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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Suicídio e imitação: o potencial de aumento dos casos

Morte de Robin Williams coincide com aumento de suicídios nos EUA, aponta estudo

Por João Vitor Figueira 13/02/2018

Principais vítimas foram homens e pessoas entre 30 e 44 anos.

A morte de Robin Williams em agosto de 2014 causou comoção mundial. Com vários sucessos em sua carreira diante das câmeras, especialmente em papéis cômicos, foi um choque descobrir que um artista que provocou tantas risadas no público tirou a própria vida. Quase quatro anos depois, um levantamento revelou um triste impacto do falecimento do ator na sociedade americana.

Em um artigo publicado na revista científica Plos One, foi constatado que o número de suicídios nos Estados Unidos aumentou 10% nos cinco meses que seguiram a morte do ator vencedor do Oscar por Gênio Indomável (1997).

Conduzida por David S. Fink, Julian Santaella-Tenorio e Katherine M. Keyes, a pesquisa compilou informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Foram analisados os dados sobre suicídios no país entre 1999 e 2015 e a partir daí os pesquisadores identificaram matematicamente como foi a progressão de casos assim ao longo dos anos.

"Nossas estatísticas indicavam que deveríamos esperar 16.849 suicídios entre agosto e dezembro de 2014; entretanto, nós observamos 18.690 suicídios neste período, o que sugere um acréscimo de 1.841 casos (9,85% de aumento). Apesar do aumento nas taxas de suicídios terem sido observadas em grupos de diferentes gêneros e idades, homens e pessoas entre 30 e 44 anos tiveram as maiores taxas de suicídios no período", diz o levantamento. "Este foi o primeiro estudo a examinar as consequências do suicídio de uma celebridade na era digital", afirmou David S. Fink, pesquisador com pós-doutorado em epidemiologia que liderou o estudo na Columbia University, em Nova York.

Pesquisas semelhantes já haviam comprovado que suicídios de celebridades costumam impactar a vida de pessoas comuns de forma tangível. "Quando outras pessoas veem uma pessoa que elas conhecem, podem acabar se identificando com essa experiência. Elas adquirem a habilidade de agir. É aí que a imprensa entra. Quanto mais pessoas ficarem sabendo de detalhes específicos, haverá, em potencial, um número maior de casos de identificação", avaliou Fink.

O estudo pontua que a Organização Mundial da Saúde orientou a imprensa reportar casos de suicídios de celebridades muito famosas sem sensacionalismo e sem entrar em detalhes desnecessários sobre os métodos que a vítima usou para tirar a própria vida. Além disso, era recomendado que notícias sobre casos de suicídio viessem acompanhadas de mensagens consistentes sobre prevenção e ajuda para pessoas que podem pensar em realizar tal ato. O levantamento diz que "é questionável" se a imprensa americana seguiu essas diretrizes ao noticiar a morte de Williams.

A morte da estrela de Uma Babá Quase Perfeita é comparada com a morte de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, que se suicidou no auge de sua popularidade, em 1994. "Houve um impacto mínimo da morte de Cobain nas taxas de suicídio de Seattle, nos Estados Unidos, e evidências disponíveis para a consulta indicam que reportagens restritivas sobre a morte, assim como mensagens consistentes relacionadas à prevenção do suicídio durante a cobertura da imprensa podem ter ocupado um papel importante para impedir suicídios subsequentes."

Os pesquisadores afirmaram que não era possível cravar com certeza que o aumento da taxa de suicídios nos EUA entre agosto e dezembro de 2014 pode ser atribuída somente a morte de Robin Williams. Entretanto, a conclusão do estudo diz que é "improvável" que outros eventos tenham tido mais influência nas taxas de morte auto-infligida no país durante o período analisado.

http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-137784/

terça-feira, 8 de junho de 2010

Suicídio e mídia: discussões se multiplicam

Suicídio permanece como tabu na imprensa

2 de junho de 2010

De acordo com um levantamento de dados do Sistema de Informações de Mortalidade do DataSUS, do ano de 2008, foram notificados mais de 9 mil casos de suicídios no Brasil naquele ano, o que corresponde a cerca de 25 mortes por dia. Devido a subnotificação de casos de suicídio no país, estima-se que esse número seja 20% maior do que o oficial. No entanto, o assunto permanece como um tabu para a cobertura jornalística em saúde.

