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domingo, 24 de julho de 2016

Notas domingueiras dos jornais poderiam ser mais "a favor da vida"!

O título desta postagem é um tanto diferente e a razão é esta: muitos jornais, impressos ou digitais, resolvem no final de semana amenizar os temas a serem abordados. Tratam de questões existenciais, de assuntos psicológicos e de amenidades.

A matéria abaixo, digna de leitura e reprodução, é um exemplo disso e a favor da vida!


Prevenção exige ajuda
24/7/2016

O suicídio ainda é um tema tabu. A afirmação é da voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), Adriana Rizzo. Por isso, quando a ideia suicida surge na mente, é comum a pessoa se julgar e não encontrar espaço para pedir ajuda. Ela cita que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez suicídios podem ser prevenidos, porém, é necessário pedir ajuda.

No site do CVV há dicas e o folheto “Falando abertamente sobre suicídio” que pode ajudar a quebrar a barreira imposta ao assunto. A associação civil sem fins lucrativos faz 1 milhão de atendimento, por meio do telefone 141, por Skype, e-mail ou chat, sendo que estes três últimos são acessíveis pelo portal www.cvv.org.br.

A prevenção do suicídio pode ocorrer na percepção de seus sinais. “Como o afastamento de encontros e festividades ou automutilação. Nessas situações, se colocar à disposição para conversar, sem condenar ou dar palpites na vida da pessoa, é uma grande ajuda. Se a pessoa não quiser se abrir com você, pode-se sugerir que busque ajuda profissional, religiosa ou do CVV, pois, às vezes, ela se sente mais à vontade em conversar com um desconhecido”, comenta.

Fim do ano

Estatisticamente, o número de ocorrências de suicídio tende a aumentar no segundo semestre, pois o ambiente ao redor pode exigir uma falsa felicidade e traz à tona lembranças tristes e novas cobranças, de acordo Adriana. (ACM)

Fonte: www.comerciodojahu.com.br/noticia/1351202/prevencao-exige-ajuda 

Esta matéria foi publicada no jornal Comércio do Jahu, da cidade de mesmo nome, do interior de São Paulo. Felizmente, hoje, domingo, 24 de julho de 2016.

É uma nota breve, mas que pode orientar e salvar vidas!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Reportagem NOTA 10 sobre o suicídio e sua prevenção :: Revista DeFato

A despeito das orientações do guia Prevenir o suicídio: um guia para profissionais dos mídia, da Organização Mundial de Saúde, poucos jornalistas conseguem abordar o tema do suicídio sem cometerem equívocos. 

Daí, então, esta homenagem a Tatiana Santos e ao veículo de imprensa em que ela trabalha, o jornal e revista DeFato, de Itabira, Minas Gerais, terra do Carlos Drummond de Andrade.

Suicídio: Silêncio que mata
Tatiana Santos(em 15/11/2014)

Tabus em torno do suicídio prejudicam o combate a esse tipo de morte. Especialista aponta que trabalhos sérios, como o do CVV, podem prevenir até 90% dos casos de autoextermínio

Matéria de capa da edição 262 da Revista DeFato

“A vontade de viver foi se esvaindo dia a dia”. Era assim que se sentia a itabirana Victória Alves, 34 anos, quando enfrentou uma forte depressão no ano de 2004. Tomada por um vazio inexplicável, ela resolveu tomar a decisão extrema: cortou os pulsos e só não morreu pela ação de pessoas próximas. “Estava muito deprimida e para mim aquilo não passaria nunca”, desabafa.

Fraqueza, vazio, tristeza e falta de perspectivas estão entre os sentimentos que mais levam pessoas ao autoextermínio. Casos como o de Victória acontecem toda hora e são encobertos por um silêncio protocolar. Há muito tabu em torno do suicídio. Em várias esferas da sociedade, tocar nesse assunto é como mexer em podridão. Os resultados disso são números cada vez mais em ascensão e um problema que fica sem solução por causa do dedo que não vai até a ferida.

