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segunda-feira, 5 de julho de 2021

 OMS publica orientações para reduzir taxa de suicídio em um terço até 2030

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou hoje uma orientação (disponível em inglês) para reduzir a taxa de suicídio em um terço até 2030 ao redor do mundo. Somente em 2019, segundo a organização, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio, o que representa uma pessoa a cada 100 mortes.

O alto número de vítimas foi ponto de partida para o anúncio e produção de novas orientações com o objetivo de ajudar os países a melhorarem — ou colocarem em prática — o atendimento e prevenção ao suicídio, e alcançarem a meta no tempo estipulado.

Estimativas feitas pela OMS e reunidas no relatório "Suicídio em todo o mundo em 2019", divulgado hoje, apontaram que esse tipo de morte é uma das principais ocorrências de óbito em todo o planeta. Em uma comparação, mais pessoas morrem por suicídio do que HIV, malária, homicídio e câncer de mama.

O suicídio foi a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos precedido de mortes por acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Com relação ao sexo das vítimas, o relatório apontou que homens morrem por suicídio mais do que o dobro que as mulheres — sendo 12,6 homens e 5,4 mulheres vítimas de suicídio a cada 100 mil mortes.

"Não podemos — e não devemos — ignorar o suicídio. Cada um é uma tragédia. Nossa atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia da covid-19, com muitos dos fatores de risco para suicídio — perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social — ainda muito presentes. A nova orientação que a OMS está lançando hoje fornece um caminho claro para intensificar os esforços de prevenção do suicídio", disse o Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-Geral da OMS, em comunicado oficial da organização enviado ao colunista do UOL Jamil Chade.

Aumento da taxa nas Américas e orientações

Apesar da redução na taxa de mortes globalmente, o número de mortes por suicídio está aumentando nas Américas. De 2000 a 2019, a taxa global caiu 36%, mas aumentou 17% nas Américas no mesmo período, informou a organização.

A OMS ainda ressaltou que mesmo que muitos países tenham colocado a pauta de prevenção do suicídio em suas agendas, "muitos permanecem não comprometidos". Hoje, somente 38 países são conhecidos por terem uma estratégia abrangente de prevenção a esse tipo de morte.

Entre as orientações no relatório da OMS estão: limitar o acesso a mecanismos que podem ser usados na prática do suicídio, relato responsável dos meios de comunicação ao tratarem desta questão, serviços de apoios socioemocional para adolescentes, e a identificação precoce, gestão e acompanhamento de pessoas que tenha pensamentos ou comportamentos suicidas.

Neste último ponto, a OMS destaca a importância da formação e treinamento de profissionais da saúde e trabalhadores de serviços de emergência para a identificação das pessoas com essas condições.

A nova orientação ainda traz exemplos de mecanismos usados para a prevenção ao suicídio em países como Austrália, Gana, Índia, Iraque, Guiana, EUA e Suécia. O texto explica que as medidas podem ser utilizadas nacionalmente, mas também localmente e até mesmo em ONGs (organizações não governamentais).

"Embora uma estratégia nacional abrangente de prevenção do suicídio deva ser o objetivo final de todos os governos, iniciar a prevenção do suicídio com intervenções [indicadas nas orientações do relatório] pode salvar vidas", finalizou Alexandra Fleischmann, especialista em prevenção ao suicídio da OMS.
Centro de Valorização da Vida

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

Fonte: www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/06/17/oms-saude-guia-taxa-mortes.htm

domingo, 2 de setembro de 2018

Suicídio de adolescentes - três matérias do jornal Zero Hora


Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Acesse aqui

Suicídio de adolescentes: conheça a "aula de vida" criada em escola de Guaíba

Meta de professora é auxiliar os alunos a se tornarem mais autoconfiantes. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

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Suicídio de adolescentes: "O grupo da escola me salvou"

Levantamento inédito acende alerta sobre tentativas de suicídio e casos de automutilação entre alunos da rede estadual. Campanha Setembro Amarelo busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

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Suicídio de adolescentes: conselhos para professores, pais e amigos

Levantamento acendeu alerta sobre o problema entre alunos da rede estadual. Campanha busca discutir o assunto e divulgar ações preventivas