Para discutir o tema, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) promoveu, no dia 25 de maio, o seminário “Suicídio na Imprensa: entre informação, prevenção e omissão”, que contou com a participação de especialistas no assunto e profissionais de imprensa. Como convidados, o editor de Saúde do jornal O Globo, Antônio Marinho; o jornalista e professor da PUC-Rio, Arthur Dapieve; o pesquisador e coordenador do Grupo de pesquisa de prevenção do suicídio do Icict, Carlos Eduardo Estellita-Lins; a editora de Saúde do jornal Extra, Flávia Junqueira e o professor da Unicamp e presidente da Comissão de prevenção do suicídio, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Neury José Botega.

Umberto Trigueiros, diretor do Icict, abriu a discussão ressaltando a importância do debate sobre o tema para o Instituto. “Temos o ‘Observatório de Saúde na Mídia', que investigou a epidemia de dengue e, hoje pesquisa outros temas. Daqui a um tempo, o suicídio também poderá ser incorporado ao catálogo de informações e assim poderemos trabalhar do ponto de vista acadêmico, de formação e de programas de saúde”.

Autor do livro “Morreu na Contramão”, fruto de sua dissertação de mestrado defendida em 2006 na PUC-RJ, Arthur Dapieve apresentou os dados do seu levantamento sobre as reportagens sobre suicídio publicadas no jornal O Globo no ano de 2004. Segundo o jornalista, das 142 matérias publicadas naquele ano, 60% falava sobre o suicídio de Getúlio Vargas, que completava 50 anos. Outras citações contavam pesquisas sobre depressão, ataques terroristas (“neste tipo de matéria, às vezes, o suicida sequer era contabilizado entre as vítimas”) e quatro menções sobre o suicídio no período da ditadura militar.

Para o jornalista e professor da PUC-RJ, o silêncio sobre o assunto equivale a ‘fechar os olhos’ para uma faceta importante da sociedade. “A imprensa tem preconceito em divulgar notícias sobre suicídio, mas deve-se lembrar que os preconceitos da sociedade também se refletem nas práticas do jornalismo. Acredito que romantizar os suicídios não ajuda muito, mas não noticiá-los é um problema sério. O que devemos buscar é um equilíbrio entre esses dois pilares”.

Contextualização versus silêncio

Antônio Marinho, editor do jornal O Globo de Ciência & Saúde, afirma não se lembrar de ter feito reportagens sobre suicídio. “Há, de fato, um silêncio sobre o tema dentro das redações. Mas ninguém sabe informar ao certo de onde vem essa proibição”. Segundo Marinho, fala-se do assunto quando há um ataque suicida ou um caso de eutanásia, mas não se discute o porquê do ato. “O manual da Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente, é nossa única fonte sobre o assunto. A mídia precisa aprender a discutir o suicídio, pois nunca houve uma tentativa verdadeira”.

O pesquisador e coordenador do Grupo de pesquisa de prevenção do suicídio do Icict, Carlos Eduardo Estellita-Lins, ressaltou a importância das estratégias de prevenção para conhecer os meios de suicídio e realizar o diagnóstico precoce. A divulgação dos meios de se cometer o suicídio e a omissão de fatos são problemas graves que envolvem a questão. “Devemos lembrar que a omissão também é o falar demais, a fala descontextualizada, não somente o silêncio”.

Flávia Junqueira, editora de Saúde do jornal Extra, assim como Antonio Marinho, não se lembra de ter realizado uma cobertura sobre prevenção ao suicídio em mais de uma década de existência do jornal. “Quando existe algum tipo de citação sobre o assunto, geralmente, é nas matérias sobre depressão. Como o Extra é um jornal popular, a linguagem é mais direta, não sabemos ainda como oferecer noções didáticas de prevenção, por exemplo”.

Último a se apresentar, professor da Unicamp e presidente da Comissão de prevenção do suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Neury José Botega enfatizou que o assunto, além de ser uma tragédia pessoal, é uma tragédia “silenciosa e silenciada”. “Os números ainda são abstratos, devido a subnotificação, e no Brasil, é considerado ‘pequeno’ em escala mundial. Com esse pensamento, o suicídio fica à sombra de outras mortes trágicas, como homicídios e acidentes de trânsito”.