Para a psicóloga especialista em Assistência Social, Andreza de Souza Figueiredo, o fato de o Brasil ser considerado um país de pessoas alegres faz com que falar sobre fraquezas, tristezas e depressão coloque o individuou como um fracassado. No ponto de vista religioso, muitas crenças pregam a condenação ao suicida. Há também a questão do Sistema de Saúde, que não debate o tema com a amplitude que deveria. Até mesmo os meios de comunicação têm dificuldade em divulgar o assunto. Há um pensamento disseminado de que expor casos de autoextermínio incentiva que outros aconteçam.

Segundo a psicóloga, existe uma série de fatores que levam ao suicídio. Para chegar a esse ponto, a pessoa normalmente está em pleno sofrimento ou acometido por diversos fatores, sejam eles externos (como pressões sociais e cobranças) ou internos (como a depressão, doenças clínicas, problemas psiquiátricos, alcoolismo ou uso de drogas). Também existem estudos que apontam que algumas perturbações mentais podem levar ao autoextermínio, como transtornos de personalidade e de humor e esquizofrenia.

Conforme a especialista, alguns homens que sofrem durante certo tempo com disfunções sexuais, ao perceberem a impossibilidade da ereção e ao vivenciarem problemas graves no casamento, já relataram em consultório a vontade de se matar. “Curiosamente, os homens tentam menos suicídio do que as mulheres, mas morrem mais. As mulheres morrem menos por usarem métodos menos efetivos. Os homens usam métodos mais agressivos”, explicou Andreza.

Indícios

Na maioria dos casos, quem pretende se suicidar deixa indícios. Algumas pessoas se isolam muito, há mudança de humor repentino, insônia e falta de apetite. Os discursos ficam deprimidos ou voltados para a morte, como “ninguém mais precisa de mim”, “eu não tenho utilidade nenhuma”, “preferia estar em outro lugar”. Há também aqueles que escrevem cartas de despedidas ou até testamentos.

No caso de Victória, a itabirana confidenciou a amigos a falta de vontade de viver. Depois de cometer o ato extremo, procurou ajuda. “Tive que ter a iniciativa de saber que dependeria de mim retomar a força e o equilíbrio. Procurei ajuda médica e fiz um tratamento para combater a depressão, muito consciente de que aquilo teria que passar, assim como o uso dos medicamentos também. Não queria me tornar dependente deles”, diz.

A psicóloga Andreza orienta que uma maneira de ajudar um possível suicida é começar a ter uma escuta mais qualificada e sem julgamentos. A pessoa também deve incentivar que o amigo procure ajuda profissional, que pode ser um psicólogo, um psiquiatra, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), clínicas ou rede de voluntários como o Centro de Valorização da Vida (CVV). O suicídio pode ser prevenido em 90% dos casos. “Geralmente o suicídio não acontece porque a pessoa quis se matar, mas porque enxergava como a única possibilidade naquele momento. E naquela ocasião ela não recebeu ajuda adequada de um profissional ou de uma rede social”, afirma.

Victória hoje é empresária e dá palestras motivacionais. Ela admite que falar de suicídio não é uma tarefa agradável, mas necessárias. “Tenho uma família linda, meu próprio negócio e, principalmente, tenho anos à frente do que me aconteceu. Essa questão em minha vida é bem resolvida”, diz a itabirana.

O mito de Itabira

Há vários anos Itabira é apontada por muitas pessoas como a cidade com o mais elevado índice nacional de suicídios. A associação vem do final da década de 1990 e início da década seguinte. De acordo com tese de doutorado do professor Roberto Gomes Alvim, que observou o período pós-privatização da Vale, entre os anos de 1996 e 2002 houve aumento significativo no número de pessoas que relataram sofrimento de crises internas e sociais.

Naquela época, houve mais estímulo ao suicídio, com aumento de 71,6% de casos e 65,5% dos fatos consumados. O professor esclareceu, na tese defendida na Universidade de Salamanca, na Espanha, que não é propriamente a privatização da companhia que provocou essa elevação, mas sim o fim da representação que as pessoas faziam da empresa, de que ela nascera para garantir o emprego, e, em consequência, a estabilidade econômica e emocional de todos.

Apesar de os números apresentarem expansão naquela época, hoje Itabira não lidera mais a lista. Atualmente, a maior concentração de suicídios está no Rio Grande do Sul. Segundo o Mapa da Violência, atualizado entre 2008 e 2012, Itabira ocupa a 172ª posição nacional. Nesses quatro anos, 42 pessoas se mataram na cidade. Desse total, nove eram jovens. Os dados foram baseados numa população total de 111.514 habitantes.

