que podem ter mais tendência a sofrer de depressão e pensamentos suicidas, mas aos próprios provocadores, que têm menos probabilidade de concluir os estudos ou se manter no trabalho.

Para ler a matéria completa clique aqui.

domingo, 21 de junho de 2009

Ações de prevenção ao suicídio em Porto Rico

Salud lanza campaña de prevención del suicidio
08/06/2009
Leysa Caro González

Bajo el lema “Yo amo la vida 24/7”, el Departamento de Salud lanzó hoy una campaña mediática para la prevención del suicidio.

Las estadísticas del Instituto de Ciencias Forenses reflejan que, en lo que va del año, en la Isla se han reportado 132 suicidios. De éstos, 126 son hombres y 6 son mujeres.

“Esta campaña es parte de un agresivo plan de acción que creó la Comisión de Prevención del Suicidio con la meta de erradicar el comportamiento suicida en la población puertorriqueña para mejorar la calidad de vida de nuestro pueblo”, señaló el secretario de Salud, Jaime Rivera Dueño.

Durante la presentación de la campaña, Rivera Dueño anunció además la disponibilidad de la Línea PAS, la cual está disponible 24 horas al día para ofrecer orientación y ayuda a las personas que estén atravesando por algunas situación de necesidad. De hecho, esta línea ha reflejado un aumento en su número de llamadas en los últimos tres meses de un 25%, lo cual se le atribuye en gran manera al anuncio de los despidos de 30,000 empleados públicos.

”Lo principal para prevenir el suicidio es conocer y poder identificar a tiempo las señales de peligro, como comportamiento agresivo, uso excesivo de drogas y alcohol, cambio en los hábitos de comer y dormir, cambios de personalidad, entre otros”, destacó el titular de Salud.

http://www.primerahora.com/diario/noticia/otras/noticias/salud_lanza_campana_de_prevencion_del_suicidio/304924


Buscan orientar a estudiantes para prevenir suicidio
Prensa Asociada
16/06/2009

La Cámara de Representantes llevaría hoy a votación una medida que busca enmendar la ley orgánica del Departamento de Educación para incluir, en el currículo general de enseñanza de todos los niveles, módulos orientados a la prevención del suicidio.

El proyecto, de la autoría del representante Gabriel Rodríguez Aguiló, tiene el propósito de insertar al Departamento de Educación entre los llamados a lograr que se haga una realidad la política pública de prevención del suicidio, según un comunicado cameral.

La exposición de motivos de la medida destaca que en Puerto Rico el suicidio entre adolescentes "es una trágica realidad" que podría evitarse si los jóvenes contaran con las herramientas necesarias para entender que no importan las circunstancias que se estén pasando en la vida, siempre hay una solución posible.

"Entendemos que la escuela es el mejor lugar para sentar las bases de la importancia de la salud emocional y el lugar para proveer a nuestros niños y jóvenes de unas herramientas útiles para el manejo de las crisis emocionales", sostiene el proyecto.

http://www.primerahora.com/diario/noticia/politica/noticias/buscan_orientar_a_estudiantes_para_prevenir_suicidio/307240

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Associação Paraguaia de Prevenção do Suicídio promove evento

O cartaz dispensa maiores comentários sobre o seu conteúdo em si.

Somente temos a destacar a ação da APPS em promover eventos desta natureza, que direta ou indiretamente promovem a valorização da vida e a prevenção do suicídio.

Idéia que merece ser copiada pelas entidades brasileiras similares.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mitos sobre o suicídio e outros temas: Sergio A. Pérez Barrero

Sergio A. Pérez Barrero, médico psiquiatra e professor titular da Universidade Gramna, em Cuba, é fundador da Seção de Suicidologia da Associação Mundial de Psiquiatria. Também fundador da Rede Mundial de Suicidologia, é assessor da Organização Mundial de Saúde para a Prevenção do Suicídio nas Américas.

Obras em português: Suicídio - Uma Morte Evitável, ed. Atheneu.

Em três artigos científicos, que podem ser baixados aqui, ele aborda a direta ou indiretamente a questão dos mitos em torno do suicídio. A eliminação destes mitos compõem as medidas eficazes de prevenção do suicídio, no seu entendimento.