Botega também acredita que a conscientização é o primeiro passo para discutir o assunto e criar estratégias para a prevenção. Para o pesquisador, algumas intervenções podem ser realizadas, como campanhas de conscientização da população em geral e também campanhas voltadas para grupos de risco (pessoas que sofrem de doenças mentais). “O suicídio não é ‘apenas’ um problema de saúde pública. É um problema humano; muitas pessoas que estão sob o risco de cometer o suicídio podem e devem receber ajuda. A sociedade está se abrindo para o assunto, e a imprensa também”.

Fonte: http://www.lappis.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1289&sid=1
BoletIn - Integralidade em Saúde

Suicídio e mídia: debate em aberto

Seminário debate abordagem do suicídio na mídia

Renata Moehlecke

Para os jornalistas, as notícias sobre suicídio trazem à tona um dilema: como conciliar o dever de informar e, ao mesmo tempo, não provocar danos e promover a prevenção? As diferentes perspectivas sobre a prática dessa complicada tarefa foram o ponto central do debate ocorrido no seminário Suicídio na imprensa: entre informação, prevenção e omissão, realizado pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). O evento contou com a participação do jornalista e professor da PUC-Rio, Arthur Dapieve; do jornalista de ciência e saúde de O Globo, Antônio Marinho; do pesquisador e coordenador do Grupo de Pesquisa de Prevenção do Suicídio do Icict, Carlos Eduardo Estellita-Lins; da editora de saúde do jornal Extra, Flávia Junqueira; e do professor da Unicamp e presidente da Comissão de Prevenção do Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Neury José Botega, reconhecido como um dos mais proeminentes pesquisadores sobre o tema no país.
Durante o evento, houve a apresentação de um filme de 30 segundos que faz parte de uma nova campanha para prevenir contra o suicídio efetuada pela Associação Brasileira de Psiquiatria
Segundo Arthur Dapieve, nos meios de comunicação, há profissionais que acreditam que a informação pode ajudar a reduzir o número de ocorrências de suicídio, mas que a maioria dos jornalistas consideram o tema um tabu, como ocorre em boa parte da sociedade. “O primeiro impulso nas redações é não divulgar, apesar de não haver uma indicação direta de que esse é o procedimento adequado”, comenta o professor. Antônio Marinho complementa que, quando questionados, os jornalistas não sabem dizer de quem partiu a restrição e não a encontram em nenhum manual específico. “É costume falar sobre suicídio quando se trata de casos de polícia ou médicos, como ataques terroristas ou eutanásia, mas sem um enfoque direto ou aprofundamento da questão”, diz o jornalista. “A mídia precisa aprender a discutir o assunto, porque nunca tentou de verdade”.

O pesquisador e organizador do evento, Carlos Estellita-Lins, aponta que essa omissão evasiva considerada ‘politicamente correta’ pode carregar um certo descuido na hora de abordar o tema. “A percepção é de que, por um lado, o suicídio, quando divulgado, pode ser ‘contagioso’; por outro, que o silêncio sobre os casos tende a ser mais danoso para a sociedade”, explica o pesquisador.“É preciso colocar o suicídio na agenda pública. As pessoas devem entender que o suicídio existe e pode ser prevenido. O problema maior é como construir esta informação”.
A jornalista Flávia Junqueira citou que, desde a criação do jornal Extra, em 1998, nunca chegou a ver em seu local de trabalho a produção de uma matéria sobre a prevenção do suicídio. “Há o registro de matérias que falam sobre depressão e que essa doença pode elevar o risco de suicídios, mas não uma matéria que aborde diretamente o problema”, afirma Flávia. O professor Neury Botega acrescenta que o suicídio é uma tragédia silenciosa e silenciada e que é mais comum no Brasil do que se pensa. “Dentre as mortes trágicas, nos meios de comunicação, o suicídio fica a sombra de outros tipos de óbitos, como homicídios e mortes por acidentes de transito”, elucida o psiquiatra. “Se a prevenção é possível? Sim. É claro que não é podemos sanar os suicídios, já que se trata de um problema humano, mas pessoas podem ser identificadas em grupos de risco e ser ajudadas”.

