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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Com afeto: mais vida, menos sofrimento
O afeto e sua importância na diminuição do risco do suicídio
O psiquiatra Carlos Braz Saraiva realçou esta quarta-feira a importância do afeto na prevenção dos suicídios, que têm aumentado entre os portugueses nos últimos anos, segundo informa a agência Lusa.
“A subida das taxas de suicídio, em Portugal, vem desde o princípio do século XXI”, afirmou o responsável pela consulta de prevenção do suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
Braz Saraiva falava numa conferência de imprensa, destinada a apresentar o programa comemorativo dos 20 anos de existência daquela consulta, que começa na sexta-feira, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, com um ciclo de cinema temático que se prolonga até 25 de Maio.
O professor universitário disse que o índice actual de suicídios em Portugal é ligeiramente superior a 10 por 100 mil habitantes em cada ano.
“Se houver mais afeto, o risco diminui”, disse, defendendo a importância de “criar proximidades e alternativas” para minimizar os comportamentos suicidários.
Carlos Braz Saraiva sublinhou, ainda, que 90 por cento das crises suicidárias estudadas, desde 1992, pela equipe de seis médicos voluntários que asseguram a consulta de prevenção do suicídio dos HUC, acabam "por serem superadas em um mês”.
“Estudamos, nestes anos, aquilo que se chama crise suicidária”, assumindo particular “interesse pela narrativa do sofrimento” dos pacientes, que são encaminhados para a consulta a partir das urgências dos HUC (agora integrados no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, CHUC).
Nesta consulta de subespecialização, foram observados “mais de mil doentes” desde o início.
Além da assistência às pessoas com comportamentos suicidários, a consulta criada por Braz Saraiva visa também a investigação científica e a realização de sessões em escolas no âmbito da prevenção.
A comemoração do 20.º aniversário da consulta de prevenção do suicídio “vai marcar o ano de 2012 com uma série de iniciativas”, salientou o presidente do conselho de administração do CHUC, José Martins Nunes.
Celebrando o acontecimento, “queremos dar o realce que a consulta merece”, disse, por seu turno, António Reis Marques, diretor do Serviço de Psiquiatria dos HUC.
3/5/2012
Fonte: http://www.rcmpharma.com/actualidade/saude/03-05-12/suicidio-afectos-sao-importantes-para-diminuir-o-risco
Nota: Adaptado ao português brasileiro por nós.
sábado, 10 de setembro de 2011
Indicação bibliográfica (ii)
Suicídio: de Durkheim a Shneidman, do determinismo social à dor psicológica individual
Carlos Braz Saraiva
Psiquiatria Clínica, 31, (3), pp.185-205, 2010.
Resumo
Numa homenagem a Edwin Shneidman, recentemente falecido, o autor faz uma revisão de alguns dos aspectos mais importantes da suicidologia, desde a “visão macro por fora” de Durkheim, do final do Século XIX, até à “visão micro por dentro”, de Shneidman, do Século XXI. Nesta viagem percorre diversas correntes psicodinâmicas, cognitivas, sistémicas, neurobiológicas, da mente e do cérebro. Aborda especificidades do suicídio em Portugal, fala da Consulta de Prevenção do Suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra e da criação da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, em 2000, e ainda apresenta subsídios para um Plano de Prevenção do Suicídio em Portugal.
Palavras-chave: Suicídio; modelos suicidas; Durkheim; Shneidman; Consulta de Prevenção do Suicídio; Sociedade Portuguesa de Suicidologia; Plano de Prevenção do Suicídio em Portugal
Trecho significativo
Shneidman ficará também ligado à metodologia das chamadas autópsias psicológicas, termo aplicado pelo cientista em 1958. O objectivo era o esclarecimento das mortes equívocas após a realização da autópsia médico-legal. Confrontados com o problema da intenção de matar, os médico-legistas acabariam por ir ao local da morte, ouvir a polícia, médicos assistentes, familiares, etc. A colaboração com a Psiquiatria e a Saúde Mental surgiria com naturalidade. Até porque haveria que responder a algumas perguntas (Shneidman, 1969):
“ Qual o tipo de morte mais provável?”
“ Porquê o suicídio?”
“ Como morreu e porquê naquele momento?”
“ Será que a família precisa de apoio?”.
Exportada de Los Angeles para o mundo tal metodologia de investigação, foi, então, que se concluiria, em países e culturas diferentes, em estudos que envolveram milhares de suicidas, a existência de patologia psiquiátrica em cerca de 90% dos casos e depressão em mais de 50% das vítimas (Saraiva, 2006, p. 159).
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