Conforme dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o oitavo país em suicídios. São 25 mortes por dia, ou seja, mais de uma pessoa por hora. O autoextermínio é a terceira causa de morte na faixa etária de 15 a 34 anos no país. Em todo planeta, a média é de uma morte desse tipo a cada 40 segundos. O cálculo é de que 1 milhão de pessoas – o equivalente à cidade de Maceió - se mate a cada ano.

Os números ficam ainda maiores e impactantes quando são levadas em conta as tentativas de suicídio. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que para cada morte consumada, há uma média de 15 a 25 tentativas. Hoje, 3% dos gastos dos sistemas públicos de saúde são para atender tentativas de suicídio.

Valorizando a vida

Há 15 anos, Itabira conta com um posto de atendimento do Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade sem fins lucrativos. O projeto foi criado na década de 60, em São Paulo, e somente duas cidades mineiras possuem um posto do CVV. O objetivo é contribuir para que as pessoas tenham uma vida mais plena e, consequentemente, prevenir o suicídio. As atividades do posto são integralmente realizadas por 15 voluntários que são capacitados para escutar pessoas que precisam de apoio emocional, sob a condição de sigilo absoluto.

No final dos anos 1990, o Governo Federal lançou um programa de combate ao suicídio após perceber que o índice estava muito maior do que o aceitável. Foi elaborado, então, um manual voltado aos profissionais de Saúde Mental, com metas a serem atingidas. O programa funciona de maneira geral e fala sobre o acolhimento desse público nas unidades de saúde, nos hospitais gerais e nos psiquiátricos.

Em setembro do ano passado, voluntárias do CVV receberam Moção de Aplausos na Câmara de Itabira. Na ocasião, o vereador Solimar Silva abriu o coração e revelou que já esteve à beira do suicídio, motivado por uma forte depressão entre 1987 e 1992. “Durante o tempo de depressão eu vegetava. Pensei em várias maneiras de suicidar. A depressão é uma coisa terrível. E o pior é que todos acham que estamos de pirraça. Se não fosse a minha família para me escutar e dar apoio, certamente hoje eu não estaria aqui”, desabafou.

O CVV Itabira fica na rua Topázio, 248, bairro Major Lage. O telefone é (31) 3831-4111 e o atendimento é realizado entre 19h e 23h. A entidade espera ter mais voluntários para conseguir ampliar esse trabalho. Enquanto isso, o grupo vai se esforçando na missão de escutar, para romper com o silencio que custa caro. Se esforça para derrubar tabus e salvar vidas.

Fonte: www.defatoonline.com.br/noticias/ultimas/15-11-2014/suicidio-silencio-que-mata

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Matéria bem feita no webjornal MidiaNews, de Cuiabá sobre idoso, depressão e suicídio.

Depressão na Terceira Idade aumenta os riscos de suicídio
Cuiabá, 3 de maio de 2015. 
Mayla Miranda.

Suposto suicídio de idosa em Cuiabá levanta discussão sobre o mal; papel da família é importante no contexto

O suposto suicídio de uma idosa de mais de 90 anos, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, na semana passada, levantou a discussão sobre a depressão na Terceira Idade e as responsabilidades das famílias sobre os idosos. 

De acordo com a psicóloga Akheda Andrim, o estado depressivo é caracterizado principalmente pela melancolia, humor deprimido e apatia crônica. Isso aumenta os riscos de morte - principalmente, da prática de suicídio.

A população dessa faixa etária tem crescido consideravelmente no país, juntamente com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros.

A depressão é a principal doença mental da Terceira Idade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicados em 2009, só no Brasil existem cerca de 13 milhões de depressivos – o que indica a importância de as pessoas se alertarem para as causas e sintomas, em especial na redução considerável da qualidade de vida, o que aumenta muito os riscos de um suicídio.

De acordo com a 34º Promotoria de Justiça, com atribuições relativas à pessoa idosa e com deficiência, a responsabilidade do idoso é da família, mais precisamente dos filhos. 