Durante o evento, Botega ainda apresentou o filme de 30 segundos que faz parte de uma nova campanha para prevenir contra o suicídio efetuada pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Além disso, os participantes do seminário receberam manuais dirigidos a profissionais de imprensa que apresentam recomendações para produzir textos claros e esclarecedores sobre o comportamento suicida, doenças mentais e psiquiatria.

Publicado em 28/5/2010.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Já aconteceu, mas o tema é importante...

ABP promove debate sobre papel da mídia na prevenção do suicídio

A Associação Brasi-leira de Psiquiatria (ABP) realiza nesta sexta-feira, 5 de junho, durante a Feira+Fórum Hospita-lar, em São Paulo, debate com profis-sionais dos principais veículos de imprensa nacionais e inter-nacionais para trocar experiências sobre a divulgação de informações sobre uma das principais causas de morte no país e no mundo: o suicídio.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o suicídio aumentou 60% nos últimos 45 anos, passando a figurar entre as principais causas de óbito na população jovem.

Trata-se também de um problema de saúde pública – estima-se que a cada 35 segundos uma pessoa morre por ato suicida, sendo que para cada um desses óbitos há no mínimo cinco pessoas cujas vidas são profundamente afetadas emocional, social e economicamente.

No Brasil, as estimativas apontam que a cada hora morre uma pessoa por suicídio.

Consciente da complexidade do tema e das dificuldades da mídia no tratamento do assunto, a ABP quer ouvir os profissionais de imprensa para dirimir dúvidas, além de prestar esclarecimentos e orientações.

O objetivo é discutir alternativas para a ampliação do papel da mídia na prevenção ao suicídio e encontrar, em conjunto com os jornalistas que fazem a cobertura de saúde no Brasil, alternativas éticas para este esclarecimento à população.

Debate O papel da mídia na prevenção do suicídio
Data: 05/06/09
Hora: 12h – Auditório Cantareira 5 – 2º andar
Local: Feira Hospitalar – Expo Center Norte
Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo

Fonte: AMB

Colhido na íntegra no blog Psicoterapia Brasil, do psiquiatra José Toufic Thomé

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Campanha do CVV de 2007 ainda repercute na mídia estrangeira

Considerado como uma das 10 mais intensas e densas campanhas de marketing de guerrilha social, os cartazes do CVV, de 2007, ainda é referência, sendo citado comumente em blogs estrangeiros.

Vejamos: 

"Tão simples, quanto eficaz. Estes cartazes, de uma organização brasileira de prevenção do suicídio, utiliza tão somente uma folha em branco e o recorte de uma silhueta de alguém em queda - o espaço em negativo, do recorte, parece promover o salvamento". 2 abril 2009 (http://toi.tokao.com/category/journal/)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um bom exemplo de como abordar o suicídio na mídia!!

Enfrentar, comentar, esclarecer... É isso que faz a jornalista Flávia Saad, do jornal A Tribuna Online.

Transcreveremos, na íntegra, sua reportagem:

Aumento da depressão em crianças e jovens leva a suicídio

FLÁVIA SAAD 


No filme Milk - A voz da igualdade, que está em cartaz nas salas da Cidade, o protagonista Harvey Milk (interpretado por Sean Penn, que ganhou o Oscar pela atuação) recebe um telefonema crucial na noite em que aguarda o resultado de sua eleição para o cargo de supervisor em São Francisco (Califórnia).

Do outro lado da linha, um jovem do interior dos Estados Unidos ameaça se matar por não conseguir lidar com o preconceito que sofre por ser gay. Sem saber a quem recorrer, liga para Milk, cuja foto viu em um jornal. O político e ativista conversa por alguns momentos com o garoto, mas oferece a ele exatamente o que ele precisa: alguém que o escute.

Na tela, a cena cumpre o propósito de emocionar (e também de incrementar a história). Mas, na vida real, não é tão simples assim. Crianças e adolescentes enxergam no suicídio uma opção para fugir da escuridão em que vivem - e da qual acreditam que não conseguirão sair.
De acordo com Adriana Pereira, psiquiatra infantil e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), o número de suicídios entre os jovens aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Segundo a médica, mais de 3 milhões de jovens pensam em se matar todos os anos. Entre 1993 e 1998, o índice subiu 40% no Brasil.

Assim como o crescimento dos casos de depressão na infância e na adolescência, as taxas de suicídio também estão ligadas à fragilidade dos laços afetivos e à solidão de um mundo em que crianças e jovens vivem sozinhos na multidão. Adriana chama esse problema de "privação emocional".

