quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Centro de Valorização da Vida oferece apoio online para crianças com depressão


O Centro de Valorização da Vida (CVV) de Araraquara oferece serviços de assistência aos adolescentes e crianças com depressão e de prevenção do suicídio através de um chat online.

Veja o vídeo!


4º Seminário de Prevenção do Suicídio da UERJ



PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR 

10/9 - Manhã

9:00h às 9:30h- Abertura - Profa . Dra. Maria Christina Paixão Maioli (UERJ)
                                             Coral do Meio Dia (UERJ)

9:30h às 11:00h - Prevenção do Suicídio através do mundo: fortalecendo os fatores protetores e incutindo a esperança.  Profa.  Dra. Blanca Suzana Guevara Werlang (PUC/RS) 

11:15h às 12:30h - Mesa Redonda com o tema: “As diferentes abordagens psicológicas para a prevenção do suicídio”.  Moderador: Isidoro Eduardo Americano do Brasil

Palestrantes:
.  Profa.  Selena Cavarelli (UFRJ) - Psicanálise 
.  Profa.  Eliane Falcone (Instituto de Psicologia/UERJ) - Terapia Cognitiva Comportamental
.  Profa.  Marizete Rodrigues (Instituto Logos) - Psicoterapia Existencial Humanista Sistêmica Familiar 

10/9 - Tarde

13:50h às 14:00 - Jingle do CVV: “Conheça o CVV em 2 minutos”  - apresentador  Sr. Inácio (voluntário do CVV)

14:00h às 15:30h - Mesa Redonda com o tema: “Acolhimento ao alunos universitários: uma forma de prevenção” - Moderador: Ademir Pacelli (Uerj) 

Palestrantes: 
. Profa.  Rosi Mary Bergeron (USA/WOU)- Programa de acolhida aos estudantes na Universidade do Oregon 
.  Profa.  Dra. Celia Caldeira Fonseca Kestenberg (UERJ) - Acolhida ao estudante de Enfermagem da UERJ 
.  Profa.  Sandra Torres Serra (PAPE/UERJ) - Programa de Apoio Psicopedagógico ao Estudante (PAPE) da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ

15:45h às 17:15h- Mesa redonda com o tema: “Estabelecendo barreiras para a prevenção do suicídio” - Moderador: Luiz Augusto Brites Villano (UERJ)
 
Palestrantes: 
.  Profa.  Dra. Alexandra Tsallis (IP/UERJ) - Barreira Humana: uma ideia de prevenção. 
.  Profa.  Karina Okajima Fukumitsu (UPM/SP) - Processo de luto do filho da pessoa que cometeu o suicídio: reflexões sobre prevenção. 
.  André Carvalho Netto (UERJ/HUPE) 

A partir de 17:30h - Coquetel  e  lançamento dos livros: 

. “CVV - Como Vai Você” - Dalmo Duque dos Santos

. “Trocando  Seis  Por Meia Dúzia: Suicídio como emergência do Rio de Janeiro” - Org. Carlos  Estellita-Lins

Apresentação da peça “Queda livre”
                 
 11/9 - Manhã

9:00h às 12:30h -  Oficina do Centro de Valorização da Vida ( Auditório 11) 

Abertura:  Moiza Margarete Nunes (Coordenadora do posto Maracanã) e membros do CVV

Palestra: Sr. Arthur Antônio Mondim (CVV/Web) - “O futuro da prevenção de suicídio no Brasil”

Cine-ser-CVV/Debate: Tema - “Lembranças” - Debatedor: Sr. Luiz de Oliveira (voluntário CVV)

MINI CURSOS (apenas para inscritos no seminário)

.  Mini Curso 1: 
Trabalhando com Grupos
Professor: Profa. Glória Maria Silva (UERJ) - Psicóloga 
Carga Horária: 3h 
Vagas: 25
Público-alvo: profissionais de saúde inclusive universitários: Enfermagem, Medicina, Psicologia, Nutrição, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Fisioterapia
Local: Centro de Treinamento da SRH 
Horário: 9:30h às 12:30h 
Ementa: O curso aborda os principais aspectos gerais e fenômenos específicos no trabalho com grupo. 