No caso da configuração de abandono ou descaso, o familiar pode até ser responsabilizado criminalmente e preso, principalmente se já houver um diagnóstico médico de depressão.

Mal do século

A depressão é um dos mais importantes sintomas psicológicos que atingem as pessoas na idade adulta, não só por sua grande frequência, mas também por suas consequências sobre todo o organismo. É uma situação que pode se confundir com uma série de doenças.

De acordo com a psicóloga Akheda Andrim, o estado depressivo é caracterizado principalmente pela melancolia, humor deprimido e apatia crônica. 

Na idade adulta, o estresse é uma das principais causas da depressão. A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade.

“A grande dificuldade no diagnóstico está também nos muitos fatores e doenças diversas que estão na Terceira Idade, como o Mal de Alzheimer e o Mal de Parkinson, que tem como um dos sintomas a depressão. A melhor maneira de fazer um diagnóstico correto é o atendimento multidisciplinar”, diz a profissional.

Além disso, segundo a psicóloga, a depressão também pode se manifestar através de agitação ou agressividade. A insônia é mais um importante sintoma da doença.

Conforme Akheda Andrim, o estado depressivo frequentemente é acompanhado de ansiedade e de tensão muscular, podendo ocorrer dores musculares que se situam em geral nas costas ou na nuca. 

Frequentemente, ocorrem dores de cabeça. O deprimido pode, ainda, ter tremores nas mãos, palpitações e sudorese, o que pode confundir-se com outras situações médicas.

Para Andrim, a utilização de medicamentos, em especial os de uso prolongado, como tranquilizantes, tende a estimular o aparecimento de sintomas depressivos, perda de memória e desânimo.

Apoio familiar

A solidão e a diminuição de tarefas na Terceira Idade e, principalmente, a perda de parentes próximos são consideradas os principais fatores da depressão.

Para contrapor o quadro, os profissionais alegam que o apoio familiar é a principal saída nestes casos.

Dona Lourdes Secatto, de 72 anos, é um bom exemplo desta realidade. Após 52 anos casada, ela perdeu seu marido e teve que reconfigurar a vida.

“No começo, é um baque muito forte, principalmente porque nós tínhamos uma vida muito ativa juntos, sempre saíamos para dançar, comer fora e viajar. De repente, você se depara sozinha, sem o companheiro de uma vida. As coisas ficam bem difíceis”, relata a dona de casa.

Hoje, ela mora com a filha e uma neta, mas passa a maior parte do dia sozinha. Porém, isso não é um grande problema para ela, que garante que o tempo com os familiares é muito bem aproveitado.

“Eu fico sozinha muitas horas, mas quando minha filha chega é ótimo. Fazemos muitas coisas juntas, mas eu também continuo costurando, cuidando das plantas e da casa. É muito bom me sentir útil e ativa, sou muito feliz com isso”, afirmou.

Auxílio voluntário

Além da ajuda familiar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza um importante trabalho, dando apoio às pessoas que necessitam de uma palavra amiga.

De acordo com a coordenadora regional do CVV, Isaura Titon, não há um registro formal nos atendimentos justamente por conta da manutenção do sigilo, mas há uma percepção dos voluntários no aumento do número de ligações de pessoas mais velhas.

“Nós não fazemos nenhum registro, mas sabemos que a depressão está cada vez mais acometendo pessoas mais velhas. Por isso, é tão importante a atenção que nós damos”, diz a coordenadora.

Ela ainda destaca que o atendimento diferenciado da instituição zela pelo não julgamento, com apoio emocional voltado à prevenção do suicídio.

“A conversa é direcionada para a pessoa se sentir compreendida; então, a gente a ajuda. Também quero lembrar que o CVV funciona 24 horas por telefone, tem o atendimento pessoal das 08 às 18h, de segunda a sexta”, lembra Isaura.

Acolhimento e cuidados

Para aqueles idosos que realmente não têm família ou são negligenciados, o Lar dos Idosos na Capital faz um importante trabalho de acolhimento. 

A casa de repouso, mantida por parcerias e doações, admite moradores encaminhados pela Justiça.

De acordo com a diretora do lar, Ana Maria Bezerra, muitos idosos chegam ao local muito debilitados emocionalmente.