O psicólogo Hélio Alves, professor da Universidade Católica de Santos (UniSantos), acredita que esse sentimento também se manifesta com outras agressões. Bulimia, anorexia e o uso de drogas também são formas de acabar com a própria vida - a insegurança e a falta de relacionamentos confiáveis geram a busca pela autodestruição.

A CADA 40 SEGUNDOS

O ato de acabar com a própria vida ainda representa um tabu na sociedade. Mas hoje, o suicídio está mais próximo de nós do que nunca. Em uma busca simples pela palavra na internet, o site Google mostra quase oito milhões de referências a esse termo, com especificações: "como cometer suicídio", "tipos de suicídio" e até mesmo "fotos de suicídio". Em todo o mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa se mata.

"Um grande problema dosuicídio infantil e juvenil é a notificação", afirmou Adriana. Isso porque, muitas vezes, os pais, médicos e professores não sabem (ou não querem) reconhecer a tentativa da criança ou adolescente de tirar a própria vida. O aumento no número de intoxicações por ingestão de remédios ou venenos pode ser um indicativo das intenções que se escondem por trás de um "acidente". Muitas crianças e adolescentes exteriorizam sua depressão por meio de dores físicas (de cabeça ou de estômago, por exemplo).

A especialista alerta que o ato de se matar é capaz de afetar de maneira negativa até seis outras pessoas, entre amigos e familiares da vítima. "É um choque muito difícil de se recuperar".

LONGO CAMINHO

Adriana explica que, embora a adolescência seja um período conturbado para a maioria das pessoas, por conta das mudanças orgânicas e emocionais dessa época da vida, alguns jovens são mais propensos a sentimentos depressivos. "Um jovem não decide se matar de uma hora para a outra. Há um longo caminho entre o desejo de morrer e a conclusão".

Segundo Alves, o perigo da depressão ­ e o consequente suicídio ­ pode passar despercebido por pais e professores. "A negação acontece. É mais fácil não olhar e não admitir a própria culpa".

É importante ter um espaço em casa para as discussões entre pais e filhos. "O grupo de amigos nunca vai substituir o diálogo com a família. Mesmo com a nossa vida agitada, o ideal é prevenir esses problemas e não deixar para o dia seguinte", conclui Alves.

Como identificar

Falta de interesse nas atividades habituais
Declínio geral nas notas
Diminuição no esforço/interesse
Má conduta na sala de aula
Faltas não explicadas e/ou repetidas, ficar "matando aula"
Consumo excessivo de cigarros (tabaco) ou de bebida alcoólica, ou abuso de
drogas (incluindo maconha)
Incidentes envolvendo a polícia e o estudante violento
Tentativas prévias de suicídio
Depressão
Confronto com adultos
Agressões diretas ou indiretas a pais e professores
Fonte: Organização Mundial de Saúde

Iniciativa
Em 2006, o Governo Federal publicou a Portaria 1.876/06, que declara o suicídio como problema de saúde pública. Uma das justificativas foi o aumento do comportamento suicida entre jovens entre 15 e 25 anos, em todas as camadas sociais. Desde então, ficou estabelecido que as três esferas de gestão (federal, estadual e municipal) deveriam atuar juntas na prevenção do problema e garantir o acesso a tratamento, cuidados e recuperação.

Eles e elas
As meninas costumam tentar mais o suicídio, mas são os garotos que são mais bem-sucedidos, porque lançam mão de métodos mais letais, como enforcamento e armas de fogo. Já elas optam pela ingestão de medicamentos.

Procure ajuda

O professor Hélio Alves faz trabalho de psicoterapia breve gratuito em crianças e adolescentes (e seus pais) nas comunidades das igrejas Valongo, São Benedito, Aparecida, Sagrado Coração de Maria e no Centro Comunitário São Judas (em Santos), Nossa Senhora da Lapa (em Cubatão) e Santo Antônio (Praia Grande).

A clínica psicológica da UniSantos atende por uma taxa simbólica na Rua da Constituição, 321, de segunda a sexta, das 7 às 20 horas e aos sábados, das 8 às 15 horas. O telefone é 3221-2307.

Fonte: http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=401707&opr=512