Por fim, leiamos um editorial elaborado po este autor:

A propósito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio: 10 de Setembro

Todos os dias os meios de comunicação levam a milhões de telespectadores cenas dos diversos conflitos bélicos que ocorrem no mundo, como se fossem as guerras que provocassem o maior número de mortos. E, perante a quantidade de vidas perdidas, sensibiliza-se a opinião pública mundial e há mobilizações populares a fim de acabar com todas as guerras. Veja-se por exemplo o que aconteceu na década de 60 quando os norte-americanos realizaram enormes manifestações contra a guerra do Vietname. E nessa guerra, que durou vários anos, morreram aproximadamente cerca de 60 000 soldados norte-americanos.

Nos Estados Unidos, cada dois anos, morrem por suicídio exactamente este número de pessoas que faleceram no Vietname. No entanto, não há nenhuma manifestação popular para, pelo menos, chamar a atenção para o problema e contribuir para a sua diminuição.

E o suicídio supera, como causa de morte, as que resultam todos os anos dos conflitos bélicos que ocorrem em todo o planeta. Mesmo assim, não há nem uma notícia a favor da prevenção do suicídio e é muito provável que este dia não seja difundido da mesma maneira como são as guerras e as suas consequências.

Todos os anos suicidam-se pelo menos um milhão de pessoas e entre 10 a 15 milhões fazem uma tentativa de suicídio, o que significa que em cada 40 segundos alguém comete suicídio e ocorre uma tentativa de suicídio em cada 3 segundos.

O suicídio supera as mortes por acidentes de viação na maioria das nações desenvolvidas e ocupa um lugar entre as 10 primeiras causas de morte a nível mundial, com tendência a aumentar principalmente entre os jovens adolescentes, sendo a segunda e terceira causa de morte entre os 15 a 19 anos.

Estas evidências devem pôr-nos em alerta e levar-nos a aumentar as acções preventivas que permitam diminuir esta evitável causa de morte. Para o alcançar, devem ser cumpridos os seguintes princípios:
1.- A prevenção do suicídio é uma tarefa de toda a sociedade no seu conjunto.

2.- A prevenção do suicídio é tarefa de quem estiver mais próximo da pessoa em crise suicidária e saiba o que fazer nesse momento para o evitar. A pessoa pode ser um taxista, polícia, familiar, psicólogo, médico de família, psiquiatra, companheiro de aula, amigo, etc.

3.- O suicídio pode ocorrer durante a crise suicidária, a qual dura horas, dias, raramente semanas. Se for diagnosticada e tratada adequadamente, o sujeito tem muito menos possibilidades de realizar um acto suicida.

4.- Prevenir o suicídio é possível com medidas simples como as seguintes:

* Deve-se partir do princípio que o suicídio é uma causa de morte evitável na maioria dos casos e com escassos recursos podem salvar-se muitas vidas se forem tomadas simples medidas durante a crise suicida.

* Nunca complicar o tema do suicídio nem torná-lo num feudo de psiquiatras, psicólogos ou outros profissionais, pois é uma tarefa de toda a sociedade no seu conjunto.

* Deve-se tentar ter o apoio dos meios de comunicação para realizar programas de rádio, televisão ou artigos jornalísticos sobre o tema do suicídio e sua prevenção e propor a realização de uma oficina sobre como deve ser focado o tema nos mass media.

* Eliminar os mitos relativos a este comportamento, principalmente os que pensam que quem diz que se vai matar nunca o faz ou que se se pergunta a uma pessoa em risco de suicídio se pensou em matar-se haverá o perigo de incitá-lo a que o faça.

* Evitar o acesso de pessoas em risco aos métodos de suicídio.

* Explorar sempre a presença de ideias suicidas nas pessoas com risco de cometer suicídio.

* Nunca deixar a pessoa só enquanto estiver a planear como suicidar-se.

* Avisar outros familiares, amigos e pessoas significativas para que contribuam no cuidado da pessoa em crise suicida.

* Encaminhar logo que possível para avaliação e assistência médica especializada.

É possível diminuir esta causa de morte. Você pode ser um elo importantíssimo nesta cadeia preventiva.

Tradução: Mário Rui Teixeira
Fonte: http://www.redsuicidiologos.com.ar/dia_prevencao05.htm

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Entrevista com o dr. Jan A. Fawcett: transtorno bipolar e suicídio

Avaliando o risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar: entrevista com o especialista Dr. Jan A. Fawcett

Nota do editor: O suicídio é um resultado devastador da depressão e pacientes com transtorno bipolar passam mais tempo deprimidos do que os maníacos. Médicos que tratam pessoas com esta doença mental devem utilizar todas as ferramentas a sua disposição para prevenir o suicídio, já que trabalham com o paciente e com a família para estabilizar o humor e melhorar a função.