“Há cinco anos, nós tínhamos um sentimento geral de apatia na casa, e tivemos que fazer um trabalho muito forte para mudar esta realidade. Atualmente, temos 105 idosos na casa. Destes, 40 estão em tratamento constante contra doenças mentais e depressão”, conta a coordenadora.

A direção da casa implantou aulas de pintura, artesanato, horta, dança e uma infinidade de atividades para a mudança de sentimento.

“Foi um pouco difícil de fazer estes diagnóstico, porque alguns idosos têm varias doenças combinadas, mas nós conseguimos e hoje temos outra realidade”, afirma Ana Maria.

Morador da casa há 14 anos, Severino Antônio Farias, de 74 anos, chegou no lar para morar e trabalhar. Ele conta que, apesar de ter um filho que mora em Campo Grande (MS), prefere estar no Lar dos Idosos.

“Aqui eu sou muito mais feliz. Antes, ficava sozinho em casa, e eu gosto muito de conversar”, diz.

Já Pedro Muller, de 68 anos, relata que, às vezes, sente uma tristeza por estar sozinho, longe da família, mas também garante que prefere estar no Lar do que com os familiares.

“Não é muito fácil envelhecer. Antes, eu era muito independente, viajava este Brasil, mas com a idade não deu mais. Melhor do que dar trabalho para a família é estar entre amigos”, desabafa.

Após a perda de uma filha para o câncer, dona Francisca Barbosa dos Santos, 86 anos, foi morar no Lar dos Idosos, mas para ela não há problemas, e garante que ainda sabe fazer uma boa festa.

“Gosto muito de danças, costurar e conversar, então ficar aqui é muito bom para mim. Aqui tem bastante gente, não fico sozinha. Eu ainda tenho muita coisa para viver”, diz ela, com um sorriso no rosto.

Outro morador conhecido pelo bom trato e sorriso fácil é Daniel Lino da Silva, 80 anos. Ele foi acolhido há dois anos após ficar na cadeira de rodas e a família não ter estrutura para cuidar dele. A nova moradia não desanimou Daniel.

“Eu estou aqui para ficar bom logo e voltar para casa, mas não estou com pressa de ir não. Na verdade eu gosto muito daqui, tenho bons amigos”, afirma.

Em 2050, o Brasil terá 1,8 milhão de idosos

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, 30% dos brasileiros tinha de zero a 14 anos, e os maiores de 65 representavam 5% da população. 

Em 2050, esses dois grupos etários se igualarão: cada um deles representará 18% da população brasileira.

Tais números revelam a importância cada vez maior das políticas públicas relativas à previdência, diante do crescente número de indivíduos aposentados, em relação àqueles em atividade. 

Também se tornam cada vez mais importantes as políticas de saúde voltadas para a terceira idade: se em 2000, o Brasil tinha 1,8 milhão de pessoas com 80 anos ou mais, em 2050 esse contingente poderá ser de 13,7 milhões.

Ainda de acordo com o estudo em 2050, seremos 259,8 milhões de brasileiros e nossa expectativa de vida, ao nascer, será de 81,3 anos, a mesma dos japoneses, hoje. 

Mas o envelhecimento da população está se acentuando: em 2000, o grupo de 0 a 14 anos representava 30% da população brasileira, enquanto os maiores de 65 anos eram apenas 5%; em 2050, os dois grupos se igualarão em 18%. 

E mais: pela Revisão 2004 da Projeção de População do IBGE, em 2062, o número de brasileiros vai parar de aumentar.

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=230694#

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Matéria sobre o suicídio no Jornal Repórter Diário, da região do ABC

Uma matéria competente sobre o suicídio, sua estatística, meios de prevenção e outras informações valiosas para o leitor. Enfim, a imprensa vem aprendendo a lidar com o tema!

Brasil tem 25 suicídios por dia

A morte do músico Luiz Carlos Leão Duarte Junior, o Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr., na madrugada desta segunda-feira (9) levanta a polêmica sobre o tema suicídio. Segundo último levantamento do Datasus, bando de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2010, foram 9.448 óbitos por suicídio no País, número 95% superior em relação à pesquisa feita em 1990.