.  Mini Curso 2: 
Carícia: a importância do reconhecimento essencial
Professor: Prof. Jorge Rogério Fagim (UERJ) - Médico e Analista Transacional clínico 
Carga Horária: 3h 
Vagas: 25
Público-alvo: Pessoas interessadas em conhecer o conceito da Carícia da Análise Transacional
Local: Centro de Treinamento da SRH 
Horário: 9:30h às 12:30h
Ementa: Este workshop se baseia num dos conceitos e instrumentos da Análise Transacional (AT), uma teoria da personalidade criada pelo psiquiatra Dr. Eric Berne no final da década de 50, denominado CARÍCIA (Strucks). De acordo com a definição da International Transactional Analysis Association (ITAA) "A Análise Transacional é uma teoria da personalidade e uma psicoterapia sistemática para o crescimento e a mudança pessoal". É também uma filosofia de vida, uma teoria da Psicologia individual e social. Possui um conjunto de técnicas de mudança positiva que possibilita uma tomada de posição quanto ao ser humano. Segundo Berne a Carícia é a “unidade de reconhecimento”, ou seja, qualquer estímulo social, intencional, que reconhece a existência do outro. Constitui (como o alimento, o sexo, etc.) uma das fomes básicas (inatas) do ser humano, ou seja, todos nós necessitamos de Carícias em nosso dia a dia. Da mesma forma como o alimento, todos nós necessitamos de uma cota mínima diária para sobreviver, mas, o grande problema é como buscamos as Carícias que necessitamos. Infelizmente, buscamos mais a Carícia negativa (“falem mal, mas, falem de mim”) para completarmos a nossa cota diária, até porque existe uma escassez no  mundo.  Neste workshop, de forma teórica e vivencial, apresentamos os experimentos e conclusões que levaram Berne ao conceito de Carícia, Fomes Básicas e, posteriormente, por um dos seus principais colaboradores (Claude Steiner), o das Leis de Economia e Abundância de Carícias. 

.  Mini Curso 3: 
Avaliação do risco de suicídio: entrevista, escalas, intervenções.
Professor: Carlos Estellita-Lins (FIOCRUZ/ICICT)
Carga Horária: 3h 
Vagas: 25
Público- alvo: profissionais de saúde inclusive universitários: Enfermagem, Medicina, Psicologia, Nutrição, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Fisioterapia
Local: Centro de Treinamento da SRH 
Horário: 9:30h às 12:30h
Ementa: O curso  busca expor os princípios de uma correta avaliação de pessoas em  risco de suicídio  utilizando critérios baseados em evidência. Serão discutidos aspectos cardinais na avaliação diagnóstica e de crise como a condução da entrevista, a utilização de escalas de risco de suicídio e as intervenções necessárias.
         
11/9 - Tarde
             
.  Mini Curso 4:  
Intervenção terapêutica com usuários em risco de suicídio: Acompanhamento terapêutico e psicoterapia 
Professora: Verônica Miranda (UERJ) e Rosi Mary Bergeron (USA/WOU)  
Carga Horária: 3h 
Vagas: 25
Público-alvo: profissionais de saúde inclusive universitários: Enfermagem, Medicina, Psicologia, Nutrição, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Fisioterapia
Local: Centro de Treinamento da SRH 
Horário: 14:00h às 17:00 h
Ementa: O curso visa mostrar a importância da interdisciplinaridade no risco de suicídio. E abordar
o  procedimento  de  intervenções  terapêuticas  na  psicoterapia.  Como também  o  protocolo  de
Acompanhamento terapêutico (rotina, anamnese, objetivos reintegrativos e a avaliação do risco).