Na escola
  • Ao primeiro sinal de depressão, chame a família. Se a família não tomar nenhuma medida, informe ao Conselho Tutelar e à rede de saúde local. 
  • Crie espaços de fala, de expressão de sentimentos e dúvidas que possam ser acolhidos e compartilhados pelo grupo.
  • Crie momentos de conversa com os alunos enfatizando a vida.
  • Desenvolva ações de prevenção do bullying.
  • Elabore, em parceria com outros setores, projetos voltados para a realidade da sua escola.
  • Faça parcerias com as universidades e/ou com as unidades básicas de saúde da área da sua escola, solicitando a participação dos profissionais dessas unidades em palestras e debates.
  • Falar sobre o suicídio não faz com que a pessoa decida se matar, mas dá a ela a oportunidade de conversar sobre seu sofrimento e assim obter ajuda.
  • Insira a vigilância, a prevenção do suicídio e a promoção da vida no projeto político pedagógico da escola.
  • Leve os alunos ao cinema, teatro, exposições, ou crie com eles uma exposição de trabalhos sobre o tema (seguido de debates), estabelecendo parceria com as secretarias de educação, saúde e cultura.
  • Trabalhe o tema de forma lúdica, desfazendo mitos e abrindo possibilidades de discussão.
  • Previna o comportamento desafiador e a violência escolar.
Em casa 
  • Dialogue com o filho e tenha um espaço para convivência. É preciso tirar um tempo para a família.
  • Não deixe o filho isolado. Tenha contato com ele.
  • Uma criança ou adolescente muito isolado, que mude seu comportamento de base, que altera sua dinâmica, pode estar em sofrimento. São sinais de alerta, mas não significam necessariamente doença. Neste momento, o ideal é conversar com o filho, dizendo que você se preocupa e que percebeu que ele está diferente. Mesmo que ele não queira conversar, é sempre importante, de maneira sincera, dizer que você está disponível para ajudar caso ele precise, mesmo que pareça um assunto difícil.
Se está acontecendo com um amigo seu
  • Geralmente, o primeiro a perceber é o amigo.
  • Avise os próprios pais para que eles acionem a família do amigo.
  • Acione alguém da escola, professor ou orientador educacional.
  • Guardar segredo não ajudará o amigo. O ajudar é poder repartir.
Preste atenção

Sintomas de depressão
  • Alteração de padrão de sono – dorme mais
  • Alteração de padrão de apetite
  • Alteração de humor: pode ter choro frequente ou apenas demonstrar a alteração em atitudes mais impulsivas (se era uma criança ou adolescente calmo e passa a demonstrar irritação com situações comuns da rotina) 
  • Sentimentos de desesperança, desamparo e desespero
  • Desânimo
  • Queda no rendimento escolar
  • Pensamento negativo
  • Diminuição de prazer
  • Isolamento 
  • Tédio (não tem nada para fazer)
  • Uso contínuo de roupas compridas em períodos de calor
  • Uso de pulseiras para esconder os braços
Causas que podem desencadear a depressão 
  • Abuso de substâncias
  • Abuso físico e sexual na infância
  • Bullying
  • Desemprego, perda recente do emprego ou endividamento dos pais
  • Dificuldade de integração e socialização na escola
  • Dificuldades em relação a identidade e orientação sexual
  • Histórico familiar de transtorno psiquiátrico
  • Problemas emocionais, familiares e sociais
  • Rejeição familiar
  • Situações de luto
  • Situações de assédio moral
  • Trabalho infantil
  • Violência familiar
Colaboraram: psiquiatras Berenice Rheinheimer, Sara Sgobin e Christian Kieling, psicóloga Claudia Weyne Cruz e manual de bolso do Comitê de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do RS.

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2018/08/suicidio-de-adolescentes-conselhos-para-professores-pais-e-amigos-cjli2tn6q05r301n0o9urfgdy.html

sábado, 16 de julho de 2016

Suicídio e adolescência: novas orientações

Associação de pediatras dos EUA atualiza orientações sobre prevenção do suicídio entre adolescentes

Ricki Lewis, PhD - 15 de julho de 2016

O suicídio ocupou o lugar do assassinato como segunda principal causa de morte de adolescentes entre os 15 e os 19 anos de idade nos Estados Unidos. Em resposta, a American Academy of Pediatrics (AAP) atualizou suas diretrizes para o rastreamento da ideação suicida entre os pacientes, a identificação dos fatores de risco e o atendimento de jovens em situação de risco.

O novo relatório foi redigido pelo Dr. Benjamin Shain, psiquiatra infantil da NorthShore University HealthSystem, em Illinois, e substitui o relatório da APP de 2007 sobre suicídio e tentativa de suicídio entre adolescentes. O documento atualizado, que destaca o estresse causado pelo bullying e pelo uso "patológico" da internet, foi publicado online em 27 de junho, no periódico Pediatrics.

