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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Notícia antiga, mas atual

Artigo sobre suicídio recebe prêmio “Jovem Psiquiatra”

Pesquisadores do Laboratório de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (Labcities), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), ganharam o prêmio “Jovem Psiquiatra” durante o 27º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em São Paulo, que contou com seis mil participantes. 

Intitulado como “Manejo do suicídio na emergência: dificuldades na formação do residente e na estruturação dos serviços no Brasil”, o artigo, que é um produto de uma pesquisa, ainda em curso, sobre vigilância epidemiológico-sanitária e prevenção ao suicídio, teve como objetivo identificar as dificuldades na formação do residente de psiquiatria na condução do atendimento emergencial, especialmente quando há risco de suicídio.
Selo de divulgação
Sob coordenação do pesquisador do Icict, Carlos Estellita-Lins e com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de outras unidades da Fiocruz, a pesquisa foi desenvolvida com médicos residentes no hospital-escola Centro de Psiquiatria do Rio de Janeiro (CPRJ). 

Após entrevistas e discussões com os residentes, os resultados apontaram para a necessidade de melhorias na  rede assistencial em psiquiatria e, sobretudo, um investimento na formação de médicos emergencistas durante a graduação e a residência. 

Para o coordenador da pesquisa, Carlos Estellita-Lins, o mais importante no estudo foi levantar alguns aspectos sobre a falta de conhecimento dos residentes, a qualidade precária do treinamento em urgência psiquiátrica e a formação incipiente dos profissionais de saúde no que diz respeito ao risco de suicídio. “Quando falamos da emergência em psiquiatria, percebemos algumas falhas no sistema. Primeiro porque as universidades não têm um ‘bloco’ especializado nesta área. Segundo porque as emergências não têm uma qualidade adequada de assistência e tampouco um fluxograma claro de encaminhamento ou protocolos de conduta. Por último, os profissionais que trabalham na ‘linha de frente’ nas emergências, não tem o treinamento adequado”, explica Estellita-Lins. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo, cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de transtornos mentais e comportamentais. No que diz respeito ao Brasil, estudos apontam que cerca de 23% da população sofre com transtornos mentais comuns, incluindo ansiedade e depressão. Segundo o coordenador, isso significa que quase um quarto da população seria passível de diagnóstico e algum tipo de ajuda, e  mais da metade deste grupo, provavelmente, desenvolverá uma forma mais grave de transtorno depressivo, que poderá levar, inclusive, ao suicídio. 

Nesse sentido, Estellita-Lins revela que para reduzir o número de indivíduos com estes transtornos, além das campanhas de reflexão e conscientização de todos os setores da sociedade,  é preciso uma maior resolutividade no primeiro contato do paciente com o hospital.  “Se as pessoas pararem de ver o suicídio como uma questão moral e admitirem que mais de 90% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, teremos uma melhor compreensão sobre o assunto, uma maior possibilidade de intervenção e, conseqüentemente, uma redução nas taxas de suicídio. No caso do primeiro atendimento, a maior preocupação da emergência deve ser atender com rapidez e eficácia, na tentativa de prevenir para que, no futuro, as pessoas não desenvolvam quadros graves de transtornos mentais”, completa o coordenador.

Para Estellita-Lins, só o fato de refletir e discutir sobre o suicídio já é um avanço muito grande. O coordenador pondera que o mais complicado nesta questão é saber como deve ser a informação e a comunicação para os trabalhadores de saúde, os médicos-residentes, para os pacientes e para a população em geral. “Temos que ter cuidado com o processo de comunicação e mediação pois para qualquer pessoa que está deprimida, só o fato de divulgar que em determinado local o chumbinho é vendido livremente, pode aumentar as chances de uma tentativa de suicídio”, explica. 

O coordenador acredita que, além de realizar uma demanda legítima da última Conferência Nacional de Saúde, que recomenda a inclusão da comunicação na agenda da saúde, folderes, cartazes, manuais e vídeos educativos podem ajudar o paciente e a população a lidar e prevenir essas situações.

Publicada em: 16/11/2009
Por: Igor Cruz
Fonte: http://www.fiocruz.br/icict/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1651&sid=80

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O filme, o livro, uma vida que poderia ter sido salva...

Giovanna Cantarelli postou em seu blog (9 out 2007) uma interessante análise sobre Ian Curtis, conhecido roqueiro que suicidou-se na década de 1980.

O jornal espanhol Público.es publicou esta semana (8 abril 2009) uma reportagem sobre o vocalista britânico, retomando o tema.

Destacaremos, pois, o que é dito nas duas matérias sobre a vida que poderia ter sido salva, se...:

Where will it end?

Vendo o filme "Control" e, principalmente, lendo o livro "Touching From a Distance" (escrito pela viúva Deborah Curtis), não é difícil perceber que a depressão de Ian Curtis, vocalista do bom e velho Joy Division, vinha de longa data. Independentemente da epilepsia. Impressionante o quanto o sistema de saúde do interior da Inglaterra naqueles meados da década de setenta me pareceu uma bela bosta. Porque qualquer psiquiatra de botequim (de pub da esquina, no caso) seria capaz de fazer esse diagnóstico.


É claro que falar agora, depois do acontecido, parece muito fácil. Você ouve "New Dawn Fades" com o Galvão Bueno berrando "eu já sabia" por cima da música.

Mas dá uma baita sensação de desperdício. Serotonina, menina, tem vitamina! Umas doses de fluoxetina, um toque de paroxetina, umas gotas de fluvoxamina e voilà! Ian Curtis poderia ainda estar entre nós.

Fonte: http://www.interney.net/blogs/dama/2007/10/09/where_will_it_end/

Ian não assumiu sua doença
por Jesús Rocamora

Conforme relata Deborah a este jornal, escrever a biografia "me ajudou a colocar as coisas em ordem e me deu a oportunidadse de falar com outras pessoas sobre o que havia ocorrido. (...) desde que o livro foi publicado, tenho pesquisado mais sobre o trastorno bipolar e sinto que entendo melhor o que Ian passou".

No livro, Deborah deixa entrever seu pouco conhecimento sobre as drogas e sobre a própria doença de Ian. Poderia ter sido evitado o trágico final? "Não sei o que mudaria se eu tivesse, na ocasião, mais conhecimento sobre drogas, epilepsia ou depressão. É muito difícil ajudar alguém com essas doenças, sem contar que antigamente havia menos apoio para se tratar estas enfermidades. Lutei muito para ajudá-lo. O que eu sei é que teria sido mais fácil se o próprio Ian e sua família houvessem assumido as doenças: poderíamos ter trabalhado juntos para superar as dificuldades".

Fonte: http://www.publico.es/culturas/217374/ian/asumio/enfermedad

Além, pois, de reconhecermos o quanto o tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico poderia ter evitado essas e outras tragédias envolvendo depressão e suas tantas faces, podemos entrever, mesmo que superficialmente, o quanto o luto processado pela viúva de Ian, ao escrever o livro, a auxiliou a livrar-se de uns tantos pesos mortos...