COMISSÃO TÉCNICA E CIENTÍFICA

.  Deise Sanches (UERJ) - Enfermeira
.  Glória Maria Silva (UERJ) - Psicóloga
.  Isadora Ramos (UERJ) - Psicóloga
.  Jorge Fagim (UERJ) - Médico
.  Marcelo Abreu (UERJ) - Pedagogo voluntário
.  Maria Márcia Lopes Carvalho (UERJ) - Estagiária de Psicologia
.  Verônica Miranda de Oliveira (UERJ) - Psicóloga

Coordenação Geral: Prof a . Dra. Maria Christina Paixão Maioli
Secretária: Guacira Dias de Oliveira (UERJ)

Informações e contatos

Data: 10 e11/09/2012
Local: Capela Ecumênica - UERJ
Endereço NACE: Rua São Francisco Xavier, 524, Bl E- 2º andar - Sala 2009,
Maracanã. Rio de Janeiro 
e-mail: uerjpelavida2012@gmail.com
Tel/Fax: (21) 2334-0987/ 2334-0983.

Gratuitas, as inscrições do seminário devem ser feitas por e-mail ou no local, no dia 10/9 (vagas limitadas)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Prevenção do suicídio nas prisões de Portugal

Os chamados direitos fundamentais são, como sabemos, mais bem respeitados na Europa. Isso chega, naturalmente, às unidades prisionais.

A notícia, abaixo, nos dá a dimensão dos cuidados que os detentos estão a merecer em Portugal.


Prevenir suicídios nas prisões
Os Serviços Prisionais assinam esta terça-feira um protocolo com a Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS) que visa a prevenção do suicídio, um fenómeno que tem vindo a aumentar nas cadeias portuguesas.

Segundo dados fornecidos recentemente à Lusa da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), de 1 de Janeiro a 25 de Junho deste ano morreram 26 reclusos nas 51 cadeias portuguesas, 18 dos quais devido a doença, e oito por suicídio.

No primeiro semestre de 2011, o número de mortes foi superior, tendo atingido as 35 - duas por suicídio e 33 por doença.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Costa Santos, do Conselho Científico da SPS, considerou que o protocolo será uma "mais valia" em benefício da sociedade em geral e dos reclusos em particular, revelando que, pelo acordo, caberá aos peritos da Sociedade Portuguesa de Suicidologia fazer a avaliação do actual programa integrado de prevenção do suicídio nas cadeias, podendo propor medidas ou alterações que visem alcançar progressos nesta matéria.

Jorge Costa Santos, que é também director da delegação sul do Instituto Nacional de Mediciona Legal (INML), considerou ainda que a assinatura deste protocolo é "uma prova de humildade" da DGSP, ao reconhecer que a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, através de técnicos e peritos qualificados, é uma entidade que a pode ajudar a minorar o problema.

Evitando ser "juiz em causa própria", o protocolo prevê que seja a SPS a fazer a avaliação externa do programa integrado de prevenção do suicídio nas prisões, num trabalho que passa por fazer a triagem e a identificação dos comportamentos auto-destrutivos num "microcosmos" muito diferente do mundo exterior que é a prisão.

Idade, sexo, depressão, alcoolismo, drogas e doenças graves são factores que devem ser tidos em conta na análise dos riscos, tendo Jorge Costa Santos alertado para a necessidade de um maior acompanhamento dos reclusos na fase inicial da reclusão, porque é nos primeiros meses de encarceramento que o perigo de suicídio é maior.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/prevenir-suicidios-nas-prisoes

terça-feira, 24 de julho de 2012

Prevenção e posvenção do suicídio: curso em São Paulo


Os índices de suicídio tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, inclusive no Brasil. Infelizmente pouco tem se falado no assunto e os cursos de formação existentes raramente preparam o futuro profissional para cuidar de um paciente com risco suicida ou para o suporte após o suicídio. Este curso destina-se aos que desejam conhecer os métodos de prevenção, cuidado e posvenção do suicídio para se instrumentalizarem em sua prática profissional, seja ela clínica, pedagógica ou assistencial

Coordenação
Karen Scavacini, CRP 06/64761, psicóloga clínica e gestalt terapeuta pelo Instituto Sedes Sapientiae (2004) e mestre em saúde pública (2011) na área de promoção em saúde mental e prevenção ao suicídio pelo Instituto Karolinska – Estocolmo, Suécia.