Dr. Jan A. Fawcett, professor de psiquiatria da University of New Mexico School of Medicine em Albuquerque, dedicou sua carreira ao estudo de transtornos do humor e suicídio. Nesta entrevista com Jessica Gould do Medscape, Dr. Fawcett fornece aos médicos os recentes conhecimentos sobre avaliação e tratamento do risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar.

Medscape: O que você acha que os médicos deveriam considerar quando avaliam o risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar?

Dr. Jan A. Fawcett: Os médicos devem saber que, em média, nos Estados Unidos, um suicídio ocorre a cada 30 tentativas. Em pacientes bipolares, a média é de um suicídio para cada três tentativas, o que confirma o maior risco de suicídio em pacientes com transtorno bipolar: suas tentativas são dez vezes mais letais.

Já que o comportamento suicida é muito mais provável de resultar em morte em pacientes bipolares quando comparados com o público em geral, deve-se ser tão cuidadoso quanto possível com esses pacientes. A primeira coisa que os médicos precisam saber é o atual estado do paciente e se o mesmo apresenta alguma ideação suicida.

Se o paciente vem tendo ideação suicida, o médico deve inquirir sobre planos suicidas específicos fazendo perguntas como, "Você já tentou se suicidar? Você tem pensado sobre isso? Você tem planejado isso?" Muitas pessoas têm uma ideação suicida vaga, mas não como muitos que têm planos específicos. Algumas pessoas ensaiam planos em sua mente e essa é uma situação muito séria.

Você também precisa saber se o paciente está gravemente agitado. Os pacientes bipolares muitas vezes apresentam estados de humor mistos, nos quais estão deprimidos e maníacos ao mesmo tempo. Em outras palavras, não estão eufóricos como muitos dos pacientes maníacos, eles estão irritáveis e têm energia aumentada. Esta é uma situação particularmente de risco para um paciente bipolar.

Medscape: Por que o estado bipolar misto impõe tamanho risco?

Dr. Fawcett: O estado bipolar misto, especificamente em relação à rapidez das mudanças de estado de humor, é difícil de monitorar. Você não pode tratar a depressão dos pacientes com antidepressivos porque pode induzir mudança cíclica de humor. Ainda que o paciente possa mostrar uma melhora inicial, o curso do paciente pode se deteriorar em estados mistos ou transtorno bipolar de ciclagem rápida. E a energia aumentada e a impulsividade de um estado misto combinado com a dor e a desesperança da depressão criam uma situação na qual a probabilidade de comportamento suicida aumenta. Estes são estados instáveis que devem ser prevenidos.

A outra questão, que está de acordo com algumas questões de minha própria pesquisa, é se o paciente está sofrendo de ansiedade grave, tal como representado por pensamentos ansiosos que o paciente não consegue controlar. Isto pode ser um sério fator de risco para suicídio. Em um estudo recente com 32.000 prontuários de pacientes bipolares,[2] o maior fator de risco para suicídio foi ser do sexo masculino e ter transtorno de ansiedade comórbido, comparado a ser jovem e ter um transtorno relacionado ao uso de droga, que são preditivos de tentativas de suicídio, mas não necessariamente suicídio.

Medscape: Quais são os desafios inerentes para medicar pacientes com transtorno bipolar que podem correr risco de suicídio?

Dr. Fawcett: Os pacientes deprimidos com transtorno bipolar normalmente não lembram muito bem de suas manias. Por isso, algumas vezes é difícil colher a história de uma mania anterior, porque os pacientes esquecem ou acreditam que estavam normais durante o episódio de mania. Se você tratar tais pacientes com um antidepressivo, pode piorar suas condições, colocando-os sob maior risco, caso desenvolvam humor cíclico ou estado misto. Isto é uma coisa que faz com que o tratamento de depressão em um paciente bipolar seja mais complicado quando comparado ao paciente unipolar. A outra situação desafiadora é o paciente com agitação presente ou ciclagem rápida de humor que tem que estar mais estável antes que você possa tratar sua depressão.

Medscape: Em um artigo de 2005 que você escreveu para Medscape, você disse que "certas formas de psicoterapia, particularmente terapia comportamental dialética, e talvez terapia cognitivo-comportamental e terapia interpessoal podem reduzir o risco de suicídio a longo prazo." Por favor explique isso.