A American Academy of Pediatrics recomenda que os pediatras incorporem em suas rotinas perguntas sobre se os pacientes pensam em automutilação e rastreiem os outros fatores de risco, e encaminhem os pacientes com tendências autodestrutivas para avaliação psiquiátrica e possível tratamento, que poderá incluir uso de antidepressivos.

Dados anteriores indicam que o número de tentativas de suicídio entre adolescentes ultrapassa o de suicídios efetivados, de 50 a 100:1. Os quatro principais métodos escolhidos são: asfixia, armas de fogo, envenenamentos e pular de lugares altos.

Os fatores de risco de tentativa de suicídio entre os adolescentes são muitos e bastante variados, tais como história de tentativa de suicídio, história de suicídio na família, uso de álcool e drogas, ser do sexo masculino, questões relacionadas com a identidade de gênero, transtornos do humor, relacionamento conturbado com os pais, problemas na escola, não estudar nem trabalhar e história de abuso sexual ou físico.

O bullying (intimidação e/ou exposição com ou sem violência), junto com o cyberbullying (intimidação e/ou exposição pela internet), são fatores de risco cada vez mais reconhecidos de suicídio na adolescência. Outro fator de risco que vem crescendo é a mimetização do comportamento ou da ideação suicida após a veiculação de notícias sobre suicídios ou tentativas de suicídio, especialmente quando relacionadas a outro adolescente.

Outros fatores que aumentam o risco de comportamento suicida são: depressão, transtorno bipolar, transtornos  relacionados com o uso de substâncias psicoativas,  alterações do sono, psicose, transtorno de estresse pós-traumático, crises de pânico, impulsividade, histórico de agressão e uso da internet superior a cinco horas por dia.

De acordo com o relatório, os adolescentes que praticam uma religião e têm bom relacionamento com seus pais, colegas e outros no ambiente escolar apresentam menor risco de ideação suicida.

Embora o número de tentativas de suicídio seja duas vezes maior entre as mulheres, a taxa de êxito letal entre os homens é três vezes maior, pois estes tendem a escolher métodos mais eficientes, como as armas de fogo. A American Academy of Pediatrics identificou que o risco de suicídio na adolescência é alto nas casas onde existem armas de fogo.

O relatório atualizado adverte que, apesar de os fatores de risco serem comuns, o suicídio não é. Por outro lado, a ausência de fatores de risco não significa que o suicídio não seja possível. No entanto,  a intenção é um sinal de alerta de alto risco, assim como a existência de um plano de suicídio, história de tentativa(s) de suicídio – usando algum método letal –, comportamento ou ideação suicida claros com desamparo e/ou agitação, e sintomas graves de transtornos do humor.

Ademais, os médicos devem compreender que os fatores de risco oferecem apenas uma orientação e que o risco de tentativas de suicídio pode ser reduzido, mas não eliminado.

O relatório termina com conselhos específicos para os pediatras:

  • Incluir questões sobre os fatores de risco de suicídio na anamnese de rotina, talvez por meio de uma escala de depressão. O relatório sugere perguntas específicas para iniciar as conversas, abordar a ideação suicida de maneira sensível e instrui sobre como acompanhar as respostas. A American Academy of Pediatrics aconselha que as entrevistas sejam realizadas sem a presença dos pais, mas que os pacientes sejam informados que seus pais serão avisados caso seja identificado algum risco de suicídio.

  • Estar familiarizado e orientar adequadamente os pacientes sobre os possíveis riscos e benefícios do uso de antidepressivos. Reconhecer que os transtornos do humor assumem diversas apresentações entre os adolescentes.

  • Trabalhar em estreita colaboração com os familiares, outros profissionais de saúde e prontos-socorros, a fim de amparar os adolescentes em risco de suicídio.

  • Fornecer informações sobre os recursos locais de prevenção do suicídio.

  • Obter formação complementar em diagnóstico e tratamento do transtorno do humor entre os adolescentes, caso necessário.

  • Identificar as residências onde existam armas de fogo, indagar sobre a forma como essas armas são guardadas e informar os pais sobre o maior risco de suicídio entre adolescentes em casas onde existem armas de fogo.

SHAIN, Benjamin. Suicide and Suicide Attempts in Adolescents. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2016/06/24/peds.2016-1420. Pediatrics. Jun. 27, 2016.

Fonte: http://portugues.medscape.com/verartigo/6500357