Objetivo
Discutir conceitos, fatores e condutas para a prevenção do suicídio e para o apoio e tratamento aos amigos, familiares, colegas de escola e/ou trabalho de quem cometeu suicídio (posvenção) à luz da Gestalt-Terapia.

Módulo 1
Conceitos de prevenção
  • Multicausalidade do suicídio (aspectos culturais, étnicos, sociológicos, psicológicos, econômicos)
  • Fatores de risco e proteção
  • O suicida em potencial e seus diferentes comportamentos nos ambientes em que transita
  • Mitos e verdades
  • Trabalhando com o suicida
  • Trabalhando com a família
Módulo 2
Posvenção ao suicídio
  • Conceito de posvenção
  • Fatores que influenciam no luto por suicídio
  • Comunicando o suicídio
  • Suporte a quem ficou
  • O impacto do suicídio nos diversos ambientes (familiar, escolar, hospitalar, profissional)
Público-alvo
- Profissionais da área da Saúde (psicólogos, médicos e enfermeiros da área de psiquiatria), de Educação (professores e diretores de escola) e do Serviço Social.
- Estudantes (último anistas)

Metodologia
Aulas expositivas, discussão dos conceitos e exercícios práticos.

Número de participantes: 20
Carga horária: 24 horas
Data: de 23 de agosto a 18 de outubro de 2012 (8 encontros de 3 horas, todas às 5ª feiras)
Horário: das 19 às 22h

Local: Instituto Gestalt de São Paulo
Rua Ferreira de Araújo, 652 Pinheiros São Paulo-SP

Mais informações, incluindo valores, acesse: http://www.gestaltsp.com.br/curso/prevpos/

domingo, 22 de julho de 2012

Bom exemplo vindo de Pomerode - SC


NASF orienta a comunidade contra o suicídio através dos meios de comunicação

Desde o ano passado, a Secretaria de Saúde (SESA), por meio do Núcleo de Apoio da Família (NASF), desenvolve um projeto que trabalha a prevenção do suicídio em Pomerode. Neste sentido, a partir deste mês, o NASF entrará em contato com os meios de comunicações e demais órgãos importantes da cidade, com o objetivo de orientar a comunidade sobre o assunto.

A primeira ação realizada por intermédio do projeto intitulado “RE-VIVER”, foi uma capacitação das oito equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF’s). Participaram os agentes comunitários (que tem contato direto com a comunidade), os profissionais de serviços gerais, recepcionistas, assistentes, enfim, todos, que possam identificar sinais e sintomas e orientar, encaminhar ou acionar o serviço adequado em caso de suspeita ou de risco efetivo de suicídio. Também foi produzido um material denominado “Manual de Capacitação para a Rede de Saúde do Município de Pomerode”, que está sendo distribuído aos profissionais da rede para fomentar ainda mais o conhecimento sobre o tema.

Onde procurar ajuda?

Em Pomerode, as equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF’s) atendem a maior parte dos casos de risco de suicídio, encaminhando somente casos mais graves para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou para internação, de acordo com a avaliação da Equipe.

Em casos urgentes pode-se acionar o SAMU, os Bombeiros ou encaminhar a pessoa diretamente ao Hospital, para que receba o atendimento e os encaminhamentos necessários.

Outra opção que a população tem para procurar ajuda é o Centro de Valorização da Vida (CVV), localizado em Blumenau, que presta serviço voluntário, gratuito e sigiloso de apoio emocional à população. As pessoas podem ligar no telefone (47) 3329-4111 ou se dirigir até a sede, no horário das 7h às 22h. O CVV fica localizado na Rua Prof. Luiz Schwartz, nº 169, Velha, próximo à Vila Germânica.