Dr. Fawcett: Quando estiver avaliando pacientes com transtorno bipolar em relação ao risco de suicídio, o médico deve ter duas questões em mente. A primeira é o risco de curto prazo, que requer o tratamento da ansiedade do paciente ou da gravidade de seus ciclos de humor. Isto deve ser tratado, como discutido nesta entrevista, com medicações que possam reduzir rapidamente a ansiedade e agitação. Este não é o caso em que o paciente precisa de psicoterapia. Em controle de risco de longo prazo, no entanto, estas terapias podem ser eficazes. A terapia comportamental dialética pode ajudar pessoas com comportamento impulsivo e impulsos destrutivos, e é particularmente útil para pessoas com transtornos de personalidade, que tendem a materializar seus conflitos ao invés de pensar ou falar sobre eles. A terapia cognitivo-comportamental auxilia no estado de desesperança, que está relacionado com suicídio e o sentimento de que nada vai melhorar. A taxa de redução de suicídio é maior em pacientes bipolares que se mantêm em tratamento medicamentoso por seis meses ou mais.

Medscape: Qual é sua maior esperança em relação ao tratamento de pacientes bipolares que estão em risco de suicídio?

Dr. Fawcett: Bem, eu acredito que o reconhecimento crescente da importância da ansiedade como um sintoma passível de tratamento, visando a reduzir os riscos de suicídio, é muito importante. Isto emergiu apenas nos últimos 5-7 anos, com estudos mostrando um risco maior de comportamento suicida em pacientes com transtornos de ansiedade comórbidos. Ao mesmo tempo, Greg Simon mostrou que o suicídio, não apenas tentativas de suicídio, estava relacionado com ansiedade. Sintomas de ansiedade grave podem requerer tratamento adicional com clonazepam ou medicações antipsicóticas de segunda geração, que têm sido eficazes na redução de ansiedade grave e agitação quando administradas em conjunto com outras medicações para estabilização do humor.

Medscape: Qual é o maior desafio que os médicos enfrentam para reduzir o suicídio e o risco de suicídio entre pacientes com transtorno bipolar?

Dr. Fawcett: Bom, o desafio é obter informações para poder avaliar o risco imediato de um paciente em relação ao suicídio, que é uma avaliação difícil de fazer. Todo estudo que tentou determinar preditores de suicídio chegou à conclusão de que não há preditores - ao menos não estatisticamente significantes - que possam dizer ao médico que um paciente vai cometer suicídio. Precisamos de muito mais informações em relação ao que faria o suicídio ser altamente previsto para um futuro imediato. Eu acredito que isto ajudaria muito aos médicos.

Você não pode superdiagnosticar o transtorno bipolar, mas você também não pode ignorá-lo. O médico deve saber se um paciente tem história de comportamento ou plano suicidas. Se o paciente apresenta ansiedade significante, o médico deve saber disso também, e focar o fato no tratamento, já que os antidepressivos e estabilizadores do humor, sozinhos, não auxiliam nisso.
Até o momento, é uma batalha muito penosa diagnosticar e intervir para prevenir suicídio em uma sociedade livre, na qual os pacientes têm escolhas e, devido à depressão, desesperança e desânimo, podem desistir das possibilidades de recuperação. Esta é provavelmente a tarefa mais difícil dos médicos. Estamos perdendo pessoas, precisamos encontrar meios de tratá-las. É um desafio constante.

Esta entrevista foi publicada em colaboração com NARSAD, The Mental Health Research Association.

Referências bibliográficas

Baldessarini RJ, Pompili M, Tondo L. Suicide in bipolar disorder: risks and management. CNS Spectr. 2006;11:465-471. Abstract

Simon GE, Hunkeler E, Fireman B, Lee JY, Savarino J. Risk of suicide attempt and suicide death in patients treated for bipolar disorder. Bipolar Disord. 2007; 9:526-530. Abstract

Fawcett JA. Suicide and bipolar disorder. Medscape Psychiatry & Mental Health. 2005; 10. Available at: http://www.medscape.com/viewarticle/510318_6 Accessed December 9, 2007.

Informação sobre as autoras: Entrevistadora: Jessica E. Gould, BA, escreve sobre medicina como freelancer, Washington, DC. Entrevistado: Dr. Jan A. Fawcett, professor de psiquiatria, University of New Mexico School of Medicine.

Fonte: IPEMED - Instituto de Pesquisa e Ensino Médico do Estado de Minas Gerais
http://www.ipemed.com.br/ipemed_news.php?new=16