Na pesquisa do Datasus, os homens lideram o índice de óbitos por suicídio, independente da faixa etária. No entanto, os brasileiros na faixa de 30 a 39 anos de idade dispararam de 795 casos em 1990 para 1.607 em 2010. Já a quantidade de suicídios entre mulheres na mesma faixa etária foi bem menor em 20 anos: de 242 casos em 1990 para 389 em 2010.

Outra faixa etária que chama atenção na pesquisa é a de adolescentes, entre 15 e 19 anos. O levantamento do SUS apontou aumento de 60% de aumento no período, com 605 vítimas em 2010.

Para o CVV (Centro de Valorização da Vida), é preciso derrubar tabus e destacar a importância de falar sobre o assunto que envolve, em média, 25 brasileiros vítimas de suicídio por dia. Com essa premissa, a instituição promoveu nesta terça-feira (10), o 2º Seminário de Prevenção do Suicídio, exatamente no Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Realizado no Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação (Cecape) "Dra.Zilda Arns", de São Caetano, o encontro aberto ao público contou com a participação de importantes agentes no trato do suicídio, que contribuíram com informações para a população ajudar a reduzir o número de casos no Brasil.

Sinais

Carlos Correia, voluntário do CVV, conta que todas as pessoas que pensam em suicídio transmitem sinais. "Eles podem ser percebidos por quem está em volta e, com o acolhimento, o sentimento negativo é superado e o tratamento direcionado", apontou o voluntário do CVV, que oferece trabalho de apoio emocional gratuito por telefone, chat ou pessoalmente a qualquer cidadão.

Flávia Ismael, coordenadora do Pronto-Socorro Psiquiátrico de São Caetano, contou que não existe perfil padrão do suicida, mas um agrupamento de fatores que sinalizam maior tendência, como faixa etária, sexo, doenças mentais e, principalmente, perdas em geral. "O suicídio é o pior desfecho da psiquiatria, que trabalha preventivamente para evitar o sentimento depressivo, além de acompanhar aqueles que estão envolvidos com o paciente, pois é papel de quem está em volta abordar o assunto", afirmou.

Sobre o fato de os adolescentes se destacarem, e muito, na lista de casos de suicídio no Brasil, a psiquiatra Flávia Ismael explica que as constantes pressões para que o jovem siga determinados padrões é um dos principais fatores. "Na maioria dos casos, o distanciamento e a apatia sinalizam um comportamento que deve ser analisado preventivamente", afirmou.

A tenente Adriana de Moraes Zuppo, do Corpo de Bombeiros de São Caetano, diz que o processo para convencer a pessoa a não concluir a tentativa de suicídio é demorado. "Cria-se um vínculo com o bombeiro e o acompanhamento deste indivíduo é fundamental para que a ocorrência não regrida", comenta.

De acordo com o CVV, vários motivos podem levar alguém ao suicídio. Geralmente, a pessoa tem necessidade de aliviar pressões externas, como cobranças sociais, culpa, remorso, depressão, ansiedade, medo, fracasso e humilhação.

Ouvir ajuda vítima sair da crise

Segundo o CVV, o suicídio continua sendo um tabu. É preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto e compartilhar informações ligadas ao tema, assim como já ocorreu com as doenças sexualmente transmissíveis ou câncer, cuja prevenção se tornou bem-sucedida, porque as pessoas passaram a dominar o assunto.

Outra informação importante é que as vítimas sempre pedem socorro quando o suicídio parece uma saída. A vontade de viver conflita com o desejo de se autodestruir. Encontrar alguém que tenha disponibilidade para ouvir e compreender os sentimentos suicidas fortalece a intenção de viver.

O CVV ressalta que a sociedade precisa perder o medo de se aproximar das pessoas e oferecer ajuda. A pessoa que está em crise se sente sozinha e isolada. A recomendação é perguntar "tem algo que eu possa fazer pra te ajudar?". Nessa hora, ter alguém para ouvir a vítima pode fazer toda diferença. "E qualquer um pode ser esse ombro amigo, que ouve sem fazer críticas ou dar conselhos. Quem decide ajudar não deve se preocupar com o que vai falar. O importante é estar preparado para ouvir", ensina o CVV.

da Redação com colaboração de Iara Voros.
Fonte: www.reporterdiario.com.br/Noticia/420143/brasil-tem-25-suicidios-por-dia/