Estatísticas

- 2000: mais ou menos 1 milhão suicídios no mundo

- 2020: mais ou menos 1,53 milhão de pessoas cometerá suicídio no mundo. E um número de 10 a 20 vezes maior de indivíduos tentará o suicídio

- O Brasil possui taxas baixas de suicídio: variam de 3,9 a 4,5 a cada 100 mil habitantes (2004)

- Santa Catarina: em 2010 foram 518 suicídios e, em 2011, foram 476 casos.

Em Pomerode:

- 2010: 4 casos (homens)

- 2011: 9 casos (6 homens e 3 mulheres)

- 2012: nenhum caso até o momento

A importância dos meios de comunicação para o combate do suicídio

O Suicídio é um problema mundial e de saúde pública, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde (MS). Conforme a Portaria 1.876/2006, estas três entidades desenvolvem a “Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio”.

A mídia desempenha um papel significativo na sociedade atual, ao proporcionar uma ampla gama de informações, através dos mais variados recursos. Influencia fortemente as atitudes, crenças e comportamentos da comunidade e ocupa um lugar central nas práticas políticas, econômicas e sociais. Devido a esta grande influência, os meios de comunicação podem também ter um papel ativo na prevenção do suicídio. A maneira como os meios de comunicação tratam casos públicos de suicídio pode influenciar a ocorrência de outros suicídios.

Referente a estas informações, o NASF também está divulgando para os meios de comunicação um manual elaborado pela OMS, que procura enfatizar o impacto que a cobertura midiática pode ter nos suicídios, indicar fontes de informações confiáveis, sugerir como abordar suicídios tanto em circunstâncias gerais quanto especificas e apontar as armadilhas a serem evitadas nas coberturas de suicídios. Para obter o Manual, basta acessar o link http://www.pomerode.sc.gov.br/downloads/Arquivos/Prevencao_Suicidio.pdf

Fonte: Assessoria de imprensa 3387-7213/7273
Acesso: http://www.pomerode.sc.gov.br/Noticia.asp?lang=pt&id_Noticia=1658
Data: 17 de julho de 2012

Seminário na UERJ: fatores de prevenção e esperança


4º 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Suicídio e crise econômico-social: o alerta que vem de Portugal


Crise económica e suicídio andam de mãos dadas

Psiquiatra Pedro Afonso diz que existem sérios riscos de ocorrer no nosso país um aumento exponencial do número de suicídios.

“De acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística, em 2010 as mortes por suicídio em Portugal ultrapassaram pela primeira vez os óbitos provocados por acidentes rodoviários. Neste caso, ocorreram no nosso país 1101 óbitos por suicídio, mais 86 do que as mortes registadas em acidentes nas estradas durante o mesmo período”.

As palavras são do psiquiatra Pedro Afonso e integram um artigo em que aborda a relação da crise económica com o aumento da taxa de suicídio. E as conclusões não são risonhas: “Considerando o crescimento da taxa de desemprego para cerca de 15%, as dificuldades económicas da população e o consequente acréscimo dos casos de depressão, existem sérios riscos de ocorrer no nosso país um aumento exponencial do número de suicídios”.

E nos últimos tempos as notícias confirmam-no, com as tentativas frustradas ou consumadas.

Pedro Afonso considera que o aumento das doenças psiquiátricas associadas à crise económica é um problema que deve ser monitorizado pelo governo, defendendo o acompanhamento pelos serviços de saúde das situações mais dramáticas como é o caso dos casais em que ambos estão desempregados. E deixa o aviso: “A indiferença política diante do aumento do número de suicídios, no contexto da presente crise económica, pode tornar-se perigosa, pois corrompe o tecido social e exprime a renúncia a um importante compromisso: o compromisso com o futuro”.

O estudo do fenómeno

O fenómeno do suicídio é a razão de existir da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), sedeada em Coimbra e fundada em 2000. E a relação com a crise não lhe passa ao lado. “Sabemos que uma sociedade em crise económica será um factor de risco acrescido mas, se houver coragem de transformar a crise em oportunidade, talvez possamos começar a construir desde já um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio e assim contribuir para uma eficaz prevenção”.

“Desde 2000 houve um aumento claro das mortes por suicídio. Podendo haver dúvidas quanto à explicação, há certezas quanto aos números e esses apontam, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, para o dobro de suicídios no século XXI relativamente aos anos 90”, lê-se na página da associação na Internet (www.spsuicidologia.pt) onde se acrescenta que embora as taxas em Portugal sejam das mais baixas da Europa, “a sul de Santarém atingem dimensões preocupantes no que aos idosos diz respeito”.

Pressão social influencia o suicídio

A faixa entre Chamusca e Benavente estatisticamente tem taxas elevadas de suicídio, segundo o sociólogo e investigador Garrucho Martins. Apesar de não haver estudos o investigador na Universidade Nova considera que a situação pode estar relacionada com a grande pressão social. Ou seja, são zonas onde a sociedade exerce um grande controlo, onde toda a gente sabe da vida de toda a gente, onde todos se conhecem e a vergonha perante situações de desemprego ou dificuldades económicas potencia o suicídio.

Garrucho Martins explica que há uma tendência para que sejam pessoas da classe média as que mais recorrem ao suicídio, porque estas habituaram-se a ter um bom nível de vida, a terem expectativas em relação ao futuro e quando isso falha começam a entrar em depressão e a ter na morte uma solução. “Os grupos sociais que sempre viveram em instabilidade têm estratégias de adaptação às situações”, explica, realçando que o suicídio é sempre uma solução provisória e que não resolve só por si as situações que acabam por cair em cima das famílias.

Com a crise e a consequente perda de expectativas de futuro, o discurso dos políticos também não ajuda. Se alguém que tem propensão para se matar não ouve dos governantes palavras positivas, de estímulo, o quadro piora. É por isso que Garrucho Martins considera que nesta altura os políticos têm que pensar muito bem nos efeitos dos seus discursos. Até porque o que se está a assistir actualmente é a suicídios de índole anómica, em que todos os valores são negativos, em que já não existem referências e tudo é possível, em que a pessoa anda completamente à deriva.

O investigador lamenta que não exista um acompanhamento das famílias afectadas pelo suicídio, sobretudo as que têm filhos pequenos. A família costuma fechar-se até porque o tirar a própria vida é algo tabu na sociedade e visto como uma coisa vergonhosa, a falha de um projecto pessoal. Também não há na saúde pública um acompanhamento especializado a nível psicológico e psico-educativo de quem tem tendência para se matar. O que acontece é que a psiquiatria nos hospitais faz a medicação mas depois não tem condições para acompanhar a pessoa.

Garrucho Martins é da opinião que se fala pouco do suicídio numa perspectiva educativa, de prevenção. Entende que não deve falar-se de mais, mas também falar de menos é prejudicial e deve mostrar-se que o suicídio tem efeitos muito negativos na sociedade. Para o investigador a situação a que se assiste neste momento com pessoas que põem termo à vida por questões profissionais ou económicas pode levar a uma situação de contágio na sociedade que é muito preocupante. Agravada pelo facto de o Estado Social estar a falhar. O facto de as pessoas saberem que iriam ter uma reforma, que podiam ser curadas se tivessem doentes, que os filhos teriam sempre acesso à educação dava uma certa tranquilidade. Mas agora “assiste-se a uma incerteza perante o futuro que leva desespero”.

Sociedade | Opinião e Comentário | O Mirante (semanário regional) :: 12/7/2012 :: texto adaptado
http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=556&id=84672&idSeccao=9353&Action=noticia